Monday, October 12, 2009

"O homem pode suportar as desgraças, elas são acidentais e vêm de fora. O que realmente dói na vida é sofrer pelas próprias culpas."

Oscar Wilde



- Bianca, mais atenção! Desçam as vassouras!

A voz enérgica de PJ me fez voltar à realidade e empinei a vassoura para baixo, vendo a goles cair lentamente bem longe do aro por onde deveria ter passado. Philipe e Kwon já haviam desmontado de suas vassouras e esperavam ao lado de PJ. Desde que havia retornado de Saint-Tropez e agora com Philipe e Kwon de volta a Mônaco para ajudar, PJ marcava treinos diários e duradouros. Era cansativo, a noite mal conseguia terminar o jantar e já estava desmaiada na cama, mas não havia reclamado uma única vez. Manter-me ocupada com os treinos durante boa parte do dia, e na companhia de Philipe, me mantinham longe de Kalani e sem tempo para pensar no que havia acontecido.

Kalani e eu havíamos chegado a um acordo de poucas palavras de nunca mais tocar naquele assunto e esquecer o que aconteceu, agir como se nossa viagem a Saint-Tropez tivesse terminado com a minha rápida aula de surf, o que viesse depois dela não tinha acontecido. Era um acordo excelente pra mim, pois não tinha a menor pretensão de contar a Philipe sobre aquilo. Havia sido um momento de fraqueza, do qual eu ainda não consigo explicar meu comportamento, e que agora fazia parte do passado.

- Onde está com a cabeça hoje, Bia? – PJ começou a esbravejar assim que cheguei até eles – O aro estava bem na sua frente e atirou pro lado!
- Desculpe, me desconcentrei por um instante – tentei me justificar.
- Um erro desses pode lhe custar uma vaga em qualquer time.
- Dê um tempo a ela, PJ – Philipe me defendeu – Estamos treinando há horas e amanhã voltamos a Beauxbatons, estamos todos meio desconcentrados hoje.
- Isso não é desculpa, mas vou deixar passar porque prometi ao pai de vocês de estaria no campo uma hora antes do treino da liga infantil e isso me dá 5 minutos para chegar lá – PJ consultou o relógio e largou o cronometro na mão de Kwon – Até o jantar.

PJ desaparatou no mesmo instante e Kwon guardou o cronometro no bolso, se despedindo dizendo que ia para casa tomar banho e depois acompanhar o treino da liga infantil pelo resto da tarde. Philipe me abraçou animado pelo treino ter terminado e voltamos para a minha casa. Ele agora passava o tempo inteiro aqui, e eu não reclamava pelo fato de também não passarmos um pouco do tempo livre na sua casa, ficar aqui evitaria situações constrangedoras. Minha mãe havia preparado uma enorme mesa para o lanche da tarde e Eugene já estava ocupado com os diferentes tipos de doces espalhados na mesa. Agora que já tinha 11 anos e ia para Beauxbatons, não fazia mais parte da liga infantil de quadribol de Mônaco, o que pra ele significava apenas uma coisa: estava livre da dieta equilibrada imposta pelo nosso pai.

Nosso embarque de volta para a escola era na manhã do dia seguinte e Eugene não poderia estar mais animado. Já tinha feito e desfeito a mala várias vezes para se certificar de que não estava esquecendo nada e passava o dia inteiro nos enchendo de perguntas sobre o castelo, embora já não existisse mais nada que ainda não tivéssemos contado a ele desde que começamos a estudar lá.

Eu também estava empolgada por voltar, mas não tanto quanto meu irmão mais novo. Voltar a Beauxbatons no dia seguinte significava começar o nosso último ano de escola. Estava louca para voltar à rotina de aulas, aprender feitiços novos e rever os amigos que não moram em Mônaco, mas dizer adeus no fim do ano letivo seria muito doloroso. Se despedir da nossa casa não seria fácil.

- Percebeu que essa é a primeira vez que conseguimos ficar sozinhos desde que voltei da África? – Philipe falou me puxando para perto dele no sofá, depois que acabamos de comer.
- É porque estão todos arrumando as malas pra voltar, senão duvido que não estivessem aqui, falando alto e com os pés em cima da mesinha.
- Como foram as férias por aqui? Fizeram algo de interessante?
- Não, nada demais – dei de ombros, tentando parecer indiferente – Você sabe, a programação de verão de Mônaco nunca muda.
- Mas você não foi pra Saint-Tropez com o Kalani? Devem ter feito algo de bom por lá!
- Não gostei muito de Saint-Tropez – ele me olhou espantado – Kalani tenho certeza que gostou, mas eu senti sua falta.
- É, ele sem duvida gostou, estava querendo tirar a poeira da prancha desde que chegou aqui.
- Não quero falar das minhas férias chatas, conte como foi a sua – desviei o alvo da conversa para ele – Como foi na África?
- Ah meu amor, foi incrível! Conheci tantos lugares interessantes, não consigo nem descrevê-los!
- Você chegou a encontrar a comunidade onde nasceu?
- Encontrei sim, e conheci minha mãe biológica – seu tom de voz mudou um pouco. Passou da euforia para a preocupação.
- O que aconteceu? Ela está bem?
- Sim, está, ou ao menos aparenta estar. O lugar onde ela vive é realmente pobre, tudo simples demais. Tentei convencê-la a morar na cidade, eu poderia pagar uma casa para ela morar, mas ela não quis. Disse que estava feliz em me ver e ver como eu estava bem, que soube que havia tomado a decisão certa ao me dar para adoção e que era feliz daquele jeito. Disse que agora que tinha certeza de que eu estava bem, não precisava de mais nada.
- Isso é bom, meu amor. Ela viveu bem até hoje e agora que pode rever você, aposto que vai ficar melhor ainda.
- Espero que sim. Quero voltar lá, revê-la mais vezes. Quero levar você até lá, quero que ela conheça você.
- E eu vou adorar conhecê-la – sorri para ele e ele me beijou, mais relaxado – Fez algum safári?
- Vários. A África é fascinante, tenho muito orgulho de ter nascido lá.
- Estou feliz que tenha aproveitado a viagem, era seu sonho.
- Sonho realizado. Agora só falta casar com você.

Ele sorriu e me puxou para cima dele, derrubando algumas almofadas pelo chão. Ficamos deitados abraçados no sofá por muito tempo, sem conversar sobre nada. Nunca havíamos ficado tanto tempo longe um do outro e agora que tinha Philipe de volta, percebi a falta que ele me fez. Ele não era só meu namorado, era também meu melhor amigo. Kalani era um ótimo garoto e talvez um namorado perfeito, mas não existia ninguém no mundo mais perfeito pra mim do que Philipe e ele teria que conviver com isso. Minha escolha já havia sido feita há três anos atrás.

- Não me abandone outra vez – falei com a voz abafada por estar com a cabeça em seu peito.
- Não se preocupe, não vou mais viajar por dois meses inteiros. E se for, levo você comigo.
- Não estou falando de viagens – me ajeitou no sofá e o encarei – Promete que nunca vai me abandonar? Que vai ficar comigo pra sempre?
- Por que essa conversa agora? – ele também se sentou e me encarou preocupado – Aconteceu alguma coisa?
- Não aconteceu nada, só quero que me prometa que nunca vai me abandonar – mesmo sem ter a intenção, comecei a chorar.
- Bia, eu te amo, você é a pessoa mais importante da minha vida – ele me puxou para junto de seu corpo outra vez e secou minhas lagrimas, me abraçando – Você vai ter que se empenhar muito pra se livrar de mim, porque eu nunca vou sair do seu lado.

Meu sorriso saiu parecido como uma careta e ele riu, me beijando suavemente. Nunca havia me sentido tão culpada em toda a minha vida como me sentia naquele momento, mas não podia contar a verdade ou ia acabar o magoando. E se eu magoasse Philipe, nunca iria me perdoar.

Sunday, October 11, 2009

Prelúdios de um sonho - Parte IV - Inimigos e Aliados - Final

Próximo de nós, onde estavam os corpos do exército de monstros, eu podia ver centenas de sombras. Eram centenas de vultos que pareciam mover-se com o vento, um vento fantasmagórico. Eram centenas de Banshees e almas perdidas, que encaravam o Necromancer, seus olhos fantasmagóricos revelando raiva e vingança. Melegrant começou a se afastar, gaguejando e implorando misericórdia. Eu conjurei meu patrono, para nos proteger, mas mamãe fez que não com a cabeça. Os Banshees soltaram um poderoso grito, um grito macabro e cheio de dor e morte, fazendo-me ter calafrios por todo o meu corpo. Seu grito foi longo e parecia o grito da morte, um grito uníssono de morte. Elas então saltaram no ar, flutuando velozmente, lançando-se contra nós, mas passaram direto por nós.
Eu olhei para trás a ponto de ver Melegrant tentando fugir, mas uma das Banshees entrou em seu corpo e vi seus olhos ficarem arregalados enquanto não conseguia mais se mover. Todas as Banshees e espíritos jogaram-se contra seu corpo e vi com horror enquanto todas elas destruíam o corpo do homem, rançando pedaços do corpo com as mãos fantasmagóricas, matando-o de dentro para fora. Em minutos, não havia mais necromancer, apenas pedaços. As Banshees ficaram flutuando no ar, olhando para a lua, em seguida nos olharam, mas seus olhos agora transmitiam agradecimento e paz de espírito e seus rostos não mais pareciam sofrer. Elas desapareceram no ar, em partículas de luz branca.
- Isso que acontece com aqueles que brincam com os mortos. – O Caçador falou com raiva, cuspindo onde estava os restos do necromancer.
- Necromancia é uma magia perigosa, a qualquer momento seus servos podem se rebelar contra você e mata-lo. – Mamãe explicou-me.
- Ele merecia isto...O que ele fez com centenas de pessoas... – Eu falei, os olhos com lágrimas de raiva. Vi que o Caçador me encarava, mas não conseguia ler seus pensamentos.
- Obrigado pela ajuda, Caçador. Deixe-me cura-lo. E diga-nos seu nome. – Mamãe falou, aproximando-se dele.
- Não preciso de ajuda. Já me curei de ferimentos piores. – Ele falou, afastando-se dela, mas seu peito estava machucado com o poderoso soco da vampira e ele caiu de joelhos. Eu corri para ele e o segurei, ajudando-o a se levantar, enquanto mamãe apontava a varinha para ele. Ele me olhou misturando raiva e agradecimento, mas por fim falou, muito a contra-gosto. – Obrigado.
- De nada. Eu que agradeço, você salvou minha vida. Qual o seu nome?
- Você deve aprender a nunca enfrentar um vampiro cara a cara.
- Ah, como você não fez?
- Eu sou um caçador de vampiros experiente, você um pirralho. – Ele falou rindo.
- Um caçador maluco, está parecendo para mim. – Eu falei, também rindo.
- Você é um pirralho poderoso, Alderan Chronos. – Ele falou, sorrindo. – Eu conheço vocês, sinto muito pelo que aconteceu a sua família, todos os caçadores sentiram a falta deles.
- É uma honra saber que um caçador de vampiros como você nos conhece. – Mamãe falou, terminando de conjurar bandagens para ele. – Mas nós não desistiremos.
- Por Merlim... Não sei o que aconteceria se vocês não lutassem mais, cara Sra. Rigel Chronos. Eu sou Ragnar Ragnarson, um caçador de vampiros, é um prazer conhecer a líder dos Chronos. E seu filho.
- Futuro líder dos Chronos. Em menos de dois meses, o farei meu sucessor e líder oficialmente. – Mamãe falou, fazendo o homem se surpreender, me olhando novamente.
- Muito bom para um pirralho não é? – Falei rindo.
- Muito bom mesmo. Eu apoio a volta de vocês. Obrigado pela ajuda, mas devo ir agora, devo localizar Scarlet. – Ele falou, levantando-se e começando a se afastar. Eu, porém, o segurei pela mão, fazendo-o olhar para mim novamente.
- Espere. Ragnar, não gostaria de se unir a nós? Fazer parte do nosso clã? Precisamos de gente como você, poderoso e honrado.
- Eu trabalho sozinho, garoto. – Ele falou, encarando-me nos olhos.
- Juntos podemos construir o clã e mudar o mundo. Podemos dar um fim a pessoas como ele, dar um fim a malucos como esse tal Lord! – Eu falei, apontando para os restos do Necromancer. Ragnar fitou-me nos olhos por um longo tempo e não sei o que ele viu ali, mas sorriu em seguida.
- Gosto de você, garoto. Você é alguém de força e poder, tem um espírito como eu vi em poucas pessoas no mundo. Confiarei em sua liderança, meu senhor. – Ele falou, curvando-se para mim, ajoelhando-se em seguida. – Eu Ragnar Ragnarson, coloco-me sob o comando dos Chronos.
- Levante-se, Ragnar Ragnarson, obrigado, mas lembre-se que seremos sempre uma família e não um comando. – Eu falei, fazendo-o se levantar. Eu e mamãe o abraçamos, e ele sorriu para nós, enquanto nós três começávamos a queimar aquele lugar maldito, incinerando os restos mortais de criaturas e criador. Havia conseguido nosso primeiro aliado.

Ainda naquela noite, nós três montamos acampamento próximo de uma vila da região, pois decidimos que só voltaríamos para Berlin na manhã seguinte. Eu peguei meu diário e comecei a fazer anotações sobre o dia, pensando nos monstros que enfrentei durante o dia, como o Legion e as Banshees. Então me veio uma idéia na cabeça e decidi que começaria a escrever minhas lembranças e anotações, formando um livro, um guia sobre seres das trevas.

