Sunday, May 28, 2006

Apenas um beijo?

***
Rabiscos de Bernard Lestel

Estávamos no Bateaux quase chegando ao porto de Paris. Mais um ano havia se passado em Beauxbatons, e eu agora fazia um flash back de tudo que tinha acontecido... O primeiro dia, na sala da lareira... Olhei para meus amigos, todos calados e pensativos. Vaguei até o que tinha dito aquele dia... Não tinha cumprido a minha meta para o ano, pela primeira vez, mas não tinha a consciência pesada por isso...

Ian me olhou por um momento, profundamente, e como se ele fosse capaz de ler meus pensamentos, soltou um sorriso e chegou bem perto de mim para falar...

IL: Se lembra do que disse na sala da lareira Bernard? Você e a Bel?
BL: Você se lembra do que disse sobre você e a Marie?
IL: Pelo menos eu a beijei... E você? E o Samuel com a Amaralina...
BL: Eu não prometi nada, vocês que fizeram por mim! Não sou obrigado a cumprir!
IL: Se aceitou calado, é obrigado a cumprir sim... Vai me dizer que você não quer? Você ainda tem o restante da viagem, é a sua chance!
BL: Me erra Luke! Não vou fazer nada!
IL: Bem, você que sabe... Não cumprir uma meta dá um azar danado!!!

Não me lembro bem o que tinha acontecido aquele dia, mas por cargas d’água havia prometido que beijaria a Bel caso o Ian beijasse a Marie e o Samuel beijasse a Amaralina, coisas que eu achava praticamente impossíveis de acontecer até o ano passado. No entanto, surpreendentemente eles tinham feito o que haviam prometido, mesmo involuntariamente, e eu, eu não tinha nem lembrado disso até aquele momento. A Bel era a menina com quem eu passava tardes estudando na biblioteca, e apesar de ela ser um ano abaixo do meu, sabe muitas coisas adiantadas, o que me ajudou bastante... Uma amiga de estudos, assim eu a considero!

Não que eu nunca tivesse olhado ela com outros olhos, afinal ela é bem bonita, mas o jeito fechado dela me garantia que era melhor não tentar nada que não envolvesse algo relacionado a algum livro, pelo menos diretamente...

Olhei ao redor e a encontrei sentada na proa sozinha lendo. Queria ir lá conversar com ela, mas já não tinha coragem. Uma coisa estranha tava se debatendo dentro de mim, algo como a vontade louca de cumprir a minha meta contra a minha contenção de lembrar a personalidade da Bel.

O navio ancorou e os alunos começaram a juntar suas coisas para descerem. Meus amigos se levantaram e Dominique me cutucou para irmos... Juntei minhas coisas com a cabeça um pouco vaga...

AD: Boas férias Bernard! A gente se fala não é?
BL: Bel! Oi... Ham, claro! Boas férias!
AD: Bom, então até mais... Quando o resultado dos seus exames chegarem, você me avisa, certo?
BL: Claro, claro... Até!

Ela virou para descer do barco e comecei a pensar dez vezes mais rápido do que antes... Corri até ela, no meio da escada, segurei seu braço e a beijei.

Segurei ela firme pela cintura, como se temesse que ela fosse começar a se debater e me esmurrar ali mesmo, mas acho que movida pelo choque ou qualquer outra coisa ela nem se mexeu e correspondeu ao beijo.

Uma multidão de aplausos e assobios começou, e ouvi meus amigos gritarem e urrarem. Acho que preferia não ter que abrir os olhos até estar tudo silencioso outra vez... Outros barulhos foram ouvidos também, e novas gargalhadas. Ficamos grudados não sei quanto tempo, quando a soltei...

Ela demorou um pouco pra abrir os olhos, e me encarou confusa e perplexa. Ian, Dominique, Samuel, Michel e Marie passaram me dando tapinhas e rindo, e a irmã gêmea da Bel, Isa, mal conseguia ficar em pé de tanto que ria...

Bel abaixou a cabeça um pouco constrangida, e juntou suas coisas do chão. Não sabia o que lhe dizer, e nem deu tempo. Ela não disse nada e passou correndo por mim sendo seguida pela irmã, ainda enxugando as lágrimas. Não entendi porque a Isa riu tanto, mas nem me esforcei para entender também...

***
Novidades de Isa McCallister

Chegamos em Paris. Amaralina me abraçou e desceu apressada antes que os mais afobados tampassem a saída. Passei a viagem toda conversando com os meninos do time de quadribol, com quem tinha feito amizade esse ano.

De um por um se despediram de mim e seguiram o bando de estudantes em fila que se afobavam para saíram dali logo. Juntei todas as minhas coisas (e só nessas horas percebo o tanto de coisas que tenho) e me esforcei para sair. Brendan, um dos artilheiros, me esperou e me ajudou com as bagagens. Fomos andando devagar até a escada enquanto conversávamos sobre os planos para as férias.

Era difícil acreditar que esse ano já havia acabado! Estava tão preocupada em carregar tudo aquilo nas mãos, e me enfiar na aglomeração de alunos que só olhei ao redor quando Ian, Samuca e os outros amigos começaram a rir e aplaudir. Aquilo me chamou a atenção, e mais ainda, quando Brendan rindo apontou para onde estava, ou melhor, estavam, os alvos...

No meio da escada, identifiquei um casal se beijando. Aquilo soaria normal, ainda mais em um clima de despedidas, mas foi um choque tão intenso que deixei tudo que carregava cair no chão. Não conseguia acreditar...

A Bel, sim, Anabel Damulakis McCallister, minha irmã gêmea, beijando o Bernard, um dos amigos do Ian... Passado o choque inicial só o que consegui fazer foi rir! Rir e muito, sem parar... Lágrimas escorriam do tanto que gargalhava da cena!

Você pode estar pensando: Rir de quê? Ela é tão bonita quanto você, ele também não é feio, e se combinam, já estava na cara não? Não! Não tinha nada na cara, e muito pelo contrário! Ver a Bel com um garoto foi a cena mais chocante que presenciei em toda a minha vida! Era como se um dos meus devaneios impossíveis estivesse se tornando real!

Não estou exagerando, é a mais pura e concreta verdade! Até o ano passado, ela morria de amores por um fantasma, e desprezava qualquer relação sentimental, ou gesto, que envolvesse contato muito próximo com alguém do sexo oposto.

Quando Bernard a soltou, ela juntou suas coisas rápido e saiu correndo. Deixei Brendan responsável por carregar as coisas que tinha deixado cair e corri atrás dela, alcançando-a já na saída do porto.

IM: BEL! Ta fugindo de quem? – disse enquanto tentava parar de rir.
AM: De você Isabel, de quem mais estaria fugindo?
IM: Não sei... Do Bernard?
AM: Me esquece! O seu pai já vem buscar a gente?
IM: Sim, já deve estar por aqui... Me conta Bel, vocês estão namorando? Fazem um casal tão lindo...
AM: Não me obrigue a usar a varinha!
IM: E ser expulsa do colégio? Já estamos de férias...
AM: Um banho de rio involuntário é uma boa idéia então!
IM: Quer dizer então que você esqueceu o Nick Quase sem cabeça?
RM: Isa!!! – Papai me cutucou e em seguida me abraçou forte... – Olá Anabel! – disse lhe estendendo a mão... – Podemos ir?
AM: Vamos!
IM: Um minuto, vou pegar minhas coisas...

Saímos do porto e fomos direto para o aeroporto onde pegaríamos um avião para Nova York. Bel evitou meu olhar durante toda a viagem lendo, ou tentando, um livro. Essas férias seriam divertidas...

Thursday, May 25, 2006

E mais um ano se passou...

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Acho que ele está acordando...
- Luke? Pode nos ouvir?
- Mas que barulho é esse? Fora, fora, todos vocês!

Abri os olhos devagar e me deparei com o rosto de madame Magali muito próximo ao meu. O susto fez com que eu saltasse da cama e caísse deitado outra vez, dolorido. Meu corpo doía, tinha a impressão de que um carro havia passado por cima de mim e que a marca do pneu estaria no peito. Olhei para o lado e vi meus amigos parados na porta, parecendo aflitos. Provavelmente foram eles que madame Magali expulsou de perto da cama.

- Não fiquem aí parados! Vão procurar os pais de monsieur Lafayette, agora! – a enfermeira ordenou e ouvi passos saírem correndo pelo corredor. – Saiba que teve muita sorte... Se monsieur Storm não o tivesse encontrado, sabe Merlin o que teria acontecido!

Sacudi a cabeça, confuso. Quem me encontrou? E aonde? Não me lembrava de nada, minha ultima lembrança era de estar encurralado por comensais e um deles estar prestes a me matar, quando achei da caixinha que vovô me deu... Uma poção verde foi empurrada com força na minha boca e as portas da enfermaria se abriram em seguida, deixando meus pais entrarem. Mamãe veio correndo até minha cama, parecendo extremamente aliviada.

- Oh você está vivo! Não sabe como fiquei preocupada! – e abraçava e beijava minha cabeça.
- Ai mãe, ta me sufocando...
- Como se sente? – papai falou sério.
- Um pouco tonto... O que aconteceu?
- Não sabemos ainda, mas você foi encontrado por outro aluno na floresta e trazido para cá desacordado.
- Bom meu filho, já que está bem, vamos voltar ao serviço. Ainda precisamos descobrir o que aconteceu naquela floresta, o aluno que trouxe você disse que foi atraído por um clarão.

Minha mãe me apertou mais uma vez e saiu com papai agitada da enfermaria. Pelo visto estavam atolados de serviço. Meus amigos ainda estavam parados no mesmo lugar, em um claro dilema para saber se entravam ou não de novo. Madame Magali olhou para eles impaciente.

- Por Merlin, entrem logo antes que eu perca a paciência!
ML: Obrigada! Luke, você esta bem?? – Marie falou correndo na frente dos meninos.
BL: Pensamos que não fosse mais acordar...
IL: O que aconteceu?
DC: Você não se lembra??
IL: Só que estava encurralado por 5 comensais, não me lembro de mais nada que aconteceu ontem.
SS: Ontem não, já se passaram dois dias desde os ataques.
DC: Você estava em coma, cara!
IL: Mas como eu posso ter ficado dois dias desmaiado? O que aconteceu depois que o comensal me encurralou??
BL: Luke, você matou todos eles...
IL: Como é??

Saltei da cama outra vez e derrubei as cortinas com o pulo. Madame Magali olhou quase cuspindo fogo e deitei de novo. Michel então começou a contar o que havia acontecido, tudo que ele tinha visto enquanto estava em forma de lobisomem e tentava me socorrer. Olhava para eles incrédulos. Como uma caixa daquele tamanho quase mutilou 5 comensais?? Mas ninguém sabia responder, nem Marie encontrou uma explicação depois de passar dois dias lendo todos os livros da biblioteca atrás de algo parecido. Samuel falou que seu pai estava comandando um inquérito para descobrir como isso havia acontecido e senti meu estomago embrulhar. Tudo que não precisava agora era me encrencar, ainda mais se nem sei como me meti nessa!

