Saturday, July 12, 2008

Tre Graduation, Final

A festa de formatura já estava na metade quando Madame Máxime finalmente pediu para pararem a música.

- Convidamos todos os presentes a se sentarem, pois agora vamos anunciar os vencedores de Rei e Rainha do Baile de Formatura. – quando a pista de dança foi se esvaziando, ela tornou a falar. – A mesa de jurados foi composta por: Henri Renoir, Enrico Beltoise, Charlie Babineaux, Elena Bourque (nossos convidados especiais para esta festa, ex-alunos da escola da década de 60), pelas professoras Emily McGregor e Françoise Dekeuwer-Defossez e por mim, Olímpia Máxime. Os casais candidatos são: Anabel Damulakis McCallister e Bernard Lestel, Beatrice...

Uma explosão de gritos e palmas deu-se início ali perto. Bernard (que estava vestido com uma grossa jaqueta de couro e um enorme topete nos cabelos) acenou para nossos amigos em resposta. O avô dele, Edmond Lestel, e a avó de Ian, Danielle Renoir, comandavam a bagunça. Senti minhas pernas amolecerem de vergonha, ansiedade, e raiva. Raiva sim. Estava me sentindo um verdadeiro holofote humano com aquele vestido de cetim prateado enquanto as outras candidatas se vestiam tão adequadamente discretas. Enquanto tentava me acalmar, apertava a mão de Bernard com tanta força que meus dedos estavam ficando em câimbras e fazia uma nota mental de esganar a Isabel no fim de tudo. Uma nova explosão de palmas, mas dessa vez generalizada, anunciou que Madame Máxime tinha finalmente terminado de ler a lista dos candidatos. Ela ocupou seu lugar no centro da mesa de jurados e Emily se levantou, indo até o microfone.

- Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer em meu nome e em nome de toda a comissão de formatura e todos os formandos, a presença da nossa “vanguarda”. Vocês estão dando um toque especial à nossa festa. – todos recomeçaram a aplaudir. O avô de Ian parecia muito à vontade, e até se levantou de seu lugar fazendo reverências. – Quero parabenizar também todos os casais candidatos do concurso e dizer que foi muito difícil para todos nós escolhermos somente um. Todos são ótimos.

Novas palmas, gritos, assovios e um coro estrondoso “Bê&Be”. Meu estômago não parava de dar voltas e apertei ainda mais a mão de Bernard, que pareceu já estar familiarizado com a dor, pois não reclamou, apenas sussurrou no meu ouvido:

- Fique calma. Nós temos dois aliados na mesa de jurados. Teríamos três, mas meu avô decidiu ficar de fora, pois seria muito injusto. – ele riu irônico e falou ainda mais baixo: - como se os avôs de Ian e Clarie fossem completamente imparciais no julgamento...
- Clarie... Clarisse? – perguntei com um nó na garganta.
- Sim. Essa é a prova real de que ela não “brotou do chão” como você disse. Nossos avôs já eram muito amigos naquela época.
- É assim que você pretende me acalmar, Bernard? Primeiro me contando que a sua ligação com a Clarie é jurássica e que eu nunca vou poder mudar isso, e depois me dizendo que o avô dela é um dos jurados desse maldito concurso? Não tenho mais dúvidas de que não vamos ganhar. Eu estou mais iluminada que o globo de luz, e o avô da sua amiguinha está prontinho pra me julgar...

Bernard começou a rir, o que me irritou ainda mais. Abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas a voz de Emily soou muito mais alta e empolgada do palco.

- Finalmente, os vencedores e Rei e Rainha do Baile de Formatura da turma de 1999 são: - ela deu uma pausa proposital e todos prenderam a respiração. Meu estômago despencou. – ANABEL DAMULAKIS MCCALLISTER E BERNARD LESTEL!!!

Foi bom Bernard estar preparado, pois minhas pernas amoleceram e eu teria caído. Mas ele me apoiou com força pela cintura, me puxando para um forte abraço seguido de um beijo. Ao nosso redor, a barulheira era tanta que estava me deixando surda. Apoiada por ele, subimos até o palco onde nos coroaram, colocaram faixas, entregaram cetros e ramos de flores. Nunca em minha vida eu me imaginava no meio de uma cena daquelas, mas era oficial: eu era a rainha do meu baile de formatura.

°°°

Após Bê&Be serem consagrados como Rei e Rainha do Baile, o avô de Ian e os outros da vanguarda falaram um pouco sobre a escola nos anos em que estudaram e contaram histórias engraçadas sobre uma professora maluca sobrevivente da guerra, sobre as aulas de etiqueta com a avó da Defossez e as tediosas aulas de História da Magia na França com uma senhora que nas palavras de Henri Renoir: já estava fazendo horas extras há muitos anos.

A música voltou e a pista tornou a se encher. Henrique me arrastou até nossa mesa para recobrarmos a energia por um tempo. Rebecca e papai estavam sentados lado a lado e pareciam estarem se divertindo muito, pois suas taças de whisky de fogo jaziam pela metade e eles riam abertamente. Quando nos viram sentados do outro lado, pararam de conversar, sorridentes. Bernard e Bel chegaram um minuto depois, também parecendo exaustos. Ela usava a jaqueta de couro dele por cima do vestido. Estava sem sandálias, com os cabelos soltos, a maquiagem borrada, e claro, sem coroa, faixa, cetro e tudo o mais. A Cinderela havia se tornado Gata Borralheira. Sentaram-se do meu lado.

- A festa está muito divertida. Estava agora mesmo comentando com Richard o quanto essas músicas dos anos 60 são animadas! – Rebecca disse alto tomando mais uma boa dose de whisky. Papai concordou. – A propósito, parabéns Anabel. Sabia que você e Bernard ganhariam esse concurso! Então... uma semana na Itália, ham? – ela disse sorrindo e Bel corou. Bernard passou o braço por seus ombros, concordando satisfeito. – Quando vão?
- Vamos marcar para agosto, quando eu tirar férias do trabalho. – Bernard respondeu. Bel continuou em silêncio. Eu e Henrique nos entreolhamos e sufocamos a risada.
- Isabel, porque você nunca me levou uma garrafa de whisky de fogo para provar? É delicioso! – papai falou tomando todo o resto de sua taça parecendo impressionado. Ri.
- Porque é viciante também, papai. Não queremos que você se torne um engenheiro alcoólatra, não é? A NASA não iria gostar nada disso. – Henrique riu. – Amanhã eu te apresento à famosa “cerveja amanteigada”.

Ele sacudiu os ombros apanhando mais um copo de whisky de fogo de um elfo que passava na mesa. Rebecca logo começou a contar a história do whisky de fogo e os dois se fecharam para o mundo. Henrique se levantou.

- Vamos voltar a dançar! – ele olhou expressivo pra Bernard, que também puxou uma Bel muito contrariada de volta para a pista.
- Meus pés estão cheios de bolha! – ela disse resmungando.
- Eu te carrego, minha rainha. – Bernard disse simpático e segurou-a no colo, levando-a até a pista de dança. Ela pareceu constrangida de início, mas envolveu os dois braços no pescoço dele e se deixou levar. Acho até que dormiu.

Nos juntamos com o restante de nossos amigos e esquecemos a hora passar. Só saímos da pista de dança quando o sol já estava alto no céu de Beauxbatons.

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No dia seguinte as conseqüências da festa se mostraram bem evidentes no café da manhã. Os convidados haviam passado a noite no castelo e a maior parte deles exibia expressões exaustas e de ressaca. Sentei-me em uma das grandes mesas (que agora já não mostravam traços das quatro casas), onde meus amigos se aglomeravam. Samuel e Anne, Sávio e Dora, Brenda e Chris, Bel e Bernard, Ian e Marie, Manu e Viera, papai e mamãe (que também pareciam sonolentos, mas continuavam conversando entre si), os avôs de Bernard, Ian e Enrico Beltoise. Dominique, Gabriel e Mad, Miyako, Ty. Henrique. Tomamos café da manhã com calma repassando os melhores momentos da noite anterior e quando chegou a hora de partirmos, me deu um aperto no coração. Subi uma última vez até o Salão Comunal da Fidei para apanhar todas as minhas malas mas não queria me despedir. Dora também estava muito silenciosa enquanto juntava todas as suas coisas na porta.

- Não vou me acostumar tão cedo com a idéia de não voltar para cá em setembro.
- Nem eu... Mas não vão se livrar de mim tão fácil. Vou só esperar começar meus estudos e vou sugerir à Máxime que me contrate para reformar os uniformes desse colégio. Acho que são os mesmos desde 1920. – Dora riu reprimindo as lágrimas que queriam saltar dos olhos dela. – Você disse aos seus pais que iria morar com Sávio, ontem?
- Disse. Esperei até me entregarem o diploma, para ao menos ver um último olhar de orgulho deles. Foram embora assim que a festa começou e vão me deserdar. – as lágrimas venceram a batalha e escorreram sem parar. Ela limpou rapidamente, sacudindo os ombros. – Não vou voltar atrás. Eu amo o Sávio e eles não podem mudar isso. – Concordei com a cabeça e ela sorriu. – Estamos parecendo duas comadres. Nem a senhora da vanguarda, como é mesmo o nome dela...? Elena Bourque! Nem ela parece tão antiquada. Vamos descer. O futuro nos aguarda.
- Isso aí. – incentivei e fiz todas as minhas coisas começarem a levitar com um aceno de varinha. Ela fez o mesmo e demos uma última olhada ao dormitório antes de sairmos fechando a porta.

°°°

A viagem até Paris nunca fora tão divertida. Henri Renoir, após um pedido de Ian, começou a relatar histórias ainda mais engraçadas sobre sua época de escola, sendo eventualmente lembrado de alguém ou algum detalhe por Edmond Lestel, Enrico Beltoise e Danielle Renoir. Escutávamos com atenção.

- O castelo era recheado de pessoas exóticas. A banda da escola “Le Bonnet-Blue” (Os barretes azuis) sempre tocava nas festas. Os amigos de Danielle então, eram muito excêntricos... Uma delas queria jogar quadribol no time da escola, mas naquela época não era permitido. Acho que se vocês, meninas, têm direito a jogarem quadribol hoje em dia, devem muito à Bianca. Um príncipe sem parafusos na cabeça. Os irmãos Perrineau, um africano, um asiático e outro havaiano, surfista, que nadava todos os dias no lago do castelo mesmo que estivesse congelado! Ah, e Olívia que escrevia contos e só descobrimos isso muito tempo depois, se lembra Danielle? – a avó de Ian concordou com a cabeça, saudosa.
- E vocês dois, que comeram o pão que o diabo amassou debaixo do braço para poderem ficar juntos! A história de vocês daria um bom livro... – o avô de Bernard comentou e Henri sorriu, segurando a mão da mulher.
- Vocês estão se esquecendo das rádio novelas! Eram muito divertidas! E aquele menino que tinha fama de “bad boy”, o rebelde sem causa, se lembram? – Enrico Beltoise sorriu. Henri, Edmond e Danielle também.
- Era amigo do menino que tinha uma fixação estranha em combater seres das trevas. Só falava disso. E falando em fixação, aquela outra garota que jurava que tinha azar no amor e que todos que se apaixonavam por ela acabavam morrendo! Acho que você saiu algumas vezes com ela, não saiu, Edmond? Me lembro de você contar às risadas quando se afastou que ela era doida e tinha pedido para que você não se apaixonasse por ela. – Henri contou rindo alto e Edmond concordou.
- Sim, me lembro. Acho que se chamava Penélope ou qualquer coisa assim. – Vocês se lembram das greves de fome que a professora de botânica começava, nos jantares com muitas carnes? Ela até nos obrigava a rezar pelas almas dos frangos, porcos, vacas ou o que quer que fosse.
- Só não eram mais engraçadas que as festas de despedida que a professora de adivinhação promovia, dizendo que o mundo ia acabar.

Eles recomeçaram a rir e nos entreolhamos quase sem entender nada.

- Vocês deveriam escrever um livro sobre aquela época! Assim nós poderíamos ler com detalhes sobre cada história dessas e não ficaríamos “boiando”. – Ian deu a idéia e concordamos. Henri falou pensativo.
- É, você tem razão. Deveríamos escrever um livro sobre aqueles “anos dourados”...

Ele completou sorrindo saudoso enquanto observávamos ao longe, a silhueta minúscula de Beauxbatons desaparecer no horizonte.

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N.A.: ACABOU! ACABOU! A-C-A-B-O-U! A C A B O U!!! *aos prantos* Desculpem a minha empolgação, mas é que depois de três anos sendo fiel a este blog (e a outro antes deste, mas que prefiro não me lembrar já que ele também acabou), eu ainda não consigo acreditar que finalmente consegui formar Isa e Bel.

Formadas estão, mas isso não quer dizer que elas acabaram por aqui. Muito pelo contrário. Acho que já deixei boas indiretas de que elas vão continuar contando suas histórias, não é? Claro que com menor freqüência, afinal, o fim do texto já mostra uma super DIRETA de que vááários novos personagens estão vindo por aí para contarem suas próprias histórias.