“ Legion.
Classificação Chronos: 9 (Faixa: 1 – 10).
Origem: Normalmente Magia Negra, porém podem ser formados naturalmente.
Descrição: Legion é uma mistura de dezenas ou mais Inferi, sendo um morto-vivo extremamente poderoso e perigoso. Um Legion pode se formar naturalmente, mas isso é extremamente raro apenas acontecendo quando há um massacre de dezenas de pessoas ao mesmo tempo e no mesmo lugar, caso os corpos dos mortos estejam muito próximos um dos outros. Os Legions têm formatos dos corpos diferentes para cada indivíduo, mas são sempre formados por pedaços diferentes de corpos, muitas vezes “remendados”, formando um conjunto imenso de corpos. Sua pele é extremamente resistente e é uma excelente proteção contra a maioria dos feitiços. Legions ainda sentem medo do fogo e da luz do sol, apenas atacando durante a noite, porém seus instintos e fome são muito mais intensos que os de um Inferi comum, e eles enfrentaram luz e fogo para se alimentar ou quando estiverem com raiva. Sua alimentação padrão é de carne humana, seja ela viva ou morta. Legions alimentam-se de outros corpos mortos, devorando-os e acrescentando novas partes aos seus corpos desfigurados, aumentando o número de corpos que os compõem. A mordida de um Legion é extremamente perigosa, pois é um forte veneno, capaz de matar quem foi mordido em questão de horas, uma vez que seus dentes são podres e envoltos em poderosa magia negra. O ponto fraco de um Legion está em seu interior e o modo correto de destruí-lo é de dentro para fora, para tal deve-se rasgar sua carne com algum feitiço ou usar alguma abertura, como a boca ou pedaços sem carne, e lançar um feitiço de fogo em seu interior. Legions são muito mais rápidos, inteligentes e fortes que um Inferi comum e usarão qualquer tática para destruir seus oponentes, inclusive ardilosas táticas, como fingir-se de morto e atacar pelo chão. Um Legion é destruído quando a magia que une seus corpos é rompida e seu corpo começa a se desprender em um intenso fogo de cor negra.”

“ Dementador.
Classificação Chronos: 7-8 dependendo do Bruxo que o enfrenta.
Origem: Magia Negra ou Beijo do Dementador.
Descrição: Dementadores são asquerosos seres malignos, que se alimentam da felicidade de suas vítimas, fazendo-as perder as esperanças e se entregar ao desespero até o momento em que o Dementador dá o Beijo. O Beijo é a arma mais perigosa de um dementador, pois ele suga a alma da vítima, tornando-a um novo dementador, nem morto nem vivo. Um dementador pode ser formado por magia negra, para tal o Necromancer retira a alma de uma pessoa ainda viva, tornando seu corpo uma casca vazia sob seu controle. A alma retirada pode ser usada para formação de um Banshee, mas geralmente é usado como o primeiro alimento do dementador, o que o torna mais feroz e maligno. A única forma de enfrentar um dementador é usar o feitiço do Patrono, um poderoso e avançado feitiço que invoca parte da alma de seu usuário para protege-lo. O Patrono é um ser de pura luz e bondade, a personificação da alma, e pode assumir diversas formas, inclusive de animais. O Patrono protegerá seu dono a qualquer custo, atacando o dementador, porém só continuará em ativa enquanto seu conjurador for capaz de mantê-lo em forma material. Para conjurar um Patrono, deve-se pensar em suas memórias mais felizes e conjurar o feitiço “Expectru Patronus”. Porém, pensar em coisas felizes na presença de um dementador pode ser algo realmente difícil, justificando sua classificação alta. Patronos em geral afugentam dementadores, mas se o Patrono for suficientemente poderoso ele é capaz de extinguir o dementador, dando fim a sua existência. Quanto mais forte for a lembrança feliz, mais poderoso o Patrono.”

“ Banshee.
Classificação Chronos: 6.
Origem: Magia Negra ou Naturalmente.
Descrição: Banshees são almas perdidas, que não conseguiram deixar este mundo. Semelhantes a fantasmas, há algo que os liga a esse mundo, não permitindo que prossigam, porém o que os liga a esse mundo é a raiva e a vingança. São espíritos extremamente vingativos, que vagam pelo mundo até o dia em que cumprirem sua vingança, seja contra o que ou quem for. Naturalmente nascem de mortes onde a pessoa possua um forte sentimento de raiva e vingança, mantendo-a ligada a esse mundo. Necromancers criam Banshees ao retiraram a alma do corpo de uma vítima ainda viva, criando uma Banshee e um Dementador, porém em geral, a Banshee é o primeiro “alimento” do Dementador. Caso o Necromancer perca o controle sobre uma Banshee, ela o atacará, querendo mata-lo por vingança. Banshees também são repelidas e destruídas por poderosos Patronos, e outra forma de acabar com uma, é retirando-a do domínio de um Necromancer, quando ela procurará vingar-se dele, desaparecendo em seguida.

“Necromancer.
Classificação Chronos: 10 ++
Origem: Humano.
Descrição: Bruxo maligno, extremamente poderoso e maldito. Necromancers usam a Necromancia para criar servos e aliados através dos corpos e das almas de vítimas vivas ou mortas. Eles são poderosos usuários de magia negra e deve-se tomar muito cuidado ao enfrenta-los, pois possuem muitas maldições. Usam seus servos como escudo e forma de ataque, porém devem manter domínio sobre eles. Caso um Necromancer perca o controle sobre seus servos, estes se voltaram contra ele, na tentativa de vingar-se.

“Vampiro
Classificação Chronos: 10+++
Origem: Vampiros
Descrição: Vampiros são seres poderosos e malignos, sedentos por sangue e morte. São imortais, com corpos resistentes e poderosos, donos de uma força descomunal, assim como velocidade assombrosa e grande conhecimento de magias. Um vampiro só é destruído com a luz do sol ou cortando-lhe a cabeça.”

