Sunday, May 21, 2006

O dia depois de ontem...

Memórias de Ty McGregor

- Querida, pára de ficar mexendo nele, ele vai acordar...
- Ainda tremo ao pensar que machucaram nosso filho. Se o Sergei não tivesse chegado a tempo.


Senti a mão da minha mãe mexendo no meu cabelo como ela sempre fazia e eu detestava. Abri os olhos e ela estava em cima de mim e meu pai pulou da cadeira, se aproximando. Dava pra ver os olhares ansiosos deles.
KM - E aí como você está?
Mamãe me olhava fixamente, e quando ela viu que eu tava normal, ela respirou aliviada.
TM - Pai, mãe, o que foi que houve realmente? Cadê meus amigos? – e senti uma dor na perna quando me sentei rápido. Trinquei os dentes, mas minha mãe percebeu.
AM - Calma. Eles estão bem.- enquanto me dava uma poção púrpura.
TM - Argh o que é isto? Chulé de trasgo?
AM - Quase, mas vai te curar. - disse mamãe rindo e meu pai começou a contar os últimos acontecimentos.
KM - O ataque destruiu algumas paredes, machucou algumas pessoas, mas graças a Miyako que conseguiu avisar Yulli sobre o ataque, chegamos a tempo. Ela também já acordou. - e olhei para o canto que meu pai indicava e reparei na quantidade de pessoas que estavam sendo medicadas. Miyako estava sentada na cama enquanto tia Yulli e meu padrinho Sergei falavam com ela. Assim que me viu ela acenou e eu respondi de volta. Logo meu padrinho veio pra junto de nós e perguntou, enquanto apertava minha mão:
SM - Você tá bem não é? - e a um aceno afirmativo continuou:
SM - Eu não fiz um trabalho muito bom na sua perna, acho que vai ficar uma cicatriz.
KM - Tá começando cedo a colecionar marcas de batalha, filho.
AM - Se o Sergei não tivesse te encontrado, você poderia morrer, lutando sozinho contra um comensal. - e nesta hora vi aonde aquilo ia chegar e comecei a balançar a cabeça fazendo sinal negativo, para meu padrinho.
SM - Ahm, mas ele não estava sozinho, tinha uma garota com ele.
Droga... Ele falou, e ainda continuou:
SM - Lembrando bem... Era uma menina bem bonitinha, pena que saiu correndo quando eu comecei a cuidar do Ty, nem deu tempo de agradecer.
Meus pais ficaram me olhando esperando alguma explicação, só que eles estavam com a famosa cara de "diz logo quem era pra eu te zuar", comecei a lembrar da hora do ataque e de repente me senti gelado novamente. Olhei e havia mais um Ty do lado da minha cama. Meus pais me olharam assombrados, e meu padrinho puxou a cortina rapidamente para me isolar dos outros.
Como da primeira vez, o outro Ty, voltou rápido ao corpo, e desta vez eu só fiquei um pouco zonzo.
AM - Kyle, você viu isto? Consciente. Maravilhoso. - mamãe só faltou dar pulinhos.
KM - Claro que vi. Desde quando você faz projeção astral Tyrone?
Opa, ele me chamou de Tyrone. Das duas uma: ou tá bravo ou preocupado.
TM - Isto é projeção astral? Nossa... Mas... O que é projeção astral?
KM - Um dom de família, que se não for usado direito pode te matar. - disse sério.
AM - Que fantástico, desta vez não pulou gerações. - disse mamãe animada e me deixei contagiar. Sorri.
Ela sempre conseguia me animar, mesmo em situações caóticas.
KM - Eu fiz isto ontem, durante o ataque, por isso a gente conseguiu petrificar o comensal.
SM - Uau, isso é muito bom, Ty. Então está explicado o porquê você demorou a acordar, não foi só pela perda de sangue.
Papai se aproximou e começou a me examinar como se fosse um médico. Mamãe me pedia calma com o olhar, e eu obedeci:
KM - Você não está comendo direito não é? E quando a insônia começou?
TM - Como você sabe?
AM - Quando a projeção se manifestou em mim, eu tive estes sintomas, era um pouco mais velha que você. Porém, nenhum de nós dois consegue fazer isso consciente. Ficamos "fora do ar" por alguns segundos.
TM - Você e o papai fazem isso também?
KM - Sim, usamos este dom para localizar desaparecidos. Sua mãe achou o Gabriel no Louvre deste jeito. - e lembrei que o Gabriel me falou rindo que "pensou ter visto a cabeça da minha mãe flutuando".
KM - Eu não tive estes sintomas, tive que buscar um orientador para saber se tinha o dom ou não. E como andavam acontecendo coisas demais naquela época, foi rápido para eu descobrir. Você vai ter que aprender a controlar isso.
TM - Tá... E como faço isso? Tem liga e desliga?- disse fazendo gracinha, mas meu pai olhou feio quando minha mãe tossiu pra disfarçar o riso.
AM - Acredito que pelo fato de ver sua vida e da sua amiga em perigo, suas emoções fora de controle foram o catalisador que ajudou a projeção a se manifestar em você.
TM - Peraí, então se eu ficar agitado demais posso me dividir de novo?
KM - Provavelmente. Mas por ora, procure controlar suas emoções. As férias estão chegando, e em casa vamos te ajudar a desenvolver isso.
Voltei a olhar pela enfermaria e vi o Carlinhos sentado preocupado ao lado da cama da Morgan.
TM - O que a Morgan tem?
AM - Ela desmaiou depois que enfrentou o professor Richelieu. Madame Magali diz que é stress, pois fisicamente ela está bem.
TM - Então ela tinha razão não é? Nunca gostei daquele almofadinha.E ninguém da ODF acreditou nela, bando de lesados. - e olhei para o broche no peito dos meus pais e murmurei:
TM - Desculpe.
AM - Sem problemas, agora descanse. Vamos ter que sair, porque o horário de visita está acabando. Vamos estar pelo castelo ajudando no que for preciso, qualquer coisa a enfermeira nos chama.
Deu-me um beijo na testa e meu pai fez o mesmo. Vi quando foram na direção do Lafayette e saíram depois de conversarem com um casal que deviam ser os pais dele.
Meu padrinho que havia ficado na enfermaria, me encarou e perguntou:
SM - Você quer saber notícias da sua amiga?
TM - Que amiga? Ah aquela menina... Ela não é minha amiga. - tentei fingir que não lembrava da Rory.
SM - Você não é muito bom em Oclumência, sei que você se machucou deste jeito recebendo um feitiço que era para ela.
TM - Eu nem pensei no que fazia. Foi tudo muito rápido.
SM - Eu sei que não pensou; você e seu pai têm a mania de agir antes e pensar depois. Então? Quer saber se ela está bem?- insistiu.
TM - Quero. E ela não é minha amiga. - disse ríspido e ele sorriu.
SM - Ela está bem, conseguiu encontrar os irmãos e ficou com eles. Ela também fingiu que não lembrava do "amigo". Mas depois, se traiu querendo saber se você ficaria bem.
TM - Ah, legal. – ele ficou me olhando por um tempo e desistiu de falar mais alguma coisa.
SM - Vou estar pelo castelo também, qualquer coisa chama.
TM - Tá. Obrigado tio. - ele só assentiu com a cabeça e saiu da enfermaria, resolvi parar de pensar em tudo que meus pais haviam dito. A poção que minha mãe deu, já estava fazendo efeito.
Adormeci.

Friday, May 19, 2006

Por um triz

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Bonjour Nuby!
- Ahn? Ah oui, oui, Bom dia pra você também Ian...
- O que houve? Ta pensando em quem, hein? Está muito aérea... – falei brincando.
- Estou com um mau pressentimento...
- Mau pressentimento? Como assim?
- Estou com a sensação de que algo muito ruim está para acontecer.
- Cruzes Nuby! O que vai acontecer??
- Não tenho como saber, fadas tem apenas um sexto sentido, não o dom da adivinhação... Mas tenha cautela hoje Ian, tome muito cuidado. E avise seus amigos, algo muito errado está acontecendo...


A conversa que tive essa manha com a fada guardiã da Sapientai não me saia da cabeça. Nuby sempre era extrovertida, tagarela, conhecia pelo 1º nome cada aluno da casa e nunca tinha esses maus presságios... Quer dizer, ela teve uma única vez e me lembro muito bem, pois o pânico que se instalou no castelo levou horas para ser controlado: fora há exatamente dois anos atrás, madame Maxime estava em Hogwarts com alguns alunos do 7º ano, Sophie entre eles, e na noite da 3ª tarefa, aquele-que-não-deve-ser-nomeado ressurgiu. Lembro-me muito bem, como se fosse ontem, que Nuby passou o dia todo inquieta alegando que algo sombrio pairava no ar e quando a noticia chegou aos ouvidos dos alunos, o caos foi geral.

A lembrança da única outra intuição de Nuby não era muito reconfortante, mas se ele já estava de volta ao mundo bruxo, o que poderia acontecer de pior? Sacudi a cabeça para que esses pensamentos sumissem e voltei minha atenção para o examinador parada a minha frente, tomando nota do que eu fazia. Estava naquele exato momento em um imenso picadeiro na orla da floresta terminando o exame pratico de Zoologia. Dominique já havia feito há tempos e provavelmente estava dormindo e Marie e Bernard também estavam no picadeiro comigo. Michel havia sido dispensado dos NOMs, por tê-los prestado no ano anterior em Hogwarts, o que de certo modo viera bem a calhar: hoje era noite de lua cheia e pela hora, meu primo já não era mais humano. De repente me dei conta de que esse fato não era em nada tranqüilizadora, mas procurei esquecer que um lobisomem adulto andava pela floresta aquela noite. O professor Pierre sabia da condição de Michel e se insistiu para que seu exame fosse à noite, era porque tinha tudo sob controle. Não poderia ser outra hora, a maioria dos animais eram criaturas noturnas...

- Très bien monsieur Lafayette, fantastique. Vous êtes excusé!
- Merci monsieur Chartrand, bonne nuit...

Mas não terminei minha frase. Vários estalos ecoaram nos jardins e fizeram os alunos que aguardavam fora do picadeiro gritarem de pavor. Virei rápido para ver o que estava acontecendo e deixei minha mochila cair com o susto. Não menos do que 20 comensais se espalhavam em direção ao castelo, uma parte deles vindo na nossa direção atraídos pelos gritos. Minha reação foi correr pra junto dos meus amigos e os empurrar pra dentro da floresta. Nós três corríamos desabalados, virando para os comensais que estavam no nosso alcance berrando azarações para tentar detê-los. Sentia os galhos das arvores baterem com força no meu rosto, mas os afastava com a mão sem me importar com os arranhões, estava mais preocupado em me manter vivo. Ouvi Marie gritar e meu pé virou, fazendo com que eu rolasse ribanceira abaixo. Parei quando me choquei com uma pedra, batendo a cabeça.

Não sei quanto tempo fiquei deitado, mas via as árvores borradas na minha frente. Levantei ainda tonto e não vi ninguém perto, havia me perdido dos dois. Tentando não imaginar o que havia acontecido a Marie e Bernard, comecei a refazer o caminho de volta a parte alta da floresta. O medo que sentia agora me fez lembrar que estava muito dentro dela e que provavelmente estava perto da área onde Michel estava, então apertei o passo, desesperado para sair de lá. Sentia a cabeça girar e sangue escorrer, havia cortado na pedra, mas era um mero detalhe. Andava a passos largos e com a varinha em punho, alerta a qualquer movimento que não fosse meu.

Andei por um bom pedaço da floresta e não vi sinal de aluno, estava tudo quieto, silencioso. Silencioso ate demais... De repente ouvi um uivo e parei, congelado. Quando sai do transe, 5 figuras encapuzadas vinham correndo na minha direção, as cabeças virando rápido para os lados, claramente preocupados com o uivo. Acertei um deles com o feitiço estuporante, mas um outro disparou um jato azul contra mim, me fazendo cair longe e a minha varinha voar para as suas mãos. Estava todo sujo de grama e terra molhada e encarei os comensais na minha frente. Um deles apontava a varinha pra mim enquanto girava a minha nos dedos, rindo grosseiramente. Já era, não tinha como escapar dessa sem um milagre.

- Conheço você... É o filho daquele casal de aurores repugnantes! Vai morrer pelas mãos dos que seus pais tanto caçam...
- É o neto daquele velho intrometido! Mate-o logo!

Com a mesma rapidez que a esperança evaporou de mim, ela voltou. Vovô Henri! Enfiei a mão no bolso e puxei a caixinha prateada que ele havia me dado. Quando Nuby havia dito para ter cautela, corri de volta ao dormitório e a apanhei na gaveta. “Guarde-a com você, ela salvará sua vida quando precisar...”. As palavras que vovô escreveu na última carta que me mandou voltaram a minha mente, como se tivesse lendo ela naquele momento. Quando puxei a caixa, um dos comensais tropeçou espantado. Ele sabia o que ela era, pois gritou para que o outro acabasse logo comigo.

- Hâte! Finit avec lui!
- AVAD...


Forcei a tampa. Uma luz extremamente forte iluminou toda a clareira, me cegando momentaneamente. Em seguida um vapor quente subiu, fazendo com que eu gritasse de dor. Era como se alguém tivesse me acertado com uma espada. Ouvi os comensais berrarem apavorados, mas não enxergava nada, só o clarão. Minha visão foi aos poucos voltando ao normal e vi a silhueta de um imenso lobo cortando a luminosidade antes de bater a cabeça no chão e tudo escurecer outra vez.

Thursday, May 18, 2006

Uma noite de medo e terror...

Relatos de Ty McGregor

Eu havia terminado meu exame de Botânica e saído mais cedo da classe. Ainda podia sentir o olhar de desdém da professora quando entreguei a prova, mas desta vez ela teria uma surpresa comigo. Eu estudei a matéria dela, e tinha praticamente certeza que havia conseguido uma boa nota, bem... Se ela não cismar que eu colei, mas vou deixar pra me preocupar com isso quando for a hora.
Pensei em ir até a cozinha para ver se conseguia comer alguma coisa, pois não estava me alimentando direito, desde que as noites de insônia haviam começado, há uma semana. Meus amigos estavam preocupados comigo, e ameaçaram contar para minha mãe o que andava acontecendo. Claro que eles não fariam isso, desde que eu me esforçasse para comer um pouco. Era até engraçado, pois eu era o mais guloso dos três e não fazia mais visitas noturnas à cozinha.
Comecei a perambular pelos corredores esperando que Gabriel e Miyako dessem as caras, quando senti mais do que ouvi um som parecido com uma explosão que sacudiu os vidros das janelas. Minha primeira reação foi olhar para os lados da classe de Poções, mas quando os alunos e o professor saíram tão espantados quanto eu, puxei minha varinha e fui na direção do “som”. Do andar onde eu estava pude ver as estufas e vi vários comensais da morte duelando com os professores e alguns alunos do 6° e 7° ano. Vi uma cabeleira vermelha no meio daquela confusão e sabia que era a Morgan lutando.
-Ei McGregor o que foi? Perguntou um garoto da Nox.
-Comensais atacando a escola, protejam-se.
Sai correndo disposto a ajudar, e vi que alguns alunos faziam o mesmo. Logo encontramos alguns comensais dentro do castelo que duelavam com alguns professores e alunos; eu e mais dois conseguimos imobilizar um deles.
A confusão estava generalizada, Madame Máxime agitava a varinha como se fosse uma espada e Sir Shaft estava ao lado dela, os professores Edmond e Eduard, que sempre se portavam como inimigos duelavam lado a lado.
-Meus irmãos...
Olhei para ver quem se preocupava com os irmãos numa hora destas e vi Rory correndo em direção da Nox. Corri atrás dela, desviando dos feitiços que eram lançados a torto e a direito.
TM - Cuidado!
RM - Vou achar os meus irmãos, não tente me impedir.
TM - Não preciso te impedir com este monte de comensal atacando. Onde eles estão?
RM - Devem estar no salão da Nox.
Desatamos a correr e os comensais brotavam de vários lugares duelando com quem estivesse no caminho, por azar encontramos com um em frente ao corredor da Nox. Agradeci intimamente ao Gabriel e a Miyako por me obrigarem a fazer esgrima, pois meus reflexos estavam rápidos e isto pareceu divertir o comensal.
- Lobão e Alfabetinho estejam bem. - pensava enquanto me posicionava defensivamente.
- Ora, temos algumas crianças que gostam de brincar.
TM - Moço, se manda! Os aurores já estão chegando.
- Ah já? Mesmo que eles cheguem eu já terei acabado com vocês dois. - E apontou a varinha para a Rory, enquanto gritava Sectumsempra.
Nem pensei no que fazia quando o feitiço me atingiu e uma dor funda começou na minha perna, enquanto o sangue saía rápido.
- Oh que bonitinho... Tão cavalheiro, seu pai é assim com sua mãe também.
Olhei apavorado para ele, enquanto tentava parar o sangue e ele continuou:
-Sim, eu sei quem são os seus pais, aqueles aurores metidos, que se acham acima do bem e do mal. Acho que vou deixar o filhinho deles morto junto com a namorada para eles aprenderem com quem estão lidando...
E começou a se aproximar. Rory começou a lançar feitiços nele e ele os repelia.
- Eu preciso pará-lo, senão vamos morrer. (era o meu pensamento enquanto erguia a varinha).
Senti meu corpo gelar e de repente havia dois de mim. Eu não sei como, mas eu havia me dividido em dois.
Rory gritou assustada olhando de mim para eu mesmo e isto distraiu o comensal, que ficou espantando com o que via, dando-me a chance que precisávamos.
Aquele "eu" apontou a varinha pra o bruxo e ao mesmo tempo em que eu, gritei:
PETRIFICUS TOTTALUS junto com Rory.
Os jatos de luz saíram das varinhas ao mesmo tempo acertando o bruxo, fazendo com que caísse duro. Nesta hora o outro "eu" voltou rápido e me deu um encontrão. Senti como caísse de uns quinze metros de altura durante um jogo.
Não vi mais nada.

-Ty, por favor, acorda... Ai por favor, Deus, mande ajuda, Ty não morra. Foi minha culpa...
Rory soluçava tentando arrastar um Ty inconsciente. Ele estava caído numa poça de sangue e seu rosto estava excessivamente pálido.
RM - Juro que eu nunca vou te fazer mal... Não me deixe...
SM - O QUE FOI QUE ACONTECEU? TY. - o bruxo perguntou apontando a varinha e a garota soltou o rapaz, fazendo com que batesse a cabeça no chão.
RM - Foi um comensal, ele tá muito machucado, ajude-o, por favor.
Sergei olhava para a menina e viu que as vestes dela estavam empapadas de sangue, e grossas lágrimas molhavam seu rosto, enquanto se afastava.
Ele rapidamente iniciou os primeiros socorros no garoto, que estava com o rosto molhado pelas lágrimas da garota. Apontou a varinha e fez um feitiço cicatrizante, pois o corte havia sido profundo; mentalmente fazia uma oração a Odin, pedindo a salvação do seu afilhado. Viu quando o comensal começou a se mexer, murmurou um feitiço silencioso que deixou o comensal desacordado.
O garoto estava gelado, precisaria de socorro especializado urgente ou entraria choque. Conjurou uma maca para levá-lor o garoto para a enfermaria quando se lembrou da menina, virou a cabeça para falar com ela e ver se não estava ferida, mas não havia mais ninguém.

Wednesday, May 17, 2006

Em companhia do medo

Das memórias de Gabriel Graham Storm

- Somente mais cinco minutos...

Conferi meu pergaminho uma ultima vez antes de me levantar e coloca-lo na mesa. A professora Milenna estava em pé em frente a ela e deu um sorriso quando lhe entreguei meu exame, dando uma olhada rápida no que tinha escrito.

- Ah, Gabriel... Suponho que nem precise me dar ao trabalho de corrigir sua prova para saber que tirou uma excelente nota. Mas não se preocupe, vou cor...

Ela parou de falar, saltando assustada. Alguma coisa explodiu do lado de fora da estufa e as luzes se apagaram, fazendo os poucos alunos ainda presentes gritarem.

- Calma crianças, não é necessário entrar em pânico. Fiquem todos aqui no canto, vou ver o que está acontecendo!

A professora Milenna marchou decidida estufa afora e em menos de 2 minutos eu a segui. Eu é que não iria ficar ali, no escuro, sem saber o que estava acontecendo! Alguns dos meus colegas tentaram me deter, mas fui assim mesmo. Jacques e Pierre vieram atrás de mim e a cena que presenciamos ao sairmos da estufa escura foi mais aterrorizante do que pensamos no pouco tempo em que ficamos lá dentro: o jardim estava tomado de comensais da morte, que duelavam com os professores escondidos sob aquelas máscaras horrorosas. Alguns alunos também ajudavam e a maioria era do 6º e 7º ano. Escondemos-nos depressa, observando a confusão. Os comensais estavam em vantagem, onde estavam os aurores para ajudar? A pedra que nos protegia explodiu em mil pedaços e um comensal que era sem discussão o triplo do meu tamanho apontou a varinha na nossa direção. Sem nem ter tempo de raciocinar, o que pudemos fazer foi correr.

Sai em disparada na direção da floresta sem olhar para trás, mas via os raios dos feitiços que ele lançava na minha direção passarem raspando por mim. Por sorte tinha bons reflexos por conta do quadribol e das aulas de esgrima... Agora já tinha me perdido de Pierre e Jacques e corria pela mata sozinho. Não parava de pensar no Ty e na Miyako, será que eles estão bem? O comensal troncudo ficou preso em uns galhos e me deu a vantagem de estar bem à sua frente. Podia ver de longe uma cabana de pedras e pensava em me esconder nela quando trombei com alguém que também corria. No mesmo instante apontei minha varinha pro estranho.

- Não, sou eu, Bernard!! – ele gritou e o reconheci.
- O que faz aqui?? – falei abaixando a varinha.
- O que você faz aqui? Não devia estar na floresta hoje, não sabe que é noite de lua cheia??
- E o que isso tem a ver com os comensais que invadiram a escola?

Percebi que ele parou para pensar em uma boa justificativa, mas nunca soube qual seria ela. Um jato roxo partiu um galho acima de nossas cabeças e Bernard me empurrou pra frente, correndo comigo mais pra dentro da floresta. Dei uma olhada rápida pra trás e vi que mais um comensal se juntou ao 1º. Bernard ia falando rápido algo que soava como “não consigo encontrar meus amigos” enquanto afastávamos os galhos, mas não ouvi o resto, pois ele foi atingido por um raio branco que o lançou no meio dos arbustos.

Estava sozinho outra vez. Lançava feitiços aleatórios sem olhar pra onde eles estavam indo e ouvi o barulho de um dos homens caindo, o que indicava que sobrara somente um. Cheguei perto da cabana, mas não consegui abrir a porta dela. Sem saber para onde seguir, fiquei de frente com ele. O comensal vinha andando devagar na minha direção rindo e logo percebi que nenhum dos feitiços que aprendi em sala salvaria minha vida. Foi então que lembre do diário de minha mãe, haviam alguns feitiços anotados neles dos quais nunca ouvi falar...

- Sectusempra!

Apontando a varinha pro homem, berrei o 1º feitiço que me veio à cabeça. Uma luz prateada sai da ponta da minha varinha e cortou o peito dele, como uma faca fatiando um pedaço de carne. O sangue que saiu respingou em mim e o comensal caiu duro no chão. O que foi que eu fiz?? Recuei alguns passos, atordoado com o efeito daquilo. Porque minha mãe tinha algo desse tipo em seu diário? Estava claro que era um feitiço das trevas! Uma voz rouca ecoou um pouco atrás do homem caído no chão e o comensal troncudo que havia derrubado minutos antes agora se aproximava de mim, esbravejando que havia matado seu amigo. Ele tinha a varinha encostada no meu rosto, quando uma segunda voz, essa bem conhecida, gritou.

- Tira as mãos dele, Dashwood! Expelliarmus!
- Mãe! – e corri pra perto dela quando o homem voou alguns metros, a varinha indo na direção contraria.
- Você está bem? Ele te machucou??
- Não, ele não fez nada...
- Mãe? É seu filho, Louise? – o tal Dashwood estava de pé novamente, mas desarmado. Ele veio andando vagarosamente na nossa direção, um tom de deboche na voz.
- Pra trás, ou vou ser obrigada a lhe azarar.
- Não teria coragem... Aposto que é daquele lobisomem desgraçado que...
- Dobre a língua para falar do Remo!

Mamãe sussurrou um feitiço inaudível, mas a luz roxa que saiu de sua varinha acertou o comensal em cheio no peito, desenhando de uma cruz invisível. O homem olhou para ela com uma expressão de choque, que não era muito diferente da minha, e caiu desfalecido no chão, como um boneco de pano. Mamãe se virou para mim com urgência na voz.

- Preciso que você saia daqui, e rápido!
- Não, não vou deixar você sozinha!
- Gabriel, isso não é hora para você se parecer com o seu pai!
- Mas eu quero ajudar, não vou deixá-la sozinha!
- Se quer ajudar, faça o que estou mandando! Vi alguns alunos caídos no caminho, mas não pude parar. Procure por eles e os leve em segurança para o castelo. E eu não estou pedindo, estou mandando!
- Isso que você está usando é o broche da Ordem da Fênix??
- Agora Gabriel!!

Vendo que não adiantaria discutir com ela, assenti com a cabeça e comecei a correr na direção contraria, um feixe de luz bem fino iluminando meu caminho. Percorri um bom pedaço, mas não havia sinal de nenhum aluno desmaiado. De repente, um clarão iluminou 1/3 da floresta, seguido de gritos. Senti um bafo quente junto com aquela luz me derrubar antes de tudo escurecer de novo. Levantei depressa, correndo para o ponto de onde havia surgido a luz e quando o encontrei, soltei um grito de pavor: pelos menos 5 comensais estavam espalhados pela clareira, as vestes queimadas e cobertas de sangue. Do lado oposto a eles, Ian estava caído também, suas vestes rasgadas e um imenso lobisomem em pé ao seu lado.

Senti meus ossos congelarem diante daquele bicho imenso e fui andando para trás, parando ao topar com uma arvore. Mas ao invés do lobisomem avançar em mim, ele abocanhou uma caixinha prateada que estava caída ao lado de Ian e correu floresta adentro. Levei alguns minutos para parar de tremer e vendo que ele ainda respirava, agarrei seus braços e sai arrastando-o o mais rápido que conseguia de volta pro castelo, rezando para nenhum outro obstáculo cruzar nosso caminho...

Tuesday, May 16, 2006

Sob fogo cruzado

Do diário de Morgan O'Hara

Viajei o dia todo para poder entregar as mensagens de Dumbledore no Ministério francês. Já tínhamos informações sobre o lobisomem Greyback obtidas através de Remo Lupin, e segundo o informante Aquele que não deve ser nomeado, estava aumentando o seu número de aliados. Caminhei rápido seguindo as orientações de Gui, e logo me vi em frente a um prédio velho, próximo da Place de La Concorde.
- Sou Charles Weasley e tenho uma reunião com o auror McGregor.
Enquanto dava minhas informações no balcão a um homem de idade avançada, notei uma mulher de estatura média, cabelos pretos passando e deixando uma onda de perfume envolvente no saguão. O velho do balcão acenou para ela que retribuiu. Ele ficou parado, esperando até que ela entrasse no elevador e olhasse novamente para ele ainda sorrindo, pude notar o brilho divertido nos olhos verdes dela. Como ele parecesse em transe, chamei-o de volta à Terra.
- Senhor, eu não quero chegar atrasado para a reunião.
- Ah, sim claro, meu jovem. - verificou minha varinha e me entregou, indicando-me o andar que deveria ir.
Logo entrava num escritório e a recepcionista me anunciava ao seu chefe.
- Olá, sou Kyle McGregor. - estendeu-me a mão e junto dele estava a mulher que havia visto no saguão, Alexandra McGregor e Sergei Menken que havia conhecido na Romênia. Começamos a conversar sobre as últimas informações que a Ordem tinha para eles quando, uma mulher invadiu o escritório gritando:
AM: YULLI! O que houve?
YH: Alex... – tentava respirar para explicar o que acontecia – Ataque em Beauxbatons, nenhum auror, depressa!!!
Sai porta a fora procurando uma lareira que me levasse ao castelo o mais rápido possível. Eles estavam junto comigo e logo se reuniram a nós um homem louro e uma mulher ruiva falando com sotaque diferente, que usavam também um broche em forma de fênix. Todas as lareiras do Ministério haviam sido acionadas para deter o ataque surpresa a Beauxbatons, só espero chegar a tempo.

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Já havia anoitecido e a turma do sétimo ano havia acabado de entregar os NIEMS de Sereiano e eu e meus amigos caminhávamos de volta ao castelo sob a luz de uma enorme lua cheia.
MOH - Que alívio, o dia está terminando...
AG - É seu amiguinho exagerou quando falou que o dia seria perigoso hoje.
Nesta hora ouvimos um uivo e ele emendou:
AG - Bem, só se o perigo for pelo lobo desgarrado que ele deve ter medo..
Mais uma vez Armand reclamava do aviso que eu tinha recebido de Ian, sobre o mau pressentimento da Fada da Sapientai.
MOH - Armand deixa de ser chato, que porre... - comecei a dar bronca quando uma série de estalos ecoou nos jardins. Eram comensais da morte, um número bem grande que iam na direção do castelo, e os alunos que estavam por ali, em pânico começaram a correr nas mais variadas direções.
A lua iluminava tudo, inclusive a fuga de algumas pessoas para a floresta e alguns comensais seguindo-os. Mas o que seria mais perigoso: um bando de comensais dispostos a matar indiscriminadamente ou um jovem amaldiçoado aprendendo a ser uma fera?
Saquei minha varinha e corri em direção aos comensais para tentar atrasá-los, para dar chance aos mais novos de fugir; Marienne, Armand, Julian e mais alguns estavam comigo e logo os bonitos jardins de Beauxbatons pareciam ter sofrido um vendaval. Ouvi um grito e Marienne caiu desacordada, Julian ao ver aquilo se desconcentrou e levou um feitiço que o jogou vários metros longe, deixando-o inerte.
Armand tinha um olhar de ódio no rosto e conseguiu petrificar um comensal, enquanto eu duelava com um que me parecia familiar pelo jeito de andar. Ele ia lançando feitiços, que faziam com que eu tivesse que ir me afastando.
MOH - Quem é você?
FR - Acha que vou dizer quem sou e estragar a surpresa?
MOH - Vão embora daqui, a escola está cheia de crianças inocentes, que nunca fizeram nada a você ou ao seu líder.
FR - Mas aí é que está o melhor: mate dez e aterrorize dez mil..... - e riu.
MOH - Você é muito covarde Richelieu.
Ele parou de rir e tirou a máscara do rosto. Um examinador quando o viu, se distraiu e recebeu um jato de luz vermelha no peito caindo no chão.
FR - E você é muito abelhuda garota. Quase fez meu plano ir por água abaixo.
MOH - Como conseguiu trazê-los para cá? - de repente notei que estava mais longe dos outros e meu corpo estava ficando cansado.
FR - Pelo sarcófago que você descobriu em meu quarto. Usei como passagem de um lugar a outro. Sua descoberta só fez acelerar os planos do meu mestre. Neste momento várias escolas estão sendo tomadas por nós.
Nesta hora um barulho ensurdecedor junto com clarão iluminou a floresta, fazendo voar estilhaços, que nos jogou ao chão. Fiquei zonza por alguns segundos, mas consegui me levantar; senti uma dor forte, olhei para baixo e havia uma lasca de madeira com pelo menos vinte centímetros atravessando meu braço; trinquei os dentes pela dor latejante e fui pegar minha varinha que havia caído, mal dei dois passos e gritei quando senti uma mão agarrando meus cabelos com violência encostando uma varinha em mim. Ele me segurava por trás, forçando minha cabeça a ficar bem próxima de seu rosto.
MOH - O que vai fazer? Vai me matar? Então acaba logo com isso.
FR - Paciência é uma virtude. E eu sempre a tive, ou você acha que era fácil receber ordens de uma aberração como a Máxime? – falava baixo próximo do meu rosto e aquela era a voz do comensal que havia me atacado algum tempo atrás.
FR - Quando a vi pela primeira vez na escola, sabia que não havia feito meu trabalho direito na Irlanda. Sim, menina como disse da outra vez, fui eu quem matou seus pais. É..., ambos lutaram como leões, foi muito prazeroso dar um fim aos dois.... - enquanto me puxava mais perto.
FR - Eu até pensei em dar-lhe uma chance, cheguei a pensar em conquistá-la para trazê-la para o nosso lado, afinal ter uma ilha cheia de dragões, seria muito útil ao meu mestre, mas você logo percebeu minhas intenções e começou a se esquivar. Tsc, tsc... O mais engraçado foi ver a cara desolada daquele lobo sujo olhando feito pateta para o sarcófago falso junto com a aberração. Mas chega de conversa, vou ter que matá-la, você sabe demais...
- Eu não vou morrer fácil. - virei-me rápido e enfiei a lasca de madeira em sua barriga com toda a força que tinha e vi seu olhar de surpresa, nesta hora um ESTUPEFAÇA e um jato de luz verde jogaram o professor morto para longe de mim.
Caí de joelhos no chão olhando para o corpo dele, quando senti braços fortes me envolverem e uma voz tão familiar sussurrar em meu ouvido:
CW - Acabou meu amor, acabou...
Senti uma vertigem e apaguei.

Wednesday, May 10, 2006

As feras estão soltas em Beauxbatons

Do diário de Morgan O'Hara

- Mestra está na hora...
- Estão todos dormindo Porshy?
- Sim, o salão comunal está vazio, mestra.
- Nenhuma reação alérgica?
- Não, senhora.
- Ótimo.Vamos.

Olhei para a cama de Marienne e ela dormia a sono solto, após comer alguns dos bolinhos que Porshy, obedecendo as minhas ordens, colocou na sala comunal. O cheiro era tentador e vários estudantes que os comeram logo estavam apenas pensando em ir para suas camas.
Poderia sair do castelo e voltar que ninguém notaria. Depois que Ty havia me contado, que o professor andava fazendo visitas constantes à floresta, resolvi dar o primeiro passo para tentar desmascará-lo. Nas aulas ele continuava atencioso com todos e não fez mais ameaças veladas, porém quando nossos olhares de encontravam, eu podia sentir um certo desdém vindo dele.
Estava pronta, usava roupas escuras e por precaução peguei minha faca de prata e escondi na roupa. Marienne e nem os outros iriam acordar, a poção do sono que misturei aos bolinhos era uma invenção de minha mãe, que eu adaptei. Proporcionava uma noite de sono restaurador, sem efeitos colaterais.
Ficamos escondidos esperando a ora certa e logo o vi, saindo sorrateiro do castelo. Realmente ele ia na direção da floresta.Várias vezes, tive que me esconder porque ele parava e olhava para trás, para se certificar de não estar sendo seguido, então ele apressou o passo e quase tive de correr para alcança-lo. Nesta hora ouvi um uivo que me gelou o sangue e parei de andar segurando Porshy.
Olhei para o céu e uma enorme lua cheia brilhava acima de nós.
- Mestra, vamos embora....Vai ficar perigoso.
MOH - É apenas algum lobo perdido procurando os companheiros, vamos continuar...- disse tentando parecer segura, mas em meu período em Beauxbatons, nunca ouvi falar que aqui houvesse lobos.
- Não mestra, não é lobo perdido. È um uivo amaldiçoado. - e pude ver suas orelhas tremerem.
MOH - Você quer dizer que é um lobisomen?
Antes que ele me respondesse, os uivos começaram novamente e agora estavam mais próximos.
MOH - CORRE!
Corremos juntos o mais rápido que podíamos, e logo eu entrava pela cozinha do castelo assustando os elfos e quase derrubando Ty da cadeira.
- O que houve? Morgan porque tá correndo tanto?- ele perguntou e nesta hora outro uivo foi ouvido.
MOH - Acho que tem uma fera solta lá fora. - disse puxando o ar com força.
Os elfos ao se certificarem de que eu não havia ido pedir comida, voltaram aos seus afazeres e Porshy foi junto com eles. Sentei-me para conversar com o Ty e recuperar o fôlego.
TM - O que você tava fazendo lá fora?- perguntou sério e eu não estava com disposição para inventar uma desculpa.
MOH - Tentei seguir o professor Richelieu.
TM - Ah, ele saiu de novo...
MOH - Sim, você tinha razão. Eu gostaria de saber o que ele tem ido fazer lá.
TM - Ah eu também, mas porque você voltou correndo? Ele te viu? Te perseguiu? – e fez menção de ir até a porta da cozinha. Segurei seu braço.
MOH - Vamos sair daqui.
Saímos da cozinha e fomos conversando pelos corredores.
MOH - Não ele não me viu. Foi... - e nesta hora ouvimos o uivo novamente.
MOH - Foi isto, e tenho quase certeza que não foi um lobo.
TM - Er... Eu não sabia que havia lobos em Beauxbatons. - disse meio preocupado.
MOH - Não foi um lobo Ty, foi um lobisomen.
TM - Você acha que o professor é um lobisomen? – perguntou de olho arregalado.
MOH - Não, ele não tem as características de um, mas pode ter trazido alguém que seja, e talvez... Esteja querendo usá-lo, para nos assustar.
TM - Você lê o Profeta Diário? Deve ler, todo filho de Auror acaba lendo o Profeta Diário, mesmo sem querer, hábito adquirido em casa... Acha que pode ser o tal lobisomem contratado que estão falando?
MOH - Não sei, mas se for todos correm sérios perigos.
Enquanto andávamos Ty, me ofereceu o braço e conversávamos sobre o que o professor de Mitologia poderia estar fazendo quando perto das escadarias que levavam em direção da Nox, encontramos uma garota que arregalou os olhos quando me viu com o Ty. Ao mesmo tempo em que ela nos olhava surpresa, foi ficando com a expressão contrariada.
Ty acenou para ela, e continuamos a andar. Mas ele parecia um pouco distraído depois do encontro com aquela garota.
MOH - Ela é bonita Ty. - disse olhando para seus olhos.
TM - Hum? Quem? Ah... Bonitinha sim. Morgan, se você quiser... Eu vou junto com você amanhã. -e seu rosto ficou um pouco vermelho, enquanto tentava mudar de assunto.
MOH - Vamos esperar a lua cheia passar. Não podemos correr o risco.
Ficamos conversando por um tempo, e quando ele foi embora vi quando hesitou entre seguir em direção à ala onde ficava a Sapientai, ou passar novamente perto das escadas que levariam à Nox. Ele acabou seguindo para a Sapientai. Garotos...
Cheguei ao meu quarto e Marienne ainda dormia tranquilamente, optei por escrever uma carta para Carlinhos e contar do meu fracasso em seguir o professor. Óbvio que ele vai responder dando-me uma bronca, mas prefiro isso, a esta sensação de impotência que estou sentindo agora.

Thursday, May 04, 2006

Relatos de um lobo de 1ª viagem...

Por Michel Ducassse

Final do campeonato de quadribol, Sapientai x Nox – 9hs

Estava sentado na mesa da Sapientai, pronto para torcer pela casa do meu primo. Ian estava ao meu lado, enrolado em uma enorme bandeira azul e amarela e, como muitos da casa, tinha o rosto pintado. Eu estava empolgado também, mesmo sem pertencer à Sapientai e ainda com os pensamentos na minha casa em Hogwarts, a Corvinal. Afinal, era um torcedor fanático de quadribol e jogo é jogo, não importam quais sejam os times, a adrenalina era sempre a mesma.

Enquanto observava a movimentação no Grande Salão, não podia deixar de perceber que algumas mudanças pouco perceptíveis já se manifestavam em mim: andava perdendo o apetite, havia emagrecido uns 2 quilos, se é que era possível ficar mais magro do que já era, e estava com umas olheiras horríveis, me deixando sempre uma aparência cansada. Essa manha amanheceu um pouco pior e Marie tentou, sem sucesso obviamente, passar um pó suspeito no meu rosto. Minha preocupação no momento era manter certa distancia dela e sua bolsa ameaçadora.

Logo a massa de estudantes se encaminhou para o campo de quadribol e acompanhei o fluxo. Sentia-me fraco, entendia perfeitamente que faltavam pouco menos de dois dias para a lua cheia e teria minha primeira transformação nela. E apesar de estar até o momento levando isso numa boa, ou ao menos tentando transmitir isso, a idéia agora começava a me apavorar. Estava pulando na arquibancada ao lado de Ian e Bernard, vibrando com um gol da Sapientai, quando senti minha cabeça pesada. Passei a mão nela, me escorando com a outra na barra de ferro a minha frente, quando percebi que estava completamente sem forças. Não me lembro de nada, apenas de ver um borrão marrom passar zunindo na minha direção, seguida da figura distorcida de Dominique usando o uniforme da Nox. Acordei não sei quanto tempo depois na enfermaria, Ian sentado ao meu lado ainda enrolado na bandeira e com os olhos vermelhos que denunciavam que andara chorando.

Uma atarefada enfermeira me comunicou que eu havia desmaiado, pois claramente não estava me alimentando direito. Ela, como madame Maxime, Gerard e o professor de Zoologia, sabia de minha condição. Afinal, alguém teria que preparar a poção mata-cão sem desencadear uma serie de perguntas. Ian contou o que aconteceu no resto do jogo e logo entendi o porquê de seu rosto vermelho: Sapientai havia perdido a partida...

Passei o resto do sábado na enfermaria, fui proibido de sair. Durante todo o dia recebi visitas de meus amigos trazendo chocolates e revistas para matar o tempo, mas as conversas sempre terminavam na final do quadribol, com Samuel e Dominique se vangloriando, para desespero de Ian e Bernard. Fui liberado na manha de domingo, com ordens de descasar. Ora, como se isso fosse possível... A cada minuto, a lua cheia estava mais próxima...

******************************************

Noite de lua cheia, 18hs.

Estava sentado numa poltrona macia, olhando o cair da noite pela janela. Encontrava-me naquele momento em uma cabana aconchegante no coração da floresta. A cabana era propriedade da escola e usada pelo zelador para suas caçadas. O que ele caçava de fato, eu não sabia. E também, naquele momento, pouco me importava. Senti um feixe de luz invadir a cabana pelo pequeno pedaço que a cortina não cobria e de repente senti como se facas estivessem sendo cravadas no meu corpo. Uma dor que nunca senti antes. Minha ultima recordação ainda na forma humana era de estar encolhido no chão, enquanto a imagem da lua cheia agora era vista por inteiro por mim, antes de me transformar por completo.

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Acordei com o barulho de vozes ao meu redor, mas não abri os olhos. Talvez porque não tive força para tal ato. Reconheci alguma das vozes: meu primo, a diretora e a enfermeira. Havia algumas outras, mas essas se misturavam com as outras três e não conseguia distinguir. Abri os olhos devagar, me sentindo incomodado com a claridade. Meu corpo inteiro estava dolorido, a sensação era de que tinha levado uma surra e desmaiado em meio às pancadas. Ian logo percebeu que eu já não dormia mais e alertou aos demais, correndo para o lado.

IL: Sente-se bem??
MD: Meu corpo dói... – falei ainda fraco.
- Afaste-se monsieur Lafayette, deixe-me cuidar de monsieur Ducasse! – madame Magali falou apressada, enxotando meu primo de perto da cama.

Não conseguia ver, pois não tinha forças para levantar, mas sentia que meu corpo tinha varias feridas. Fiquei observando a enfermeira retirar bandagens de todas elas enquanto em minha mente, imagens horríveis vinham à tona. Embora não me lembrasse delas claramente, sabia que faziam parte de mim, de minha metade lobo agora. Imagens de arvores passando rápido enquanto eu corria por entre elas, pequenos animais se tornando minhas presas e a lua, imponente no céu escuro, enquanto uivos ecoavam pela floresta.

Voltei ao presente quando senti um cálice fumegante ser empurrado contra minha boca e seu liquido descer queimando pela minha garganta. A enfermeira havia terminado seu trabalho por hora e ordenando que permanecesse deitado, voltou para sua salinha, me deixando a sós com a diretora e meus amigos, que agora estavam sentados em uma cama do outro lado da enfermaria, mudos.

Madame Maxime perguntou como estava me sentindo e como havia sido a primeira transformação. Apesar de fazer um enorme esforço para esquecer, entendia perfeitamente que ela estava se certificando de que realmente não apresentasse riscos aos alunos. Quando ela se retirou, Ian e os demais colaram ao meu lado, se amontoando no espaço que sobrava da cama. Pelas expressões em seus rostos, podia dizer que estavam morrendo de curiosidade para saber como era a sensação de se transformar involuntariamente em um lobisomem. Mas para meu alivio, logo deram inicio a outros assuntos que passassem longe desse. Não que eu não vá contar a eles, mas pelo menos por algumas horas, prefiria não reviver a noite anterior...

Wednesday, May 03, 2006

A esfinge é derrotada!

Rabiscos de Ty McGregor

POFT!
Parecia que eu havia sido atirado de uma grande altura e de repente caía na minha cama. Achei melhor levantar de uma vez, do que ficar me virando na cama e fazendo barulho, isto poderia incomodar ao Gabriel. Isto vem se repetindo há alguns dias, e me faz pensar em ouvir o conselho da Miyako e pedir alguma poção calmante para dormir. O problema é que eu detesto remédio, e as poções daqui não são como as que minha avó prepara quando fico doente. Ela coloca algumas coisas e tira aquele sabor de coisa rançosa. Preciso fazer alguma coisa, pois os professores já andam me dando bronca por dormir em suas aulas.
Fiquei olhando pela janela e novamente vi uma silhueta contra a luz da lua indo para a floresta, e já sabia quem era. Estes dias sem jogar fiquei observando o professor e ele também exibe algumas olheiras, na certa é pelas noites que ele tem passado na floresta, fazendo o que eu não sei, mas que me deixou curioso a ponto de deixar escapar isto para a Morgan, durante o horário que eu limpava o estábulo. Ela me agradeceu muito pela dica e correu de volta para o castelo. Preciso falar com ela sobre o que ela descobriu, e se for o caso, alertar meus pais. Estava distraído pensando em várias coisas ao mesmo tempo, quando ouço alguém me chamar:
- Ty, você não dormiu de novo?- perguntou Gabriel, enquanto pulava da cama.
TM - Eu dormi sim, só acordei mais cedo. Desculpe se o acordei.
GS - Nada. Eu acordei assustado achando que tinha perdido a hora da final.
TM - Imagina se eu ia deixar isto acontecer, vamos jogar contra Nox, estamos em vantagem. - e lembrei-me de algo.
TM - Quer dizer, você e o time vão jogar, eu vou ficar na torcida.
GS - Ty, eu vou ver se falo de novo com o...
TM - Não.
GS - Mas o Trewlis, é uma porta...
TM - Não, Gabriel. Temos que respeitar a decisão do nosso capitão. E eu nem to sentindo falta de jogar, é sério, disse tentando convencer meu amigo de que eu estava bem.
Arrumamos-nos e descemos para o salão principal, que fervilhava com a animação da torcida. Miyako como sempre veio se sentar conosco, e eu ficava empurrando minha comida de um lado a outro no prato.
MH - Ty, porque você não está comendo?
TM - Tô sem fome.
GS - O que você tem? Você NUNCA fica sem comer, nem quando está doente. - disse pondo o garfo de lado.
TM - Nada gente.
MH - É por causa do time? O seu capitão foi muito idiota de te tirar agora na final, até o Marceu falou isto.
GS - Foi mesmo, e ainda colocou no lugar dele um jogador medíocre. - e pude ver que eles estavam tentando me animar.
TM - Valeu gente, mas o Trewlis não é tão ruim assim, ele joga bem. Olhem lá, tá na hora. Boa sorte aos dois. - disse e fui empurrando os dois em direção dos times. Voltei para a mesa e tentei terminar de comer, mas não descia mais nada.
Fiquei lá até o salão ficar praticamente vazio, e vi o Lafayette todo enrolado numa bandeira azul e amarela, fazendo companhia para o primo, um novato transferido de Hogwarts, que tentava em vão comer alguma coisa. Notei como ele estava pálido e pensei comigo: será que é outro que não consegue dormir também?
Como não dava mais para evitar fui para o campo e fui para as arquibancadas que se dividiam: verde e preto cor da Nox e amarelo e azul, Sapientai. Alguns ficaram me olhando espantados como se perguntassem o que eu fazia ali, mas ignorei.
O locutor era Louis Navarre, um quintanista super animado.
LN - Boom Diaaa, Beauxbatons! Bem vindo a uma emocionante final do campeonato de quadribol Nox Angeli contra Sapientai Angeli. E ai vem o time da Nox: os batedores: Cartier e Renald, os artilheiros: Stardust, Bonnet, Trussardi, a apanhadora é Kinoshita, e o capitão e goleiro dos cérberos é Marceu.
LN - E o time da Sapientai vem com: o batedor Derkian, o apanhador é Storm, os artilheiros: Caldwell, DeVille e Marceu, e o capitão e goleiro Devlin. E numa aposta ousada do capitão da Esfinge que resolveu suspender o batedor Mcgregor às vésperas da final, teremos como batedor Trewlis.
Sir Shaft puxou um silvo em seu apito de prata e quinze vassouras se ergueram no ar, dando início à partida.
- Começa o jogo. E a goles está com Caldwell, que faz uma jogada ensaiada com DeVille e é ponto da Sapientai. - e a metade do estádio vaiou e a outra metade aplaudia. Logo a Nox recuperava a goles. Navarre se empolgou:
- E os artilheiros da Nox estão se mostrando, vejam: a posse está com Stardust, ele está jogando com força total, lançou para Bonnet que desviou de um balaço lançado por Derkian, mas Cartier chegou a tempo, porém o artilheiro soltou a goles. Vejam Trussardi recuperou e parte com tudo pra cima do goleiro Marceu; é agora meu povo... arrreeeeeee o goleiro salvou o aro, e a Sapientai com a posse da goles novamente, mas por pouco tempo, EU NÃO ACREDITO: o novo batedor da Sapientai lançou um balaço contra os artilheiros da casa, vejam como Stardust recupera a goles e dá uma volta para escapar de Derkian que tenta consertar a burrada do outro batedor.
- Tá vendo Devlin? Se fosse o McGregor, você não teria esta preocupação. - vimos quando Sir Shaft passou com a varinha em punho na direção de Navarre e ele voltou a narrar a partida rapidinho.
-E lá vem um balaço lançado por Renald; Trewlis rebate o balaço com força e o manda em Stardust, o jogador da Nox desvia, é... O novato tá tentando se redimir. Derkian rebate o balaço que vai pra cima de Kinoshita. Marceu passou por eles e a coisa desviou, vejam o próprio Caldwell que lança a bola para Marceu, que vai rápido pra cima do goleiro Marceu e é pooonnnnnntooo. Nox dez, Sapientai dez.
Logo o jogo estava difícil, pois sempre que nós marcávamos a Nox ia atrás do prejuízo, e empatava. De repente Miyako deu um mergulho junto com Gabriel.
-Eles viram o pomo! Eles viram o pomo!- gritava Navarre no microfone.
Estavam lado a lado com os braços esticados. Eu me dividi em torcer pelos dois que disparavam em direção ao chão. E a agitação tomou conta das duas torcidas que gritavam incentivos. Braços esticados, mais um pouquinho e Miyako se atira no chão.
- Putz ela se machucou toda. - pensei comigo, quando a vi se levantar e Gabriel frear a vassoura do lado dela, que estava esquisita. Ela parecia que ia vomitar.
- Gente o que houve com a apanhadora da Nox? Ela tá engasgada?
Gabriel ao ouvir isso deu um tapão nas costas de Miyako que cuspiu o pomo de ouro na mão.
- É o pomo minha gente! E VENCE A NOX por 220 pontos.
Não pude deixar de ficar feliz pela Miyako, que estava sendo abraçada pelo Gabriel e logo o time da Nox veio pra cima deles para comemorar a vitória. Apesar de não ter jogado, me sinto tranqüilo. Meus amigos estão bem, e o campeonato chegou ao fim.
O cérbero foi melhor e venceu a esfinge. Quem sabe numa próxima final eu ajude a mudar o resultado.

Friday, April 28, 2006

Algumas promessas nunca devem ser feitas....

By Rory Montpellier

Logo estávamos de volta ao castelo e as fofocas fervilhavam. Uma amiga veio me contar que Ty estava suspenso do time, e que as chances da Nox ganhar a taça aumentaram. Ele era a maior dor de cabeça para os times e para mim também. Sou obrigada a confessar que eu o acho bonito e me sinto uma tola perto dele, desde o dia que ele salvou a mim e a meus irmãos do ataque em Paris. E quando ele fala ou dá risada daquele jeito despreocupado, eu fico trêmula, com as mãos frias. Mesmo quando me olha com ar confiante e cínico eu gosto... Não posso e não devo sentir isto... Meu objetivo com ele seria um só: fazê-lo sofrer... Fechei os olhos e lembrei de casa...

Nosso feriado até que foi bom. Angeline e Louis não tiveram tempo de perceber que nossa dispensa estava mais vazia, e que mamãe estava pior. Papai estava mais magro, pois cuida da fazenda sozinho e o dinheiro nunca é suficiente para os remédios ou a comida.
Lembro de nossa discussão, quando disse que eu sairia da escola para ajudar:
- Não ouse pensar nisso, sua formação é mais importante...
- Vocês precisam de ajuda, sou forte, posso trabalhar...
- Isto é uma ordem mocinha... - e quando ele falava assim a discussão estava encerrada e fomos os dois; cada um para um lado. Na hora de dormir papai veio ao meu quarto com uma xícara de leite quente com açúcar e canela, para fazer as pazes, e então conversamos e pude entender seus motivos.
Queria que mamãe fosse como ele... Bem, ela me trata com muito carinho, mas aos meus irmãos ela os trata tão friamente, especialmente depois que soube que a senhora McGregor nos trouxe até aqui. Ficou transtornada.
Mamãe age como se somente eu fosse sua filha e mal liga para Louis e Angeline. Papai se ressente disso, e tenta compensar os dois, usando a doença dela para disfarçar, mas meus irmãos não são tolos. Sabem que há diferenças entre nós. E sobre estas diferenças eu perguntei a ela, que disse apenas:
- Você é melhor que os seus irmãos mestiços...
- Como mestiços? Somos trouxas.
- Não, Rory, você não é... - e um acesso de tosse a impediu de continuar falando.
Antes de voltar para a escola ela quis falar comigo em particular. Papai protestou, dizendo para ela não fazer isto, mas ela o olhou tão friamente que até eu me assustei.
- Rory... Tenho que contar a verdade para você.
- Mamãe, descanse isto pode esperar... O papai poderia estar aqui e...
-Rory você não é filha do Antoine.
- Mamãe você está febril novamente... Deixe-me chamar o papai...
- Ele não é seu pai. Ele a criou; apenas isso.
Eu não soube quando comecei a chorar, pois só percebi quando tornei a falar:
- Mamãe porque você tá dizendo isso? Eu fiz alguma coisa para magoá-la?
- Fique quieta menina e escute: Eu sou uma bruxa puro sangue e seu pai verdadeiro também o era. Você nunca percebeu sua superioridade em relação aos seus irmãos?
- Mamãe, ninguém aqui é superior, eu...
- Cale-se. Não diga besteiras. Você é superior sim, e seu pai verdadeiro teria muito orgulho de você, pois é tão parecida com ele.
Eu olhava para ela com medo. Minha mãe havia enlouquecido. Ou não estaria dizendo tantas loucuras.
- Mas se você é uma bruxa, onde está sua varinha?- como se com esta pergunta eu pudesse fazê-la voltar à razão.
- Tive que escondê-la. Se o Ministério detectasse magia aqui, viria atrás de mim.
-Mas por que o Ministério viria atrás de você?
-Porque eles perseguem todos aqueles que são leais ao grande Lord das Trevas. Mas mal sabem eles, que nosso retorno será triunfal. Já há o terror que sua presença inspira...
- Você é um comensal da Morte?- e eu sentia falta de ar, e olhava para aquela mulher como se nunca a tivesse conhecido.
- Sim, com muito orgulho e se o seu verdadeiro pai também, se ele estivesse vivo...
- O que houve com ele? Com o... meu pai?- era melhor fazer do jeito dela, deixar desabafar.
-Foi assassinado por um Auror. Um homem que acabou com a minha vida e a sua, pois se não fosse por ele, eu não teria que estar aqui, vivendo com trouxas, usando remédios trouxas... Vivendo esta vida indigna cheia de miséria. E você vai me ajudar a vingar seu pai Rory, prometa-me.
- Mamãe...
- Prometa-me, menina. Ou te amaldiçoou até a sua ultima geração. - e tinha os olhos brilhantes de ódio, nunca a vi tão transtornada que me vi obrigada a fazer o que ela queria:
- Prometo mamãe, o que você quiser.
-Você vai vingar a morte do seu pai, vai ajudar a destruir o auror que o matou, prometa.
- E quem foi?
- Foi o auror McGregor.
- Não. