Saturday, April 26, 2008

Heranças de família, parte I

- Então, Runas é um alfabeto? Alfabeto dos Vikings?! – Ulisses concluía pensativo quando eu interrompi minha explicação.
- Não. Não é um “simples alfabeto de escrita antiga”. Cada um dos símbolos é sagrado e autônomo. Cada runa representa um arcano ligado a entidades representativas de Deuses da mitologia nórdica.
- Ok. Mas já foram escritos livros com runas, certo?
- Certo. Hoje em dia, é raro, até por que poucas pessoas se interessam pelo estudo real rúnico. Mas livros antigos, de gerações, com segredos... Muitos deles são escritos em runas.
- Os Grimoires, por exemplo? – ele perguntou rapidamente e me senti congelar. O encarei.
- É, os Grimoires são um bom exemplo. – eu respondi ainda me sentindo um pouco tonta, mas tentando transparecer naturalidade. Afinal, qualquer um poderia conhecer a história dos Grimoires de famílias tradicionais e grandes magos...

°°°

Um turbilhão de cores e sensações diferentes passaram diante de mim em poucos segundos. Senti meu corpo despencar em uma velocidade incrivelmente absurda e aquilo me fez sentir pânico, alívio e indiferença, ao mesmo tempo.
Depois de alguns segundos, fechei os olhos. Só voltei a abri-los quando seguramente um par de mãos me agarrou pela cintura e meus pés novamente tocaram o chão. Vozes comentavam e perguntavam a todo redor, mas eu ainda estava entorpecida com tudo, e deixei meus pés me levarem para longe do barulho. O mundo voltava a ser quieto e parado quando fui pega de surpresa por um abraço seguido de um beijo longo, e não consegui reagir contra. Relaxei meus músculos e correspondi.

Novamente, o mundo começou a girar, porém, as cenas que se passavam agora eram muito nítidas...

Havia uma senhora, de aspecto cansado, deitada na cama. Seus olhos brilhavam astutamente. Ao seu lado, em uma poltrona, um jovem ainda cheio de vida, com os mesmos olhos, escutava com atenção o que a senhora lhe explicava. Eram instruções. Instruções para que o plano saísse perfeito.

Então, a cena mudou. Passou para o que eu reconheci ser o dormitório que eu dividia com Brenda. Estava escuro, mas havia uma única varinha acesa, e apesar de encoberto, o rosto do jovem era claramente reconhecível. Ele ditou um feitiço convocatório e de algum lugar ali perto, um livro saiu voando até sua mão, aberta. Ele o pegou e suspirou ‘Desculpa, Bella’, antes de apagar a luz da varinha. Tudo ficou escuro.

Abri os olhos e percebi que ainda estava beijando Ulisses no meio da ponte. Algumas pessoas nos observavam curiosas. O empurrei com violência. Não conseguia dizer nada. Ficamos nos encarando alguns segundos em silêncio, e a expressão dele mudou. Tirou o sorrisinho que antes estava desenhado em sua boca e cerrou os olhos. Corri.

°°°

- Isso é ridículo. Não podemos ficar correndo o restante do dia. – Ulisses arquejou correndo praticamente do meu lado. Me alcançou e segurou meu braço com violência, me fazendo parar. Uma onda quente de raiva tomou conta de todo o meu corpo.
- Não...toque...em...mim. – disse pausadamente o encarando e ele me soltou.
- Então vamos conversar civilizadamente.
- Vamos. Vamos conversar civilizadamente. Onde está o Grimoire?
- Onde está... o quê? – uma sombra de desespero passou em seus olhos, e as poucas dúvidas que eu tinha, acabaram naquele momento.
- Onde está o Grimoire da minha família, que você roubou no meu dormitório?
- Do que você está falando?
- Não adianta negar. Eu vi suas lembranças enquanto você me beijava.

Ele pareceu transtornado e sem saber o que dizer. Após alguns segundos, porém, ele entendeu que era inútil continuar se fazendo de desentendido.