Wednesday, October 07, 2009

Prelúdios de um sonho - Parte III - Inimigos e Aliados

- Não é culpa minha! Estou criando os Legions como me foi ordenado, mas já esvaziei quase todos os cemitérios da região. – O outro homem falou, sua voz parecia com a voz de um morto de tão rouca e arrastada.
- Basta trazer-lhe mais corpos. Terei prazer em fazer isto. Mas deve ser rápido, está irritando meu mestre também. – A mulher falou, sua voz encantadora me revelando ser uma vampira. Apenas meu treinamento e a mão de mamãe me manteve ligado ao mundo racional, e balancei a cabeça para apagar as imagens dela que se formavam em minha cabeça.
- Scarlet, não irei decepcionar nosso mestre. Farei Cadarn ter orgulho de mim e transformar-me em um vampiro também. – O homem falou e notei ansiedade em sua voz.
- Faça seu trabalho e será recompensado. – A vampira, Scarlet, gargalhou e respondeu, e eu sabia que ela mentia e apenas manipulava-o. Podia imaginar os olhos brilhando do homem.
- E faça direito, o Lord das Trevas é o último que você iria querer desapontar. – Procyon falou, e notei certa amargura em sua voz.
- Você sabe bem disso, não é, Procyon? Soube que seu nome foi banido...Nem mesmo os Comensais o chamam de Chronos. – Melegrant falou, cruelmente. Ouvimos o barulho de uma varinha cortando o ar, ao mesmo tempo que os dementadores e banshees voavam para a entrada da caverna. Meus olhos estavam acostumados à pouca luz e pude ver que Procyon apontava a varinha para o pescoço de Melegrant, que ria maliciosamente. Os servos do necromancer pareciam rosnar para Procyon, mas não se moviam, enquanto Scarlet sorria malignamente.
- Eu provarei para o Lord meu valor, e todos vocês se arrependerão! – Procyon falou com raiva na voz, mas também captei um tom de loucura.
- É o que veremos, você deixou dois deles vivos ainda. E foi humilhado por um sangue-ruim, e provocou a morte de dezenas de comensais! – Scarlet falou rindo, e Procyon lhe lançou um olhar furioso, mas eu via que ele temia a vampira.
- Eu matarei eles com certeza.
- Acho que terá a chance. O Legion que escapou de meu domínio, soube que foi destruído pelo seu amado irmão e sua querida mãe. – Melegrant falou, os olhos negros brilhando de malícia. Procyon não conseguiu esconder o espanto, fazendo Scarlet rir, enquanto pendurava-se em seu pescoço.
- Ora, ora, ora. Encontro em família? – Scarlet falou, os lábios próximos da orelha de Procyon. Ele a empurrou com raiva.
- Melegrant, quero o exército pronto amanhã, ou você me pagará. São as ordens do Lord.
- Cadarn quer resultados, você prometeu que desenvolveria novas formas de se criar Legions com mais facilidade. – Scarlet falou, ainda rindo.
- E terão seus resultados, os meus dois senhores. – Melegrant falou, fazendo uma pequena mesura, ainda com um sorriso malicioso no rosto para Procyon.
- Espero que tenha resultados. – Procyon falou. Nesse momento, mamãe fez os sinais de aproximação e ataque de nossa linguagem e começamos a nos mover sorrateiramente, aproveitando a discussão deles. – Ou provará da minha fúria! Esteja avisa..
Antes que Procyon pudesse terminar de falar, uma imensa bola de fogo foi lançada contra eles, seguida por uma chuva de fogo. Procyon e Scarlet saltaram pra trás, conjurando escudos e protegendo-se, enquanto uma nuvem de dementadores colocou-se entre os feitiços e o Necromancer. Eu e mamãe nos assustamos, ainda mais quando vimos que um único homem, envolto em uma capa negra e com uma larga cicatriz no rosto, estava de pé no alto do morro, lançando feitiços contra eles.
Scarlet gargalhou alto, o som me fazendo ter arrepios e saltou para a montanha, enquanto banshees e dementadores voavam pelo ar na direção do homem. Procyon e Melegrant apontaram as varinhas para o intruso, disparando feitiços verdes.
Eu agi antes de pensar e me coloquei de pé, apontando a varinha para Procyon. Uma luz prateada explodiu de minha varinha, atingindo-o no peito e jogando-o dezenas de metros para o alto e para trás. Em seguida disparei outro raio prateado contra a vampira, atingindo-a em pleno ar, fazendo-a chocar-se contra a montanha, com um guincho de dor. O Necromancer assustou-se e apontou a varinha para mim, lançando uma maldição negra poderosa, mas mamãe já estava de pé, protegendo-me. Procyon levantava-se assustado, encarando-nos com os olhos arregalados.
- Traidor! – Eu gritei e lancei uma onda de magia contra ele, cheio de raiva. Ele fez o chão subir, formando um escudo de terra, que foi destruído pela magia.
- Vocês! – Ele falou, misturando raiva e perplexidade. Agora a luz dos feitiços me fazia poder vê-lo com clareza e via que ele estava muito magro, e parecera envelhecer dezenas de anos em apenas um mês. Ele tinha uma queimadura próximo do pescoço e podia ver a Marca Negra em seu pulso. Ele gritou e disparou uma chuva de feitiços verdes, mas saltei de lado, fazendo pedras levitarem para me proteger. Mamãe lançou um feitiço contra ele, fazendo a terra levantar, em uma espécie de avalanche contra o traidor.
Scarlet voltou furiosa, concentrando toda a sua atenção em nós, enquanto o Necromancer gritava em sua voz rouca um comando maldito, fazendo todos os seus servos nos atacarem. Legions surgiram do chão a nossa volta e saíram de dentro da caverna, todos possuíam mais de três braços e eram tão asquerosos quanto o primeiro. Scarlet gargalhou, saltando em meio às banshees em uma velocidade assombrava, que nem eu conseguia acompanhar. Ela pulou sobre mim, as pressas a mostra, e eu pela segunda vez em vida, vi a morte diante de mim. Mas o outro homem lançou um feitiço rápido, atingindo-me nas costas e tirando do alcance da vampira, enquanto mamãe lançava um feitiço contra ela.
- Não se meta, criança. – Ouvi a voz grossa e forte do homem gritando para mim, enquanto duelava ferozmente com a vampira.
Scarlet gargalhou, rindo enquanto lutava com o homem. Notei com raiva que Procyon havia escapado, e notei com certa preocupação, que os seres malignos nos cercavam e fiquei costas a costas com mamãe. A vampira acertou um soco poderoso no homem, e ouvi o som dos ossos do peito do homem estalando, e ele foi jogado para perto de nós. Scarlet riu novamente, enquanto o Necromancer fechava o cerco. Mamãe lançou uma gigantesca bola de fogo contra um dos Legions, mas não surtiu efeito.
- Hahahahaha! – O Necromancer gargalhou. – A pele desses Legions é feita de uma substância que protege contra magia. Não conseguira acerta-los, mulher.
- Aquele medroso do Procyon, vai perder a chance de ver os Chronos mortos. – Scarlet falou, sorrindo malignamente para nós.
- Chronos? – O homem falou, cuspindo sangue. Eu me abaixei para ajuda-lo, mas ele me deu um soco, empurrando-me para longe. – Eu não preciso de ajuda.
- Morra sozinho então! – Falei com raiva, voltando a me concentrar nos nossos inimigos.
- Esses seus Legions, devem ter um limite para a magia que agüentam. – Mamãe falou, um sorriso nos lábios.
- Eles são perfeitos! Nada que faça os destruirá. – Melegrant gargalhou.
- É o que veremos. – Mamãe falou. – Filho, conjure seu Patrono, mantenha os dementadores e banshees longe de nós. Caçador, se puder lutar, mantenha Scarlet afastada.
O Caçador assentiu, e vi que ele parecia conhecer minha mãe. Ele ficou de joelhos, apontando a varinha para Scarlet que ria para ele. Eu conjurei meu patrono, porém foi algo difícil, pois a nuvem de dementadores e os gritos das banshees minavam minhas energias e esperanças. Mas ao pensar em Alice, Millie, Tristan, Penélope, Bianca, Anabela, Kwon, Marcel, Andréas, Philipe, Noah e Derik, e por fim nos meus planos para o futuro, consegui fazer minha águia prateada surgir. Ela brilhou intensamente e chocou-se contra um dementador que aproximou-se demais.
Mamãe levantou-se a varinha para o alto no mesmo momento em que os Legions, Inferi, Banshees, Dementadores, Scarlet e Melegrant avançavam, gargalhando com a vitória. Uma coluna de fogo saiu da varinha de mamãe e subiu aos céus, transformando a noite em dia por alguns momentos. Houve o barulho de uma explosão e uma chuva de chamas começou a cair ferozmente, parecendo com meteoros atingindo a terra. E era uma Chuva de Meteoros. As imensas bolas de fogo e lava atingiam o solo com força, causando explosões e aniquilando Inferis instantaneamente. Até mesmo as Banshees e os Dementadores foram aniquilados.
Mas não parou por ai. A coluna de fogo tomou a forma de uma imensa serpente de fogo que rodopiou ao nosso redor, como se preparasse o bote. O calor era insuportável e parecia que eu estava no meio de um vulcão, mas o feitiço de mamãe era monstruoso. A serpente de fogo atacou os inimigos, formando uma linha de fogo ao nosso redor, queimando os inimigos com ferocidade. Podíamos ouvir o grito de morte dos Inferi, os sons guturais da garganta maldita das Banshees e dos Dementadores, enquanto os Legions urravam de dor, perdendo o controle e tentando fugir. Mamãe, porém, apontou a varinha para cada Legion e dos céus uma imensa bola de fogo caiu sobre cada um deles, incinerando-os com um único golpe.
A Chuva de Meteoros continuava e o chão tremia com seu impacto, enquanto eu me assustava com o poder de mamãe. O homem estava boquiaberto, parecendo não acreditar, enquanto mamãe sequer parecia cansada. Mamãe tinha uma habilidade magnífica, ela era capaz de gerar e manter magias de níveis altíssimos, sozinha, enquanto normalmente seriam necessários dezenas de bruxos habilidosos. Depois, ela batizaria aquele feitiço gigantesco de Inferno, pois era aquilo que ele era.
Scarlet e Melegrant eram obrigados a saltar constantemente, fugindo dos meteoros e dos próprios aliados, que cegos pela dor e pelo sofrimento corriam pelo campo urrando, atingindo uns aos outros. Scarlet pulou para o alto da montanha e soltou um silvo para nós, fugindo em seguida. Melegrant cambaleou para trás e tentava escapar, quando mamãe apontou a varinha para ele, e uma língua de fogo o envolveu, fechando-se rapidamente. Ele gritou de dor, enquanto era queimado pelo feitiço, mas não morreu, mamãe o queria como prisioneiro.
Não havia mais exército de mortos-vivos, pois estes estavam queimando em chamas negras, urrando de dor e sofrimento. A resistência dos Legions não agüentou o poder da magia de mamãe e eles caiam mortos, totalmente incinerados. Os dementadores haviam sido aniquilados, tanto pelas chamas quanto pelo meu patrono e o do outro homem. Apesar do modo como ele me tratara, eu estava admirado, pois ele lutara de pé em igualdade com uma vampira, e mesmo agora já estava de pé, caminhando para o Necromancer.
- Muito bem, Melegrant, é a hora de nos contar o que sabe. – Mamãe falou, a varinha apontada para ele.
- Nunca. – O homem conseguiu reunir coragem para falar, os olhos brilhando em desafio. A língua de fogo apertou-se, queimando-o enquanto ele gritava de dor.
- Acho bom começar a falar, Necromancer. – O homem falou, enquanto apertava o peito com uma das mãos.
- Acha que tenho medo de vocês? – O Necromancer falou rindo, mas seus olhos transmitiam medo e loucura enquanto a corrente de fogo o queimava mais.
- Deveria ter. – Eu ameacei com raiva.
- Por que deveria ter medo de uma mulher, um pirralho e um maltrapilho? – Ele perguntou sorrindo. – Eu sou um Necromancer, aliado do Lord das Trevas e pisarei em vocês!
- É o que vamos ver. – O homem falou, apontando a varinha para o peito do homem. – Cruccio.
Melegrant começou a gritar de dor, e enquanto se debatia, as correntes de fogo o queimavam ainda mais, e seus gritos tornavam-se cada vez mais altos. Eu dei um passo a frente para impedi-lo, mas então lembrei-me das centenas de pessoas que aquele homem matara apenas por ganância e para construir um maldito exército. Mas não consegui mais assistir aquilo, lembrando-me da noite em que minha família fora torturada e assassinada.
- Chega. – Eu falei, abaixando o braço do homem.
- Caçador, não deixarei que use uma Imperdoável na minha frente. – Mamãe falou, com os olhos brilhantes.
- Como a Senhora Chronos desejar. – O homem falou, afastando-se um pouco.
- Acho que está pronto para falar? – Eu perguntei, segurando o Necromancer pela camisa. Ele grunhiu de dor.
- Está bem, está bem! O Lord das Trevas quer um exército invencível, um exército de mortos-vivos! Ele quer criar centenas de Inferi, Banshees e Dementadores. Aprendemos então a fazer Legions e ele me ordenou que criasse um exército deles.
- O que os vampiros tem a ver com isto? – O homem perguntou.
- Meu Lord aliou-se a eles, a alguns deles na verdade. Existe um poderoso Necromancer entre os vampiros, ele foi meu mestre e me ensinou a criar Legions, dando-me a tarefa de criar um exército.
- O Conselho jamais permitiria uma ligação entre vampiros e Comensais. – Mamãe falou, e o homem concordou com ela.
- O Conselho não sabe. Meu mestre, Cadarn, está trabalhando às escondidas.
- E o que Procyon fazia aqui? – Eu perguntei com raiva.
- Ele foi designado pelo Lord para vistoriar minhas ações, e, principalmente, ele é o responsável por fazer a ligação com os vampiros.
- Ele está aliado de vampiros?! – Mamãe perguntou enfurecida.
- Sim, seu filhinho está do lado deles agora. – Melegrant falou sorrindo. Dessa vez eu não me segurei e soquei o rosto dele com raiva. Ele caiu no chão e as correntes de fogo o queimaram ainda mais, fazendo-o gritar.
- Meça suas palavras com minha mãe e se voltar a falar que aquele verme pertence a nossa família, eu matarei você. – Eu falei, e algo em meus olhos causou medo no Necromancer.
- Vamos leva-lo para o Ministério. – Mamãe falou, fazendo o necromancer ficar de pé. Assim que ele ficou de pé, seus olhos encararam algo com medo, os olhos vidrados.
- O que houve? – Perguntei preocupado.
- Acho que não poderemos leva-lo. – O Caçador falou e eu olhei para onde ele olhava.E quase não acreditei no vi.

Continua...

Tuesday, October 06, 2009

As férias deste ano estavam sendo fora do comum. Depois do funeral do pai e da irmã do AJ, Virna queria que eu ficasse em casa e limitasse minhas saidas ao maximo possivel. Entendo que ela se preocupe comigo, mas ela estava exagerando, afinal eu estava de férias, tinha uma vida social fora da escola e o mais importante, tinha um namorado que eu gostaria de encontrar. Quando AJ escreveu me convidando para ficar em sua casa para a semana de treinamento em DCAT, e Kyle seria um dos responsáveis não teve jeito dela me segurar, pois ele disse que eu iria com ele, sem discussões.
Mesmo que eles briguem às vezes, ela é doida por ele e não consegue dizer não. Ele é um bom homem e muito competente no trabalho e não liga para o fato de Tristan não ser de uma familia rica, diz que o mais importante para ele é o caráter de uma pessoa e que confia em meu julgamento. Claro que ele discretamente me relembrou das minhas notas em DCAT e que eu deveria aproveitar a oportunidade de marcar alguns pontos com a professora Rosseau. :P

Após o treinamento, cada um de nós foi aproveitar o que restava de seus dias de folga, e como AJ iria viajar, Tristan voltou para o orfanato e eu após ficar alguns dias na Escócia com Virna visitando alguns parentes dos McGregors, recebi uma carta de Alice, namorada do AJ me convidando para ficar com ela e sua familia em Paris, até o começo das aulas. Minha irmã me olhou desconfiada, mas como eu a lembrei que já tinha 17 anos e se quisesse poderia ir embora de vez, ela parou de resmungar.
Fui até até casa de Alice através da rede de Flú, e os Oceanborn me receberam muito bem, colocamos nossas conversas em dia, saimos para fazer compras para a volta à escola e logo ficamos livres, como eu queria fazer uma surpresa ao Tristan, me despedi dela e fui até o Orfanato aonde ele morava e quando cheguei lá, me informaram que ele havia ido embora. Como havia passado pouco do horario de almoço, lembrei o nome do restaurante trouxa onde ele estava trabalhando e fui até lá. Respirei aliviada ao ver que ele estava bem. Quando ele me viu, abriu um sorriso enorme e falou com alguém do restaurante que parecia ser o gerente até onde eu estava, me deu a mão e me levou para fora. Assim que saimos para fora, ele me deu um beijo nos lábios e disse:
- Oi! Você não tem idéia de como senti sua falta.
- Também senti a sua. Fui te procurar no orfanato. O que aconteceu?
- Já tenho 17 anos, sou maior e segundo o diretor, ele já me aturou demais.Então sai de lá.
- Onde você está morando?
- Numa pensão aqui perto, não se preocupe... Vamos tomar um sorvete...- desviou das perguntas e me levou até um carrinhos de sorvete, onde comprou duas casquinhas de chocolate e nos sentamos no banco enquanto olhávamos as pessoas aproveitando o resto do dia de sol no parque. - Quero ver aonde você esta morando Tristan...- insisti porque Tristan, não gostava de dividir problemas, ele sorria, ele brincava, mas seus olhos o entregavam quando estava preocupado.
- Está querendo ficar sozinha comigo Millicent? Posso achar que é uma proposta indecente...- disse me olhando de um jeito maroto, enquanto eu sentia meu rosto esquentar, e ele riu. Dei-lhe um tapa no braço e rimos.
Continuamos a tomar sorvete e ele acabou me contando o que tinha acontecido no orfanato, e como eu insisti, ele me levou até o local aonde estava morando provisoriamente até a nossa volta para a escola, e era um lugar tão deteriorado, que fiquei abismada em saber que alguém cobrava por aquilo.
- Meu quarto não é tão ruim assim. Sabe que sou bom em arrumar as coisas. - ele se desculpou, e eu me segurava para não tremer enquanto subiamos a escada e via baratas de todos os tamanhos, fugirem pelos vãos dos degraus. O quarto estava realmente limpo, ele havia cuidado disso, apesar da pintura descascada e do mofo em alguns lugares, o teto tinha rachaduras e marcas de umidade. Não havia muita coisa. Havia uma cama de armar, que estava num canto, coberta por um cobertor fino; uma jarro d’agua em cima de uma bacia, uma das janelas estava quebrada. Imaginei que no calor a brisa que entrava era até refrescante, mas e no inverno? Notei que ao lado da porta havia uma cadeira, e dava para notar que ela tinha as marcas da maçaneta como se ela fosse usada para reforçar a segurança. O banheiro ficava no corredor e eu nem quis ver o estado que estava. Virei-me para ele e perguntei:
- Você tem amigos, porque não pediu nossa ajuda? Porque não pediu a minha ajuda? Estamos juntos Tristan, você poderia ter ido para minha casa...
- Você mora com a sua irmã, e ela não morre de amores por mim.
- Está bem você tem razão, mas mesmo minha irmã, não negaria um lugar para você ficar. Ela pode ser esnobe, arrogante, mas não é um monstro. Ou você poderia ter procurado um dos rapazes...
- Claro, eu só teria que bater na porta deles e dizer: ‘Marcel, seu palácio é grande, posso ficar na ala leste, alteza?? Ou então: ‘AJ, sua casa esta vazia, e você precisa de alguém para usufruir deste conforto, deixe que me encarrego disso’. O fato de serem meus amigos, não significa que posso abusar desta amizade. – ele disse teimoso.
- Eu poderia ter emprestado dinheiro a você para ficar num lugar um pouco melhor.
- Pode não ser um local que você está acostumada, mas o meu dinheiro só consegue pagar isso, aceite a realidade. – disse empinando o queixo.
- Orgulho não resolve nada...- disse e não consegui impedir que meus olhos se enchenssem de lágrimas e ele se aproximou me abraçando.
- Orgulho não resolve nada, você tem razão, mas no momento é a única coisa que ninguém pode tirar de mim, então vou mantê-lo...Eu estou bem, é sério, não é tão ruim quanto parece. Estou recebendo boas gorjetas e logo voltaremos para a escola. Será por pouco tempo, Millie. Eu vou ficar bem, é sério. – e se sentou ao meu lado na cama e tive que levantar os pés assustada quando um rato, passou correndo por cima deles.
- Vem comigo...- disse enxugando as lágrimas, quando uma idéia surgiu na minha mente.
- Aonde?
- Pegue suas coisas e venha. Se você vai ter que morar numa pensão, que seja num lugar onde não terá que disputar o jantar com os ratos.
- Millie...Sei que você tem dinheiro, mas eu não vou usa-lo e...
- Por favor, venha comigo, eu não vou suportar ir embora e te deixar aqui. Prometo que você vai pagar pela sua hospedagem. Vem comigo?- estendi minha mão e ele a pegou se rendendo.
Tristan juntou suas coisas e saimos dali, caminhamos até um local onde poderiamos aparatar e eu segurei a mão dele, o elvando aonde deviamos ir. Chegamos num bairro próximo do centro de Paris, era um bairro muito bonito, entramos num predio residencial, e chegamos a um apartamento todo mobiliado, e com uma bonita vista de Paris, dava até para ver uma parte da Torre Eiffel.
- Onde estamos? Quem mora aqui?- ele quis saber
- É o apartamento da prima Sarah.
- E porque você tem a chave da casa dela?
- Ela me ofereceu quando estavamos na casa do AJ. Eu disse que queria vir para cá uns dias antes do começo das aulas, e ela me ofereceu o apartamento, dizendo que eu poderia usa-lo á vontade, pois estava vazio Você vai ficar aqui Tristan?
- E a Sarah? Não vai ser muito agradavel voltar para casa e encontrar um estranho morando aqui, não é? – ele perguntou preocupado.
- Você não é um estranho, é o meu namorado e ela gostou muito de você. Vou escrever a ela, pedindo para você ficar aqui. Por favor, Tristan, por mim. – e ele após pensar um pouco, disse:
- Está bem eu fico, mas vou pagar a ela, como se estivesse numa pensão. – sabia que não adiantaria discutir sobre isso e o ajudei a se instalar.
Quando terminamos tudo, saimos para comer alguma coisa, e depois ele me levou para a casa da Alice. Passamos a nos ver quase todos os dias, e apesar de tudo, eu nunca tive um verão tão feliz em toda a minha vida.