- Já chega, acabou o horário de visitas! Fora! – madame Magali veio enxotando meus amigos e recolocou minha cortina no lugar, me empurrando outro cálice com poção fedorenta.

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Completei três dias na enfermaria, madame Magali me liberou somente no ultimo minuto. Sai apressado em direção à Sapientai e fiquei grato ao chegar no dormitório e ver que Bernard havia juntado todas as minhas coisas e amassado no meu malão, imaginando que eu não teria muito tempo para arrumá-las. Agradeci a ele e descemos as escadas rumo ao cais, onde o Bateaux já apitava, chamando os alunos atrasados para o embarque.

Sentamos em nossos habitais lugares ao fundo e quando o barco começou a se movimentar, me debrucei na borda para dar uma ultima olhada no castelo de Beauxbatons... Havia sido um ano e tanto! Quase fui expulso, ateei fogo em um acampamento, meu primo virou um lobisomem, estudei uma semana em uma escola trouxa, havia ficado com Marie na festa de dia dos namorados, quase morri em um ataque, fiz novos amigos... Esse com certeza foi um ano que será difícil de esquecer!

Estava tão distraído com as lembranças que nem percebi que já havíamos chegado ao porto de Paris. Foi o barulho de malões batendo no chão que me despertou. Arrastei o meu para o corredor e o larguei pelo caminho quando vi que Morgan estava quase saindo. Corri ate ela, a assustando sem querer quando saltei na sua frente.

MOH: Que susto Ian! Não faz mais isso!
IL: Desculpa, queria me despedir de você, não nos veremos mais ano que vem...
MOH: É verdade, agora sou uma bruxa formada!
IL: Bom, adorei te conhecer, de verdade! Você é muito legal!
MOH: Também adorei conhecer você Ian. Apesar de encrenqueiro, é um garoto legal. E quem sabe você não decide se tornar um auror... Assim podemos nos esbarrar de vez em quando.
IL: Vou estudar essa possibilidade...

Despedimos-nos ali mesmo e ela desembarcou indo ao encontro do namorado. Apanhei meu malão novamente e quando pisei do lado de fora, me lembrei que ainda faltava me despedir de uma outra pessoa... Estiquei o pescoço para enxergar por cima das cabeças e o vi quase saindo da estação. Corri até lá.

IL: Hei! Freckles, digo, Gabriel! Espera!
GS: O que foi?
IL: Er, é que... ahn... Bom, não é nada demais... Só queria agradecer por ter me levado de volta ao castelo ainda vivo...
GS: De nada... Apesar de você ser um pé no saco, não iria deixá-lo morrendo na floresta.
IL: Sei que sou chato, mas me enganei com você e sei admitir quando estou errado. Você é legal... Trégua? – e estendi a mão.
GS: Trégua... - falou apertando a minha. - Você deu sorte, se seu primo não tivesse lá vigiando você, outros comensais poderiam ter aparecido antes que eu pudesse lhe encontrar.
IL: Quem? Como que...
GS: Você guarda o meu segredo e eu guardo o seu, certo? Boas férias... Nos vemos em Setembro!
IL: Boas férias...

Gabriel saiu da estação com a mãe e fiquei parado olhando pra ele com cara de idiota. Como ele descobriu sobre o Michel? Será que agora eu falo mesmo estando desmaiado?? Não, impossível... Só tem uma explicação: ele viu Michel me devolvendo a caixinha no barco! Como estava lá e provavelmente viu o lobisomem levá-la embora sem nos machucar, deduziu que só poderia ser ele! Era só o que me faltava... Ele agora sabe dois segredos meus, sendo que um eu ainda nem descobri qual é! Bom, agora não tem mais jeito, ele não vai contar a ninguém mesmo... Melhor esquecer isso e aproveitar as férias. Voltei para junto dos meus amigos e terminei de me despedir deles, pois só nos veríamos daqui a dois meses, para passar nosso ultimo ano em Beauxbatons...

Wednesday, May 24, 2006

Um adeus para o início de uma nova vida

Do diário de Morgan O'Hara

Abri os olhos e vi Carlinhos sentado na cadeira ao lado da cama. Parecia exausto. Tentei me mover bem devagar, mas ele acordou, e se aproximou:
MOH - Sempre me salvando não é?
CW - Oi. - e me deu um beijo, ficando com a testa encostada na minha, como se pudesse apagar as lembranças ruins.
MOH - Como chegou tão rápido aqui?
CW - Eu estava no Ministério em Paris, falando com os McGregors, quando foi dado o alarme.
MOH - Eu o matei? - disse me referindo ao professor Richelieu.
CW - Não. Ficou bem machucado, mas a enfermeira o curou e os aurores o estão levando para a prisão junto com alguns outros. – respirei aliviada.
MOH - Amor, ele disse que outras escolas seriam tomadas também. Seus irmãos... Megan em Ballyhara, nós temos que ajudar. - fiz menção de levantar da cama, mas fiquei tonta.
CW - Ainda estamos sem contato com as outras escolas, mas em Hogwarts temos Dumbledore e na Irlanda temos sua tia Bertha. Tem que ser muito bom, para passar por eles, portanto acalme-se.
Olhei em volta e vi várias cortinas fechadas na enfermaria. Nesta hora a enfermeira veio me examinar novamente:
MM - Senhor Weasley preciso examinar a senhorita O'Hara, poderia se retirar um minuto?
CW-Eu vou falar com os McGregors, para saber das notícias ok?
Ele saiu e me deixou sendo examinada pela enfermeira. Ainda bem que ele fez isso, pois a notícia que ela me deu depois me deixou um tanto surpresa.

-x-x-x-x-x-x-

Carlinhos havia conseguido um contato com o pai e voltado para Londres, naquela noite com a ajuda de Sergei. Gui havia sido atacado por um lobisomem e seu estado era grave, tive que insistir para que saísse do meu lado e fosse ver o irmão; e só foi porque conseguiu a garantia de poder voltar pela mesma chave de portal. Gui havia sido ferido, enquanto lutava para defender Hogwarts, e naquela noite uma grande perda se abateu sobre o mundo bruxo: Dumbledore estava morto.
Madame Máxime foi ao funeral, e encarregou a professora Milena de continuar a reconstrução do castelo junto com os outros professores, pois os alunos deveriam voltar para suas famílias para passar as férias de fim de ano letivo.
O Ministério estava decidindo se a escola continuaria a funcionar depois do ataque, mas pela determinação que vi nos rostos dos aurores pais dos alunos, a escola continuaria, foi o que me disse a senhora McGregor, quando a questionei sobre isso:
AM - Morgan, mesmo em casa as pessoas correrão perigo, enquanto Voldemort não for detido. O jeito é estarmos unidos para enfrentar a ameaça, e aqui os alunos pelo menos estarão aprendendo a se defender...

Durante o trajeto do barco para Paris, me despedi de Marienne, Julian e Armand. Apesar dos ferimentos sofridos estavam bem, estávamos felizes por estarmos vivos e fizemos planos para ajudar a reforçar a resistência contra as forças das trevas, pois como bruxos formados ninguém poderia nos impedir de ajudar. E Armand dizia que assim poderia conhecer todas as pessoas interessantes que lutaram para defender Beauxbatons.
Sei... Combinamos de nos manter em contato.
Mais cedo eu havia me despedido de Ty; que iria voltar com os pais pela rede de Flu para a Escócia. Ele estava todo animado com as coisas que iria aprender com eles e o padrinho, disse me escreveria contando seus progressos, e que daria um jeito de me visitar. Disse isso alto, na hora que a garota da Nox passava acompanhada pelos irmãos. Vimos quando ela fechou a cara e seguiu em frente. Ele apenas me deu um sorriso travesso e foi embora procurar os pais.
Na saída do barco encontrei Ian totalmente recuperado. Havia sido o aluno mais atingido nesta batalha, pois ficou em coma por dois dias. Um bom amigo que fiz neste ano que passei por aqui. Encrenqueiro, complicado para expor seus sentimentos, mas de coração grande. Talvez este ano ele consiga realizar seu objetivo. Vou torcer por ele.
Logo encontrei Carlinhos me esperando no porto, e pelos seus olhos percebi que o problema com Gui havia sido sério. Caminhávamos às margens do Sena, em direção ao Ministério bruxo francês, e de lá iríamos de Flu até Londres. Tudo arranjado por Sergei.
MOH - Como está o seu irmão?
CW - Diferente, mas vai sobreviver. Vamos ficar na Toca, tudo bem?
MOH - Sim, claro.
CW - Já que você terminou a escola, você poderia ficar em Londres com meus pais, até nos casarmos. Acho mais seguro.
MOH - Você vai estar lá também?- perguntei já sabendo a resposta.
CW - Não posso. Agora sem Dumbledore temos que nos organizar para nos defendermos. Nem sei se a Ordem da Fênix vai continuar a existir.
MOH - Vou ficar nas Ilhas Hébridas com tia Bertha.
CW - Morgan, eu quero que você fique com eles, para que eu possa ajudar o nosso lado, ficarei mais tranqüilo. Eles cuidarão de você.
MOH - Desculpe, mas não vou ficar com seus pais, enquanto você está se arriscando por ai; não enquanto eu puder ajudar. Não preciso de babá, já tenho o Porshy fazendo isso. Vou ajudar, nem que seja para reconstruir a escola na Irlanda, Hogwarts ou aqui.
Começamos a discutir acaloradamente, quando decidi por um fim naquela discussão, pois nenhum dos dois estava disposto a ceder. Peguei sua mão e coloquei em cima da minha barriga dizendo:
MOH - Vamos ficar bem protegidos na Ilha dos dragões, esperando por você. Lá é o nosso lugar.
Seu rosto que exibia tensão, primeiro ficou surpreso e depois emocionado.
CW - É sério?- disse me erguendo do chão num abraço.
Confirmei com a cabeça e passamos o resto do caminho fazendo planos para nosso futuro.
Um futuro que estava bem acomodado em minha barriga, e que mesmo com as dificuldades que estão por vir, será recebido com muita alegria.

Monday, May 22, 2006

Danos permanentes de uma batalha

Das memórias de Gabriel Graham Storm

- O Dashwood? Um comensal?
- O próprio... Eu desconfiava, mas tive certeza ontem quando o vi com a varinha apontada pro meu filho.
- Aquele canalha! Ah se ele machuca uma das crianças...
- Ah Gabriel, Scott está procurando por você. Ele está no Grande Salão com madame Maxime tentando controlar os pais desesperados e sendo assediado pelas meninas... – tia Yulli falou rindo, arrancando gargalhadas de minha mãe e tia Alex.

