Tuesday, November 13, 2007

O atleta mais completo

Por Gabriel Storm Lupin, direto de Hogwarts

Domingo, 11 de Novembro de 1998

O Expesso de Hogwarts foi perdendo velocidade na medida que se aproximava da estação de Hogsmeade e abri a janela da cabine. Dava para ver o vilarejo que não visitava desde os 12 anos e quando o trem parou, pude ver o castelo. Embora gostasse mais de Beauxbatons, sentia saudades de Hogwarts. Estava louco para pisar outra vez no Três Vassouras, na Dedosdemel e na Zonkos, e mostrá-las aos meus amigos. Stuart estava parado ao meu lado na janela e parecia compartilhar esses pensamentos. Quando os alunos começaram a desembarcar empolgados, pegamos nossas bagagens e acompanhamos o fluxo. Ia começar a última semana de competições.

ººº

Segunda-feira, 12 de Novembro de 1998

- Está com todo o equipamento? Onde está o capacete? – falei olhando para Chris – Chris, está me ouvindo?
- Foi aqui, não foi? – ele falou com o olhar vago e a voz baixa, e entendi o que quis dizer
- Sim, foi. – meu estômago revirou lembrando do relato da minha mãe sobre a batalha que aconteceu aqui, da qual tia Megan acabou não sobrevivendo – O castelo ainda conserva as marcas

E conservava mesmo. Algumas paredes ainda tinham buracos e nem todos os quadros dos corredores estavam lá. Uma das estufas da professora Sprout não existia mais e até a cabana do Hagrid ainda precisava de reforma. Era bom retornar, mas ruim ao mesmo tempo. Era impossível estar aqui sem pensar em tudo que aconteceu.

- Espero que não estejam remoendo lembranças ruins – ouvi uma voz conhecido e viramos ao mesmo tempo para trás, sorrido. Era o tio Scott – Viemos nos divertir, não ficar tristes
- Tio Scott! – corremos até ele e o abraçamos – Pensávamos que não viria mais!
- Não ia perder as últimas provas de vocês – disse sorrindo e olhando ao redor de onde estávamos - Já está na hora de seguirmos em frente, e voltar aqui foi a melhor coisa que decidi fazer. Encarar para superar, certo?
- Isso mesmo. – Chris falou deixando um último suspiro escapar – Cadê meu capacete? A prova já vai começar
- Está aqui – Chloe veio correndo pelo gramado e entregou a ele, dando um beijo na sua bochecha – Boa sorte, Chris.

Tio Scott abraçou Chloe e Chris ajeitou o capacete na cabeça, montando no cavalo. A primeira etapa da maratona de provas do Pentatlo ia começar, e meu primo estava decidido a vencê-lo.

ººº

Terça-Feira, 13 de Novembro de 1998

Hoje foi o dia da 2ª etapa do Pentatlo, com as provas de Esgrima e Natação. Chris havia feito a melhor pontuação no Hipismo ontem, passando por todos os obstáculos sem deixar o cavalo recuar e derrubar nenhuma barra. Para não assustar os cavalos não era permitido gritar ou fazer qualquer tipo de barulho, e foi engraçado ver meus tios mordendo a mão para evitar soltar um berro, ou fazendo mímicas como se estivessem empurrando Chris com as mãos.

Na Esgrima ele perdeu para o atleta da Romênia, mas venceu o Suiço e conseguiu manter a 1ª colocação. Mas na Natação ele perdeu a posição para o nadador da Austrália, que parecia um torpedo na água. Era impossível alcançá-lo e Chris terminou a prova em 3º lugar. Nessa era permitido gritar a vontade, e tio Ben e tio Kegan levaram bóias para a arquibancada, e brincavam com elas na cintura enquanto gritavam feito dois malucos. Com certeza Chris pode ouvir a bagunça mesmo com a cabeça dentro do lago. Nossa torcida estava ficando conhecida como a mais animada. Pagar mico era o nosso forte...

ººº

Quarta-feira, 14 de Novembro de 1998

Hoje era o dia decisivo, as duas últimas provas que iam definir quem era o atleta mais completo da competição. Chris estava particularmente nervoso. A 3ª colocação o preocupava, teria que fazer a melhor pontuação no Tiro Esportivo e a melhor marca na corrida se quisesse vencer.

- Como está se sentindo? – perguntei tão ansioso quanto ele
- Nervoso – ele se sacudia no gramado e não parava de conferir a pistola – Minha pontaria não é muito boa
- Você chegou até aqui, então é bom. Relaxa, vai se sair bem. Vou para a arquibancada, boa sorte.

Chris balançou a cabeça tentando sorrir e sai da área demarcada para os competidores. Eles teriam que disparar 20 tiros e no fim o somátorio deles definiria a posição de largada da corrida 3000 metros cross-country. O vencedor dela seria o vencedor do Pentatlo, independente das demais pontuações. Então tudo dependia de como Chris se sairia no Tiro, para largar em uma boa posição na corrida.

Shannon hoje acompanharia as provas no meio da nossa família e já estava conversando com tio Scott quando me sentei ao seu lado. Ela parecia nervosa também, como se quisesse falar alguma coisa, e assim que sentei ela me encarou séria e começou a falar mantendo o tom de voz baixo.

- Descobri uma coisa ruim – falou aflita – Quer dizer, não sei se é ruim, mas não é certo
- Do que está falando? – perguntei confuso – Que coisa ruim? Quem fez?
- Não, esqueca o ruim, mas é errado. É o Micah – ela tapou o rosto com as mãos nervosa e voltou a me encarar – Acho que sei porque ele pediu transferência, e justo para Durmstrang
- Se não tem certeza de nada, não me conte! – falei depressa – Já chega de boataria, não é?
- Não vou falar sem antes conversar com ele, mas tenho certeza que estou com a razão! Ele quer magoar uma única pessoa, mas vai terminar magoando a si mesmo!
- Conversa com ele então, tente fazê-lo desistir do que quer que seja. Vocês são como irmãos, tenho certeza que ele vai ouví-la e pensar
- Espero que me escute mesmo – ela sentou reta e respirou fundo – Tem uma garota acenando pra você, Gabriel. Acho que é a sua namorada – falou rindo
- É ela sim, está como voluntária no Pentatlo hoje – acenei de volta sorrindo – E você? Já deu tchau pro seu namorado? - Provoquei
- Pare com isso, já disse que não somos namorados! Chris e eu estamos só nos conhecendo, e em todo caso, dentro de quatro dias vamos cada um para um lado.
- Quem é namorada do meu afilhado aí? – tio Ben ouviu a conversa e deslizou no banco, estendendo a mão para Shannon. Ela atingiu todas as cores do arco-íris – Prazer, Ben, padrinho do rapaz
- Shannon Austen, e eu não sou namorada dele – falou sem graça me beliscando
- Ah, eu conheco essa frase! – tio Scott falou rindo atrás de mim – Não era a que Karen repetia insistentemente quando Kegan conseguiu levá-la para jantar?
- Olha só quem voltou a ser um comediante! – tia Karen falou ranzinza quando todo mundo riu
- Não fique irritada, meu amor – tio Kegan abraçou ela rindo – Mas seu irmão tem razão. Aliás, se bem me recordo, foi aqui que você estava dando aquela aula sobre duelos medievais quando a vi pela primeira vez. Foi instantâneo!
- Eu me lembro dessa aula, você apareceu querendo se amostrar pra Karen e desafiou Scott no duelo – tio Ben falava saudoso – E perdeu!
- Bem lembrado, Ben – tio Scott virou para tio Kegan sorridente – Ele perdeu! Pra um garoto de 16 anos! Até hoje tenho a curiosidade, como é o gosto do feno, Kegan?
- Silêncio crianças, vai começar a prova – tio Wayne falou sacudindo os braços e ficamos quietos – VAI CHRISTOPHER! ACABA COM ELES! – berrou empolgado sem conseguir se conter e começamos a rir quando o juiz pediu silêncio.

A empolgação do tio Wayne acabou relaxando Chris, pois ele riu acenando para onde estávamos e quando tomou a posição para começar os disparos, estava totalmente concentrado. Dos seus 20 tiros, apenas 5 ficaram mais afastados do alvo central. Mas o atirador da Hungria teve uma pontuação perfeita e terminou em primeiro lugar. Com 50 pontos de diferença para o Húngaro, Chris largaria na corrida em 2º lugar, saindo 12 segundos depois dele. Ele tinha chances de vencer, e sabia disso, pois quando anunciaram a ordem de largada comemorou como se fosse o 1º lugar.

A corrida de 3000 metros cross-country seria por boa parte dos terrenos de Hogwarts. Muitos voluntários foram escalados para ela, pois a cada 15 metros era preciso ter um observando. Meus tios estavam tão empolgados com as boas chances de Chris vencer que decidiram acompanhar a prova de vários pontos. Então quando Chris largou 12 segundos depois do Húngaro, corremos junto. Cortando caminho pelo lado de fora da marcação da pista, estavamos sempre alguns passos à frente dele. Para completar os 1000 pontos máximos o perurso deveria ser feito em 10 minutos e nossos gritos e incentivos davam mais gás a Chris. Ele corria sem afobação, guardando energia para o final, quando precisaria ultrapassar o 1º colocado.

E foi isso que ele fez. Nos 500 metros finais, o alteta da Hungria começava a demostrar cansaso e Chris, ainda com energia para mais 1000 metros, deixou o Húngaro para trás e ele assumiu a liderança da prova. Meus tios pulavam desesperados enquanto acompanhávamos ele, o mantendo informado da distância dos outros atletas. Chris nem olhava para trás, mantinha o olhar fixo do que estava logo à sua frente: a linha de chegada. O Húngaro nem tinha mais chance. Chris conseguiu cruzar a faixa amarela com 15 segundos de diferença para ele e se atirou no gramado quando viu que havia vencido a prova. Corremos até ele comemorando e tio Ben e tio Scott o ergueram nos ombros. Fazia muito tempo que não via todos eles tão felizes assim. Era muito bom voltar ao que era antes.

Monday, November 12, 2007

Bad Day

- VOCÊ FICOU COMPLETAMENTE MALUCA, ISABEL MCCALLISTER?! – Brenda berrava enquanto tinha o dedo apontado diretamente para meu peito e avançava ameaçadoramente. – VOCÊ COMEU BOSTA DE DRAGÃO? ERA A NOSSA MELHOR ENTREVISTA E VOCÊ FAZ ISSO? PARABÉNS! VOCÊ ACABA DE FERRAR COM O MEU FUTURO DE JORNALISTA.

Ela se deixou desabar em uma canoa, mas tremia violentamente. Bel estava sentada do outro lado, em silêncio, e me lançava um olhar de censura periodicamente. E Anne parecia em dúvida se ajudava Brenda a se acalmar, ou não. Estávamos as quatro, na beira do lago de Beauxbatons. Era para ter sido mais um dos treinos de canoagem, agora que só faltavam alguns dias para a final em Hogwarts, mas desde o dia que eu tinha ‘disseminado’ histórias sobre Ben O’Shea na rádio, algumas pessoas (e posso incluir Anne, Bel e Brenda) simplesmente achavam que eu tinha batido a cabeça em algum lugar e estava ficando louca.

Para ser sincera comigo mesma, melhor teria sido se só elas tivessem achado isso. A verdade é que todos me olhavam de maneira estranha agora. As fãs mais antigas me lançavam insultos por ter espalhado calúnias sobre o ídolo. As fãs um pouco mais relapsas, não gostaram nem um pouco do que escutaram. Meus amigos estavam contra mim e na maior parte do dia eu tinha que correr de algumas pessoas que estavam à caça de minha cabeça. Entre elas: Miyako, Ty e Gabriel, que gritavam a plenos pulmões que o próprio Ben jogara a culpa em cima deles sobre o ocorrido, já que foi por intervenção deles que a entrevista aconteceu. Alex McGregor que estava esperando um momento oportuno para me fazer de picadinhos, as amigas de Alex que também me encaravam ameaçadoramente, e o próprio Ben que dera uma coletiva um dia depois, para jornalistas que ele julgou serem CREDENCIADOS, desmentindo todas as fofocas e dizendo que eu precisava de um pouco de atenção.