- O Grimoire não é da sua família! Minha avó o escreveu com ajuda da sua avó, e quando ele ficou pronto, sua avó traiu a amizade das duas e roubou todos os créditos para os Damulakis! – ele gritou com raiva e em forma de acusação. Muito diferente do Ulisses gentil e galanteador que eu estava acostumada a conviver.
- E como você tem tanta certeza de que isso aconteceu? – gritei de volta.
- Li no diário da minha avó. Ela conta como teve a idéia de escrever um Grimoire, como chamou sua avó para ajudá-la, e como ele finalmente ficou pronto. Então, ela não escreve mais nada, até 30 anos depois, alguns dias antes de morrer. O feitiço de memória que sua avó lançou perdeu a função e ela se lembra de como foi traída. O último relato que ela escreve é um apelo para que as gerações futuras da família Bonaccorso fossem atrás de seus créditos por direito. Por isso eu roubei o Grimoire de vocês. Ele passou anos escondido na mansão da família Damulakis, longe da possibilidade de roubá-lo. Mas em Beauxbatons, não. Ali foi muito fácil. Só precisei de um momento de sua distração, e uma oportunidade...
- Ótimo plano. Realmente brilhante. Só tenho uma pergunta a te fazer: você teve ao menos a curiosidade de decifrar uma das páginas daquele livro, antes de mandá-lo para a sua avó?
- Por que está perguntando isso?
- Porque eu sei que se você tivesse ao menos entendido bem de que espécie de feitiços estamos falando, não iria querer tanto assim ter esses “créditos” para a sua família. Falo isso por que quando descobri do que se tratava, passei a ter certo tipo de nojo de ser Damulakis.

Ficamos nos encarando em silêncio. Por um momento, toda a raiva que estava concentrada nos olhos dele, pareceu desaparecer. Agora me encarava com indiferença. Não disse nada, apenas sustentei o olhar.

- Então, acho que você pode se considerar feliz, agora que o livro voltou para onde nunca deveria ter saído. – ele disse baixo e brando.
- Me devolve o livro, Ulisses. Acho que você ainda não entendeu a gravidade do conteúdo dele... – tentei mais uma vez, em tom calmo, mas no fundo me controlava para não gritar. Ele sorriu.
- Desculpa, Bella, mas ele já não está mais em minhas mãos. Já não é assunto meu. Para completar minha parte do plano, só falta uma última coisa. Não iria fazer isso se você não tivesse descoberto tudo, mas agora eu preciso fazer.

Foi muito rápido e não teria dado tempo de me defender. Com uma agilidade incrível, Ulisses puxou a varinha de dentro das vestes e apontou diretamente para o meu peito. Já estava esperando ser atingida, a qualquer momento.

- ESTUPEFAÇA!

Uma voz feminina gritou e Ulisses caiu no chão. Atrás dele, estava Isabel. A varinha em punho, uma expressão tão séria e agressiva quanto eu nunca tinha visto antes em minha vida.

