Tuesday, October 09, 2007

Créditos: a razão da minha ruína

Por Gabriel Storm Lupin

As aulas na Califórnia passavam em uma velocidade absurda e a cada dia me via cada vez mais soterrado em deveres. Mas apesar da enorme carga de trabalhos, mais os treinos exaustivos com o time de quadribol, estava conseguindo manter o ritmo. A única matéria que não conseguia acompanhar e entender era cálculos em poções, e o fato do professor pegar no meu pé não ajudava muito. Então resolvi não esquentar a cabeça, afinal, era só uma matéria extra.

Estava no refeitório almoçando com Sean e Evan quando Stuart sentou na nossa mesa lendo um panfleto colorido. Evan fazia bolinhas de papel e atirava em seu cabelo, mas ele não parecia notar. Rimos e ficamos parados olhando para ele esperando que terminasse.

- O que foi Capizian? – Evan falou estalando os dedos – Tem uma mulher de lingerie nesse papel?
- Não – respondeu normalmente – Mas abriram vagas para o coral da escola
- Não me diga que está pensando em se inscrever? – falei rindo e os outros dois também riram
- E por que não? Vocês também poderiam se inscrever – olhamos para ele ainda rindo e ele continuou – Os créditos são muitos...

Bingo. Ele falou a palavra mágica: créditos. Nas escolas americanas, além das matérias obrigatórias, têm as matérias extras, as que escolhemos para completar a grade. Ninguém é obrigado a escolher alguma delas, mas todas contam pontos para conseguir vagas em todas as áreas de trabalho bruxo depois de formado. Quanto mais créditos o aluno tem, mais chances de conseguir um bom estágio. E não era necessário ser uma matéria relacionada à área de trabalho que iríamos escolher. Podíamos fazer aula de economia doméstica, culinária e até entrar para o coral, e quando se formar, garantir um estágio no escritório do ministro da magia. Tudo dependia do seu desempenho nelas.

- O que é preciso para entrar para o coral? – Sean falou interessado e olhamos para ele em choque
- Ah não, você também? – Evan o sacudiu – Quem é você? Devolve meu melhor amigo!
- Basta procurar a Srtª Shawn – Stuart respondeu ignorando as risadas minhas e de Evan – Ela não faz testes com ninguém, qualquer garoto é aceito no coral, pelo que um menino do 7º ano me disse
- Você não vai se inscrever, não é? – olhei para ele desconfiado – Diga que está brincando...
- Preciso de créditos, não posso contar só com o quadribol – Sean deu de ombros e pegou o panfleto da mão de Stuart – Acho que vou me inscrever em culinária e economia doméstica também, sabe...

Sean levantou da mesa com Stuart e sumiram pela porta do refeitório. Fiquei olhando em choque pra cara de Evan, e resolvemos ir atrás dos dois. Vimos quando eles entraram na sala de música e seguramos a porta com o pé, ouvindo pela fresta aberta. A professora o coral masculino da escola era a Srtª Shawn, uma morena muito bonita e que devia ter no máximo 30 anos. Ficamos olhando com cara de bobos pra ela enquanto os dois assinavam os nomes na lista e não percebemos quando Sean abriu a porta. Estávamos escorados nela e caímos dentro da sala. Levantamos depressa ajeitando a roupa amassada e a professora riu.

- Vieram se inscrever para o coral também, rapazes? – ela perguntou com uma voz tão doce que não conseguimos responder de imediato. Stuart aproveitou a deixa
- Sim Srtª Shawn, eles também querem participar do coral!
- Ah que maravilha! – disse animada e olhei alarmado para Evan – Muitos rapazes do 6º e do 7º ano estão se inscrevendo, isso é maravilhoso!

Ainda tentamos desfazer a confusão, mas gaguejamos demais e não conseguimos formar uma frase completa, então a coisa acabou ficando por isso mesmo. Stuart e Sean sufocavam risadas vendo a Srtª Shawn colocar nosso nome na lista de alunos e tive vontade de assassinar os dois.

- A primeira aula é hoje mesmo às 16h, rapazes – ela sorriu quando se virou para nós quatro – Não se atrasem!

Deixamos a sala com sorrisos amarelos e Sean e Stuart bateram em retirada pelos corredores assim que a porta fechou. Corremos atrás deles revoltados, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. Agora éramos membros do coral da escola.

Friday, October 05, 2007

Um dia normal

Diário de Seth K. C. Chronos

- Seth?! Quanto tempo não vemos! – Os garotos que eram da Grifinória enquanto eu estudava lá me cumprimentaram a me ver na entrada do castelo. Alguns simplesmente passavam direto, nunca fui muito de falar com o resto deles. Talvez se fosse o Griffon, todos estariam falando... Eles me perguntavam como estava sendo na França e como estava meu irmão e tudo mais. Todos também já sabiam do meu namoro.

Era o primeiro final de semana em Hogsmeade, e como eu prometera, eu havia aparatado para encontrar a Luna, e agora a esperava no final da estrada de chão do castelo. É óbvio atraindo alguns olhares de repressão por parte de Filch, mas o mais incrível era saber que agora muito mais gente me conhecia. Todos sem exceção me dirigiam algum olhar. Alguns de desconfiança e outros de curiosidade mesmo. Fiquei me perguntando o porquê, mesmo já tendo um motivo em mente, e esse motivo estava caminhando na minha direção, junto da Gina.

- Olá, Seth. Desde as férias não nos vemos! E o Griffon como está? – Gina perguntou ao me cumprimentar.
- Ele está ótimo. Anda treinando muito no time de quadribol da Lux. Ele não quer perder pra você de novo como nas férias...
- Diga a ele para perder as esperanças! Eu vou indo e vou deixar vocês a sós, vou encontrar o Harry também...

Ela se despediu e abri um largo sorriso para a garota que a acompanhava. Ela também tinha um sorriso largo. A abracei com força e nos beijamos longamente. Ela então me deu o braço dela e descemos o caminho para Hogsmeade juntos.

- Estava morta de saudade de você, Kam! A escola já estava vazia antes sem você, agora então parece que ela nem existe...
- Eu também estava morrendo de saudade. É angustiante ficar naquele castelo tão longe de você... Luna, por que tanta gente parece me reconhecer agora?
- Ah, espalhou-se a notícia de que você estava namorando a Di-Lua. E como pôde observar, eles achavam que era algo raro e difícil de acontecer. Alguns até duvidaram de mim, mas a Gina os enfeitiçou. Eu realmente não me importo. Só você e ela que se importam de me chamarem de Di-Lua e não acreditarem em mim. – Ela revirou os olhos e riu, ensaiando alguns saltinhos de dança, me puxando pela mão – E também, eu deixei escapar, que meu namorado é um meio-vampiro, praticamente um auror formado, que já duelou com comensais da morte... Ah, a morte do seu tio Kyle já chegou aqui, e toda a escola sabe que você lutou também.
- Não gosto muito dessa fama... Mas porque você ainda os deixa te chamarem de Di-Lua?! Eu vou ter uma conversinha com alguns daqui, isso sim!
- Não precisa, Kam. Eu sei me cuidar e não me importo. Quero aproveitar esse dia com você... Acha que te deixariam entrar no castelo? Queria que fôssemos naquela sacada de novo. Acho que tem um ninho de Querubinhos lá. Lembra-se que sempre os ouvíamos cantando?
- Você está linda hoje. Como sempre. É bom ter um dia normal de vez em quando. Também queria ir com você naquela sacada. Mas se quiser ir, eu posso te carregar. Vem, vamos antes que tenha mais gente na estrada de volta.

A puxei pela mão de volta pro caminho até Hogwarts e dei uma olhada rápida. Eu suspeitava que houvessem encantamentos nos portões da escola, mas acho que ela readmitiria um ex-aluno, e os encantamentos da minha mãe mostravam que eu era de bem. Luna nem se importou com isso e foi na frente do caminho, parando no portão para me puxar. Esperei ouvir algum barulho pela invasão, mas como não teve nada, segui adiante com mais entusiasmo.

Fizemos um tour pelos jardins antes de procurar o lugar onde eu sabia que ficava a sacada escondida. Nos jardins não encontramos ninguém, só Hagrid perto da floresta, tratando de alguns animais para suas aulas. Ele me viu e acenou sem se importar, me mandando saudações. Perto da parede norte, segurei Luna nos braços e a beijei, sorrindo.

- Preparada para voar?
- Já voei em Testrálios, lembra-se?

A peguei no colo e fui saltando pela parede, escalando até o quarto andar, que escondia nossa sacada secreta. A sacada continuava a mesma de sempre, mas agora haviam diversas flores que nasceram naturalmente e algumas plantas que vi que tinham sido plantadas pela Luna, pois eram as mesmas de sua casa. A coloquei no chão e ela correu para uma das flores, trazendo-as para mim, confirmando que tinha sido ela que havia plantado. Ficamos abraçados olhando o dia em meio aquelas flores e depois de um tempo ela me jogou no chão e se sentou ao meu lado, abraçando-se a mim.

- Isso tudo é lindo, parece até um sonho – comentei enquanto acariciava sua cabeça.
- Também acho. Mas se fosse sonho, poderíamos fazer isso? – ela perguntou enquanto me beijava com vontade e eu a puxava mais pra perto de mim. Ficamos deitados abraçados no chão da sacada, as mãos unidas, enquanto o dia chegava ao fim ao nosso redor. Mas não queríamos nos separar.
- Daqui a pouco você tem que voltar, ou vão dar pela sua falta. – falei ao mexer em uma das mexas de seu cabelo.
- Eu não quero ir. E só a Gina notaria meu sumiço, e ela entenderia... Você que não pode se ausentar muito, lá você tem muitos amigos que notariam sua falta. Ah! Já começamos os testes de aparatação. Em breve eu irei te fazer visitas também.
- Está com ciúmes de algum deles? – falei rindo e ela riu também girando os olhos despreocupada.
- Não, não estou. Mas cuidado, ou peço a papai para me mandar algumas flores de alho-purão para usar em você! – Nos beijamos apoiados em nossos cotovelos, e deixamos a noite cair ao nosso redor. Só quando anoitecia, descemos, e me despedi dela nos portões da escola, em um beijo longo e demorado. Fiquei olhando ela andando pelo caminho até a escola, e ainda bem que tenho visão aguçada, pois pude ver sua imagem nitidamente até o portão de entrada, quando ela se virou, segurando o nosso pingente e acenando. Pude ouvir seu sussurro, como se fosse ao meu ouvido: “Amo você, Kam. Saudades desde já”.

Sim é muito bom ter um dia normal de vez em quando...

Monday, October 01, 2007

O ano em Beauxbatons havia começado com algumas novidades. Além dos nossos horários estarem muito mais carregados de aulas e obrigações, por causa do NIEM’s, teríamos as 1ªs Olimpíadas Interescolares no início de Outubro. Desde então, não se falava em outra coisa. Todos os estudantes estavam empolgados com a perspectiva de conhecerem outros colégios, competirem modalidades bem diferentes de quadribol e abandonarem Beauxbatons, ainda que por alguns dias.
Com isso, o castelo tinha montado uma arena especial para os treinos de todas as modalidades, e ela permanecia cheia o dia todo.

Além disso, eu agora tinha uma nova companheira de quarto... Dora. É, eu sei que parece um pouco estranho de acreditar, mas por incrível que pareça, ela estava muito diferente. E após me relatar todas as coisas que tinham acontecido com ela durante as férias, eu me lembrei o quanto gostava de ser cupido e conselheira amorosa das pessoas. Por isso, abri na rádio um novo quadro: AMAR É... Basicamente, eu falo de amor e relacionamentos. E estudo casos dos próprios alunos, que me mandam cada dia mais cartas pedindo opiniões. Os estudantes de Beauxbatons eram, em sua essência, CARENTES! Brenda e Violet também estavam me ajudando na Rádio. Brenda fazia relatórios diários sobre as novidades na Arena de Treinamento e sobre as Olimpíadas, além de novidades da escola. Violet, por sua vez, continuava contando algumas histórias de terror, relatando as novidades do quadribol, e outras notícias quaisquer. Tudo caminhava bem, e relativamente normal...