Eu estava sentado nos jardins com minha mãe conversando sobre a confusão da noite anterior, ela me explicava o que aconteceu depois que nos separamos. A escola ainda estava um caos. Varias paredes tinham buracos feitos por feitiços fortes, pais apavorados querendo detalhes do ataque e muitos alunos na enfermaria, entre eles o Ian... Eu havia o retirado da floresta apagado e até agora ele ainda não tinha acordado. Seus pais, que eram aurores e tinham ajudado na noite anterior a conter os comensais, estavam preocupados e não saiam do lado da cama dele.

Levantei do banco e deixando-as sozinhas, me encaminhei para o Grande Salão. Ainda não havia visto meu padrinho desde que ele chegara, no meio dos ataques. Depois que consegui chegar vivo ao castelo e deixar Ian na enfermaria, um dos professores me trancou no salão comunal da Sapientai junto com os outros alunos da casa e só sai essa manha, quando tudo já estava sob controle. Passei a noite toda em pânico, sem saber onde Ty e Miyako estavam, só hoje de manha descobri que ambos estavam vivos, mas machucados na enfermaria. Tio Scott estava sentado numa mesa conversando com um grupo de pais, explicando alguma coisa e com um ar sério que raramente via nele. Assim que me viu ele acenou, encerrando a conversa com os pais e vindo ao meu encontro.

- Gabriel! Como está? Não está machucado, não é?
- Não tio, eu estou ótimo, foi só um susto mesmo. Mas se mamãe não tivesse chegado a tempo...
- Ela me contou... Aquele asqueroso acaba de ganhar dois grandes inimigos!
- De onde eles se conhecem??
- Estudamos junto com aquela praga em Hogwarts... Sempre soube que ele era um comensal, Louise que não queria acreditar.
- A Ordem da Fênix está de volta à ativa, não é? – falei indicando o broche em seu peito.
- Sim! E dessa vez, sem nos escondermos. Precisamos recrutar o máximo de gente possível e estava ficando difícil fazer isso sendo uma organização secreta.
- Posso me candidatar??
- Nem em seus mais loucos sonhos... Pode tirar o hipogrifo da chuva, sua mãe morre só de saber que você cogitou isso. E além do mais, você não tem idade suficiente.
- Isso é injusto! Eu... – parei antes de completar a frase. – Mas que risos são esses?

Olhei para trás incomodado e uma massa de alunas sufocava risadinhas enquanto olhavam sorrindo para meu padrinho. Isso era realmente irritante! Todo lugar que vou com ele é a mesma coisa. Ele não costuma ligar, normalmente acha engraçado, mas hoje pela primeira vez vi que estava sem graça. Não pude deixar de rir.

- Ela está olhando pra você Gabriel...
- Não seja ridículo, elas estão quase desmanchando ali por sua causa!
- Não, não, aquela ali não esta sorrindo pra mim não.
- Hã? Quem?

Virei rápido demais para ver quem ele indicava com a cabeça e me arrependi na mesma hora. Ainda tentei disfarçar, mas ele percebeu que corei quando vi quem era.

- Huuuum quem é ela?
- Não sei, não conheço...
- Por que não vai até lá?
- Não, obrigado. Vou dar uma volta, vem também?
- Não posso, ainda tenho muito que fazer. Nos vemos mais tarde.

Levantei depressa e sai do Grande Salão sem nem olhar para trás. Sabia que meu padrinho agora teria material para pegar no meu pé por um bom tempo. Ele voltou para um outro grupo de pais e eu fui ao encontro de minha mãe. Ela agora conversava com um casal que reconheci como sendo os pais do Ian. Ele devia estar melhor, pois ambos pareciam aliviados.

- Filho, o Sr. e a Sra. Lafayette estavam procurando por você.
- Você é o Gabriel?
- Sou eu sim senhor...
- Obrigado por trazer meu filho de volta ao castelo com vida. Não quero nem pensar no que teria acontecido se você não tivesse o encontrado.
- Não foi nada, não precisa agradecer. Ele já acordou?
- Ainda não, mas é só uma questão de tempo. Precisamos ir agora, muitas coisas a resolver ainda, só queríamos lhe agradecer.

Ele apertou minha mão e saiu com a esposa pelo gramado em direção ao castelo. O dia inteiro teve essa movimentação fora do comum, com aurores entrando e saindo, revistando todos que passavam pelo portão para visitar os filhos e avaliando os prejuízos. Mamãe me contava agora que havia recebido informação de que Beauxbatons não fora a única escola a ser invadida por comensais. Parece que todas as escolas de magia existentes sofreram um ataque na noite anterior, tudo muito bem planejado por você-sabe-quem e seus seguidores.

- Será que meus amigos de Hogwarts estão bem?
- Espero que sim. Não conseguimos fazer contato com as pessoas de lá, também estou preocupada...
- Lou! Até que enfim te encontrei!

Tia Yulli chegou com os olhos cheios de lagrimas onde nós estávamos. Tia Alex e tio Scott vinham logo atrás dela com as piores expressões que podiam fazer.

- O que aconteceu? Por que estão chorando?
- Temos notícias de Hogwarts e não são das melhores...
- Por Merlin, mas o que foi que aconteceu??
- Dumbledore... Ele... Ele... – ela soluçava enquanto tentava falar. – ele morreu...

Vi que minha mãe caiu sentada no banco outra vez, os olhos se enchendo de lagrimas instantaneamente. Olhei assustado para eles, ainda sem acreditar no que acabara de ouvir. Alvo Dumbledore, morto? Não sabia explicar o que estava sentindo naquele momento, mas uma enorme sensação de vazio se instalou em mim. Sabia que tio Scott agora explicava o que aconteceu, ouvia palavras soltas como “ataque”, “torre”, “Severo Snape” e “traidor”, mas não conseguia absorver nada. Dumbledore era de longe o melhor diretor que Hogwarts já teve, era um grande bruxo, conseguia fazer com que todos se sentissem à vontade sem se esforçar e tratava os alunos como se fossem seus netos. E agora deixara milhares de órfãos... Uma lagrima escorreu pelo meu rosto sem que eu percebesse. Essa seria sem duvida a maior perda dessa guerra sem fundamento.

Sunday, May 21, 2006

Sombra e Penumbra

Do diário de Miyako Kinoshita

Um raio atingiu em cheio meu estômago, mas quem dera tivesse ficado só por lá. Uma dor, como eu nunca tinha imaginado sentir um dia, tomou conta de cada milímetro do meu corpo. Era como se eu estivesse sendo triturada por uma máquina de carnes... Foi tão forte, que perdi os sentidos. A última coisa que ouvi foi um grito, um grito da minha mãe de horror e ódio, e não vi mais nada...

***

Abri os olhos com um pouco de esforço. Ainda sentia meu corpo dolorido, mas muito mais leve do que havia sentido horas antes. Mesmo com a visão turva, consegui me localizar dentro da enfermaria do castelo, e aos poucos, os sons ao redor foram se tornando audíveis.

Fiz esforço pra me sentar apoiada nos travesseiros. Mamãe estava olhando para os jardins pela janela da enfermaria tão distraída que nem percebeu que tinha acordado...

MK: Mamãe?
YH: Ah, por Merlin! Até que enfim você acordou! – Me abraçou com os olhos cheios de água, pálida e trêmula. – Tudo bem? A cabeça ta doendo? E o corpo? Quer comer alguma coisa?
MK: Calma mãe, eu to legal... – disse sorrindo para tranqüilizá-la.
YH: Graças a Deus, se você não tivesse me chamado a tempo... Se eu não tivesse te encontrado a tempo! – Me abraçou tão forte que fiquei sem ar uns instantes.
MK: Como estão o Gabriel e o Ty?
YH: Ah, eles estão bem, não se preocupe... O Gabriel está lá embaixo com a Louise e o Scott, e o Ty está do seu lado...

Olhei um pouco ansiosa para a cama do lado e reconheci Ty ainda inconsciente, e os pais dele conversando na beirada da cama.

MK: O que fizeram com ele?
YH: Um feitiço das trevas que está sendo usado pelos Comensais, infelizmente, em grande proporção... Se Sergei não tivesse encontrado ele a tempo, poderia ter acontecido outra tragédia!
MK: O que houve mãe? Eu já te disse que estou legal, e não aconteceu nada de ruim com meus amigos... Porque você está tão nervosa assim e não para de tremer?
YH: Não houve ataques só em Beauxbatons na noite anterior Mi... Atacaram todas as escolas de magia. Pelo visto, em cada uma delas, havia um Comensal informante...
MK: Atacaram Hogwarts também, não é? – ela confirmou com a cabeça e lágrimas começaram a sair descontroladamente dos seus olhos... – Mãe, o que aconteceu lá?
YH: Eles... Mataram Alvo Dumbledore!

Nunca estudei em Hogwarts, e nunca conheci pessoalmente Alvo Dumbledore, mas não era preciso isso para saber quem ele era... O maior bruxo de todos os tempos, segundo o Gabriel, o único bruxo a quem Lord Voldemort temeu... Morto! Abracei minha mãe sem dizer nada. Ela chorou silenciosamente por um longo tempo. Sergei, que estava conversando com Madame Magali sobre o ferimento do Ty, veio até a minha cama... Mamãe limpou o rosto e o abraçou.

SM: Eu sei o que você está sentindo Yulli, mas agora já é tarde... Vamos nos preocupar com o que vai ser de agora para frente... Tudo bem Miyako?
MK: Tudo sim...
SM: O que fizeram com você?
MK: Depois que avisei minha mãe, subi correndo até a torre mais alta do castelo para me esconder, como minha mãe tinha mandado, mas quando estava quase chegando, ouvi um grito, e vi um Comensal torturando uma primeiranista. Tentei defendê-la e o ataquei, mas ele conseguiu se desviar e veio atrás de mim... Conseguiu me acertar, e depois, só ouvi minha mãe me gritando, e me encontrando...
YH: Ele jogou uma Imperdoável nela, a torturou... Eu quase perdi o controle de tudo... O professor deles, Pierre, chegou a tempo de impedir que eu fizesse uma besteira e conseguiu imobilizar o nojento. Aí a trouxemos pra cá...
SM: Covarde, porque não veio brigar com alguém do tamanho dele? Que sorte também, ter recebido ajuda em tempo... Vai embora hoje?
YH: Se a Madame Magali der alta para a Miyako hoje, sim, se não, durmo por aqui e vou amanhã... Nem avisei ao Gringotes porque viajei, mas acho que não é necessário. O Profeta Diário e todos os outros jornais bruxos já fizeram isso por mim!
MK: Ah, o Ty acordou! Finalmente... – disse sorrindo e acenando para meu amigo na cama ao lado, que retribuiu.
SM: Vou lá falar com eles... Melhoras Miyako! A gente se fala daqui a pouco, ok Yulli?
YH: Certo...

Mamãe me entregou uns sapos de chocolate e contou mais coisas sobre os ataques em Beauxbatons e nas outras escolas. Passados alguns minutos, Madame Magali disse que a hora para visitas tinha acabado, e que precisávamos descansar. Mamãe se despediu de mim e saiu para os jardins dizendo que voltaria mais tarde... Tentei esvaziar a mente, e dormir, coisa que não foi muito difícil de fazer, após tomar uma poção revigorante que Madame Magali me entregou...

O dia depois de ontem...

Memórias de Ty McGregor

- Querida, pára de ficar mexendo nele, ele vai acordar...
- Ainda tremo ao pensar que machucaram nosso filho. Se o Sergei não tivesse chegado a tempo.


Senti a mão da minha mãe mexendo no meu cabelo como ela sempre fazia e eu detestava. Abri os olhos e ela estava em cima de mim e meu pai pulou da cadeira, se aproximando. Dava pra ver os olhares ansiosos deles.
KM - E aí como você está?
Mamãe me olhava fixamente, e quando ela viu que eu tava normal, ela respirou aliviada.
TM - Pai, mãe, o que foi que houve realmente? Cadê meus amigos? – e senti uma dor na perna quando me sentei rápido. Trinquei os dentes, mas minha mãe percebeu.
AM - Calma. Eles estão bem.- enquanto me dava uma poção púrpura.
TM - Argh o que é isto? Chulé de trasgo?
AM - Quase, mas vai te curar. - disse mamãe rindo e meu pai começou a contar os últimos acontecimentos.
KM - O ataque destruiu algumas paredes, machucou algumas pessoas, mas graças a Miyako que conseguiu avisar Yulli sobre o ataque, chegamos a tempo. Ela também já acordou. - e olhei para o canto que meu pai indicava e reparei na quantidade de pessoas que estavam sendo medicadas. Miyako estava sentada na cama enquanto tia Yulli e meu padrinho Sergei falavam com ela. Assim que me viu ela acenou e eu respondi de volta. Logo meu padrinho veio pra junto de nós e perguntou, enquanto apertava minha mão:
SM - Você tá bem não é? - e a um aceno afirmativo continuou:
SM - Eu não fiz um trabalho muito bom na sua perna, acho que vai ficar uma cicatriz.
KM - Tá começando cedo a colecionar marcas de batalha, filho.
AM - Se o Sergei não tivesse te encontrado, você poderia morrer, lutando sozinho contra um comensal. - e nesta hora vi aonde aquilo ia chegar e comecei a balançar a cabeça fazendo sinal negativo, para meu padrinho.
SM - Ahm, mas ele não estava sozinho, tinha uma garota com ele.
Droga... Ele falou, e ainda continuou:
SM - Lembrando bem... Era uma menina bem bonitinha, pena que saiu correndo quando eu comecei a cuidar do Ty, nem deu tempo de agradecer.
Meus pais ficaram me olhando esperando alguma explicação, só que eles estavam com a famosa cara de "diz logo quem era pra eu te zuar", comecei a lembrar da hora do ataque e de repente me senti gelado novamente. Olhei e havia mais um Ty do lado da minha cama. Meus pais me olharam assombrados, e meu padrinho puxou a cortina rapidamente para me isolar dos outros.
Como da primeira vez, o outro Ty, voltou rápido ao corpo, e desta vez eu só fiquei um pouco zonzo.
AM - Kyle, você viu isto? Consciente. Maravilhoso. - mamãe só faltou dar pulinhos.
KM - Claro que vi. Desde quando você faz projeção astral Tyrone?
Opa, ele me chamou de Tyrone. Das duas uma: ou tá bravo ou preocupado.
TM - Isto é projeção astral? Nossa... Mas... O que é projeção astral?
KM - Um dom de família, que se não for usado direito pode te matar. - disse sério.
AM - Que fantástico, desta vez não pulou gerações. - disse mamãe animada e me deixei contagiar. Sorri.
Ela sempre conseguia me animar, mesmo em situações caóticas.
KM - Eu fiz isto ontem, durante o ataque, por isso a gente conseguiu petrificar o comensal.
SM - Uau, isso é muito bom, Ty. Então está explicado o porquê você demorou a acordar, não foi só pela perda de sangue.
Papai se aproximou e começou a me examinar como se fosse um médico. Mamãe me pedia calma com o olhar, e eu obedeci:
KM - Você não está comendo direito não é? E quando a insônia começou?
TM - Como você sabe?
AM - Quando a projeção se manifestou em mim, eu tive estes sintomas, era um pouco mais velha que você. Porém, nenhum de nós dois consegue fazer isso consciente. Ficamos "fora do ar" por alguns segundos.
TM - Você e o papai fazem isso também?
KM - Sim, usamos este dom para localizar desaparecidos. Sua mãe achou o Gabriel no Louvre deste jeito. - e lembrei que o Gabriel me falou rindo que "pensou ter visto a cabeça da minha mãe flutuando".
KM - Eu não tive estes sintomas, tive que buscar um orientador para saber se tinha o dom ou não. E como andavam acontecendo coisas demais naquela época, foi rápido para eu descobrir. Você vai ter que aprender a controlar isso.
TM - Tá... E como faço isso? Tem liga e desliga?- disse fazendo gracinha, mas meu pai olhou feio quando minha mãe tossiu pra disfarçar o riso.
AM - Acredito que pelo fato de ver sua vida e da sua amiga em perigo, suas emoções fora de controle foram o catalisador que ajudou a projeção a se manifestar em você.
TM - Peraí, então se eu ficar agitado demais posso me dividir de novo?
KM - Provavelmente. Mas por ora, procure controlar suas emoções. As férias estão chegando, e em casa vamos te ajudar a desenvolver isso.
Voltei a olhar pela enfermaria e vi o Carlinhos sentado preocupado ao lado da cama da Morgan.
TM - O que a Morgan tem?
AM - Ela desmaiou depois que enfrentou o professor Richelieu. Madame Magali diz que é stress, pois fisicamente ela está bem.
TM - Então ela tinha razão não é? Nunca gostei daquele almofadinha.E ninguém da ODF acreditou nela, bando de lesados. - e olhei para o broche no peito dos meus pais e murmurei:
TM - Desculpe.
AM - Sem problemas, agora descanse. Vamos ter que sair, porque o horário de visita está acabando. Vamos estar pelo castelo ajudando no que for preciso, qualquer coisa a enfermeira nos chama.
Deu-me um beijo na testa e meu pai fez o mesmo. Vi quando foram na direção do Lafayette e saíram depois de conversarem com um casal que deviam ser os pais dele.
Meu padrinho que havia ficado na enfermaria, me encarou e perguntou:
SM - Você quer saber notícias da sua amiga?
TM - Que amiga? Ah aquela menina... Ela não é minha amiga. - tentei fingir que não lembrava da Rory.
SM - Você não é muito bom em Oclumência, sei que você se machucou deste jeito recebendo um feitiço que era para ela.
TM - Eu nem pensei no que fazia. Foi tudo muito rápido.
SM - Eu sei que não pensou; você e seu pai têm a mania de agir antes e pensar depois. Então? Quer saber se ela está bem?- insistiu.
TM - Quero. E ela não é minha amiga. - disse ríspido e ele sorriu.
SM - Ela está bem, conseguiu encontrar os irmãos e ficou com eles. Ela também fingiu que não lembrava do "amigo". Mas depois, se traiu querendo saber se você ficaria bem.
TM - Ah, legal. – ele ficou me olhando por um tempo e desistiu de falar mais alguma coisa.
SM - Vou estar pelo castelo também, qualquer coisa chama.
TM - Tá. Obrigado tio. - ele só assentiu com a cabeça e saiu da enfermaria, resolvi parar de pensar em tudo que meus pais haviam dito. A poção que minha mãe deu, já estava fazendo efeito.
Adormeci.

Friday, May 19, 2006

Por um triz

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Bonjour Nuby!
- Ahn? Ah oui, oui, Bom dia pra você também Ian...
- O que houve? Ta pensando em quem, hein? Está muito aérea... – falei brincando.
- Estou com um mau pressentimento...
- Mau pressentimento? Como assim?
- Estou com a sensação de que algo muito ruim está para acontecer.
- Cruzes Nuby! O que vai acontecer??
- Não tenho como saber, fadas tem apenas um sexto sentido, não o dom da adivinhação... Mas tenha cautela hoje Ian, tome muito cuidado. E avise seus amigos, algo muito errado está acontecendo...


A conversa que tive essa manha com a fada guardiã da Sapientai não me saia da cabeça. Nuby sempre era extrovertida, tagarela, conhecia pelo 1º nome cada aluno da casa e nunca tinha esses maus presságios... Quer dizer, ela teve uma única vez e me lembro muito bem, pois o pânico que se instalou no castelo levou horas para ser controlado: fora há exatamente dois anos atrás, madame Maxime estava em Hogwarts com alguns alunos do 7º ano, Sophie entre eles, e na noite da 3ª tarefa, aquele-que-não-deve-ser-nomeado ressurgiu. Lembro-me muito bem, como se fosse ontem, que Nuby passou o dia todo inquieta alegando que algo sombrio pairava no ar e quando a noticia chegou aos ouvidos dos alunos, o caos foi geral.

A lembrança da única outra intuição de Nuby não era muito reconfortante, mas se ele já estava de volta ao mundo bruxo, o que poderia acontecer de pior? Sacudi a cabeça para que esses pensamentos sumissem e voltei minha atenção para o examinador parada a minha frente, tomando nota do que eu fazia. Estava naquele exato momento em um imenso picadeiro na orla da floresta terminando o exame pratico de Zoologia. Dominique já havia feito há tempos e provavelmente estava dormindo e Marie e Bernard também estavam no picadeiro comigo. Michel havia sido dispensado dos NOMs, por tê-los prestado no ano anterior em Hogwarts, o que de certo modo viera bem a calhar: hoje era noite de lua cheia e pela hora, meu primo já não era mais humano. De repente me dei conta de que esse fato não era em nada tranqüilizadora, mas procurei esquecer que um lobisomem adulto andava pela floresta aquela noite. O professor Pierre sabia da condição de Michel e se insistiu para que seu exame fosse à noite, era porque tinha tudo sob controle. Não poderia ser outra hora, a maioria dos animais eram criaturas noturnas...

- Très bien monsieur Lafayette, fantastique. Vous êtes excusé!
- Merci monsieur Chartrand, bonne nuit...