Monday, April 21, 2008

Time to break the seal - Parte 1 - Memories

Lembranças de Alucard W. Chronos
17 anos atrás
Alucard parecia à beira de ter um ataque de tanta preocupação e alegria. Mal conseguia se conter enquanto ouvia os sons dos curandeiros e enfermeiros no quarto há apenas alguns passos dele. Ele não parava quieto, andando de um lado ao outro do corredor. Fora necessário que o parto fosse feito na sede do clã, para proteger a criança, pois já se imaginava que teria algo de especial e principalmente evitar ataques em um período tão perigoso da história da magia. Todos os amigos mais íntimos estavam no local, prontos para ajudar em qualquer coisa. As mulheres, como Celas,Yulli, a Sra. Capter e até mesmo Alex grávida estavam ajudando no parto, para usar seus conhecimentos em poções e magia se necessário. Alex se recusava a estar longe de Mirian em um momento importante como aquele, e sabia que a amiga faria o mesmo por ela. Já Louise não voltava a Londres a anos, mas enviara desejos de boa sorte. Do lado de fora do quarto, no corredor da casa dos Chronos, Kyle de vez em quando levantava junto de Sergei para tentar acalmar Alucard, mas ele cada vez mais estava ansioso e nervoso. O Sr. Capter estava igualmente nervoso, era o nascimento de seu primeiro neto, de sua única filha e ele não se segurava de tanta felicidade. Scott e Ben estavam sentados aguardando o nascimento, e ao lado dele estava uma mochila com uma quantidade surpreendente de itens mágicos. Havia penas de fênix, garras de dragão, esporos de manticore (Alucard retirou ele próprio) e gotas de lágrimas de fênix. Estavam preparados para tudo. Dumbledore, Mcgonogall, Kollontai e Kegan haviam enviado cartas e desejos de sorte.
Finalmente após um tempo que pareceu horas, talvez dias, eles ouviram um choro de criança e exclamações de felicidade. Alucard havia acabado de sentar um pouco e pulou do banco, correndo para o início do corredor. No final do corredor a porta do quarto se abriu e Yulli saiu de lá, suando e sorrindo.- Eles nasceram Lu! Estamos dando os primeiros cuidados. Mirian quer ver você.- Nasceram, como assim? São saudáveis?!- São gêmeos! Dois meninos, muito fortes e lindos. Mas você deve ver por si só.
Ele sorriu de orelha a orelha enquanto recebia os parabéns de Kyle, Sergei, Ben e Scott, todos prometendo comemorar e muito o nascimento, fazendo promessas de como iam estragar os novos sobrinhos, mimando-os e os preparando para tudo. O novo pai parecia sem ter palavras, e correu para o quarto com Yulli acompanhando-o.
O parto fora feito no quarto do casal, e parecia irreconhecível. Haviam vários potes e garrafas de poções, círculos mágicos e itens de proteção. Havia um imenso símbolo dourado acima da cama, como se fosse um amuleto de proteção às crianças,um círculo com o ankh em seu interior. Mal Alucard entrou no quarto, ele ouviu com alegria o choro das crianças, mas ao mesmo tempo teve um receio, pois pode sentir o cheiro e a aura de um ser como ele, um amaldiçoado, um meio-vampiro. Mas mesmo assim ele estava feliz, eram seus filhos, crianças que ele a tanto esperava.
- Lu, venha vê-los! Nós já fizemos os primeiros cuidados. E aplicamos algumas poções e encantamentos. São realmente filhos de vocês, já são surpreendentes! – A Sra. Capter falou sorrindo, erguendo duas garrafas de poção. Ao seu lado Celas sorria por ter ganhado sobrinhos e abraçou o irmão com uma alegria enorme.
- Meu Cardzinho está crescido! Já é papai! Nossos pais ficariam orgulhosos dos netos, maninho.
- Eles estão orgulhosos e felizes onde quer que estejam, Celas. Os dois novos Chronos são lindos, Lu! – Alex falou abraçando o amigo também.
- Vocês não sabem como estou feliz! Mas quero vê-los e falar com a mulher linda que está nesse quarto. – Ele falou sorrindo e se dirigindo para a cama com dossel alto. Ele se sentou na cama sorrindo e acariciou os cabelos de Mirian, que parecia estar dormindo enquanto as duas pequenas crianças descansavam ao seu lado. Mas assim que ele se aproximou, ela abriu os olhos, cheios de uma luz e beleza que ainda encantavam Alucard.
– Você está mais linda do que nunca.
- E você também, querido. Nossos filhos são lindos...
- Sim, eu sei. Temos que dar os nomes para eles.
- Isso pode esperar algum tempo. Tem algo mais importante para a segurança de nossas crianças. Tenho que equilibrar as forças deles com a minha, e estou muito cansada.
- Deixe um pouco comigo então, querida. Vejo que infelizmente um é como eu... – Disse enquanto pegava os dois meninos no braço, completamente sem jeito.
- Nós já esperávamos isso. Mas ele é como você, já é forte desde pequeno e controla os poderes. Ele é o mais velho dos dois, o nome deve ser Seth.
- Seth Kamui, então, sinto coisas importantes para ele, mas também muita preocupação…
- O mais novo tem um poder dentro dele também, muito parecido com o meu, e não sei porque quando o vi pela primeira vez tive a sensação da liberdade de voar. Griffon deve ser seu nome.
- Griffon Fuuma e Seth Kamui Capter Chronos. Sinto que são dois, mas se completam.
- São lindos…Estou tão feliz meu amor…