°°°

IM: OI!!! – cheguei animada e me sentei entre Brendan e Dora. Brendan não fez sequer um movimento. Ele andava um tanto estressado. Dora porém me deu um sorriso.
DG: Bom dia... Ah, Morgana acabou de deixar uma carta para você. Ela parecia ansiosa para tirar um cochilo. – ela estendeu um envelope e senti extasiada ao ver que era de papai. Rasguei o envelope no mesmo instante e li a carta, abrindo um sorriso logo em seguida.
IM: Excelente!
DG: O que é tão bom?
IM: Henrique conseguiu alugar um apartamento pertinho da nossa casa! Agora ele está morando em Nova York. Eu sabia! Sabia que ele era o homem da minha vida, desde a hora que olhei a primeira vez aqueles olhos... – suspirei e abracei a carta de papai. – Vamos nos ver sempre. Ele foi contratado, vai mesmo trabalhar com papai!!!
DG: AH Isa, que bom! Espero que dê certo...
IM: Vou fazer isso dar certo, pode ter certeza!
BL: Bfff... – como primeiro pronunciamento de que estava ali, Brendan soltou uma risadinha irônica e se levantou jogando a mochila no ombro.
IM: Aonde você vai hein?
BL: Sabe, caso você não tenha percebido ainda, estamos no mundo real e não no mundo lindo e colorido da sua imaginação... E nesse mundo real, Isabel, temos aula de Mitologia em 10 minutos. Não quero chegar atrasado. Até mais.

Ficamos observando ele sumir do Salão Principal. O que quer que estivesse acontecendo com Brendan, parecia ser algo bastante intrigante. Ele nunca me tratara daquela maneira. Dora comentou algo como ‘grosso’ e saímos para a aula juntas. Brendan havia se sentado no fundo da sala, sozinho. Nas aulas da Emily a maioria esmagadora dos estudantes se sentava na frente... Quando fiz menção de me sentar ao lado dele, ele já foi cortando.

BL: Esquece. Não quero conversar agora ok? Depois... Só me deixa sozinho um pouco.
IM: Ótimo. Como você preferir. Mas não vou aturar seu mau-humor muito tempo, e já estou avisando! Ou cospe esse limão, ou é melhor nem vir falar comigo! – revidei e fui para a frente da sala com os outros.

O restante do dia parecia demorar bastante para passar. Só então eu percebi a falta que Brendan me fazia com seus comentários alegres e bem dispostos. Mas eu estava convencida a não dar o braço a torcer. Afinal, tinha consciência plena de que não tinha dado nenhum motivo para ele se aborrecer comigo, então se ele tivesse algum motivo que viesse falar de uma vez! E ele não veio. Depois do almoço segui para a aula de Legilimência sozinha.

- Bom, boa tarde! – o professor Edmond começou a aula pedindo que nos aproximássemos. – Hoje vamos fazer um trabalho diferente... Vou dividir vocês em duplas e depois explico o que devemos fazer ok? Certo. Renault, você fica com a Anabel McCallister. Isabel com o senhor Lamarck. Vasseur...
IM: Professor, será que pode me colocar com outra pessoa?
- Não. Você fará com o Brendan, tudo bem? Sem problemas pessoais nas aulas.

Fiz uma careta e fiquei ao lado de Brendan. Quando todos já estavam em duplas, o professor começou a explicar o que deveríamos fazer.

- Nessa primeira aula, um de vocês vai ler a mente do outro o máximo que conseguir, e fazer um relatório para me entregar até o sinal bater. Na outra aula, quem vai fazer um relatório é o outro da dupla. Entenderam? Concentrem-se e podem começar.

Ainda com raiva, me sentei de frente para Brendan. Encarei-o decidida a fazer o trabalho o mais rapidamente possível.

IM: Eu começo ou você?
BL: Eu.
IM: Ok, estou pronta. – respirei e me preparei. Ele apontou a varinha para mim e disse ‘Legilimens’ e um vídeo começou a ser passado de trás dos meus olhos. O dia que fiquei de frente com a Bel, quando Giovanna morreu, o dia que cheguei a Beauxbatons, partes de jogos de quadribol, cenas da viagem da Alemanha, conversas com Brendan, Rubens e finalmente... Henrique. Lá estávamos nós, naquela sorveteria no centro de Nova York, tomando grandes sundays e rindo como se nos conhecêssemos há anos, como se fosse tudo óbvio. Já estava me sentindo feliz novamente quando a sala de aula tomou forma.

Brendan me olhou seco, como se estivesse me analisando, e começou a escrever o relatório. Quando o sinal tocou, entregou ao professor e deixou a sala. Novamente segui sozinha para a aula de Etiqueta e aquilo estava começando a me irritar...

°°°

- Certo, segunda parte do trabalho. Agora o outro da dupla que faz o relatório certo? Podem começar.

Brendan estava olhando para baixo, então sem nem esperar ele se pronunciar, apontei a varinha.

‘Legilimens’.

E novamente imagens começaram a rodar, só que dessa vez eu não me lembrava da maioria delas... Uma família sorrindo, Brendan brincando com um cachorro, a chegada a Beauxbatons e o meu rosto. Tão grande e tão sorridente como jamais me lembrava ter visto. A partir daí, todas as imagens eu me lembrava. Conversas, cócegas, brincadeiras, conselhos, abraços. Eu e Brendan e somente nós dois em todas as memórias. Queria ir mais, ver mais coisas, mas Brendan fechou sua mente de repente e quando seu rosto tomou forma ele olhava com ódio para mim.

BL: Você não tinha o direito! Eu ainda não estava pronto! Acho que já conseguiu coisas demais para esse relatório idiota, não conseguiu? Aposto que sim.

Levantou-se e pediu ao professor Edmond liberá-lo para ir à enfermaria. Saiu da sala batendo a porta e eu continuava estática. Então era esse o problema. Isso que todos viam e eu nunca tinha percebido... Brendan gostava de mim! Tão lógico!!! Como eu nunca me dei conta? Escrevi um relatório rápido sobre as únicas memórias que não me envolviam e entreguei saindo da sala em seguida. Procurei Brendan por vários lugares, mas ele não estava no Salão Comunal, nem no Principal, nem nos jardins...

Fui para a rádio me sentindo péssima. Ainda faltava uma hora até que Violet e Brenda chegassem, mas eu não tinha aonde ir. Sentei, arrumei o microfone e coloquei o rádio no ar.

IM: O amor é estúpido! Eu sei que vocês devem estar pensando ‘o que raios ela está dizendo? Será que vai começar mais um conselho?’. Não. Aliás, hoje eu descobri que não posso aconselhar nem minha coruja!!! O amor é estúpido demais. Tão estúpido que deixa as pessoas burras. Esqueçam meus conselhos, não servem para nada. Aliás, não se apaixonem! E nem se enganem! Por que o MUNDO REAL é muito frio para o amor. O amor é só uma ilusão e ponto. Sinto muito dizer isso, mas é a verdade!!!

Desliguei o rádio e abaixei a cabeça chorando. Senti ódio de mim mesma de nunca ter notado Brendan. Logo ele, sempre do meu lado! Não sei quanto tempo fiquei ali dentro sozinha, talvez minutos ou horas... Por mim, ficaria ali para sempre se eu pudesse. Pelo menos não teria que encarar Brendan novamente, e isso me parecia a melhor opção. Mas então a voz dele atrás de mim me assustou tanto que quase saltei da cadeira...

BL: Gosto de você desde o dia que nos conhecemos. Gosto tanto de você que achei que poderia conviver com isso só para mim desde que você estivesse feliz. Mas não consigo me controlar mais... Quando você falava do Rubens, eu sabia que não daria em nada. Mas quando você fala do Henrique, com esse sorriso esperançoso e esse olhar brilhando, alguma coisa dentro de mim me desperta raiva, desprezo, e eu perco o controle sobre o que eu falo ou faço. Me desculpa.
IM: Você não tinha o direito de me esconder isso! Eu poderia...
BL: Me fazer entender que não gosta de mim como eu gosto de você? Não precisa. Já entendi. Olha Isa, não precisa se sentir culpada por não ter percebido antes. É natural que você não tenha notado... Esquece o que você viu, ok? Só preciso de um tempo para me acostumar com a idéia de que agora você sabe, e de que nada deve mudar. Alguns dias, só isso que eu te peço. Mas se quer saber o que eu acho... O amor é lindo. Você me fez ser uma pessoa melhor, mesmo sem saber de nada.
IM: Do que você está dizendo? Está tudo de cabeça pra baixo...
BL: Alguns dias, Isa. Depois eu te procuro. Tchau.

Ele me olhou significativamente e saiu da sala. Talvez ele estivesse certo. Uns dias longe seriam bons para eu colocar as coisas no lugar e entender o que de fato estava acontecendo...

The sun is breaking in your eyes
To start a new day
This broken heart can still survive
With a touch of your grace
Shatters fade into the light
I am by your side
Where love will find you…

What about now?
What about today?
What if you’re making me all that I was meant to be?
What if our love, it never went away?
What if it’s lost behind words we could never find?
Baby, before it’s too late
What about now?

What about now - Daughtry

Wednesday, September 12, 2007

Novos ventos...

Por Gabriel Storm Lupin

- Classe dispensada – O professor Collins falou sem entusiasmo e fechei o livro depressa – Senhores Bass, Hawke e Lupin, fiquem

Sentei outra vez na cadeira resmungando e Sean e Evan fizeram o mesmo. Shannon e Stuart riram e saíram da sala antes que ficassem retidos também. Era o ultimo período de quarta-feira e tivemos aula de Poções normal, mas com o mesmo professor de Cálculos. Como se não fosse o bastante uma matéria só. Nosso primeiro treino de quadribol estava marcado pra dali a 10 minutos e ainda precisávamos nos trocar, mas aparentemente, isso não seria mais possível.

Collins nos deixou em detenção por causa de um desenho que estava circulando no laboratório e que ele descobriu ser de nossa autoria, somado a uma poção que “misteriosamente” explodiu, soltando fagulhas no teto. Ficamos limpando os balcões e o teto por quase meia hora, quando a porta abriu e um homem que parecia ter a idade do meu pai, negro e com uma cara muito irritada entrou sem cerimônias, largando uma prancheta na mesa e quase cuspindo as palavras para Collins.

- Posso saber o porquê três dos meus jogadores mais importantes não estão em campo nesse exato momento com o resto da equipe?
- Os senhores estão em detenção por fazer bagunça na minha aula – Collins respondeu com a voz normal
- Harold, da próxima vez que quiser punir seus alunos, faça isso em dias que eles não tenham treino. Vocês três, larguem esses panos agora e vão trocar de roupa! – Obedecemos ao homem na mesma hora e corremos para a porta
- Herman, você não pode interferir na decisão de outros professores! – Collins falou em um tom de voz alterado pela primeira vez
- Vá discutir com Diperma o que ele prefere: o time estruturado e pronto para vencer ou as cadeiras do laboratório limpas! – E dizendo isso ele bateu a porta – Pensei ter dito para se trocarem imediatamente!

Saímos em disparada pelo corredor em direção ao vestiário masculino e em dez minutos estávamos de volta ao corredor, já com as roupas do treino. O homem estava parado de braços cruzados nos esperando e caminhamos apressados com ele para o campo. Ele era ao treinador novo, não o conhecíamos ainda, mas já havia gostado dele.

- Fiquem sabendo que não costumo fazer isso – Disse quando alcançamos o campo – Mas é o primeiro treino e tive que atrasar meu discurso por causa da ausência de vocês. Se começarem a acumular detenções nos horários de treino, vão para o banco.

Sorrimos sem graças para ele e concordamos com a cabeça. O time já estava todo espalhado no campo brincando de arremessar a goles e pararam quando nos viram chegar. Notei que havia muitos rostos novos, garotos que não estavam aqui na temporada passada. Todos se largaram na grama esperando o treinador falar. Ele andou de um lado para o outro por alguns segundos, leu alguns nomes na ficha e nos encarou com as mãos na cintura.

- Meu nome é Herman Boone. Treinador Boone. Alguns já me conhecem, andei visitando algumas casas no verão e recrutando novos jogadores. Para os que não me conhecem, não sou amigo e nem babá de vocês. Vamos trabalhar duro esse ano. Prêmios de melhor batedor e melhor apanhador não valem de nada se junto deles não estiver a taça do campeonato. Ano passado vocês ficaram em segundo lugar. Segundo lugar não é uma opção. O primeiro lugar é a única. É vencer, ou vencer. Nosso primeiro jogo é semana que vem, contra o Montana Timberwolfs. Eles são bons, fortes, e trabalham juntos. Mas nós somos melhores. E vamos deixar que eles entendam isso logo na abertura da temporada. Cavalheiros, peguem suas vassouras e para o alto.