Caríssimos leitores, estamos fechando essa era de Beauxbatons para começarmos outra. Isso mesmo. A partir de agosto, nesta mesma página, voltaremos 50 anos no vira-tempo, para o ano de 1958. Entrará no ar a “Beauxbatons Retrô” ou “Anos Dourados”, como preferirem.

Mas para continuarem acompanhando as histórias das irmãs IsaBel Damulakis McCallister, a nova casa delas é: Pink&Brain. E para continuarem acompanhando as histórias de Seth e Griffon Chronos, Tyrone McGregor, Gabriel Storm, Rory Montpellier e Miyako Kinoshita (os integrantes dessa era “atual” do blog, que ainda estão a um ano de suas formaturas) o novo endereço é: Os renegados.

Este espaço ficará fechado por um mês e passará por manutenção para acomodarmos os novos integrantes, mas os outros blogs continuam com seus funcionamentos normais. Esperamos encontrar todos novamente, em breve.

Obrigada pela paciência, compreensão, tempo, etc. e tal. Malfeito feito!

I’m useless but not for long
The future is coming on, is coming on, is coming on

Clint Eastwood – Gorillaz

Tuesday, July 08, 2008

The Graduation, parte I

Memórias de Isabel McCallister

A partida parecia durar dias. Já estava começando a anoitecer em Beauxbatons e ambos os times começavam a se entregar ao cansaço e exaustão. O placar acirrado: Fidei 230 X 200 Nox. Nem mesmo as torcidas se levantavam ou gritavam mais para comemorarem novos gols.
A goles estava na minha mão e eu esperava Brendan e Pacy se emparelharem aos meus lados para finalizarmos a jogada contra Bridget, que estava sozinha em frente aos gols. Quando Brendan apareceu do meu lado esquerdo, lancei a goles para ele, que se desviou de Jean Savoy e confundindo Bridget, afundou a goles no aro da direita com uma velocidade incrível. A torcida amarela mal se mexeu para comemorar os dez novos pontos. Mal a goles saiu do meio do campo, todos se levantaram na arquibancada ansiosos. Miyako e Tony voavam em direção ao pomo, na extremidade sul do campo. Eu e todos os outros artilheiros, tanto da Fidei, quanto da Nox, não começamos novas jogadas e também passamos a acompanhar os dois. Miyako estava alguns centímetros na frente e estendeu a mão. Ela fecharia o punho a qualquer momento e o jogo estaria acabado, dando a final para eles. Já estava me conformando com a idéia, quando um barulho opaco se espalhou pelo ar. Um balaço lançado com violência pelo Jacki atingiu Miyako no estômago e ela começou a despencar da vassoura de uma altura de aproximadamente 5 metros.
Depois aconteceu tudo muito rápido. Tony capturou o pomo e estendeu o braço, sorrindo vitorioso e fazendo toda a massa amarela saltar das arquibancadas e correr pelo campo. Brendan me cutucou radiante dizendo “vencemos” e descendo em direção ao restante do time, que já se misturava na torcida e comemoravam o título. Fiquei parada no ar uns minutos sem me convencer da situação. Observei Miyako se levantar e sair andando em direção ao castelo sendo ajudada pelo professor e pelo restante do time da Nox. Estava um pouco pálida, mas bem.

- ISA, VOCÊ VAI DESCER OU NÃO VAI? A TAÇA É NOSSA! – Danilo gritou lá embaixo e eu me dei conta de que era a única da casa que ainda não se misturava no gramado para receber a grande taça dourada que Madame Máxime trazia.

Sorri e segundos depois, saltei no chão. Várias mãos me levaram até onde o restante do time estava e quando Tony passou a taça para nós eu soube: estava encerrando a minha “quase carreira” no quadribol com bastante estilo.

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Era véspera da festa de formatura. Os alunos que não participariam dela já estavam ocupando o barco da escola em direção a Paris para as férias de verão. Os jardins e salões do castelo já estavam completamente decorados com discos vinis, pisos quadriculados, fotos em preto e branco de bandas e celebridades da década de 60 e diversos outros objetos.
Mal abri os olhos e Dora se exaltou na cama ao lado, empolgada.

- Finalmente você acordou, Isa! As encomendas chegaram! – ela disse apontando para três grandes caixas ao pé da minha cama. - Já experimentei meu vestido, ficou ótimo! – ela abriu um grande sorriso e me sentei depressa, abrindo a primeira caixa. Um lindo vestido de cetim prateado e com a saia plissada passou entre meus dedos.
- É perfeito! – falei admirada e Dora concordou. – Vou à Sapientai entregar a encomenda. Vai comigo?
- Claro. Quero ver como ficaram os de Brenda e Anne!

Alguns minutos depois, entramos no quarto que Bel e Brenda dividiam, na Sapientai. Anne também estava lá, sentada na beirada da cama da Bel. Ela e Brenda conversavam empolgadas, cada uma segurando uma caixa do mesmo tamanho das que eu e Dora carregávamos nos braços. Bel olhava de uma a outra sem muita animação.

- Bom dia! – falei animada descarregando as três caixas que trazia na cama de Brenda. – Chegaram bem em tempo, não?
- Sim! Já experimentaram? – Anne perguntou apontando com a cabeça para as caixas. – O meu ficou maravilhoso. O da Brenda também.
- Eu já. Ficou perfeito também.
- Ainda não. Antes vim trazer as encomendas... – pisquei para as três que sorriram. Peguei uma das caixas e levei até Bel, estendendo a ela. Ela ficou me encarando sem entender.
- O que é isto, Isabel?
- Não é óbvio? Seu vestido para o Baile, claro. – insisti para ela pegar a caixa, mas a única reação que ela tomou foi rir.
- Obrigada, mas já tenho um. É ótimo. Um típico vestido de gala dos anos 60. Inclusive, era da nossa avó, Isabel. – ela disse ainda rindo e afastando a caixa dela.
- Tem, é? E eu posso ver esse vestido?
- Claro que pode. – Bel disse sacudindo os ombros e indo até o armário. Voltou um segundo depois trazendo um cabide nas mãos.

O vestido que vinha pendurado era de linha, verde musgo e com horrorosas estampas de flores amarelas. Dora começou uma exagerada crise de tosse e eu olhava a peça com o máximo desprezo que consegui juntar.

- Esse é o seu vestido? – perguntei enojada e Bel confirmou com a cabeça, estendendo-o cuidadosamente na cama.
- Sim. Chegou há um par de semanas atrás. Os elfos já lavaram, passaram e engomaram. E ahh... – ela abriu a gaveta de cabeceira e puxou um lenço amarelo. – ele ainda veio com um lenço para os cabelos. Está ótimo, não está?

Encarei Dora, Anne e Brenda (ambas com caretas desgostosas na cara) antes de responder.

- Está sim, está ótimo! – sorri e Bel pareceu levemente surpresa por eu ter concordado. – Ótimo para voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído! Essa coisa ainda está cheirando a naftalina! Era com esse vestido que você pretendia ganhar as eleições de Rei e Rainha do Baile de Formatura???
- Não é você mesma que diz que esse concurso já está ganho? – ela revidou azeda, levando o vestido de volta ao armário, como se estivesse com medo de que eu colocasse fogo nele a qualquer momento.
- Disse e repito. Mas só está ganho se você e Bernard estiverem realmente vestidos como candidatos a RAINHA e REI. Não como se fossem da plebe!
- Tudo bem. Não estou mesmo com vontade de ganhar esse concurso besta. – ela sacudiu os ombros e ri alto.
- Pra cima de mim, Anabel Damulakis McCallister? Eu sei que você está adorando essa idéia de ganhar o concurso e viajar com Bernard, mas nunca vai admitir isso. Por favor, será que uma vez na vida você é capaz de dar o braço a torcer? Olhe o vestido que mandei fazer pra você... Será a mais linda de todas as candidatas!

Sem dar tempo suficiente para que ela retrucasse, puxei o vestido prateado da caixa e estendi encostando-o em meu próprio corpo. O cetim brilhava de maneira suave a cada movimento. Anne e Brenda assoviaram aprovações e um brilho diferente passou pelo olhar da Bel. Ela ficou encarando a roupa vários segundos, até se recompor.

- É muito bonito sim. – ela admitiu, embora parecesse contrariada. – Mas muito exagerado.
- Era essa a intenção. Quanto mais exagerado, melhor. Vocês têm que se destacar em todos os sentidos. Se você for mesmo usar aquele vestido da vovó, faça-me o favor, finja que não me conhece! – falei impaciente dobrando novamente o vestido e colocando-o com cuidado na caixa. – Aqui dentro também estão os sapatos e as jóias para usar amanhã.
- Quando vocês encomendaram esses vestidos e tudo o mais? – Bel perguntou desconfiada.
- Na última visita à Paris, é claro. Enquanto você e o Bernard discutiam se iriam ou não participar do concurso, nós cuidávamos de todo o resto. Encomendamos todas as nossas roupas para uma costureira que conheci, muito competente. São modelos únicos. – respondi sorrindo orgulhosa. As três concordaram atrás de mim. – Não mude de assunto, Anabel. Você vai ou não usar esse vestido?

Ela encarou a caixa sem responder e Anne e Brenda logo começaram a falar sem parar sobre o quanto este novo era melhor do que o velho. Após algum tempo, ela finalmente puxou a caixa para perto.

- Tudo bem, vocês venceram. Vou usar este. Mas tem uma coisa: Bernard também providenciou roupas dos avôs para usar.
- Cuidamos de Bernard também. Já coloquei as roupas dele, de papai e de Henrique nos correios.
- É claro que você já providenciou... Você nunca se esquece desses detalhes. – ela disse mais como um pensamento alto e ri.
- Uma irmã prevenida vale mais do que quinze, Bel. E eu sou essa irmã para você. – falei convencida e ela sacudiu a cabeça, entediada.
- Quanta humildade! Brenda, me ajuda a experimentar o vestido?

Brenda concordou com a cabeça e seguiu com ela até o banheiro. Larguei-me satisfeita na cama.

- Uma já foi. Agora preciso convencer Rebecca. Vou mandar o vestido e um bilhete suplicando para ela usá-lo amanhã, por pó-de-flú. Espero que ela se dê por vencida. A intuição que tenho é que ela já está preparando um vestido pior que aquele no armário da Anabel. – Dora e Anne riram.
- Se você convenceu Anabel, convencer Rebecca vai ser moleza. Aliás, tenha certeza de citar no bilhete que Bel vai usar o vestido que você encomendou também. – Dora aconselhou e sorrimos.
- Desejem-me sorte. – falei, antes de sair do quarto com uma caixa fechada na mão.

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Durante a entrega dos diplomas, Ian, Samuel, Bernard, Sávio, Dominique, Mad, Manu, Viera e companhia ilimitada, lideraram coros sincronizados gritando nossos nomes e agitando o restante dos convidados. Bel, que foi a primeira do "grupo" a ser chamada, recebeu seu diploma das mãos de Máxime com os olhos baixos e as bochechas roxas de tanta vergonha, o que provocou ainda maior rebuliço quando eles perceberam que haviam atingido-a. Após todos receberem seus respectivos canudos, Brenda e Wentworth começaram o discurso.

- Em Beauxbatons vivemos os melhores sete anos de nossas vidas. Este castelo foi nosso abrigo nos momentos mais difíceis e nos melhores que já passamos. A formatura é uma conquista, mas estaremos para sempre ligados com esses corredores, salas, torres, masmorras e gramados. Aos familiares, professores, diretora, e demais funcionários deste castelo, os nossos mais sinceros agradecimentos e pedidos de desculpas pelas tantas detenções, notas baixas, falta de compreensão, irresponsabilidades, blá blá blá. – Brenda discursou deixando a voz ir morrendo irônica e todos riram. Wentworth pegou o microfone, também sorrindo. - Ao restante da turma de 1999 desejamos muita sorte e sucesso. A formatura não significa o fim da amizade. Os laços que fizemos aqui dentro, ninguém desata. Nos vemos por aí, muito em breve. – ele parou propositalmente, encarando todos nós, de becas azuis celeste impecavelmente lisas e chapéus cônicos. – Enfim. Agradecemos a todos pela presença esta noite, mas tenho certeza que não foi só para ouvir nosso discurso que vocês vieram. Então... à festa! – ele disse animado e Brenda novamente pegou o microfone. – E não se preocupem: a nossa querida professora Françoise Defossez não vai gritar com ninguém se por acaso comer a carne com garfo para peixe. Tenham uma boa noite!

Dezenas de chapéus cônicos voaram no ar e os formandos bem como os diversos convidados começaram a se abraçar e comemorar. Rocks agitados dos anos 60 estouraram por todos os lados e várias pessoas já se encaminhavam para a pista de dança. Todos os nossos amigos logo nos fecharam em um grande círculo para nos cumprimentarem. Avistei papai e Henrique e fui até eles, que me abraçaram com força. Papai tinha os olhos molhados de lágrimas. Mais adiante vi Bel e para a minha grande surpresa e satisfação Rebecca, vestida com um bonito conjunto de saia e blusa lilás e um lenço mais escuro no pescoço. Acenei para que elas se aproximassem. Rebecca me abraçou, enquanto papai abraçava Bel. Os dois se encararam longamente.