Eu estava me sentindo péssima. Me deixei levar pela empolgação das minhas alucinações e paranóias e acabei criando histórias. E o pior, havia julgado a fidelidade da mãe do Ty. Eu sabia que havia sido horrível o que eu fizera, e sabia muito bem o que tinha de fazer para consertar isso. Embora eu admitisse que seria difícil, eu faria. Só precisava de um pouco mais de tempo, para colocar as coisas em ordem...

‘Olha, Brenda, me desculpa. Eu sei que eu errei. Eu vou consertar está bem? Te garanto que você não vai ter nenhum prejuízo nessa história toda...’ me aproximei lentamente dela e sentei ao seu lado. Ela me olhou furiosa.

‘E como você pretende consertar isso? Posso saber? As pessoas também estão me olhando feio ok? Elas sabem que eu estive naquela entrevista, e provavelmente estão certas de que eu sou cúmplice de todas as suas viagens.’

‘Pois então, eu vou dizer para quem quiser escutar que você também não sabia de nada!’ Respondi em desespero. ‘As pessoas vão ter de acreditar em mim.’

‘Depois de você ter falado tudo aquilo? Você ainda quer credibilidade? Francamente.’ Ela se levantou e me olhou irônica. ‘O melhor que você tem a fazer é ficar de boca calada até o final dessas Olimpíadas e arcar com as conseqüências do que você fez. Não precisa se preocupar com a minha integridade... E Bel, me desculpa, mas não vai dar para treinar mais. Vou conseguir uma substituta na equipe para vocês, sem que vocês saiam prejudicadas ok?’

Bel sacudiu os ombros. Parecia já estar esperando que uma de nós abandonasse o barco. Senti meu estômago dar uma volta completa.

‘Não. Se alguém vai sair dessa equipe, esse alguém sou eu. Estou fora.’ Levantei encarando as três. Nenhuma fez qualquer objeção.

Sentindo uma lágrima morna cair no meu rosto, sai para o outro lado. Se eu tivesse se quer imaginado que perderia a confiança dos meus poucos amigos... Se eu soubesse que em pouco menos de dois dias depois do que me pareceu ser uma notícia interessantíssima, eu ficaria completamente só, e se meu arrependimento me matasse...

Dora estava andando de mãos dadas com Sávio. Exibia no peito sua conquista na montaria individual: uma grande medalha de ouro. E parecia muito feliz e satisfeita. Caminhei em linha reta na direção dela.

‘Dora, posso falar um minuto com você?’ Ela me olhou assustada. Provavelmente percebeu que eu estivera chorando há pouco menos de um minuto.

Sávio a olhou significativamente e saiu. Ela se aproximou, parecendo preocupada.

‘O que aconteceu, Isa?’

‘Será que você pode me substituir no time de canoagem com a Bel, Anne e Brenda? Eu não posso mais ficar na mesma equipe com elas... ’

‘O que? Por que não?’

‘Por que eu cometi um erro. Brenda não confia mais em mim. Anne prefere não tomar partido, mas é óbvio que ela acha que eu estou errada. E a Bel, bom... Não mudou muita coisa, não é mesmo?’ Recomecei a chorar.

‘Por causa do que você disse sobre o Ben?’ Ela perguntou vacilante.

‘É... Você pode? Por favor? É importante para elas ganharem essa medalha. Eu nunca me perdoaria.’

‘Exatamente por isso que não posso aceitar, Isa. Eu não sei nem como se parece um remo! Seria um atraso para elas...’ ela respondeu triste. ‘Não se preocupe, vai tudo ficar bem. Logo elas percebem que você está arrependida e...’

‘NÃO! Não há tempo! Por favor? Eu também não sabia, mas a Bel me ensinou e estávamos fazendo ótimos tempos! Tenho certeza que é só uma questão de se acostumar e você logo estará encaixada. Elas estão agora mesmo na beira do lago. Vá até lá e diga que vá me substituir.’

De duas uma: ou Dora realmente sentiu pena de me ver em estado de tamanho desespero, ou achou que estivesse me devendo algum tipo de favor. O fato é que ela, mesmo parecendo hesitante, aceitou. Deu um tapinha de consolo em meu ombro e saiu em direção ao lago. Quanto a mim, tinha me decidido: iria naquele mesmo momento reparar tudo o que tinha feito!

Caminhei em direção ao castelo um pouco mais depressa do que o natural. Só queria chegar à rádio, dizer que era tudo uma mentira, que eu era um monstro, que Alexandra e Ben me perdoassem, que meus amigos me entendessem e...

‘Onde você pensa que vai, mocinha?’ Um par de mãos me agarrou com força pelos braços e me empurrou para uma sala de aula deserta. Não fossem duas pessoas: Alexandra McGregor e Benjamin O’Shea. Em outras circunstâncias, eu provavelmente acharia que a sorte estava me sorrindo. Mas nem a sorte, muito menos o casal estava sorrindo ali. Os dois me encaravam furiosos e de braços cruzados.

‘Olhem, me desculpem. Foi horrível o que eu fiz, horrível! Eu não sei como... Aliás, sei. É que eu via vocês dois tão juntos, e mais a história do filho, e vocês falando que namoravam e... Sei lá, eu me confundi, acreditei na minha alucinação. Mas não se preocupem, eu estava indo agora mesmo até a rádio desfazer todo esse mal entendido!’ Disse tudo aos atropelos e com urgência. Os dois se entreolharam.

‘Está indo lá envenenar mais? Dizer que Alex está grávida de gêmeos?’ Ben perguntou com azedume. Alex riu sarcástica.

‘Ou dizer que terminamos nosso caso por que agora ele caiu na boca do povo.’

Os dois riram, mas não de alegria. Riam zombando da minha cara. E no fundo, eu sabia que merecia aquilo, e já até esperava... Me sentei em uma cadeira e recomecei a chorar.

‘Não, eu juro, não é nada disso. Eu vou contar toda a verdade. Eu vou pedir desculpas. Eu só quero ter amigos que confiam em mim de novo. Prometo. Não vou dizer mais nada.’

Escondi o rosto entre as mãos. A sala ficou em completo silêncio. Passados dois ou três minutos, dois pares de pernas se agacharam na minha frente. Levantei a cabeça. Ben ainda me encarava desconfiado, mas Alex já parecia um pouco mais calma.

‘Olha, Isabel, vou ser sincera com você. Senti uma vontade louca de surrar cada pedacinho do seu corpo quando você disse aquelas coisas. Se eu fosse sua mãe, você estaria encrencada. Mas eu acho que você está sendo sincera quando se diz arrependida, e todos nós erramos um dia. Por mim tudo bem, se te dermos mais uma chance... ’ Ela disse séria e olhou para Ben. Ele sacudiu os ombros.

‘Para ser sincero, eu me preocupei muito mais com a Alex do que comigo mesmo. Ser famoso implica em ter fofocas e mentiras sobre você diariamente. E além do mais, minha carreira já chegou ao fim. Não me abalou em nada. Só não admito que coloquem meus AMIGOS no meio disso tudo. Alex e eu NUNCA tivemos um caso, nem de um dia e muito menos de anos. Nunca tivemos um filho. E ela nunca traiu o marido dela. Entendeu?’

Concordei com a cabeça. Mais lágrimas saíram descompassadas dos meus olhos.

‘Até por que, você acha mesmo que se eu namorasse esse gato, ou tivesse tido um filho com ele, eu me esconderia? É claro que não.’ Ela riu com bondade e Ben também. Acabei rindo. ‘Agora, por que você não para de chorar, vai lavar o rosto e terminar o que ia fazer?’

Ainda tremendo, limpei de qualquer maneira o rosto e lancei um último olhar de desculpas aos dois. Cheguei à rádio dois minutos depois e fechei a porta. Arrumei o microfone e entrei no ar.

‘Há dois dias atrás, depois de colocar ao ar a entrevista com Ben O’Shea, eu cometi um terrível erro. E que me causou arrependimentos. Quando disse que ele tinha um caso com Alexandra McGregor, e tinham tido um filho, eu não só inventei uma mentira. Eu julguei pessoas que nem conhecia. Julguei a fidelidade de casamentos, a lealdade em amizades... Coisas essenciais. Me deixei levar por visões borradas e distantes de cenas, e disse tudo aquilo sem nenhum fundamento. Mas vim aqui hoje, ao menos tentar consertar para algumas pessoas, esse grande equívoco. Ben O’Shea e Alex McGregor são só bons amigos. Nunca tiveram casos, filhos ou o que quer que seja além de um grande carinho, um pelo outro. Fui eu, ISABEL MCCALLISTER, quem inventou tudo isso. E SOMENTE eu. E por causa desse terrível erro, eu paguei caro. Meus amigos não confiam mais em mim, não tenho mais nenhum tipo de credibilidade e estou vivendo um inferno. Não quero me fazer de vítima. A culpa é só minha. Só queria pedir desculpas por tudo e dizer que estou muito arrependida.’

Desliguei a rádio. Não conseguiria dizer mais nada. Nem chorei também. Um minuto de silêncio então alguém bateu na porta... Eu esperava algum tipo de manifestação agressiva, dizendo que eu era sim uma idiota fofoqueira necessitada de atenção. Enganei. Quando abri a porta, estava a única pessoa que eu não esperava encontrar ali, e justamente a que eu mais estava precisando: Brendan. Ele me encarou sério por uns segundos e então abriu os braços. Sem pensar duas vezes, me larguei no peito dele e ele me abraçou forte esperando que eu chorasse.

‘Está tudo bem. Você fez o que era certo’ ele dizia enquanto passava a mão pelo meu cabelo.

‘Eu sei... ’ me livrei do abraço dele e o encarei. ‘Então você não está com raiva de mim?’

‘Pensei que você soubesse que eu sou apaixonado por você, Isabel. ’

‘Mas você me pediu um tempo!’

‘Bom, eu estou aqui, não estou? Mas posso ir embora se você quiser um tempo desse seu amigo idiota. ’ Ri.

‘Nunca. Eu estava com tantas saudades de você, Bren. ’ Disse sincera e o abracei novamente. Ele riu.

‘Eu também, Izzie. ’ E dizendo isso, apertou minha cintura me fazendo cócegas. Estava rindo e tentando me livrar das mãos dele quando Brenda, Anne, Bel, e Dora (ensopada da cabeça aos pés) entraram na sala.

‘Sabe, eu disse que isso não ia funcionar, Isa. ’ Dora disse olhando para baixo. Suas roupas pingavam. ‘Fui treinar e ao invés de remar, cai no lago. ’

‘Você é uma idiota, Isabel’ Brenda disse. Mas não estava séria. Sorria. ‘Mas é a idiota mais engraçada que eu conheço. ’

‘E a mais corajosa’ Anne completou também rindo.

‘Acabou a moleza, Isabel. Já para o lago. Temos uma medalha para conquistar e não temos tempo para treinos de substitutas. ’ Bel completou, com sua típica voz de general, mas com um brilho no olhar diferente. Quase amistoso.

Ver meus amigos ali me fez sentir como se tivesse tirado dos meus ombros um peso imenso. Brendan riu e disse que assistiria nosso treino. E eu prometi a mim mesma: depois desse dia, eu me preocuparia somente com a minha vida, que já era atordoada demais.

You had a bad day
The camera don’t lie
You’re coming back down and you really don’t mind
You had a bad day
You had a bad day

Well you need a blue sky holiday
The point is they laugh at what you say
And I don’t need no carryin’ on

N.A.: Daniel Powter – Bad Day

Plantão de Notícias parte 2

Por Jaeda Smith, direto de Beauxbatons, Paris

Bienvenue, queridos leitores do Rangers, a cada dia me sinto mais feliz por haver decidido me inscrever para as Olimpíadas. O propósito dos organizadores dos jogos de promover maior integração entre as escolas e bruxos de diferentes países, está sendo um sucesso. Não é difícil numa competição você ver os adversários se apoiarem após o termino das partidas, ou mesmo uma escola inteira apoiar outra, por causa dos novos laços de amizade. Beauxbatons como não poderia deixar de ser, é uma escola maravilhosa, não só por sua estrutura física, quanto por seus alunos, estão se superando no quesito boas vindas. Sempre estão animados e mesmo ex-alunos que fazem parte do corpo de voluntários, defendem as cores da escola com garra e muita animação. Para se chegar aqui, os alunos usam um bateux (barco) muito charmoso, e ao desembarcar você vê um castelo de grandes dimensões, muito iluminado, com cores suaves, e um cheiro muito convidativo, tendo de fundo um céu de uma cor azul impressionante. Nesta segunda semana, Beauxbatons continua na frente no quadro de medalhas, seguida de perto por Durmstrang, e mesmo sendo uma competição, não é raro vermos atletas de países diferentes serem convidados a defender as cores de outras escolas, devido a alguma baixa, e isto demonstra que mais importante que ganhar uma medalha, é o espírito de colaboração entre os atletas. Muitos não conseguem se comunicar devido os idiomas diferentes, mas quem se importa? Aqui a principal linguagem é: mímica e bom humor, e tem dado muito certo. Abaixo o quadro de medalhas desta semana.

