Tuesday, February 07, 2006

O castigo vem a cavalo!

Alguns rabiscos de Ty McGregor

Sábado... Finalmente o sábado chegou, vou poder dormir até mais tarde e...
Não, não vou dormir, lembrei de onde estou, quem sou e o que tenho de fazer: começar a cumprir minha longa detenção por causa do funeral egípcio de Napoleon.
A diretora ao distribuir as detenções foi "generosa" comigo, pois os castigos de Gabriel e Miyako foram mais leves se comparados ao meu. Ok, eu concordo que a maior parcela de culpa é minha, e meus amigos foram na onda, mas ter que levantar de madrugada para limpar os estábulos dos mega cavalos de Beauxbatons num sábado, é complicado. Quer dizer, não tanto quanto você descer pra tomar o café da manhã e encontrar seu pai instalado na mesa dos professores, junto com outro Auror e Madame Máxime, falando baixo.
Entrei o mais silenciosamente possível, sentei à mesa e comecei a tomar meu café, pelo canto do olho via meu pai falando com a diretora e não fiquei surpreso, quando ele terminou o café e se levantou.
Sabe... Meu pai tem um jeito de agir específico quando quer intimidar alguém, e estava fazendo uso dele agora, neste exato momento. Forcei-me a continuar comendo, como se não estivesse notando sua aproximação, mas foi em vão:
KM- Bom dia, Tyrone. - disse enquanto se sentava ao meu lado e servia-se de café, e punha mais um pouco em minha xícara.
TM- 'Dia pai. Um pouco cedo para uma visita não? - tentei ser casual.
KM- Vim a trabalho.
TM- Como a trabalho? O que aconteceu?
KM- Alguns Aurores ficarão de guarda na escola, para deixá-la mais segura.
TM- Mas você é chefe de departamento, e isto costuma ser feito pelos novatos da Academia.
KM- E você acha que eu iria perder a chance de poder falar com você? Termine seu café, você tem trabalho a fazer.
Acabei de comer e saímos em direção aos estábulos; achei que meu pai fosse falar sobre a minha detenção, mas ele começou a me dar bronca por eu ter mandado um berrador mal educado para minha mãe.
TM- Mas, pai como você queria que eu reagisse?Por que ninguém nunca falou nada?- disse interrompendo o monólogo de papai sobre ter educação com os pais.
KM- Civilizadamente. Como sua mãe contou na carta dela, foi apenas uma vez e numa situação complicada.
TM- Que situação foi esta?
KM- Sua mãe havia passado por problemas sérios de saúde, e na época achávamos que era errado ficarmos juntos, então num baile em Hogwarts eu levei uma namorada, para que sua mãe visse que eu havia partido para outra entende?
Meus olhos estavam arregalados. Era a primeira vez que papai falava comigo sobre o relacionamento dele com mamãe, sem dizer que eu era criança demais para entender.
TM- Nossa... você não tinha noção do perigo. - disse e papai riu do meu comentário.
KM- Sim, e para provar que ela podia me machucar tanto ou mais do que eu à ela... - E me contou como as coisas tinham acontecido. Ao final da conversa me perguntou:
KM- O gato pelo menos foi anestesiado não? - e os cantos de sua boca estavam se curvando num riso.
TM- O gato estava morto. - disse enfático, e meu pai dava risada enquanto contava a reação da família e que já havia pago pelos vasos.
Nos separamos e quando entrei no estábulo não encontrei Gerard, e vi que uma das baias estava vazia e limpa.
"Deve ter ido treinar um dos cavalos" - pensei e comecei a limpar todo aquele estrume e feno pisado. Já estava na última baia, quando escuto um relincho e uma voz acalmando o cavalo:
"Você foi muito bem hoje meu querido", parei o que fazia e vi uma ruiva de rabo de cavalo e trajes de montaria, trazendo aquele cavalo gigante pelo arreio, como se ele fosse um cachorrinho.
Continuei observando, e logo ela soltou o cabelo e meu coração se acelerou quando vi aqueles cabelos cor de mogno soltos. Nunca havia visto cabelos daquela cor. Ela se virou sorrindo e logo reconheci a garota que havia sido atacada pelos comensais.
Sorri de volta como um bobo e não sei porque estufei o peito para tomar ar, parecia que meus pés tinham rodinhas, logo estava ao lado dela.
MOH- Bom dia. - ela cumprimentou.
TM- 'Dia. Eu faço isso. - e comecei a desencilhar o cavalo.
MOH- Depois terei que passar ao senhor Gerard os progressos de Aquiles. - e ao ver minha sobrancelha arqueada respondeu:
MOH- Este cavalo chama-se Aquiles e tenho ajudado o senhor Gerard a exercitá-lo, depois que ele torceu a pata.
TM- Mas este cavalo é muito grande para você. E se você perde o controle dele? - droga, eu e minha boca grande, mas ela não ficou ofendida com meu comentário, pois disse:
MOH- Estou acostumada a tratar de animais de grande porte, e creia-me Aquiles é mais dócil do que eles.
Como meu trabalho havia terminado, não havia mais motivo para eu ficar ali, mas eu não me mexia.
MOH- Não me apresentei: Sou Morgan O'Hara. - disse estendendo a mão e retribui o gesto.
TM- Ty McGregor.
MOH- Está com fome? – disse tirando uma maçã do bolso.
TM- Não. - mas nesta hora meu estômago roncou alto.
MOH- O café acabou e o almoço ainda demora, eu tenho uma bolsa com comida que sempre trago quando venho treinar os cavalos, quer dividir?
TM- Você me dá alguns minutos para eu me limpar?- ela assentiu e eu corri ao banheiro e nunca me lavei tão rápido em toda a minha vida. Voltei para junto dela e vi que ela presenteava Aquiles com uma maçã, ficou vermelha quando me viu:
MOH- Não conte ao senhor Gerard ok? Ele fica enciumado se vir que Aquiles gosta mais das minhas maçãs do que das dele.
TM- Impossível não gostar. - disse, mas acho que ela não ouviu. Logo nos pusemos a comer, mas eu ainda sentia aquele cheiro de feno velho e estrume. Deve ter transparecido em meu rosto, pois ela disse:
MOH- Ainda está sentindo o cheiro ruim? Venha cá. - tirou a varinha, apontou para meu nariz e disse: Inodorus e meu nariz ficou meio tampado. Ela me assegurou que o feitiço duraria apenas meia hora, e que depois voltaria ao normal.
Ficamos conversando enquanto comíamos e nunca me senti tão bem em toda minha vida.
Seria capaz de me perder naqueles olhos verdes e não acharia ruim....

Monday, February 06, 2006

A Precessão dos Equinócios

Do subconsciente de Amaralina Bourbon du Montserrat

"O fato de ser incrível não deveria ser motivo para se descartar a possibilidade de que uma busca suficientemente longa revelasse um grão dourado de verdade na superstição astrológica." -- Johannes Kepler

Estávamos na aula de astrologia. Havia contado os minutos pra que a minha aula favorita começasse nesta semana. Alguma coisa estranha pairava no ar, eu conseguia sentir, e tinha certeza que só os astros poderiam me ajudar a desvendar esse mistério. Ainda faltavam dez minutos para o início da aula, mas Isa e eu já estávamos no terraço onde aconteciam as aulas. Professor Wincler nos recebeu com o enorme sorriso de sempre, e me empurrou para o telescópio que ele examinava até então.

MW: Veja, Amaralina! A energia solar começa a deixar a constelação de capricórnio! Em poucos dias, poderemos observar a precessão do equinócio de aquário! Ali, consegue ver?
AM: Consigo, claro. Quem não seria capaz de enxergar a revolução solar estando assim tão evidente? Isso é fantástico!!

Isa observava o céu com o auxílio de outro telescópio, quando o restante da turma chegou sonolenta, atirando as mochilas sobre o armário do professor e escorando-se sobre as lunetas.

MW: Boa noite, classe! Antes de vocês chegarem, eu estava analisando a significativa rota que o Sol vêm tomando nos últimos dias e, dadas às devidas proporções, podemos concluir que estamos muito perto da Precessão do Equinócio de Aquário!!

Os olhos do professor Martin soltavam faíscas. Ele era a única pessoa que eu conhecia fora da tribo cigana que manifestava tanta euforia por ver o Sol cruzar a órbita de uma constelação. Um garoto que trajava vestes da Nox Angeli levantou o braço, cauteloso.

- Anh, e o que vem a ser a tão poderosa Precessão do Equinócio de Aquário?

MW: Poderosa é apelido, meu caro. O senhor não tem noção do que pode significar a ação perturbadora do sol sobre uma constelação! Bem, vejamos... alguém saberia explicar ao nosso distraído colega o que é a Precessão dos Equinócios?

Sem desgrudar o olho do meu telescópio, comecei a falar.

AM: É a lenta movimentação do eixo da Terra, que acontece em forma de cone, quando ocorre o cruzamento do caminho aparente do Sol com a linha do Equador, e faz com que haja um deslocamento das constelações em relação aos pontos fixos estabelecidos pela Astrologia, professor.

MW: Excelente! Dez pontos para a Fidei Angeli, senhorita Montserrat.
AM: E esse movimento se completa em 25.920 anos...
MW: Muito bem. Mais cinco pontos para a Fidei Angeli. Suponho que não necessitem de mais explicações, certo? Então, focalizem seus telescópios, encontrem a constelação de Aquarius e façam um esboço, identificando sua posição no céu e a exata localização das estrelas Alfa, Beta e Delta. As primeiras são estrelas binárias, Não esqueçam de delinear a rota seguida pelo Sol, e os prováveis efeitos da precessão de aquário na vida de cada um de vocês. Bom trabalho.

Alguns dos meus colegas ainda encaravam o professor Martin abismados, esperando que ele traduzisse o que acabara de dizer, mas ele enterrou a cabeça no telescópio refrator, no patamar mais alto da torre de astrologia, e não deu atenção a mais ninguém.

Identificar a constelação de aquário foi fácil. Segundo o Almagesto, um livro que encontrei na biblioteca semana passada, é uma constelação zodiacal, que se estende 8° acima e abaixo da eclíptica, a linha que representa a trajetória anual aparente do Sol. A melhor forma de encontrar Aquário é através das estrelas beta e delta da vizinha Capricórnio. Com a rota do Sol e a localização da constelação determinadas, precisava apenas definir as estrelas. Apesar de ampla, Aquário é uma constelação formada por estrelas pouco luminosas. Sadal Melik, Sadal Suud e Skat eram os nomes dos corpos celestes que eu procurava. Duas das estrelas eram binárias, e se Alfa e Beta eram estrelas binárias, não foi difícil concluir que Skat ocupava a posição Delta. Sadal Melik eram de maior raio e média magnitude, então, observando meu mapa estelar, estavam em Alfa, e as estrelas que ocupavam a posição Beta, pela lógica, só poderiam ser Sadal Suud.

Então faltava a parte mais difícil: o efeito que estes astros exerceriam sobre a minha energia astral. Professor Martin Wincler ainda não entendeu que eu não consigo fazer previsões para mim mesma... Sei que um argumento a favor da astrologia é o de que há indícios que apóiam a hipótese de uma conexão causal entre os corpos celestes e os eventos humanos Seria surpreendente se entre todos os bilhões e bilhões de movimentos celestes concebíveis não houvesse uma grande parte que pudesse ser significativamente correlacionada com dezenas de eventos ou traços de personalidade individuais. Assim, professor Martin não aceitaria a desculpa de que os astros resolveram voltar-se contra mim e se apagaram do meu telescópio. Pedi a Abraim que iluminasse minha mente, a fim de não concluir que eu devia ter morrido da era de Peixes...

A constelação de Aquário é associada à água desde a Antigüidade, quando o Sol passava por essa região do céu durante a estação chuvosa. Na antiga Babilônia, era representada por um homem que verte água sobre um pequeno peixe – a constelação vizinha, peixe austral. Para a mitologia greco-romana, o mito do Aquário relaciona-se a figura de Ganimedes, considerado o mais belo do mortais, raptado por Júpiter que o queria no Olimpo, para servir aos deuses. No Egito essa constelação era associada à época da semeadura, após as inundações do Nilo. Ou seja, a Precessão de Aquário, somada à importância das posições do sol, da lua e dos planetas no instante do meu nascimento, formava um emaranhando de condições determinantes da minha personalidade e do meu destino.