Todo mundo levantou do chão apressado e em questão de segundos a área do campo se encheu com 20 vassouras voando de um lado para o outro. O treinador Boone nos dividiu em dois times e deixou alguns treinando arremessos, autorizando o inicio da partida. Não estávamos voando há mais de cinco minutos quando ele apitou.

- Bertier! – gritou enfurecido e o garoto de cabelo castanho se assustou – Porque não bloqueou o Pace? Ele estava livre e você próximo!
-Desculpa, treinador – Ele deu de ombros
- Resposta errada, Bertier – Boone avançou na direção de Josh e vi que ele recuou assustado – Quando o artilheiro do time adversário estiver voando livre na direção do gol, não tenha receio de interceptá-lo! – Ele fez um movimento rápido em volta de Josh e conseguiu tomar a goles dele – Faça isso, mas em movimento. Não interessa se ele é o capitão, derrube-o! Não espere os batedores sempre! Recomecem!

Retomamos nossas posições e continuei procurando pelo pomo, sempre com o apanhador do outro time, Emerson, na minha cola. Alguns minutos depois de voar sem encontrá-lo, ouvi alguém berrar um pouco abaixo de mim e olhei depressa. Josh tentava montar outra vez na vassoura enquanto o treinador falava animado com Bertier e os outros dois artilheiros riam. Acho que ele seguiu as dicas.

O treino seguiu violento pelo resto da tarde. Josh estava enfurecido por ter sido derrubado da vassoura e gritava instruções para Blake e Andy usarem força bruta na hora de tomar a goles e para que Evan e Sean arremessassem os balaços direto para cima dos artilheiros do time reserva, mas a verdade é que não foi tão simples assim. Os novos artilheiros reservas deram um baile nos titulares. Bertier perdeu o medo de peitar Josh e os outros dois partiam com vontade para cima deles. A goles não ficava nem cinco segundos em posse do nosso time sem que eles a recuperassem. Os batedores novos também eram bons e rebateram bons balaços, mas não alcançaram a marca dos nossos. Sean rebateu um balaço rente a Bertier que apenas o desequilibrou e Josh partiu berrando em sua direção.

- Eu falei para derrubá-los! – gritou tomando o bastão da mão de Sean e atirou um balaço para cima de Peter, atingindo seu braço – EU sou o capitão e quando dou uma ordem, espero que a cumpram!
- Porque não se preocupa em fazer gols e deixa que dos balaços cuido eu? – Sean tomou o bastão de volta o empurrando com raiva – Você não joga em todas as posições, Josh!
- Cavalheiros, já chega! – o treinador Boone interveio antes que uma briga começasse – Bertier, como está o braço?
- Está bem, treinador, não pegou direito
- Certo. Por hoje podemos parar, para o chão.

Evan e eu puxamos Sean depressa antes que ele desacatasse a ordem e partisse para cima de Josh e sentamos no gramado cansados junto com o resto do time. Bertier segurava o braço enquanto caminhava para perto de onde estávamos, mas não reclamava de dor. E dificilmente reclamaria, pois não admitiria que havia se machucado de verdade. O treinador deixou que bebêssemos água antes de começar a falar.

- Não foi um treino ruim. Não passei muitas instruções, queria ver como costumavam jogavam. Costumavam. Tudo que aprenderam ate agora está no passado – Ele rabiscou alguma coisa na prancheta e apontou a caneta para Josh – Você. Ser capitão não é ter subalternos. Melhore sua comunicação com seus companheiros de time no próximo treino ou perderá a braçadeira. Amanhã será diferente, montarei um novo time titular e um novo reserva. Podem ir.

Josh levantou do gramado primeiro que todo mundo e sumiu de vista. Ficamos para trás rindo e nos apresentando aos novatos e quando chegamos ao vestiário, não havia sinal dele. Acho que novos ventos começam a soprar aqui na Califórnia...

Tuesday, September 11, 2007

Rory Montpellier, direto da escola de Magia do Texas


Chegamos na escola, no horário marcado nas cartas que havíamos recebido e ao chegar nos terrenos da escola, vimos um cartaz enorme escrito "homecoming" e uma mesa com algumas garotas usando uniformes de cheerleader, cumprimentando as pessoas e distribuindo os horários das aulas. Parecia que estávamos num parque de diversões ao ar livre. Havia gente andando de um lado a outro comendo pipoca, bebendo refrigerantes, pais acompanhando os filhos até seus alojamentos e conhecendo a escola.
- Não se esqueçam de ir ao jogo de basquete. Faz parte da tradição da escola. Vai começar daqui a pouco. – disse uma garota negra bonita com cabelos longos e nos entregou nossos horários, apesar do nosso sotaque ainda ser bem carregado, ela nos entendeu bem. Levamos nossas coisas para o dormitório dos alunos e fomos até o ginásio de esportes, que estava lotado tanto pelos alunos quantos por suas famílias.
O local era enorme e bem equipado, inclusive com uma área separada para a imprensa, e na quadra já havia dois times se aquecendo. Era o time da casa o Texas Mustang contra o visitante Houston Cowboys.
Não demorou muito e a diretora Carter entrou no meio da quadra sendo muito aplaudida, enquanto acenava a todos:

"Caros alunos, senhores pais, professores, e membros do Conselho: Bem vindos a mais um ano na Escola de Magia do Texas. Fico feliz por estarmos juntos novamente e tenho alguns avisos importantes: O primeiro é que teremos o patrocínio necessário para o nosso jornal e pudemos ampliar nosso quadro de futuros jornalistas, inclusive com a colaboração de alunos de outros países. Obrigada ao senhor Warrick. (aplausos enquanto um homem de cabelos negros usando jeans e um blusão do time da escola se levantava acenando. Ele parecia meio constrangido).
"Este ano, o Instituto Durmstrang, juntamente com a Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts e a Academia de Magia Beauxbatons, estará sediando a I Olimpíadas Bruxas Interescolares’
Todos se agitaram nas arquibancadas e Lucien já sacava seu bloquinho de anotações, entusiasmado. Ela aumentou o tom de voz animada e continuou: ‘As delegações de Hogwarts e Beauxbatons, junto com as delegações de mais 20 instituições de ensino de magia do resto do mundo, deverão se reunir em Durmstrang no dia 6 de Outubro. A abertura será no dia 7, em Durmstrang, e os jogos terão início no dia 8, e o encerramento será no dia 17 de novembro em Hogwarts. Mais informações estarão pelos corredores da escola. E agora vamos aproveitar o jogo".
A partida foi muito animada, com lances surpreendentes, e notei que o time trabalhava unido, seguindo as orientações do técnico e do armador um rapaz de apelido Smash. A cada cesta as cheerleaders, faziam coreografias animadas. O jogo terminou com a vitória dos Mustangs, por 95 a 84. Depois da partida fomos para nossos dormitórios, o dia seguinte seria o primeiro dia de aula.
Estava ansiosa.


Ao chegar na escola, me separei dos meus irmãos e fui rápido encontrar a sala de transfiguração, minha primeira aula seria com a professora Annabeth, e não seria bom me atrasar, peguei meus livros e me virei rápido, e ao fazer isso me choquei com uma pessoa, e meus livros caíram no chão. Murmurei um pedido de desculpas em francês e logo me corrigi:
- Desculpe.- e olhei a pessoa que eu havia atropelado. Era o armador do time de basquete, chamado Smash.
- Está tudo bem com você? - ele perguntou.
- Sim, tudo bem. A culpa foi minha não olhei para onde ia. - enquanto pegava meus livros do chão e ele fazia o mesmo com seu material.
- Sabe onde fica a sala da professora Annabeth? - perguntei.
- Vá por este corredor até o final, ai você verá as placas indicativas. - ele respondeu, me entregando o ultimo livro. Sorri para ele em agradecimento, e ele retribuiu o sorriso. Ele foi bem simpático ao contrário de sua acompanhante.
- Smash você vem comigo ou vai bancar o guia turístico? - perguntou ríspida uma garota que reconheci como uma das cheerleaders da escola.
- Já estou indo Charlene. Tchau.
Despedi me dele e fiz como ele havia indicado. Achei a sala da professora Annabeth e me sentei numa carteira vaga e comecei a fazer as anotações para os novos feitiços. Quando a professora nos mandou abrir o livro de transfiguração avançada não o encontrei em lugar algum da minha mochila e tive que emprestar um dos livros da escola. Quando a aula terminou era hora do almoço e após devolver o livro para a estante, fui procurar o refeitório para encontrar meus irmãos, enquanto andava ia lembrando os lugares onde poderia ter deixado meu livro quando ouvi alguém me chamar:
- Ei Rory, espera.
Virei-me e era Smash vindo na minha direção.
- Como sabe meu nome? Não nos apresentamos. – perguntei curiosa.
- Está escrito no seu livro. Acabei misturando com os meus livros, vim te devolver, porque você poderia achar que tinha perdido.
- Estava preocupada mesmo, mas obrigada por me trazer o livro... - antes que eu terminasse de falar ele disse:
- Meu nome é Brian. Mas todo mundo me conhece por...
- Smash. Vi o jogo ontem, vocês foram ótimos. -completei.
- É... - antes que ele falasse mais alguma coisa, uma voz estridente o chamou:
- Smash, o pessoal já esta reunido. O que pensa estar fazendo?
- Nada que seja da sua conta Charlene. Bem... O livro está entregue, até outra hora. Guardei meu livro no armário e fui procurar os meus irmãos.

o-o-o-o-o-
- Rory o que você tem?- perguntou Lucien, me observando.
- Preciso ir ao banheiro, encontro vocês daqui a pouco. - e corri para o banheiro, pois estava enjoada e sentia muito calor.
Após passar mal comecei a lavar o rosto e umas três garotas entraram. Nem olhei para elas e continuei a me refrescar. Quando senti alguém me puxar pelo braço:
- Ora, se não é a aluna nova, que não tem noção das coisas. O que você estava falando com o Smash?
- Como ele disse: nada que seja da sua conta. – respondi encarado-a. As outras assobiaram e a garota ficou mais irritada.
- Você pensa que só porque é nova aqui não segue regras? Pois fique sabendo que o Smash e eu namoramos sério.
- Não quero saber da sua vida ou da vida do Brian. Tenho coisas mais importantes para fazer. – disse puxando meu braço. Devo ter dito algo ofensivo sem perceber porque ela gritou:
- Peguem-na. Ela merece uma recepção de boas vindas. – e as outras me seguraram pelos braços.
- Vamos ver se você vai continuar chamando MEU namorado de Brian, depois de tomar um caldo. – e começaram a me empurrar de volta para o banheiro. Comecei a me debater tentando pegar minha varinha, mas elas me seguravam com força. Quando a tal de Charlene abriu a porta e tentou empurrar minha cabeça dentro do vaso sanitário, uma outra voz se fez ouvir:
- Parem com isso!- e a garota que falava era a mesma que havia entregado meus horários no dia do jogo.
- Ah é você Jaeda? Isso não tem nada a ver com você. Vá andando ok?
- Charlene você esqueceu que sou eu quem escolhe as cheerleaders? Está querendo me irritar? – ao ouvir isso as garotas pararam.
- Ela deu em cima do Smash, até o chama de Brian. - Charlene tentou se justificar.
- Você deveria conversar com ele sobre isso. – ela respondeu seca.
- Não! É melhor eu resolver com ela. Foi ela quem deu em cima dele. - ela repetiu
- Eu não tenho interesse nenhum naquele garoto, com este calor, seu cérebro fritou. – disse irritada e Jaeda tinha um brilho divertido no olhar.
- Meu irmão não costuma namorar meninas inteligentes. (eu e ela seguramos o riso diante da cara confusa que a tal Charlene fez). – Charlene, faça o que eu mandei, eu não tenho o dia todo.
Ela e as amigas me soltaram, mas ainda tinham olhares assassinos para o meu lado, e saíram do banheiro. Olhei para a garota e agradeci.
- Como sabia que eu precisava de ajuda?
- Seu irmão, disse que você estava passando mal e pediu para eu ver se estava tudo bem, afinal é um banheiro de garotas, e pegava mal ele entrar. Qual o problema? Além de Charlene é claro. - rimos.
- Fiquei enjoada, mas ficarei bem. – disse e coloquei a mão sobre minha barriga. Ela me olhou de um modo estranho e disse:
- Bem, meu nome é Jaeda e além de chefe das cheerleaders, sou editora do jornal da escola. Acho que você tem que almoçar agora não? Porque não vem comigo e vamos conversando sobre o jornal. Pelo que a professora Annabeth me falou, seu irmão também quer ser jornalista.
- Sim, eu gostaria de conversar com você sobre isso e outras coisas sobre a nova escola.
Saímos dali e encontrei meus irmãos. Jaeda era muito engraçada e me pareceu uma pessoa muito interessante. Lembra-me demais Danielle, (ah que saudades minha amiga). Espero que quando minha barriga crescer, ela não tenha vergonha de andar comigo.