- Rebecca. – papai disse um pouco confuso e ela sorriu. – Como vai?
- Bem. E você, Richard?
- Orgulhoso. – ele disse sorrindo aberto e ela retribuiu. Eu e Bel nos entreolhamos.
- Venham, vou mostrar a mesa de vocês. – eu disse puxando Henrique pela mão e Bel nos seguiu, obrigando nossos pais a virem atrás. As surpresas de formatura estavam só começando...

All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I’ve loved them all


N.A.: In my life – The Beatles

Wednesday, July 02, 2008

A outra Anabel McCallister

- Como você consegue ficar tão tranqüila, sabendo que em poucas horas estaremos fazendo os NIEM’s, Isabel? – perguntei enquanto observava Isa lixar as unhas e molhá-las na água morna logo em seguida, repetindo o processo sem parar. Ela sorriu.
- Simples. Não me preocupando com os exames. Eu vou ser designer de moda, Anabel. Não preciso de notas altas em exames de Poções, Feitiços e outras coisas desse tipo, para ser famosa nas vitrines e passarelas. Me dê mais alguns anos e a marca “Isabel McCallister” vai estourar nos melhores e maiores points fashions do mundo! – ela falou empolgada e Anne riu.
- Não duvido disso, Isa. Ainda vou comprar muitas roupas com sua assinatura e me gabar: 'ah, essa bolsa? Isa McCallister fez exclusivamente para mim. Somos amigas de muitos anos!' – as duas riram alto, e soltei um suspiro de impaciência.
- Quem dera eu tivesse um mínimo de talento para desenhar roupas. – Brenda falou também se descontraindo e virando uma página do pesado livro de ‘Animagos: Uma transfiguração perigosa’. – Quem dera não ter que depender dos resultados desses exames para conseguir emprego em um bom jornal!
- Ah, vocês vão se sair bem. Não se preocupem. – Isa comentou voltando sua atenção às unhas. Dora passou andando pelo corredor, as mãos carregadas de livros.
- Dora! – Anne chamou e ela parou de andar, se virando para nossa direção. Quando nos reconheceu, sorriu e largou os livros em cima da mesa, fazendo uma careta e massageando as mãos. – Onde você estava indo, com tanta pressa? E tantos livros...
- Procurar um lugar para estudar. Posso me sentar com vocês? – ela perguntou incerta e logo começamos a abrir um espaço. Ela se sentou na ponta e ficou de frente pra Isabel, que quando levantou o olho para observá-la, sufocou um grito de horror.
- Você se lembra de que cor era o hipógrifo que te destruiu? Está acabada! – Isa disse em choque e Dora sacudiu os ombros, desanimada.
- Não durmo direito há quatro noites! Fico estudando até o dia quase amanhecer, e acordo quando o sol está nascendo.
- Suas olheiras te denunciam. E seu cabelo... – Isa se levantou indo até Dora e passando a mão nos cabelos dela. – Andam sofrendo vários abusos nos últimos dias, mas eu acho que se você prender ele assim... é, melhorou. – Isa se afastou para observar o resultado da trança que fez em Dora e pareceu chegar à conclusão de que era o máximo. Sentou-se novamente.
- Porque está estudando tanto assim? – Brenda perguntou curiosa e Dora exibiu seu pior olhar de cansaço.
- Tenho que conseguir um trabalho no Departamento de Cooperação Internacional da Magia, de qualquer jeito! Ser advogada bruxa é mais do que meu sonho, agora. É uma necessidade. Sávio e eu vamos nos mudar para um apartamento nosso um dia depois que eu me formar, e uma vez que eu sair de casa é definitivo. Meus pais nunca mais vão me deixar entrar lá. Sávio fica tentando fazer a coisa toda parecer fácil, mas não é. Só o emprego dele no Ministério não conseguiria nos sustentar, entendem? E eu sei que ele também está preocupado com isso, mas não quer deixar transparecer, para que eu não fique ainda mais estressada. Sem contar que trabalharíamos juntos no Departamento... – ela deixou a voz ir morrendo, sonhadora, e Anne, Brenda e Isa sorriram.
- Eu também tenho que estudar e muito se quiser mesmo entrar para a Academia de Aurores. Então, se vocês forem continuar com essa conversinha, me avisem que vou procurar um lugar mais silencioso. – falei séria e elas se calaram. Dora logo abriu um livro e começou a lê-lo, e Anne e Brenda se afundaram novamente atrás dos seus. Isa sacudiu a cabeça.
- Sempre azeda, Anabel. – ela comentou secando os dedos e fazendo a tigela de água desaparecer da mesa. Levantou. – Vocês estão me entediando. Vou treinar quadribol, porque esse ano a taça é da Fidei e ninguém tira! – ela falou determinada e Dora bateu seu punho fechado no peito, em cima do brasão da casa, sorrindo pra ela.
- Ela é mesmo minha irmã gêmea? – perguntei mais como um pensamento alto e em tom de descrença e todas riram. – Quadribol! Os NIEM’s batendo na nossa porta, e ela se preocupando com a taça de quadribol e as unhas. Inacreditável. – completei, antes de voltar todas as minhas atenções para o livro de Runas.

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Assim como vieram, os NIEM’s se foram. Embora tivessem me sufocado por uma semana inteira, no fim de tudo eu percebi que havia feito o meu melhor e estava confiante quanto aos resultados.
Agora, não se falava em outra coisa no castelo se não as férias de verão. E para nós, os formandos, a festa de formatura. Isa e o restante da comissão de formatura andavam de um lado para o outro fechando os últimos detalhes da comemoração e os jardins já haviam adquirido um bonito toque de anos 60. Poucos dias antes da festa, Bernard veio me visitar depois de sair do Ministério. Estávamos andando pelos corredores enquanto conversávamos, e quando passamos em frente à sala onde funcionava a rádio, Isa saiu sorridente para a porta.

- Já arrumaram as malas? O concurso é de vocês. – ela disse animada.
- Como você tem tanta certeza, Isabel?
- Vocês não viram a quantidade de pessoas que está andando por aí com uma camiseta: Votem Bê&Be para Rei e Rainha do Baile? Vocês cativaram os alunos, irmãzinha.
- Camisetas não provam nada. Não são eles os jurados. – Bernard falou sensatamente e concordei com a cabeça. Isa sorriu.
- Realmente, não são. Mas o carisma e a aceitação do “povo” é um dos quesitos mais pesados. Fora a afinidade entre vocês... – ela disse sonhadora e como eu e Bernard continuamos com expressões indiferentes, ela sorriu ainda mais. – Vocês não estão acreditando, não é? Então sentem-se e ouçam isso.

Ela fechou a porta da sala e eu e Bernard nos sentamos em um sofá que tinha no canto. Colocou o fone de ouvido, arrumou o microfone e colocou a rádio no ar.

- Boa tarde, Beauxbatons. Estamos começando mais um “Bate-papo com Isabel”, e vou começar o programa de hoje lendo algumas cartas de vocês.

Isa, eu sou Marta Depailler, do 4° ano da Lux. Infelizmente não vou poder participar da festa de formatura, mas estou torcendo para Bernard e Anabel ganharem o Concurso de Rei e Rainha do Baile. E para eles, eu quero dedicar a música Two Less Lonely People In the World da Celestina Warbeck. Felicidades ao casal!

Isa terminou de ler mais cinco cartas desejando sorte ao casal “Bê&Be”, cada uma delas dedicando uma música diferente. Quando ela finalmente começou a rodar a lista de músicas para nós dois, e se virou para nos olhar, riu da nossa cara de surpresa.

- Agora vocês acreditam que são os preferidos da maioria? – ela perguntou sorrindo e me virei para Bernard, que tinha o queixo levemente caído. – Eu tentei avisar.
- Isso é loucura! Eles nem nos conhecem! – falei assombrada e Bernard apenas balançou os ombros.
- Acho que é melhor eu bater o pó das minhas malas. Nós vamos viajar. – ele falou se virando pra mim e sorrindo. Isa concordou com a cabeça, entusiasmada.
- Vocês são a sensação do momento. O casal mais popular de Beauxbatons, ou arrisco dizer, da França!
- Menos, Isabel. – falei séria e ela riu voltando-se novamente para a apresentação de seu programa. Encostei a cabeça no ombro de Bernard e uma onda gélida e furiosa invadia meu estômago enquanto eu constatava: eu era a McCallister popular do momento e o pior é que não estava achando isso tão ruim assim...

Tuesday, June 17, 2008

Time to Break the Seal, parte III - Estuans interius ira vehementi

Lembranças dos Gêmeos Chronos.

They came at dawn into the morning light
black shadows riding on the mist
Prepared for battle, swords were shining bright
filled with anger and harm
Came to kill not to charm


Corríamos pela noite, caçando. A hora da vingança havia chegado. Ele encontraria o seu fim naquela noite, nem uma hora a mais. Os Selos criados há 16 anos haviam sido rompidos, liberando dois poderes incríveis, herança de gerações e gerações. O poder de eras agora convergia uma vez mais para a batalha, a derradeira batalha da guerra. Não haveria amanhã para um dos lados.

Estuans interius ira vehementi
Estuans interius ira vehementi


Griffon corria a frente, usando seus poderes para localizá-lo. A luz que saia de seu corpo iluminava a escura floresta de Newcastle.
Ele estava ali.
Seth corria um pouco atrás. Presas à mostra, olhos vermelho-sangue, instintos redobrados. Ele sentia o medo da pressa.
Ao redor deles seguiam um grupo das coisas mais estranhas que poderiam ser vistas em Newcastle. Uma matilha de lobos das sombras corriam atrás dos irmãos, junto de aves e grifos de uma luz dourada. Era uma verdadeira companhia de guerra. Uma caçada como a Inglaterra há tempos não via.
Ele sentia medo, ele que nunca sentiu medo em seus anos de trevas, mesmo quando quase fora queimado pelo sol. Mas agora ele sentia medo, muito medo. Podia sentir seu coração há tantos anos morto querendo bater, mas sem conseguir. Seu suor exalava o cheiro de medo que ele tanto apreciava em suas vítimas. E agora ele sabia, seu algoz se deliciava da mesma maneira. Ele ouvia o barulho da matilha de lobos e os pios altos das aves e grifos. Os lobos não mais o obedeciam, curvando-se a uma vontade maior.
Hellion sentia medo!
As sombras não eram mais suas amigas. Pelo contrário, ele tremia só de imaginar ver olhos vermelhos ou brancos saltando das sombras para agarrá-lo. Ele praguejou com raiva! Ele era um vampiro! Um dos mais cruéis; matara tantos, fora amigo de Fenhrir Greyback e aliou-se ao Lorde das Trevas. E agora fugia de duas crianças. Era humilhante.
- Ele está perto, Seth. Ah! Até mesmo eu posso sentir o medo dele! – Griffon riu alto enquanto corria entre as árvores.
- Sim, o medo está palpável. Isso é ótimo para mim...Vamos fazê-lo sentir o que já fez tantos sentir. Pela Luna...
- Por Emily... – Griffon completou.
- Por papai, mamãe e Ártemis! Pelos nossos avós! – Os dois gritaram a ultima parte.

They´re fighting hard, their way to victory
dead bodies lying on the ground
They are the soldiers of eternity
and their swords spinning around

Estuans interius ira vehementi
Estuans interius ira vehementi


Os lobos uivaram alto e sumiram no ar. As aves e grifos soltaram pios ferozes e rápidos como a luz avançaram. À frente ouviram o grito de fúria dele, enquanto era cercado pelos lobos. As aves mergulharam sobre ele, bicando e cortando com suas garras a pele branca. Os grifos investiram com raiva no olhar e suas patas e asas causaram um imenso dano. Hellion se viu cercado. Os lobos o impediam de fugir e a intervalos regulares, as aves investiam com ferocidade. Os irmãos chegaram pouco depois, mas se mantiveram nas sombras. Hellion os viu e soltou um urro raivoso para eles, mas sem mais nada poder fazer.
- Você trouxe a maldição para nossa família... – Seth falou firme.
- Você tentou matar nossa família. E ousou atacar quem amamos... – Griffon falou alto.
- Papai o caçou a vida toda... – Seth continuou.
- Mas um verme como você sabe fugir, mesmo que nosso pai seja mais forte que você. – Griffon completou.
- Isoladamente, somos mais fracos que papai ou mamãe...
- Mas, juntos, somos mais fortes que eles...
- Eu sou as Trevas, Tenebrus...
- E eu sou a Luz, Lux...
- Eu não existo sem a luz...
- E quanto maior a luz, maior as trevas...
- Sem saber, nosso pais criaram duas formas que se completam...
- Duas armas, dois guerreiros. A Foice a Lança que punirão a besta.
- E hoje chega ao fim seus dias malditos. Greyback já foi morto, agora dos vermes, só resta você.
- CHEGA DISSO! NÃO SÃO CAPAZES DE ME MACHUCAR! – Hellion gritou enfurecido, os olhos brilhando em vermelho. Uma aura negra começou a surgir ao redor dele, tomando a forma de duas imensas asas negra como a noite. Seus olhos pareciam dois rubis brilhantes. Enormes, malignos e assassinos. Ele liberaria todo o seu poder. Ele que era um dos mais antigos vampiros ainda existentes, não seria morto por duas crianças.
- Não há como nos vencer. Eu vou levar a você, todos os seus piores pesadelos, todo o medo que levou às suas vítimas.
- E eu o punirei com a luz que você renegou. O farei sentir na pele a força da bondade e da luz.
- Vocês não sabem o que estão enfrentando! – Hellion urrou, e apenas o choque de sua voz foi como uma golpe nos gêmeos que foram obrigados a recuar alguns passos. – Eu sou um vampiro antigo, e vocês apenas crianças. Conheço coisas que vocês sequer imaginam...
Enquanto ele falava, uma névoa cinzenta envolveu o bosque. A luz da lua ficou turva e sombras surgiram no meio da névoa. Sombras com formas grotescas e nojentas. Alguns eram lobos enormes, outras pareciam humanos, porém decrépitos e estranhos. Hellion ria enquanto espalhava sua aura maligna.
- Ghouls. Lobos Infernais. Espíritos...Liberarei contra vocês as almas de todos aqueles que eu já matei!
- Como se tivéssemos medo de seus escravos, verme. – Griffon zombou, enquanto fazia sua aura dourada crescer, tornando-se um ponto de luz na névoa.
- Seus escravos são seres que você amaldiçoou. Os Ghouls são a casca vazia de suas vítimas, os lobos são criaturas que você alimentou com sangue humano. E por seus crimes acabaremos com você, libertando de vez essas almas. – Seth falou enquanto a sua aura negra competia com a aura do vampiro.
- Hahahahaha! Os Chronos são uma família interessante. Vocês falam como seu bisavô, mas ele foi incapaz de proteger aqueles que lhe eram importantes. Seus avós foram levados à morte por tortura, e eu matarei cada integrante da família de vocês. Não haverá dia para os Chronos!
- Venha, verme, deixe-me vingar cada alma que você amaldiçoou! – Griffon gritou com raiva e sua aura tomou a forma de uma lança, que ele segurou com a mão direita.
- Vou mostrar a você, que dentro de toda treva, há a luz, e com a luz que há em mim, queimarei cada pedaço desse seu corpo nojento! – Foi a vez de Seth gritar, e sua aura negra tomou a forma de uma foice, que ele segurou por trás do corpo.
- Seus dias malditos acabam hoje, Hellion – Os gêmeos falaram juntos, e juntos avançaram.

Estuans interius ira vehementi
Estuans interius ira vehementi

The sound of metal screaming in the air
the time has come were justice rules
The endless victims looking up in fear
Now, who are the fools

Oh, here they come, riders of the sun
And they will fight…Back To Back
They got it all, they´ll never fall
But they will fight


O que eles haviam dito era verdade. Isoladamente, eram incompletos e imperfeitos, fortes ao seu modo, mas fracos em comparação a outros. Mas juntos, se completavam, mais fortes e habilidosos que muitos. As trevas tinha seu poder aumentado pela luz, e a luz tinha nas trevas o objetivo de se fortalecer. Griffon conjurava feitiços da mais pura luz, incluindo correntes e cordas grossas, que tentavam prender o vampiro. Seth movia-se pelas sombras como um raio, sumindo antes que Hellion tivesse certeza de onde ele se encontrava.
Porém Hellion era mais poderoso do que eles imaginavam, pois o que ele havia dito também era verdade. Eles eram apenas crianças se comparadas a ele, e mal sabiam todo o potencial que possuíam, sem saber usar seus poderes corretamente. Enquanto que ele vivera séculos, alimentara-se de tanto sangue que até sua aura maligna era manchada de vermelho. Ele ao longo dos séculos absorveu inúmeras almas, almas nobres, poderosas, malignas ou benignas, ele as devorou todas. E agora ele as usava. Quando os gêmeos avançaram, ele urrou alto e das sombras da névoa, seus escravos saíram, atacando com garras e dentes. Os seus lobos infernais eram maiores que os lobos negros de Seth e uma batalha sangrenta entre mandíbulas e garras foi travada. Os Ghouls atacavam as aves de luz de Griffon, sem se importarem de terem os membros aniquilados por bicos e por luz. Os espíritos amaldiçoados por Hellion voavam pela luta, sufocando lobos e aves, absorvendo suas energia, aumentando cada vez mais o exército de Hellion.
Mas o vampiro não devia subestimar os gêmeos. Eles eram movidos agora pelo ódio ao vampiro, por um desejo de vingança e justiça imenso, mas acima de tudo pelo amor aos seus amigos e familiares. Os Chronos sempre foram conhecidos como uma família orgulhosa, poderosa e caçadora da justiça. E nessa noite, os espíritos de todos os Chronos se uniam para lutar ao lado dos irmãos. E eles só parariam quando tivessem a cabeça de Hellion.
Seth investia diretamente contra Hellion, em combate corpo a corpo. Ele brandia sua foice com habilidade, cortando o ar com velocidade imensa. A foice ceifava a carne e as almas malignas a serviço de Hellion, enquanto o próprio ar da noite parecia cheio de uma energia que pressionava o vampiro a cada golpe da foice. Mas Hellion era igualmente veloz, e usava os próprios braços como arma e escudo. Seth golpeava com velocidade, movendo suas mãos como adagas afiadas e perfurava o corpo do inimigo. Porém também era ferido e Hellion usava suas longas garras para furar, rasgar e cortar o corpo de Seth em diversos pontos. Em pouco tempo os dois já estavam com sangue escorrendo pelas roupas.
Griffon ajudava o irmão, curando seus ferimentos, mesmo de longe, enquanto lançava suas lanças de luz ao redor da batalha, eliminando quantos escravos malignos pudesse. A grande lança que ele usava criava uma onda de luz a cada corte no ar, e esses cortes cortavam a carne dos servos de Hellion como se eles fossem feitos de papel. Quando viu que seu irmão estava machucado, abandonou a luta contra os servos de Hellion e conjurou uma série de feitiços que aprendera com a mãe. Do chão surgiram correntes de luz, que tentaram agarrar Hellion, mas ele era rápido de mais e escapava, mas era atingido por algumas das dezenas de lanças e flechas que voavam pelo ar, seguindo apenas o pensamento de Griffon.
Os gêmeos passaram a lutar juntos, dois lutando como um. Ambos giravam suas armas com velocidade e o ar à volta deles estava cheio com o som cortante das lâminas. Sua sincronia era perfeita, depois de anos lutando juntos. Hellion esquivava de um golpe, mas já era ameaçado pro outro, enquanto os irmãos revezavam-se na dança da morte que seu pai havia ensinado a eles. Hellion era salvo apenas pela sua própria aura maligna, que era forte o suficiente para repelir os golpes das auras de seus inimigos, mas não por muito tempo, pois as suas defesas caiam uma a uma, enquanto a fúria dos gêmeos apenas aumentava.
O vampiro urrou e com raiva gritou para o ar enquanto acertava um soco em cada um dos irmãos, e batia suas asas negras. Os dois foram jogados para trás, a lança e a foice retirada de suas mãos e caíram cravadas na terra. O vampiro urrou novamente e alçou vôo para a noite, e antes mesmo que os gêmeos tivessem conseguido se levantar completamente, se jogou contra eles, agarrando a garganta dos dois com as mãos cheias de garra. Ele os levou para o alto e apertava cada vez mais a garganta dos dois. No resto da luta, os lobos negros e as aves de luz vacilaram e foram aniquilados pelos servos restantes de Hellion. Ele gargalhou e apertou com mais força a garganta dos gêmeos, que não seguraram um gemido de dor.
- Eu avisei a vocês. Vocês como todos os Chronos, são tolos e idiotas. Se seu pai e sua mãe tivessem vindo me enfrentar, eles teriam me matado, mas enviaram duas crianças! Eles devem não gostar dos filhos por ter enviado-os para a morte. – Ele sorriu novamente e apertou com mais força ainda, querendo quebrar o pescoço. Mas os gêmeos tinham um olhar de uma força intensa e agüentaram a dor. Griffon soltou um riso entre os dentes e olhou para o vampiro com raiva.
- Você que é idiota, verme. Você nos subestima! – Dizendo isso, sua pele brilhou em branco e emitiu uma luz intensa. Hellion sentiu a mão arder, mas decidiu soltá-los apenas quando eles estivessem mortos. Seth reagiu junto do irmão e enquanto seus olhos e sua pele brilhavam em prata, ele agarrou o braço do vampiro com as mãos e cravou suas garras na pele pálida. Sua aura cresceu ao seu redor e passou para o braço de Hellion, alimentando-se do sangue dele, queimando-o por dentro.
Ele não resistiu e soltou os dois irmãos, enquanto berrava de dor. Griffon criou asas de luz que o levaram em segurança ao chão e Seth caiu com leveza, e os dois já apanhavam suas armas. Eles saltaram contra o vampiro e este viu as silhuetas deles contra a lua enquanto eles o golpeavam. Griffon perfurou o peito dele com a lança que brilhava, e Seth cortou seu pescoço, mas sem matar, e com força suficiente para matar um homem, golpeou o ombro de Hellion jogando-o contra o chão. Assim que o vampiro atingiu o chão, Griffon empurrou com mais força a lança, prendendo-a no chão junto com o corpo do vampiro. Ele sibilou de dor e raiva, e Griffon avançou sem esperar mais, e correntes de luz saíram de sua varinha indo prender os braços e pernas do vampiro ainda mais forte ao chão. Os servos de Hellion sumiram no ar, assim como a neblina que começou a dissipar. Os servos dos gêmeos também sumiram e ficaram apenas os dois irmãos frente a frente com o vampiro, que sabia, estava a beira da aniquilação.
Griffon fez um sinal para que Seth se afastasse e erguendo a varinha murmurou “Solaris”. Uma esfera que caberia na palma da mão dele surgiu a sua frente. Era feita de uma luz incandescente, como um pequeno sol. Seth recuou para trás do irmão e este conjurou uma barreira ao redor dele, para que pudesse se aproximar. O pequeno sol queimava Hellion, e pelo seu corpo que ainda não tinha marcas, surgiam queimaduras e feridas. Feridas que antes haviam sido curadas por consumir sangue alheio, agora reabriam e o vampiro nunca sentira tanta dor. Suas asas, agora cortadas e rasgadas pelos golpes dos irmãos, caíram inúteis antes de desaparecer.
- Eu poderia deixá-lo apodrecer sob esse minúsculo sol...
- Ou poderíamos deixá-lo aqui, amarrado, até o verdadeiro sol aniquilá-lo...
- Mas confesso que a morte dada pelo Sol é algo digno demais a você.
- E queremos o seu fim agora. Queremos que pague por tudo que causou a nossa família, nossos amigos, as pessoas que amamos. Mas não só a nós, mas a todos que você matou e amaldiçoou. – Seth falou, enquanto sua voz geralmente calma, crescia em raiva e ódio. Ele sacou a varinha e ficou lado a lado ao irmão.
- Vocês?! Vocês não tem o poder para me derrotar! Acham que um pequeno sol e um show de ilusões me intimidam? Eu vou sair daqui!! Prender vocês e depois capturar as suas namoradinhas e matá-las na frente de voc...
Ele não teve tempo de terminar de falar. Seth agarrou sua garganta com a mão livre e apertou com maior força que algum dia apertara. Se o inimigo não fosse um vampiro, teria tido o pescoço quebrado. Griffon fez um gesto com a varinha, empurrando o pequeno sol na barriga de Hellion, queimando-o ainda mais.
- Não queríamos torturá-lo. Essas pessoas que você citou, não gostariam. Então vamos acabar com você, aqui e agora. – Griffon falou, com uma calma que assustou ainda mais Hellion.
- Pela maldição que levou a papai.
- Pela dor que fez mamãe passar, ao quase matar papai e a mim.
- Pela tristeza que trouxe a tantas famílias.
- Pela nossa irmã, que crescerá num mundo sabendo que vermes como você estão em extinção.
- Pelo Tio Kyle e Tia Alex, que deram seu próprio sangue para salvar nosso pai.
- Pela Emily, que tem medo sempre que falo que ainda ia me vingar de você.
- Pela Luna, que agora está agarrada a uma flor de Esperançus, mas com certeza que voltarei.
- Pelo Ty, que perdeu o pai, morto por um de seus amigos.
- Pela Miyako e pelo Gabriel, que ficam preocupados comigo, sentem medo por mim e se sentem apreensivos por você ter feito tanto mal.
- É chegado o seu fim. – Griffon e Seth falaram juntos.

Estuans interius ira vehementi
Estuans interius ira vehementi


- SECTUMSEMPRA!

Gefährlich ist wer Schmerzen kennt,
vom Feuer das den Geist verbrennt,
bäng bäng,
gefährlich das gebrannte Kind,
mit Feuer das vom Leben trennt,
ein heisser Schrei,
bäng bäng,
Feuer frei!