Fechei os olhos por alguns instantes, buscando concentração, e então eu vi. Estava tudo muito claro, bem à frente dos meus olhos, não havia como não enxergar. O efeito que Marte desempenhava sobre Pégasus, uma das mais antigas constelações, listada por Ptolomeu há milhares de anos, não deixava dúvidas: existe alguém na escola que está no meu destino. Vi a sombra, clara como a luz do dia. Uma onda de esperança tomou conta de mim. Se os astros diziam que havia alguém reservado a mim, só me restava acreditar. Tentei de todas as formas descobrir quem era. Virei meu mapa de cabeça pra baixo, mudei o ângulo do campo de visão de telescópio, mas pra variar, não consegui saber quem era...




(continua...)

Friday, February 03, 2006

Nem todos são, o que parecem....

Do diário de Morgan O'Hara

Ai que tédio...
Sim, tédio, pois a minha vida havia virado uma rotina chata: estudar para os NIEMS, tentar me sair bem nas matérias novas, falar com Porshy todos os dias sobre alguma coisa estranha ocorrendo no castelo... Para minha felicidade Carlinhos estava cumprindo a promessa e sempre me mandando cartas ou bilhetinhos carinhosos junto com as novidades em Londres.
Durante o café da manhã, o garoto McGregor saiu correndo do salão depois de receber um berrador da mãe, garantindo a todos umas boas risadas. Marienne e eu fomos para nossa aula de Oclumência e o professor Couggle ficou satisfeito com meu desempenho, dizendo que embora eu seja nova na matéria, estou conseguindo aprender a fechar minha mente. Isso é bom, pois a sensação de alguém entrando em seus pensamentos é horrível, e também constrangedor.
Logo seguimos para a aula de Botânica e a professora Milenna, que não ia com minha cara; mudou de atitude desde o ataque na floresta e agora falava civilizadamente comigo, o que deixou meus colegas de classe chocados.
E aula transcorreu com a professora falando várias vezes comigo e dando dicas de como cuidar melhor de uma bétula de encantamentos. A professora ficou satisfeita em saber que mamãe usava este tipo de feitiço em algumas árvores para a cura, e pediu que eu contasse para a turma o que sabia sobre o assunto, e ela completava minhas explicações. E por isto eu ganhei 5 pontos para minha casa. Achei que fosse desabar um temporal em cima das estufas hehe.
Depois do almoço, teríamos aulas de Mitologia e para nossa surpresa o professor estava irritado e logo nos contou o motivo: alguns alunos haviam roubado seus canopus egípcios e realizaram a mumificação de um gato. E o tal gato era de madame Máxime, Napoleon.
Muitos alunos estavam ou fingiam estar chocados, eu não me contive e comecei a rir, fazendo com que o professor se aproximasse:
FR- Porque está rindo, senhorita O'Hara? O que eles fizeram foi uma barbárie...
MOH- Desculpe professor, mas não acho.
FR- Como não? Vai me dizer que apóia o roubo destes alunos.
MOH- Não apóio o roubo. Mas... Foi uma peça realizada com um propósito maior.
Ele levantou a sobrancelha curioso e expliquei:
MOH- Bem... Pelo que entendi eles acharam o gato morto e como eles haviam adorado sua aula sobre mumificação, resolveram reforçar a matéria; e temos de convir que o gato de Madame Máxime teve um funeral digno de um rei não? Suas aulas são apaixonantes professor, não culpe os garotos por apreciá-las. E os vasos serão repostos, tenho certeza que além das detenções daqui, eles serão punidos pelas famílias.
O professor me olhava com vontade de me tirar pontos, dava para ver o dilema em que ele estava passando pelos seus olhos; por fim acho que alguma razão deve ter entrado na sua cabeça, pois disse:
FR- Sabe senhorita O'Hara, vendo por este lado da questão deveria me sentir lisonjeado não? – e sorriu.
Alguns alunos respiraram aliviados talvez com medo de que eu perdesse os pontos ganhos no dia, e eu assenti com a cabeça. Ao final da aula, me chamou e Marienne ficou me esperando na sala, enquanto ele perguntava:
FR- Soube que foi atacada por um comensal no lago Moliets. Está recuperada do susto?
MOH- Sim, já estou bem.
FR- Pelo que ouvi dizer você ficou bem machucada, deve ter ficado com muito medo.
MOH- Não fiquei.
FR- Como não ficou? Era um comensal da morte e você estava sozinha...
MOH- Não costumo ter medo de covardes.
O professor me olhava sério e achei estranho o tom em que falou:
FR- Para ser um comensal precisa ter coragem.
MOH- Se ele fosse corajoso mesmo, não usaria máscara.
O professor começou a se aproximar, e me olhava nos olhos de um jeito estranho e eu mantive meu olhar firme:
FR- Você não se assusta à toa...
MOH- Não.
Cof, Cof, Cof....
A tosse seca de Marienne parece ter acordado o professor, porque ele ficou sem jeito e disse:
FR- Fico feliz, que esteja bem. Tenha um bom dia.
Saímos da sala e Marienne de cara feia me perguntou:
- O que foi aquilo lá dentro?
MOH- Não sei... Esquisito não?
MD- É... Só espero que os boatos que ouvi não sejam verdadeiros...
MOH- Que boatos?
MD- De que ele costuma ser "amável" com algumas alunas...
Comecei a rir.
Marienne estava achando que o professor estava me cantando e estava com ciúmes, era no mínimo engraçado.
MOH- Você me conhece o suficiente para saber que meu relacionamento com Carlinhos é sério, e que não vou dar bola para um professor como ele.
MD- Ah, mas ele é bonitão e não é pobre, pois vem de uma família antiga e puro sangue.
MOH- Para quem gosta do tipo dele é, e eu te garanto: ele não faz o meu, pois não ligo para esta história de sangue puro, família antiga e fortuna. Acredita em mim?- disse olhando em seus olhos para que ela visse que eu dizia a verdade.
Ela assentiu e logo nos encontramos com Julian que havia ido buscá-la para "um encontro romântico com os livros da biblioteca", enquanto eu ia rever minhas anotações no meu quarto e escrever algumas cartas.
Pude pensar com calma sobre o que Marienne me falou e acho que vou pedir a Porshy para observar um pouco mais o professor de Mitologia. Não gostei do tom dele ao se referir "à coragem" dos comensais.

Thursday, February 02, 2006

Com a pulga atrás da orelha

Das memórias de Ian Lucas Renoir Lafayette

Ah, o ar fresco das montanhas que cercam Beauxbatons... Por dias pensei que nunca mais sentiria esse cheiro. O sol já batia na minha cara quando Bernard me sacudiu, fazendo com que eu caísse da cama. Até da maneira delicada dele de me acordar eu senti falta! Pela primeira vez desde que entrei para a escola levantei sem reclamar e depois de tomar banho e me arrumar, descemos para o café. Dominique e Marie ainda não sabiam que eu havia voltado, já era tarde e acabei por me decidir em fazer surpresa. O Grande Salão já estava apinhado de gente e logo avistei Marie sentada lendo o Profeta Diário na mesa da Fidei. Caminhei devagar ate ela e sentei ao seu lado.

IL: Alguma noticia interessante ai?
ML: Não, só o de se... IAN?? – Marie saltou da mesa e se pendurou em meu pescoço, me derrubando da mesa e caindo por cima de mim.
IL: Sim, sou eu! Ou o que sobrou de mim depois da queda.
ML: Desculpa, foi a empolgação... Quando você voltou? O que aconteceu?

Nos levantamos do chão e contei a ela tudo que aconteceu nos últimos dias em minha casa, as razões e acordos que me fizeram voltar. Ela não desgrudava de mim, me enchendo de beijos o tempo todo. Droga, porque ela faz isso? Marie é meio lerda por ainda não ter percebido que gosto dela e eu sou um idiota por não tomar vergonha na cara e dizer isso de uma vez por todas... Procurei Dominique na mesa da Nox, mas não o encontrei. Marie então me informou que ele estava em detenção, ajudando o professor de DCAT a arrumar a sala para a aula daquela manha.

Dominique empilhava uma dúzia de livros na mão pendurado em uma escada quando chegamos. Bernard bateu na porta pedindo licença e entramos. Ao ouvir minha voz meu amigo largou todos os livros em cima do professor e saltou da escada, correndo em nossa direção. Não deu tempo de ver muita coisa, apenas àquela roupa azul com listras verdes e pretas voar na minha direção e me derrubar. Podia ver tudo girar quando Bernard estendeu a mão para me puxar do chão enquanto Dominique ainda bagunçava meu cabelo.

DC: Não credito que você voltou! Quando isso aconteceu?
IL: Cheguei ontem a noite, já era tarde pra sair atrás de vocês.
DC: Ah meu companheiro, até que enfim você está de volta! Esse castelo estava perdendo a graça, não é nada divertido cumprir detenção sem você...
SZ: Detenção que ainda não terminou monsieur Cartier. Volte já aqui e termine de organizar os objetos para a aula!

Dominique respirou fundo e voltou para o fundo da sala. Pela quantidade de detector de arte das trevas, a aula de hoje seria destinada a nos ensinar a farejar o perigo. Aposto que mamãe ia dar pulinhos de felicidade se soubesse... Logo o restante da turma chegou e encheu a sala. Bernard me cutucou quando Antoine entrou e se sentou do outro lado da sala, longe da gente. Meu amigo me contou num tom de voz quase inaudível que ele e Marie haviam brigado feio há quatro dias e não estavam nem se falando mais. O motivo da discussão ninguém sabe, mas diziam as más línguas que foi ou por causa de outra garota ou de outro garoto... Não pude impedir que um sorriso imenso brotasse na minha cara e acenei para o bolha d’água, que parecia ter vontade de me estrangular.

O professor, Sir Shaft Zambene, ordenou que Dominique tomasse seu lugar e deu inicio a aula. Como havia previsto, ela seria voltada a nos ensinar a detectar arte das trevas e inimigos. Eu tinha medo desse professor... Quer dizer, não era medo, era mais respeito. Nunca fui fã de DCAT, mas sempre gostei das suas aulas, que eram práticas e diretas. Ele foi ate a bancada e pegou um pequeno objeto prateado, andando entre as almofadas espalhadas pela sala, erguendo-o no ar.

SZ: Alguém sabe o que é isso?
BL: Um Bisbilhoscópio. – respondeu Bernard, como de costume.
SZ: Muito bem, 5 pontos para a Sapientai. E quem sabe como ele funciona?
BL: Ele apita quando o perigo está se aproximando de você?
SZ: Muito bem, monsieur Lestel, mais 5 pontos para a Sapientai! Poderia se levantar e me ajudar a mostrar a turma como ele funciona?

Bernard levantou e foi de encontro ao professor. Ele segurou o bisbilhoscópio no alto para que todos pudessem ver enquanto o professor explicava seu mecanismo e dizia como deveríamos reagir quando o nosso começasse a apitar desenfreado. Dominique e eu assobiávamos enquanto Bernard servia de modelo de programa trouxa de auditório, mas ele ignorava os gritinhos e se esforçava para não ficar vermelho demais. Sir Shaft agradeceu a ajuda e mandou que ele se sentasse indo pegar o próximo objeto. Era uma antena dourada que girava rápido na mesa.

SZ: Esse objeto eu acho que nenhum de vocês já viu, pois não é vendido na Zonko’s...
IL: Parece uma antena de TV, Sir Shaft. Ela capta o que? Interferência?
SZ: Muito engraçado monsieur Lafayette, mas não é uma antena de TV. Alguém arrisca um palpite valido? – e vendo que ninguém ia responder, ele continuou. – Isso é um Sensor de Segredos.
IL: Aha! Ele capta segredos então! – falei arrancando risos da turma.
ZS: Brilhante dedução! Estou orgulhoso dos meus alunos hoje! – o professor riu e continuou caminhando, puxando uma aluna da Fidei para ser sua assistente dessa vez.

Ela a fez segurar a anteninha como se ela estivesse encaixada em uma televisão, fazendo a turma rir da garota. Ela mais parecia um ET em pé lá na frente, ainda mais porque começou a ficar verde com as gozações. Ele explicou como ele funcionava, exatamente como fez com o bisbilhoscópio. Pediu então para que a menina contasse uma mentira para ele. Ela inventou qualquer besteira e a antena apitou alto. Sir Shaft dispensou ela e começou a andar pela sala, interrogando os alunos. Ele já tinha motivo para distribuir umas 30 detenções quando chegou ao fundo da sala e parou ao lado de Dominique.

SZ: Diga-me monsieur Cartier... O senhor tomou banho esta manha?
DC: Claro que sim, que pergunta... - disse ofendido

A antena desatou a apitar, fazendo a turma rir e Dominique ficar roxo. O professor continuou andando e parou ao meu lado. Eu já suava frio, com medo do que ele ia me perguntar e se seria algo comprometedor. Marie ria ao meu lado, mas parecia um pouco nervosa também.