- Eu também minha querida! Assim que tiver forças, faremos o selamento. Já sinto as energias dos dois duelando.
- Eu posso fazer minha parte agora, depois você completa. Traga as garras de dragão e as lágrimas de fênix.
- Você ainda está muito fraca. – Ele falou preocupado, mas ela respondeu com um sorriso e um olhar determinado.
- É a segurança de meus filhos que está em jogo, e estou forte o suficiente para protege-los. Posso fazer isto agora.
Alex ouvira a conversa e trouxe os ingredientes pedidos, depositando no colo de Mirian quando esta se sentou na cama com a ajuda de Alucard. Mirian agradeceu e fechou os olhos, enquanto segurava as duas crianças nos braços. Todos se afastaram, sabendo da energia para tal magia. Quando ela abriu os olhos, estes estavam brancos e uma aura poderosa a envolvia. As crianças estavam quietas, como se sentissem o poder também. Com doçura intensa a mãe beijou a testa de cada filho, depositando-os depois na cama enquanto com a varinha desenhava um círculo ao redor deles, no topo da circunferência ela desenhou um triângulo e em seu interior uma lua crescente. Ela pegou então a garra de dragão e fez um pequeno talho na mão esquerda, derramando algumas gotas de seu sangue na garra e misturando as lágrimas ao seu sangue, e uma última gota no centro do triângulo. Depois depositou a garra de dragão na mão de Griffon e derramou as lágrimas de fênix no peito de Seth. Ao fazer isto os itens começaram a piscar nas mesma cor de seus olhos e ela falou em uma língua antiga, misturando grego, latim e egípcio, invocando os poderes ancestrais da magia.
- Isís, você que trouxe seu amado e irmão de volta do mundo dos mortos, que cuidou de Hórus, entrego a proteção de meus filhos. A Gaia a mais antiga e bondosa mãe, peço a proteção e força a essas crianças que sejam abençoadas com sua graça. Mas peço que limite seus poderes, guardando suas armas em seu leito até o dia da necessidade extrema. Como você fez com seus filhos, proteja-os, mas prepare-os para a guerra vindoura. Deusa, proteja-os e guie-os, sempre ilumindo seus caminhos com a sua luz prateada.
Quando ela terminou de falar a prece, as lágrimas de fênix e garras de dragão haviam desaparecido e os olhos das crianças brilhavam levemente em dourado. Mirian sorriu exausta e Alucard pegou os filhos no colo, dando um beijo em Mirian antes de levar os filhos para fora. Do lado de fora, todos já sabiam o que seria feito e abriram caminho, Kyle segurou Griffon no colo, e junto do amigo desceram para uma sala no andar de baixo. A sala havia sido previamente preparada, nela não havia janelas, e toda a extensão era coberta por um enorme pentagrama e ao longo de suas bordas haviam símbolos de poder tremendo como o selo de Salomão, o Ankh, o falcão, a suástica e diversos outros símbolos, além de runas e alfabetos antigos. No centro do pentagrama, havia dois círculos, e entre eles havia uma triângulo que em seu interior continha o olho de Hórus. Kyle depositou Griffon no meio de um círculo negro, com o desenho de uma lua no topo, e Alucard depositou Seth no meio de um círculo branco com o desenho do sol no topo. Kyle então saiu da sala dando um tapa no ombro do amigo. Alucard então encaminhou-se para o desenho de uma lua crescente acima dos círculos, fechando os olhos e quando os abriu eles estavam vermelhos, liberando todo seu poder. Com a própria mão, ele derramou gotas de sangue no interior do círculo onde estava, e retirou um frasco cristalino do bolso, que continha um pouco do sangue de Mirian, jogando-as no centro da outra lua crescente diante dele. Juntos, círculos e luas crescentes formavam uma espécie de cruz. O quarto ficou mais escuro e com uma voz poderosa ele deu continuação ao selo.
- A Luz os consagrou com seu poder, dando-lhes proteção. Agora as Trevas os impediram de romper seus limites, prendendo-os até a hora certa. Thór, Seth, Odin, Anúbis e Zeus com o poder de vocês aprisionem esses poderes e os liberem na hora certa. Chronos, somos servos de seu poder, descendentes de sua glória. Que o tempo aprisione, fortaleça e prepare esses poderes para o tempo a vir. A Luz é presa pelas sombras, por Anúbis, Hades e Seth. As Trevas são contidas pela luz, por Odin, Thór e Zeus. E ambos crescem juntos, seguindo as ordens do grande lorde Chronos.
O imenso pentagrama brilhou na escuridão, e um fluxo de energia começou a correr das pontas até o centro, envolvendo os dois círculos. Depois de um tempo houve um clarão na sala e as duas crianças estavam adormecidas. No peito de cada uma estava um pingente de pedra que misturava vermelho-sangue e branco brilhante, e que pouco a pouco ia se tornando branco. Alucard sorriu ao ver o símbolo dos selos, e pensou em corta-los depois em pingentes para os filhos, mas por enquanto iria leva-los de volta à mãe. Tudo ocorrerá bem e eles protegeriam seus preciosos filhos…
No dia seguinte, mãe e pai, com os filhos nos braços, colocaram suas mãos diante da porta da sala, e completaram o selamento, selando a própria sala do selo, fazendo-a se esconder da casa... Até o dia em que as armas dos gêmeos fossem necessárias, e o selo rompido. Quando finalmente descobrissem seus poderes de verdade.