Mas não terminei minha frase. Vários estalos ecoaram nos jardins e fizeram os alunos que aguardavam fora do picadeiro gritarem de pavor. Virei rápido para ver o que estava acontecendo e deixei minha mochila cair com o susto. Não menos do que 20 comensais se espalhavam em direção ao castelo, uma parte deles vindo na nossa direção atraídos pelos gritos. Minha reação foi correr pra junto dos meus amigos e os empurrar pra dentro da floresta. Nós três corríamos desabalados, virando para os comensais que estavam no nosso alcance berrando azarações para tentar detê-los. Sentia os galhos das arvores baterem com força no meu rosto, mas os afastava com a mão sem me importar com os arranhões, estava mais preocupado em me manter vivo. Ouvi Marie gritar e meu pé virou, fazendo com que eu rolasse ribanceira abaixo. Parei quando me choquei com uma pedra, batendo a cabeça.

Não sei quanto tempo fiquei deitado, mas via as árvores borradas na minha frente. Levantei ainda tonto e não vi ninguém perto, havia me perdido dos dois. Tentando não imaginar o que havia acontecido a Marie e Bernard, comecei a refazer o caminho de volta a parte alta da floresta. O medo que sentia agora me fez lembrar que estava muito dentro dela e que provavelmente estava perto da área onde Michel estava, então apertei o passo, desesperado para sair de lá. Sentia a cabeça girar e sangue escorrer, havia cortado na pedra, mas era um mero detalhe. Andava a passos largos e com a varinha em punho, alerta a qualquer movimento que não fosse meu.

Andei por um bom pedaço da floresta e não vi sinal de aluno, estava tudo quieto, silencioso. Silencioso ate demais... De repente ouvi um uivo e parei, congelado. Quando sai do transe, 5 figuras encapuzadas vinham correndo na minha direção, as cabeças virando rápido para os lados, claramente preocupados com o uivo. Acertei um deles com o feitiço estuporante, mas um outro disparou um jato azul contra mim, me fazendo cair longe e a minha varinha voar para as suas mãos. Estava todo sujo de grama e terra molhada e encarei os comensais na minha frente. Um deles apontava a varinha pra mim enquanto girava a minha nos dedos, rindo grosseiramente. Já era, não tinha como escapar dessa sem um milagre.

- Conheço você... É o filho daquele casal de aurores repugnantes! Vai morrer pelas mãos dos que seus pais tanto caçam...
- É o neto daquele velho intrometido! Mate-o logo!

Com a mesma rapidez que a esperança evaporou de mim, ela voltou. Vovô Henri! Enfiei a mão no bolso e puxei a caixinha prateada que ele havia me dado. Quando Nuby havia dito para ter cautela, corri de volta ao dormitório e a apanhei na gaveta. “Guarde-a com você, ela salvará sua vida quando precisar...”. As palavras que vovô escreveu na última carta que me mandou voltaram a minha mente, como se tivesse lendo ela naquele momento. Quando puxei a caixa, um dos comensais tropeçou espantado. Ele sabia o que ela era, pois gritou para que o outro acabasse logo comigo.

- Hâte! Finit avec lui!
- AVAD...


Forcei a tampa. Uma luz extremamente forte iluminou toda a clareira, me cegando momentaneamente. Em seguida um vapor quente subiu, fazendo com que eu gritasse de dor. Era como se alguém tivesse me acertado com uma espada. Ouvi os comensais berrarem apavorados, mas não enxergava nada, só o clarão. Minha visão foi aos poucos voltando ao normal e vi a silhueta de um imenso lobo cortando a luminosidade antes de bater a cabeça no chão e tudo escurecer outra vez.

Thursday, May 18, 2006

Uma noite de medo e terror...

Relatos de Ty McGregor

Eu havia terminado meu exame de Botânica e saído mais cedo da classe. Ainda podia sentir o olhar de desdém da professora quando entreguei a prova, mas desta vez ela teria uma surpresa comigo. Eu estudei a matéria dela, e tinha praticamente certeza que havia conseguido uma boa nota, bem... Se ela não cismar que eu colei, mas vou deixar pra me preocupar com isso quando for a hora.
Pensei em ir até a cozinha para ver se conseguia comer alguma coisa, pois não estava me alimentando direito, desde que as noites de insônia haviam começado, há uma semana. Meus amigos estavam preocupados comigo, e ameaçaram contar para minha mãe o que andava acontecendo. Claro que eles não fariam isso, desde que eu me esforçasse para comer um pouco. Era até engraçado, pois eu era o mais guloso dos três e não fazia mais visitas noturnas à cozinha.
Comecei a perambular pelos corredores esperando que Gabriel e Miyako dessem as caras, quando senti mais do que ouvi um som parecido com uma explosão que sacudiu os vidros das janelas. Minha primeira reação foi olhar para os lados da classe de Poções, mas quando os alunos e o professor saíram tão espantados quanto eu, puxei minha varinha e fui na direção do “som”. Do andar onde eu estava pude ver as estufas e vi vários comensais da morte duelando com os professores e alguns alunos do 6° e 7° ano. Vi uma cabeleira vermelha no meio daquela confusão e sabia que era a Morgan lutando.
-Ei McGregor o que foi? Perguntou um garoto da Nox.
-Comensais atacando a escola, protejam-se.
Sai correndo disposto a ajudar, e vi que alguns alunos faziam o mesmo. Logo encontramos alguns comensais dentro do castelo que duelavam com alguns professores e alunos; eu e mais dois conseguimos imobilizar um deles.
A confusão estava generalizada, Madame Máxime agitava a varinha como se fosse uma espada e Sir Shaft estava ao lado dela, os professores Edmond e Eduard, que sempre se portavam como inimigos duelavam lado a lado.
-Meus irmãos...
Olhei para ver quem se preocupava com os irmãos numa hora destas e vi Rory correndo em direção da Nox. Corri atrás dela, desviando dos feitiços que eram lançados a torto e a direito.
TM - Cuidado!
RM - Vou achar os meus irmãos, não tente me impedir.
TM - Não preciso te impedir com este monte de comensal atacando. Onde eles estão?
RM - Devem estar no salão da Nox.
Desatamos a correr e os comensais brotavam de vários lugares duelando com quem estivesse no caminho, por azar encontramos com um em frente ao corredor da Nox. Agradeci intimamente ao Gabriel e a Miyako por me obrigarem a fazer esgrima, pois meus reflexos estavam rápidos e isto pareceu divertir o comensal.
- Lobão e Alfabetinho estejam bem. - pensava enquanto me posicionava defensivamente.
- Ora, temos algumas crianças que gostam de brincar.
TM - Moço, se manda! Os aurores já estão chegando.
- Ah já? Mesmo que eles cheguem eu já terei acabado com vocês dois. - E apontou a varinha para a Rory, enquanto gritava Sectumsempra.
Nem pensei no que fazia quando o feitiço me atingiu e uma dor funda começou na minha perna, enquanto o sangue saía rápido.
- Oh que bonitinho... Tão cavalheiro, seu pai é assim com sua mãe também.
Olhei apavorado para ele, enquanto tentava parar o sangue e ele continuou:
-Sim, eu sei quem são os seus pais, aqueles aurores metidos, que se acham acima do bem e do mal. Acho que vou deixar o filhinho deles morto junto com a namorada para eles aprenderem com quem estão lidando...
E começou a se aproximar. Rory começou a lançar feitiços nele e ele os repelia.
- Eu preciso pará-lo, senão vamos morrer. (era o meu pensamento enquanto erguia a varinha).
Senti meu corpo gelar e de repente havia dois de mim. Eu não sei como, mas eu havia me dividido em dois.
Rory gritou assustada olhando de mim para eu mesmo e isto distraiu o comensal, que ficou espantando com o que via, dando-me a chance que precisávamos.
Aquele "eu" apontou a varinha pra o bruxo e ao mesmo tempo em que eu, gritei:
PETRIFICUS TOTTALUS junto com Rory.
Os jatos de luz saíram das varinhas ao mesmo tempo acertando o bruxo, fazendo com que caísse duro. Nesta hora o outro "eu" voltou rápido e me deu um encontrão. Senti como caísse de uns quinze metros de altura durante um jogo.
Não vi mais nada.

-Ty, por favor, acorda... Ai por favor, Deus, mande ajuda, Ty não morra. Foi minha culpa...
Rory soluçava tentando arrastar um Ty inconsciente. Ele estava caído numa poça de sangue e seu rosto estava excessivamente pálido.
RM - Juro que eu nunca vou te fazer mal... Não me deixe...
SM - O QUE FOI QUE ACONTECEU? TY. - o bruxo perguntou apontando a varinha e a garota soltou o rapaz, fazendo com que batesse a cabeça no chão.
RM - Foi um comensal, ele tá muito machucado, ajude-o, por favor.
Sergei olhava para a menina e viu que as vestes dela estavam empapadas de sangue, e grossas lágrimas molhavam seu rosto, enquanto se afastava.
Ele rapidamente iniciou os primeiros socorros no garoto, que estava com o rosto molhado pelas lágrimas da garota. Apontou a varinha e fez um feitiço cicatrizante, pois o corte havia sido profundo; mentalmente fazia uma oração a Odin, pedindo a salvação do seu afilhado. Viu quando o comensal começou a se mexer, murmurou um feitiço silencioso que deixou o comensal desacordado.
O garoto estava gelado, precisaria de socorro especializado urgente ou entraria choque. Conjurou uma maca para levá-lor o garoto para a enfermaria quando se lembrou da menina, virou a cabeça para falar com ela e ver se não estava ferida, mas não havia mais ninguém.

Wednesday, May 17, 2006

Em companhia do medo

Das memórias de Gabriel Graham Storm

- Somente mais cinco minutos...

Conferi meu pergaminho uma ultima vez antes de me levantar e coloca-lo na mesa. A professora Milenna estava em pé em frente a ela e deu um sorriso quando lhe entreguei meu exame, dando uma olhada rápida no que tinha escrito.

- Ah, Gabriel... Suponho que nem precise me dar ao trabalho de corrigir sua prova para saber que tirou uma excelente nota. Mas não se preocupe, vou cor...

Ela parou de falar, saltando assustada. Alguma coisa explodiu do lado de fora da estufa e as luzes se apagaram, fazendo os poucos alunos ainda presentes gritarem.

- Calma crianças, não é necessário entrar em pânico. Fiquem todos aqui no canto, vou ver o que está acontecendo!