Thursday, September 06, 2007

BL: A gente se vê logo, ok? – me abraçou apertado sorrindo e me dando um beijo em seguida.
AD: Ok. Se cuida. Juízo, hein?
BL: Esse é meu nome. – rimos. – Vou sentir saudades...
AD: Eu também. Mas chega de drama?! – disse dando um último beijo nele antes de me afastar.

Bernard ficou parado no porto acenando enquanto eu subia no barco de Beauxbatons. Os alunos se acomodavam entre conversas e risos. Anne e Brenda logo entraram, ambas olhando Samuel e Chris, que também estavam acenando despedidas. Isa foi uma das últimas a embarcar e vinha contando animadíssima alguma coisa a Brendan, que não exibia um rosto muito feliz.

Quando o barco começou a se distanciar e acenei uma última vez para Bernard que desaparatou logo em seguida, suspirei. As férias de verão tinham passado aos atropelos. Mal acreditei que estava embarcando para meu último ano de escola. Anne e Brenda começaram a contar as novidades...

AR: Eu conheci os PAIS dele! O Samuel é muito apressado, sério. Já me apresentou a família toda. E a Samara, a irmã mais nova dele, é uma fofa. – ela riu se lembrando. – Me senti tão constrangida! Afinal o pai dele é Ministro da Magia né? Mas também é muito simpático.
BV: Quando conheci a família do Chris, foi um desastre! Quebrei a xícara de porcelana da avó dele, estava tremendo. Mas passado o trauma inicial, me apeguei muito a eles. – Brenda e Anne caíram na risada. Soltei um muxoxo e elas me olharam.
AR: Aconteceu alguma coisa, Bel? Você e o Bernard ainda estão juntos... não estão?
BV: Claro que estão! Estava abraçando ela que nem um polvo agorinha mesmo! – Brenda disse debochada.
AD: Bernard conheceu minha família nessas férias e foi quase uma tragédia!

Então eu contei tudo o que tinha acontecido, e toda a história com a Samantha. Anne e Brenda escutavam com atenção, às vezes fazendo uma careta ou rindo. Quando terminei, as duas ficaram caladas um minuto.

BV: Eu acho que você fez bem, Bel. Não estou dizendo isso por que acho que você tenha que prender o Bernard. Você é linda, inteligente... Se terminar com o Bernard, vão chover outros interessados! Mas você gosta dele, e ele gosta muito de você, dá pra perceber. E todas as pessoas merecem um voto de confiança. Vocês ainda não eram namorados.
AR: Homem é tudo igual! – Anne disse irritada. – Apesar de achar que você fez certo, eu admito que se isso acontece comigo... Nem sei o que sou capaz de fazer!
IM: Pois eu acho que a Bel fez muito bem. O Bernard é um fofo, com todo o respeito, irmãzinha!

Isabel chegara entrando na conversa e sorrindo. Brendan continuava do lado dela, carrancudo.

IM: O amor é lindo! O céu é azul! Os passarinhos cantando...
AD: O que você quer aqui, Isabel? Não me lembro de ninguém ter te convidado para a conversa. – respondi seca. Ela fingiu não ter escutado.
IM: Já contei que estou apaixonada?
AD: Quem é o alvo dessa vez?
BL: Um homem bem mais velho que ela! – Brendan falou pela primeira vez, grosso. Isabel se virou para ele parecendo chateada, mas retrucou.
IM: Não é bem mais velho, Brendan! Quem ouve isso, até pensa que está com um pé na cova!
AR: Quantos anos afinal? – Anne perguntou interessada. Brenda concordou.
IM: 25 anos, moreno, olhos verdes, educado, inteligente, simpático, extrovertido, um deus!!! – ela disse aos atropelos, elétrica. Brenda assoviou.
BV: Onde você encontrou esse ‘deus’, Isa?
IM: Lá em casa, sentado no meu sofá!!! É um estagiário do meu pai... Foi amor à primeira vista!
AR: Mas... aconteceu alguma coisa?
IM: Não. – Isa abaixou ligeiramente a cabeça desanimada. – Nada além de muitas horas de conversas e um passeio por Nova York, um sorvete e algumas indiretas. Mas eu senti algo diferente, eu sei!
BL: Deu para sentir coisas agora?

Não sei o que Brendan tinha, mas aquele assunto estava o aborrecendo muito. Isa respirou antes de se virar com raiva.

IM: E desde quando você se tornou carrancudo, hein? Qual o seu problema?
BL: Me desculpa se não consigo me sentir empolgado pela sua ‘paixonite’ aguda, ok? Nos vemos mais tarde. Vou conversar com o Tony sobre o time de quadribol. – virando as costas e se afastando. Isa sacudiu os ombros sorrindo novamente e se sentando ao lado de Anne.

Os assuntos então começaram a se diversificar. Iam de amores platônicos à quadribol, disso para metas, carreiras e NIEM’s. Meu estômago dava uma embrulhada todas as vezes que essa sigla era pronunciada. Eu sempre quisera ser auror, seguir os passos da minha mãe. Mas agora que estava tudo tão perto de acontecer, me assustava pensar que eu já estava chegando ao fim. Engoli em seco e afastei isso do pensamento. Brenda, Isa e Anne agora conversavam animadas sobre a rádio do castelo e novas idéias. Brenda tinha, inclusive, se oferecido para ajudar Isa. Algumas horas depois, as primeiras torres de Beauxbatons começaram a ser avistadas e o alvoroço para juntar bagagens aumentou.

Quando descemos no porto do castelo, Isa se despediu indo ao encontro de Brendan, Dora e alguns outros alunos da Fidei. Anne, Brenda e eu saímos juntas arrastando as malas e gaiolas. Havíamos acabado de desembarcar e começávamos a seguir o fluxo de estudantes pelo caminho até os portões do castelo, quando senti algo muito pesado caindo na minha cabeça e tudo ficou escuro.

°°°

Abri os olhos e os fechei quase imediatamente. A claridade que vinha do quarto me fez lacrimejar. Ouvi vozes ansiosas ao meu redor. Abri os olhos novamente e a enfermaria do castelo tomou forma.

BV: Bel! Finalmente! – Brenda se levantou agitada. – Então, está se sentindo bem?
AD: Minha cabeça está em chamas! O que aconteceu?

Mas antes que ela ou Anne pudessem responder, Madame Magali colocou uma bolsa de água com gelo na minha testa, parecendo irritada. Quando fiz uma careta, ela sorriu.

- Desculpe querida, mas se não colocar gelo na sua testa, esse calombo vai ficar imenso. Tome esse comprimido para dor de cabeça e quando estiver se sentindo bem, está liberada! – sorriu gentilmente e se afastou um pouco reclamando baixo ‘lançar malões do barco... francamente! Isso podia ter machucado de verdade.’ Arregalei os olhos.
AD: A coisa pesada que caiu na minha cabeça era um malão??? Quem foi o trasgo infeliz que lançou um malão do barco?
AR: Um novato. Ulisses. Disse que ele escorregou das mãos dele e caíram, bem em cima da sua cabeça. Estava aqui agorinha mesmo, mas tinha uma reunião com Máxime e avisou que volta depois para ver como você está.
AD: Quanta gentileza!!! – comentei irônica. - Depois querem ser bem recebidos? Mal chegam e já tentam assassinar os veteranos.

Anne e Brenda riram. Fiquei mais uma hora até sentir a cabeça um pouco mais leve e sair da enfermaria. O novato não voltara.

°°°

As aulas recomeçaram em ritmo frenético. Os professores pareciam convencidos em nos deixar cada vez mais preocupados com os NIEM’s, e em dois dias eu já acumulara uma montanha invejável de deveres e trabalhos atrasados. As duas aulas extras de Transfiguração haviam acabado há apenas alguns minutos. Já eram 22:00 e os alunos se arrastavam cansados da sala para seus salões comunais. Estava pensando em voltar para a Sapientai e adiantar alguns deveres quando Gerard me surpreendeu.

- Senhorita McCallister! Finalmente. Madame Máxime quer ter uma palavrinha com você agora. Se quiser me acompanhar até a sala dela, por favor...

Fiquei confusa. Nunca tinha sido chamada para uma conversa às pressas com Máxime, muito menos àquela hora da noite. Quando entrei na sala dela, Máxime se levantou sorrindo. Um garoto alto, pálido, de olhos verdes e com rosto simpático se virou para me olhar.

AD: Queria falar comigo, professora?
- Sim, por favor, entre minha querida. – ela disse cortês e obedeci fechando a porta ao passar. – Esse é Ulisses Bonaccorso. Um dos nossos novatos.
AD: Prazer. – estendi a mão. Ele sorriu, mas ao ver o machucado na minha testa, ficou sério.
UB: Te devo desculpas. Imagino que tenha conseguido esse curativo por minha causa. – Ele disse sincero. Me lembrei da história do novato com a mão frouxa e fiquei irritada. Máxime olhava de um para outro sem entender, então interrompeu.
- Bom, Anabel, te chamei para pedir uma ajuda. Ulisses ainda não sabe falar muito bem o francês e se confessou com dificuldades para acompanhar as matérias. – fiquei calada já esperando o que viria a seguir. – Então, eu pensei em chamar um aluno para ajudá-lo e devo dizer que não consigo pensar em ninguém mais indicado que você! Você se importaria de dar uma ajuda a Ulisses nas horas vagas? Só até ele conseguir acompanhar o ritmo por conta própria...

Uma pedra de gelo caiu no meu estômago. Era evidentemente impossível eu encaixar aulas de apoio para um novato homicida no meu horário, já deveras cheio. E todos os deveres, trabalhos, revisões... Mas ao mesmo tempo, como eu recusaria um pedido de Madame Máxime, pessoalmente? Não tive alternativas.

AD: Hum, acho que tudo bem. Embora não tenha muito tempo livre... – comecei, mas Máxime abrira um sorriso satisfeito e me interrompeu.
- Ótimo, ótimo. Obrigada! Bom, monsieur Bonaccorso, acho que agora você e a senhorita Damulakis poderiam combinar por conta própria, não é? Se não há nada mais, podem ir. Boa noite.

Saí marchando da sala e o novato veio correndo atrás de mim. Estava prestes a soltar fumaça pelas orelhas.

UB: Obrigado! Eu estava perdido... Então, te machuquei muito?
AD: O que você acha?
UB: Desculpa. A mala escapou das minhas mãos...
AD: Já sei, já sei. Bom, tudo bem. Podemos pegar a primeira aula amanhã? Das 20:00 em diante estou livre.
UB: Tudo bem. Obrigado, mais uma vez!
AD: Ok. Boa noite.
UB: ‘Boa noite’.

Ele respondeu e eu parei. Ele dissera ‘boa noite’ em GREGO! Então ele era grego???

AD: Você é grego???
UB: Você sabe falar?
AD: É?
UB: Sou!!! Nasci em Atenas.
AD: Eu também!
UB: Ta brincando?
AD: Não. Sou grega também.
UB: Finalmente alguém!

Eu ainda o encarava assustada. Queria perguntar o porquê de se transferir no último ano, mas desisti. Ele sorriu.

UB: Sabe, não acreditava em destino até entrar no barco de Beauxbatons. Mas está tudo tão... ligado! Você não acha? Meu malão cai em cima de você, você é chamada para me ajudar, e também é grega!
AD: Não existe destino. Existe coincidência. – balancei a cabeça decidida retomando minha expressão centralizada. – Nos vemos amanhã então.
UB: Ok. Até amanhã, ‘Anabela’. Foi um prazer muito grande te conhecer...

Monday, September 03, 2007

Era meu primeiro dia do 6º ano na Escola de Magia da Califórnia. Meus pais haviam acabado de desaparatar e olhei para os corredores já movimentados às 8h da manhã. A primeira aula começaria em 1h e ainda precisava localizar meu armário, e descobrir com quem dividiria o quarto esse ano.