SZ: Monsieur Lafayette! Ontem encontrei alguns desenhos em meus arquivos, coisa antiga. Nenhum estava assinado e todos continham caricaturas dos professores da escola. Caricaturas um tanto quanto bizarras, usando a linguagem de vocês... Por acaso monsieur não sabe quem foi o autor das obras de arte, sabe?

Não foi preciso nem responder à pergunta, pois a antena começou a assobiar alto e girar. O professor riu e explicou que ela também capta uma mentira mesmo sem que ela seja dita, dependendo da intensidade da mesma. Eu estava mesmo bolando uma mentira bem exagerada para tentar enganar o sensor e escapar, pois era o autor dos desenhos... Sir Shaft então virou-se para Marie ainda rindo. Ela quase tremia ao meu lado. O que será que Marie esconde? Quem não deve não teme e aparentemente ela estava temendo a pergunta do professor...

SZ: Mademoiselle Laforêt, alguém me contou que... – a sineta tocou, cortando a frase do professor. – Ah, salva pelo gongo! Vejo vocês na próxima segunda, leiam o capitulo sobre detectores de artes das trevas e se preparem para uma aula pratica!
DC: Não deu tempo sabe, a detenção era muito cedo e não queria acordar de madrugada, ta muito frio... – Dominique tentava se explicar
BL: Não interessa porquinho, já ta feito o estrago. E fica longe de mim, não quero me sujar! – Bernard falava às gargalhadas enquanto arrumava as coisas.
IL: Nick, só duas palavras pra você: Oinc, oinc!

Saímos da sala no meio da multidão rindo de Dominique, que nos olhava revoltado. Nunca vi uma turma recolher o material espalhado com tanta eficiência. Marie atirou o dela de qualquer jeito na mochila e saiu apressada da sala, nos esperando há metros de distancia da porta. Agora estou intrigado... Qual será o segredo dela? Será que Sir Shaft me empresta aquela antena? Ou quem sabe ele não tem um pouco de Veritaserum? Só sei que agora eu to com uma pulga atrás da orelha...

Wednesday, February 01, 2006

Eu, eu mesmo, e o búlgaro em um bote amarelo!

Da velha caderneta de um sobrevivente...

Estava tudo pronto para a minha fuga! Havia recebido as encomendas do Ian àquela manhã, e estava no dormitório tentando inflar as bóias de braço e de cintura que tinham vindo junto com o bote. Já tinha combinado tudo com o Gregory, o único menino daquela escola que compreendia o que eu estava falando, e ele e o Sávio, o outro garoto do nosso dormitório que estava por dentro dos meus planos por intervenção do Gregory, iriam fugir comigo àquela noite. Os dois tinham ido organizar alguns detalhes pra nossa fuga... Gregory tinha ido até a sala do diretor para roubar um saquinho de flú, uma vez que assim que desembarcássemos em terra firme, pegaríamos a primeira lareira disponível na rede, e Sávio iria até a cozinha conseguir nosso estoque de comidas para a viagem. Não sei por que eles logo se animaram com a idéia de fugir dali, mas creio que não me enganei quando disse que aquilo parecia um campo de concentração, e não sou eu quem vai impedir eles de ganhar a liberdade né?

Quando anoiteceu, preparei minhas coisas ao pé da cama, e esperamos todos irem dormir para sair silenciosamente do dormitório. Empurrava as malas à frente, e carregava o bote murcho e o poleiro da Mariel vazio nos braços. Não havia ninguém andando pelos corredores àquela hora, uma vez que já havia passado das 21 horas, e como não encontramos com ninguém nos corredores, foi fácil o nosso acesso até o rio. Estava um frio cortante, o vento gelado, e eu pensei arrepiado na temperatura da água, mas finalmente decidido de que tudo daria certo, estiquei o bote, e comecei a soprar o ar pra dentro dele. O manual de instruções sob os olhos do Gregory que ia lendo pra mim, passo a passo o “Como manusear o seu super bote Aqualufs!” Soprei, soprei, soprei mais um pouco, e um pouco mais... E você pensa que já estava bom? Bota mais ar nisso... O negócio parecia um navio quando ia inchando... Tinha lugar pra bem umas dez pessoas, tranquilamente... Quando já estava roxo de falta de ar, finalmente o negócio estava inflado totalmente, e a gente se preparou pra ir embora. Malões, animais, capas e mochilas pra dentro do bote.

Vesti o colete, joguei as bóias de braço pro Gregory e a bóia com um pato na frente pro Sávio, que parecia estar se divertindo como nunca havia se divertido antes. Aquilo me lembrou vagamente a arca de Noé. Não pela lenda em si, mas pela bagunça! Quando íamos embarcar, Gregory me encarou assustado e disse que não teria coragem de ir... Tirou as bóias olhando perplexo, e tirou suas coisas do bote, voltando rápido pro castelo. Eu tava tão assustado que nem tentei convencer ele! Ele gritou boa sorte, disse que não contaria nada pra ninguém, e que mandássemos notícias quando chegássemos. Agora era eu e o búlgaro, o búlgaro e eu... E sabe qual a melhor notícia? Ele não entendia patavinas do que eu dizia!

Fiquei olhando pro vago uns minutos, mas cai na real e joguei as bóias de braço pro Sávio, que sorria debilmente. Empurrei o bote pra superfície do rio e puxando o Sávio, entramos e sentamos esticados. Peguei os remos, o manual de instruções, e ia aprendendo os movimentos de acordo com o vento e essas frescuras todas. Sávio brincava com o pato da sua bóia. Falava coisas pra ele e começava a gargalhar... Mexia a cabeça do pato pra lá, pra cá, pra cima e pra baixo. Eu não entendia nada do que ele estava falando, então me limitava a remar. E assim o tempo foi passando... Sávio tentou me ajudar nos remos, mas eu remava pra frente, ele remava pra trás, e aí eu sorri, balancei as mãos e disse que tudo bem, eu remaria sozinho. Acho que eu estava vestido com bem umas 10 capas de peles e o frio estava me matando...

Comecei a pensar no que Ian faria se ele estivesse no meu lugar, naquele bote amarelo, com aquele búlgaro infantil, remando, e um frio de congelar. Acho que ele provavelmente afogaria o búlgaro, pegaria suas peles, e parava de remar, deixava o bote seguir nas circunstâncias naturais...

O dia estava quase amanhecendo quando eu decidi parar de remar e dormir. Deixei Sávio responsável pelos remos e me estiquei todo. Grande ingenuidade a minha! Estava com tanto sono que nem pensei nas prováveis conseqüências dos meus atos. Acordei engolindo um balde de água salgada, e engasgando todo. Sentei assustado, e percebi que o chão do bote estava alagado. Sávio estava desmaiado no sono, escorado em uma borda, e a água entrava por ela. Desesperado, sacudi ele, que acordou e sorriu pra mim todo inocente e olhou pra água no bote achando tudo maravilhoso. Peguei um copo e comecei a tirar a água do fundo e jogar de volta pro mar... Sávio mergulhava o pato na água e depois tirava... Acho que ele estava pensando que o pato precisava respirar depois do mergulho. Não sei se isso era hora, mas uma música começou a tocar na minha cabeça e eu cantarolava ela baixinho, enquanto secava o bote...

We all live in a yellow submarine
Yellow Submarine, Yellow Submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow Submarine, Yellow Submarine

Passado o sufoco, e garantindo que não viraríamos comida para tubarões, comi um sanduíche úmido e continuei a remar. Já estava quase na hora do almoço, quando finalmente avistei uma cidade a frente, animado. Sávio sacudia os braços alegremente em direção à cidade, e apontava a cabeça do pato pra ela. Será que ele esperava mesmo que o pato visse a cidade e falasse “qua qua”?

Desembarcamos em terra firme, e mais um ritual... Tira malas, capas, mochila, animais, esvazia o bote, e se prepara pra andar. Como a cidade era pequena, ninguém viu a gente desembarcando... Arranquei o colete, e ajudei Sávio a tirar aquelas bóias dos braços, mas me pergunta se ele considerou a idéia de abandonar o pato? Acho que ele realmente acha que o pato é o melhor amigo dele, e tirar o pato seria um atentado a essa bela amizade! E imagina os trouxas encarando dois adolescentes novatos na cidade, e um deles andando com uma bóia de pato na cintura, conversando com ele?

Mandei Mariel para Beauxbatons, e comecei a procurar um lugar que tivesse uma lareira. Será que naquela cidade, tinha uma “parte bruxa”? Estava encucado com isso, pensando no que fazer, quando Sávio puxou meu braço e apontou para uma menininha na varanda de uma casa, segurando uma vassoura pequena e montando nela, tentando voar. Fiquei até impressionado com a cena, e julgando que aquilo era um sinal divino, puxei o búlgaro pra dentro da casa, porque a porta estava aberta. Mal tinha entrado, e dou de cara com uma mulher loira, acho que a mãe da menininha. Sorrindo e tentando uma comunicação com ela, a mulher começa a gritar histericamente em bulgariano, ou seja lá qual for a língua... Sávio finalmente compreendendo o que ela gritava, olhou pra mim assustado, e eu conclui que era hora de partir. Tive certeza que a mulher era bruxa, quando puxou a varinha das vestes lançando jatos na nossa direção pra se defender. Cheguei ao pé da lareira, agarrei o pó de flú, joguei o saco todo dentro das chamas, puxei o búlgaro pra dentro e gritei: SALÃO COMUNAL, NOX ANGELI, BEAUXBATONS. Me senti puxado pelas chamas bem a tempo de ser atingido por um jato vermelho na barriga. O búlgaro, as malas e eu, rodopiando, rodopiando...

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Música: Yellow Submarine- The Beatles

Monday, January 30, 2006

Voltei pra ficar, daqui ninguém me tira

Das memórias de Ian Lucas Renoir Lafayette


- Moço, eu preciso de um desses aqui. Isso bóia né? Quer dizer, não afunda não né?
- Não, 100% seguro! Pode levar a garantia, qualquer defeito você volta aqui e eu troco.
- Mas e se furar no mar? De que adianta garantia?? Quer saber, passa também esse negocio aqui e mais aquele outro ali!

Apontei para um colete laranja e uma bóia de cintura com um patinho na frente enquanto falava. O vendedor as juntou com um enorme bote inflável amarelo que tinha achado na estante e paguei. Sai da loja com meu primo carregando de bolsa e voltei apressado para minha casa. Tinha recebido uma carta urgente de Samuel, soando bem desesperada, com um pedido de socorro para escapar de Durmstrang. Como lá só tem mar, ele pensou em escapar por ele e fiquei encarregado de lhe fornecer o bote. Corri ao meu quarto e catei duas corujas desocupadas da casa, as incumbindo de levar os equipamentos até ele.

Havia levantado cedo com o pedido de SOS, a coruja do meu amigo me acordou bicando minha orelha furiosamente. Infelizmente antes de sair atrás do socorro tive que passar pelo inquérito de Patrice Lafayette, que estava inconformada por meu pai ter me deixado retornar a Beauxbatons. Foram horas e horas de conversa, onde tive que prometer a ela que não me meteria em confusão e me manteria afastado do perigo, escrevendo para eles ao menor sinal dele. Ah sim, ouvi também mil recomendações e mamãe me lembrou todos os tópicos que os aurores estavam considerando alta prioridade, quase esfregando no meu nariz fotos dos comensais conhecidos que estavam à solta, para que eu não esquecesse mesmo suas fisionomias e os alertasse caso algum resolvesse assistir uma aulinha de Poções ou Feitiços.

Já passava das 12hs quando fui liberado da audiência disciplinar para comprar as tralhas de Samuel. Gastei mais um bocado de tempo rodando o comercio trouxa atrás de algo decente e tentando saber o que era o que, mas consegui fazer tudo. Michel ia me contando que também conversou com seu pai, mas que ainda não haviam chegado a um acordo. Tio Edmund estava começando a considerar a possibilidade de voltar para a França e relutava com a idéia de mandar meu primo estudar em Londres com o perigo rondando aquela escola. Michel chegou a sugerir ser transferido para Beauxbatons como ultimo recurso, mas não estava muito animado, queria continuar com seus amigos ingleses em Hogwarts. Passei rápido pelo colégio trouxa onde estudei por duas longas semanas para me despedir dos detentos. Eles estavam todos no pátio conversando, as aulas já haviam acabado. Os quatro me questionaram por ter faltado e expliquei que estava voltando ao meu antigo colégio ainda aquela semana, mas que apareceria nas férias e ligaria para eles. Shopia reclamou bastante, mas deixei o endereço para ela me escrever e consegui que parasse de resmungar.