When I see your smile
Tears run down my face I can't replace
And now that I'm stronger I've figured out
How this world turns cold and breaks through my soul
And I know I'll find deep inside me I can be the one

I will never let you fall
I'll stand up with you forever
I'll be there for you through it all
Even if saving you sends me to heaven

N. Autora: Your guardian angel, The Red Jumpsuit Apparatus

Thursday, October 01, 2009

Depois de contar a meus irmãos o que tinha acontecido e conseguir acalmá-los, usei o pingente criado por Kwon para avisar a meus amigos. Não havia como avisar através dele exatamente o que tinha acontecido, mas ele servia como alerta. Só o usávamos em situações de emergência, então quando eles vissem que o pingente estava iluminado pela cor que pertencia a mim, saberiam que algo grave tinha acontecido e voltariam para Mônaco. E foi exatamente o que aconteceu. Cinco minutos depois de acionar o pingente, minha casa começou a se encher com o som de estalos gerados por aparatação. Em menos de meia hora, Philipe era o único que ainda não se encontrava na sala da minha casa.

- Dani, sinto muito por nenhum de nós estar aqui quando tudo isso aconteceu – Olivia falou me abraçando, depois que terminei de contar toda a história.
- Henri estava aqui comigo, podia ter sido pior. O que importa é que vocês estão aqui agora.
- E acabei de falar com o Phil – Marcel apareceu outra vez na sala, com um espelho de duas vias na mão – Ele pediu desculpas por não ter chegado ainda, mas não tinha como aparatar da África até aqui. Já entrei em contato com o Ministro africano, Phil está indo até o Ministério agora mesmo pegar a chave de portal que pedi para ele autorizar e deve chegar aqui daqui a pouco.
- O que vai fazer com seus irmãos, Dani? – Kwon perguntou o que eu mais temia.
- Ainda não sei, mas não posso deixar que mandem eles pra um orfanato, ou pior, que mandem eles pra outra família e acabem separados.
- Isso não vai acontecer, não vamos deixar – Andreas falou firme e todos concordaram com a cabeça – Seus irmãos vão ficar aqui, vocês são uma família e não vão ser separados.
- Faremos o que estiver ao nosso alcance para ajudar, não se preocupe – Anabela me abraçou também.
- Obrigada, pessoal – sorri agradecida para eles – Vocês são os melhores amigos que alguém podia ter.
- Somos uma família e ajudamos uns aos outros, para isso temos os pingentes – Bianca apertou o pingente em forma de cruz na mão e sorriu – Estamos ligados para sempre.

ººººº

Depois que Philipe conseguiu voltar através da chave de portal que Marcel arranjou e ir direto para a minha casa, eles começaram a me ajudar com os preparativos para o enterro. Eram tantas pessoas tentando ser o mais prestativas possíveis que acabaram não me deixando fazer quase nada. Tudo foi resolvido com muita agilidade e na manhã do dia seguinte, eu e meus irmãos pudemos dar o último adeus ao nosso avô.

Embora nossa família agora estivesse reduzida, o movimento na casa havia aumentado. Meus amigos, assim como Henri, não me deixavam sozinha um minuto sequer, a sala estava sempre cheia com as conversas animadas para tentar me distrair de todas as maneiras. Era bom, eu não podia reclamar de nada. Ter toda aquela bagunça ao meu redor mantinha minha mente ocupada, mas ainda assim eu precisava me concentrar nos problemas que agora me acompanhavam, como a lista de materiais minha e dos meus irmãos que haviam acabado de chegar. Elas vieram junto de uma carta de condolências da professora LeFreve e uma notificação de que, assim como eu, Frederic e Tomás poderiam estudar em Beauxbatons por meio de uma bolsa de estudos. Isso resolvia parte dos meus problemas, mas não todos eles. Ainda precisava comprar os livros, e em dobro.

Faltava uma semana para a volta às aulas e a casa estava menos povoada, apenas Henri e Marcel me faziam companhia. Marcel havia levado Remy para brincar com meus irmãos e mantê-los um pouco distraídos, o que era ótimo, pois sempre os pegava olhando fotos do vovô pela casa com expressões tristes. Começar a estudar em Beauxbatons faria bem a eles. Enquanto eles brincavam no quarto, eu estudava a lista de materiais na cozinha, alheia a conversa amistosa entre Marcel e Henri.

- Vocês ganharam o campeonato em Junho, mas não conte com isso pra próxima temporada – Marcel falava convencido – Esse ano teremos Bianca Latour no time.
- Quem disse? – Henri debochou – O diretor não autorizou garotas a jogar, vocês vão perder outra vez.
- Isso mesmo, Renoir, continue se iludindo. Vai ser mais divertido quando verem Bianca entrando em campo com o uniforme da Lux.
- Bianca vai jogar, Henri – desviei a atenção das listas por um instante – Ainda não foi aprovado, mas será.
- Como estão as contas? – Henri resolveu mudar de assunto quando Marcel riu com gosto, atirando amendoins na boca como uma foca pegando peixes.
- Muito bem, já consegui cortar tudo que não é realmente necessário e Tomás pode usar meus livros, faltam só os do Fred.
- Ele pode usar os meus, já falei milhões de vezes – Henri insistiu, um pouco impaciente – Não os uso mais e nem tenho irmãos mais novos, eles são seus se quiser.
- Já disse que não preciso dos seus livros, Henri – respondi também impaciente – Quantas vezes vamos voltar a esse assunto?
- Por que seus amigos podem ajudar em tudo e quando eu tento, você sempre veta? – ele se levantou da mesa, irritado – Só estou tentando ajudar e não diga que não precisa, porque você sabe que precisa.
- Por que você não vai pra casa? Não disse que ia visitar o St. Napoleon hoje com seu pai? Já está atrasado.
- Ótimo, agora está me expulsando.
- Ok, chega.

Levantei da mesa irritada e o puxei pela mão até o lado de fora da casa, deixando Marcel sozinho na cozinha.

- Por que você faz isso, Dani? – Henri se acalmou um pouco e me encarou parecendo chateado.
- É diferente quando você faz alguma coisa por mim e quando meus amigos fazem – segurei seu rosto com as mãos e ficamos mais próximos – Por favor, não fique chateado com isso.
- Você sabe que eu te amo e quero fazer tudo por você, não é?
- Sim, eu sei, mas você não pode fazer tudo, tem que me deixar me virar sozinha também – ele resmungou algo que não entendi e acabei rindo – Volta amanha pra me ver?
- Claro que eu volto – ele segurou meu rosto também e me encarou – Eu te amo.
- Eu também te amo.

Henri me puxou para junto dele e meu beijou, aparatando em seguida. Voltei para dentro de casa e Marcel estava com os pés em cima da mesa, ainda atirando amendoins para o alto antes de pega-los com a boca e me olhava com um sorriso esquisito. Caminhei de volta para o meu lugar o encarando de volta, mas sem perguntar nada.

- Então... – assim que eu sentei, ele começou – Por que não deixa seu namorado ajudar? Sabe que não sou fã do Zé Mané, mas tenho que admitir que ele gosta de você de verdade e só quer ajudar.
- Dia épico! Marcel Grimaldi tomando partido de Henri Renoir! – brinquei, antes de ficar séria outra vez – É complicado.
- Descomplique pra mim, então – ele se ajeitou na cadeira e tirou os pés da mesa – Estou com tempo, não tenho nada marcado pra essa tarde.
- É a família dele, eles não gostam muito de mim – falei desanimada – Na verdade, eles me odeiam. Não quero que Henri me dê nada, porque não quero dar motivo para eles falarem alguma coisa.
- Por que eles odeiam você?
- Porque acham que quero dar o golpe do baú no filho deles. Henri é rico, eu sou pobre, é matemática simples.
- Ora, mas isso é ridículo! – Marcel se irritou – Se eles a conhecessem ao menos um pouco, saberiam que é a teoria mais patética do mundo!
- Eu sei, mas eles não fazem questão de me conhecer, a irmã dele dá relatórios suficientes para isso. Henri não faz idéia, e prefiro que continue assim.
- Aquela garota é ridícula. Ela se acha melhor do que todo mundo, me dá nervoso conversar por mais que 30 segundos com ela.
- É, ela é uma pessoa muito agradável... – fiz uma careta e ele riu – Mas mudando de assunto... Que história é essa de você e a Olivia estarem namorando? Isso é sério?
- Quem te falou isso? – ele se espantou e sua reação chamou minha atenção.
- Tomás, ele disse que ela passou o fim de semana em La Roche com você e que os pais dela também foram, disse que ela estava sendo apresentada a sua família como sua quase noiva.
- Ah, é, sim – ele gaguejou um pouco – Estamos namorando.
- Mentiroso – Marcel reagiu outra vez, o que só provou que eu estava certa – Vocês não estão namorando coisa alguma, então pode falar a verdade. Contei sobre a família do Henri, sua vez.
- É uma história complicada.
- Descomplique pra mim, então – repeti seu gesto de apoiar os pés na mesa – Estou com tempo, não tenho nada marcado pra essa tarde. Bom, só comprar alguns materiais, mas ainda é cedo.

Marcel riu por tê-lo imitado e começou a me contar, com detalhes, toda a confusão em relação à história de que ele e Olivia estavam namorando. E principalmente, de como eles agora estavam tão enrolados na própria mentira que não tinham muitas opções para sair dela sem que ninguém fique mal.

- Bom, então a única solução que encontramos foi esperar passar uns dois meses depois de já estarmos de volta a Beauxbatons e então escrevemos aos nossos pais e contamos que decidimos continuar sendo apenas amigos. Eles não estão lá para nos ver todo dia, não precisam saber que nunca fomos namorados de verdade.
- E quanto aos seus seguranças? Acha que eles não vão notar?
- Eles são meus cúmplices, não dizem nada que não seja necessário. E Olivia e eu estamos sempre juntos de qualquer forma, só precisamos andar um pouco de mãos dadas e pronto, ninguém vai perceber.
- É, dá pra enganar mesmo, mas... Quando você pretende dizer a Olivia que está apaixonado por ela?
- Como? – Marcel soltou uma gargalhada que deveria ser descontraída, mas pra mim soou um pouco nervosa – Não estou apaixonado por ela, é tudo uma brincadeira que foi longe demais.
- Marcel, por favor, a mim você não engana. Essa história pode até colar com o resto da turma, e aposto que vai colar, mas está estampado na sua cara que você gosta de verdade da Olivia. Aposto o que eu tenho, e não é muito, que a idéia de prolongar o fim da mentira partiu de você. Olivia queria acabar com isso logo, mas você conseguiu convencê-la de que era melhor adiar.
- Você não vai contar a ela, não é? – ele se rendeu.
- Eu não vou contar nada, mas por que você não conta?
- Dani, qual é, olha bem pra mim – ele levantou da cadeira e estendeu os braços – Eu não sou o tipo da Olivia. Não sou o Kwon, não sirvo pra ela.
- Você não serve pra ela? – fui obrigada a rir – Marcel, está brincando, não é? Você é o garoto dos sonhos de qualquer garota daquela escola! Você é lindo, educado, charmoso, rico e como se isso não bastasse, é um Príncipe. De verdade!
- Isso não me faz ser qualificado pra ela, não temos nada em comum – ele sentou outra vez, derrotado. Era estranho ver Marcel assim – Ela me acha uma grande piada.
- Então talvez esteja na hora de mudar essa imagem que Olivia tem de você.
- Você vai me ajudar?
- Sim, vou. Se seguir as minhas dicas, Olivia vai ser sua namorada de verdade antes do fim do ano letivo.
- Por favor, não conte isso a mais ninguém. Vamos manter a versão original da história, ok?
- Sem problemas. Pode apostar que em dois meses, ninguém vai enviar nenhuma carta aos pais comunicando o fim do namoro – estendi a mão e Marcel a apertou, mais animado.
- É um trato, Darrieux – ele levantou outra vez e tomou a lista da minha mão – Agora pare com essas contas que está me deixando louco. Vou ficar devendo um grande favor a você e vou começar a pagá-lo eliminando essa lista, vamos para o Beco Diagonal.
- Marcel, não se atreva! – tentei tomar a lista de sua mão, mas ele a escondeu dentro do casaco.
- Não sou seu namorado e minha família lhe adora, não tem desculpas. Alias, será que você pode, pelo amor de Merlin, aceitar o convite da minha mãe e passar o resto das férias no Palácio? Ela está me enlouquecendo de preocupação com você aqui, sozinha com os gêmeos.
- Só se me deixar pagar ao menos uma parte dessa lista.
- Como quiser. Vamos?