A professora Milenna marchou decidida estufa afora e em menos de 2 minutos eu a segui. Eu é que não iria ficar ali, no escuro, sem saber o que estava acontecendo! Alguns dos meus colegas tentaram me deter, mas fui assim mesmo. Jacques e Pierre vieram atrás de mim e a cena que presenciamos ao sairmos da estufa escura foi mais aterrorizante do que pensamos no pouco tempo em que ficamos lá dentro: o jardim estava tomado de comensais da morte, que duelavam com os professores escondidos sob aquelas máscaras horrorosas. Alguns alunos também ajudavam e a maioria era do 6º e 7º ano. Escondemos-nos depressa, observando a confusão. Os comensais estavam em vantagem, onde estavam os aurores para ajudar? A pedra que nos protegia explodiu em mil pedaços e um comensal que era sem discussão o triplo do meu tamanho apontou a varinha na nossa direção. Sem nem ter tempo de raciocinar, o que pudemos fazer foi correr.

Sai em disparada na direção da floresta sem olhar para trás, mas via os raios dos feitiços que ele lançava na minha direção passarem raspando por mim. Por sorte tinha bons reflexos por conta do quadribol e das aulas de esgrima... Agora já tinha me perdido de Pierre e Jacques e corria pela mata sozinho. Não parava de pensar no Ty e na Miyako, será que eles estão bem? O comensal troncudo ficou preso em uns galhos e me deu a vantagem de estar bem à sua frente. Podia ver de longe uma cabana de pedras e pensava em me esconder nela quando trombei com alguém que também corria. No mesmo instante apontei minha varinha pro estranho.

- Não, sou eu, Bernard!! – ele gritou e o reconheci.
- O que faz aqui?? – falei abaixando a varinha.
- O que você faz aqui? Não devia estar na floresta hoje, não sabe que é noite de lua cheia??
- E o que isso tem a ver com os comensais que invadiram a escola?

Percebi que ele parou para pensar em uma boa justificativa, mas nunca soube qual seria ela. Um jato roxo partiu um galho acima de nossas cabeças e Bernard me empurrou pra frente, correndo comigo mais pra dentro da floresta. Dei uma olhada rápida pra trás e vi que mais um comensal se juntou ao 1º. Bernard ia falando rápido algo que soava como “não consigo encontrar meus amigos” enquanto afastávamos os galhos, mas não ouvi o resto, pois ele foi atingido por um raio branco que o lançou no meio dos arbustos.

Estava sozinho outra vez. Lançava feitiços aleatórios sem olhar pra onde eles estavam indo e ouvi o barulho de um dos homens caindo, o que indicava que sobrara somente um. Cheguei perto da cabana, mas não consegui abrir a porta dela. Sem saber para onde seguir, fiquei de frente com ele. O comensal vinha andando devagar na minha direção rindo e logo percebi que nenhum dos feitiços que aprendi em sala salvaria minha vida. Foi então que lembre do diário de minha mãe, haviam alguns feitiços anotados neles dos quais nunca ouvi falar...

- Sectusempra!

Apontando a varinha pro homem, berrei o 1º feitiço que me veio à cabeça. Uma luz prateada sai da ponta da minha varinha e cortou o peito dele, como uma faca fatiando um pedaço de carne. O sangue que saiu respingou em mim e o comensal caiu duro no chão. O que foi que eu fiz?? Recuei alguns passos, atordoado com o efeito daquilo. Porque minha mãe tinha algo desse tipo em seu diário? Estava claro que era um feitiço das trevas! Uma voz rouca ecoou um pouco atrás do homem caído no chão e o comensal troncudo que havia derrubado minutos antes agora se aproximava de mim, esbravejando que havia matado seu amigo. Ele tinha a varinha encostada no meu rosto, quando uma segunda voz, essa bem conhecida, gritou.

- Tira as mãos dele, Dashwood! Expelliarmus!
- Mãe! – e corri pra perto dela quando o homem voou alguns metros, a varinha indo na direção contraria.
- Você está bem? Ele te machucou??
- Não, ele não fez nada...
- Mãe? É seu filho, Louise? – o tal Dashwood estava de pé novamente, mas desarmado. Ele veio andando vagarosamente na nossa direção, um tom de deboche na voz.
- Pra trás, ou vou ser obrigada a lhe azarar.
- Não teria coragem... Aposto que é daquele lobisomem desgraçado que...
- Dobre a língua para falar do Remo!

Mamãe sussurrou um feitiço inaudível, mas a luz roxa que saiu de sua varinha acertou o comensal em cheio no peito, desenhando de uma cruz invisível. O homem olhou para ela com uma expressão de choque, que não era muito diferente da minha, e caiu desfalecido no chão, como um boneco de pano. Mamãe se virou para mim com urgência na voz.

- Preciso que você saia daqui, e rápido!
- Não, não vou deixar você sozinha!
- Gabriel, isso não é hora para você se parecer com o seu pai!
- Mas eu quero ajudar, não vou deixá-la sozinha!
- Se quer ajudar, faça o que estou mandando! Vi alguns alunos caídos no caminho, mas não pude parar. Procure por eles e os leve em segurança para o castelo. E eu não estou pedindo, estou mandando!
- Isso que você está usando é o broche da Ordem da Fênix??
- Agora Gabriel!!

Vendo que não adiantaria discutir com ela, assenti com a cabeça e comecei a correr na direção contraria, um feixe de luz bem fino iluminando meu caminho. Percorri um bom pedaço, mas não havia sinal de nenhum aluno desmaiado. De repente, um clarão iluminou 1/3 da floresta, seguido de gritos. Senti um bafo quente junto com aquela luz me derrubar antes de tudo escurecer de novo. Levantei depressa, correndo para o ponto de onde havia surgido a luz e quando o encontrei, soltei um grito de pavor: pelos menos 5 comensais estavam espalhados pela clareira, as vestes queimadas e cobertas de sangue. Do lado oposto a eles, Ian estava caído também, suas vestes rasgadas e um imenso lobisomem em pé ao seu lado.

Senti meus ossos congelarem diante daquele bicho imenso e fui andando para trás, parando ao topar com uma arvore. Mas ao invés do lobisomem avançar em mim, ele abocanhou uma caixinha prateada que estava caída ao lado de Ian e correu floresta adentro. Levei alguns minutos para parar de tremer e vendo que ele ainda respirava, agarrei seus braços e sai arrastando-o o mais rápido que conseguia de volta pro castelo, rezando para nenhum outro obstáculo cruzar nosso caminho...

Tuesday, May 16, 2006

Sob fogo cruzado

Do diário de Morgan O'Hara

Viajei o dia todo para poder entregar as mensagens de Dumbledore no Ministério francês. Já tínhamos informações sobre o lobisomem Greyback obtidas através de Remo Lupin, e segundo o informante Aquele que não deve ser nomeado, estava aumentando o seu número de aliados. Caminhei rápido seguindo as orientações de Gui, e logo me vi em frente a um prédio velho, próximo da Place de La Concorde.
- Sou Charles Weasley e tenho uma reunião com o auror McGregor.
Enquanto dava minhas informações no balcão a um homem de idade avançada, notei uma mulher de estatura média, cabelos pretos passando e deixando uma onda de perfume envolvente no saguão. O velho do balcão acenou para ela que retribuiu. Ele ficou parado, esperando até que ela entrasse no elevador e olhasse novamente para ele ainda sorrindo, pude notar o brilho divertido nos olhos verdes dela. Como ele parecesse em transe, chamei-o de volta à Terra.
- Senhor, eu não quero chegar atrasado para a reunião.
- Ah, sim claro, meu jovem. - verificou minha varinha e me entregou, indicando-me o andar que deveria ir.
Logo entrava num escritório e a recepcionista me anunciava ao seu chefe.
- Olá, sou Kyle McGregor. - estendeu-me a mão e junto dele estava a mulher que havia visto no saguão, Alexandra McGregor e Sergei Menken que havia conhecido na Romênia. Começamos a conversar sobre as últimas informações que a Ordem tinha para eles quando, uma mulher invadiu o escritório gritando:
AM: YULLI! O que houve?
YH: Alex... – tentava respirar para explicar o que acontecia – Ataque em Beauxbatons, nenhum auror, depressa!!!
Sai porta a fora procurando uma lareira que me levasse ao castelo o mais rápido possível. Eles estavam junto comigo e logo se reuniram a nós um homem louro e uma mulher ruiva falando com sotaque diferente, que usavam também um broche em forma de fênix. Todas as lareiras do Ministério haviam sido acionadas para deter o ataque surpresa a Beauxbatons, só espero chegar a tempo.

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Já havia anoitecido e a turma do sétimo ano havia acabado de entregar os NIEMS de Sereiano e eu e meus amigos caminhávamos de volta ao castelo sob a luz de uma enorme lua cheia.
MOH - Que alívio, o dia está terminando...
AG - É seu amiguinho exagerou quando falou que o dia seria perigoso hoje.
Nesta hora ouvimos um uivo e ele emendou:
AG - Bem, só se o perigo for pelo lobo desgarrado que ele deve ter medo..
Mais uma vez Armand reclamava do aviso que eu tinha recebido de Ian, sobre o mau pressentimento da Fada da Sapientai.
MOH - Armand deixa de ser chato, que porre... - comecei a dar bronca quando uma série de estalos ecoou nos jardins. Eram comensais da morte, um número bem grande que iam na direção do castelo, e os alunos que estavam por ali, em pânico começaram a correr nas mais variadas direções.
A lua iluminava tudo, inclusive a fuga de algumas pessoas para a floresta e alguns comensais seguindo-os. Mas o que seria mais perigoso: um bando de comensais dispostos a matar indiscriminadamente ou um jovem amaldiçoado aprendendo a ser uma fera?
Saquei minha varinha e corri em direção aos comensais para tentar atrasá-los, para dar chance aos mais novos de fugir; Marienne, Armand, Julian e mais alguns estavam comigo e logo os bonitos jardins de Beauxbatons pareciam ter sofrido um vendaval. Ouvi um grito e Marienne caiu desacordada, Julian ao ver aquilo se desconcentrou e levou um feitiço que o jogou vários metros longe, deixando-o inerte.
Armand tinha um olhar de ódio no rosto e conseguiu petrificar um comensal, enquanto eu duelava com um que me parecia familiar pelo jeito de andar. Ele ia lançando feitiços, que faziam com que eu tivesse que ir me afastando.
MOH - Quem é você?
FR - Acha que vou dizer quem sou e estragar a surpresa?
MOH - Vão embora daqui, a escola está cheia de crianças inocentes, que nunca fizeram nada a você ou ao seu líder.
FR - Mas aí é que está o melhor: mate dez e aterrorize dez mil..... - e riu.
MOH - Você é muito covarde Richelieu.
Ele parou de rir e tirou a máscara do rosto. Um examinador quando o viu, se distraiu e recebeu um jato de luz vermelha no peito caindo no chão.
FR - E você é muito abelhuda garota. Quase fez meu plano ir por água abaixo.
MOH - Como conseguiu trazê-los para cá? - de repente notei que estava mais longe dos outros e meu corpo estava ficando cansado.
FR - Pelo sarcófago que você descobriu em meu quarto. Usei como passagem de um lugar a outro. Sua descoberta só fez acelerar os planos do meu mestre. Neste momento várias escolas estão sendo tomadas por nós.
Nesta hora um barulho ensurdecedor junto com clarão iluminou a floresta, fazendo voar estilhaços, que nos jogou ao chão. Fiquei zonza por alguns segundos, mas consegui me levantar; senti uma dor forte, olhei para baixo e havia uma lasca de madeira com pelo menos vinte centímetros atravessando meu braço; trinquei os dentes pela dor latejante e fui pegar minha varinha que havia caído, mal dei dois passos e gritei quando senti uma mão agarrando meus cabelos com violência encostando uma varinha em mim. Ele me segurava por trás, forçando minha cabeça a ficar bem próxima de seu rosto.
MOH - O que vai fazer? Vai me matar? Então acaba logo com isso.
FR - Paciência é uma virtude. E eu sempre a tive, ou você acha que era fácil receber ordens de uma aberração como a Máxime? – falava baixo próximo do meu rosto e aquela era a voz do comensal que havia me atacado algum tempo atrás.
FR - Quando a vi pela primeira vez na escola, sabia que não havia feito meu trabalho direito na Irlanda. Sim, menina como disse da outra vez, fui eu quem matou seus pais. É..., ambos lutaram como leões, foi muito prazeroso dar um fim aos dois.... - enquanto me puxava mais perto.
FR - Eu até pensei em dar-lhe uma chance, cheguei a pensar em conquistá-la para trazê-la para o nosso lado, afinal ter uma ilha cheia de dragões, seria muito útil ao meu mestre, mas você logo percebeu minhas intenções e começou a se esquivar. Tsc, tsc... O mais engraçado foi ver a cara desolada daquele lobo sujo olhando feito pateta para o sarcófago falso junto com a aberração. Mas chega de conversa, vou ter que matá-la, você sabe demais...
- Eu não vou morrer fácil. - virei-me rápido e enfiei a lasca de madeira em sua barriga com toda a força que tinha e vi seu olhar de surpresa, nesta hora um ESTUPEFAÇA e um jato de luz verde jogaram o professor morto para longe de mim.
Caí de joelhos no chão olhando para o corpo dele, quando senti braços fortes me envolverem e uma voz tão familiar sussurrar em meu ouvido:
CW - Acabou meu amor, acabou...
Senti uma vertigem e apaguei.