Já era noite quando cheguei em casa. Meu malão estava parado ao lado da lareira, junto com a gaiola de Héstia. Tomei banho e me arrumei, voltando à sala para jantar. Foi tudo bem silencioso, a refeição mais tensa que já presenciei nessa casa. Mamãe só me olhava de lado quando achava que eu não estava vendo e murmurava algo com minha tia. Papai conversava com meu tio e meu avô, mas dessa vez não sussurrava tanto e tentava manter a aparência calma. Meu avô balançava a cabeça e ria, olhando pra mim e Michel sempre que eles deixavam transparecer que ainda não estavam confortáveis com as ultimas decisões.
Quando levantei da mesa, todos saltaram junto. Ate me assustei, mas ignorei e caminhei até minhas coisas.

- Preciso ir... O Sr. avisou Madame Maxime que estou voltando, não é pai?
- Avisei sim, já está tudo acertado. Lembre-se do que nos prometeu Ian.
- E por Merlin, fique longe de confusão meu filho! – mamãe me pediu quase implorando.
- Quando tiver novidades sobre onde terminarei meus estudos, escreverei!
- Escreva sim. E não descarte estudar lá, não é ruim como você pensa... Bom, já vou indo! Até Junho...

Entrei na lareira arrastando minhas coisas com dificuldade e vovô me ajudou. Ele me entregou uma caixinha prateada, mas pediu que só a abrisse quando chegasse lá e que não deixasse minha mãe perceber o presente. Assenti com a cabeça, guardando o que quer que fosse aquilo no bolso do casaco e apanhando um bocado de pó de flu. Dei uma ultima olhada na sala e meu avô sorria e piscava pra mim, quebrando as expressões serias dos demais...

- Salão Comunal da Sapientai Angeli, Academia de Magia Beauxbatons!

Engoli um tanto de poeira quando falei alto o endereço da escola e sentia meu corpo bater no malão e nas paredes enquanto eu abraçava a gaiola de Héstia para que minha coruja não saísse com hematomas da viagem pela lareira. Cai chapado no tapete do salão comunal da minha casa, já vazio àquela hora. Pouquíssimas pessoas ainda transitavam por lá, entre elas Bernard. Meu amigo olhou assustado para onde eu estava caído e esfregou os olhos pra ter certeza de que não era miragem antes de largar o livro e se jogar em cima de mim.

- Voltei pra ficar meu amigo, ninguém me tira mais daqui! – falei levantando do chão e sorrindo para Bernard, sacudindo a poeira das vestes.


Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar, agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa...

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N.A.: Trecho da música “Por Enquanto”, da Cássia Eller.

Desgraça pouca é bobagem...

Anotações de Ty McGregor

Estava tomando o café da manhã junto com Gabriel e Miyako quando uma enorme coruja castanho avermelhado pousa na minha frente. Gelei. Ela tinha um berrador no bico.
Olhei pros meus amigos meio sem saber o que fazer.... Quer dizer sei que a gente abre berrador o mais longe possível e torce pra quem mandou estar ruim da garganta, mas.... e o medo?
MS- Não vai ler não?
GS- Isto vai explodir na mesa....
Peguei o pergaminho e sai correndo do salão, mal dei dois passos a coisa se abriu, trazendo a voz de minha mãe ampliada não sei quantas vezes gritando:

"TYRONE JOHN MCGREGOR, NUNCA MAIS EM SUA VIDA OUSE GRITAR COMIGO, ESPECIALMENTE POR ASSUNTOS QUE VOCÊ NÃO CONHECE, SÓ NÃO VOU AÍ TE ARRANCAR AS ORELHAS PELA MÁ EDUCAÇÃO, PORQUE SEU PAI INSISTE EM FAZER ISTO PESSOALMENTE blá, blá, blá..."

Consegui arrastar aquilo e entrar num armário de vassouras no corredor. Não deve ter sido suficiente, pois quando saí algumas meninas passavam e davam risadinhas da minha cara.
Voltei para o salão, pois tinha que terminar o café e sentei ao lado de Miyako e Gabriel:
GS- Sabia que tia Alex ia responder à altura. - dando risadinhas.
MK- Nossa, ela e mamãe devem ter feito um curso de elevação de voz sem o Sonorus. Toma tem mais isto aqui pra você. - disse me estendendo mais pergaminhos onde reconheci a letra da mamãe, e do meu padrinho Sergei.
TM-Nossa, devem estar com saudades.... - disse sem graça e meus amigos tornaram a rir.
TM-Eu exagerei quando mandei o berrador pra mamãe não é? Ela ter namorado meu padrinho não tem tanta importância assim porque eles eram jovens... - e eles assentiam com a cabeça e logo estávamos os três rindo e indo pra aula de Mitologia.
Parei de rir quando entramos na sala e o professor, andava impaciente de um lado a outro:
PF-Bom dia a todos. Entrem e acomodem-se, estou fazendo umas investigações aqui. Meus vasos egípcios sumiram...
Eu olhei para Gabriel e Miyako e na nossa cara estava escrito: Ferrou. Nos sentamos nos últimos lugares bem longe do professor, e depois de vestirmos as túnicas gregas, ele continuou a falar sobre o Egito e o livro dos Mortos, que era uma coleção de feitiços, hinos e orações que pretendiam afiançar a passagem segura e curta do falecido ao outro mundo.
Nunca anotei tanta coisa em tão pouco tempo, pois eu precisava ficar com a cabeça abaixada, senão aquele professor metido, ia perceber que tinha coisa errada, mas isto não adiantou muito, pois ele começou a fazer perguntas e alguns alunos erguiam os braços normalmente, Gabriel entre eles, mas o cara cismou comigo:
PF-Senhor McGregor, o senhor sabe para que serviam os canopus não?
Olhei para o professor, e fiz força para minha voz sair normal:
TM-Sei sim senhor. São 4 vasos, quer dizer, eram 4 vasos.... - Gabriel arregalou os olhos para mim, Miyako com aquele frio todo começou a suar, e eu olhava para o professor, tentando não dizer nada que nos entregasse.
PF-Que bom que o senhor sabe contar, agora me diga para que eles serviam? - uma loirinha da casa da Miyako deu uma risadinha abafada.
Olhei para ela de ara fechada, e ela parou. Lembrei quem ela era, tinha tentado sair comigo, no passeio a Paris, mas eu disse que já tinha um compromisso, parece uma Barbie falsa... Ainda se fosse ruiva como aquela garota do sétimo ano... Comecei a divagar, e o professor me chamou de volta à realidade:
PF-Poderia me responder hoje senhor McGregor? A aula não dura a vida toda.... - nesta hora eu tive certeza: ele não ia com a minha cara e queria que eu errasse as respostas.
Respirei fundo e comecei a dizer para que servia cada vaso, e qual a sua aparência, para total assombro do professor.
Quando terminei ele foi obrigado a dizer:
PF-Bem... 5 pontos para a Sapientai... O senhor falou com muita propriedade do assunto... Como se já tivesse participado de alguma mumificação....
Antes de poder responder o sinal tocou, e fui rápido tirar aquelas vestes, elas estavam me sufocando.
GS-Acho que ele sabe....
TM-Sabe como? Eu fui cuidadoso...
MS-Não sabe não, se soubesse ele teria tirado pontos, mesmo com a resposta certa....
Caminhávamos pelo corredor quando avistamos Gerard, o zelador do castelo colando alguns cartazes. Nos aproximamos e ele disse:
- Bom dia crianças, por acaso alguém viu o gato de Madame Máxime?
MS- Ela tem um gato?
G-Tem, mas o gato está sumido, e ela esta desesperada atrás dele. Ela disse que ele estava adoentado. - como não sabíamos de nada, nos despedimos e saímos andando com a foto na mão.
Para nosso espanto, o gato da foto era o mesmo gato que havíamos mumificado: grande... Peludo... Brincando com uma bolinha colorida. Paramos em um corredor lateral e começamos a falar ao mesmo tempo:
-Ty você matou o gato da Maxime... - disse Gabriel desesperado.
-Não, matei. Ele tava mortinho eu juro...
-Minha mãe vai voar até aqui de vassoura, só pra me matar quando descobrir que o gato da Máxime foi mumificado...
Estávamos tão distraídos em nossa angústia, que não percebemos que alguém se aproximava e ouvia o que dizíamos, logo os gritos ficaram evidentes, e nem precisamos nos virar para ver de quem se tratava:
- Vocês mataram meu Napoleon! – disse madame Máxime nervosa.
GM- Não matei, eu juro. Ele já estava morto quando a gente mumificou ele.
Droga, eu e minha boca grande. Ai ela gritou mais ainda, quando vimos o corredor estava cheio de gente olhando, enquanto ela nos empurrava para o escritório dela.
Do desespero ela passou para a ira, e enquanto escrevia os pergaminhos para nossos pais, chamou o professor de Mitologia, chamou o zelador, e a coisa não melhorava à medida que eu fui contando tudo que aconteceu, sim... porque agora era contar tudo de uma vez e tentar sobreviver.
Quando chegou na parte sobre abrirmos o gato e pôr as coisas nos vasos o professor queria pular no meu pescoço. Ele tinha uma veiazinha saltando na testa, que eu reconheci como perigo, pois ele dizia: Isto só pode ter sido idéia sua, só você pensaria numa coisa destas....
Como se eu fosse uma peste. Atrevido!
Ele estava uma fera, disse que os vasos eram caríssimos, e ele ia cobrar dos meus pais.Madame Máxime após anotar as nossas detenções nos mandou terminar as aulas do dia, não sem antes eu explicar onde havia enterrado o gato dela.
Gabriel e Miyako olhavam tudo de olhos arregalados, pois cada vez que tentavam justificar alguma coisa, a bruxa os cortava.
TM-Madame ele estava morto, jogado na neve, fizemos tudo direitinho, ele passou pelo julgamento de Osíris com chave de ouro. - tentei remediar a situação, o professor não escondeu a surpresa por eu lembrar tão bem da aula, mas fazer o quê? A culpa foi do professor almofadinha que atraiu a minha atenção com estas coisas do Egito.
Só espero que as cartas que ainda tenho para ler, não tenham mais desgraças, como mais algum castigo imposto pelos meus pais.

Saturday, January 28, 2006

Uma novata na França

De Zandone, o diário secreto de Giordanna Emmeline Yanichewkys Bergamaschi

Se eu soubesse que Beauxbatons era uma escola tão... apaixonante, teria vindo pra cá mais cedo, diário. Claro que eu gostava de estudar na Sicília, afinal lá estava perto de casa, falando a minha própria língua e estudando Mitologia Romana ao vivo e a cores. Por falar nisso, o que me traz mais saudades da Itália e até mesmo um pouco de remorso são as aulas de Mitologia. Nunca pensei que diria isso, mas ninguém ensina Mitologia Romana como Maurizio Petronio, e está pra nascer o homem que transformará a sala de aula em um legítimo Coliseu como Demetrius Agamenon. Os franceses estudam mitologia grega e romana em um mesmo período de aulas, e o professor daqui me pareceu um tanto estranho. François Richelieu é o nome dele. Existe certa frieza em seu olhar, e Poseidon fica em estado de alerta toda vez que alguém pronuncia o nome daquele homem. Meu primo Romeo sempre disse que meu gato tem sétimo sentido, e estou começando a pensar que isso é verdade. Sinistro...

Io non so se mai si avvererà
uno di quei sogni che uno fa
come questo che
non riesco a togliere dal cuore
da quando c'è...


Mas a França não é nada ruim. Pelo contrário, as aulas aqui são ótimas, alguns professores são realmente fantásticos e a culinária francesa não deixa nadinha a desejar. A disciplina que mais me fascina aqui é Defesa Contra as Artes das Trevas. Apesar de não estar inclusa no currículo escolar da Itália, acredito que estou me saindo muito bem. Gostei muito do professor. Atencioso, exigente e dedicado, ofereceu-me algumas aulas particulares, para que eu pudesse atingir o nível esperado dos alunos do sexto ano o mais rápido possível. Sir Shaft Zambene, além de exímio mestre, tem se mostrado também uma excelente companhia. Antes que alguém pense besteira, não estou apaixonada pelo professor não. Apenas admiro-o. Aqui na França não é proibido admirar um professor, é?


Forse anche questo resterà
uno di quei sogni che uno fa
anche questo che
sto mettendo dentro a una canzone
ma già che c'è
intanto che c'è
continuerò
a sognare ancora un po'


Sinto muita falta de Lavínia e Michaella, é a primeira vez em treze anos que passamos mais de quarenta e oito horas separadas. E ainda vai demorar pra acabar o semestre eu poder voltar pra casa. Recebo e envio corujas diariamente, e é assim que eu continuo informada a respeito dos acontecimentos na Sicília e na Sardenha. No entanto, conheci pessoas muito simpáticas aqui, e acho que nos tornaremos amigas. Duas irmãs, Isabel e Anabel, que no dia em que cheguei à escola me confundiram uma amiga delas que morreu no ano passado, são ótimas! Apesar de serem o oposto uma da outra, gostei bastante das duas, de verdade.