- Renomaru Kollontai (Durmstrang) ganha Ouro na Natação e Griffon Chronos (Beauxbatons) fica com a Prata e Declan Caprese (Itália) com o Bronze.
- Gabriel Lupin (EUA) ganha de Micah Wade (Durmstrang) na final da Esgrima, com Sabre.O bronze foi para Manoel Cortez (Portugal)
- Shannon Austen (EUA) ganha ouro em tiro esportivo (pistola), Isabell McCallister (Beauxbatons) leva a prata, Shanti Suresh (Índia) o bronze.
- Isabel McCallister (Beauxbatons) ganha em Arquearia (Arco Recurvo). Evangeline Parvanov (Durmstrang) fica com a Prata. Letícia Ruiz (Espanha) o bronze.
- Dario Stanislav (Espanha) ganha Ouro na Esgrima (Espada). Tyrone McGregor (Durmstrang) fica com a Prata e Juan Pablo Villa Real (México) ficou com o bronze.
- Bram Capter (Durmstrang) ganha Ouro no tiro esportivo (Alvo móvel).A prata foi para David Mackenzie (EUA) e o bronze foi para Aidam McDonald (Escócia).
- Joshua Pace (EUA) ganha Ouro no Tiro esportivo (Pistola). Christopher O'Shea (Durmstrang) fica com a Prata e Dario Stanislav (Beauxbatons) com o Bronze.
- Julianne Sheridan (EUA) ganha Ouro no tiro esportivo (Tiro ao prato).Bárbara Heche (Alemanha) ficou com a prata e Valentine Lindtz (Suécia) o bronze.
- Nina Olenova (Durmstang) derrota Hermione Granger (Hogwarts) no Xadrez de bruxo e fica com o Ouro. Moira O’Bannion (Irlanda) ficou com o bronze.
- Tyrone McGregor (Durmstrang) ganha Ouro no Decatlo. John McKellen (Irlanda) fica com a Prata. Dionisius Stravos (Grécia) fica com o bronze.
- Mary McKellen (Irlanda) ganha Ouro no tênis. Marta Toledo (Espanha) fica com a Prata. Anastácia Ivanovitch (Durmstrang) fica com o bronze.
- Evangeline Parvanov e Nina Olenova (Durmstrang) ganham Ouro no Tênis. Sophia Caprese e Chloe O’Shea (Itália/Escócia) ficam com a Prata. O bronze foi para Ulli e Dory Svenson (Suécia)
- Chris Parker (Durmstrang) ganha Ouro na Esgrima (Florete). Michael Parker (Durmstrang) fica com a Prata. O bronze foi para Kolya Gorbatchev (Rússia).
E na última semana, será a terceira e última etapa: Hogwarts, e peço que todos torçam por mim, na Ginástica Rítmica Desportiva, as atletas são de alto nível, e vou dar o meu melhor.
Au revoir mon ami
Jaeda Smith

Querida Rory,
Esta semana aqui foi uma loucura. Não só pelas competições, mas por causa dos rumores sobre Ben O’Shea e Alex McGregor terem um filho. Agora entendo a sua resistência em publicar as noticias e dou graças a Deus por isso, pois mesmo com a certeza demonstrada por Isa McCallister, ao me dar as declarações sobre Ben,talvez ela não tenha checado as informações direito, e isso possa trazer-lhe problemas, pois os envolvidos estão muito irritados e não sei como isso vai terminar. Fiquei curiosa em saber de onde você conhecia os McGregor, mas lembrei que você estudou em Beauxbatons e o Ty é do tipo que faz amizade fácil. Esqueci de contar: na festa de Halloween em Durmstrang, teve briga no final, e nunca vi tantos garotos se socarem com gosto. Você deve estar se perguntando: ‘mas e os tais laços de amizade?’. Ah, querida eles estavam presentes, pois quem começou a briga foi Micah e Joshua, (já falei sobre eles), eles têm uma richa antiga que começou quando estudaram juntos na Califórnia. Só sei que na hora de medir forças, os amigos de Josh, levaram a pior dos amigos de Micah, pois até garotos de outras escolas que fizeram amizade com ele, foram ajudar. Então no meio da briga, quem fazia parte da turma do deixa disso? Ben O’Shea disfarçado de Dumbledore *.*. Quando arrancaram a barba dele, ele foi atacado pelas fãs, e a coisa só não ficou pior, porque os aurores e voluntários conseguiram apartar. Apesar disso, foi uma festa maravilhosa, e só de estar aqui e fazer parte de tudo isso, estou muito feliz. Gostaria que vocês estivessem comigo.
Abraços e saudades...
J.

Thursday, November 08, 2007

Por trás dos bastidores...

- Preparar. Apontar. Lançar!

Uma das voluntárias apitou e cerca de 15 flechas saltaram de arcos recurvos para alvos posicionados há alguns metros diretamente à frente das competidoras. Apertei com força meu arco enquanto observava minha própria flecha descrever uma trajetória semicircular no céu e pousar, com perfeição, no centro do alvo. Abaixei o arco sorrindo satisfeita.
Logo nesse primeiro lançamento, oito competidoras foram eliminadas por não acertarem o alvo. Me concentrei e preparei a segunda flecha. Olhei fixamente o alvo.

- Preparar. Apontar. Lançar!

Novamente ouviu-se um apito e sete flechas voaram. Meu segundo lance não foi tão ao centro, mas a flecha continuou no círculo central. Saltei. De acordo com o quadro de pontuações eu estava em primeiro lugar, enquanto Evie (uma das meninas de Durmstrang) estava em segundo com uma diferença de 7 pontos. Só mais um bom lance e a medalha seria minha...

E quando o apito soou pela terceira vez, apenas quatro flechas passaram com velocidade em direção aos alvos. Senti meu estômago embrulhar. Minha flecha saltou para o meio do menor círculo, novamente, e gritei. Uma massa de torcedores azuis acompanhou meu grito e invadiram os jardins para me abraçarem. Evie me cumprimentou sorrindo enquanto subíamos ao podium. A medalha de ouro era minha e de Beauxbatons!

°°°

‘Oi Brenda.’ Cumprimentei animada fechando a porta da sala.

Brenda deu um aceno de mão sorrindo. A rádio estava no ar enquanto ela lia para todos os resultados das competições do dia... Organizei minhas coisas e esperei ela terminar o boletim.

‘E por último, Beauxbatons faturou mais um ouro na Arquearia essa tarde. No Arco Recurvo, Isabel McCallister ficou com o ouro, Evangeline Stanislav do Instituto Durmstrang, ficou com a prata, e Liesel Scobar do Instituto Heraclion finalizou o podium com a medalha de bronze. Parabéns, Isa.’ Ela finalizou e sorriu para mim, que retribui o gesto. A medalha de ouro ainda estava pesando no meu peito. ‘Por hoje é só. Amanhã teremos mais competições em esgrima, natação, arquearia, montaria e tantas outras modalidades. Boa noite para todos, e nos vemos amanhã.’

Brenda arrancou o fone arrumando os cabelos e se levantando. Colocou uma fita para tocar.

‘Vocês ouviram agora: Boletim das Olimpíadas – Atletas de Beauxbatons, por Brenda Vasseur. Em cinco minutos, Isa McCallister entra no ar com uma entrevista exclusiva ao ídolo Benjamin O’Shea. Não durmam!’ a voz terminou de anunciar. Rimos.

Enquanto eu me sentava e arrumava os fones e as pastas com a entrevista à minha frente, eu sentia, mesmo estando isolada de 99,9% das pessoas que ocupavam o castelo, que naquele momento eu prendia 100% das atenções. Todos andavam me cercando e cobrando essa entrevista há uma semana. Agora que ela iria ao ar com exclusividade, duvidava muito que alguém estivesse dormindo.
Brenda terminou de recolher as coisas e me encarou um tanto apreensiva. Faltavam dois minutos...

‘Tem certeza que está tudo certo com a entrevista?’

‘Tudo. Escutei agora mesmo, cinco minutos antes de chegar aqui. Não se preocupe, ela está perfeita...’ confirmei, colocando a fita da entrevista na rádio. Ela continuou me olhando apreensiva. ‘Não se preocupe, ok? Está tudo certo.’ Repeti e ela sorriu sacudindo os ombros.

‘Ok então... Mas Isa... Você não está preparando nenhuma surpresa além, está?’ ela perguntou séria e ri.

‘Que tipo de surpresa?’

‘Sei lá. Alguma informação além da entrevista... Alguma coisa extra.’

‘Se estiver, é crime?’ perguntei. Um minuto... Brenda falou em tom urgente.

‘Por favor. Controle-se. Estamos falando de Ben O’Shea e de nossa principal entrevista. Por favor.’ Ela disse em tom de súplica.

‘Já disse para ficar tranqüila, não disse? 30 segundos. Tenho que entrar no ar. Me deseje sorte!!!’

‘Boa sorte.’ Ela respondeu não parecendo muito calma. Mas sorriu.

‘Obrigada.’

Ela deu um último aceno e saiu da sala. Tranquei a porta com a varinha e entrei ao ar. O grande momento chegara...

°°°

A entrevista estava rolando perfeitamente bem. Do lado de fora da rádio eu ouvia uma pequena aglomeração de fãs afobadas que tinham se reunido ali. A cada pergunta elas se expressavam de maneiras diferentes. Quando não eram gritos, eram suspiros, ou risadas histéricas, ou grandes “AHHH” ou “OHHHN”. Eu ria me identificando com elas. Finalmente, a última pergunta foi respondida...

- Como você encara o futuro, sem a banda, sem a mídia, as fofocas?
R: O futuro é incerto. Mas devo admitir que não tenho do que me queixar do meu presente... Tenho amigos maravilhosos, um filho que me orgulho muito, alguém especial que amo muito, fãs fiéis, uma condição tranqüila para viver, uma profissão que gosto. Enfim. Não sei como vai ser meu futuro, mas espero que se pareça muito com o HOJE, o AGORA.

- Para encerrar, gostaríamos de agradecer sua paciência e disposição. Seu carisma. E tudo o que você nos proporcionou antigamente, e nos proporcionou hoje.
R: Eu é quem tenho de agradecer. Por se lembrarem de mim. Respeitarem minha decisão. Me admirarem como pessoa também. Devo tudo a vocês, meus fãs. Obrigado por essa oportunidade de estar mais perto de todos...

A fita da entrevista parou. Do lado de fora, as meninas agora choravam, gritavam e aplaudiam com entusiasmo. Peguei o microfone.

‘E essa foi a entrevista com meu ídolo, e com o ídolo de várias outras pessoas por aqui, tenho certeza. Mais uma vez, gostaria de agradecer ao apoio de todos, aos meus amigos que intercederam para a realização desse sonho, ao Ben por ser tão simpático e maravilhoso...’

As meninas gritaram e aplaudiram ainda mais forte. Deixei que elas se recuperassem por um minuto antes de recomeçar a falar.

‘Mas, além dessa entrevista, há ainda algumas curiosidades sobre Ben que gostaria de compartilhar...’ então tudo ficou quieto e silencioso. Ninguém esperava nada além da entrevista, mas eu tinha uma carta na manga. Um curinga. ‘Durante toda a semana eu me propus a perseguir Ben por todos os lugares, saber dos seus gostos, seus costumes... Seus segredos. Mesmo que ele não tenha visto, mesmo que ninguém tenha reparado. Devo dizer: há muito mais sobre Ben O’Shea do que cabem nossas vãs idolatrias!’