Marcel estendeu o braço e o segurei, me dando por vencida. Chamamos os meninos no quarto e, acompanhados dos seguranças de Marcel e Remy, passamos o resto da tarde no Beco Diagonal fazendo as compras para a volta as aulas. Aos poucos, as coisas estavam voltando ao normal.

Wednesday, September 30, 2009

Prelúdios de um sonho - Parte II - Caçadas

- O que é aquilo? – Eu falei com asco, enquanto encarava um ser putrefato e imenso que urrava para a noite. Ele parecia feito de vários corpos, com três braços, um rosto desfigurado e cheio de dentes, olhos costurados e malignos. Seu corpo era imenso e de cor cinza, cheio de costuras e pedaços de corpos diferentes. Em certos trechos não havia carne cobrindo seu corpo, e os ossos e tripas ficavam à mostra, assim como alguns órgãos internos, de forma que eu era capaz de ver parte de seu intestino grosso. Eu não conseguia entender como ele andava e mantinha-se inteiro. Apesar da distância que estávamos, eu podia sentir o cheiro que saia de seu corpo, e era extremamente nojento, misturando cheiro de podridão com carne estragada. Aquilo era uma abominação.
- É um Legion. Legions são criaturas formados por pura magia negra. Ele é uma mistura de dezenas, pelo tamanho talvez centenas, de Inferi. – Mamãe falou, enquanto mantinha a varinha com força em sua mão. A criatura ainda não havia nos notado, pois escolhemos um lugar onde o vento estava a nosso favor, para que nosso cheiro não chegasse até ele. Estávamos em pé no muro do cemitério, olhando-o de longe. Havíamos chegado até ali seguindo os relatórios do Ministro Alemão. Ao chegar perto da divisa com a Áustria, ouvimos notícias de arrombamento de túmulos, com o posterior sumiço dos corpos, além de rumores de uma criatura maligna e estranha que matara pelo menos dois camponeses.
- Quem teria coragem de fazer algo assim com pessoas mortas? – Eu falei chocado, enquanto pensava que os corpos de centenas de pessoas formaram aquele monstro. Fiquei enjoado quando a criatura abriu um tumulo com um único golpe de mão e pegou um corpo, começando a mastiga-lo. Era uma cena asquerosa, pois seus dentes comiam a carne morta com rapidez, espalhando pedaços de carne e órgãos pelo chão, enquanto ele emitia um horrível som de osso esmagado.
- Bruxos das trevas, da pior espécie, Necromancers. Devemos tomar cuidado filho, um Legion é muito mais forte e inteligente que um Inferi comum. E o mais importante, deve haver algum Necromancer nessa região, é raro um Legion se formar sozinho. Precisaremos investigar melhor o lugar. – Mamãe falou, me fazendo ter certeza de que algum bruxo maligno estava na região.
- Concordo, precisamos achar o responsável por isso e saber porque criou um monstro como este. – Falei enquanto mantinha a varinha segura. Nesse momento senti o vento mudar e imediatamente fiquei mais alerta. - Ele ainda sente medo de fogo? – Perguntei, enquanto apontava a varinha para o monstro, que sentiu o nosso cheiro de carne fresca com a mudança da direção do vento, olhando em nossa direção com o corpo ainda entre os dentes, rosnando com ferocidade.
- Sim, mas seus instintos também são mais fortes. Ele pulará no fogo para comer nossa carne, então não conte somente com o fogo. Vamos acabar com ele juntos.
A criatura urrou para nós e correu na nossa direção. Para meu espanto ele era mais rápido do que eu imaginava e destruía lápides enquanto corria. Eu e mamãe saltamos de lado em direções opostos e começamos a lançar feitiços. Um de seus braços parecia feito de algum material diferente de apenas carne humana, pois ele o usava como escudo e os feitiços não faziam efeito. Porém, mamãe conseguiu atingir um poderoso feitiço de chamas na lateral da sua cabeça, arrancando um urro de dor do monstro, que cambaleou e apoiou-se em um dos túmulos. Eu aproveitei para lançar feitiços em suas costas, causando explosões vermelhas, fazendo-o urrar também. Ele gritou para mim e agarrou uma das lápides, jogando-a contra mim. Eu apontei minha varinha para ela e a destruí no ar, notando que aquilo fora apenas uma distração e ele já estava muito próximo de mim, socando o ar com seu braço poderoso. O soco me atingiu, seu punho acertando toda a área da minha barriga e do meu peito, jogando-me com violência contra um jazido, me fazendo cuspir sangue e levantar com dificuldade, atraindo ainda mais o monstro.
Mamãe conseguiu faze-lo afastar-se de mim ao conjurar uma gigantesca bola de fogo e lançando-a contra ele, me dando tempo de escapar de seu alcance, enquanto ele se debatia. Eu e mamãe, os olhos agora brilhando em prateado, lançamos poderosas e longas labaredas contra o monstro, queimando-o com raiva. Ele urrou de dor e debatia-se, atingindo os túmulos, tentando em vão apagar o fogo. Ele, porém, realmente era inteligente, e usando seus três braços jogou uma enorme quantidade de terra para o alto e sobre seu corpo, criando uma espessa nuvem escura.
Eu e mamãe tossíamos, e tínhamos dificuldade de enxergar, por isso guiávamo-nos pela audição e pelo olfato, porém nada sentíamos. A nuvem baixou rapidamente e pudemos olhar em volta e para o nosso espanto, não havia sinal dele.
- Droga, ele escapou! – Falei, enquanto apontava em todas as direções.
- Vamos continuar procurando-o. - Mamãe falou, fazendo sua varinha brilhar intensamente, criando um forte clarão.
- Não, ele ainda está por aqui, posso sentir. – Eu falei, aguçando ainda mais meus sentidos. Eu sentia algo se movimentando, mas não sabia onde.
- Cuidado! – Mamãe gritou.
Então notei com terror. Dois dos braços do Legion surgiram da terra, agarrando-me e puxando-me para baixo com força. Eu fiquei preso por seus braços e semi-enterrado pela terra fofa do cemitério, enquanto seu terceiro braço apertava minha garganta, tentando me matar. Um grito de dor ficou sufocado em minha garganta, enquanto a falta de oxigênio dificultava meu raciocínio e meus reflexos. Mamãe correu em me ajudar e com um forte floreio da varinha fez a terra sob mim desaparecer, revelando o monstro semi-enterrado. Ele grunhiu para mamãe e eu consegui reunir um pouco de força, chutando seu rosto desfigurado. Mamãe pulou no ombro do monstro, enquanto eu mantinha seus braços ocupados, e apontou a varinha entre os olhos do monstro, disparando um feitiço vermelho a queima-roupa.
O Legion sequer soltou algum tipo de grito de dor e no instante seguinte seus braços penderam sem forças, enquanto ele morria. Eu consegui me desvencilhar e massageava o pescoço, onde havia um hematoma em forma de mãos grotescas. Mamãe me ajudou a me levantar, apontando a varinha para meu pescoço e curando meu machucado. Nós respiramos com dificuldade, enquanto saíamos do buraco onde o Legion estava enterrado. Nos viramos para apontar a varinha para ele e queima-lo de vez, quando para nossa surpresa e horror, ele pulou urrando de raiva contra nós, ainda vivo. Ele acertou um forte soco em mamãe, jogando-a longe e virava-se para me morder, porém fui mais rápido que ele.
Meus olhos brilhavam em um forte tom de prata e enfiei minha varinha no meio de seu intestino, causando uma explosão dentro dele. A explosão foi tamanha que senti todo o seu corpo tremer. Em seguida eu lancei um feitiço incendiário no mesmo lugar e ouvi o monstro gritando de dor. Ele começou a debater-se e em seu desespero me acertou com um dos braços, jogando-me longe. Mamãe já estava de volta e me aparou no ar com a varinha. Nós dois apontamos nossas varinhas para ele, e, ela com os olhos em prateado também, lançamos uma imensa chama vermelha apontando no intestino do monstro. Ele queimou de dentro para fora, pedaços de seu corpo soltando-se enquanto a energia que os mantinham unidos era destruída, exalando um cheiro ainda mais forte de podridão, enquanto o Legion caia ao chão completamente destruído, uma imensa chama negra subindo para o ar, enquanto um odioso som de carne fritando era ouvido.
Nós respirávamos com dificuldade, e mamãe me ajudava a me manter em pé, enquanto curava nossos ferimentos. O Legion ainda queimava em uma chama negra, e podíamos ouvir o som asqueroso que fazia. Definitivamente haveria um Necromancer na região e precisávamos acha-lo.

Na noite seguinte, eu e mamãe seguimos novas pistas. Aldeões nos falaram que viram um homem suspeito andando na noite anterior perto de outro cemitério e na mesma noite, podiam jurar que viram corpos saindo de dentro do cemitério. Só poderia ser um Necromancer, conseguindo novos servos. Porém, não conseguimos maiores informações, principalmente sobre Procyon, mas decidimos investigar.
Nós não falávamos uma palavra e devido a nosso treinamento, emitíamos pouquíssimos sons ao andarmos pelo campo. Usamos a Linguagem de Batalha dos Chronos, que consistia em assovios rápidos e gestos de mãos. Essa precaução era porque havíamos encontrado um grupo de Inferi, além de uns seres estranhos que lembravam fantasmas, mas eram mais nítidos.
- São Banshees, almas retiradas de humanos vivos. Eles devem estar funcionando como vigias, e aqueles Inferi devem estar patrulhando a área. Devemos estar perto do local onde o Necromancer está. – Mamãe falou em minha mente, usando a Leglimência. Com dificuldade eu respondi, pois era pouco hábil nesse tipo de conversa.
- Vamos com cuidado então, elas podem alertar o Necromancer. Eu sinto algo mais no ar.
- Eu também. Há mais seres malignos aqui. Sente os Dementadores?
- Sinto, eles estão perto. E eu estou sentindo uma presença estranha, não sei definir se está morta ou viva.
- Grave bem essa sensação filho, é um vampiro. São as criaturas mais perigosas e letais que você irá enfrentar.
- Isso é um vampiro? – Falei assustado, sentindo a aura maligna e sedenta de sangue.
- Sim. A sede de sangue deles é quase palpável. Vamos com cuidado a partir de agora.
- Está bem, eu vou na frente.
Mamãe concordou com a cabeça, pois ela sabia que ela era melhor para proteger nossa retaguarda. Nós andávamos lentamente, misturando-se a noite, mas com todo cuidado, pois sabíamos que aqueles seres tinham sentidos mais aguçados que os nossos.
O local onde estávamos era muito afastado de qualquer cidade ou vila, e os aldeões não iam ali com freqüência, pois temiam haver algo de maligno ali, e comprovávamos esse medo. Era perto de uma montanha e podíamos ver que ela possuía uma entrada para uma caverna e os Inferi e Banshees se concentravam ali. Eram em torno de vinte banshees e pelo menos 20 Inferi, sendo que mais próximo da entrada da caverna, podíamos ver ao menos 15 dementadores. Aquele local era o covil do Necromancer com toda certeza, pois de que outra forma haveriam tantos servos no local?
Estávamos a algumas centenas de metros, quando todos os seres pararam e abriram caminho, e ouvimos vozes exaltadas vindo de dentro da caverna. Nós paramos imediatamente, escondendo-nos nas sombras. Eu podia ouvir três vozes distintas, duas delas masculinas e uma feminina, sendo a feminina extremamente fria. E eu reconhecia uma das vozes.
- Melegrant, O Lord das Trevas está irritado! Você está demorando demais para construir o exército que ele ordenou! – Alguém falou, friamente, mas com força na voz, e eu tive que me segurar enquanto cerrava os punhos. Meus olhos ficaram prateados no mesmo instante, mas mamãe segurou minha mão, fazendo que não com a cabeça. “Não use Leglimência, um vampiro irá lê-la de uma distância tão curta”, eu ouvi o eco de sua voz, lembrando-me do que ela falara mais cedo. Porém, seus olhos também estavam prateados, pulsando de raiva daquele traidor. Era Procyon.