Sarà sarà l'aurora
per me sarà così
come uscire fuori
come respirare un'aria nuova
sempre di più
e tu e tu amore
vedrai che presto tornerai
dove adesso non ci sei.


Fui muito bem recebida na minha casa, a Lux Angeli. É, aqui os alunos são divididos em quatro casas. Não é como na Academia de Magia Siciliana, onde os garotos ficam separados das garotas. As casas são mistas, o que faz com que as aulas também assim sejam. Divido o dormitório com uma garota indiana de 16 anos, chamada Rany Odara Lákshimy. É uma garota tímida, organizada e bastante estudiosa, a melhor aluna do nosso ano.

Rany tem me ajudado bastante, principalmente nos deveres de botânica. Merlin, ô mulherzinha mal-humorada essa que arranjaram pra dar aulas aqui... A criatura vive carrancuda, e seu esporte favorito é aplicar detenções. Levei uma no primeiro dia de aula, por levantar a mão e perguntar o que eu deveria fazer com os caules da Lavandula officinalis, da qual extraíamos o óleo das flores. Por duas noites, fiquei trancada em uma espécie de estufa, alimentando plantas carnívoras com lesmas e outros animais pegajosos. As plantinhas pareciam deliciadas com o, digamos... banquete. Lembrei de uma frase dita em um filme trouxa que assisti quando criança, na companhia de meus primos da Polônia. Viscoso, mas gostoso. É, tem gosto pra tudo mesmo...

Forse un giorno tutto cambierà
più sereno intorno si vedrà
voglio dire che
forse andranno a posto tante cose
ecco perchè
ecco perchè
continuerò
a sognare ancora un po'
uno dei sogni miei...


O campeonato de quadribol aqui em Beauxbatons também é diferente. Não existem times masculinos e femininos, mas sim uma equipe de cada casa. Participei de uma série de testes e fui aceita no time. Estou treinando como reserva, uma vez que normalmente os exames para novos jogadores acontecem em setembro, e então a equipe já estava completa. Pelo menos não vou precisar aposentar meu bastão até o início do próximo ano, e as aranhas terão que encontrar outro lugar para construir suas teias, bem longe do cabo da minha vassoura. Um dos batedores deve deixar a escola em junho, e então, se tudo der certo, eu passarei a jogar no time principal. Sou a única garota da equipe, o que me faz treinar dobrado, já que os garotos são bem maiores e mais fortes que eu. Por outro lado, sinto que, se por acaso algum dia me meter em confusão, terei sete colegas dispostos a me defender. Isso não é nada ruim...

Quello che c'è in fondo al
cuore non muore mai
se ci hai creduto una volta lo rifarai
se ci hai creduto davvero
come ci ho creduto io...


Ah sim, antes que eu esqueça: as paisagens francesas são lindas, a temperatura é agradável, e o rio Sena, que eu vejo todas as manhãs pela janela do meu dormitório, é apaixonante. Claro que não se compara às gôndolas de Veneza, mas é bom viver aqui. Os rapazes franceses são bonitos, sim, embora um tanto cheios de si. Ainda tenho muitas coisas a descobrir e muitas pessoas a conhecer, estou aqui há apenas uma semana. Não descobri nenhum inimigo imediato, e espero não ter tido uma impressão errada de nenhum daqueles que considerei amigos. Por via das dúvidas, é melhor manter os olhos bem abertos...

Sarà sarà l'aurora
per me sarà cosi
sarà sarà di più ancora
tutto il chiaro che farà...


Preciso ir, Rany está à minha espera, a aula de Legilimência está prestes a começar. E, segundo a minha amiga, o professor não é daqueles que costuma aceitar atrasos.

Sarà sarà l'aurora
per me sarà cosi
sarà sarà di più ancora
tutto il chiaro che farà...


Arrivederci!!

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
N.A. A música citada chama-se L'Aurora, de Eros Ramazzotti.

Thursday, January 26, 2006

Conversando a gente se entende

Das memórias de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Ian, abra essa porta!
- Não enche o saco!

Um clarão iluminou meu quarto e a porta se abriu, fazendo o sofá voar pelos ares. Meu pai estava com a varinha em punho e com uma expressão furiosa na cara. Talvez só não estivesse pior que a minha, que fuzilava ele com os olhos enquanto atirava minhas roupas de qualquer jeito no malão aberto ao pé da cômoda. Meu tio entrou depois dele mandando que Michel saísse do quarto e nos deixasse a sós. Meu primo enfrentou certa resistência, mas meu tio saiu rebocando ele a força, batendo a porta ao passarem.

- Eu exijo respeito Ian! Independente do que aconteceu, ainda sou seu pai!
- Pra exigir respeito, tem que respeitar antes!
- Já chega, não vou permitir que fale assim comigo! Você já passou dos limites!
- Já disse que nada que você fale ou faça me fará mudar de idéia, estou indo embora amanha cedo e não me espere mais aqui assim que completar meus 17 anos!
- Já conversamos sobre isso, você não sairá dessa casa, não vou permitir que deixe sua mãe me atormentando por sua causa!
- Bom senhor Lafayette, sinto lhe informar que vou seguir com meu plano, mamãe goste ou não...
- Vai me deixar ao menos explicar o que aconteceu aqui?
- Acho que já ouvi o bastante na reunião.
- Você não entendeu o real motivo, talvez se não tivesse espionando pudesse compreender. Sente-se, por favor, precisamos conversar.

Olhei para meu pai por um tempo, mas acabei cedendo ao seu pedido e me sentei na cama. Ele começou então a me explicar tudo que estava acontecendo fora da escola nos últimos meses, me contou tudo que ele e os outros aurores têm feito, falou sobre as mortes que estavam acontecendo, dos planos da Ordem da Fênix, abriu o jogo comigo. Pela primeira vez meu pai não me tratou como o garotinho de 6 anos que costumava correr pros seus braços em busca de proteção ao menor sinal de perigo. Pela 1ª vez ele me tratou como seu filho de 16 anos, que deixou de ser criança há muito tempo e que ele finalmente parecia perceber e aceitar isso.

Ele parou de falar e me deixou perguntar o que quis, respondendo a tudo. Questionei sobre voltar à escola, sobre meu desejo de me formar, estudar para me tornar um medibruxo e sair de casa, mesmo contra a vontade de minha mãe. Ele me ouviu assim como o ouvi, mas ainda estava irredutível quando a me deixar voltar para Beauxbatons. Foi então que chegamos a um acordo, que beneficiaria ambos as lados...

- Está certo filho, entendo que para você significa mais que tudo retornar à escola, para seus amigos e sua vida. Mas você tem que entender que para mim o mais importante é a sua segurança e que não julgo lá o local que me deixaria tranqüilo quando a ela.
- Eu entendo pai, mas o senhor não pode me manter trancado aqui!
- Sim, então vamos fazer um trato... Eu deixo você voltar para Beauxbatons, com a seguinte condição: terá que aceitar o estágio no Ministério da Magia durante o verão, terá que trabalhar no departamento dos mistérios ao menos até se formar. Depois, prometo não interferir em qualquer que seja sua decisão.
- Mas pai, não quero ser um inominável! Quero ser como o vovô!
- Eu já entendi isso Ian, mas pense comigo: para sair de casa, você vai precisar de dinheiro. Como pretende consegui-lo sem trabalhar? Porque você já deixou claro inúmeras vezes que não irá aceitar nossa ajuda...

Sentei ereto na cama e parei para pensar. Meu pai tinha razão, precisaria de dinheiro para alugar um apartamento em Paris e esse estágio iria me ajudar... E também, imagina as coisas que posso descobrir lá? Esses inomináveis que trabalham no departamento dos mistérios sabem de todos os segredos do ministério! Meu pai estendeu a mão e como sinal de que aceitei sua proposta, estendi a minha também, apertando à dele.

- Agora termine de arrumar suas coisas, você voltará em dois dias. Não irá sair daqui amanha cedo, pois senão terei que agüentar sua mãe me culpando por qualquer coisa que aconteça a você.
- Ok... Nós dois conversaremos com ela amanha, certo? Mas e quanto ao fato de que vou me mudar assim que terminar meus estudos?
- Quanto a isso não se preocupe. Quando a hora chegar, eu me entendo com Patrice.

Papai abriu a porta e meus tios, Michel, vovô e mamãe estavam parados do lado de fora, todos aflitos. Vi minha mãe o seguir interrogando sobre o que conversamos e Michel e vovô entraram no quarto. Contei a eles sobre o trato e meu avô me apoiou, dizendo que o mais sábio a se fazer agora era obedecer meu pai e aceitar as condições dele sem criar confusão. Disse que o caos ia passar e que muito em breve eu seria dono do meu próprio nariz, podendo seguir o caminho que considerasse melhor, mas sempre, é claro, se lembrando de que ele estará sempre lá para me ajudar e aconselhar quando precisasse. Terminei de arrumar minhas coisas e fui dormir, pensando em como mamãe reagiria amanha ao saber que voltarei para a escola mesmo sabendo que ela está com medo...

Wednesday, January 25, 2006

Missão quase impossível

Da velha caderneta de Samuel Berbenott

Cai de joelhos em um macio tapete de pele de urso esticado defronte da lareira em um aposento escuro. Várias e várias estantes de livros com capas negras, castanhas e vinho, alguns objetos diferentes, arquivos, uma mesa e uma poltrona e alguns quadros. Levantei-me sacudindo as cinzas e me endireitei preparando pra sair da sala, sem notar um homem que saiu de um canto escuro do aposento e me encarava satisfeito! A julgar pela sua pose de autoridade, eu constatei que estava de frente com o meu novo diretor. Hagen Poliakov tinha cabelos aos ombros, lisos e castanhos, o rosto enrugado e uma expressão nada sorridente como costumava ser a de Madame Máxime. Seus olhos eram verdes escuros e ele trajava longas vestes totalmente negras, inclusive as peles de pantera sobre os ombros.

HP: Bem-vindo ao Instituto Durmstrang... Presumo que não conheça o castelo, e nem suas regras, então, se o senhor estiver a boa vontade de sentar-se pra conversarmos...

Ele apontou uma poltrona em frente a sua mesa e a contornou sentando-se em minha frente, empilhando alguns pergaminhos ao lado e começando a falar.

HP: As aulas ocorrem durante a parte da manhã e de tarde. Os alunos não devem estar nos jardins após as nove da noite. Não permitimos namoros dentro dos terrenos do castelo. As lareiras de Salões Comuns e outras salas só serão acesas se houver necessidade extrema em função de ensinamentos ou demais urgências. Não se pode criar animais dentro do castelo, por isso sua fênix já foi mandada ao poleiro nos terrenos de trás. A biblioteca fica aberta durante todo o dia até as nove da noite... Mantenha suas coisas organizadas no dormitório e uma boa relação com os demais estudantes e professores. São quatro casas: Draccon, Sammaine, Seathain, e Lughnash, mas pelo que me conta no seu histórico, você fica na Sammaine. Por enquanto é só! Alguma dúvida?
SB: Tenho uma dúvida sim... Será que eu tenho permissão para chorar de desespero?

Ele me olhou indiferente e como se eu não tivesse dito nada, chamou um homem curvado que passava no corredor, o nome era Ivan, e lhe pediu que me acompanhasse até os dormitórios. O castelo era bem menor que o de Beauxbatons, e apesar de se estar fazendo sol lá fora, eu tremia de frio. Fiquei imaginando aterrorizado o frio do inverno deles, quando me deparei com uma porta de carvalho escura. Ivan me apontou ela e se retirou. Entrei no dormitório, que estava vazio àquela hora. Havia um beliche em um canto, duas mesas de cabeceiras ao seu lado, e no outro canto, uma cama de colunas, onde reconheci meu malão e o restante das minhas coisas. Em cima da cama estavam esticados lenços, cachecóis, luvas e distintivos da casa, e duas peles de animais. Realmente eles não queriam me deixar desprevenido no inverno... Fiquei sentado com meus pensamentos encarando a janela. Fazia um ensolarado e frio sábado matutino, e nos jardins eu via muitos pontos vermelhos caminhando.