We're Blood Bound - We aim for the sun
The luminous moon will take us high over ground
We're Blood Bound - Collecting the stars
We hold a power together


Música: Blood Bound, Hammerfall.

N.A.: Essa é a primeira parte do texto em sí, em breve explicarei melhor o porque desse texto estar aqui. Todos os símbolos foram retirados da internet, e são basicamente da cultura Wicca, mas alguns são do meu conhecimento prévio, como a suástica, ankh, olho de Hórus e pentagrama.

Monday, April 14, 2008

Do díario de Rory Montpellier

“Querida Danielle

Meu Julian nasceu... Tudo correu como o previsto e eu me recuperei bem. Meu corpo voltou ao normal, quer dizer meus seios estão maiores, e as vezes me comparo a uma vaca leiteira, pela quantidade excessiva de leite, mas a curandeira que cuidou do meu parto disse que isso era bom. Porém só a alegria de ver aquela boquinha rosada suspirar de satisfação quando mama, valeu a pena aumentar o tamanho de minhas blusas rsrs.
E ele é o bebê mais bonito do mundo. Sim, pode rir, mas eu estou apaixonada pelo meu filho. Como você vai ver na foto que envio, ele é lindo, tem todos os dedinhos e segura minha mão com força. Tem um temperamento calmo, exceto quando está com fome, e aí nestas horas, só mesmo uma sala à prova de som.
Ouso afirmar que ele é muito inteligente, pois já conhece minha voz e já sabe quando não sou eu que estou por perto. Angelique e Lucien são os tios mais corujas que já vi e Jaeda e Brian, se tornaram tios postiços e competem pela atenção de meu pequeno. Meu pai se tornou um avô babão, e já anda fazendo planos de comprar um pônei para Julian, como se ele fosse montar com dois meses de idade. Acho que a decepção que causei ao meu pai por engravidar, foi esquecida quando ele o pegou no colo. Papai, o chama de campeão do vovô, e nestas horas lembro-me do Ty. Não, ainda não contei a ele e à vezes sinto um impulso louco de ir atrás dele com Julian no colo e dizer:
Este é o seu filho e ele precisa de você...”, dramático não? Mas receio que se fizer isso, a primeira coisa que Ty fará será tirar o bebê de mim. Posso estar sendo irracional, mas nunca vou esquecer o olhar dele quando terminou comigo. Acha que ele conseguirá olhar para nosso filho com amor incondicional, depois de tudo o que houve? O meu pequeno ainda é tão frágil. E gostando ou não, Julian é neto da mulher que matou o pai dele.
Sabe, às vezes, durante a noite quando Julian está dormindo, me levanto só para ver se ele está respirando. Sim, sou uma tola, mas eu li tantos artigos sobre bebês que morrem dormindo, que fico apavorada por não perceber se ele regurgitar e eu não estiver por perto. Outro dia, achei que ele estava dormindo demais e apesar dos protestos de Jaeda, para deixá-lo em paz, eu o acordei, afinal o que um bebezinho poderia fazer? Péssima idéia.
Aquele bebezinho, de aparência tão tranqüila, transformou-se num ser de outro mundo, que não lembrava em nada ao meu anjinho, pois gritava a plenos pulmões, e fez isso por mais de 5 horas, levando-me ao ponto de chorar de exaustão junto com ele, ele só acalmou quando Brian o aconchegou. Juro que depois deste dia, passei a respeitar a sua soneca rsrs.
Quantas saudades de nossas conversas, nossas horas de folga sentadas bebendo suco de abóbora nos jardins de Beauxbatons, ou apensas molhando os pés no lago nos dias quentes de verão e porque não dizer: saudades das aulas de madame Defousséz, posso ouvir sua risada chocada, mas reconheço que depois do nascimento de Julian, estou mais tolerante com as pessoas.
Não sei ainda o que farei com relação ao Ty, por isso vou esperar mais um pouco. Não muito, pois Julian é a cara dele, e qualquer um que saiba do nosso namoro, vai ligar os fatos, e não quero que nada e nem ninguém machuque ao meu filho. Amo-o demais para permitir que sofra.
Gostaria muito que viesse nos visitar, pois ele adorou o ursinho amarelo de tia Dani, e a pequena vassoura enviada por tio Went, está guardada esperando que meu garoto fique maior e se sustenha nas próprias pernas. Cuide-se e fique bem.
Com todo o meu carinho
Rory”