O silêncio continuou intenso. Do lado de fora eu senti uma tensão ansiosa. Respirações se prendendo. Ouvidos se apurando.

‘Ben O’Shea, como ele mesmo disse, ama muito alguém. E agora, caríssimos ouvintes, eu tenho a honra de dizer quem é a felizarda de tanto amor e tanta sorte. Seu nome e sua identidade não são ocultos. Muito pelo contrário. A sortuda atende pelo nome de Alexandra Selene McGregor, e está trabalhando como Chefe de Segurança das Olimpíadas, junto com Ben.’

Então, em questão de milésimos de segundos, as garotas explodiram em exclamações surpresas. Foram tantos “OHHH” e “NÃO ACREDITO! É ELA MESMO?” ou até mesmo “ELA NEM É TÃO BONITA ASSIM PARA ELE. SOU MUITO MAIS EU” que eu sabia: havia alcançado meu objetivo.

‘Eu sei, eu sei como vocês estão se sentindo. Também tive um momento de completa perplexidade. Mas acreditem: o romance de Ben e Alex (e acho que já tenho intimidade para chamá-la assim) é muito antigo! Fontes seguras afirmam que eles foram grandes amigos em Hogwarts e se formaram juntos. Assim como se formaram juntos na Academia de Aurores. E MAIS: Nicholas O’Shea é na verdade NICHOLAS MCGREGOR O’SHEA, filho de Alexandra e Benjamin! Se ele nasceu fruto de uma crise no casamento de Alex, ou outra coisa qualquer, não sei responder, mas Nicholas é, sempre foi, e sempre será, fruto desse amor tão intenso e duradouro entre os dois.’

O barulho era tão intenso no corredor que me assustava. Acho que algumas meninas desmaiaram no chão enquanto eram acudidas por outras histéricas. O circo estava armado. Começaram a socar a porta e chutar com violência.

‘Espero que Ben possa confirmar seu romance de agora em diante. Assim como Alex. Não é vergonha amar e ser amado. É tudo que desejamos para nosso ídolo. No mais, fico por aqui. Agradeço a compreensão e paciência de todos e até o próximo programa. Boa noite.’

Desliguei a rádio. O barulho do lado de fora só aumentou. Tinha decidido: esperaria que as coisas se apaziguassem um pouco, antes de sair. Sabia que não seria fácil a aceitação tão breve de todas... Eu havia acendido o fósforo perto demais de um barril de pólvoras.

Tuesday, November 06, 2007

Por Gabriel Storm Lupin, direto de Beauxbatons

Domingo, 4 de Novembro de 1998

Ah, lar doce lar. As delegações haviam desembarcado em Beauxbatons depois de uma semana em Durmstrang na manhã de domingo e estava muito feliz por estar de volta a minha verdadeira casa. Não vou dizer que não gosto da Califórnia, pois estaria mentindo. Mas só aqui me sinto à vontade de verdade. Fomos todos alojados na Fidei mesmo Ty e eu sendo da Sapientai e Miyako deu um jeito de escapar da Nox para ficarmos todos juntos. E como Beauxbatons estava na frente no quadro de medalhas, os alunos que ficaram na escola fizeram questão de lembrar esse fato aos visitantes espalhando cartazes e faixas por todos os corredores. Acho que os meus ex-colegas de escola vão ganhar também em animação...

ººº

Segunda, 5 de Novembro de 1998

- Que sono todo é esse, lobão? – Ty me sacudiu e bocejei
- Ainda estou no fuso horário da Califórnia. E mal tive tempo de me adaptar ao de Durmstrang e já viajamos outra vez. Essa hora eu estaria dormindo...
- Pois é bom acordar logo, ou não vai passar da semifinal da Esgrima – Miyako acertou seu sabre no que estava na minha mão derrubando-o – Não tem graça ganhar de você assim, lute direito!

Sacudi a cabeça para espantar o sono e peguei o sabre do chão, voltando a duelar com Miyako. Teria uma luta em algumas horas e estava valendo a vaga na final. Micah já havia vencido a semifinal da parte da manhã e se conseguisse passar, nos enfrentaríamos amanhã no duelo com sabre. Ty autorizou o inicio da luta e recomeçou a contar tempo e pontuação. Tinha que vencer e garantir minha primeira medalha amanhã, mesmo que fosse de prata.

ººº

Terça, 6 de Novembro de 1998

A semifinal de Esgrima de ontem não poderia ter sido melhor. Além de ter sido contra um argentino, Ramón Díaz, ainda venci. Foi preciso prorrogação, pois o Hermano era teimoso, mas consegui uma maior pontuação e me classifiquei para a final. Mais uma vez a delegação brasileira lotou a arena para mandar energias negativas ao eterno adversário, o que acabou me favorecendo. Mas não sei quem fez mais barulho nos intervalos entre os meus pontos marcados e a retomada de posições: os brasileiros ou Manuela e Miyako, que pareciam comandar a bagunça. Todos na arena sabiam meu nome e nem teria sido necessário Viera anunciar no microfone antes do início da luta.

Para a luta dessa tarde estava particularmente ansioso. Não só já tinha garantido uma medalha, como seria contra um amigo. Estava ansioso pelo início dela, mas tranqüilo. Independente do resultado ficaria feliz. Micah e eu já aquecíamos na lateral da arena enquanto um chileno e um português decidiam o terceiro lugar e quando o português espantou o outro para fora da arena, Viera ergueu seu braço e o declarou vencedor. Agora era nossa vez na disputa pelo ouro.

- Boa sorte, Gabriel – Micah estendeu a mão sorrindo antes de colocar o capacete com a tela de proteção
- Boa sorte você também – Respondi abaixando a máscara. Tomamos nossas posições e nos cumprimentamos formalmente como em toda luta
- En guarde – Viera se postou entre nós dois e ergueu a mão – combattent!

Viera abaixou o braço e Micah já avançou para cima de mim, atingindo minha mão. Por sorte ela não contava ponto e já havia me recuperado do golpe, partindo para cima dele. Micah recuou alguns passos e por pouco não pisou fora da arena. Viera fez sinal para retomarmos nossas posições e o combate recomeçou. Dessa vez comecei atacando, mas foi Micah que marcou o primeiro ponto desviando do meu golpe e me atingindo no braço. Nossos amigos da Califórnia não sabiam para quem torcer então quando marquei meu primeiro ponto e empatei a luta, eles aplaudiram do mesmo jeito que aplaudiram Micah.

A luta seguiu equilibrada até o último segundo. O placar estava 14 a 14 e os nove minutos de tolerância estavam prestes a estourar quando Micah se descuidou ao não se proteger depois de um ataque e avancei com o sabre sobre a cabeça, atingindo seu capacete de leve. Vi meus pais sorrindo felizes e aplaudindo enquanto meus amigos de Beauxbatons começaram a pular e gritar na arquibancada. Viera agarrou meu braço o erguendo sorridente, já deixando a imparcialidade de lado e me abraçando em seguida. Tirei o capacete e o atirei para o alto sem conseguir parar de sorrir e estendi a mão para Micah, que apesar de ter perdido, também sorria.

- Parabéns! – ele falou animado com o capacete debaixo do braço – Um adversário e tanto
- Você também deu trabalho, mas claro, o melhor sempre vence – Falei rindo e ele afundou o capacete dele na minha cabeça, batendo com a mão
- Ta bom, pode se gabar, eu deixo. Vamos nos enfrentar outras vezes, e vai ser a minha vez de tirar onda com a sua cara

Ouvi um grito estridente e quando olhei para o lado, Miyako saia atropelando as pessoas na arquibancada da arena e veio se atirando em cima de mim. Atrás dela Maddie vinha correndo me abraçar e todos os meus amigos daqui também desceram, transformando a arena em um mar azul que se misturava aos alunos da delegação americana. Para conseguirem montar o pódio para a entrega de medalhas foi um sacrifício, pois Ian e Samuel brincavam com os sabres e pediam para Viera contar pontos e declarar um vencedor, mas nada que Maxime não conseguisse resolver com uns olhares atravessados. Recebi minha primeira medalha das mãos da diretora, e logo de ouro, e a arena ficou em silencio para ouvir o hino dos Estados Unidos. Uma pena não poder ouvir o hino da França nessa hora. Acho que sinto falta daqui...

Monday, November 05, 2007

Xeque-mate

A primeira semana dos jogos correu tranqüila. Claro, se levarmos em consideração que o ‘tranqüilo’ abrangia muitas vezes a comunicação por mímicas ou as brigas em jogos que ocasionalmente ocorriam... Mas, tirando pequenos desentendimentos e controvérsias, os alunos de Durmstrang nos receberam muito bem e Beauxbatons disputava de maneira quase empatada a primeira colocação no quadro de medalhas.

Com as meninas da República Avalon eu também não tinha o que queixar. Logo no dia em que chegamos, elas nos mostraram toda a casa e nos acomodaram em beliches espalhados pelo último e maior quarto da casa. Já tinha trocado uma dúzia de palavras com cada uma delas na medida do possível. Algumas falavam inglês, o que facilitou muito nossa comunicação.

Mas o mais incrível mesmo estava sendo o espírito de equipe, participação e determinação que os ‘filhos de Madame Máxime’ estavam demonstrando nas competições. Sempre que tinha um tempo entre meus treinos e jogos de xadrez, e nossos treinos de canoagem, eu ia assistir os jogos com participações francesas e devo admitir: entramos para vencer. Mesmo que não ficássemos com o ouro em todas as competições, saíamos com a cabeça levantada e determinados a melhorar o empenho na próxima chave, ou próxima partida... E a torcida, liderada principalmente por Ian, Samuel, Bernard, Dominique, e cia. ilimitada só ajudava ainda mais esse espírito vencedor.

Na manhã da final de xadrez acordei cedo. Só uma pessoa estava acordada no quarto: Anastácia Ivanovich. Na frente dela, um tabuleiro de xadrez já parcialmente vazio e ao lado, na cama, restos de torres, bispos, cavalos e peões estraçalhados da luta.

- Bom dia. – disse sentindo meu estômago afundar em desaprovação. Ela seria minha rival na final de xadrez e parecia obcecada enquanto assistia a rainha branca ser decepada por um peão negro, que declarava ‘xeque-mate’. Sorriu vitoriosa e se virou para mim.

-Ah, Anabel! Bom dia! – reparou as peças e fechou o tabuleiro se espreguiçando. Estava parecendo muito confiante e isso me fez sentir náuseas. Estivera dormindo enquanto ela repassava as jogadas de xadrez!

Sentindo que não suportaria perder a final de xadrez para ela, me troquei depressa, apanhei meu tabuleiro e saí da república em direção ao castelo. O Salão Principal já estava cheio de madrugadores de diferentes fusos horários que conversavam. Tomei café rapidamente e segui para a sala de xadrez. Bernard estava por ali arrumando cadeiras e tabuleiros. Sorriu a me ver e veio me dar um beijo.

- Está nervosa? – ele perguntou enquanto nos sentávamos. Balancei a cabeça negativamente rápido demais e ele entendeu que estava sim, muito nervosa, mas não queria demonstrar isso. Riu. – Você vai se sair bem, ok? Foi bem em todas as eliminatórias! Venceu da Durigan ontem com 15 minutos de jogo! É um recorde!

Tentei sorrir, mas não consegui. Minha boca tinha um gosto amargo e tenso. No dia anterior, venci da Lavínia na semifinal, realmente muito rápido. Mas por que ela avistou Miyako e o amigo dela abraçados na arquibancada e não conseguiu perceber minha jogada com a torre e o bispo encurralando sem qualquer esperança o rei. Mas eu sabia que Anastácia seria uma concorrente difícil. Sabia que era concentrada no tabuleiro e não na platéia e sabia que tinha treinado um bom tempo de manhã, coisa que eu não tinha feito!

Bernard balançou a cabeça e me abraçou quando contei que ela parecia bem confiante de seu desempenho. Sentindo que eu precisava de ajuda, topou jogar uma partida contra mim, até a hora da final... Talvez ele tenha me deixado o vencer de propósito, para que eu também me sentisse confiante, ou talvez ele realmente tenha dado bandeira com a rainha a colocando de posição para ataque do meu cavalo, mas de qualquer maneira eu agradeci ter vencido essa partida, e quando as pessoas começaram a tomar as arquibancadas ao redor, falando agitadas, esvaziei minha mente da pressão, respirei fundo e me sentei de frente para Annia, que também parecia estranhamente despreocupada. A final iria começar.

°°°

Já se passara uma hora de partida, de acordo com o cronômetro que Bernard colocara em cima de nossa mesa. Até agora eu tinha eliminado três bispos, uma torre e um cavalo de Annia, mas ela tinha eliminado os mesmos três bispos e minha rainha! Ela estava levando a melhor...

A platéia estava em um silêncio fúnebre. De um lado, uma massa de torcedores azuis. De outro lado, um mar de estudantes vermelhos. A cada peça que eu eliminava de Annia, Samuel e Ian levantavam uma hola silenciosa do lado azul, e para não deixarem barato, a cada peça que Annia tirava de mim, suas amigas começavam um contra ataque com aplausos silenciosos, batendo as mãos no ar. Bernard estava ao lado do tabuleiro observando cada um dos nossos movimentos. Parecia totalmente indiferente quanto à sua preferência, embora eu visse que estava sendo difícil para ele segurar o riso cada vez que a torcida azul se levantava para me saudar. Annia observou eu ordenar minha torre em direção ao seu bispo que protegia o rei e ficou apreensiva. Ficou um minuto em silêncio observando as peças e depois no ar, começou a mexer com a mão as possíveis jogadas. Quando finalmente pareceu se decidir, segurou o bispo. Mas tirou a mão rapidamente, parecendo ter se arrependido, e foi com a mão em direção à rainha. Bernard parou sua mão no ar a olhando sério.

- “Piece touche, piece joue” – disse como se estivesse discursando. Annia balançou os ombros confusa e traduzi o francês.

- Peça tocada, peça jogada. Quer dizer que se você coloca a mão na peça, tem que movimentá-la.

Ela olhou de mim para Bernard, deste para seu bispo, e por último para sua rainha, com olhos cobiçosos. Segurou o bispo novamente e o movimentou, livrando-o do caminho. Sorri.

- Xeque-mate. – disse finalmente.

Minha torre avançou sobre o rei e se curvou como uma reverência, então, se lançou sobre ele o derrubando com força no tabuleiro. A peça se partiu ao meio. Bernard levantou meu braço ao ar e uma chuva de torcedores azuis saltou aos berros. Me levantei radiante e abracei apertado Bernard enquanto ele me girava no ar. A medalha de ouro era minha!

°°°

- Allons efants de la Patrieee...
- ... Lê jour de gloire est arrivééé!!!

Samuel e Ian cantavam aos berros o hino da França enquanto dançavam ao redor de mim. Todos os meus amigos se aglomeravam ao meu redor me abraçando e dando parabéns. E logo após a cerimônia de entrega de medalhas, eles me levantaram, empolgados, e me carregaram até os jardins, já tomados de uma claridade cinzenta e gélida.

Paramos todos na beira do lago. Ian, Samuel, Marie, Bernard, Viera, Dominique, Mad, Manu, Anne, Brenda e Chris ainda cantavam o hino da França. Isa anotava detalhes da partida para o jornal e rádio de Beauxbatons.

- O mais engraçado foi assistir Bernard com aquela pose indiferente barrando a jogada da menina. Estava louco para roubar uns peões dela! – Ian falou e todos caíram em gargalhadas. Bernard sacudiu os ombros.

- Regras são regras! “Piece touche, piece joue”. – ele disse satisfeito. Todos riram novamente.

- Ok, one down, one to go! – disse sorrindo e observando um caiaque solitário desbravar as partes não cobertas por gelo do lago de Durmstrang. Isa, Brenda e Anne acompanharam meu olhar e pareceram murchar.

- Hoje não, Bel, desiste! – Brenda disse vetando, mas com um tantinho de súplica na voz. Ela estava com as mãos enfaixadas depois da prova de atletismo. – Amanhã é a minha final de saltos e eu não posso forçar meu braço hoje.

- Não disse que vamos treinar hoje! – disse ofendida e Anne soltou um suspiro aliviado. – Estou só dizendo que vamos ganhar essa medalha de ouro na canoagem também! E a partir de segunda-feira, tratem de se preparar, pois vamos reforçar ainda mais os treinos...

- Ok, marechal, já entendemos. – Isa guardou a pena, e o pergaminho nos encarando. – Bom, agora se me dão licença, Jaeda Smith da Escola Texana quer me entrevistar sobre Ben O’Shea. E também, depois do que fiquei sabendo, essa entrevista vai vir a calhar...

- O que você ficou sabendo? – Manu perguntou se sentando mais reta. Viera girou os olhos pra ela. Sorri.

- Semana que vem todos saberão. Semana que vem. Até mais!

Isa balançou o cabelo para trás e se levantou. Saiu andando levemente, como se estivesse sobre nuvens. Ficamos a observando por uns minutos em silêncio até Ian rir.

- Sabem, acho que a Isa está aprontando alguma coisa! – disse e concordamos rindo.

Isa andara obcecada em perseguir Ben O’Shea por todos os lugares que conseguisse, e eu tinha certeza que o que fosse que ela tinha descoberto, não seria nada muito educativo...
Continuamos um tempo fazendo o balanço da semana. Dominique e Manu nos contavam as provas que tinham assistido com exclusividade e nos faziam rir. Já tinha me esquecido o quanto era bom gastar um tempo sem fazer nada, além daquilo: com amigos, conversando, rindo, sem preocupações com deveres e exames. E futuro.

Senti um cutucão no meu ombro e me virei. Bernard que estava me abraçando, também se assustou e se virou para trás. Era Ulisses. Senti o rosto queimar enquanto ele sorria para mim.

- Parabéns pela medalha, Bela. Ótima partida! – disse poetizando. Bernard deu uma tremida e me apertou.

- Obrigada Ulisses. – disse sorrindo educadamente, mas me sentindo extremamente constrangida.

Ele sorriu mais uma vez e se afastou com um amigo de Beauxbatons. Bernard se virou para mim.

- Bela? – perguntou ironicamente como quem está se divertindo, mas não havia sorriso no rosto dele. Balancei os ombros, indiferente.

- Ele é grego também, novato. Máxime me pediu que o ajudasse em algumas matérias, para ele se adaptar... Não tenho culpa se ele me chama de ‘Bela’.

- Folgado. – Bernard disse zangado e Dominique, Samuel, Ian, Viera e Chris concordaram com ele. Levantei a sobrancelha.

- Bobos.

Bernard continuou me olhando sério e então sorriu e me abraçou novamente, percebendo que não seria um bom negócio discutir por causa de um novato maluco. O problema é que Ulisses não saiu da minha cabeça o resto da tarde. Se eu achava que Isa estava aprontando alguma, eu tinha certeza que Ulisses também tinha um plano. Só precisava descobrir qual era...

Sunday, November 04, 2007

Espírito Competitivo

Direto das Olimpíadas, Seth K. C. Chronos

Quarta de manhã: Montaria.

O espírito competitivo realmente está tomando todos os alunos.
As competições são extremamente acirradas e ninguém quer perder, mas estou me surpreendendo ao ver que as pessoas pelo menos são bons perdedores, pois vim para as Olimpíadas pensando que muitos ficaram indignados com a derrota, mas me surpreendi e parece que todos estão querendo realmente levar a sério o objetivo de confraternização bruxa.

- Calma, Scadufax. Calma, a prova já vai começar. – Eu acariciava o focinho de Scadufax com calma, tentando acalmá-lo, mas ele mesmo acostumado ao meu toque e minha voz estava agitado, diante de tantos outros cavalos e cavaleiros. Ele estava acostumado comigo, pois em Beauxbatons sempre cuidei dele e dei-lhe o nome a que ele responde.

Era a manhã da prova individual de montaria, e ao meu redor, diversos outros alunos se preparavam, colocando capacetes e luvas no lugar e ajeitando botas, ou afivelando celas e cuidando dos cavalos, todos tão estressados e tensos com a competição como seus donos. Na arquibancada eu podia ver todos meus amigos, me desejando boa sorte e torcendo. Luna pulava no meio da arquibancada e mesmo de longe pude a ouvir gritando Kam, enquanto recebia olhares cheios de risos de Griffon. Miyako fazia coro com ela, assim como os outros me gritavam incentivos. Respirei fundo e me acalmei, faltariam poucos minutos agora para o início da competição, e vários cavaleiros já estavam montados, seguindo para suas raias de corrida. Passei a mão lentamente pelo focinho de Scadufax, deixando-o sentir meu medo e minha ansiedade também e beijando-o entre os olhos. Senti que ele estava mais calmo e saltei para a cela, ajeitando as luvas enquanto o guiava para minha raia.

- Atenção competidores. Um minuto para o início da corrida. Todos às suas raias. – a voz do narrador ecoou amplificada magicamente, e me deitei na cela, preparando para correr junto de meu cavalo.

O tempo passou rápido e em pouco tempo já ouvíamos os sons de aviso do início da corrida. Um tiro foi ouvido e todas as portas das raias abriram juntas, e todos os 8 cavalos e cavaleiros dispararam para o percurso circular de 1 quilômetro. Scadufax ainda estava apreensivo e ficou um pouco para trás, e um cavaleiro espanhol assumia a liderança, seguido por um cavaleiro italiano e eu estava na sexta posição. Assobiei baixo para Scadufax, fazendo carinho em seu pescoço tenso e me inclinei para frente quando ele aumentou a velocidade. Emparelhei com o italiano e por longos minutos ficamos empatados, até a metade da prova mais ou menos.

- E agora Scadufax e Hermes disputam a vice-liderança, seus cavaleiros, Sr. Chronos e Sr. Agarelli impulsionam seus cavalos ao máximo! Noches continua na liderança, mas perde espaço cada vez mais para os dois cavaleiros que disputam com fervor a posição. E Scadufax toma o segundo lugar! Mas Hermes está grudado com ele, com uma diferença de apenas meio corpo. – Eu e Scadufax nos unimos num último impulso e coloquei meu corpo ainda mais pra frente, encorajando-o com pequenas palavras e nos últimos 200 metros conseguimos ultrapassar o espanhol, mas o italiano estava logo atrás de nós. – E Scadufax e Chronos tomam a liderança! Mas a diferença entre eles e Hermes é de apenas meio corpo! São os metros finais!!! Vai ser cabeça por cabeça!! E a vitória é de...- Eu e o italiano cruzamos a linha quase juntos, e a decisão ficaria por meio dos sensores de magia.- A vitória é do Sr. Chronos, que monta Scadufax! Um garanhão dos estábulos de Beauxbatons! Parabéns aos dois! A prata pertence a Hermes e Sr. Agarelli e o bronze pertence a Noches e Afonso Toledo!! Parabéns a todos!

Saltei com felicidade de volta ao chão e a primeira coisa que fiz foi abraçar o pescoço de Scadufax, acariciando e beijando seu focinho. Ele relinchava de felicidade e alegria também, agora mais calmo e ficava batendo com a cabeça em mim. Luna foi a primeira a correr para me abraçar e me deu um beijo forte, para depois abraçar Scadufax também e ficar dançando com ele, que estranhou de início mais sentiu minha afinidade com ela e deixou ser acariciado. Meus amigos a seguiam e me deram os parabéns também, com Miyako, Ty e Gina pulando para me abraçarem, e Griff me dando tapões nas costas e Biel, Rony, Hermione e Harry apertando minha mão. Alguns professores, assim como o tratador de animais de Beauxbatons, elogiando meu trabalho e de Scadufax também me deram os parabéns e de longe vi a dança da vitória de papai.

- Foi sorte de principiante, Chronos. E seus competidores não eram nada, quero ver hoje a tarde e amanhã quando nos enfrentaremos. – ouvi a voz cheia de rancor de Kollontai, e ele recebeu um olhar feio de Miyako, Biel e Gina, mas Ty, Griffon e Bram trataram de tirá-lo dali antes que algo acontecesse. Mas nem ele estragaria minha felicidade.

Já durante a tarde houve as competições da Chave 1 de Esgrima nas três modalidades, e como foi a que mais treinei, eu me sai muito bem e consegui ouro em todas as três. No sabre eu obtive uma vitória sobre um espanhol e na espada consegui uma vitória sobre um grego. Mas foi na final de florete que a disputa foi mais acirrada, pois finalmente nos enfrentamos, eu e Kollontai. E foi uma disputa muito complicada! Pois os dois conseguiam empatar a todo o momento e o duelo prolongava-se cada vez mais, mas finalmente consegui derrotá-lo, furando suas defesas e conseguindo o ouro. Ele ficou extremamente irritado e jogou o capacete de proteção no chão, e assim que recebeu a medalha de prata saiu furioso. Ainda haveria a competição de Tiro de Pistola entre eu e ele, mas comento a seguir.

Dia Seguinte: Arquearia.

Essa competição prometia e muito! Caímos na mesma chave, eu, Griffon e Kollontai, além de mais 3 outros competidores, e a disputa seria muito acirrada. Já no dia seguinte, quase ocorreu uma briga. Pois na competição de Tiro Esportivo, Pistola, pois logo de início, a mãe de Kollontai quis fazer ela mesma a verificação da pistola do filho, para ter certeza que ele não tinha adulterado nada, pois seria uma vergonha se ele fosse pego com alguma adulteração. A pistola não continua nenhuma alteração o que é uma surpresa vinda do Kollontai e ele acabou ganhando a medalha de ouro e eu fiquei com o bronze, mas ele começou a provocar eu e a Luna, e tiveram que nos separar quando um tentava acertar o outro. Tiveram que separar também a Miyako e a Gina que já haviam perdido a paciência com ele. Hoje ia ser muito pior. Era questão de honra ele me derrotar, pois eu estava com uma vitória a mais do que ele e já com quatro ouros, enquanto ele só tinha um ouro.

- Arqueiros, por favor, tragam seus arcos compostos para a verificação.

Todos os competidores levaram seus arcos para os juízes, e nesse meio tempo ouviu-se uma mistura de rugido com uivo alto. Todos levaram um susto e procuraram a fonte, e eu a localizei mais rápido que os outros. No meio da torcida de Beauxbatons, eu via um velho chapéu conhecido meu, o Leão Animado da Grifinória, convertido em um lobo negro, mas que mantinha um pouco do rugido e da juba, agora negra. Luna o segurava e de tempos em tempos tocava-o com a varinha, fazendo com que ele soltasse o uivo alto. Miyako e Gina pulavam ao lado dela, incentivando-me a derrotar Kollontai novamente. Fiquei vermelho com a torcida delas e fingi não notar, mas o uivo toda hora se sobressaia em relação aos outros gritos da torcida, e Kollontai já reclamava com os juízes, mas não havia regras que proibiam chapéus animados. Griffon ria muito, pois ele adorou a idéia e tenho certeza que vai pensar em um logro com isso.

- Muito bem, Arqueiros, em suas posições.

Cada competidor foi colocado de frente a um alvo, a uns 200 metros de distância e nos foi dado tempo para colocar as luvas e fazer os últimos preparos. Eu e Griffon já estávamos prontos, e parados de lado para os alvos, segurávamos nossos arcos nos ombros. Foi autorizada a primeira salva de flechas, e 6 flechas saíram quase juntas, indo acertar os seus alvos. Griffon acertou no círculo 1, pontuando o máximo, Kollontai acertou o círculo 3 e eu acertei o círculo 2. Um dos outros competidores foi desqualificado por não ter acertado no mínimo o 5ºcírculo e na etapa seguinte, haviam apenas 5 competidores. Griffon conseguiu marcar vários pontos ótimos e estava na liderança, seguido por mim e outro aluno de Beauxbatons. Kollontai já estava em quarto lugar e ficava sentado, desejando que eu errasse. Eu e Griffon empatamos depois de algumas rodadas.

- Última flecha, quem marcar mais ganha. – o locutor anunciou e todos prenderam a respiração, enquanto o lobo uivava e pequenos fogos Weasley eram atirados. Eu e Griffon assumimos a posição de arqueiro, segurando nossos arcos diante de nós fazendo mira. Se não fosse o cabelo, seríamos totalmente iguais e não haveria distinção, pois os uniformes da Beauxbatons eram os mesmos e parecíamos duas estátuas. Foi dada a autorização e em uníssono nossas flechas cortaram o ar, atingindo os alvos ao mesmo tempo. Eu marquei o círculo 1 e Griffon marcou o círculo 2, raspando no círculo 1, dando vitória para mim. – Fim de chave. Vencedor, Seth Chronos. Prata, Griffon Chronos, Bronze Dário Stanislav, todos da Academia de Magia Beauxbatons! Parabéns a todos!

Mais uma vez nossos amigos invadiram o local de prova para nos dar os parabéns ao som de vários e longos uivos e rugidos do leão/lobo, e eu e Griffon comemoramos abraçados nossa vitória juntos, ele dizendo que a culpa foi do vento e que me deixou ganhar, e eu dizendo que ele deve ter se assustado com o reflexo dele em algum vidro ou poça de água... Luna me abraçou com força me dando os parabéns e se esquecendo que eu tinha um ouvido sensível fez o lobo uivar no meu ouvido, quase estourando meus tímpanos. Kollontai parecia prestes a quebrar o arco, e sequer esperou a cerimônia de entrega de medalhas, saindo do local bufando.

Agora só faltavam as competições de natação que seriam realizadas em Beauxbatons, mas estou mais do que feliz, já conseguira 5 ouros e isso era mais do que suficiente!

Saturday, November 03, 2007

Plantão de Notícias

Por Jaeda Smith, direto de Durmstrang

Caros leitores do Rangers, a minha chegada em Durmstrang foi além de minhas expectativas. Havia ouvido muitas coisas sobre esta escola, em sua maioria depreciativa, eu confesso, mas qual não foi minha surpresa, ao descobrir que muitas destas histórias eram fantasiosas. Durmstrang é um castelo muito bonito em sua austeridade, abriu as suas portas para receber pessoas do mundo todo e tem feito isso muito bem. O comitê organizador ate o momento esta de parabéns pela abertura dos jogos. Eu pessoalmente pensei que iria apenas ver os jogos e me esconder do frio, sim meus amigos, aqui faz muito frio, e nós texanos e os atletas que vieram dos mares do Sul, estamos sofrendo um pouco, mas o calor dos atletas de outros países e de muitos membros da escola de Durmstrang tem feito com que nos sintamos em casa. E fora dos muros do castelo há muitos bares, e lugares maravilhosos para se conhecer.

Rory, estamos alojados em repúblicas e no castelo ficam os voluntários e os professores. Estou alojada numa república chamada Avalon e ao contrário do que possa parecer não encontrei aqui as sacerdotisas da Ilha Sagrada com toda a sua calma e sabedoria, mas sim um monte de garotas um pouco mal humoradas, mas até educadas sabe? Aos poucos estou descobrindo os motivos que as fazem ser assim, talvez ainda estejam chocadas com as mudanças feitas na escola. Sabia que as Artes das Trevas foram banidas aqui? E pelo jeito mais coisas diferentes vão acontecer...


Tivemos uma ótima festa de boas vindas e descobrimos de uma forma incrível que o ex- vocalista da Banda “Os Duendeiros” Ben O’Shea, está fazendo parte da segurança dos jogos, pois ele é formado ela Academia, e agora esta exercendo sua profissão maravilhosamente bem. Apuramos de fonte segura que ele tem uma namorada firme. Durante um pequeno incidente em que algumas fãs desesperadas tentaram atacar Ben O’Shea, descobrimos que a namorada dele é a outra chefe de segurança Alexandra McGregor, e segundo palavras do próprio Ben, ele é fiel, bastava olhar para os olhos brilhando dele para confirmar que ele a ama realmente. Mas, estou apurando alguns rumores e logo trarei para vocês, uma bomba que vai mostrar ao mundo a profundidade deste relacionamento. Estou tentando uma exclusiva com Isabel McCallister, repórter do Lê Soucier, da Escola de Magia de Beauxbatons, para nos esclarecer estes fatos. Aguardem e confiem!

E com relação às competições vejam agora o quadro de medalhas e seus representantes:

- Seth Chronos Beauxbatons ganha Ouro na Montaria (individual masculina). Afonso Toledo fica com o Bronze para a Escola de Magia da Espanha.
- Tyrone McGregor ganha o ouro no Boxe e Naveen Odebrecht ficou com a prata(ambos os atletas são de Durmstrang e foi uma disputa muito acirrada). O terceiro lugar ficou com John McKellen da Escola da Irlanda.
- Na prova de montaria individual feminina o ouro foi para Dora Gaster de Beauxbatons, e o segundo lugar pra Shannon Austen da Escola de Magia da Califórnia. Mary McKellen ganhou o bronze para a escola da Irlanda.
- Na Luta Greco Romana, foi um verdadeiro duelo de titãs: Iago Karkaroff (Durmstrang) levou o ouro e Luka Ivanov (Durmstrang), ficou com a prata. O bronze ficou com Mario Stanislav da Espanha.
- Na natação Ricard Solune (Durmstrang) ganha o Ouro, Luka Ivanov (Durmstrang) ganha a prata e Maximillian Parvanov (Durmstrang) ganha o bronze. Não foi desta vez dolphins ;(.
- Na Arquearia (arco composto) Seth Chronos (Beauxbatons) ganha ouro de Renomaru Kollontai (Durmstrang) que fica com a prata e Griffon Chronos ficou com o bronze.
- No tiro esportivo (pistola) Renomaru Kollontai (Durmstang) ganha ouro. Seth Chronos fica com a prata e Griff Chronos fica com o bronze.
- Esgrima (Florete) Seth Chronos ganha Ouro. Renomaru Kollontai ganha a prata e Griff Chronos levou o bronze.
- No Xadrez de Bruxo Anabel McCallister ganha Ouro contra Anastácia Ivanovich (Durmstrang). Lavínia Durigan (Durmstrang) fica com o Bronze.
- No tiro esportivo masculino alvo móvel Maximillian Parvanov (Durmstrang) ganha Ouro. A prata foi para Stratos Papadoulos (Grécia) e o bronze para Alejandro Menendez (México)
- No tênis individual feminino Geórgia Yelchin (Durmstrang) ganha o ouro de Miayko Kinoshita (Beauxbatons). Anastácia Ivanovich fica com o Bronze.

Me despeço por aqui queridos leitores e até o nosso próximo boletim informativo. Torçam por nós!

Rory durante a festa de boas vindas quando Ben apareceu, foi como se um tornado passasse naquele salão, tamanha era a gritaria, e ai minha amiga eu consegui passar a mão no ombro dele, mais um pouco e eu conseguia um beijo, mas ai a namorada apareceu e tudo esfriou. Se bem que ela foi muito educada, quando Ben, nos atendeu no dia marcado para os fãs, ela estava sorridente e até tirava as fotos pra nós. Ah e cuidou de uma menina lerda que desmaiou de emoção: Imagina, você tem a oportunidade de ver seu ídolo e desmaia? Deixa pra desmaiar quando ele for embora. Por isso ainda estou em duvida: não sei se a admiro ou se a odeio.
Aqui conheci garotas muito legais e pelo jeito que as outras nos olham, com rancor, tivemos que formar o G5 para nos proteger. É que as meninas de Montana, Julianne e Beatrice, estão paquerando o Ty McGregor, o filho da namorada do Ben (acho que beleza pega, porque o Ty foi na festa de Halloween fantasiado de Toquinho e estava lindo, veja as fotos pra comprovar). E uma garota daqui Anastácia parece que derruba um iceberg pelo Ty, vamos ver quem vai vencer o duelo. Estou apostando nas gêmeas, a outra garota é um tanto lerda. E se ela ou as amigas nos irritarem até eu vou entrar na disputa pelo escocês bonitão, apenas pela farra huahuahuahua.
Miyako esta ficando com um garoto aqui que parece que usa coleira, e a dona dele é uma hipocondríaca que tem namorado, olha o abuso, talvez tenhamos que fazer um ataque de vírus para ela se mancar rsrs. E tem o americano gracinha que anda muito com a Shannon da Califórnia, e uma moreninha aqui os fuzila com os olhos, mas ela também tem namorado, então a coisa só pode ficar divertida, afinal ela precisa decidir o que quer da vida.Só espero que elas não tentem nada contra nós, porque estamos aqui para nos divertir, mas não sei se elas têm este senso de humor todo.
Estou feliz que Brian esteja melhorando rapidamente com seus cuidados, e espero ter mais coisas interessantes para te contar logo.
Abraços J.S.

Friday, November 02, 2007

Trick or Treat

Diário de Griffon F. C. Chronos

Halloween!
Festa, comida, doces, travessuras, brincadeiras, conhecer novas pessoas.
E...Comércio!
Data do ano favorita para qualquer loja de logros mágicos, e para as Gemialidades Weasley, era ainda mais significante. Principalmente que um dos grandes vendedores do grupo estava participando de Olimpíadas Interescolares, reunindo centenas de estudantes e novos compradores! E o Halloween era o melhor dia para fazer propaganda!
O soldado rondava a festa, lançando pequenos fogos de artifício cada vez que atirava com seu rifle, arrancando gritos de entusiasmos e susto. De sua algibeira, ele retirava doces coloridos, desafiando alguém a comer um, e quando eles comiam, riam todos dos mais diversos efeitos surpreendentes! E a clientela só crescia. George vai ficar maravilhado depois do trabalho de hoje! Minha fantasia de soldado veio bem a calhar, tem muitos bolsos e formas de apresentar os itens.
- Oi Lobão. Ó nada contra, mas se o Harry te ver assim abraçado a Gina, ele vai ficar uma fera! Ah é você Harry! Pensei que era o Gabriel. Vocês estão idênticos! – falei quando encontrei com ele e com Gina.
- Fiquei sabendo que você emprestou o uniforme pra ele e deu apoio... - Ele falou, fingindo estar sério e Gina cutucou a barriga dele e caímos na gargalhada.
- Você esperava o que? Que eu dissesse que não? Claro que eu ia dar apoio! Vem cá , Harry, não quer virar garoto propaganda das Gemialidades não?
Ele me deu um empurrão rindo e me afastei deles, não sem antes jogar algumas balas para eles. A festa estava ótima! Todos estavam levando suas fantasias a sério. Ian saia gritando pela festa e dando marteladas com um martelo vermelho de borracha nos outros gritando “Não contavam com minha astúcia!”. As Meninas Super Poderosas, enfrentavam um garoto vestido de Macaco Louco (seja lá o que são isso). Um garoto usava uma fantasia de um personagem de um jogo de videogame trouxa, e zanzava pra cima e pra baixo com uma roupa verde, orelhas pontudas, um escudo e uma espada. Outro garoto pintara o cabelo todo de branco, e usava uma única asa negra, além de uma longa espada, e parecia querer brigar toda hora que via um garoto loiro. Um americano vestia-se de lutador de karatê e fazia posses e mais posses para um bando de garotas alemãs rindo dele.
Mas as melhores fantasias, eram dos “VIP” da festa. Nossos queridos pais. Tia Louise arrasava com uma roupa de Elektra e ela fugia de mim, pois sempre que a via eu lançava grandes fogos e gritava que ela devia usar a roupa sempre, enquanto Tio Remo ria muito e pegava alguns fogos comigo. Tio Ben estava fantasiado de Dumbledore e conseguia atrair pouca atenção para aproveitar melhor a festa. Tia Alex desfilava fantasiada de Mulher-Aranha, ao lado de Tio Logan, fazendo par com ela de Homem-Aranha. Papai também estava na festa, e até mesmo mamãe apareceu, com a pequena Ártemis nos braços. Papai estava vestido de escocês, com direito a saia e a gaita de foles, enquanto mamãe estava vestida de Vênus de Millo, com um conjunto de panos que cobriam todo seu corpo, e a censurei por usar uma roupa assim, mas ela riu e papai também. Eles vestiram a pequena Ártemis de mini Vênus de Millo, e ela parecia querer saltar dos braços deles para correr e dançar. Tia Yulli e Tio Sergei, faziam posses de dançarina de hula-hula e surfista, tirando vários assobios do restante da festa.
Seth estava vestido de algum Lorde, com uma longa capa branca, e uma espada presa ao cinto. Luna, para combinar com o namorado, estava vestida toda de negro, como uma vampira, com direito a dentes postiços e um olhar vermelho, que a deixavam ainda com mais cara estranha... A fantasia teria sido ótima, se ela não tivesse pendurado brincos de rolha na orelha e um fruto estranho de cor azul forte no pescoço. Reno estava vestido com uma jaqueta vermelha, os cabelos presos em um rabo-de-cavalo, e usando um relógio de bolso prateado e quando perguntei o que era aquilo, ele me falou que era de um desenho trouxa. Ele e Annia passavam um bom tempo conversando ou dançando, e pelo visto as fantasias combinavam, pois ela estava vestida com uma roupa militar azul, com um símbolo igual ao do relógio dele, Tenente Alguma coisa. Ty e Miyako estavam vestidos deToquinho Boardman e uma das Spice Girls, e a Mi fazia um sucesso tremendo! Cheguei a ficar com ciúmes e tacar alguns fogos em uns garotos americanos babando por ela. Quando os encontrei bateram continência para mim e paramos para conversar um pouco...
- Mi, você está maravilhosa! Eu acabei de enxotar alguns americanos babando por você!
- Deixa de ser bobo, Griff! Estou normal ué.
- Normal, Mi? É difícil hein! Não param de olhar pra você! Até o Seth e Tio Ben tão atraindo menos atenção. – Ty falou rindo conosco.
- Vocês dois são muito bobos! Mas adorei os elogios. Por falar no Seth, ele e a Luna estão maravilhosos, qual a fantasia dele?
- Ele tá fantasiado de um Lorde, um tal de Alucard, não, não é o papai! É um personagem de um jogo trouxa. E ela ta de vampira pra combinar com ele, mas aqueles apetrechos estragam a fantasia...
- Que nada! Estão ótimos, adorei a fantasia deles!- Ty respondeu sorrindo pra mim.
- Vocês estão é de brincadeira né!? Era pra ela ser uma vampira, não uma árvore de natal! E vocês já viram a Ártemis? Ela está linda! Mamãe a fantasiou de mini Vênus de Millo!
- Minha princesinha está aqui?! Como eu ainda não a vi?! Vamos procurar ela agora! Mi você ainda não conheceu nossa pequena né? – Ty falou, já puxando Miyako pelo braço e eu do lado dele super animado também.
- Ainda não conheci a famosa não! E já estou com ciúmes dela! É triste ver que outra mulher, uma criança, está tirando a atenção dos meus homens! – Rimos muito do biquinho dela, e a abraçamos juntos, depois fomos procurar mamãe e a pequena Ártemis. Quando as encontramos deixamos Miyako conversando com mamãe e Ty me chamou em um canto. Dava pra notar que ele queria dizer algo, mas eu esperaria ele começar. Nos jogamos em um pufe ali perto e pegamos algumas bebidas para começar a conversa.
- Então, Griff, fiquei sabendo de algumas coisas entre você e a Emily – Ele falou sério e eu engasguei enquanto bebia, e depois de um acesso de tosse consegui me acalmar.
- Desculpa? – falei sem jeito.
- Não adianta mentir pra mim! Eu conheço muito bem vocês e posso ver que vocês estão diferentes. Agora vocês evitam até se olhar!
- Tudo bem Ty, vou te contar tudo... Sempre admirei muito a Emily, no início porque ela ensina a melhor matéria de Beuaxbatons, mas depois por algo mais...
- Continue, Griff. – Ele se recostou na cadeira, fingindo uma cara séria, e rimos juntos, pois ele parecia o meu analista.
- Mas depois comecei a admirá-la de outro jeito. Ela é inteligente, linda, maravilhosa, amiga, companheira, divertida, legal, engraçada... Oh calma lá viu! Você que pediu! – falei quando vi a cara dele.
- Tudo bem, não se importe. Mas espere alguém falar algo assim da sua irmã pra ver se você consegue manter-se calmo.
- Quem ousaria fazer isso!? Ele morreria no mesmo instante!
- Sim, até porque eu não deixaria também! Mas pode continuar...
- Então eu acabei me apaixonando por ela... Quando... Quando aconteceu aquela tragédia – engoli em seco, e ele se remexeu inquieto, sabendo muito bem do que eu estava falando. – Nos aproximamos muito. Você iria vir aqui para Durmstrang e eu era alguém próximo dela. Quando papai e eu saímos em caçada, me despedi dela, e ela implorou que eu voltasse bem, me pediu que eu também não saísse da vida dela...Quando voltei, eu pude ver que ela estava feliz, mas...
- Mas era errado a relação entre um aluno e uma professora...
- Exatamente... Sem dizermos uma palavra passamos a nos evitar, principalmente ficarmos sozinhos... Então houve o caso com a Defossez, você ficou sabendo não?
- Sim e ri muito! Pena que não a vi quicando pelo teto e inchada como um balão...
- Sim aquilo foi ótimo... A Defossez tomou uma dose por engano da Poção de Delírios e se apaixonou por mim, e foi a Emily e o professor Coussot que me salvaram. Então conseguimos reverter os feitiços sobre a Defossez e o professor a levou embora, deixando eu e a Emily sozinhos... Não ficávamos sozinhos assim desde aquele dia...
- E o que aconteceu entre você e minha irmã?!
- Conversamos um pouco... Ela agradeceu novamente por eu ser um bom amigo pra ela, e por ter me arriscado naquela época por ela e por vocês. E agradeceu por eu continuar ao lado dela... Então, nos abraçamos... E quase nos beijamos...
- Vocês o que?! – agora foi a vez do Ty se assustar e engasgar com a bebida. Eu fiquei vermelho e esperei enquanto ele tinha uma crise de tosse e tentava respirar. – O que mais aconteceu naquela sala vazia?!
- Calma lá né Ty? Eu sou um maluco, mas não a esse ponto! Quase nos beijamos, só isso... Os dois notaram que era errado e nos afastamos, mas na hora de nos separarmos trocamos novos olhares. E desde então evitamos ainda mais ficarmos sozinhos... E ela tem se aproximado bastante do Zambene...
- E você tem sentido ciúmes... O que você sente pela minha irmã Griff?
- Não sei! – soltei um suspiro e larguei o copo em cima da mesa, olhando para o teto antes de encarar o Ty novamente. – Não sei... Estou muito confuso ainda... Gosto muito mesmo da Emily, mas ao mesmo tempo acho errado a relação entre um aluno e uma professora, apesar de eu querer muito que pudesse acontecer.
- E é por isso que você tem estado meio digamos, louco por ficar com alguma outra garota? Você quer esquecer a Emily, ou ver se sente a mesma coisa por outra...
- Sim...
- O Seth sabe disso?
- Sim, ele já notou e desaprova muito...
- Eu imaginava... Quem mais sabe disso?
- Lobão e Miyako sabem do meu sentimento pela Emily, mas não sabem que é tão profundo, nem que eu estou tentando esquecê-la... Isso só você e o Seth sabem.
Ele também largou o copo na mesa me olhando como se quisesse me ajudar apenas com o olhar.
– Mas você acha que vai esquecer de alguém ficando com outras? Acredite-me isso não é tão fácil assim.
- Não sei... Estou confuso e não sei bem o que fazer... – Notei a surpresa nos olhos dele. Eu sempre fui o garoto que nunca desistia e nunca tinha dúvidas, sempre tendo certeza e fazendo o que me desse na telha. Mas agora ele estava diante de um lado totalmente novo meu, antes desconhecido para ele. Um garoto sem saber o que fazer, confuso e triste.
- É realmente difícil uma relação assim... Até porque vai haver vários preconceitos e pessoas contra. Especialmente pela diferença de idade de vocês. Ela é adulta, você ainda não está neste estágio rsrsrs. (dei-lhe um soco de leve no braço rindo).
- Sim, já pensei em tudo isso... E ao mesmo tempo em que quero deixar de gostar dela, não quero esquecê-la...
- Griff, acho que você deve se acalmar e fazer aquilo que acha melhor! Sempre foi do seu feitio, e essa tristeza não combina com você, Fuuminha! – Ele falou me dando um soco de leve no braço, me fazendo sorrir. – Assim é melhor. Eu não sei o que a Emily pode estar sentindo, mas ela nunca brincaria com os sentimentos de alguém que ela acha tão importante. Porque você é importante pra ela. Ela também está confusa, e pra ela o peso dessa relação é ainda maior. Ela deve estar se aproximando do Zambene para te esquecer, ou talvez fazer você esquecê-la.
- Eu não sei... Sei que ela esta confusa e não queria que ela se sentisse mal. Valeu mesmo pelo apoio Ty, mas acho que quero ficar um pouco sozinho...
Ele me abraçou e me animou mais um pouco enquanto eu me levantava relutante, com meu rifle preso as costas. Sai de perto dele meio zonzo e fraco, sem rumo, querendo apenas ficar sozinho. Rumei para os jardins, com aquela tristeza conhecida no peito, tentando esquecer dela, mas não conseguia... Eu queria apenas ficar sozinho, mas esse desejo não durou muito, pois algumas garotas apareceram nos portões da festa, e uma delas estava muito nervosa, enquanto era empurrada pelas outras. Eu logo notei o motivo, e não pude segurar o sorriso...
Ty, eu vou fazer o que você falou, vou me acalmar e pensar melhor... Mas por enquanto, tentarei esquecer da Emily.
Quando finalmente aquela garota conseguiu reunir coragem para falar comigo, eu joguei meu charme nela e em minutos estávamos nos beijando... Ela era realmente linda, olhos verdes e calmos, cabelos loiros longos e um perfume delicioso. Mas me lembrava Emily o tempo todo, e nunca me senti tão mal, pois beijava uma garota, enquanto pensava em outra... O Seth tem razão, eu sou um monstro...

- Desde quando você ouviu a conversa?! – Ty falou meio espantado.
- Não muito, não pude evitar... – Emily respondeu, sentando-se ao lado do meio-irmão, parecendo cansada e triste, com a cabeça entre as mãos.
- E o que você pretende fazer, Emily? Eu o conheço, ele vai continuar tentando te esquecer com várias garotas... Mas só vai ser pior pra ele, porque não é da natureza dele. E tem Sir Shaft... Você não me falou sobre ele nas suas cartas.E hoje na festa você com o Skoblar... - o garoto cobrou.
- Vida de professor é rotineira, diferente da vida de auror e descobri que gosto desta rotina sabe? E você acaba fazendo amigos, que é o caso de Shaft e eu. E Marko é uma pessoa que quero conhecer, se vai dar certo, só o tempo dirá. Mas não se preocupe: Não vou me envolver com um aluno, por mais que eu tenha carinho por ele. E ele precisa viver a vida dele, e isso inclui namorar muito, quebrar a cara, enfim coisas que você anda fazendo, que eu sei... E os irmãos ficaram conversando e rindo por um longo tempo...

Thursday, November 01, 2007

‘Uau, você está linda!’ Sergei deu uma olhada de cima a baixo e soltou um assovio. ‘Tal mãe, tal filha, é o que eu sempre digo...’ ele sorriu sacana olhando mamãe se aproximar com uma micro roupa de dançarina de hula. Ela também me lançou um olhar de avaliação ao se posicionar ao lado de Sergei.

‘Posso saber que vestido curto é esse, mocinha?’ perguntou em tom indignado. Levantei a sobrancelha.

‘Só se você me disser o que está fazendo com esse projeto de tanga, mamãe.’ Sorri vitoriosa e Sergei me acompanhou dando uma piscadinha. Mamãe olhou de mim para ele revoltada.

‘Abusada. Eu faço a pergunta e EXIJO uma resposta, dona Miyako. A senhora ainda é menor de idade, vive sob o meu teto, minhas custas, minha responsabilidade...’ Mamãe ia listando monotonamente e Sergei a puxou sem muita delicadeza dando um beijo. Sorri agradecendo e me afastei. A festa de Halloween já estava estourando nos jardins e eu não queria perder nem um segundo. Logo avistei Gabriel, Ty, Griffon, Seth e várias outras pessoas sentadas em uma mesa. Sentei com eles.

A conversa ali era sobre as fantasias das centenas de estudantes que agora se espalhavam pelos gramados, mesas e pistas de dança. Em poucos segundos, tínhamos uma disputa acirrada entre os prováveis vencedores das mais engraçadas: Biel de Harry Potter, Samuel e Anne de Chavez e Chiquinha, Ian de Chapolin, Ty e Micah de Toquinho Boardman e Ben O’Shea, e um casal de voluntários que desfilavam de escova de dente e pasta dental.

‘Hum, chegou o trio encrenca.’ Micah falou rindo e apontando com a cabeça uma menina e dois meninos vestidos de bobos da corte. Ty concordou sorrindo.

‘Quem são?’ Perguntei interessada. ‘Lavínia e...?’

‘Victor, o namorado dela, e Ricard que ele insiste em dizer que é só amigo, e Lavínia insiste em demonstrar que são siameses.’ Micah completou. Rimos. Acompanhei os três se sentando em um sofá com outros amigos de Durmstrang.

‘Então o caso é sério assim? Quero dizer, eu também admito que seja grudenta com Ty e Gabriel de vez em quando, mas não controlo a vida deles...’ respondi rápido observando Ty e esperando que ele ousasse dizer o contrário. Ele me olhou um segundo, rindo.

‘Perto da Vina, você fica uma amiga sem coração, Mi. Ela deve controlar até os passos que o Ricard dá. Isso sem contar no desespero que fica quando ele espirra. Diz que ele está com pneumonia e enfia um monte de poções para dentro do coitado. Por isso ele é pálido desse jeito!’

Ty e Micah recomeçaram a gargalhar. Sorri, mas já estava concentrada em Ricard. Ele conversava sem muita empolgação com Victor e Lavínia, que eventualmente estavam abraçados e se beijavam de vem em quando. Quando as músicas começaram a agitar, fui levada para a pista de dança com meus amigos, mas já bolava um plano na minha mente... Precisava fazer a boa ação do dia!

°°°

‘Então quer dizer que você não dança?’ sorri e me sentei ao lado de Ricard no sofá. As músicas lentas tinham tomado lugar e a pista de dança estava abarrotada de casais dançando colados. Ricard sorriu para mim olhando desanimado para as pessoas ali...

‘Bom, não posso me enfiar no meio da Lavínia e do Victor e dançar entre os dois, não é? Embora, provavelmente, Lavínia adoraria isso... Ela diz que Victor se empolga quando estão dançando músicas lentas e fica grudado demais nela.’ Ele abaixou os olhos para a taça na mão e sorriu amargurado. ‘E você? Também não dança?’ ele se virou para mim.

‘Ah, danço sim! Adoro dançar! Na verdade, vim aqui perguntar se você não quer dançar comigo, sabe? Meus amigos estão muito ocupados em trocarem de par, e acho que nesse momento, mais vale a confraternização entre pessoas de outros lugares do que repetir figurinhas... Então te vi aqui e me lembrei que você ao menos zelou pelo bem-estar do meu ombro aquele dia e pensei... gostei dele! E aí, vamos dançar?’ Levantei ficando de frente para ele e estendendo a mão. Ele pareceu um tanto assustado e temeroso.

‘Melhor não!!! Nunca dancei com ninguém assim... tão junto. Tenho medo de pisar no seu pé, fazer você cair, enfim!’

‘Ah, deixa de bobagens! Levanta! Se eu cair, não vai fazer diferença... No ritmo que os alunos estão bebendo por aqui, não dou duas horas e vamos ter a maioria no chão. E não tem segredo para dançar... Se eu ensinei Gabriel e Ty a enganarem uns passinhos, posso muito bem te ensinar! Anda!’ Sorri e agarrei o braço dele o arrastando para o meio das pessoas.

Ele parecia um tanto nervoso quando paramos um de frente para o outro. Envolvi meus braços ao redor do pescoço dele e aos poucos ele percebeu que teria de tomar providências e colocar os braços dele ao redor da minha cintura. Quando finalmente fez isso, comecei a conduzi-lo lentamente entre passos completamente sem ordem e ríamos quando um pisava no pé do outro. Passados alguns minutos, depois de várias risadas e pisões, Ricard pareceu finalmente ter se entendido com suas próprias pernas e já me conduzia com mais segurança. Apoiei minha cabeça em seu ombro...

Dançamos juntos várias músicas enquanto conversávamos sobre as Olimpíadas, as modalidades que cada um estava participando, as escolas, as matérias... Ele se interessou muito por Beauxbatons e se divertiu quando eu contei que tínhamos aula de sereiano e etiqueta. Depois de um longo tempo, as músicas lentas pararam e deram lugar às agitadas, mas como nós dois estávamos gostando muito de conversarmos sobre as diferenças e semelhanças de nossas escolas, resolvemos sair do meio da confusão e do barulho dos alunos e nos sentamos em um pufe com desenho de teia de aranha.

‘É sério que vocês tinham Arte das Trevas?’

‘É... Até o ano passado. Ainda bem que o pai da Annia assumiu a diretoria e acabou com essa mania idiota. Estamos estudando para nos tornarmos pessoas melhores e não criminosos!’ ele respondeu sombriamente.

‘Quando Ty me contou que viria para cá, eu tive medo... Não tinha boas referências de Durmstrang.’ Sorri vendo Samuel e Anne dançando. Ela tinha se espremido dentro do barril da fantasia dele para ficarem grudados. ‘Samuel e Sávio me contavam coisas sinistras desse lugar.’

‘São os dois que fugiram em um bote?’ ele riu alto e concordei. Sávio e Dora também não se desgrudavam um segundo. ‘Ficaram bastante conhecidos, aqui. Aliás, acho que causaram alguns traumas nos professores...’

‘Bom, te garanto que não causaram traumas só aqui então. Samuel e os amigos eram os maiores criadores de casos em Beauxbatons. Já aprontaram cada uma que eu senti o castelo calmíssimo quando eles se formaram!!!’

Rimos e entramos em uma conversa ainda mais divertida sobre confusões nos dois colégios. Logo descobri que Ricard era verdadeiramente intelectual, certinho e não criara nenhum problema até então, por isso, se dobrou de rir quando relatei que já tínhamos embalsamado a gata de Madame Máxime. Estava me surpreendendo com ele a cada minuto. Incrível a capacidade que ele tinha de prender as pessoas e começar assuntos duradouros. Não era à toa que Lavínia o protegia tanto... Ele devia ser o melhor psicólogo para quaisquer tipos de problemas!

Ao nosso redor os casais começavam a se beijar frequentemente, e hora ou outra, Ricard desviava o olhar incomodado, ou ficava em silêncio, constrangido. Quando mais um desses silêncios caiu, eu observei Bel e Bernard ali perto conversando felizes. Olhei para Ricard.

‘Então...’ pensava em começar outro assunto, mas não havia nada na minha mente com tamanha urgência. Ele fingiu tossir para quebrar o clima tenso. ‘Sabe, Ricard, eu estava agora mesmo me perguntando quando é que você pretende me beijar!’ disse sem rodeios e ele realmente começou com uma crise de tosses. ‘Hum, ok, acho que já entendi que você não quer.’ Respondi com simplicidade e ele parou puxando o ar e me olhando assombrado.

‘Não é isso!’ ele respondeu com urgência. ‘É que... Bem. Eu não sei se posso te beijar.’ Ele disse tímido e lançou um olhar nervoso para Lavínia e Victor ali perto. Ela já tinha reparado em nós dois, pois também nos olhava desconfiada parecendo não prestar atenção no que Victor a dizia. Olhei para ela também e perdi a paciência.

‘Lição número um...’ disse puxando o rosto dele para que me olhasse. Estava gelado. ‘Beijo não se pede.’ E dizendo isso, me aproximei e o beijei definitivamente. Embora ele continuasse intacto por alguns segundos, aos poucos me abraçou para mais perto e descobriu que meninas não mordem, afinal.

I’m quiet, you know
You make a first impression
I’ve found I’m scared to know
I’m always on your mind

Even the best fall down sometimes
Even the stars refuse to shine
Out of the back you fall in time
I somehow find, you and I collide.

Howie Day - Collide