Continua....

Sunday, September 27, 2009

Prelúdios de um sonho - Parte I - Fortalezas

- Vamos AJ, deixa de ser bobo e vem tirar a foto!
- Eu não estou sendo bobo, só que viu como estou sujo?
- Olha, parece uma garota falando!
- Não enche!
- Reúnam-se todos, vou tirar uma foto só de vocês então. – Kyle falou, segurando a câmera e gesticulando para que eu e meus amigos nos reuníssemos todos juntos. Quando todos conseguiram parar de empurrar para aparecer mais na foto, a luz da câmera brilhou, cegando-nos momentaneamente. Eu e Alice tiramos a foto abraçados, pois havíamos oficializado nosso namoro, enquanto Tristan e Millie também estavam abraçados.
- Eles precisam de uma foto com os professores! – Mamãe falou, tirando a câmera das mãos de Kyle, empurrando-o para junto de nós, assim como Connor e Sarah, que se juntaram a nós. Ela bateu novas fotos, em que nos abraçávamos, assim como nossos professores.
- A senhora também, Sra. Chronos.
- Vem, mãe, você pode encantar a câmera! – Eu falei, enquanto puxava minha mãe.

Mamãe riu fazendo a câmera levitar acima do chão e ficando junto de todos. Ela começou a tirar dezenas de fotos seguidas, e em algumas eu abraçava mamãe, em outras Tristan, em outra ganhava um beijo de Alice e Millie. Em outra, Marcel, Kwon, Andréas, eu e Tristan nos jogávamos uns sobre os outros, empurrando-nos com gargalhadas, enquanto as meninas olhavam chocadas.
Eu estava feliz... Os primeiro dias após aquela Traição foram como tortura para mim... Eu desejei por muito tempo ter ido no lugar dela, ter empurrado-a de lado e recebido a maldição da morte. Mas depois que achei seu diário, eu tive certeza que nada poderia fazer... O Diário de Gomeisa me deu novo ânimo e energia, e comecei a enxergar alguma esperança. Meu ânimo aumentou ainda mais com a chegada dos meus amigos, no segundo dia após a conversa com mamãe sobre o futuro do clã.
Alice, Millie, Tristan, Andréas, Penélope, Kwon, Marcel, Anabela e Bianca foram para minha casa me visitar e apoiar e passaram um dia inteiro apenas me fazendo rir e me divertir, querendo que eu esquecesse que tudo havia acontecido. Por mais incrível que parecesse, eles conseguiram, e sei que se não fosse por eles, eu não teria conseguido... Depois começamos a ter as aulas de defesa avançada com os Mcgregrose com a Senhorita McInners, e eventualmente mamãe. Mamãe organizava nossa viagem ao redor do mundo, que ocorreria na semana seguinte. Ela pretendia me mostrar o máximo do mundo possível, além de me apresentar a seus aliados e políticos poderosos, como Ministros de vários países. Eu não via a hora da viagem, para poder estar próximo de mamãe, além de começar a concretizar o sonho de todos nós...
As aulas avançadas eram puxadas, pois deveríamos aprender em uma semana, o que aurores na Academia levavam ao menos um semestre. A maioria das garotas esforçava-se para acompanhar o ritmo dos demais, mas os garotos encaravam como diversão e adoravam a parte prática das aulas, duelando entre si com alegria e energia. Muitas vezes Connor ou Sarah tiveram que intervir, pois começávamos a brincar demais. As garotas também se esforçavam, empolgadas com as aulas, mas elas tinham dificuldade nas partes práticas, preferindo a teoria.
Aprendemos feitiços de defesa avançada, aprendemos a conjurar barreiras e escudos, a identificar seres das trevas e como combate-los, todos muito interessados e empenhados. Ao final da primeira semana, todos haviam feito progressos incríveis, e era uma felicidade para todos ver o quanto tinham avançado e aprendido em tão pouco tempo. Daríamos uma pausa nas aulas particulares até a volta à Beauxbatons, pois viajaria sozinho com mamãe. Durante as aulas, nossa turma de Defesa Avançada continuaria, sendo ministrada principalmente por mamãe e no próprio castelo, para que não perdêssemos nosso preparo e aprendizado. Philipe, Noah e Derik participariam de tais aulas, pois tiveram compromissos e não puderem comparecer às aulas das férias.
Na noite antes da data marcada para o começo da viagem, meus amigos realizaram uma festa de despedida surpresa para mim, e comemoramos o aprendizado e principalmente, nossa amizade, que estava cada vez mais intensa. Marcel e Andréas me mantiveram ocupado no quarto, conversando sobre as últimas partidas de Quadribo, enquanto os demais preparavam a surpresa. Por volta das 7 da noite, Tristan e Kwon foram nos procurar e falaram que o jantar estava servido, e descemos juntos.
Assim que cheguei perto do salão de jantar, achei estranho ele estar com as luzes apagas e entrei com a varinha em punho. Nesse momento, Connor me desarmou, enquanto os outros explodiam fagulhas com a varinha, dando-me um enorme susto. Todos caíram na gargalhada e os garotos, para terminar, me pegaram no colo e me jogaram numa bacia cheia de cerveja-amanteigada, me deixando ensopado.
- Nos ganhamos! Vocês nos devem 1 Galeão, cada um! – Tristan e Andreas falaram para Marcel e Kwon.
- O que é isso?! – Perguntei, tentando sair da bacia.
- Seu castigo. Se você entrasse com varinha em punho, seria jogado ai. – Penélope falou, rindo.
- E se entrasse sem varinha, também seria jogado aí. – Anabela falou, rindo também.
- Ah, que ótimo e como eu não seria jogado?
- De jeito algum, oras? – Bianca falou, enquanto tirava fotos de mim, junto de Alice e Millie.
- Ah ta, era só pra me molhar mesmo? – Falei rindo, quando Kyle me ajudou a levantar.
- Exatamente. – Connor falou, e logo em seguida me derrubou novamente. Eu levantei rindo e comecei a jogar cerveja-amanteigada em todos, fazendo as garotas gritarem e os garotos entrarem na festa.
Depois que fizemos uma guerra de cerveja-amanteigada, nos limpamos com a varinha e continuamos a nos divertir e comer, passando a noite toda inteira assim. Só por volta da meia noite que eles começaram a ir para suas casas, em chaves de portais conjuradas pelos aurores ou por mamãe. Millie e Kyle foram os últimos a sair, desejando-me sorte na viagem. Ela despediu-se com um beijo em Trisnta, pois ele passaria a noite conosco, assim como Alice. Eu, Alice, mamãe e Tristan terminamos de arrumar a bagunça, e depois elas foram dormir, deixando eu e Tristan conversando mais um pouco.
- Queria que você fosse conosco, Tristan, seria divertido ter você com a gente nessa viagem.
- Eu também gostaria de ir, AJ, mas sei que é uma viagem em família.
- Aqui que está, Tristan, eu te considero como minha família. Você é um irmão pra mim.
- Obrigado, AJ, te considero como um irmão que nunca tive, e você e Millie são minha única família.
- Você sempre será meu melhor amigo, TnT, e te considero muito mais meu irmão do que...Aquele maldito traidor. – Eu falei, e não pude conter a raiva, socando a parede. Tristan, riu, mas me falou para me acalmar.
- Você precisa se acalmar. Tenho certeza que ele vai pagar por tudo que fez. E vou te ajudar no que for preciso
- Muito obrigado, a sua ajuda será muito importante pra mim. – Eu falei, sorrindo. Ficamos olhando as estrelas mais algum tempo em silêncio.
- Bom, vamos dormir, amanha você acorda cedo. E sei que a Alice quer se despedir também. – Ele falou, com um sorriso malicioso no rosto. Eu fiquei vermelho e dei um soco nele e fomos dormir. Eu ainda fiquei um bom tempo acordado, e quando notei que ele dormia, não que fosse necessário, pois o TnT sabia do que fazíamos, sai de meu quarto.

Agora, Alice passava a maior parte do tempo em nossa casa. Os Oceanborn eram amigos de minha mãe há muitos anos, e desde que oficializamos nosso namoro, eles permitiam que sua filha mais velha passasse os dias conosco. Na verdade, já havia inclusive preparativos para um casamento, pois desejávamos realmente passar nossas vidas juntos, e as tragédias dos últimos meses nos mostraram como a vida é frágil.
- Não é que estamos desesperados, e tomando decisões às pressas, é que apenas agora nos demos conta do quão frágil tudo é. – Alice falou, a cabeça deitada em meu peito, enquanto eu a abraçava. Nós realmente havíamos intensificado nossa relação, e agora, passávamos praticamente todas as noites juntos... Eu só não sabia se mamãe tinha conhecimento, pois tentávamos esconder dela, mas era uma tarefa quase impossível esconder algo de Rigel Chronos.
- É tão mais fácil destruir, do que criar e proteger... – Eu falei, suspirando, enquanto brincava com uma mexa de seus cabelos. – O que se leva anos para criar, pode ser destruído em questão de segundos... – Eu falei, suspirando novamente. Ela enrolou-se nos lençóis e apoiou-se para me olhar nos olhos.
- Não comece a ficar triste, AJ, eu não permito! Vai ficar triste, com alguém como eu aqui do seu lado? – Ela falou, sorrindo sedutora para mim, enquanto beijava meus lábios lentamente e eu a puxava para junto de mim.
- Obviamente que não, acha que dá para ficar triste com uma garota como você? Sou alguém sortudo!
- Você é estranho, então. – Ela falou rindo, aninhando-se em meus braços.
- E você também. Quem imaginaria a filha mais velha dos Oceanborn fugindo durante a noite?
- Sou dona do meu nariz, e faço isto por e com o homem que amo, algo contra?
- Nada! Eu fico feliz na verdade... Eu falo de coração, você foi minha salvação...Ou uma delas...Quando estou com você, consigo quase esquecer aquela tragédia e que perdi Isa... – Eu falei, começando a sentir lágrimas em meus olhos. Alice me abraçou, apertando-me contra seu peito, acariciando meus cabelos.
- Você parece uma fortaleza, AJ, na verdade, você se faz uma fortaleza para enfrentar a tudo e todos. Mas no fundo você é frágil... Eu quero proteger esse seu lado, estar sempre com você. Por isso que eu aceitei me casar.
- Eu amo você, Alice. Não há palavras para descrever o quanto te amo e o quanto você me é importante. – Eu falei, abraçando-a com força e puxando-a para mim. Ela sorriu em meio aos beijos, enquanto nos entregávamos uma vez mais. A saudade já nos perseguia, pois no dia seguinte eu viajaria para fora do país e nossa noite foi intensa, longa e curta ao mesmo tempo.

- Ah, este é seu filho, o herdeiro dos Chronos. – O Ministro alemão falou em inglês, com um forte sotaque, apertando minha mão com energia. Ele era um homem austero e forte, e transmitia conhecer muito bem a sua profissão.
Ele indicou as cadeiras diante de sua escrivaninha e ofereceu uma taça de vinho para minha mãe e para mim, que aceitamos agradecidos. Brindamos pelo futuro bruxo antes de beber a taça inteira de um único gole.
- Fiquei muito feliz ao saber que continuaria na luta, Rigel, mesmo após tantos infortúnios.
- Seria uma afronta à memória de minha família caso eu recuasse.
- E você, Alderan, sente a mesma coisa?
- Sinto, senhor. Decidi continuar lutando por todos os que pereceram.
- Excelente resposta... Seu filho é um garoto de fibra, tornar-se-á um homem magnífico.
- Obrigada, Craus. É uma honra para nós que nos tenha recebido tão prontamente.
- As portas de meu gabinete e de meu Ministério estão sempre abertas para os Chronos. Devo muito a você, Rigel, assim como a seu marido.
- Não fizemos mais do que amigos deveriam, Craus.
- Fizeram muito mais. E sinto que farão ainda mais. Bom, vamos direto ao assunto? Imagino que você esteja apresentando seu filho a todos os seus aliados.
- Exatamente. Ele é meu sucessor, herdeiro dos Chronos e de nossos ideais. Dentro em breve, anunciarei oficialmente que ele é meu sucessor, e até lá espero que todos meus aliados o conheçam e respeitem. Estarei participando ativamente de sua educação até o final das férias.
- Faz muito bem. Não duvido que Beauxbatons o tenha educado bem, assim como sua família, mas para ser o líder dos Chronos ele ainda tem muito para ver e aprender. Há coisas que nenhuma escola no mundo ensina. Apenas a vida.
- E ele aprende rápido. Em poucos meses, poderá me substituir em todas as negociações. – Mamãe falou, sorrindo de leve. Um dos principais ensinamentos que ela me dera no início da viagem fora: um líder deve observar mais do que falar. E enquanto eu não ganhasse a confiança daqueles poderosos bruxos, eu deveria ouvi-los com total atenção.
- Imaginei que não daria fim ao seu projeto. E tem meu total apoio, não só você, mas o jovem Alderan também. Se depender de mim, o Clã Chronos surgirá amanhã mesmo!
- Fico muito feliz com o entusiasmo e seu apoio, Craus. Eu trouxe Alderan também para treina-lo em defesa avançada pessoalmente, e quero que ele me ajude a escolher o local da sede.
- Então chegou no momento certo. Ainda hoje poderei acompanha-los em uma visita rápida pela região, para a escolha do terreno. Além das terras que possuem em seu nome, estou disposto a doar terras do Ministério. E tenho informações que lhe serão interessantes.
- Agradeço muito sua ajuda. Deixarei a escolha do local para meu filho. E que informações você possui?
- Recentemente, recebi relatórios da atividade de um Necromancer no interior do país, na divisa com a Áustria. Há relatos de monstros e seres malignos...E de outros bruxos também.
- Procyon... – Eu não consegui deixar de falar, pois algo me dizia que havia alguma ligação entre ele e os assuntos que o Ministro nos contava.
- Exatamente...Há suspeitas de que Procyon esteja na região. Alguns de meus aurores foram investigar, mas estão desaparecidos...Gostaria muito de contar com sua ajuda e seria uma ótima forma de treinar o jovem Alderan.
- Pode contar conosco, Craus. Eu mesma irei investigar, mas quero que sejamos apenas eu e Alderan, sem intromissões.
- O caso é todo seu. Vamos procurar o local da sede?
Logo em seguida, saímos do Ministério Alemão, saindo numa rua trouxa. O prédio do Ministério parecia para os olhos trouxas uma antiga e fechada sede dos correios e poucos sequer tentavam entrar nela. O Ministro, Craus Olbrich, levou-nos para um dos carros do Ministério e seu motorista nos guiou pelas ruas agitadas de Berlim. Ele e mamãe iam conversando sobre diversos assuntos, enquanto ele entregava notas e relatórios para ela, e eu olhava pela janela, observando as ruas e prédios.
Estávamos procurando as futuras sedes do clã, e decidimos que teríamos sedes em toda a Europa, mas definimos que nossos maiores aliados, os Ministérios Britânico, Alemão e Francês, teriam uma sede especial. Estas seriam realmente as sedes do Clã. A sede britânica fora escolhida como nossa casa, no coração de Londres, e a apelidei de Spearhead, uma vez que era um excelente lugar para treinamentos. A sede francesa fora mamãe que definira o local, e eu estive com ela quando andávamos pelo interior de Paris. Mamãe parecia guiada por alguma sensação interior e achou uma colina. A colina era ampla e possuía uma larga visão de todos os seus arredores e mamãe escolheu aquele lugar para a nova sede, porém ainda não havíamos dado-lhe um nome. Porém eu tinha planos para ela.
Eu decidira que o Clã precisaria de três centros poderosos: um centro de ataque e poder, um centro de defesa e um centro de espionagem. Spearhead seria nossa lança, com treinamento e armamento pesado, sendo a sede oficial do clã. Seguindo essa linha de raciocínio, a colina na França seria o lugar perfeito para uma fortaleza, e era isto que eu pretendia construir ali, uma fortaleza inexpugnável. Na Alemanha, estaria nossa sede de espionagem, onde treinaríamos nossos melhores aurores para obtenção de informações.
Enquanto pensava nisto, algo chamou minha atenção. Um homem alto estava parado no meio de um terreno amplo, mas pouco se podia ver dali, pois a luz do final da tarde deixava o campo cheio de sombras. Eu o reconhecia imediatamente, era o homem que seguia Isa e que nos ajudara, emprestando seu poder.
Eu saltei do carro ainda em movimento e corri em sua direção, mas a cada passo ele parecia menos nítido, desaparecendo por fim nas sombras. Mamãe, o Ministro e seus aurores correram atrás de mim alarmados, e ao me alcançarem, formaram um círculo de proteção, olhando em todas as direções.
- Como se fala, A Sombra em alemão? – Perguntei, deixando todos surpresos.
- Der Schatten. – O Ministro respondeu, ao mesmo tempo que mamãe.
- Este será o local da sede alemã, Der Schatten, A Sombra.
- Tem certeza? – Mamãe perguntou, andando ao redor. Ela parecia procurar sentir algo e como eu a conhecia muito bem, vi que ela percebera o mesmo que eu.
- Tenho. Absoluta.
- Muito bem. Craus, podemos ficar com esse terreno?
- Ele é seu, Rigel. Assinarei os papéis de posse imediatamente. Querem voltar para o Ministério? – Ele perguntou, indicando o carro. Nós voltamos para o Ministério, mas meus olhos ainda estavam fixos naquele terreno, que parecia pulsar com energia.

Continua...

Friday, September 25, 2009

Após o ataque na casa do AJ, tivemos uma semana de aulas intensivas de Defesa contra as Artes das Trevas, com os aurores Kyle e Connor McGregor e Sarah McInnes e algumas vezes com a própria mãe do AJ. Se eu não houvesse visto a senhora Rigel em ação, duvidaria que ela pudesse derrotar um dementador.
Millie pode ficar hospedada na casa dos Chronos e sempre tinhamos algum lugar para namorar e segundo porque isso me aproximava um pouco mais do meu sonho de me tornar um auror e ter um futuro, afinal os dias de ficar paquerando todas as gatinhas da escola acabaram. Millie é ciumenta rsrs.
Embora eu tenha sido cego por um bom tempo, agora sei que ela e eu podemos fazer uma historia bonita, mesmo contrariando a irmã dela, mas como Kyle McGregor nos apóia, não me preocupo tanto.
Eu, AJ, Marcel Kwon, Andreas, Bianca Anabela, Alice e Millie tivemos que aprender num curto espaço de tempo, feitiços avançados e embora fosse um treinamento duro, eu adorava cada minuto. E no ultimo dia tiramos fotos de todos com os nossos professores, e foi muito muito bom.

Após aquela semana, voltei a morar no orfanato, enquanto AJ e sua mãe viajaram para caçar e ele pudesse ser apresentado a Ministros da magia do mundo Bruxo e ser conhecido como futuro líder do clã Chronos. Combinamos de trocar cartas sempre que possivel, e estarmos juntos na volta as aulas. Eu sempre me despedia deles com um sorriso, mas quando ultrapassava aqueles portões, eu dizia a mim mesmo que deveria suportar, mais algum tempo, logo eu iria embora. Era o que eu me dizia desde pequeno...
Quando cheguei ao orfanato eu tinha uns cinco anos de idade. Trazia algumas roupas, um par de botas velhos e um pião que eu vivia brincando com ele. Eu havia ido para lá, porque as pessoas que me criaram havia morrido e não havia ninguém mais. Uma vez ao mês o Orfanato Sacre Coeur recebia a visita de casais querendo adotar crianças que haviam ficado orfãs por causa da guerra, e então era o dia em que nos mandavam tomar banho com os sabonetes cheirosos não os baratos, nos faziam comer cedo, e nos recomendavam ser muito educados e sorrir muito, pois alguém poderia nos levar para casa.
No primeiro ano, eu tive a esperança de que a familia de meus pais verdadeiros me encontrassem e eu fosse para casa com eles, então eu não poderia ser adotado por ninguém e me perder da minha família novamente, enquanto os outros estavam cheirosos e engomadinhos, eu sempre dava um jeito de fazer alguma coisa que me sujasse, ou assustasse as pessoas, como por exemplo tirar um camundongo do bolso, dizer algum palavrão , enquanto cutucava o meu nariz com gosto. Nada enoja tanto uma mulher, mesmo que ela queira ser uma mãe adotiva, quanto ver o futuro filho limpar o salão e arrotar.
Bom, várias vezes, as freiras lavaram minha boca com sabão, ou me mandaram ajoelhar no milho para me ensinar ‘a ser humilde’, mas isso só reforçava a minha teimosia. Com o passar do tempo, elas optaram por não mais me colocar na fila dos disponíveis para adoção, e assim evitar que eu estragasse as chances das outras crianças, eu era deixado de lado. Mas isso não me incomodava, só me perturbava o fato de que com o passar do tempo, todos de alguma forma ou de outra conseguiam uma família, e a minha não aparecia para me buscar. Quando entrei em Beauxbatons e conheci os meus amigos, percebi que aquela seria a minha família, então desisti de esperar , e optei por bloequear algumas memórias que faziam com que eu tivesse esperança.
Quando fiz doze anos e sabia me virar por Paris sem me perder, comecei a arrumar trabalhos temporários durante as férias da escola, já que o diretor do orfanato nunca permitia que eu ficasse com meus amigos da ‘escola de esnobes’, como ele os chamava, mas me liberava para trabalhar e aprender qual era o ‘meu lugar’, como ele fazia questão de enfatizar. Comecei a entregar jornais, lavar pratos, aparar grama, enfim tudo que me rendesse o bastante para poder bancar minhas despesas na escola, sem depender de ninguém e estar preparado para alguma emergência. Algumas vezes eu chegava tão cansado, que eu dormia sem sonhar com a minha infância, outras vezes eu não tinha tanta sorte...

- Ele não tem ninguém??
- Não! Os velhos só tinham um único filho que morreu na guerra e não deixou filhos. Este garoto foi acolhido por eles, é um órfão de guerra...
- Mas os orfanatos estão tão cheios, ninguém vai querer ficar com ele, mesmo ele sendo um garoto bonito e forte...
- Talvez este medalhão de prata garanta uma boa vida até ele ficar por conta própria, veja os entalhes...Parece coisa de familia....
- Talvez tenha alguma pista sobre quem são os pais dele...Veja há algumas letras aqui...
Em meu sonho, comecei vter umas imagens pouco nitidas de um medalhão prateado cheio de entalhes e o queparecia ser um dragão ou uma criatura marinha, não sei bem...Estiquei a mão para virar o medalhão....


- Tristan, o diretor que falar com você!- disse uma das freiras, batendo forte na porta e eu acordei assustado. Eu estava tão perto de me lembrar de alguma coisa que pudesse me ligar aos meus parentes. Talvez, eu sonhasse novamente e pudesse resolver o mistério.
AJ e a mãe já estavam fora, há mais de uma semana e Millie estava visitando alguns parentes na Escócia, durant este tempo, eu havia conseguido um emprego num bistrô trouxa na Champs- Elyseés, e recebia boas gorjetas, que eu estava economizando para poder levar Millie em algum bom restaurante quando saíssemos no passeio da escola.
Fui até o escritório do diretor e ele após me lançar aquele seu olhar irritado, me disse que meu tempo ali já havia terminado e eu deveria me mudar. No começo fiquei espantado, mas me lembrei que com dezessete anos e com o dinheiro que eu tinha economizado, eu poderia me aguentar, até voltar para a escola.
- Ok, vou embora, mas quero o meu medalhão.
- Que medalhão? – ele perguntou espantado e eu respondi.
- O medalhão de prata que estava comigo quando me trouxeram para cá. Sei que era de prata e é meu, era um medalhão de família. Onde ele está? - percebi que sua testa começou a suar e disse sério:
- Diga logo aonde está e eu não chamo a polícia.
- Acha que sua palavra vale alguma coisa Thorn? Você não passar de um fedelho que ninguém quis. Fizemos o favor de colocar um teto sobre a sua cabeça e você nos agradece assim? Até o mantivemos aqui mais tempo que o necessário...
- Fiquei aqui, porque era interessante para você que meu amigo o principe de Mônaco, fizesse doações ao orfanato, e ele fez não é? Por isso você permitiu que eu ficasse aqui por mais algum tempo, mas agora que o dinheiro deve ter acabado, e você vai gerar desconfianças se pedir mais doações, então você está me mandando embora. – vi que as gotas de suor de sua testa aumentavam e disse:
- Dê-me o meu medalhão e eu não falo nada a sua alteza real, que o dinheiro dele serviu para pagar o seu agiota. É, eu sei que você iria perder os movimentos das pernas por uns tempos...Não tente dizer nenhuma mentira, sabe que nunca fui muito paciente, me dê o que é meu. – ele ficou pálido e disse:
- Não posso...
- Como não pode, deve estar no cofre.
- Eu...o...vendi...Tive que fazê-lo... Você sabe, as despesas do orfanato são altas e manter você aqui, custou dinheiro. Aquilo era apenas uma jóia, então eu o vendi para custear as suas despesas na escola...
- Minhas despesas?? Tudo o que usei aqui foi doado, até a comida e a escola, foi bancada por um fundo escolar, a professora Lefreve sempre cuidou de tudo, você não pagou por nada. Aquele medalhão era meu....Como você pode roubar algo que não era seu??- perguntei enquanto o apertava pelo colarinho, e o empurrava e ele caiu sobre a cadeira, fazendo um barulho enorme, e a secretaria abriu a porta e nos olhou assustada:
- Quer que chame a polícia, por causa deste delinquente, diretor? - antes que ele respondesse eu disse irritado:
- Isso chame a policia, mas se prepare para responder as perguntas deles sobre roubo, porque não deve ter sido apenas o meu medalhão roubado, deve haver outras coisas. – e a mulher ficou chocada enquanto olhava para o diretor. Eu repeti a pergunta, enquanto o puxava para cima:
- Aonde está o meu medalhão??
- Eu o vendi, um ano depois que você chegou aqui. Eu precisava de dinheiro rapido e eu o peguei emprestado, com o tempo eu iria pega-lo de volta....Ninguém seria prejudicado...
- Ah sim, claro, um empréstimo... Pra quem o vendeu??
- Eu o levei para a loja de penhores em Saint-Maur, no subúrbio, tentei recupera-lo, mas quando voltei lá ele já havia sido vendido...
Contei até três, minha vontade era sacar a varinha e fazer aquela criatura bater na parede repetidas vezes, ate virar uma massa disforme, mas isso não traria meu medalhão de volta. E me complicaria com o Ministério, eu não posso ter nada contra mim, se eu quiser me tornar auror. Respirei fundo e perguntei:
- Você deve ter algum recibo da loja de penhor, me entregue...Lá tem as caracteristicas do medalhão e vai me ajudar a procura-lo...
- Não eu não tenho mais o recibo, eu o joguei fora há algum tempo, não ia conseguir achar o medalhão mesmo...- perdi a cabeça e dei-lhe um murro, que o jogou por cima da mesa e ele caiu desacordado, coisa típica de quem tem queixo fraco. A secretaria gritou e eu passei por ela furioso, mas ainda ouvi quando ela correu até o diretor.
Fui até o meu quarto peguei minhas coisas com um aceno da varinha e ninguem apareceu no meu caminho para me impedir de ir embora. Eu precisava pensar em alguma coisa para recuperar meu medalhão, mas minha primeira necessidade era conseguir um lugar para morar, e dar um jeito para que aquele ladrão fosse punido. E tudo isso antes das aulas começarem....