Os dois fizeram um mesmo corte, na mesma altura, em direções opostas. O grito de Hellion morreu em sua boca, quando os cortes se completaram. Griffon fechou os olhos, ouvindo apenas o baque da cabeça ao chão, mas Seth manteve-se firme e viu quando a cabeça caiu sozinha no chão. A única maneira rápida de se matar um vampiro, é cortando-lhe a cabeça, perfurando-o no coração ou jogando-o ao sol. Hellion morreu pelo primeiro método. Seu corpo começou a envelhecer e se desfez em pó. Ficou apenas o crânio, caído aos pés dos gêmeos, e a foice e a lança presas ao chão, mas desapareceram no ar também, agora que haviam cumprido seu dever. O crânio do vampiro foi queimado por Griffon, que ateou fogo com a varinha.
Os dois se abraçaram, com o sentimento de dever cumprido. Queriam logo voltar para casa, e dar as lembranças deles para o pai e a mãe. E queriam voltar correndo para aqueles que se preocupavam com eles. Aparataram juntos, mas não sem antes lançarem um último feitiço no solo onde a cabeça de Hellion havia caído. O solo queimou e desde então nada mais cresceria naquele local onde a cabeça de um cruel caíra.
Eles estavam machucados e fracos como nunca estiveram, mas felizes por terem finalmente acabado com um pesadelo que viveu por séculos. Voltaram para casa e seus pais os esperavam, ansiosos e apreensivos, mas sabendo que seus filhos triunfariam. Os cinco se abraçaram em silêncio, pois Ártemis estava com eles, e em silêncio choraram. Havia outras pessoas na casa, os amigos que conheciam a história de maldade do vampiro e que foram avisados sobre o que aconteceria naquela noite. Alex chorava também, mas sentia-se feliz e pensava em Kyle, sabia que ele estaria tão orgulhoso e feliz quanto ela, e dizia isso para seus afilhados. Emily estava tensa, mas abraçou com felicidade extrema Griffon e Seth, demorando mais em um abraço apertado no primeiro. Luna conseguira ir para a casa dos Chronos e pela primeira vez desde que a conhecera, Seth a via realmente preocupada, e ela o abraçou com força, ficando pendurada em seu pescoço enquanto agradecia por ele estar bem.
Porque agora os dias seriam realmente felizes. Não havia mais sombras a rondar os Chronos, não havia mais passado para assombrar e ameaçar...

N.A. 1: Trechos de One Winged Angel, Final Fantasy VII Discography, Nobuo Uematsu; música composta apenas por coral e orquestra, música tema do vilão, Sephiroth. E “Estuans interius ira vehementi” é um trecho em latim, que significa algo em torno de “Queimando por dentro com ira veemente”.
N.A. 2: Música em inglês “Back to Back” do Hammerfall.
N.A. 3: O trecho em alemão é a terceira estrofe da música “Feuer Frei” do Rammsntein.
N.A. 4: Sei que o texto foi muito longo, mas finalmente acaba a saga de Hellion que começou ainda no Wonder Years e se espalhou até mesmo para Durmstrang. Os gêmeos ainda terão muitos textos, mas em nenhum deles haverá o medo das trevas que Hellion colocou na vida deles.

Wednesday, May 28, 2008

Entre tapas e beijos

Do diário de Anabel Damulakis


O penúltimo sábado de maio marcava para os estudantes a última visita para Paris antes do fim do ano letivo. Acordei cedo e já estava descendo para tomar café da manhã quando reparei que alguma coisa estava muito estranha no Salão Comunal da Sapientai. Vários alunos e alunas se agrupavam em torno do mural e comentavam, animados, um pôster que havia sido pregado lá. Não me animei a enfrentar a multidão, mas nem foi preciso. Brenda saiu cortando um grupo de garotas e sorria.

- Por que não me contou que tinha se inscrito? – começamos a caminhar para fora da bagunça.
- Inscrito... onde?
- No concurso de Rei e Rainha do Baile de Formatura!!!
- Não te contei por que não me inscrevi. Suficiente?

Continuei caminhando, mas Brenda parou. Virei para encará-la e ela parecia confusa.

- Se você não se inscreveu, pode me dizer por que você e Bernard estão na lista de concorrentes que pregaram no mural?
- Do que você está falando?
- Estou falando daquele pôster pregado no mural!!! Saiu a lista definitiva de todos os casais que vão disputar esse concurso, e não são muitos. No máximo, dez. Você e Bernard são um deles. A não ser que tenha outra Anabel Damulakis McCallister que irá concorrer com outro Bernard Lestel...

Olhei para Brenda esperando o momento que ela ia rir e falar algo do tipo “peguei você”, mas não aconteceu. Ela permaneceu parada exatamente no mesmo lugar, me encarando séria e curiosa. Em passos firmes, voltei para o Salão Comunal. A algazarra continuava em frente ao mural, mas sem nenhuma delicadeza consegui atravessar o bolo de pessoas até finalmente ter uma boa visão do pôster. E era verdade. Não sabia como tinha acontecido, mas eu e Bernard estávamos inscritos para o concurso “Rei e Rainha” do baile de formatura.

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- ISABEL DAMULAKIS MCCALLISTER!!!

Muitos estudantes já estavam terminando de tomar café da manhã e se preparavam para ir a Paris. Isa era uma delas. Entrei no Salão Principal aos berros e caminhava em sua direção com o dedo apontado para o peito dela. Ela, no entanto, fez uma cara de falsa surpresa e sorriu afetada, olhando ao redor.

- Bom dia, Bel! Como você está nessa linda manhã de sol?
- FOI VOCÊ?
- Ah, eu estou muito bem também, obrigada. – ela continuava sorrindo e senti meu sangue ferver. Agarrei seu braço.
- EU NÃO SEI O QUE VOCÊ VAI FAZER, ISSO NÃO É PROBLEMA MEU, MAS SE NÃO TIRAR MEU NOME E O DE BERNARD DAQUELA LISTA DE CONCORRENTES PARA ESSE CONCURSO IDIOTA, EU MATO VOCÊ. ENTENDEU???

Soltei seu braço e sai andando na direção contrária. Uma pequena aglomeração de alunos já se formava ao nosso redor e pareciam esperar um ringue de boxe. Isa veio atrás de mim falando coisas como “está tudo bem”, “somos irmãs”, “desentendimento de família”. Me alcançou quando já estava no jardim.

- Fui eu sim. Eu que inscrevi você e Bernard.
- Ótimo. Desfaça.
- Não posso. A lista de concorrentes já está com Máxime. Já estão preparando tudo!!!
- Já disse que não me interessa COMO você vai fazer, apenas tire meu nome daquela lista o mais rápido possível.
- Bernard achou uma boa idéia... – ela começou e eu parei de supetão.
- Você falou com Bernard sobre isso?
- Claro que sim. Ele também não gostou inicialmente da idéia, mas... depois que eu disse que o prêmio era uma viagem para a Itália, uma semana, só vocês dois... – ela foi deixando a voz morrer propositalmente.
- Você falou com Bernard sobre isso??? – perguntei de novo, assustada. – Ele CONCORDOU?
- Sim! – sorriu animada. – Bel, eu não teria inscrito vocês se não achasse que vocês dois têm GRANDES chances de vencer! Você e Bernard estão precisando de um tempo sozinhos...
- Do que eu e Bernard estamos precisando, não é da sua conta, Isabel. Se ele gostou da idéia, que participe SOZINHO desse concurso. Eu não vou e é minha palavra final. Quero meu nome fora daquela lista até amanhã!

Encarei-a ameaçadoramente e ela sacudiu os ombros, ainda sorrindo. Continuei sozinha o caminho até o barco. Precisava conversar com Bernard.

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Cheguei ao restaurante onde tinha marcado com Bernard alguns minutos antes, mas ao contrário do que pensava, não precisei esperá-lo. Bernard estava sentado em uma mesa e conversava baixo com uma menina que nunca tinha visto antes. Cabelos longos e escuros, em boa forma, e do tipo que orgulharia a Isabel se fosse sua aluna... Os dois riam. Caminhei estressada até lá, mas nenhum deles percebeu minha chegada.

- Atrapalho alguma coisa?
- Bel!!! – Bernard pulou da cadeira parecendo assustado. – Chegou mais cedo?
- Pelo visto, não fui a única... – comentei azeda e lancei um olhar ácido para a garota na mesa, que mantinha um sorrisinho extremamente simpático em minha direção. Não retribui.
- Bê, acho que ela está esperando que você nos apresente. – ela se levantou e Bernard sorriu concordando.
- Bel, essa é Clarisse. Nossa amiga de infância... Minha e de Ian, quero dizer. Clarie, essa é Anabel, minha namorada e futura esposa. – Bernard nos apresentou parecendo empolgado e a menina estendeu a mão, que apertei com um pouco mais de força do que necessário.
- Bom, então acho que agora que sua companhia já chegou, vou indo, Bê. Foi um prazer te conhecer, Anabel. Bernard estava agora mesmo me falando de você...
- Que simpática! O prazer foi todo meu, Clarie. – respondi irônica e Bernard tossiu sem graça. A menina porém não mudou sua expressão.
- Nos vemos por aí, então. – Bernard falou e ela concordou. A acompanhamos sair do restaurante, em silêncio, e assim que a porta bateu virei nervosa para Bernard.
- Tendo bons tempos, Bê? Relembrando a infância? – perguntei em um tom de voz alto e Bernard olhou para as mesas ao redor.
- Vamos sair daqui... – ele disse me puxando pela mão para fora do restaurante também.
- Por quê? Vamos voltar lá pra dentro! Ou está com vergonha de expor sua “futura esposa” barraqueira? Aposto que sua amiguinha Clarie é elegante o suficiente para se portar bem em restaurantes assim, não é? – eu quase gritava enquanto Bernard continuava me arrastando pela mão pelas ruas de Paris.

Ele não respondeu nada. Só soltou meu braço e paramos de andar quando estávamos no final de uma viela. Me encarou.

- Pronto. Pode gritar, bater, fazer o que quiser. Não vou dizer que não tenha motivos suficientes para isso, então, pode começar agora que eu vou somente escutar tudo o que tem a me dizer... – ficou me olhando em silêncio e eu perdi tudo o que tinha pra dizer. Mas um segundo depois, recuperei.
- Então... Clarisse...?
- O que você quer saber sobre ela? – ele perguntou paciente se sentando na calçada.
- Tudo. Quem é? De onde veio? Por que veio? Quando vai embora? E o que já aconteceu entre vocês dois?

Ele permaneceu sério até a última pergunta, quando soltou uma risada alta que me deixou com mais raiva ainda.

- Clarisse Beltoise, como disse quando as apresentei, é uma amiga de infância. Ela estava morando em Madrid, mas agora voltou a Paris e por acaso, nos encontramos naquele restaurante. Estava me fazendo companhia enquanto você não chegava, e aproveitamos para colocar as conversas em dia. Ponto. Foi somente isso que aconteceu entre nós dois.
- Sério? Não pareceu. Pareciam tão íntimos... Cheios de risadinhas, apelidinhos carinhosos...
- Apelidinhos carinhosos? – outra risada alta. – Ela só me chamou de “Bê” e não é um apelido carinhoso. Todos me chamam de Bê! Você, Dominique, Ian, Merlin... É só meu apelido!
- Para quem brotou do chão depois de tantos anos sem te ver, já achar que tem intimidade suficiente para resgatar seu apelido, estamos indo bem! Bem rápido!
- Ela não “brotou do chão”. Já te contei tudo que aconteceu, exatamente do jeito que aconteceu. Clarisse é como se fosse minha irmã! Ian pode afirmar isso. – ele respondeu rindo. – Você acha que se eu quisesse alguma coisa com ela, marcaria horário com você no mesmo restaurante? Você está ficando paranóica!!!

Ele falou se divertindo mas pareceu assustado quando percebeu minha careta de fúria. Calou-se.

- Paranóica? Eu? Você está todo soltinho, ultimamente, não? Me chamando de paranóica, de conversinhas com uma amiga de infância fantasma, fazendo acordos estúpidos com minha irmã gêmea, aceitando participar de um concurso ridículo de popularidade.
- Ah, então é isso que está te incomodando mais, não é? Quando Isa me avisou que havia nos inscrito, eu achei uma péssima idéia, mas ela disse que tínhamos chances, que não era nada demais e nem precisávamos dançar maxixe... Mas se você realmente não quer participar desse concurso comigo, tudo bem. A formatura é sua, Bel. Sou só seu acompanhante, eu acho...
- Como assim, você “acha”?
- Bom. Você não parece muito satisfeita comigo nesses últimos tempos.
- Você está delirando? – perguntei assustada e ele se levantou, ficando da minha altura e me olhando bem nos olhos.
- Não. Você não pode negar o fato de estar bem diferente comigo desde o dia que disse que te amava e você não conseguiu responder nada.
- Ok, você sim está ficando paranóico. – Desviei meu olhar do dele, constrangida, mas ele segurou meu braço, me impedindo de afastar.
- Se quer terminar comigo, faça isso logo. Não fique inventando crises de ciúmes por amigas de infância e nem ataques de raiva por causa de um concurso que como você mesma definiu, é ridículo.
- Terminar? Quem falou em terminar? – perguntei assustada.
- Se não quer isso, afinal, o que quer com todo esse stress pra cima de mim?

Os olhos azuis dele penetravam os meus de uma maneira fria. Várias imagens passaram na minha memória e senti um amargo no estômago, mas não podia esconder mais.