Wednesday, May 10, 2006

As feras estão soltas em Beauxbatons

Do diário de Morgan O'Hara

- Mestra está na hora...
- Estão todos dormindo Porshy?
- Sim, o salão comunal está vazio, mestra.
- Nenhuma reação alérgica?
- Não, senhora.
- Ótimo.Vamos.

Olhei para a cama de Marienne e ela dormia a sono solto, após comer alguns dos bolinhos que Porshy, obedecendo as minhas ordens, colocou na sala comunal. O cheiro era tentador e vários estudantes que os comeram logo estavam apenas pensando em ir para suas camas.
Poderia sair do castelo e voltar que ninguém notaria. Depois que Ty havia me contado, que o professor andava fazendo visitas constantes à floresta, resolvi dar o primeiro passo para tentar desmascará-lo. Nas aulas ele continuava atencioso com todos e não fez mais ameaças veladas, porém quando nossos olhares de encontravam, eu podia sentir um certo desdém vindo dele.
Estava pronta, usava roupas escuras e por precaução peguei minha faca de prata e escondi na roupa. Marienne e nem os outros iriam acordar, a poção do sono que misturei aos bolinhos era uma invenção de minha mãe, que eu adaptei. Proporcionava uma noite de sono restaurador, sem efeitos colaterais.
Ficamos escondidos esperando a ora certa e logo o vi, saindo sorrateiro do castelo. Realmente ele ia na direção da floresta.Várias vezes, tive que me esconder porque ele parava e olhava para trás, para se certificar de não estar sendo seguido, então ele apressou o passo e quase tive de correr para alcança-lo. Nesta hora ouvi um uivo que me gelou o sangue e parei de andar segurando Porshy.
Olhei para o céu e uma enorme lua cheia brilhava acima de nós.
- Mestra, vamos embora....Vai ficar perigoso.
MOH - É apenas algum lobo perdido procurando os companheiros, vamos continuar...- disse tentando parecer segura, mas em meu período em Beauxbatons, nunca ouvi falar que aqui houvesse lobos.
- Não mestra, não é lobo perdido. È um uivo amaldiçoado. - e pude ver suas orelhas tremerem.
MOH - Você quer dizer que é um lobisomen?
Antes que ele me respondesse, os uivos começaram novamente e agora estavam mais próximos.
MOH - CORRE!
Corremos juntos o mais rápido que podíamos, e logo eu entrava pela cozinha do castelo assustando os elfos e quase derrubando Ty da cadeira.
- O que houve? Morgan porque tá correndo tanto?- ele perguntou e nesta hora outro uivo foi ouvido.
MOH - Acho que tem uma fera solta lá fora. - disse puxando o ar com força.
Os elfos ao se certificarem de que eu não havia ido pedir comida, voltaram aos seus afazeres e Porshy foi junto com eles. Sentei-me para conversar com o Ty e recuperar o fôlego.
TM - O que você tava fazendo lá fora?- perguntou sério e eu não estava com disposição para inventar uma desculpa.
MOH - Tentei seguir o professor Richelieu.
TM - Ah, ele saiu de novo...
MOH - Sim, você tinha razão. Eu gostaria de saber o que ele tem ido fazer lá.
TM - Ah eu também, mas porque você voltou correndo? Ele te viu? Te perseguiu? – e fez menção de ir até a porta da cozinha. Segurei seu braço.
MOH - Vamos sair daqui.
Saímos da cozinha e fomos conversando pelos corredores.
MOH - Não ele não me viu. Foi... - e nesta hora ouvimos o uivo novamente.
MOH - Foi isto, e tenho quase certeza que não foi um lobo.
TM - Er... Eu não sabia que havia lobos em Beauxbatons. - disse meio preocupado.
MOH - Não foi um lobo Ty, foi um lobisomen.
TM - Você acha que o professor é um lobisomen? – perguntou de olho arregalado.
MOH - Não, ele não tem as características de um, mas pode ter trazido alguém que seja, e talvez... Esteja querendo usá-lo, para nos assustar.
TM - Você lê o Profeta Diário? Deve ler, todo filho de Auror acaba lendo o Profeta Diário, mesmo sem querer, hábito adquirido em casa... Acha que pode ser o tal lobisomem contratado que estão falando?
MOH - Não sei, mas se for todos correm sérios perigos.
Enquanto andávamos Ty, me ofereceu o braço e conversávamos sobre o que o professor de Mitologia poderia estar fazendo quando perto das escadarias que levavam em direção da Nox, encontramos uma garota que arregalou os olhos quando me viu com o Ty. Ao mesmo tempo em que ela nos olhava surpresa, foi ficando com a expressão contrariada.
Ty acenou para ela, e continuamos a andar. Mas ele parecia um pouco distraído depois do encontro com aquela garota.
MOH - Ela é bonita Ty. - disse olhando para seus olhos.
TM - Hum? Quem? Ah... Bonitinha sim. Morgan, se você quiser... Eu vou junto com você amanhã. -e seu rosto ficou um pouco vermelho, enquanto tentava mudar de assunto.
MOH - Vamos esperar a lua cheia passar. Não podemos correr o risco.
Ficamos conversando por um tempo, e quando ele foi embora vi quando hesitou entre seguir em direção à ala onde ficava a Sapientai, ou passar novamente perto das escadas que levariam à Nox. Ele acabou seguindo para a Sapientai. Garotos...
Cheguei ao meu quarto e Marienne ainda dormia tranquilamente, optei por escrever uma carta para Carlinhos e contar do meu fracasso em seguir o professor. Óbvio que ele vai responder dando-me uma bronca, mas prefiro isso, a esta sensação de impotência que estou sentindo agora.

Thursday, May 04, 2006

Relatos de um lobo de 1ª viagem...

Por Michel Ducassse

Final do campeonato de quadribol, Sapientai x Nox – 9hs

Estava sentado na mesa da Sapientai, pronto para torcer pela casa do meu primo. Ian estava ao meu lado, enrolado em uma enorme bandeira azul e amarela e, como muitos da casa, tinha o rosto pintado. Eu estava empolgado também, mesmo sem pertencer à Sapientai e ainda com os pensamentos na minha casa em Hogwarts, a Corvinal. Afinal, era um torcedor fanático de quadribol e jogo é jogo, não importam quais sejam os times, a adrenalina era sempre a mesma.

Enquanto observava a movimentação no Grande Salão, não podia deixar de perceber que algumas mudanças pouco perceptíveis já se manifestavam em mim: andava perdendo o apetite, havia emagrecido uns 2 quilos, se é que era possível ficar mais magro do que já era, e estava com umas olheiras horríveis, me deixando sempre uma aparência cansada. Essa manha amanheceu um pouco pior e Marie tentou, sem sucesso obviamente, passar um pó suspeito no meu rosto. Minha preocupação no momento era manter certa distancia dela e sua bolsa ameaçadora.

Logo a massa de estudantes se encaminhou para o campo de quadribol e acompanhei o fluxo. Sentia-me fraco, entendia perfeitamente que faltavam pouco menos de dois dias para a lua cheia e teria minha primeira transformação nela. E apesar de estar até o momento levando isso numa boa, ou ao menos tentando transmitir isso, a idéia agora começava a me apavorar. Estava pulando na arquibancada ao lado de Ian e Bernard, vibrando com um gol da Sapientai, quando senti minha cabeça pesada. Passei a mão nela, me escorando com a outra na barra de ferro a minha frente, quando percebi que estava completamente sem forças. Não me lembro de nada, apenas de ver um borrão marrom passar zunindo na minha direção, seguida da figura distorcida de Dominique usando o uniforme da Nox. Acordei não sei quanto tempo depois na enfermaria, Ian sentado ao meu lado ainda enrolado na bandeira e com os olhos vermelhos que denunciavam que andara chorando.

Uma atarefada enfermeira me comunicou que eu havia desmaiado, pois claramente não estava me alimentando direito. Ela, como madame Maxime, Gerard e o professor de Zoologia, sabia de minha condição. Afinal, alguém teria que preparar a poção mata-cão sem desencadear uma serie de perguntas. Ian contou o que aconteceu no resto do jogo e logo entendi o porquê de seu rosto vermelho: Sapientai havia perdido a partida...

Passei o resto do sábado na enfermaria, fui proibido de sair. Durante todo o dia recebi visitas de meus amigos trazendo chocolates e revistas para matar o tempo, mas as conversas sempre terminavam na final do quadribol, com Samuel e Dominique se vangloriando, para desespero de Ian e Bernard. Fui liberado na manha de domingo, com ordens de descasar. Ora, como se isso fosse possível... A cada minuto, a lua cheia estava mais próxima...