Thursday, September 17, 2009

Desde o inicio das férias de verão, Danielle, Bianca e eu éramos os únicos habitantes da nossa turma a permanecer em Mônaco. Cada um dos outros havia programado alguma viagem e não vi ninguém além das meninas desde que desembarcamos em Paris, no dia 1º de Julho. A cidade não era muito grande, mas os atrativos para o verão eram intermináveis. O tempo passava depressa, mas ainda nos restavam duas semanas em casa e planejamos passar três dias em Saint-Tropez para aproveitar os últimos dias de férias antes de voltarmos para Beauxbatons.

Eu estava particularmente animado para essa viagem, não via a hora de pegar minha velha prancha de surfe e pegar algumas ondas. Passei a semana inteira que antecedeu a viagem limpando ela, passando parafina e retocando alguma falha que pudesse ter na pintura, mal me preocupei com a mala que deveria levar. Se tivesse minha prancha, não ia precisar de mais nada. No dia combinado para irmos, deixei tudo na sala, próximo à lareira, e fiquei esperando pelas meninas. Íamos através de lareira, porque embora já soubesse aparatar, ainda não nos sentíamos seguros de fazer uma aparatação para aquela distancia toda.

- Kalani, as meninas chegaram – ouvi minha mãe chamar da cozinha e depois fechar a porta.
- E ai? Prontas? – levantei do sofá agitado, mas percebi que só Bianca carregava uma mala – Dani, cadê sua bolsa?
- Ela não vai – Bianca respondeu parecendo irritada – Está nos dando cano!
- Não estou dando cano em ninguém, só mudei de idéia, ok? – Danielle se defendeu. Pelo visto as duas vinham discutindo no caminho.
- Mas por que não vai mais? Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupado.
- Não aconteceu nada, eu só não estou muito no clima pra viajar – ela deu de ombros – Não sei o que é, mas sinto que não é para eu acompanhar vocês até Saint-Tropez. Algo me diz que devo ficar aqui.
- Danielle está virando hippie, vai passar a seguir seus instintos – Bianca zombou e Danielle fez uma careta impaciente.
- Deixe-a em paz, Bia – tentei intervir – Se Dani acha melhor ficar, então podemos remarcar a viagem.
- Não, de jeito nenhum! Não quero que deixem de ir por minha causa, especialmente você, Kal. Está alucinando por causa das ondas da praia tem dias, temo pela sua saúde se você não for mais.
- Não vai ter a mesma graça sem você – Bianca abandonou o ar sarcástico e olhou desanimada para ela.
- Tenho certeza que vocês vão se divertir do mesmo jeito.
- Tem certeza disso? – perguntei.

Danielle nos garantiu que não ia ficar chateada por não desmarcarmos os planos, então nos despedimos dela e entramos na lareira. Caímos direto na lareira do hotel La Pinede, onde nos hospedaríamos e pertencia a uma família de bruxos. Ficava bem em frente ao oceano, eu não poderia estar me sentindo mais em casa ao largar a mala no chão e sentir o cheiro da maresia invadindo o saguão.

- A gente se encontra aqui em 10 minutos? – falei ajeitando a mochila no ombro e Bianca assentiu com a cabeça, subindo as escadas animada.

Não demorei nem 5 minutos para trocar a calça jeans e a jaqueta por uma bermuda e uma camiseta, e os tênis novos por um chinelo folgado nos pés. Tirei meu velho boné da mochila e os óculos escuros que não usava há quase um ano e desci outra vez para o saguão com a prancha debaixo do braço. Bianca demorou uma eternidade para descer, mas quando apareceu ao pé da escada, percebi o porquê da demora. Ela estava toda produzida, nem parecia que ia a praia se molhar na água salgada e pisar na areia. Mas apesar da produção nada convencional, ela estava linda. Usava um vestido de tecido fino que caia perfeito em seu corpo cheio de curvas e podia ver que usava uma roupa de banho com babados, por causa das elevações em algumas partes. Seu rosto estava maquiado, mas só pude notar isso quando se aproximou, pois a sombra que o chapéu fazia disfarçava. E ela usava perfume, o mais delicioso que já senti.

- Vamos? – ela sorriu passando por mim – PJ diz que sou azarada, então é melhor irmos logo antes que comece a chover.
- Ahn, por que está tão produzida para ir à praia? – perguntei depois que consegui fechar a boca outra vez – Seu cabelo está muito arrumado pra ser todo bagunçado na água.
- Você queria que eu saísse na rua toda desleixada só porque não estamos indo a algum lugar fechado? – ela perguntou, mas não esperava uma resposta e saiu andando na minha frente.

Peguei a prancha encostada na parede e corri atrás dela, sem tocar outra vez no assunto. Mas apesar de todo o preparo para chegar até a praia, Bianca abandonou tudo quando pisou na areia. Ainda nem tinha a alcançado e ela já havia tirado o vestido, revelando um biquíni de duas peças cheio de babados e estampa de bolinhas. Senti uma gota de suor escorrer pela minha nuca, mas forcei um sorriso quando ela me olhou animada, avisando que ia entrar na água logo.

Enterrei a prancha na areia e me larguei ao lado dela, observando Bianca entrar devagar na água, pulando por causa da temperatura gelada. Não adiantava tentar me enganar, eu havia me encantado por ela desde o momento que a conheci, mas quando descobri que ela era namorada do Philipe passei a ignorar aquele fato. E estava ignorando tão bem que achava que podia passar três dias sozinho com ela numa praia, mas estava enganado. O problema era que agora era tarde demais e teria que afastar qualquer idéia inapropriada da mente, pois ela não só tinha namorado como esse namorado era agora meu irmão e eu jamais teria coragem de magoá-lo. Eu era bom em fingir, podia sobreviver a Saint-Tropez. Bianca acenou de dentro da água sorrindo e levantei da areia, pegando a prancha e correndo até ela, decidido a aproveitar o fim das férias com a consciência limpa.

ººººº

Estava me saindo muito bem no meu papel de fingir que não carregava nenhum tipo de sentimento além de amizade por Bianca. Já estávamos na manhã do nosso terceiro e ultimo dia em Saint-Tropez e estávamos nos divertindo muito, como bons amigos. Passávamos a maior parte da manhã na praia, mas também perambulávamos pelas ruas da cidade comprando lembranças para os amigos e gastando dinheiro com sorvetes para tentar amenizar o calor que fazia. À noite sempre íamos ao mesmo quiosque na praia, onde tinha luau durante todas as noites do verão.

As malas já estavam prontas no hotel e voltamos para uma última visita a praia. Bianca havia decidido que ia aprender a surfar e passou os últimos dois dias tentando me persuadir a ensiná-la. Alugamos uma prancha para ela e depois de uma aula na areia, entramos no mar. Por sorte estava calmo, o que facilitaria bastante. Bianca era boa no quadribol, mas não era tão ágil assim no mar.

- Lembra o que ensinei na areia? – perguntei sentado na minha prancha, a ajudando a se manter sentada na sua – Quando a onda vier, faça exatamente aquilo.
- Mas como vou ficar em pé? Na areia a prancha estava firme no chão!
- É muito rápido, a prancha não vira nesse meio tempo em que você toma impulso e fica de pé nela.
- E se eu cair no meio da onda e me afogar? – ela estava começando a se desesperar e comecei a rir – Philipe vai matar você se eu morrer afogada. E se por acaso ele não matar, eu volto pra puxar seu pé!
- Você não vai morrer afogada e Philipe não vai me matar – talvez matasse, mas por outro motivo – Apenas faça o que ensinei e vai conseguir. As ondas estão fracas hoje, não tem perigo. Fica preparada, está vindo uma...

Bianca olhou para trás concentrada, o corpo rígido deitado sobre a prancha. A onda que se aproximava não era violenta e ela conseguiu executar todos os movimentos simples que havia ensinado, deslizando pela água de pé na prancha. Já estava quase no final quando olhou para trás me procurando e perdeu o equilíbrio, caindo feio dentro d’água. Nadei o mais rápido que pude até ela assim que vi sua prancha voar para um lado enquanto ela afundava do lado oposto, tentando se sobressair na onda que ainda batia um pouco agitada. Consegui alcançá-la a tempo e a agarrei pela cintura, arrastando-a até a areia segura e seca.

- Bia, você está bem? – perguntei preocupado. Embora ela respirasse, estava muito ofegante.
- Não, não estou bem! – ela respondeu irritada, tossindo e cuspindo água – Devo ter engolido 2 litros de água salgada e minha cabeça doi.
- Deve ter entrado água pelo seu nariz – falei sério, mas logo estava tentando não rir – Foi um tombo feio.
- Você disse que a onda era fraca!
- E era! Se parar pra pensar, a culpa foi sua, não da onda – ela me lançou um olhar indignado, o que só me fez rir mais – Você estava indo bem, só caiu porque olhou pra trás e acenou pra mim. Erro primário, nunca perca a concentração até que esteja na areia!
- Vou me lembrar disso da próxima vez.
- Vai ter uma próxima vez? – perguntei surpreso.
- Claro! Acha que vou desistir na primeira tentativa que deu errado? Vamos voltar aqui no próximo verão e você vai continuar a me dar aulas.
- Pensei que tinha enjoado da minha cara nesse verão, vai querer continuar me tendo por perto? – brinquei e ela riu, mas depois ficou séria.
- Não posso me cansar da pessoa que salvou o meu verão. Se você não tivesse sido minha companhia permanente, acho que teria entrado em depressão outra vez.
- Não foi nenhum sacrifício, você é uma ótima companhia. É meio maluca, mas é muito divertida – e ela riu outra vez.
- Você também não é nada mau, havaiano. Só precisa melhorar suas habilidades com a dança.
- E você com a prancha – abri um sorriso debochado outra vez e ela parou de sorrir – O tom foi realmente espetacular.
- Para de rir, não teve graça.
- É porque você não teve a visão que eu tive – agora já estava gargalhando – Bia, você voou sem uma vassoura, tem noção de que isso pode revolucionar o quadribol? Pena não ter uma câmera na mão, daria uma bela filmagem.

Bianca ainda me fuzilava com os olhos, mas em um movimento rápido, enfiou a mão na areia e atirou uma coisa que se mexia pra cima de mim. O objeto não-identificado parou em cima da minha cabeça e se embolou no meu cabelo, me fazendo saltar da areia com um grito de susto, enquanto tentava arrancá-lo de lá. Agora quem ria era ela, enquanto eu lutava contra meus cabelos embolados para livrá-los do bicho. Por fim consegui me livrar dele e atirei no chão, vendo que era um filhote de caranguejo. O bicho rapidamente sumiu pela areia da praia e Bianca rolava no chão de tanto rir.

- Ah, você é uma pessoa morta...

Quando viu minha expressão, levantou em um único salto e saiu correndo pela areia, ainda rindo. Fui atrás dela e a alcancei numa questão de segundos, a agarrando pela cintura e derrubando no chão, mas caindo junto. Ela agora lutava pra se livrar das minhas mãos, que enchiam seu cabelo de areia, mas ainda caçoava do incidente com o caranguejo.

- Que maricas, gritando daquele jeito – ela me provocou, tentando se soltar – Parecia uma menininha.
- Vou te mostrar quem é menininha.

Ela gritou por socorro, mas continuava rindo. Agora tinha suas duas mãos bem presas e prendi suas pernas com o peso das minhas, tinha total controle da situação. Ela parou de gritar quando viu que não ia conseguir se soltar e passou a me encarar. Estávamos muito próximos, meu corpo estava todo em cima do dela e não tinha dúvidas de que se ela não fosse comprometida, estaria tirando proveito daquela situação. Mas mais uma vez me forcei a lembrar que ela era namorada do meu irmão, era território proibido.

Bianca continuou me encarando sem dizer nada por quase um minuto e, num movimento que eu jamais poderia imaginar, ergueu a cabeça da areia e me beijou. Minhas mãos automaticamente soltaram as suas e procuraram por sua cintura, enquanto ela passava seus dedos em meus cabelos e nuca. Eu sabia que aquilo era errado e que no segundo que acabasse, me sentiria a pessoa mais suja e horrível do mundo, mas tudo que conseguia pensar naquele momento era que tinha a garota dos meus sonhos tomada em meus braços. E que havia sido ela a dar o primeiro passo.


Well I didn't mean for this to go as far as it did
And I didn't mean to get so close and share what we did
And I didn't mean to fall in love, but I did
And you didn't mean to love me back, but I know you did

Plain White T’s - A Lonely September