Tuesday, April 01, 2008

A reunião de última hora convocada pelo diretor Diperma havia terminado e Shannon e eu fechamos a porta da diretoria sem dizer nada. Sean, Evan e Stuart estavam sentados no bando do corredor olhando apreensivos e trocamos um olhar desanimado, passando por eles ainda sem falar. Os três nos seguiram até o dormitório também em silencio, sem duvida com receio de perguntar o que tinha acontecido. Quando chegamos ao dormitório, puxei meu malão de debaixo da cama e o abri, começando a atirar os livros dentro.

- O que está fazendo, Gabriel? – Sean perguntou preocupado
- Quer ajuda, Biel? – Shannon sentou do meu lado e começou a dobrar as roupas que estavam na minha gaveta
- Sim, obrigado. Depois ajudo você com as suas... – falei desanimado, encarando o malão aberto
- Gente, o que está acontecendo? – Stuart soou desesperado – Por que estão arrumando as malas?
- Parem com isso! – Evan tomou o casaco que dobrava e o jogou de volta na gaveta – Falem alguma coisa!
- Não há o que falar – disse categórico – Estou voltando pra Beauxbatons amanhã cedo.
- E eu estou indo para Durmstrang, ficar com o Micah – Shannon completou

Houve um momento de silêncio, em que os três se entreolharam confusos, e em seguida o quarto se encheu de protestos. Os três falavam ao mesmo tempo atropelando as palavras, e Shannon e eu permanecemos em silêncio esperando que se acalmassem. Foi Evan que se calou primeiro e pediu que os outros dois ficassem quietos.