SB: Ok... Vamos pensar... Eu preciso arrumar um jeito de sair desse hospício! Lareiras e flú? Não, impossível! Nenhum professor me daria autorização para acender a lareira com a justificativa de uma fuga... Quem sabe então uma chave de portal? Se eu fosse fazer uma, provavelmente terminaria na Sibéria! Aparatar eu não sei, e me transformar em um leopardo não adiantaria de nada, por que não seria muito comum avistarem um andando por aí... Pense Samuel... Água! È isso! Vou fugir por esse rio... Ele provavelmente vai dar em um mar, uma cidade, e eu pego um trem de volta à Paris! Ta, vai fugir pelo rio... Como Samuel? Droga... Assuma, você está ferrado! Quem sabe uma jangada? Uma bóia de braço? Um bote? É isso! Um bote trouxa daqueles que a gente vê em filmes! Ian! Ian vai ter que me ajudar e me mandar um desses...

Armei um plano, e mandei uma carta apressada pra Ian. Ele precisava me ajudar a sair daquele manicômio, ou eu ficava doido rapidinho... Não, eu não estava ficando doido! Meu plano tinha 99% de chance de dar errado e eu ser descoberto, pego em flagrante, mas eu iria agarrar e investir tudo no 1% de chance de dar certo... Era só uma questão de esperar!

Uma luz no fim do túnel

Das memórias de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Por aqui, sei que tem uma passagem em algum lugar...
- Acho que isso não é uma boa idéia. Se nos pegam estaremos bem encrencados!
- Achei! Não podemos ser ouvidos, portanto me siga de boca fechada Michel!

Removi um velho quadro no porão da minha casa e um pequeno e sujo buraco se revelou. Era um antigo túnel que havia descoberto quando criança e que atravessava toda a casa pelo alto. Costumava brincar ali, me escondendo de minha mãe quando aprontava e não queria apanhar, mas há anos que não o usava, já tendo até esquecido sua localização. Entrei engatinhando e Michel veio atrás de mim. Nunca tinha reparado o quanto ele era apertado, talvez por não ter mais entrado nele depois que cresci.

Enquanto rastejava pelo túnel forçava a memória para me lembrar o caminho do escritório do meu pai, que recordava vagamente ficar na ala sul da casa. Ouvi meu primo reclamar algumas vezes de estar se sujando ou ter ouvido barulho me alertando para a possibilidade de ser um rato, mas o ignorava e continuava, dizendo que não tinha rato nenhum ali. Ouvimos som de conversa vindo de algum cômodo abaixo de nós e paramos. Era a voz do meu tio Edmund, pai de Michel. Ele tinha um tom sério e falava alto. Estávamos sobre o escritório de meu pai.

- Por Merlin Jacques! Não está vendo que a situação está beirando ao caos?
- Não gosto de seu tom de voz Edmund, não sou um de seus subordinados!
- Cavalheiros, por favor, vamos manter a calma. Não estamos aqui para piorarmos as coisas iniciando um novo conflito. – disse um bruxo baixinho e careca, se pondo de pé entre meu tio e o outro homem que parecia ofendido.
- Henri tem razão, esse não foi o motivo de nossa reunião aqui. – meu pai agora estava de pé também e caminhava de um lado para o outro.
- Pois então diga o seu grande plano Gérard, porque estamos sem idéias.

O bruxo chamado Jacques tinha um ar de tédio, como se estivesse ali à força. Meu pai começou a dissertar sobre manter todos longe do perigo que os comensais da morte representavam. Dizia que os ataques estavam cada vez mais freqüentes e que nem as escolas podiam ser consideradas um local seguro. Papai passou mais de meia hora explicando o que tinha em mente, mas eu não conseguia entender aonde aquilo ia dar. Quando ele parecia ter terminado, meu tio se levantou.

- É por isso que não queremos mais as crianças na escola. Marcel também concorda conosco que o ambiente mais seguro para eles é em casa, onde podemos estar sempre de olho.
- Exatamente! – disse o tal Marcel levantando também. – Foi por isso que consegui estágios no Ministério da Magia francês para nossos filhos. Lá poderemos observá-los de perto e mantê-los a salvo de você-sabe-quem e seus seguidores.
- O filho de Edmund não retornará a Hogwarts e eu já tirei o meu de Beauxbatons. Expliquei a diretora o que realmente aconteceu e ela entendeu, apesar de não concordar. Mas não é a vida do filho dela que estava em risco. Ian irá trabalhar no departamento dos mistérios, é o lugar mais perto que posso vigiá-lo sem que ele desconfie de algo, já que ele se recusa a seguir a carreira de auror.
- Michel ficará no departamento de esportes e o filho de Marcel no departamento de transportes mágicos. – meu tio falou
- Preciso saber se estão de acordo para que eu distribua os cargos. As crianças podem terminar seus estudos depois que conseguirmos conter os que nos ameaçam. – disse o tal Marcel

Olhei para Michel apavorado. Ele tinha a cara colada no buraco no chão e olhava para os bruxos sem piscar. Traidores! Então foi por isso que fui arrancado da escola? Porque papai está com medo e acha que corro perigo? Aquele mentiroso! Me fazendo pensar que foi por causa de minhas brincadeiras! Mas isso não vai ficar assim, não vou passar o resto da minha vida trancado naquele buraco do Ministério enquanto eles brincam de caçar bruxo das trevas! Michel levantou do chão e começou a engatinhar dizendo que queria sair dali antes que começasse a gritar. Ele passou por cima de mim e quando ia virar, pisou em uma madeira velha. Senti o chão sumir e meu corpo bater no de Michel enquanto despencávamos.
Caímos em cima da mesa de reuniões, espalhando os pergaminhos onde eles assinavam nossos nomes para a forca. Papai saltou da cadeira e correu até nós assustado, nos virando para ver se não havíamos quebrado nenhum osso. Sai da mesa revoltado, sem olhar na cara dele. Michel também levantou e lançava um olhar de desgosto para seu pai.

- Há quanto tempo vocês estão nos ouvindo? – meu tio perguntou alarmado.
- Tempo suficiente... Que vergonha... – Michel falava enquanto balançava a cabeça
- Estavam nos espionando? Não tinham autorização de participar dessa reunião, quando você vai crescer e obedecer minhas ordens Ian?
- Não me venha com sermão papai, o senhor não tem mais moral comigo, seu mentiroso!
- Precisamos conversar, mas aqui não é o lugar para isso!
- Não temos que conversar nada. Estou fazendo minhas malas, volto para Beauxbatons amanha cedo!

Sai da sala arrastando Michel comigo e ouvi meu pai declarando o fim da reunião antes de sair com meu tio atrás de nós dois. Entrei no quarto depressa e tranquei a porta, arrastando o sofá para bloqueá-la. Não queria ouvir suas argumentações e justificativas para as insanidades que ouvi, ia voltar para minha casa amanha e nada que ele fizesse iria me impedir disso!

Tuesday, January 24, 2006

Acerto de contas....

Em algum lugar nos subúrbios de Paris....

Estava terminando meu relatório sobre o ataque de comensais no acampamento de Beauxbatons no lago Moliets, quando um quadro na parede fez ham, ham...
Estranhei... Usávamos este quadro apenas em situações de emergência. Olhei para ele e ele disse pomposamente:
- Madame Kinoshita solicita uma audiência via lareira em caráter de urgência.
Levantei a varinha, tranquei a porta e disse:
- Estou à disposição.
Sentei-me em frente à lareira quando alguns estalos começaram e logo o rosto de Yulli apareceu.
- Yulli, querida há quanto tempo. Como vai você? – disse sorrindo.
- Estou péssima sua traidora.
Fiquei chocada.
- Como assim? O que aconteceu?
- Aconteceu que você contou para minha filha sobre o meu passado. Como você pôde fazer isto comigo? Eu confiava em você.
Após o susto inicial respirei aliviada.
-Ah, isto. Nossa pensei que tivesse acontecido alguma coisa séria.
-Isto é sério, Alexandra. Minha filha nunca soube deste... Passado negro e enterrado. Como vou ficar agora? Você acabou com minha reputação perante meu bebê...
Olhava para Yulli e juro que se ela estivesse na minha frente em carne e osso, teria lhe dado uns tapas para tirá-la da crise.
-Pára de histeria Yulli. Não falei nada de mais. Eles estavam curiosos em saber o porquê do Sergei demorar 15 minutos para aparecer atrás deles. E veja bem... Eu apenas disse que vocês tiveram um namorico no passado. Então sua filha disse que isso acontecer com você era impossível. Que você era uma santa, aí eu tive que rir né?
-Rir? Deveria ter concordado e falado que era uma coisa sem importância e que eu nem ligava pra isso.
-Yulli... ela é sua filha, você não deveria criar uma imagem falsa para ela, achando que com isso a protege. E o Sergei estava feliz demais quando chegou em casa, foi só somar dois e dois.
-Estava é? (olhos brilhando). - Quer dizer.... É meu dever proteger a minha filha, ela é muito jovem pra namorar, e quem ouve você falando, pensa que você foi muito santinha, mas eu perguntei para a Miyako se você tinha contado para eles que também caiu na rede do Sergei.
-Você o quê?
-Viu? Como é bom quando contam nossos segredos? - com um olhar vingativo.
-Yulli, eu não contei segredo nenhum, pois você nunca me disse que era segredo o que fizemos em Hogwarts. Se eu soubesse disso não teria falado nada....
Nesta hora uma coruja bate no vidro da janela, e pelo jeito é alguma coisa urgente. Corro até lá, abro e ela deixa um berrador em cima da mesa e sai voando, por onde entrou.
Mal dá tempo de abrir a mensagem:
"MÃE COMO VOCÊ PODE TER NAMORADO O MEU PADRINHO? ONDE O MUNDO VAI PARAR? APOSTO QUE MEU PAI NÃO SABE DE NADA. SINTO-ME TRAÍDO POR VOCÊ. NÃO SEI SE POSSO PERDOAR", após os gritos do meu filho ecoarem pela minha sala, o pergaminho se desfez.
- Tá satisfeita agora? – perguntei para uma Yulli de olhos arregalados.
- Satisfeitíssima. Agora estamos do mesmo lado amiga.
- Não estamos não, Yulli. Você ainda não respondeu porque criou esta falsa imagem para sua filha? Não vê que com isso a afasta de você? Ela tem que saber que pode contar com você pra tudo e que você não está num pedestal inatingível. Afinal se ela não puder contar com você, vai contar com quem?
Pareceu-me que Yulli tomou um balde de água fria, pois ficou sem uma resposta imediata, ai aproveitei para acrescentar:
-E para sua informação, o Sergei é um homem, bom, honesto e honrado. Não merece ser tratado como "algo sem importância do seu passado", e se você vai tratá-lo assim, diga logo isso para ele, para que possamos juntar os cacos depois.
- Oras, eu sempre deixei claro que não queria nada de sério com ninguém! Ele está criando falsas esperanças, não sou eu que vou dizer isso pra ele né?
-Ok, Yulli, você venceu. - disse cansada.
-Como assim venci?
-Você está conseguindo matar aquela menina linda, rebelde, amorosa, e amiga de todas as horas que estudou comigo. Acho que isso vai te fazer muito feliz não? Só espero que esta "nova" Yulli, não termine sozinha com os milhares de galeões que está acumulando na carreira. Posso garantir que o ouro, não é um bom amigo na hora da solidão. Ele não sabe jogar xadrez ou apreciar uma boa xícara de chá.
- E o que você quer que eu faça Alex? Alguma sugestão? Porque eu tenho uma carta de 30 folhas que parece um roteiro de novela mexicana da minha filha para responder, e ela me exige ótimos argumentos!
-Seus argumentos são você mostrar quem é. Nada de mentiras, falso moralismo ou hipocrisia. Não se muda o passado, apenas se aprende com ele, e você não tem nada que se envergonhar do seu. Se você aceitar isso em você mesma, talvez passe a aceitar que sua filha esta se tornando uma mulher e vai precisar de você inteira, sem máscaras. Ela está crescendo e isso passa muito rápido Yulli.
Ela ficou pensando por alguns momentos e finalmente disse:
- Ele está mais bonito hoje do que antes. - tinha um leve rubor nas faces e logo começamos a rir da situação.
Acho que finalmente Yulli está de volta, pois ficamos trocando confidências e só paramos, quando Kyle veio preocupado ao meu escritório ver, porque minha lareira estava interditada.
E quanto a você Tyrone John McGregor, vamos ter uma pequena conversa quando nos encontrarmos.

Saturday, January 21, 2006

Apenas uma carta para minha mãe...