Os corredores da escola eram todos brancos com detalhes em vinho, nas cores do nosso time, com armários cobrindo as paredes por todos os cantos. Olhei no horário amassado na minha mão e vi que meu número ficava perto do Laboratório de Poções. Guardei meus livros e puxei meu exemplar de A Exatidão das Poções, entrando no laboratório. Logo de cara avistei Sean, Evan e Shannon sentados na bancada do fundo da classe e sentei com eles, mas não havia sinal do Micah.

- Fala Gabe – Evan me cumprimentou – Como foram as férias?
- Bem melhores que as de 4 de Julho – respondi cumprimentando os outros dois sentando ao lado de Shannon – Cadê o Micah?
- Foi transferido – Shannon respondeu desanimada – Pro Instituto Durmstrang
- O QUE? – falei alto e abaixei o tom de voz quando a turma toda olhou – Mas por quê? Não é por causa da história do Ryan, é?
- Ele disse que não, mas acho que sim – Sean falou baixo também. Ninguém mais parecia saber os detalhes, além de nós quatro e Josh – Micah não conseguiu lidar com o fato de que Josh saiu ileso na história e ele teve que fazer trabalho comunitário por um mês. Cheguei a vê-lo aqui sábado à tarde, e ele já tinha acertado a transferência, já estava de saída.
- Isso não é justo – larguei o livro na bancada, revoltado – Quem tinha que sair era o outro, não o Micah! Aliás, cadê ele? Não vi pelos corredores. Para falar a verdade, quem são essas pessoas que não reconheço ninguém?
- Ele não vai mais fazer poções – Evan respondeu – E são todos alunos novos, somos os únicos veteranos aqui, cara. O time está quase todo novo, boa parte dos jogadores foram transferidos pra outras escolas como Texas, Iowa, Colorado, Kansas… Restaram poucos, mas do 6º ano somos os únicos.
- Essa temporada vai ser promissora! – falei desanimado
- Silêncio capetas, o demônio chegou – a porta abriu e uma voz monótona chamou a atenção da turma

Um homem de cabelos grisalhos e óculos arredondado entrou. Ele largou uma pasta velha em cima da mesa e com um aceno da varinha, seu nome apareceu no quadro. Professor Harold Collins, Aplicação de Cálculos em Poções. Olhei pra eles três com cara de espanto e percebi que assim como eu, eles também nunca tinham ouvido falar nessa matéria. Ele começou a rabiscar uma variedade absurda de fórmulas no quadro e quando já tinha preenchido mais da metade dele, encarou a turma.

- Por que não estão copiando? – disse sem demonstrar alteração na voz – Vou apagar o inicio quando completar o quadro. Matéria de prova!

O único som que era possível ouvir no laboratório depois do aviso era o de cadernos sendo arrancados às pressas das mochilas e as canelas arranhando as folhas. Vez ou outra uma folha era arrancada e amassada, mas ele avisou em um tom de voz ameaçador que possuía tímpanos sensíveis e o barulho de folhas sendo arrancadas o incomoda, e ninguém mais repetiu o gesto. Minhas mãos doíam no desespero de copiar metade dos cálculos antes que ele apagasse. Ele já completava o quadro pela segunda vez quando o sinal tocou, uma hora depois.

- No último período termino de escrever as fórmulas que usaremos esse ano – falou apagando o quadro antes que terminássemos
- Como assim “no último período”?? – Sean puxou o horário da mochila quando saímos da sala – Ah não, temos aula com ele de novo hoje. Duas aulas com esse cara, e logo na segunda-feira?? Vou pra minha aula de Feitiços, quem sabe isso me anima um pouco…
- Eu tenho Herbologia agora – falei consultando meu horário – Vejo vocês no almoço

Sean e Evan foram para a sala de Feitiços, Shannon seguiu para a aula de Literatura Mágica e eu parei no armário para trocar meus livros. Procurava meu exemplar de Manual de Herbologia Avançado quando senti que estava sendo observado. Puxei o livro e fechei a porta do armário, para dar de cara com um garoto de cabelos pretos e lisos até o ombro me olhando. Ele sorria e parecia me conhecer.

- Gabriel? – falou de repente – Gabriel Storm?
- Sim… – disse sem saber quem era ele
- Stuart! – falou como se fosse obvio – Stuart Carpizian! Estudamos juntos em Hogwarts!
- Ah claro, Stuart! – ainda não me lembrava dele, mas decidi levar adiante, já que já sabia o nome e de onde ele me conhecia – O que está fazendo aqui?
- Meus pais se mudaram para cá no há três meses. E com toda aquela confusão acontecendo em Londres, eles acharam mais seguro não me manter mais em Hogwarts.
- Mas Hogwarts já está segura, Voldemort morreu.
- Eu sei, mas achei interessante a mudança. Vou sentir saudades da Corvinal, no entanto… - Então ele era também da minha casa. Por que não me lembrava dele? – Já viu que eles tem um campo de quadribol super moderno aqui? – mudou de assunto de repente
- Sim, já vi. Estou no time, apanhador.
- Que demais! Mais um motivo para assistir aos jogos! Sabe, é muito bom ter um amigo aqui, não conheço as pessoas ainda e parecem todos ocupados demais para conversar com um novato.
- É, eles são assim – olhei no relógio – Escuta Stuart, queria conversar mais, mas não posso, já estou atrasado para a aula de Herbologia.
- Também tenho Herbologia agora! Que coincidência, não?
- Demais…

Stuart, coincidentemente, tinha o horário idêntico ao meu, o que resultou nele andando atrás de mim de um lado para o outro o dia inteiro. Fui forçado a apresentá-lo a Shannon, Evan e Sean e durante o resto do dia, ninguém mais além de Stuart falou. Foram horas intermináveis de histórias das quais eu não me recordava da época em que estudamos juntos. Ele parecia um catálogo! Queria que houvesse um terremoto ou um ataque nuclear surpresa que interrompesse aquilo, mas a vida nunca é tão misericordiosa assim. No fim do penúltimo período eu já começava a perder a paciência com a insistência dele em querer que me lembrasse de histórias de 6 anos atrás.

- Lembra daquela vez que o professor Snape mandou que colocássemos rabo de salamandra e você entendeu samambaia? – disse rindo – Foi muito engraçado
- Não Stuart, eu não lembro! – falei me estressando – Não me lembro de nada disso, será que você pode parar??

Todos olharam para minha cara espantados, acho que era a primeira vez que me viam gritar com alguém. Saímos da sala de História da Magia em silêncio e sentamos na mesma bancada para a aula de Aplicação de Cálculos em Poções. Stuart sentou na bancada ao lado, e parecia magoado. Senti-me um idiota por ter gritado, ele só queria se enturmar, mas cheguei ao meu limite de paciência para um dia só. O professor Collins recomeçou a escrever as fórmulas e agora já precavidos, copiamos depressa junto com ele. Um garoto na primeira bancada arrancou a folha com violência do caderno e o professor fez um risco imenso no quadro, se contorcendo.

- O que eu disse sobre arrancar folhas de caderno? – falou furioso encarando o garoto, que se encolheu e pediu desculpas – Vai fazer uma redação de 100 palavras sobre o uso preciso de cálculos em poções – Deixei escapar uma risada e ele me encarou – Algum problema, senhor…?
- Storm. E não, nenhum problema, professor.
- Achou engraçado seu colega ter que fazer uma redação de 100 palavras? – continuou – Vamos ver se ri disso também… Quero uma do senhor do mesmo tema, mas de 300 palavras. Que tal?

Abri a boca para responder que não tinha feito nada, mas Shannon segurou meu braço me olhando séria e não falei nada. A turma inteira agora estava calada, copiando a matéria. Vez ou outra ele me perguntava alguma coisa sobre o que estava escrevendo no quadro, sabendo que eu não fazia idéia da resposta. E a cada vez que não respondia, ele acrescentava 10 palavras à minha redação. Pela segunda vez no dia, cheguei ao meu limite.

Eu não sei bem o que me motivou. Talvez tenha sido toda aquela palhaçada de redação. Mas naquele momento eu havia tomado uma decisão. Estava na hora de declarar minha independência, mesmo que ninguém me apoiasse. Abri o caderno em uma página em branco e lentamente, fui destacando a folha. A turma inteira acompanhava com tensão a mão do professor tremer no quadro, riscando torto até quase atingir a parede. Ele se virou e me encarou espumando de raiva e sabia que levaria uma suspensão, mas não me importava mais se estava só. Tudo bem, eu suportaria tudo sozinho.

Só que de repente, eu não estava só. Stuart ficou de pé e erguendo o caderno, também arrancou uma folha. Olhei para ele agradecido, e mesmo sem ter dito nada, sabia que ele tinha entendido o que eu queria dizer. Sean levantou depois dele e repetiu o gesto, seguido por Evan e depois Shannon. Um a um, todos foram ficando de pé e arrancando uma folha do caderno.

Talvez tenha sido o desejo de todos de se rebelar, talvez não. Mas o que importa é que naquele momento encontramos uma única voz, uma ação única contra um inimigo em comum. E naquele momento era doce o sabor da vitória.
No fim das aulas do dia nos reunimos no campo de quadribol, e munidos de rolos de papel higiênico e bosta de dragão importada das estufas da professora McPhee, marchamos rumo à vila onde os professores moraram. A frente da casa do professor Collins ganharia uma nova decoração.

- Ei Gabriel, pega! – Stuart atirou um rolo de papel higiênico pra mim, segurando a ponta dele para enrolarmos na varanda

Corremos pelo jardim da frente esticando dúzias de rolos até que o verde da grama estivesse completamente branco, e atirando bosta de dragão nas janelas e paredes da casa. De vez em quando esbarrava em alguém cruzando o gramado, mas estávamos ocupados demais rindo para perceber qualquer coisa.

- Ele acendeu a luz, corram, corram! – ouvi Sean gritar em meio às gargalhadas e larguei o rolo que segurava, correndo rua abaixo com eles, todos rindo

Naquela 1ª semana no colegial, na medida em que eu olhava a classe junta, descobria coisas sobre aqueles estranhos que acabava de conhecer. Estranhos exatamente iguais a mim. Todos nós compartilhávamos as mesmas sensações, os mesmos temores, a mesma solidão. Estávamos apenas começando, e só havia um caminho para seguir. E foi assim que caminhamos: Juntos. E Juntos, caminhamos para muitas detenções naquela semana. Mas valeu a pena.

Sunday, September 02, 2007

From the Depths of my soul I long for her

Lembranças de Seth K.C. Chronos

Eu estava deitado no meu quarto em Paris, no último dia das férias. Griffon já retornara da loja do George e no dia seguinte voltaríamos para Beauxbatons. Podia ouvir o barulho dos treinos de meus pais e de Griffon, mas não tinha animo para participar deles. Mantinha em minhas mãos o pingente apenas pensando na Luna. Será que eu havia entendido tudo errado?? Será que tinha feito alguma besteira? Algo que ela não tenha gostado?? Mas parecia que ela sentia o mesmo que eu... Nesse momento, o pingente ardeu forte, o sinal que eu a ensinei que deveria fazer caso estivesse com medo que eu iria até ela, onde quer que eu estivesse. Senti medo e preocupação, como nunca senti em minha vida e saltei pela janela e antes mesmo de tocar o chão já corria para a rua para poder aparatar.

Aparatei próximo da casa dela, na ponte onde nos despedimos, e sai correndo procurando por emboscadas e perigos, mas não havia nada a vista, e isso só aumentou minha preocupação. Cheguei à casa da Luna finalmente e ela estava sentada no chão do jardim olhando as flores que enfeitavam seu jardim. Procurei sinais de perigo, mas não vi nada e me aproximei correndo dela.

- Está tudo bem Luna? O que houve?

Ela me olhou nos olhos e sorriu. Ele pulou em mim e me beijou com felicidade, alegria, ternura e determinação, como se fosse a ultima coisa que faria nesse mundo. Eu fiquei sem entender, mas a beijei na mesma intensidade. Após alguns minutos nos paramos e ela deitou a cabeça em meu peito e senti que eu chorava, mas ela estava como sempre fora, decidida e feliz.

- Sim, Kam, eu aceito. Quero ser sua namorada e nunca mais sair de perto de você, ou deixar que você se vá. Vem, quero te mostrar uma coisa.

Ela me levou pro quarto dela e sentou na cama dela, indicando para que eu sentasse ao lado dela. Fiquei sem jeito, mas sentei ao seu lado. Ela segurou minha mão e olhou para o teto, apontando a varinha para as imagens dos amigos dela e murmurou.

- Seth Kamui Capter Chronos.

Na mesma hora a imagem começou a se desfazer em nuvens prateadas e a formar uma nova imagem. Era a imagem de um garoto de uns 12 anos sentado olhando a lua, sua silhueta recortada contra a lua e o céu estrelado. Reconheci como o dia que nos vimos pela primeira vez. A imagem estava cheia de palavras, algumas firmes, outras parecendo confusas e sem forcas. Palavras como: “He's my best friend! Why do I feel like this when I'm with him...Why I can't stop thinking about him...Why he's so cool, so good, so friendly...I feel so lonely when I’m not with him…I miss you, Kam…Do I like him?......Do I love him?”

E para minha imensa felicidade, a escrita mais recente, mas firme e que ocupava um tamanho enorme da imagem lia-se...."Yes, I DO LOVE HIM!"

Fiquei sem palavras e senti a emoção vindo aos meus olhos. Olhei pra ela sentindo uma felicidade imensa e ela sorriu pra mim com calma, apagando todas minhas incertezas e tristezas.

- Eu sempre gostei de você... No inicio achei que era só amizade. Mas desde a primeira vez que te vi no chapéu seletor, não conseguia parar de pensar em você. Muitas vezes mal tinha concentração nas caçadas e conversas com papai, lembrando de como nos falávamos em Hogwarts... Mas quando nos beijamos fiquei em duvida comigo mesma... Não sabia se eu gostava de você só como amiga ou não. E não queria te magoar de jeito algum... Por isso quis pensar melhor. Mas não conseguia tirar mais você da cabeça muito menos o nosso beijo... Eu quero ficar pra sempre ao seu lado, Kam. - ela me abraçou e deitou a cabeça em meu ombro e eu passei o braço por cima dela. - eu enfeiticei essa imagem esse ano. Antes ela ficava escondida atrás daquele armário. E usei a senha que ninguém mais usaria, pois sei que sou a única que te chamo de Kam e quando falo seu nome todo o incluo.- essa primeira vez que nos vimos foi algo mágico... Foi o destino só pode ter sido. Eu também não tirava você da cabeça e como você, eu achei que era por amizade. E por teimosia não quis acreditar quando o Gabriel falou que eu estava apaixonado por você e quando eu mesmo sabia disso... Eu já prometi uma vez, nunca mais vou sair de perto de você. Agora que posso aparatar vou te ver o tempo todo. - beijei sua cabeça e fiz carinho nela.
- Vamos falar com seu pai? Acho que ele vai gostar... Ou não vai querer alguém tomando a Luna dele? E depois podemos ir lá em casa, tenho certeza que mamãe sempre soube que íamos namorar, já papai do jeito que é lerdo para notar, vai até se assustar por eu estar já namorando... – Ela riu com gosto e ficou ainda mais linda.- Ele vai adorar. Não é todo dia que se é sogro de um meio vampiro e parente de um meio-vampiro adulto e uma bruxa do nível da sua mãe. E você agora vai ajudar a ele no pasquim e nas nossas buscas para comprovar que nagaurés existem, mas já sei que eles existem.

Monday, August 27, 2007

MH: Eu não vou ficar aqui, Gabriel. Só essa noite e amanhã mesmo eu volto pra casa por flú. – Ty estava na cozinha em frente à geladeira enquanto eu cochichava irritada para Gabriel. – Você tinha que ter me avisado, tinha! Eu nem teria vindo para passar essa noite. Teria combinado com mamãe, da Toca direto para casa.
GS: E por que você acha que eu não disse nada? Sabia que você ia fazer isso. Essa briga de vocês está idiota. Além do mais, você iria perder a Copa Mundial por causa disso? – perguntou irônico.
MH: Não me obrigue a te violentar, Gabriel. Minha cota de paciência já estourou.

Gabriel ia responder, mas desistiu ao ver que Ty caminhava em nossa direção com bebidas gasosas e um bolo nas mãos. Sorriu sem graça na minha direção, e olhei para o chão.

TM: Er, bom, não temos muitas coisas aqui. Mas acho que podemos comer isso por enquanto, e mais tarde pedimos uma coisa mais definitiva.
GS: Se um bolo não é definitivo para você, me pergunto o que seria Ty. – Gabriel disse e os dois riram. Me controlei mentalmente para não rir também.

Sentamos à mesa enquanto devorávamos o bolo. A tarde gasta no Beco Diagonal fora suficiente para nos deixar exaustos e famintos. Ty e Gabriel embarcaram em uma discussão sobre a ansiedade para a Copa de Quadribol, e vez ou outra eu cheguei a abrir a boca para tecer um comentário, e tornava a fechá-la com uma fatia de bolo. Tia Alex chegou do Ministério algumas horas depois, parecendo abatida, mas sorriu ao nos ver.

AM: Gabriel, Miyako. Que bom vê-los aqui. Como estão?
GS, MH: Bem. – sorrimos de volta.
AM: Se importam se subir para tomar uma ducha e der uma descansada? Os preparativos para a Copa Mundial estão uma loucura.
MH: Vou me sentir extremamente afetada, Tia Alex. Não vou deixar você subir! – disse séria e todos riram.
GS: É. Tremenda falta de educação! – Gabriel disse risonho. Tia Alex agradeceu entendendo que aquela era a maneira de dizermos que estava tudo bem e começou a subir as escadas. Virou-se para Ty.
AM: Então. Encontrou tudo o que precisava para Durmstrang?

A menção daquilo fez toda a animação se esvair de mim novamente. Fechei a cara. Ty olhou nervoso de mim para a mãe antes de responder um “encontrei” rouco. Tia Alex deixou os olhos caírem sobre mim uns instantes e levantou as sobrancelhas parecendo entender o que se passava.

AM: Certo. Bom, se quiserem pedir uma pizza ou qualquer outra coisa. Não estou com fome, de qualquer maneira. Nos vemos depois, ok?

Concordamos e ela sumiu na escada. Ficamos novamente a sós e um clima pesado e silencioso planava. Eu gostaria de estar em qualquer outro lugar, menos naquela sala.

°°°

A Copa Mundial de Quadribol teve fim com vitória da França, depois de vários anos sem a taça. Saímos do estádio em meio a uma confusão de bruxos franceses que cantavam o hino, alucinados e balançavam gigantescas bandeiras. Minha relação com o Ty não tinha se alterado nadinha durante a semana. Alguns momentos, eu pensava em ir até ele esbofeteá-lo e dizer que aquilo estava me deixando maluca, mas quando estávamos juntos em algum lugar, só conseguia ignora-lo por completo.

Gabriel se desdobrava para dar atenção às duas partes, e estava ficando irritado com essa situação. Faltava somente uma semana para que eu voltasse sozinha à Beauxbatons. Acordei no meio da noite com um sonho esquisito que envolvia Ty, Gabriel, Seth, Griffon, minha mãe e um grande trasgo. Olhei ao redor do quarto de visitas e percebi que a cama de armar de Gabriel estava desocupada. Me levantei preocupada. Desci as escadas silenciosamente, a varinha em mãos, mas assim que cheguei ao andar de baixo, percebi que ele não era o único acordado. A luz da cozinha estava acesa e a voz de Gabriel e Ty saíam pela porta entreaberta.

GS: Nenhuma notícia?
TM: Nada. Não vejo e não falo com a Rory desde aquele dia. Ela deve estar ofendida comigo como se a culpa fosse minha! – falou nervoso. – Mas é até bom, sabe? Melhor assim.
GS: Já te disse o quanto acho essa história mal contada?
TM: Isso por que seu namoro com a Mad é uma maravilha. Fale por você. Não existem finais felizes!

Abri a porta e os dois me encararam inflexíveis. Pigarreei.

MH: Insônia, Gabriel? – perguntei, novamente ignorando Ty.
GS: É, um pouco. Você?
MH: Mais ou menos. Bom, acho que vou voltar para o quarto. Só vim ver onde você estava... Boa noite.

Virei as costas sem nem olhar para Ty. Antes que saísse da cozinha, a porta se fechou com um estalo e minha varinha voou do bolso, indo até a mão de Gabriel.

MH: O que você está fazendo? Devolve minha varinha e abre essa porta! – ordenei, mas ele apenas me encarou irritado.
GS: Chega! Só vamos sair dessa cozinha quando vocês se entenderem! E estou falando sério.
TM: Gabriel, abre a porta. – Ty disse ansioso. Gabriel guardou as três varinhas no bolso.
MH: Você vai abrir essa porta por bem, ou por mal? – ameacei.
GS: Todos vamos sair de bem. Então, quem vai começar?

Senti o corpo ficar quente de raiva e eu e Ty trocamos olhares rapidamente, antes de eu desviar. Me sentei.

MH: Ok, vou esperar tia Alex acordar e abrir a porta. Simples. – cruzei os braços e encarei o chinelo.
GS: Ótimo, vamos então. Vamos todos passar a noite quadrados nessas cadeiras duras por que vocês dois são moles demais para se entenderem. Por mim, sem problemas. – ele disse deixando claro que estava decidido. Fuzilei-o com os olhos.

Depois de dez minutos, continuávamos os três parados, e em silêncio. Gabriel soltava faíscas coloridas das pontas das varinhas e começou a cantarolar o hino da França novamente. Tentei pular em cima dele, pensando que ele estivesse distraído, mas assim que me movi, ele conjurou cordas e me prendeu à cadeira.

MH: Me solta nesse exato segundo!!! Agora!
GS: De qualquer maneira, quando sairmos dessa cozinha, você vai ficar sem olhar para a minha cara pelo menos dois ou três anos. Então quero te dar motivos reais. E se reclamar, te amarro abraçada ao Ty.
MH: Você está sugerindo que sou exagerada???
GS: E não é? Você está fazendo esse drama todo por que, afinal?
MH: Não vou discutir isso.
GS: Ah sim, certo. Mas vai continuar amarrada.

Ty estava estático. Eu semi-cerrei os olhos enquanto encarava Gabriel, o xingando mentalmente de todos os nomes cabeludos que conseguia me lembrar. Um minuto depois, explodi.

MH: Não estou fazendo drama! Não estou mesmo!
GS: Que nome você dá para essa sua irritação toda só por que o Ty vai para Durmstrang esse ano? Para mim é drama.
MH: Para mim é raiva! Você sabe muito bem que ele não está indo para Durmstrang por que quer conhecer lugares novos ou subir no quadribol. Ele está fugindo!
TM: Eu não estou fugindo!!!
MH: Claro que não está! Se transferir de colégio para evitar uma garota! Isso não é estar fugindo???
TM: Se você ao menos me deixasse falar...
MH: Bom, nesse momento eu estou presa e amarrada em uma cozinha, trancada, e sem varinha. Acho que não vou te impedir dessa vez. – olhei desafiadora. Ele devolveu o olhar.
TM: Eu não estou fugindo. Estou indo para Durmstrang, pois preciso fazer algo para o meu pai lá. – ele respondeu sério. Virei os olhos.
MH: E posso saber o que você tem que fazer lá, Tyrone? Deve ser muito importante, pro tio Kyle te pedir só depois de morto, não é? – quis atingi-lo o máximo que eu pudesse. Ele continuou no mesmo tom seco.
TM: É importante, mas ainda não posso contar o que é, nem para você e nem para ninguém. Você vai ter que confiar na minha palavra. Eu só fiquei sabendo disso depois que ele morreu, através do meu tio. Quando ele era vivo, ele nunca quis me pressionar. Acho que depois de tudo, devo isso ao meu pai.

Ele terminou e a cozinha caiu no mais absoluto silêncio de novo. Minha cabeça estava rodando. Metade de mim acreditava no Ty, no que ele estava dizendo, e na tal missão importante. Mas a outra metade insistia em dizer que aquilo era desculpa esfarrapada. Gabriel soltou as cordas que me prendiam e lançou minha varinha de volta, que segurei no ar.

GS: Agora se você quiser, pode sair daqui, ou me amaldiçoar, estourar a cozinha, me prender na cadeira... – ele disse listando. Parou. – Só queria que você escutasse o que o Ty tinha a dizer antes de começar a gritar.

Continuei parada com a cabeça baixa. E então, sem precedente nenhum, lágrimas começaram a escorrer do meu rosto sem parar. Ty e Gabriel não se moveram. Controlei um pouco delas e levantei a cabeça, molhada, para Ty.

MH: Ah, Ty, você me desculpa? Eu não sei o que deu em mim. Estou deprimida de voltar para Beauxbatons sem vocês. Primeiro o Biel, e agora você. Como vai ser? – mais algumas lágrimas escorreram. Gabriel e Ty se entreolharam assustados. – Eu devia ter confiado em você desde o começo. Eu sei que você não está fugindo, sei mesmo. Virei as costas logo quando você mais precisava de mim!!!

Escondi o rosto nas mãos. Senti duas mãos segurando meus braços e me fazendo olhar para cima. Ty estava ajoelhado na minha frente, parecendo aliviado.

TM: Quantas vezes eu te disse que você é doida? Você é muito doida, sabia?! Primeiro que eu não entendi toda essa briga, e segundo por que não precisava nem me perguntar se eu te desculpo, não é? Parece que não me conhece, alfabetinho!

Ri sem graça e dei um beliscão no braço dele pelo apelido. Ele me abraçou.

TM: Você é minha melhor amiga, Mi. Nada vai mudar. E só vamos estar um pouco longe, mas vamos nos falar todos os dias, e sempre que der, vamos nos encontrar. Ok? Prometo.

Confirmei com a cabeça e ri. Gabriel se ajoelhara ao lado dele rindo também.

GS: Acho que vou vomitar o bolo. – disse sarcástico. Caímos na risada. – Mi, você está ficando boa em dramatizações, hein? Professor Armand vai te dar um protagonista esse ano, posso apostar isso.

Mandei língua pra ele limpando o restante das lágrimas. Os encarei séria.

MH: Tudo bem. Vocês podem ir, eu deixo. Mas se eu chamar uma única vez nos espelhos, e vocês não aparecerem, eu busco vocês de volta pelos cabelos! E Ty, se cuida. De verdade. Durmstrang me dá arrepios, e eu nem conheço. E você, Gabriel, quero ingressos de todos os jogos!
TM: Sim senhora.
GS: Ok, ok, entendi.
MH: Ah, eu amo vocês! – disse abraçando os dois de uma vez, que dessa vez, não protestaram.

It’s hard to believe that there’s nobody out there
It’s hard to believe that I’m all alone...

Well, I don’t ever want to feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way.

Red Hot Chili Peppers – Under the Bridge

°°°
N.A.: Texto feito com apoio moral da Ju, e apoio moral e duas mãozinhas da And. Thanks. FIM DE FÉRIAS DE VERÃO!

Sunday, August 26, 2007

A Hora da Verdade

Lembranças de Seth K. C. Chronos

This time, this place
Misused, mistakes
Too long, too late
Who was I to make you wait
Just one chance
Just one breath
Just in case there's just one left
'Cause you know,
You know, you know

Chegara a hora de eu sair da casa dos Lovegood. Faltava apenas uma semana para o início das aulas, e eu já havia passado as férias todas com eles. Conversamos muito, o Sr. Lovegood foi ótimo como sempre, me mostrou vários artigos e dados de suas pesquisas; e fez sua tão esperada entrevista comigo que deve ser publicada mês que vem. Mas nada superava a Luna. Desde a conversa com o Biel eu tentava reunir forças e coragem para me declarar, mas não conseguia. Chegava a ser ridículo! Não tenho medo de caçar, de lutar com bruxos adultos e mais experientes que eu, nem de correr atrás de lobisomens e tudo mais, mas morro de medo de me declarar!! Chego a ter vergonha de mim mesmo... Mas eu tenho muito medo das coisas não serem como antes. A Luna é minha melhor amiga, a primeira fora da minha família a me ajudar e apoiar, a primeira a descobrir minha maldição, ou como ela gosta de dizer meu “dom”. Ela foi a primeira amiga que eu tive... Minha melhor amiga. Andei trocando cartas com o Biel sobre isso, me abrindo pra ele e revelando esses meus medos. Acho que se estivéssemos conversando pessoalmente, ele me daria um soco...

No dia anterior à despedida, fizemos de tudo para não pensar que eu ia embora. Conversamos sobre várias coisas e procuramos pelos campos ao redor da casa por naglaurés, mas quando achávamos algum sinal deles, eles fugiam rapidamente. Mas desde cedo meu coração já começava a doer... E eu não conseguisse juntar coragem para me declarar?

No último dia, a Luna me acordou de um modo diferente. Ela estava sentada na cama dela, me olhando de frente, e notei que me olhava enquanto eu dormia, até ela abrir as cortinas com um toque de varinha e eu acordar. Ela ficou lá um tempo apenas me olhando e sorrindo, como se quisesse decorar o meu rosto. Ela então levantou e me puxou pela mão, me fazendo sair da cama. Ela me abraçou com força e quando achei que eu teria coragem para me declarar, ela saiu do quarto aos saltos, me deixando sem entender nada. Eu iria embora sozinho, simplesmente aparatando, portanto, logo após o almoço, ela e o Sr. Lovegood me acompanhariam até a ponte para que eu pudesse aparatar. Meu estômago pulava na minha barriga enquanto eu tentava reunir coragem, mas não ia conseguir falar na frente do Sr. Lovegood. Então em desespero pensei no que poderia me dar mais tempo.

- Sr. Lovegood. O senhor deixaria a Luna passar essa semana lá em casa? Daqui alguns dias é a final da copa mundial de quadribol, e minha família vai e adoraríamos a companhia da Luna. Você quer ir Luna? Podemos até treinar juntos e te mostro que sei ensinar melhor que o Potter.
- Eu não me importaria. Realmente você deve ter muitos feitiços e poderes a ensinar, até eu gostaria de ter aulas com você. – O Sr. Lovegood falou pensativo e me virei para a Luna aguardando.
- Eu adoraria Kam! Posso mesmo papai? Mas seus pais não deveriam ser avisados?
- Você vai pra lá amanhã então. Eu volto amanhã para aparatar junto com você, que acha?
- Sim, vai ser ótimo. Papai, pode nos dar um minutinho a sós, preciso falar com o Kam.
- Tudo bem, eu vou indo então, tenho que preparar a edição da sua entrevista! Mandarei um exemplar para vocês. Até mais Seth, cada vez sinto como se você estivesse tirando minha Luna de mim, mas você eu acho que aceito. – Ele se despediu e voltou correndo para casa. Não sei por que, senti um frio na barriga, mas não conseguia reunir coragem ainda.
- Kam, eu pensei que ia ser uma separação por um bom tempo, mas fico muito feliz de poder ir treinar com você e conhecer sua casa. Vamos para a de Paris ou a de Londres?
- Acho que a de Paris, lá é melhor para treinar. Amanhã eu volto nesse horário mesmo então ta? Fico muito feliz de estar com você mais um tempo, Luna.
- Eu também Kam. – Ela me abraçou, e pendurada em meu pescoço me deu um beijo no rosto, se afastando para que eu aparatasse. Reuni um pouco de coragem, e a puxei para um novo abraço, apertando-a com força. Ela respondeu ao abraço, acariciando meus cabelos. Ainda abraçados, nos afastamos um pouco e tirei o meu pingente. O toquei com a varinha murmurando algumas palavras. No meu pingente de lua cheia surgiu um corte vertical vermelho em seu centro. O corte se arredondou e formou uma meia circunferência, dividindo a lua cheia em lua crescente e lua minguante, enquanto que de cada uma saia um fino cordão negro.

That I love you
I've loved you all along
And I miss you
Been far away for far too long
I keep dreaming you'll be with me
And you'll never go
Stop breathing if
I don't see you anymore

- Eu sou a lua minguante. A escuridão tenta me engolir, me tragar para dentro dela. Você é a lua crescente, a luz que brilha dentro de mim e me dá forças para continuar. Esse pingente foram meus pais que me deram, assim que nasci. Tem encantamentos de proteção poderosíssimos, que minha mãe aprendeu com o próprio Dumbledore, e encantamentos que só ela possui. E principalmente, nesses dois pingentes, agora têm meu sangue. Dei meu sangue de bom grado para o pingente que seria seu. Meu sangue a protegerá de qualquer coisa, fará os feitiços mortais desviarem de você até eu chegar, e caso você precise de mim, basta apenas apertá-lo com força e pensar em meu nome. Eu virei, mesmo que do inferno, para você. Você é a pessoa mais importante para mim, Luna.

On my knees, I'll ask
Last chance for one last dance
'Cause with you, I'd withstand
All of hell to hold your hand
I'd give it all
I'd give for us
Give anything but I won't give up
'Cause you know,
You know, you know

Dizendo isso eu a beijei de leve no rosto, mas próximo de seus lábios. Ela emocionada me abraçou, e depois me afastei. Não precisávamos dizer mais nada, e com um sorriso e um aceno de mão, aparatei no ar. No dia seguinte voltei à casa deles e ela já estava pronta. Vi o cordão negro em seu pescoço e notei que o pingente estava por dentro de sua roupa, e que às vezes ela passava a mão onde ele estava. Fiz uma aparatação com companhia excelente e em um segundo estávamos em Paris. Até o dia da final da Copa, passeamos por Paris e eu lhe mostrei o Louvre, a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, Notredame e tantos outros lugares, como o Senna. E durante a noite duelávamos e treinávamos, eu ensinando-a magias que ela não conhecera e mamãe a ensinando como usar perfeitamente o pingente. Papai estava em Londres, em uma missão com Tia Celas, e acho que tinham ido para a Alemanha, enquanto o Griffon estava com o George, trabalhando na loja do Beco Diagonal e dividindo o apartamento dele em cima da loja. Pelas notícias que ele mandou, ele fez as pases com o Harry e ficara amigo dele e do Rony. Ele e os dois Weasley estavam trabalhando em novas gemialidades e ele disse que o Harry queria conversar comigo e quem sabe fazer as pases. Logo, eu cedi meu quarto à Luna e dormia no do Griffon, mas ficávamos acordados até tarde conversando sobre os passeios e sobre os treinos, junto em um dos quartos, até mamãe vir dizer que era hora de ir dormir. Ficamos nessa rotina até os dias dos jogos da copa. E eu não conseguia mais reunir coragem, e passava os dias babando.

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Dia da Final da Copa Mundial de Quadribol.

- Vamos dar uma volta? Não estou muito interessada nesse jogo. E sei que você também não gosta muito de quadribol. Vamos ver se achamos algumas flores de Azeviodor?
- Tudo bem, eu vou com você. – concordei, apesar de achar estranho ela não querer ver a final, pois ela gosta muito de quadribol.

Luna abriu caminho pela multidão que gritava durante o inicio da final e me guiava de mãos dadas. Descemos os vários andares do estádio em direção às saídas e como eu esperava estava tudo isolado e vazio e ouvíamos ao longe os gritos do público.
Quando finalmente saímos do estádio Luna saiu saltitando pela estrada de terra na direção da floresta e tive que correr atrás dela. Ela pareceu não se importar e ria comigo enquanto corria e examinava varias árvores e arbustos em seu caminho, a procura das ervas e flores que ela tanto conhecia e tanto conversávamos. Na verdade parecia que ela fazia um encantamento isso sim, e eu cada vez mais me via envolvido por ela... Seu cabelo voando enquanto ela rodopiava e corria. Com o pingente hora voando, hora escondido em suas roupas. Seus olhos buscando os meus fingindo procurar por flores. Suas mãos indo de folha em folha. Seu perfume se misturando ao perfume da natureza, como se fosse parte do planeta. Eu a alcancei quando ela finalmente parou um pouco olhando para uma árvore que parecia antiga.

That I love you
I've loved you all along
And I miss you
Been far away for far too long
I keep dreaming you'll be with me
And you'll never go
Stop breathing if
I don't see you anymore

So far away
Been far away for far too long
So far away
Been far away for far too long
But you know, you know, you know

- Seth...- Notei que era algo importante, ela nunca me chamava de Seth, ela era a única que gostava de me chamar de Kam - Seth... Essa árvore está quase morrendo. Todos nós um dia morreremos, acho que menos você e seu pai. Eu não senti muito a morte de mamãe, apesar de ainda sentir falta dela... Mas e você?? - eu fiquei quieto apenas de mãos dadas com ela olhando a mesma árvore - Você está sempre em missões perigosas, sempre caçando e lutando... Eu não iria agüentar se acontecesse alguma coisa a você. - pela primeira vez desde que a conhecera eu via uma expressão diferente de sonhadora, era quase puro temor.
- Eu sei me cuid.. - ela me cortou, colocando a mão em meus lábios.
- E se um dia não conseguir se cuidar?? Me promete uma coisa? Nunca mais vai me deixar. Me prometa.

I wanted
I wanted you to stay
'Cause I needed
I need to hear you say
That I love you
I've loved you all along
And I forgive you
For being away for far too long

So keep breathing
'Cause I'm not leaving you anymore
Believe it
Hold on to me and, never let me go

O encanto pareceu chegar ao máximo. Peguei as mãos dela entre as minhas e senti como estavam frias de medo e como ela estava pálida. Eu a acariciei no rosto e não resisti mais. A beijei, aproximando devagar meu rosto do dela. Era o primeiro beijo de ambos e não sabia bem como agir. Ficamos apenas assim nos beijando por o que pareceu ser uma linda eternidade. Então nos afastamos lentamente.

- Sim. Eu prometo... Me perdoe por...

Ela me calou novamente antes que pudesse dizer mais algo e me beijou novamente. Senti lagrimas nos meus olhos e depois nos abraçamos. Ao longe pude ouvir os gritos da torcida como se estivessem felizes por nosso primeiro beijo. Eu levantei o rosto dela para o meu e tomei coragem para algo que já deveria ter feito.

- Luna, quer namorar comigo?

Ela acariciou meu rosto, mas ficou calada por um tempo.

- Ainda não sei Kam...Eu realmente gosto muito de você, como nenhum outro. Mas não sei se estou pronta. Você sempre foi meu melhor amigo. Senti muito sua falta, mas ainda não sei se é a ponto de namorar. Venha parece que o jogo terminou.

Ela saiu saltitando na direção do estádio, mas fiquei parado um pouco atrás. Ela pareceu ler minha mente, pois eu sentia como se tivesse feito algo muito errado e a tivesse chateado, ou até insultado. Ela voltou correndo pra mim e segurou minha mão me encarando nos olhos sorridente e me puxando para segui-la.

- Você nunca vai deixar de ser meu amigo, ainda mais depois da promessa... Venha não queria que nada mudasse entre nós...seja qual for minha resposta...

Nickelback - Far Away

Tuesday, August 21, 2007

- PONTO! – Gina gritou erguendo os braços – 80 a 40, desistam!
- Não senhora! – Griffon emparelhou com ela – Jogue a goles de novo!
- Vamos Gina, se eles gostam de apanhar, o que podemos fazer? – falei brincando e ela riu

Miyako voou até o chão e apanhou a goles, tomando impulso outra vez e atirando para Griff. Estávamos na colina perto da Toca jogando quadribol 2 x 2: Miyako e Griffon contra Gina e eu. Eles diminuíram a vantagem para 10 pontos depois de meia hora de jogo e a voz da Sra. Weasley nos chamando para almoçar fez com que encerrássemos a partida.

Já estávamos na casa de Gina há uma semana, e Griff havia chegado hoje para passar o dia conosco. Ele contou do treinamento que passou com o Ty, e Miyako torcia o nariz todas as vezes que o nome dele era mencionado. Queria que ela parasse com isso, mas sabia que os dois só fariam as pazes quando ela cedesse, pois se dependesse dele a briga nem teria acontecido.

Faltavam apenas mais duas semanas de férias, e hoje era nosso último dia na Toca. Tinha alguns planos para a semana seguinte, mas não podia compartilhá-los com Miyako, ou ela daria um jeito de voltar para o Japão. Como não queria isso, deixei apenas Gina ciente de que estaríamos indo embora naquele dia à noite. Almoçamos depressa e depois que a Sra. Weasley conseguiu nos fazer comer todos os doces da face da Terra como sobremesa, voltamos ao jardim. Havíamos prometido uma visita a Luna, que morava há algumas jardas de distancia dos Weasley.

A casa dos Lovegood era bem diferente. Era uma torre, e não uma casa comum. Paramos na cerca e Gina chamou-a por três vezes, mas não obtivemos resposta. Já pensávamos em voltar, quando o Sr. Lovegood apareceu com aquele ar engraçado dele, sempre distraído, e nos recebeu.

- Se é a minha Luna que estão procurando, receio que chegaram alguns minutos atrasados – ele sorriu e caminhou até o portão – Ela acabou de sair com o Seth, foram até o rio ver se conseguiam pescar mais plimpies para o jantar. O rapaz apreciou muito minha sopa, e resolvi fazer outra vez.
- Obrigado Sr. Lovegood, nós vamos até lá encontrá-los – Gina respondeu
- O que são plimpies? – Mi perguntou parecendo intrigada quando nos afastamos
- Não faço idéia, mas se quer um conselho, não tentem entender – respondi rindo e Gina, que a conhecia tão bem quanto eu, também deu risada
- Bom, essas coisas ai, plimplim, podiam ter gosto de bosta de dragão que meu irmão ia dizer que pareciam manjar turco – Griff falou debochado – Tudo para agradar o sogrão
- Plimpies, Griff – Miyako o corrigiu rindo
- Ah tanto faz, devem ser inventados de qualquer forma, não? – ele deu de ombros e rimos

Caminhamos pelos terrenos vazios de Ottery St. Catchpole rindo da imitação do Griff de quando o Seth reencontrou a Luna e logo chegamos ao rio. Os dois estavam sentados de costas para onde estávamos parados, os pés descalços dentro da água, rindo. Griff puxou um cilindro minúsculo e de cor laranja berrante do bolso e puxou a tampa. A coisa saltou da mão dele e subiu feito um foguete, estourando no ar. Um clarão imenso atingiu quase toda a área vazia onde estávamos. Nossa reação imediata foi tapar os ouvidos com as mãos para abafar a explosão que seguiu o clarão, mas Luna e Seth que não nos viram chegar levaram um susto tão grande que ela deixou a vara de pescar cair dentro da água. Seth, por outro lado, saltou para cima de Griff e caiu em pé em cima dele.
- Sai de cima de mim, Di-Luo, ou vou iluminar você um pouco... – ouvi Griff falar baixo e Seth saltou para o lado
- Brincadeira idiota, Griffon! – Seth esbravejou – Onde comprou essa porcaria?
- George me deu para testar, produto novo da loja!
- Onde está a Luna? – ele olhou alarmado para os lados, mas ela já estava do meu lado, abraçando a mim e Gina
- Efeito interessante... – falou divertida – George está cada dia mais criativo nas invenções
- Você se machucou? O idiota do meu irmão tem mania de pregar peças e não pensa nas conseqüências
- Ah estou bem, mas acho que o barulho espantou todos os plimpies – falou desapontada – Acho que não teremos sopa no jantar. Vocês vão ficar para jantar, não? – falou se virando para o nosso lado
- Claro! – falei rindo. Se não teríamos que comer enguia, claro que poderíamos ficar – Mas acho que temos que avisar a mãe da Gina
- Mamãe não vai se importar, depois aviso a ela – Gina falou animada, puxando uma caixinha colorida do bolso - Quem quer jogar snap explosivo?

ººº

- Gabriel, será que eu posso falar com você um instante? – Seth me abordou depois de meia hora de snap explosivo – em particular?

Levantei do gramado e caminhei atrás dele até estarmos fora do campo de visão dos outros. Seth parecia tenso, e começava a imaginar o que ele ia me falar para estarmos nos afastando tanto assim. Quando já estamos longe o suficiente, ele parou e me encarou muito sério.

- Qual o problema, Seth? Você ta esquisito...
- Preciso, ahn, mostrar uma coisa a você – disse sem jeito – Quero sua opinião, saber o que você acha
- O que eu acho do que? – disse confuso – Não está falando coisa com coisa
- Expectro Patronum!

Seth puxou a varinha do bolso e apontou para o chão, murmurando o encantamento. Uma luz prateada saiu ponta dela e o que a principio parecia querer se transformar em uma águia virou um coelho. Fiquei olhando o bicho pulando na grama de um lado para o outro ainda sem compreender aonde ele pretendia chegar com aquilo, mas quando ele sacudiu a varinha e o coelho se dissolveu, olhei para a expressão aflita dele e entendi. Luna havia me contado das aulas da AD e de como seu patrono assumira a forma de um, nas palavras dela, coelhinho serelepe. E agora o patrono dele havia mudado.

- Cara, você ta gostando da Luna? – olhei para ele espantado e mantive a voz baixa, embora não precisasse
- Era isso que eu temia – disse desanimado - Que você dissesse isso
- Mas porque temia isso? Ela é legal, é ruim gostar dela?
- Não, claro que não! – disse depressa – Mas ela é minha amiga, não quero estragar as coisas
- Deixe de besteira, Seth! – falei começando a rir – Tome coragem e fale com ela. Os melhores namoros começam com uma amizade...
- Não vai contar a ninguém?
- Claro que não, não se preocupe – ele pareceu aliviado – Griff já vai pegar no seu pé o suficiente quando você confessar a ela o que sente, então é melhor poupá-lo das gozações até você criar coragem – e ele riu – Vamos voltar, ainda vamos ao Beco Diagonal hoje comprar os materiais

ººº

Já estávamos caminhando pelo Beco Diagonal há algumas horas, cada um com sua lista de materiais na mão. Os livros que eu usaria na Califórnia eram completamente diferentes dos livros que usava em Beauxbatons, mas por sorte alguns deles eram os mesmos usados em Hogwarts, e pude encontrar a maioria na Floreios e Borrões. Perdi a maior parte do tempo dentro da livraria, pois não me contentei em comprar apenas os livros da lista, e caminhava entre as prateleiras desorganizadas escolhendo alguns para ler nos tempos vagos na escola, entre as aulas e os treinos.

Gina, Miyako, Griff, Luna e Seth já estavam cansados de tanto tomar sorvete na Florean Fortescue quando apareci com as mãos carregadas de sacolas com livros. Miyako me entregou um sorvete verde já quase derretendo e descemos a rua apertada, cheia a duas semanas da volta às aulas, direto para a Gemialidades Weasley. A loja estava apinhada de gente como sempre, lotada de alunos se preparando para voltar para suas escolas. George sorriu animado ao nos ver entrar e abriu caminho entre os clientes, trazendo uma caixa cheia. Ele indicou o balcão com a cabeça e o seguimos curiosos.

- Produtos novos! – disse fazendo alarde – Preciso de gente disposta a testá-los, querem se oferecer para o trabalho honroso?
- Por que não testou com o Ron? – Gina perguntou
- Não é a mesma coisa. Preciso saber como ele vai funcionar nas escolas. Preciso que alunos testem entre as aulas. Gabriel, aposto que aqueles americanos branquelos nunca viram um produto das Gemialidades, acertei?
- Provavelmente não, você precisa expandir mais o seu mercado... – falei rindo, pegando um cilindro igual ao que Griff usou mais cedo – Esse eu sei o que faz, é muito bom!
- Estou pensando mesmo em expandir os negócios – ele pegou duas caixas fechadas de dentro da caixa maior e entregou uma pra mim e outra pra Mi – Mas para isso, quero que você faça o grande favor ao seu amigo aqui e apresente essas maravilhas aos yankees, e Miyako pode introduzir os fazedores de biquinho ao mundo dos logros e brincadeiras. Topam?
- Não precisa pedir duas vezes! – Mi pegou a caixa da mão dele, os olhos brilhando
- Maravilha! Griffon também tem um kit, vai ajudar você a vender em Beauxbatons – Griff e Mi trocaram um sorriso maroto. George pegou uma terceira caixa e me entregou – Essa caixa é para o Ty, soube que ele vai para Durmstrang e seria bom levar um pouco de alegria àquele país gelado! Pode entregar a ele pra mim?
- Pode entregar em mãos, George! – ouvimos a voz do Ty se aproximando do balcão e George fez uma saudação maluca, empurrando a caixa na mão dele

Ele estava um pouco abatido, mas bem melhor do que da última vez que nos vimos. Imagino que ainda vá demorar até que ele fique bem por completo, mas já dava indícios de estar voltando a ser o Ty de sempre. Nos abraçamos e ele sorriu cumprimentando todo mundo, mas parou quando chegou em Miyako. Ela mantinha a expressão séria e parecia irredutível em não falar com ele. Ty deu um sorriso fraco e se virou pra mim.

- Essa semana vai ser um estouro! – Miyako olhou desconfiada para nós dois e rimos. Ou eles se entendiam na próxima semana, ou se matavam. Mas arriscaria dizer que as coisas iriam voltar ao normal...