- Ulisses Bonaccorsso me beijou. Foi durante a viagem de formatura. Ele quem roubou o Grimoire, mas enquanto nos beijávamos, eu descobri, e a Isa impediu que ele alterasse minha memória. Aí ele devolveu o livro depois que fizemos um acordo de que não íamos denunciá-lo, e colocamos fogo.

Bernard parecia não estar prestando atenção no restante da história que eu contava aos atropelos. Andava de um lado para o outro, com raiva.

- Bê... – tentei chamar, mas ele só parou e fez um sinal com a mão pedindo que eu esperasse. Não interrompi mais por vários outros minutos.
- E só agora você me conta?
- Eu não sabia como...
- Passei todas essas semanas falando muito pouco com você. Achando que eu tinha errado em alguma coisa!
- Desculpa.
- Nesse momento não sei se consigo te desculpar. Estou me sentindo um completo estranho na sua vida. Você estava me evitando. Nem nos vimos na Páscoa! Estava até fazendo planos de finalmente te levar pra conhecer minha família, mas você cortou dizendo que tinha de fazer algo urgente na sua casa e nem disse o quê.
- Fomos queimar o Grimoire!
- Eu teria entendido se você tivesse me falado logo! Por que ficou escondendo esse tempo todo?
- Já disse. Não sabia como te contar...
- E eu achando graça de você com ciúmes da Clarisse! – ele falou alto rindo debochado. – Acho melhor conversarmos outra hora.

Olhou decidido pra mim e eu não sabia o que dizer. Quando começou a se afastar, corri atrás.

- Não. Bernard. Vamos conversar tudo agora!
- O que mais quer me contar? – ele parou perguntando baixo e eu segurei sua mão.
- Olha pra mim! Não vou deixar você ir embora sem antes dizer que esse beijo do Ulisses foi a pior coisa que já me aconteceu. Pior até mesmo que descobrir que Isabel era minha irmã. Eu bati nele depois...
- Agora estou me sentindo muito melhor!
- Sem ironias, por favor?! Elas não são do seu feitio e sim do meu.
- Vinganças também são do seu feitio, como deu pra perceber.
- Vinganças?
- Beijou Ulisses na sua viagem de formatura só por que beijei Samantha na minha. Estamos quites.
- Que parte do “foi a pior coisa que me aconteceu” você não entendeu direito?
- Vou repetir uma frase que você mesma me disse quando te contei sobre Samantha: “quando um não quer, dois não beijam”. Nem brigam. Não quero brigar mais com você por hoje, Bel. Vamos conversar outro dia.

Novamente ele recomeçou a andar, e me sentindo muito pior, corri atrás dele e o impedi de continuar. Ele pareceu cansado.

- Não vai embora!
- Me dá um motivo para ficar aqui e continuarmos essa discussão.
- Eu te amo, seu idiota! Não deu pra perceber isso?

A expressão dele mudou da água para vinho. Naquele exato momento eu soube que tinha conseguido desarmá-lo, finalmente. E estranhamente, também estava me sentindo muito mais leve. Ele não conseguiu prender um sorriso. Sorri também.

- Repete isso?
- Não me irrita, Bernard.
- Você ensaiou tudo isso, não foi? Sabia que eu ia esquecer toda essa história de gregos e Grimoire se você finalmente me respondesse.
- Não foi ensaiado. Mas até que veio a calhar...
- Ok, então façamos o seguinte: eu apago toda a história da Samantha, você apaga toda a história do Ulisses, eu te amo, você me ama, não há nada entre nós pro resto de nossas vidas.
- Clarisse. – falei depressa, ele riu.
- Não vamos voltar nesse assunto?! – implorou.
- Ok. Por hoje já foi o suficiente. Já tivemos nossa primeira grande e última D.R..
- Depois eu que estou muito “soltinho” né? – ele perguntou me abraçando. Ri.
- Sobre o concurso... – comecei, ele tapou minha boca.
- Esquece isso. Não participamos e pronto.
- Não. Para falar a verdade... Se não tivermos que dançar maxixe, não me parece tão má idéia assim. Quero dizer, é minha formatura. Eu saio do castelo em um mês. Ninguém vai se lembrar disso ano que vem, certo?
- Eu estou entendendo direito? Nós vamos participar desse concurso?
- Se você ainda aceitar...
- Eu posso fazer um esforço.
- Certo. – ri e ele me puxou para um beijo longo.

No fim do dia, Bernard me acompanhou até o barco de Beauxbatons e estávamos nos despedindo quando um grupo de alunos mais novos passou vestindo camisetas com uma foto nossa. Aquilo foi chocante, até mesmo para Bê. Ficamos observando o grupo entrar no barco, animado, e nos encaramos.

- Éramos nós?
- Sim. E com uma frase do tipo: Eu voto em Bel e Bê para casal “Rei e Rainha”. – Bernard disse, assombrado.
- Eu...mato...a...Isabel.
- Faça isso. Mas eu tenho a impressão de que não foi uma idéia dela. – ele disse rindo assustado e ri também.
- Ian. – falamos juntos e ele concordou.

Em outras circunstâncias, estaria mesmo correndo atrás da Isa com uma varinha, mas estava me sentindo tão feliz como nunca tinha me sentido antes, e não queria que nada mais estragasse meu humor. Nem mesmo as camisetas.

Monday, May 19, 2008

And the graduation's awards goes to...

Pensamentos de Isabel McCallister

- Senhores, silêncio, por favor? – Defossez já pedia descrente, enquanto a algazarra só aumentava. – Senhores um pouco de educação não faz mal a ninguém! – repetiu cansada e com traços de irritação, mas mantendo a voz baixa e o tom fino de sempre.

Olhei ao redor da sala em silêncio. Os alunos que Emily e Françoise tinham escolhido para nossa comissão de formatura conversavam tão empolgados que nem reparavam as incansáveis tentativas da professora de etiqueta de colocar um pouco de ordem na pauta. Não intrometi. Alguns minutos se passaram até Emily finalmente chegar. Ela parou assustada na porta e observou a bagunça que estava acontecendo ali dentro. Puxou a varinha e lançou um feitiço para o teto, que fez uma enorme explosão de barulho. Todos se assustaram e se calaram, olhando para a porta. Ela sorriu.

- Muito boas noites. – disse entrando na sala e se sentando ao lado de Françoise, que a olhava de cima a baixo, reprovadora. – Desculpem o susto, mas não iria gastar minha garganta para avisar a vocês que precisamos de ordem, não é? Se todas as reuniões começarem assim, não vão ter uma festa de formatura nem pra junho nem pra dezembro!

Todos se entreolharam e logo começaram a se sentar, em silêncio. Quando finalmente se acomodaram, Emily ainda sorrindo, abriu um caderno à sua frente.

- Bem melhor assim, não acham? – perguntou simpática, sorrindo e folheando as páginas. Parou em uma. – Então, vamos começar do começo: tema. Um de cada vez, quero que me falem os temas que pensaram para a festa.

Um novo falatório recomeçou, mas Emily logo conseguiu abafar lançando faíscas coloridas no ar. Então, em ordem, os temas foram sendo expostos para todos, e apareceram vários. Festa à fantasia, baile de gala, baile de máscaras, e até monocromática. Nenhuma parecia ter interessado a grande maioria.

- Muito bem, a mais cotada por enquanto é a de máscaras. Alguém pensou em outra coisa? – Emily perguntou fazendo anotações no caderno. Levantei a mão. – McCallister?
- Pensei em um tema que alguns podem até achar clichê, mas não acho que o seja mais que um baile de máscaras... – comecei e todos me olhavam apreensivos. – Anos 60.

Alguns fizeram caretas imediatas, outros, continuaram calados. Poucos se entusiasmaram de fato. Esperei o falatório cessar e continuei.

- Estava mesmo esperando uma reação como essa. Se tiverem um pouco de paciência, posso esquematizar mais ou menos o que pensei. – Eles continuaram calados, me esperando falar. – Ok. Pensei em uma festa típica da década, claro. Os trajes, as músicas, a comida... Andei estudando um pouco sobre o tema, e acho que seria muito divertido!
- Quem gosta de remoer passado é cemitério. Não queremos velharias na nossa formatura! – uma menina da Nox falou com tom arrogante, e dois ou três amigos concordaram com ela. A encarei sarcástica.
- E querem outra festa à fantasia? Já participamos de uma nas Olimpíadas, e agora outra? Quanta originalidade! – comentei. Dora soltou um guincho de início de gargalhada, mas conseguiu sufocá-lo a tempo por uma crise de tosse.
- Isabel tem razão. Eu achei a idéia dos anos 60 maravilhosa! Poderíamos ensaiar coreografias de rock com a turma de dança da escola. Lambretas, globos luminosos, ponche. As meninas com vestidos rodados de bolinhas e os meninos com muito gel no cabelo e jaquetas de couro... – Emily interrompeu o início de discussão e logo estava falando sonhadora. As idéias dela fizeram muitos se animarem.
- Pensei também em convidarmos a “vanguarda” da escola. Pessoas que estudaram em Beauxbatons naqueles anos... Poderíamos homenageá-los. Tudo bem se não quiserem “remoer velharias”, mas imagino que muitos avôs de vocês se sentiriam honrados se fossem convidados para a festa de formatura de seus netos e ainda recebessem homenagens, não é? Seria, no mínimo, muito diferente de tudo o que já aconteceu nesse castelo! Além da nossa formatura, uma reunião dos antigos alunos?
- ÓTIMA IDÉIA, ISABEL! – Françoise quebrou o silêncio com um grito de entusiasmo tão surreal que fez com que todos se exaltassem. – Ótima idéia! Ah, isso seria de fato muito original e... – ela não disse mais nada, mas abriu um largo sorriso. Emily balançou a cabeça afirmativamente.
- Senhoras e senhores, acho que eu e Françoise já chegamos a um consenso sobre o melhor tema, e creio que a maioria de vocês o aprovou não é? – a maioria concordou, ainda rindo um pouco assustados com a inesperada exaltação de Defossez. – Ótimo. Tema definido. Agora temos que começar a conversar sobre datas, decoração, convites...

Sorri satisfeita por minha idéia ter sido escolhida. Iria fazer de tudo para que essa festa fosse inesquecível para todos nós.

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- É isso mesmo que vocês ouviram, formandos! Escolham seus pares para a festa de formatura e se inscrevam para o concurso de afinidade e “rei e rainha do baile” até o final desta semana! Os interessados devem preencher a ficha que está disponível com a professora Emily e depositá-la na urna em frente à rádio. Para participar, é preciso que pelo menos um dos dois seja formando da turma de 1999. A mesa de jurados será composta por alguns professores e alguns convidados para a festa, e o casal vencedor ganhará uma viagem de uma semana para a Itália. Não percam! Vou ficando por aqui. Chegou a hora da “Noite de Terror”, com Violet Jabouille. Boa noite e até amanhã no “Bate-papo com Isabel”.

Tirei o fone e passei-o para Violet, que logo começou a contar sobre a história de três lobisomens caçadores. Já não prestava atenção. Puxei de dentro da mochila uma ficha de inscrição e a preenchi, sorrindo. Terminei e já me preparava para depositá-la na urna quando Anne passou por ali e parou.

- Está se inscrevendo, Isa? Já conversou com o Henrique?
- Não, não vou me inscrever. – Sorri despreocupada. – Faço questão que outro casal ganhe este concurso... – Annia pareceu não entender por uns segundos, mas depois arregalou os olhos, também rindo.
- Você não está inscrevendo a... NÃO!
- SIM! – disse entusiasmada finalmente empurrando a ficha na urna. – Sinto muito, Bella, mas você e Bernard estão precisando de um tempo juntos e sozinhos!

Anne concordou entusiasticamente com a cabeça e saímos dali. Bel nos mataria quando descobrisse, mas era por uma boa causa. E eles tinham tudo para vencer!

Friday, May 09, 2008

Heranças de família, final

Trechos do diário de Phoebe Damulakis:

18 de março de 1823

Estou com umas idéias um pouco ousadas, devo confessar. Há algum tempo ando lendo e estudando os diários e anotações soltas de meus antepassados da família e pensei: “por que não unir todos esses relatos (alguns muito interessantes e até mesmo perigosos) em um único livro?”. É, como um dos Grimoires que os antigos e poderosos magos guardavam com seus feitiços.
Penso que terei muito trabalho até finalizar tudo, então pedi ajuda à Leda. Minha única pessoa de confiança. Enquanto ela não responde, melhor começar a juntar todo o material...


25 de março de 1823

“Querida Phoebe,

Fiquei muito feliz ao receber seu convite, ainda mais se tratando se um projeto tão importante para você e toda a sua família (a qual, tenho bastante estima).
É claro que eu aceito te ajudar no que for preciso para que finalize logo este livro. Já terminei meus trabalhos aqui na Áustria e dentro de três dias, estarei retornando à Grécia. Não comece sem mim!

Ansiosamente,

Leda M. Bonaccorsso”

°°°

Páscoa, 1999 – Mansão dos Damulakis, Grécia.

O Grimoire estava em cima da mesa de centro da sala de visitas. Eu e Anabel paramos de falar e Rebecca olhava o livro, tensa.

- Então Ulisses Bonaccorsso simplesmente devolveu o livro para vocês após ler a carta de Leda?
- É. Ele percebeu finalmente que o livro é mesmo da nossa família, afinal, tem a assinatura de Leda na carta não é? Além do mais, fizemos um trato: não o denunciaríamos pelo roubo se ele nos devolvesse o livro.
- Tivemos muita sorte também. Ele estava só esperando alterar nossas memórias para mandá-lo para a avó dele. – Bel terminou exausta e novamente a sala caiu em silêncio. Vários minutos se passaram.
- Vocês estão certas de que querem fazer isso? – Rebecca perguntou nos encarando longamente. Eu e Bel nos entreolhamos decididas.
- Estamos.
- É o melhor a se fazer. – respondemos depressa e ela balançou os ombros.
- Bom, então não há mais nada a dizer. Desde o dia que vocês nasceram que o livro não é meu mais. É de vocês. Façam dele o que preferirem.

---

- Prontos?
- Prontos.
- ‘Incendio’

Três vozes diferentes gritaram ao mesmo tempo e instantaneamente três feixes de fogo foram disparados em direção ao centro do triângulo que eles formavam. As chamas alcançaram, antes, vários pergaminhos e diários. Depois atingiram a capa negra do Grimoire, que começou a ser consumida pelo fogo. Folha por folha, maldição por maldição se tornaram cinzas. Quando o fogo cessou naturalmente, Isabel e Anabel Damulakis e Ulisses Bonaccorsso sorriam.

- Acabou. – Bel sorriu largo, abaixando finalmente a varinha.
- Acabou... – Ulisses repetiu lentamente.
- O que você vai fazer agora? Sua avó o expulsou de casa, não é?
- Sim. Mas não me importo com isso. Ela acha que os trai, mas quem sabe um dia não volta atrás? Vou terminar meus estudos aqui na Grécia, com meus amigos. E depois, vou fazer o que sempre quis: trabalhar no Gringotes e viajar o mundo. Tenho como sobreviver. Meus pais me deixaram uma boa herança... – ele abriu um sorriso discreto. As irmãs retribuíram. – De qualquer maneira, foi um prazer conhecer vocês! Espero que desculpem tudo o que fiz.
- O que foi mesmo que você fez? – Isa perguntou divertindo-se. Ele riu.
- Minha avó se enganava quando me disse que não teria trabalho com você. E eu fui um tolo de acreditar nela. Mas... águas passadas. E quanto a você, Anabel, se um dia perceber que não gosta mais do seu namorado, me procure. Estarei à disposição. – ele disse galanteador e Bel fechou a cara.
- Já aprendeu a falar meu nome. Ponto positivo. Mas não se preocupe, isso não vai acontecer. Eu amo o Bernard, só preciso falar isso pra ele... – ela disse a última frase mais como um pensamento alto.
- Ele precisa saber a sorte que tem.
- Ele sabe! – Isabel falou sorrindo vitoriosa. - Adeus, Ulisses.
- Adeus.

Com um último aceno e sorriso, ele desapareceu em fumaça. Bel balançou a cabeça e com um aceno, fez as cinzas desaparecerem de uma vez.

O que importa se as mulheres têm sempre que estar certas? Pelo menos em um assunto elas ainda têm muito que aprender com os homens: como ser idiotas...

Voltei para casa para passar o feriado de páscoa com meus pais e meus tios com a única e exclusiva intenção de me divertir. Mas isso foi exatamente o que não aconteceu. Mamãe já estava com uma barriga de 5 meses e os nervos a flor da pele. O bebê, que agora sabíamos ser uma menina, estava começando a chutar e mamãe começava a se sentir desconfortável, reclamando de dor nas costas e que seus pés pareciam inchados. Isso sem falar na mudança de humor. Ela estava mais emotiva do que nunca, variando do feliz ao triste em questão de segundos. Toda vez que ela começava a dar indícios de que ia chorar, tio Scott me olhava e ria, fazendo uma dança idiota que significava: agora é com seu pai, estou livre. Não conseguia evitar a risada, era preciso aproveitar esses poucos momentos engraçados do feriado.

Já estava bem tarde e era meu penúltimo dia em casa. O telefone tocou e atendi depressa. Era Mad. De cara abri um sorriso, mas ele logo se desfez ao lembrar que havíamos brigado da última vez que nos falamos, pouco antes do tio Ben me buscar na escola. Ela queria que eu fosse para sua casa no feriado, pois não nos víamos há mais de dois meses, mas eu não quis. A família dela não fazia a menor questão de ser simpática comigo, com exceção de sua mãe, e sugeri que ela viesse para cá. Mas claro que ela não topou, dizendo que já passou o natal conosco. Depois me acusou de não nos vermos direito por estudar longe demais. E a ligação, que deveria ser para apaziguar as coisas, acabou tomando o mesmo rumo da última conversa. Logo já estávamos discutindo outra vez, algo muito comum nos últimos dias, e me irritei. Ela sempre tinha que estar certa, e não me conformava com isso. Se ela estava sendo irracional, porque eu deveria entender?

- Ok Mad, você está certa outra vez, só pra variar um pouco. Boa noite!

Desliguei o telefone irritado e me joguei no sofá, empurrando as almofadas pro chão. Estava com tanta raiva que não percebi que meu pai estava deitado no outro sofá, enrolado em um lençol.

- Está tudo bem? – fiz que sim com a cabeça e ele se sentou – Era a Madeline?
- Eu não tenho culpa por ela não poder ir todo fim de semana na Califórnia! – respondi indignado com a cara enfiada na almofada do sofá – Não é minha culpa ela estar cheia de trabalhos da faculdade e ter pouco tempo livre!
- Ah, então estavam brigando por causa da distância – falou com uma voz de quem estava se familiarizando com a situação – Entendo...
- Quando eu aceitei ir para a Califórnia, estava fazendo o que achava ser melhor o pra mim – sentei direito e o encarei – No começo foi tudo legal, faltavam poucos meses para ela se formar e estava tão atolada com os N.I.E.M.s que não teríamos tempo para sair mesmo que eu estivesse lá. Mas agora é diferente, ela tem mais tempo livre mesmo com o trabalho e a faculdade, mas não é sempre que consegue uma chave de portal para ir até lá. E eu não posso conseguir uma, ainda sou menor de idade!
- Quando sua mãe e eu ainda namorávamos e eu me formei, também não foi fácil. Mal tinha tempo de respirar com o trabalho e seu avô Henry fazia marcação serrada quando Louise estava em casa. Foi difícil, sentíamos falta um do outro por estarmos acostumados a nos ver todos os dias, mas no fim tudo deu certo.
- Queria ter essa certeza de que vai dar certo – joguei a cabeça para trás cansado, tirando os óculos – Não agüento mais brigar com a Mad. Se ainda estivesse em Beauxbatons seria mais simples, ela poderia ir até lá quando quisesse...
- Manter um relacionamento a distancia não é fácil, filho. Mas se vocês se gostam de verdade, vão dar um jeito...

Dei um meio sorriso para ele ainda de olhos fechados e com a cabeça já a mil, quando ouvimos um barulho na cozinha e viramos assustados. Já passava de meia noite e mamãe estava dormindo, não tinha mais ninguém na casa.

- Quem está ai? – papai perguntou
- Ah, desculpe, não sabia que tinha gente acordada – a voz de Nicholas saiu de dentro da geladeira
- Nicholas? O que faz acordado há essa hora? E por que não está na sua casa? – perguntei surpreso e ele apareceu na sala com um pote de sorvete na mão
- Estou triste, precisava de doce. Papai e tio Scott saíram, vou dormir aqui hoje.
- Está triste por quê?
- Minha melhor amiga não quer mais falar comigo – disse desanimado
- Mas o que aconteceu?
- Eu a chamei de gorda
- E por que você fez isso, Nicholas? – papai se espantou
- Não foi a minha intenção! Eu só disse que... Bem, eu queria que ela... Quer dizer, não era para ofender, eu também sou gordinho! – ele deu um suspiro longo e cansado – Ah, tanto faz, ela entendeu errado de qualquer forma...

Deixei uma risada desanimada escapar e bati no lugar vago do sofá para ele se sentar. Virei para meu pai, que estava jogado no outro sofá com uma cara de culpa.

- Pai... Porque está dormindo no sofá?- Mulheres... Sabe o que eu quero dizer.- É, sei... Mulheres.
- É... Mulheres... – Nicholas completou enfiando uma colher cheia de sorvete na boca

Ficamos os três calados por uns instantes, encarando um ponto fixo na parede, e acho que foi uma das conversas mais profundas que já tive. Papai conjurou duas colheres e ajudamos Nicholas a acabar com o pote de sorvete. Não sei que horas acabamos de comer e nem que horas pegamos no sono, mas ninguém abandonou o sofá da sala.

No dia seguinte meus pais se entenderam e conversavam rindo no quarto; Nicholas estava no playground do prédio brincando outra vez com sua amiga, pelo visto haviam se entendido. E quanto a mim, sabia o que deveria fazer. Quando as aulas recomeçassem em Setembro, voltaria para casa. Quando começasse meu 7º ano, estaria de volta à Beauxbatons. Talvez essa não fosse a solução para os nossos problemas, mas era um começo...

Friday, May 02, 2008

Time to Break the Seal – Parte II - O Selo de Chronos

Tempos Atuais

Lembranças de Seth K. C. Chronos (Junto de lembranças de Alucard W. Chronos)

Acordei no meio da noite. Mais uma vez eu sonhei com o dia do nascimento de meus filhos, o dia em que selamos seus poderes para seu próprio bem. Em meu coração eu sabia que a hora do selo ser rompido estava chegando. Sorri ao pensar em como meus filhos estavam crescidos. Griffon deixara de ser egoísta e egocêntrico, tornando-se maduro e um ponto de apoio para todos ao seu redor. A luz em seu interior crescera rapidamente, fortalecendo-o cada vez mais. Para Seth não havia palavras de como ele estava crescido. Conhecia o verdadeiro significado de amor, de amizade, de felicidade e de sacrifício para um bem maior. Meu filho mais velho era ao mesmo tempo igual a mim,e totalmente diferente, muito mais maduro. E para completar nossa felicidade, minha pequena princesa já parecia possuir um olhar de sabedoria e força, igual a da mãe. Sorri novamente e olhei para o lado da cama.
A razão primordial da minha felicidade e salvação dormia do meu lado, serena como a noite e linda como a lua. Cada dia mais ela se tornava mais bela, cada novo dia dava um novo encanto. A mãe de três crianças maravilhosas e o pilar da minha vida e salvação. Me aproximei dela devagar e com carinho, e a beijei na testa, enquanto a pegava nos braços para um abraço. Ela se remexeu no sono, e pareceu sorrir enquanto dormia. Fiquei ali segundos, talvez dias, semanas, apenas agradecendo a tudo no mundo pela minha felicidade.
Quando senti uma presença estranha.

Algo totalmente diferente da sensação normal da casa. Fiquei alerta imediatamente e devagar depositei Mirian novamente na cama, não querendo acorda-la. Ativei meus instintos e os olhos brilharam em vermelho enquanto vasculhava a área da casa. Com uma mistura de surpresa, raiva e medo notei uma presença maligna no quarto de minha filha. Uma presença que eu conhecia muito bem...Com os olhos injetados de vermelho e com uma fúria assassina sai do quarto sem fazer barulho, desaparecendo no ar...

No Quarto de Ártemis

Ele gastara muita energia para fazer aquilo que tanto desejara e se sentia até mesmo orgulhoso, pois nunca uma pessoa sozinha conseguira invadir a tão protegida sede dos Chronos. Mas o sentimento mais forte era uma alegria como ele há anos não sentia. Seus olhos vermelhos faiscavam de prazer enquanto se aproximavam do berço, a última apunhalada de sua vingança.
Hellion se aproximou de onde a mais nova Chronos, a pequena Ártemis dormia. Ele queria saborear cada momento daquela que seria sua morte mais querida. Mas quando se debruçou sobre o berço para agarrar o pescoço daquele ser desprotegido, saltou para trás com o susto. A criança estava acordada, calada e encarando-o com um olhar tão poderoso quanto o de seus familiares. Ela não sorria, ela apenas o olhava no fundo de seus olhos e ele sentiu uma energia lutando contra a dele, e sentiu como se tivesse suas energias arrancadas. Ele guinchou de raiva e enfiou a mão no berço tentando agarrar o pescoço da criança. Porém mal sua mão tocou a pele da menina, seus dedos foram queimados e seus olhos arderam. Em sua mente ele ouviu uma voz.
- Eu sabia que você tentaria me atacar um dia. Mas você renegou o amor e a inocência há anos e se esqueceu dos poderes de uma criança. Somos protegidos por forças benignas demais para que alguém impuro como você nos ameace. E você não irá me ameaçar, me machucar, me tocar.
A voz era forte, porém ainda infantil. Quando a voz cessou, Hellion sentiu uma dor enorme em sua mente, como se estivessem perfurando-a com agulhas. Ele cambaleou para trás e reuniu forças para uma última tentativa, e com dor conseguiu segurar a criança nos braços encarando com felicidade os olhos da menina. Mas agora sentia ainda mais forte a ardência em seu corpo e uma energia o esmagava. Largou a criança no berço e foi jogado para trás. Não sabia se por causa da criança ou da outra pessoa que estava diante dele.
Alucard estava de pé ao lado do berço da filha com um brilho assassino no olhar e uma fúria que fez Hellion tremer. Porém o vampiro riu alto e os seus olhos brilharam ainda mais. Ele iria matar os dois então.
- Você ousou entrar e tentar matar a minha filha?! Isso foi longe demais Hellion, você não sobreviverá a essa noite!!
Alucard gritou e a casa inteira pareceu reagir ao seu comando. As janelas se fecharam sozinhas e uma energia começou a fluir da própria casa esmagando Hellion. Ele porém deu um salto a frente e golpeou o outro vampiro, empurrando para longe. Ártemis começou a chorar e Hellion correu para o berço, descendo com a mão contra o local onde a menina dormia, suas garras como navalhas e perfurou o colchão. Alucard esperou ouvir o som de carne sendo cortada e se preparou para vingar a filha. Mas nada acontecera e o choro de criança parara. Hellion riu alto achando que havia ganhado. Mas sua felicidade durou pouco, porque na porta, segurando a pequena criança que a abraçava, estava o ser humano que Hellion mais temia. Mirian brilhava em uma luz dourada e seus olhos tinham uma fúria tão grande quanto a do marido, porém mais intenso e sem o instinto assassino, Mesmo assim a simples visão daquele olhar fez Hellion ser jogado para trás e com medo saltar para fora da janela. Alucard olhou para a esposa e suspiro aliviado e correu para abraça-las, depois foi direto para a janela e teria pulado atrás do vampiro se Mirian não o chamasse.
- Lu, espere.
- Irei atrás dele, Mi, já fui bondoso demais com ele. Ele não verá mais uma lua.
- Se acalme meu querido. Ártemis precisa de você, eu preciso de você. Nós duas gastamos muita energia enfrentando esse ser maligno.
- Mas não posso deixá-lo impune depois do que tentou fazer!! Hoje será o fim dele!
- Meu querido, eu também não quero que ele fique impune, e é mais do que hora dele pagar pelos seus crimes. Mas não será pelas suas mãos que ele perecerá. Chegou a hora para que deixemos o passado ser derrotado pelo presente.
- Você acha que chegou a hora...?
- Sim. Vamos romper o selo. Vamos trazer os meninos aqui.
Os dois assentiram e a própria Ártemis parecia de acordo. Os dois pegaram então pingentes de dentro de suas vestes, pingentes que eles carregavam há 17 anos. Eram feitos da mesma pedra que deu origem ao pingente de seus filhos, a marca do selo. Cada um fez um talo em seu dedo e o colocou sobre o pingente, pronunciando palavras a tempos preparadas. Onde quer que estivessem, seus filhos receberiam o chamado e seriam levados para a sua presença.

Beauxbatons

Acordei no meio da noite, mas totalmente desperto e saltei da cama imediatamente e vi que Griffon também já estava de pé. Havíamos acordado ao mesmo tempo, e nos encarávamos sabendo que ambos tiveram o mesmo sonho, não a mesma visão. O mesmo chamado.
- Ele ousou atacar a Ártemis!? – Griffon falou se controlando, mas seus olhos também brilhavam com raiva.
- Ele foi longe demais. Papai devia tê-lo matado antes. Mas ele não passará dessa noite. – Eu respondi, os olhos injetados de vermelho, com ódio.
- Vamos logo então, Seth. Eles estão nos chamando.
- Devemos avisar a escola?
- Talvez sim. Já sei o que vou fazer. – Griffon abanou a varinha para o chão e um grifo azulado, seu patrono, estava diante dele. – Vá até a Diretora e a diga que nossos pais nos convocam urgentemente, qualquer assunto procura-los imediatamente. Vá depois a Miyako e Emily e as avise também. – Quando o grifo piou e desapareceu no ar, Griffon se virou para o irmão pronto para partir e viu que diante do irmão um coelho prateado também se formara.
- Procure a Luna e a avise por favor, tranqüilize-a e diga que assim que der irei vê-la. Avise também ao Ty e ao Biel para que tomem cuidado por via das dúvidas e não se preocupem conosco. Agora vá, rápido por favor. – O coelho abanou as orelhas e desapareceu também.

Os irmãos finalmente se viraram para a janela e saltaram juntos para fora dela, chegando ao chão com leveza. Correram para fora dos terrenos da escola e em um piscar de olhos haviam aparatado.

Sede dos Chronos – Londres.

Aparatamos perto das redondezas da casa e vimos que o clã já estava em movimento. Aurores vasculhavam a área à procura de pistas e outros partiam para avisar ao Ministério das ações que seriam tomadas a partir de então. Eles nos cumprimentaram enquanto passávamos correndo por eles, procurando o lugar onde nossos pais estavam, encontrando-os em um corredor do térreo que sempre achei que fosse inútil, totalmente vazio. Mamãe estava com Ártemis no colo e conversava com papai e Tia Celas, todos sérios mas com um brilho no olhar como o nosso. Eu e Griffon abraçamos todos e cada um abraçou aliviado e agradecido pelo bem da irmã, que voltara a dormir e se aconchegava nos muitos braços que queriam segura-la.
- Recebemos seus chamados, papai e mamãe. – Falei, olhando-os nos olhos.
- Eu sei, meu querido. É chegada a hora, é a geração de vocês que acabará com os males de nossa geração. – mamãe falou nos olhando com orgulhoso e força.
- Vocês foram treinados para protegerem as pessoas, e hoje farão isso novamente. – Tia Celas falou nos dando um sorriso e papai continuou.
- Mas hoje não será como das outras vezes. Vocês já são maduros o suficiente para o que acontecerá hoje. Sinto muito orgulho de vocês meu filhos. – Um brilho de felicidade estava nos olhos de papai e retribuímos o olhar, cada vez mais ansiosos. Tia Celas nos acenou mais uma vez e pegou Ártemis no colo levando-a dali, ficando apenas nós dois, papai e mamãe.
- Há 17 anos vocês nasceram, mas tinham um poder enorme. Pois eram a união de duas famílias antigas e poderosas. Seus poderes poderiam ter matado um ao outro, ou vocês mesmos, pois seus corpos frágeis não estavam preparados para tamanho fluxo de poder. Mas hoje vocês já são poderosos por si só e preparados para sobreviver e usar seus verdadeiros poderes.
- Hoje liberaremos o poder de vocês de verdade. É chegada a hora para que vocês finalmente conheçam o verdadeiro poder de vocês. O que vocês usavam antes era apenas uma fração do poder total. Amor, amizade, felicidade e o bem das pessoas, esses são seus motivos e suas forças.

Dizendo isso papai deu as mãos à mamãe e juntos colocaram a mão na parede diante deles. Seus olhos brilharam em negro e dourado respectivamente, e na parede surgiu um ankh sobreposto a um pentagrama. Para nossa surpresa uma porta começou a se formar surgindo da parede, e depois de alguns segundo elas se abriram lateralmente revelando um amplo quarto iluminado por uma luz que vinha das paredes, do teto e do chão, formando um imenso pentagrama com vários outros símbolos espalhados pelas linhas do pentagrama. No centro do salão haviam quatro símbolos principais: um circulo negro coroado por um sol, outro círculo branco coroado pela lua, além de duas luas crescentes, uma acima e outra abaixo da linha dos círculos. Reconheci o desenho de uma magia de complexidade e poder que eu nunca havia visto. Também sentia uma concentração de poder nos círculos, e o círculo branco parecia me chamar, entrando em ressonância com minha mente e minha alma. Nunca em minha vida me senti tão leve e tão forte. Quando olhei para o lado vi que Griffon sentia a mesma coisa e sua pele começava a brilhar em dourado e com certa surpresa notei que minha pele brilhava em prata. Quando olhamos para nossos pais vimos uma glória antiga neles, como se fossem mais do que nossos pais. Mamãe brilhava em branco e papai em negro. Os dois nos indicaram os círculos e se encaminharam para as luas crescentes.

Quando meu pé tocou a borda do círculo designado a mim, sentia uma onda de poder que eu não via há muito tempo. O círculo praticamente me prendia ao chão, e uma corrente de poder passava por todo meu corpo, mas eu sabia que era apenas o início. Mamãe sacou uma adaga prateada da cintura e fez um corte na mão, deixando seu sangue pingar na lua crescente. Papai cortou a mão com suas unhas e deixou seu sangue pingar também. No mesmo momento em que a primeira gota tocou o chão, toda a sala brilhou mais intensamente. Uma onda de energia se espalhava ao nosso redor e depois parecia retornar lentamente até nós. Então ouvimos nossos pais falando, mas como se fossem uma só voz:
- Suas armas, seus verdadeiros poderes, suas almas de batalha, jazem nesse chão, adormecidas aguardando o tempo certo. É chegada a hora de vocês. Isis ressuscite a carne, Gaia forje as armas, Deusa abençoe-as. Anúbis traga de volta as armas caídas, Hades guie-as através das trevas, Seth empreste-os o seu poder. Thór que seu martelo as torne resistentes, Odin que seus corvos as encham de sabedoria, Zeus com seus raios aumente a força do ódio dessas armas. Chronos rompa as barreiras do tempo, devolvendo os poderes antes selados. Que o Selo de Chronos seja rompido.

I just know there’s no escape now
once it sets its eyes on you.
But I won’t run, have to stare it in the eye.

Stand my ground, I won’t give in.
No more denying, I’ve got to face it.
Won’t close my eyes and hide the truth inside.
If I don’t make it,
someone else will stand my ground.

Prenda um dragão. Mantenha-o preso em uma jaula pequena, porém alimentando-o bem e dando-lhe motivos para crescer. O dia que a jaula se romper, o dragão terá um poder superior a tudo que você possa agüentar. Tudo que você possa simplesmente imaginar. Foi isso que aconteceu conosco.
Ao som da frase “Que o Selo de Chronos seja rompido”, uma onda de energia que eu nunca imaginei agüentar passou pelo meu corpo. Senti como se meu corpo estivesse sendo queimado de dentro para fora, mas não havia dor. A magia fluía por cada veia de meu corpo, e eu sentia todo o poder da sala convergindo para dois pontos. Eu e Griffon. O poder selado ao ser libertado explodiu, invadindo nossos corpos, nos dando uma energia que eu nunca havia visto. Fiquei tonto, mas não movia um músculo, ligado ao fluxo de energia que convergia para mim. Então tudo ficou negro.
Diante de mim surgiu uma foice negra. Seu cabo e sua lâmina eram negros, porém era trabalhada em prata e branco. Senti como se o último pedaço de minha alma estivesse ligada aquela arma diante de mim. Uma voz me chamava...Uma voz que eu conhecia desde o meu primeiro dia de vida. Estiquei o braço e toquei o cabo da foice, meus dedos se fechando perfeitamente no entalhe prateado...Senti-me completo finalmente, minha alma entrando em ressonância com a alma da foice, crescendo e crescendo cada vez mais. Então notei que ao mesmo tempo que enxergava com meus olhos, também enxergava pelos olhos de Griffon, como se fossemos um. Diante dele estava uma lança longa e dourada, cuja lâmina era branca, assim como os entalhes ao redor do cabo.
Abrimos nossos olhos na sala do selo novamente. Mamãe e papai estavam de pé diante de nós, que havíamos caídos ajoelhados, mas não precisaram nos dar apoio, pois nos levantamos facilmente. Foi uma sensação estranha, mas maravilhosa. Nunca me senti tão completo, tão leve e tão bem. Meus poderes haviam realmente crescido, em um nível maior do que eu poderia imaginar. Meus instintos vampiricos foram aumentados pela força que antes dormia em mim. O mundo parecia novo, novas cores estavam diante de meus olhos, eu via coisas que antes não via. Sentia coisas que não sentia. A simples ação de respirar era uma nova experiência e eu podia sentir cada pedaço de ar entrando em meu peito e se espalhando pelo meu corpo. Ouvia os menores ruídos do lado de fora da casa e podia ouvir o próprio fluxo de magia que havia em cada pessoa.
- Agora vocês estão prontos. Vão. Usem as armas que antes estavam adormecidas, Kamui e Fuuma. – Nossos pais falaram juntos e eu e meu irmão concordamos juntos.

Sem que sequer nós mesmo notássemos, estávamos do lado de fora da sede, indo mais rápido que qualquer velocidade que antes havíamos alcançado. Mas o mundo se unia a nossas energias, sentíamos e entendíamos cada polegada do mundo ao nosso redor. Nossos corpos brilhavam e quem visse nós dois correndo, poderia jurar que vira um feixe de luz passando diante de seus olhos. A um chamado nosso, as sombras e as luzes da cidade se uniram a nós, tomando formas que nós desejássemos. E nós estávamos indo a caçada.

N.A.: Stand my Ground, Within Temptation.

N.A.: A Foice representa tanto a imagem de ceifador como a arma que segundo a mitologia, Chronos utilizava. A Lança representa uma das mais poderosas armas existentes e mais versátil também (a meu ver pelo menos). Não coloquei aqui, mas gostaria que ela representasse a própria Lognus (ou Longnus).