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Noite de lua cheia, 18hs.

Estava sentado numa poltrona macia, olhando o cair da noite pela janela. Encontrava-me naquele momento em uma cabana aconchegante no coração da floresta. A cabana era propriedade da escola e usada pelo zelador para suas caçadas. O que ele caçava de fato, eu não sabia. E também, naquele momento, pouco me importava. Senti um feixe de luz invadir a cabana pelo pequeno pedaço que a cortina não cobria e de repente senti como se facas estivessem sendo cravadas no meu corpo. Uma dor que nunca senti antes. Minha ultima recordação ainda na forma humana era de estar encolhido no chão, enquanto a imagem da lua cheia agora era vista por inteiro por mim, antes de me transformar por completo.

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Acordei com o barulho de vozes ao meu redor, mas não abri os olhos. Talvez porque não tive força para tal ato. Reconheci alguma das vozes: meu primo, a diretora e a enfermeira. Havia algumas outras, mas essas se misturavam com as outras três e não conseguia distinguir. Abri os olhos devagar, me sentindo incomodado com a claridade. Meu corpo inteiro estava dolorido, a sensação era de que tinha levado uma surra e desmaiado em meio às pancadas. Ian logo percebeu que eu já não dormia mais e alertou aos demais, correndo para o lado.

IL: Sente-se bem??
MD: Meu corpo dói... – falei ainda fraco.
- Afaste-se monsieur Lafayette, deixe-me cuidar de monsieur Ducasse! – madame Magali falou apressada, enxotando meu primo de perto da cama.

Não conseguia ver, pois não tinha forças para levantar, mas sentia que meu corpo tinha varias feridas. Fiquei observando a enfermeira retirar bandagens de todas elas enquanto em minha mente, imagens horríveis vinham à tona. Embora não me lembrasse delas claramente, sabia que faziam parte de mim, de minha metade lobo agora. Imagens de arvores passando rápido enquanto eu corria por entre elas, pequenos animais se tornando minhas presas e a lua, imponente no céu escuro, enquanto uivos ecoavam pela floresta.

Voltei ao presente quando senti um cálice fumegante ser empurrado contra minha boca e seu liquido descer queimando pela minha garganta. A enfermeira havia terminado seu trabalho por hora e ordenando que permanecesse deitado, voltou para sua salinha, me deixando a sós com a diretora e meus amigos, que agora estavam sentados em uma cama do outro lado da enfermaria, mudos.

Madame Maxime perguntou como estava me sentindo e como havia sido a primeira transformação. Apesar de fazer um enorme esforço para esquecer, entendia perfeitamente que ela estava se certificando de que realmente não apresentasse riscos aos alunos. Quando ela se retirou, Ian e os demais colaram ao meu lado, se amontoando no espaço que sobrava da cama. Pelas expressões em seus rostos, podia dizer que estavam morrendo de curiosidade para saber como era a sensação de se transformar involuntariamente em um lobisomem. Mas para meu alivio, logo deram inicio a outros assuntos que passassem longe desse. Não que eu não vá contar a eles, mas pelo menos por algumas horas, prefiria não reviver a noite anterior...

Wednesday, May 03, 2006

A esfinge é derrotada!

Rabiscos de Ty McGregor

POFT!
Parecia que eu havia sido atirado de uma grande altura e de repente caía na minha cama. Achei melhor levantar de uma vez, do que ficar me virando na cama e fazendo barulho, isto poderia incomodar ao Gabriel. Isto vem se repetindo há alguns dias, e me faz pensar em ouvir o conselho da Miyako e pedir alguma poção calmante para dormir. O problema é que eu detesto remédio, e as poções daqui não são como as que minha avó prepara quando fico doente. Ela coloca algumas coisas e tira aquele sabor de coisa rançosa. Preciso fazer alguma coisa, pois os professores já andam me dando bronca por dormir em suas aulas.
Fiquei olhando pela janela e novamente vi uma silhueta contra a luz da lua indo para a floresta, e já sabia quem era. Estes dias sem jogar fiquei observando o professor e ele também exibe algumas olheiras, na certa é pelas noites que ele tem passado na floresta, fazendo o que eu não sei, mas que me deixou curioso a ponto de deixar escapar isto para a Morgan, durante o horário que eu limpava o estábulo. Ela me agradeceu muito pela dica e correu de volta para o castelo. Preciso falar com ela sobre o que ela descobriu, e se for o caso, alertar meus pais. Estava distraído pensando em várias coisas ao mesmo tempo, quando ouço alguém me chamar:
- Ty, você não dormiu de novo?- perguntou Gabriel, enquanto pulava da cama.
TM - Eu dormi sim, só acordei mais cedo. Desculpe se o acordei.
GS - Nada. Eu acordei assustado achando que tinha perdido a hora da final.
TM - Imagina se eu ia deixar isto acontecer, vamos jogar contra Nox, estamos em vantagem. - e lembrei-me de algo.
TM - Quer dizer, você e o time vão jogar, eu vou ficar na torcida.
GS - Ty, eu vou ver se falo de novo com o...
TM - Não.
GS - Mas o Trewlis, é uma porta...
TM - Não, Gabriel. Temos que respeitar a decisão do nosso capitão. E eu nem to sentindo falta de jogar, é sério, disse tentando convencer meu amigo de que eu estava bem.
Arrumamos-nos e descemos para o salão principal, que fervilhava com a animação da torcida. Miyako como sempre veio se sentar conosco, e eu ficava empurrando minha comida de um lado a outro no prato.
MH - Ty, porque você não está comendo?
TM - Tô sem fome.
GS - O que você tem? Você NUNCA fica sem comer, nem quando está doente. - disse pondo o garfo de lado.
TM - Nada gente.
MH - É por causa do time? O seu capitão foi muito idiota de te tirar agora na final, até o Marceu falou isto.
GS - Foi mesmo, e ainda colocou no lugar dele um jogador medíocre. - e pude ver que eles estavam tentando me animar.
TM - Valeu gente, mas o Trewlis não é tão ruim assim, ele joga bem. Olhem lá, tá na hora. Boa sorte aos dois. - disse e fui empurrando os dois em direção dos times. Voltei para a mesa e tentei terminar de comer, mas não descia mais nada.
Fiquei lá até o salão ficar praticamente vazio, e vi o Lafayette todo enrolado numa bandeira azul e amarela, fazendo companhia para o primo, um novato transferido de Hogwarts, que tentava em vão comer alguma coisa. Notei como ele estava pálido e pensei comigo: será que é outro que não consegue dormir também?
Como não dava mais para evitar fui para o campo e fui para as arquibancadas que se dividiam: verde e preto cor da Nox e amarelo e azul, Sapientai. Alguns ficaram me olhando espantados como se perguntassem o que eu fazia ali, mas ignorei.
O locutor era Louis Navarre, um quintanista super animado.
LN - Boom Diaaa, Beauxbatons! Bem vindo a uma emocionante final do campeonato de quadribol Nox Angeli contra Sapientai Angeli. E ai vem o time da Nox: os batedores: Cartier e Renald, os artilheiros: Stardust, Bonnet, Trussardi, a apanhadora é Kinoshita, e o capitão e goleiro dos cérberos é Marceu.
LN - E o time da Sapientai vem com: o batedor Derkian, o apanhador é Storm, os artilheiros: Caldwell, DeVille e Marceu, e o capitão e goleiro Devlin. E numa aposta ousada do capitão da Esfinge que resolveu suspender o batedor Mcgregor às vésperas da final, teremos como batedor Trewlis.
Sir Shaft puxou um silvo em seu apito de prata e quinze vassouras se ergueram no ar, dando início à partida.
- Começa o jogo. E a goles está com Caldwell, que faz uma jogada ensaiada com DeVille e é ponto da Sapientai. - e a metade do estádio vaiou e a outra metade aplaudia. Logo a Nox recuperava a goles. Navarre se empolgou:
- E os artilheiros da Nox estão se mostrando, vejam: a posse está com Stardust, ele está jogando com força total, lançou para Bonnet que desviou de um balaço lançado por Derkian, mas Cartier chegou a tempo, porém o artilheiro soltou a goles. Vejam Trussardi recuperou e parte com tudo pra cima do goleiro Marceu; é agora meu povo... arrreeeeeee o goleiro salvou o aro, e a Sapientai com a posse da goles novamente, mas por pouco tempo, EU NÃO ACREDITO: o novo batedor da Sapientai lançou um balaço contra os artilheiros da casa, vejam como Stardust recupera a goles e dá uma volta para escapar de Derkian que tenta consertar a burrada do outro batedor.
- Tá vendo Devlin? Se fosse o McGregor, você não teria esta preocupação. - vimos quando Sir Shaft passou com a varinha em punho na direção de Navarre e ele voltou a narrar a partida rapidinho.
-E lá vem um balaço lançado por Renald; Trewlis rebate o balaço com força e o manda em Stardust, o jogador da Nox desvia, é... O novato tá tentando se redimir. Derkian rebate o balaço que vai pra cima de Kinoshita. Marceu passou por eles e a coisa desviou, vejam o próprio Caldwell que lança a bola para Marceu, que vai rápido pra cima do goleiro Marceu e é pooonnnnnntooo. Nox dez, Sapientai dez.
Logo o jogo estava difícil, pois sempre que nós marcávamos a Nox ia atrás do prejuízo, e empatava. De repente Miyako deu um mergulho junto com Gabriel.
-Eles viram o pomo! Eles viram o pomo!- gritava Navarre no microfone.
Estavam lado a lado com os braços esticados. Eu me dividi em torcer pelos dois que disparavam em direção ao chão. E a agitação tomou conta das duas torcidas que gritavam incentivos. Braços esticados, mais um pouquinho e Miyako se atira no chão.
- Putz ela se machucou toda. - pensei comigo, quando a vi se levantar e Gabriel frear a vassoura do lado dela, que estava esquisita. Ela parecia que ia vomitar.
- Gente o que houve com a apanhadora da Nox? Ela tá engasgada?
Gabriel ao ouvir isso deu um tapão nas costas de Miyako que cuspiu o pomo de ouro na mão.
- É o pomo minha gente! E VENCE A NOX por 220 pontos.
Não pude deixar de ficar feliz pela Miyako, que estava sendo abraçada pelo Gabriel e logo o time da Nox veio pra cima deles para comemorar a vitória. Apesar de não ter jogado, me sinto tranqüilo. Meus amigos estão bem, e o campeonato chegou ao fim.
O cérbero foi melhor e venceu a esfinge. Quem sabe numa próxima final eu ajude a mudar o resultado.