- Será que podem explicar melhor essa história? – disse calmo – Como assim você vai voltar pra Beauxbatons e você vai pra Durmstrang?
- E o nosso time?? – Sean interrompeu – E a nossa amizade? Vão nos abandonar como Micah fez??
- Não tivemos escolha! – falei me defendendo – Nós não estamos indo porque deu vontade, estamos indo porque não temos outra opção!
- Vamos poder explicar, ou alguém vai interromper outra vez? – Shannon disse irritada e os três sentaram – Melhor assim...
- O diretor nos chamou para conversar agora de manhã, porque recebeu uma denúncia anônima acusando Shannon e eu de sermos os autores do seqüestro do corvo – comecei a explicar – E a denúncia vinha com provas que nos incriminavam
- Diperma não tinha alternativa, o diretor do Kansas cobrou uma atitude dele, não podia deixar que isso passasse sem punição, afinal, não só seqüestramos o corvo como também o perdemos no jogo.
- Mas e quanto a nós três? – Stuart interrompeu – Também estávamos lá, também ajudamos! Vocês não fizeram tudo sozinhos.
- Quem quer que tenha visto o seqüestro, não viu vocês. Ele nos mostrou as fotos, e só eu e Shannon aparecemos.
- Enfim, como existem provas incontestáveis de que estávamos na “cena do crime”, ele nos deu duas opções, que na verdade virou uma só: ou éramos expulsos da escola, ou aceitávamos uma transferência imediata. Se optássemos pela transferência, ele entraria em um acordo com o diretor do Kansas para que isso não ficasse na nossa ficha escolar.
- Claro que optamos pela transferência. Sequer cogitei deixar que fosse expulso, minha mãe ia morrer! – falei rindo enquanto continuava guardando as roupas – Ela nem precisa saber o real motivo da transferência. Diperma garantiu que não contaria.
- MAS ISSO É UM ABSURDO! – Evan ficou de pé berrando – Como que o Diperma propõe algo assim a dois alunos? Cadê a ética?
- Ética? – Shannon soltou uma gargalhada – Desculpe, mas quero mais que a ética vá pro inferno nesse caso! Não quero ser expulsa, e em Durmstrang não vou ficar sozinha, tenho o Micah e outras pessoas!
- Isso não está certo! – Stuart ficou de pé também e começou a andar de um lado pro outro – Vocês não podem pagar o pato sozinhos! Por que não contaram que também ajudamos?
- Nunca ia entregar meus amigos – falei indignado por ele sugerir isso – Duas expulsões já foram ruins demais, não precisamos de cinco!
- Mas é errado, não podemos deixar que levem toda a culpa sozinhos! – Stuart insistiu e cutucou Sean – Vamos contar a verdade a ele, certo?
- Claro, isso não vai ficar assim – Sean o apoiou, mas meio incerto – Vocês vão embora e ficamos pra trás com a consciência pesada. Não dá!
- Ninguém vai contar nada a ninguém, ouviram? – Shannon falou em um tom ameaçador – Fiquem calados, não piorem as coisas!
- Desculpa Shan, mas dessa vez não vai me obrigar a ficar na minha...

Stuart abriu a porta depressa e disparou pelo corredor, decidido a entregar os demais seqüestradores ao diretor. Fiquei de pé em um salto e olhei para Shannon assustado, ele não podia fazer isso! Os outros dois correram atrás dele para ajudar e Shannon e eu saímos atrás dos três, tentando impedir. Descobrimos na pior situação possível que Stuart era um excelente velocista. Por mais que corrêssemos depressa, ele estava sempre com uma boa dianteira. Shannon ainda cogitou a hipótese de estuporá-lo, mas ficou com medo de machucá-lo e desistiu. Vimos quando ele praticamente arrombou a sala do diretor e a invadiu, Sean e Evan na sua cola. Paramos atrás deles derrapando, mas Stuart já estava abrindo o bocão.

- Mas o que é isso? – o diretor levantou assustado com a invasão
- Diretor Diperma, o senhor não pode fazer isso! Não pode punir apenas Gabriel e Shannon, porque eu, Evan e Sean também estávamos lá no Kansas no dia do seqüestro do corvo! E eu fui o responsável por soltá-lo, mas foi sem querer!
- Que história é essa, Sr. Carpizian?
- Cala a boca, Stuart, ou juro que te bato! – Shannon ameaçou entre os dentes
- Desculpe diretor, isso é tudo brincadeira – interrompi o empurrando para trás - Stuart achou que seria divertido pregar uma peça no senhor, mas eu avisei que não teria graça.
- Não é brincadeira não, é verdade! Por que eu brincaria com isso?
- Não sei Sr. Carpizian, talvez porque hoje é 1º de Abril e achou que não me lembraria... – Diperma falou impaciente e Stuart pareceu cair em si. Sean e Evan também – Não é o primeiro que tenta me pegar hoje, mas aconselho que no ano que vem escolha uma mentira que cause menos polemica. Já estou engasgado com o sumiço desse corvo e não preciso de mais acusações falsas. Agora voltem para seus dormitórios, por favor.

Deixamos a sala dele devagar, e enquanto Sean, Evan e Stuart caminhavam calados, Shannon e eu explodíamos em gargalhadas. Os três passarem pela gente com caras furiosas e sumiram pelo corredor sem dizer nada. Mas mesmo que eles estivessem chateados, não conseguia parar de rir. Era a primeira vez que pegava alguém em uma peça de 1º de Abril bolada em menos de cinco minutos, enquanto ouvíamos a uma tediosa reunião sobre as funções de um presidente de grêmio estudantil...