Do diário de Miyako Kinoshita

Querida Mamãe... Como está? Ah, não se preocupe, eu estou bem, e isso aqui não é nem um tipo de notificação de que destruí o colégio, ou que estarei cumprindo um mês de detenção ok? Apenas quero trocar uma palavrinha com a senhora...
Hoje recebemos uma visita. Você a conhece muito bem... Tia Alex, mãe do Ty. Conversa vai, conversa vem, até que ela me revelou que a senhora, sim, você mesma, tinha tido um caso com o Sergei, padrinho do Ty...
Eu preciso te dizer qual foi a minha reação, se não um grande queixo caído, dois olhos bem arregalados e uma total incredulidade? Disse que simplesmente não podia ser você... Você que sempre se orgulhou de falar que era monitora, e que tinha que dar um ótimo exemplo. Nunca me contou absolutamente nada sobre nenhum homem que tenha passado na sua atordoada vida! Foi difícil acreditar que era de você mesmo que ela estava falando, mas como poderia se enganar se estudaram juntas sete anos?
Francamente mamãe... Eu nem sei o que te dizer! Acho que se a carapuça de uma grande culpa não te servir aí, eu me rendo com direito à bandeirinha branca. Todos os seus discursos de: Mi, você é tão nova pra esquentar a cabeça com garotos... Você ainda está na idade de colecionar figurinhas de sapos de chocolate e brincar com pequenas vassouras... Tão nova pra se apaixonar! Minha filha, ainda tem tanto tempo pela frente, porque essa conversa de se eu a deixo namorar?
Ah, meu longo discurso já acabou... Não tenho mais reclamações e nem drama o suficiente para terminar essa carta! Exijo da senhora uma boa explicação, porque preciso entender o motivo de você ter se passado por uma personalidade que de longe é sua... Acho que somos mais parecidas do você jamais imaginou! Mande beijos ao tio Yuri, e Yoshi... E claro, à tia Yhara, se essa aparecer por aí ainda este semestre!
Sinceramente, Mi.


Você deve estar se perguntando o porquê de tantas pedras na mão sendo jogadas na minha mãe. Oras, no dia que você ouvir o seu longo discurso de que nunca gostou de ver jovem bebendo, que a idade ideal para começarem a namorar é 18 anos, e que era quase uma Madre Teresa de Calcutá misturada com um Freud, você vai entender a minha indignação. Sabe quando você simplesmente tem que se esconder da sua mãe, porque crê que se disser que tomou uma cerveja amanteigada com os amigos em um frio dia do inverno, ela te condena eternamente? Eu! E ter que namorar escondido? Camuflar as cartas de namorados durante as férias e pedir que só mandem corujas durante a noite... EU!
Descobrir que minha mãe era uma adolescente com comportamentos normais da idade dela, e que se divertia muito foi um choque e ao mesmo tempo uma satisfação. Sim, fiquei feliz em saber que éramos parecidas... Que ela não era uma exceção para uma importante regra social: Os jovens devem se divertir! Quando Hilla voltou com a resposta de mamãe, me trouxe um caderno vermelho, com o nome dela gravado em prata na capa. Parecia mais um livro... Muito grosso e totalmente preenchido pela caligrafia dela.

Mi, eu não queria que você pensasse que tenho medo do meu passado... Como a Alex deve ter dito, aqueles foram uns bons tempos! Eu só preferi omitir, ou melhor, esquecer de lhe contar certas coisas, para que você não se baseasse no meu exemplo. Errei mesmo, mas agora, estou te mandando o meu diário dos sete anos que fiquei em Hogwarts, para que você saiba tudo que me aconteceu... Mas quanto a Alex, por um acaso ela contou ao Ty que também foi peixe da rede do padrinho dele? Alex dedo-duro, hunf, teremos uma conversinha, ela pode esperar!

Fiquei até com medo do que a tia Alex vai ter que escutar da mamãe, mas o Ty saberia disso? Vou contar pra ele só pra confirmar! Ah, e como eu sempre falo: Quem tem boca, vai a Roma. Agora que fiz um básico drama, tenho o velho diário da mamãe em mãos e não vou precisar mais das informações de ninguém sobre o seu obscuro e verdadeiro passado...

Mudando apenas de ares...

Das memórias de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Chegamos, desce!
- Tem certeza que é o dia todo?
- FORA!

Pulei do carro depressa batendo a porta e meu pai arrancou, deixando só a poeira do cano de descarga. Estava parado em frente a minha nova escola às 9hs da manha de um sábado para cumprir detenção. Mais uma novidade dos trouxas: eles não cumprem tarefas depois da aula, mas passam o sábado no colégio sem fazer nada! Respirei fundo e subi as escadas escola adentro. Os corredores estavam desertos e só de caminhar fazia eco. Mais quatro pessoas se juntaram a mim ainda no corredor e seguimos calados até a biblioteca, como fomos orientados a fazer na advertência que levamos para casa.

O diretor já estava lá, sorrindo idiotamente, e mandou que nos acomodássemos nas mesas dispostas ali. Em seguida, comunicou que era proibido falar, levantar ou qualquer outra coisa. Nossa única tarefa era ficar sentado lá por 8 horas e escrever uma redação sobre quem somos e porque estamos ali. Maravilha! Tudo que eu precisava era passar um sábado com um bando de panacas escrevendo...

Ele saiu da sala deixando a porta aberta e dizendo que estaria no escritório ao lado e ao menor sinal de barulho ia voltar. Dei uma boa olhada nos meus companheiros de detenção e como ninguém deu sinal de que ia levantar, fui ate a porta e quebrei a dobradiça da porta com um canivete, a fazendo fechar e impossibilitada de ficar aberta sem algo muito pesado escorando-a. Os outros quatro me olhara alarmados, com medo do diretor distribuir mais detenção, mas não me importei. Sentei sobre a mesa e comecei a perguntar os nomes. Eram os tipos mais esquisitos possíveis, o ultimo grupo na face da terra com quem queria ser visto andando: tinha um metido que era do time de atletismo da escola, Dante Chatenay. Patético, se achava o máximo com aquela jaqueta azul. Tinha uma menina meio cavernosa que murmurou o nome e entendi ser Shopia Henderson. O CDF da escola, que claramente apanhava todos os dias e ia levar uns cascudos aqui hoje dependendo de como transcorrer essa detenção, Patrick Lanquar. E a patricinha do colégio, fazia parte do grupo das poderosas, Stéphane Planche.

O grupo não era muito de bater papo, mas o nerd, talvez por não ter oportunidade de conversar com o predador com essa facilidade toda, tentava manter a animação. Aos poucos o resto foi se soltando, mas não tínhamos absolutamente nada em comum e os assuntos terminavam em discussão. O diretor entrava de tempos em tempos para checar se estávamos sentados e toda vez reclamava da porta, já tendo desistido de mantê-la aberta. Comecei então a instigá-los a falar, usando a provocação como arma. E funcionou. O atletinha se sentiu ofendido quando disse, e fui apoiado pelo CDF, que ele não corria tão bem assim e parecia mais uma gazela. A princesinha ficou indignada também quando insinuei que ela se fazia de poderosa, mas duvidava que ela tivesse tido um namorado na vida. A esquisita soltou uma gargalhada tão alta que deixou a outra mais irritada ainda e o Dante veio pra cima de mim, querendo confusão. Juro que se pudesse e papai não tivesse confiscado minha varinha, tinha transformado ele na tal gazeta que falei mais cedo!

Os ânimos se alteraram um pouco mais quando Patrick resolveu soltar o verbo e reclamar que os mais fracos são injustiçados nessa escola, fazendo a carapuça do atleta e a minha por tabela servirem. Sophia levantou inesperadamente da cadeira e se trancou em uma das salas da biblioteca, embasando o vidro da porta com uma quantidade absurda de fumaça. Pensando que ela tacara fogo nos livros, corremos ate lá arrombando a porta. Mas para alivio de uns e indignação de outros, ela estava apenas fumando. Sophia nos ofereceu, mas percebi que eles se entreolharam e recusaram receosos. Das duas uma: ou realmente não gostavam ou queriam manter a pose e não se entregar fácil assim. Sai empurrando os três e aceitei um, me sentando ao lado dela no chão. Engasguei na 1ª tragada, mas não desisti apesar de ter achado o gosto péssimo. Ouvindo os risos escandalosos na sala, os três recatados voltaram e acabaram cedendo e se juntando a nós dois.

Devo confessar que só meio alterados esse grupo se entende. Aproveitei a deixa e perguntei o porquê de estarem ali, mas ninguém me deu bola. Resolvei então dar o pontapé inicial e falar de mim. Contei que estava em detenção por ter disparado o alarme de incêndio dois dias antes, na esperança de todos correrem e as aulas acabarem horas mais cedo. Todos riram, mas ninguém falou nada. Instiguei mais um pouco e o nerd confessou ter disparado um sinalizador dentro de sala, pois queria intimidar um dos valentões da escola. Dante estava lá por ter grudado uma toalha cheia de cola na bunda de um magricelo, que por acaso era amigo do Patrick. Devo dizer que essa foi realmente boa, preciso me lembrar de fazer isso com alguém ou vou morrer! Stéphane disse ter matado aula para fazer compras, um motivo tão fútil quando ela. Já Sophia tinha brigado com uma das poderosas e fez um belo de um estrago no cabelo da garota, o permanente foi pro espaço!

A tarde passou depressa enquanto estávamos naquele canto conversando. Sabia muito bem que segunda-feira iríamos nos esbarrar pelo corredor e nos cumprimentarmos apenas com um “Oi” ou “Bom dia”, como se nunca tivéssemos nos visto na vida, mas não me importava. Não formávamos mesmo um grupo normal. Talvez com Sophia eu falasse depois dessa detenção, ela parecia ser a melhor dos quatro. Quem sabe até com o Patrick, pois conhecendo ele melhor, não era má pessoa. E não posso julgar ninguém por ser CDF, se eu mesmo sou um! Posso não ser um aqui, onde não faço a menor idéia do que esta sendo ensinado, mas era um belo de um nerd em Beauxbatons...

O diretor Lévy entrou na biblioteca outra vez às 17hs nos liberando, mas não sem antes recolher as redações. Bom, não escrevi exatamente uma redação... Espero que ele tenha espírito esportivo! Michel já estava parado do lado de fora me esperando quando saí e trazia nossos skates. Agradeci a Merlin por papai estar trabalhando naquele sábado, não agüentaria fazer a viagem de volta com ele no meu ouvido dizendo que sou irresponsável e imaturo. Pelo visto meu primo não tinha previsão de quando voltaria à Hogwarts e me avisou que papai não foi me buscar porque estava tendo uma reunião ultra misteriosa em minha casa, com vários aurores daqui e de outras partes do mundo. Aceleramos o passo, arquitetando um jeito de participar dessa reunião sem sermos vistos. Era agora que iríamos descobrir o que tanto escondem da gente...

((Continua))


Friday, January 20, 2006

Acertando as contas com o Sr. Ministro, vulgo, papai.

Da velha caderneta de Samuel Stardust


IS: Sente-se Samuel...
SB: Pai, o senhor tem que me ouvir. Eu tenho o direito de me explicar!
IS: Ah é? Pensei que eu era o Ministro da Magia que conhecia todos os direitos e deveres... Mas tudo bem, explique-se!

Droga... Porque as palavras não saem da minha boca quando eu mais preciso delas? Porque sempre que meu pai me encara com aquele olhar de dono da razão e da questão, todos os meus argumentos se evaporam? Fiquei parado encarando ele atônito. Queria realmente acreditar que estava tendo um péssimo pesadelo. Encarei as janelas altas atrás da poltrona onde meu pai me olhava com a mesma expressão vencedora, tentando buscar algo que pudesse me ajudar, me defender.

IS: O que foi? Estou esperando que apresente as suas explicações...
SB: Foi só uma brincadeira pai!
IS: Foi só uma brincadeira? Ah, mas você anda com brincadeiras tão irresponsáveis e inconseqüentes Samuel. Não sei aonde você e seus amigos iriam parar com tantas “brincadeiras”.
SB: Olha, a gente não fez nada por mal certo? Você não conhece a professora Milenna, porque se conhecesse iria querer, você mesmo, acender o fogo pra que se queimasse!
IS: Samuel, você fala isso como se não tivesse nenhuma noção da sua irresponsabilidade. Queimar uma professora? Além disso, colocar em risco a vida de dezenas de pessoas quando por um acidente e um duelo infantil botaram fogo em todo o acampamento?
SB: Pai...
IS: Não há argumentos não é mesmo? Você admite que errou então? Samuel, primeiro recebo um berrador com uma voz aguda que berrou em plena mesa de reuniões com muitos dos Ministros da Magia de todo o mundo, dizendo que o meu filho estava por trás de um incêndio no acampamento escolar, e depois uma notificação para comparecer até o castelo, porque meu filho resolveu brincar de índio e queimar uma professora viva? O que você acha que as pessoas estão pensando? Que eu não sei educar meu filho e que não sei colocar limites! E a brincadeira dos Comensais que me gerou muitos problemas... Ah, você nunca poderá entender não é mesmo?
SB: Desculpa... Eu não queria te prejudicar pai... Eram apenas brincadeiras! A gente não ia matar a professora ok? Era só um susto!
IS: Agora não me adiantam de nada as suas desculpas... Você estará partindo amanhã pra Durmstrang... Hagen Poliakov aceitou a sua matrícula e você terá o fim de semana inteiro para se acostumar com o lugar. A sua lista de materiais já foi providenciada e está no seu quarto e...
SB: Tem mais alguma coisa ainda? Você está me mandando para dentro de um cubo de gelo, sem pedir minhas opiniões, e o que mais que quer?
IS: Deixe a sua Firebolt, e todos os livros de quadribol, seu conjunto de quadribol e todas as outras coisas relacionadas ao esporte comigo antes de partir. Nada de quadribol na Durmstrang... Você terminará esse ano lá, e prestará os NOM’s. No sexto ano começará um estagio no Ministério e quando se formar, trabalhará lá definitivamente.
SB: Pai, eu não vou trabalhar no ministério e eu não vou deixar de jogar quadribol. Você pode até tentar me impedir, mas se você quer saber, eu quero ser jogador da seleção francesa, orgulhe-se você ou não, também não me importo agora. Se já terminou eu vou subir ok? Estou cansado, e como você mesmo disse, amanhã estou de partida. Mais uma pergunta: Samara veio passar o final de semana aqui com você ou está com mamãe?
IS: Não lhe perguntei nada Samuel. Deixe sua vassoura aqui! Samara está no quarto dela, e sim, você está liberado...

Acho que soltava fumaças pelas orelhas quando subi as escadas. Eu estava com ódio do meu pai, queria gritar, brigar, fazê-lo entender que não sou etiquetado e comportado como ele, que não quero e nem pretendo seguir carreira no Ministério da Magia. Subi até o quarto de Samara, e ela estava sentada na cama desenhando. Quando me viu, correu e me deu um longo abraço, pulando em meu pescoço.

Samara: Samuel! Porque você não veio nas férias? Estava com saudades de você!
SB: Eu também estava... Queria contrabandeá-la pra Beauxbatons comigo maninha! Aliás, Durmstrang...
Samara: Ah, eu ouvi papai dizendo que você seria transferido pra lá... Eu sinto muito! Papai estava fulo quando recebeu sua notificação...

O dia amanheceu e quando terminei de tomar o café da manhã, minhas malas e a Mariel, já estavam ao pé da lareira. Entreguei minha vassoura e todos os outros artigos de quadribol pra ele e contrariado peguei o pó de flú gritando claramente: INSTITUTO DURMSTRANG!


(continua...)

Tuesday, January 17, 2006

Sem argumentos, sem explicações...

Da velha caderneta de Samuel Stardust


IS: Ah, eu agradeço imensuravelmente Olímpia, mas a situação atingiu níveis irrecuperáveis, e às vezes, precisamos tomar decisões que por mais que pareçam dolorosas para nossos filhos inicialmente, são para pensar em seus futuros! Sinto que a estadia do Samuel chegou ao fim nessa agradável escola.

OM: Bom, uma vez tomada a sua decisão, não há mais nada em que eu possa fazer. Fique tranqüilo... Samuel não nos prejudicou em nada! Passaremos uma borracha em cima dos últimos acontecimentos, e será sempre bem-vindo a retornar se assim quiser. Pedirei ao Gérard, para que te acompanhe até o dormitório do jovem Stardust. Foi um prazer em vê-lo Sr. Ministro.

IS: Igualmente professora! Com licença...

**************************************

GT: Por aqui senhor... Seu filho está em aulas agora, mas se você assim prefere, pode esperá-lo aqui no dormitório. Direi que ele suba ao seu encontro assim que terminar o jantar.

IS: Não é preciso que lhe diga nada Gérard. Esperarei por aqui quanto tempo for preciso, não se preocupe... Obrigado!

A sineta tocou e um tumulto percorreu por todos os corredores do castelo. Os alunos agitados com o fim de mais uma semana de aulas e animados fazendo programas para o fim de semana, saíram em direção ao grande salão para jantar. Uma péssima e desconfortável sensação me percorria da garganta ao estômago, subindo e descendo continuamente. Desde que voltara do acampamento, uma grande goles havia se entalado na minha goela e não queria descer...

Sabia, é claro, que papai havia recebido o berrador, e que soubera que andei cumprindo detenções durante toda essa semana, mas o que estava me deixando tenso, era a falta de notícias dele. Não sabia o que ele poderia estar pensando em fazer, mas desde que o pai de Ian o saiu carregando lareira afora, eu não duvido de nada que ele possa estar pensando.

Sai para jantar com Patrick, e me sentei à mesa da Nox próximo de Dominique. Durante o jantar, porém, Gérard se encostou onde eu estava e me avisou que meu pai me esperava no dormitório. A minha vontade foi de sumir, pegar o pó de flú na mochila e sair para onde me desse na telha, mas sabia que uma fuga repentina só tardaria o que estava por vir. Como fiquei totalmente sem apetite, e a goles na minha goela começando a inflar, decidi ir logo ouvir o que ele tinha pra me dizer e tentar em vãs palavras encontrar argumentos justificativos. Pedi que Patrick se demorasse mais para subir ao dormitório e me despedi com desejos de boa sorte.

Quando entrei ao dormitório, papai estava sentado na cama encarando as janelas.


SS: Pai?

IS: Já terminou o jantar Samuel?

SS: Bom, na verdade estava sem apetite... O que o senhor faz aqui?

IS: “O que o senhor faz aqui?”... Interessante que me pergunte isso. Gostaria que você pudesse me responder por que tive que voltar aqui Samuel.

SS: Na verdade eu sei o que veio fazer aqui. Olha pai, antes que comece o seu longo sermão, eu gostaria de argumentar...

IS: Argumentar? Não há nada para argumentar... E descobri que sermões não adiantam com você! Já tomei uma decisão. Só vim até o dormitório para que você preparasse suas malas... Estamos de partida hoje mesmo!

SS: Partida? Pra onde?

IS: Você está matriculado na Durmstrang... Já conversei com Madame Máxime e sua mãe já foi avisada. Começará seus estudos lá depois de amanhã. Agora, ande depressa... Em casa conversaremos direito.


Com uma onda gélida me percorrendo, e um total desespero de perplexidade, encarei meu pai incrédulo. Queria que ele estivesse fazendo uma brincadeira sem graça, que aquilo fosse um pesadelo, mas ele parecia imóvel e decidido, e com um simples aceno de varinha, reuniu todas as minhas coisas, me apontando a saída. Encontrei Dominique e Patrick conversando no Salão Comunal. Não dava pra acreditar no que estava acontecendo. Relatei rapidamente para eles e me vi obrigado a entrar nas verdes chamas da lareira. A viagem pra casa nunca me foi tão desagradável, e agora, eu consigo entender realmente, cada uma das sensações que Ian me descreveu na sua carta.

O perigo não acabou.....

Do diário de Morgan O’Hara

Cenário: um casal abraçado, olhando pela janela o dia nascer em um chateaux às margens do Sena.

-Vou sonhar com nossos dias aqui....
-Sei... Vai é se distrair com os dragõezinhos que estão pra nascer...
-Amor... Promete que...
-Vou me cuidar, não vou fazer nenhuma besteira.E se descobrir que algum professor é comensal, prometo que vou correndo contar para Madame Máxime.
-Ok, fale a última frase com os dedos descruzados.
Risos.... Olhares cúmplices....
-Tô falando sério.... Ele ia...
-Ssshhhii, já acabou. Estou bem.
-Odeio deixar você sozinha de novo... Droga... Está perigoso demais... Venha....
Palavras interrompidas subitamente....
-Não posso. Vamos seguir em frente apenas com mais cautela ok?

Passamos a noite conversando sobre tudo o que tem acontecido, pude saber um pouco mais sobre os acontecimentos em Londres; Dumbledore incumbiu a todos de missões secretas em várias partes do país, está procurando alguma coisa importante e parece urgente. A Ordem perdeu um membro e o Ministério havia perdido Amélia Bonnes.
Prometi tudo que podia para que Carlinhos voltasse ás missões menos preocupado, e assim menos suscetível de cometer erros. Ele já se culpava por não haver impedido o comensal no acampamento. Acho que consegui convencê-lo que o mais importante foi ele e o Schakelbolt terem chegado a tempo. Sua expressão estava menos ansiosa quando me deixou no escritório de Madame Máxime e ela garantiu que ficaria de olho em mim.

Estava em meu dormitório conversando com Marienne, e separando meus livros para as aulas, quando um elfo veio me avisar que deveria ir ao escritório de Madame Máxime, com urgência.
Logo me apresentei e ela não estava sozinha. Havia um casal junto com ela, que logo me foi apresentado:
OM-Senhorita O’Hara, estes são o senhor Kyle McGregor, Auror que está investigando o fato ocorrido no acampamento, e a senhora Alexandra McGregor, que trabalha no depto de mistérios.
Até achei que fossem irmãos por causa do sobrenome igual, mas as grossas alianças iguais, em suas mãos esquerdas, informou que eram casados.
O homem era bem alto, forte, feições severas, atitude bem profissional, mas as pequenas rugas ao redor dos olhos mostravam que gostava de rir. A mulher era jovem ainda, da mesma altura que eu, com fartos cabelos negros, e uma voz que me transmitiu tranqüilidade enquanto apertávamos as mãos.
Eu me sentia presa ao olhar dela. Ela deve ser legilimente, pois senti uma certa vertigem, depois que nossos olhares se desprenderam.
KM-Sentímos muito em conhecê-la em situação tão desagradável senhorita, mas gostaríamos que nos contasse tudo o puder se lembrar, para que possa nos ajudar a descobrir quem é o comensal que a atacou.
A mulher deve ter percebido um certo receio de minha parte e disse:
AM- Madame Máxime, estará presente, e você poderá parar o seu relato quando quiser, ok? Não tenha medo.
Assenti com a cabeça e comecei a contar tudo o que havia acontecido, e vez ou outra o homem tomava notas em um pequeno bloco. A mulher apenas escutava com atenção e parecia até mesmo distraída algumas vezes. Passado algum tempo, enquanto dava uma pausa em meu relato e Madame Máxime, um pouco afastada, conversava com o homem sobre a possibilidade de haver alguns aurores na escola, a mulher vira para mim e diz:
-Está melhor? - e eu soube que ela havia entrado em minha mente.
-A senhora não deveria ter avisado antes? - disse um pouco irritada.
-Eu precisava saber você não estava sob a maldição Império. E se estivesse com alguma lembrança modificada, eu acessaria a memória real. Desculpe.
Olhei um pouco chateada para a mulher, mas ela me olhou do jeito que minha mãe me olhava e disse sincera:
-Nestes tempos, infelizmente somos obrigados a dispor de recursos extremos para manter a segurança. Se tivéssemos tido alguma informação antecipada sobre este ataque teríamos agido antes. Tenha certeza que tenho interesse pessoal em evitar que os membros desta escola corram perigo. Sem ressentimentos? – disse estendendo-me a mão.
-Sem ressentimentos. - apesar de tudo gostei dela.
Logo Madame Maxime e o senhor McGregor voltaram a falar conosco e a mulher pediu a palavra:
-Kyle, se você não precisar mais de mim, gostaria de dar uma olhada no Ty. - e olhou para Madame Máxime que balançou a cabeça afirmativamente.
-Claro, pode ir, depois eu falarei com ele. - e vi o olhar carinhoso que trocaram.
Ela sorriu em despedida e retirou-se. A partir daí respondi mais algumas perguntas e depois dispensada. Pela hora do almoço, saindo do salão esbarrei em alguém e acabei derrubando meu material.
-Opa, desculpe. - e o garoto se baixou para pegar o que havia caído.
-Tudo bem foi um acidente. -Respondi, olhando para o garoto; e ele tinha feições familiares para mim enquanto sorria meio encabulado, devolvendo meu livro, pois os amigos estavam zombando de sua distração.
-Ty, parece que está dormindo...- perguntou uma bonita oriental.
-Está no mundo da lua é?
- Ah, o mundo da Lua é seu Gabriel.
Respondeu para um garoto ruivo de óculos, enquanto se afastavam brincando uns com os outros e subitamente eu soube de onde eu conhecia aqueles olhos e sorrisos: este era o Ty.
Agora entendo porque o casal McGregor assumiu estas investigações. O filho deles poderia ter sido uma das vítimas...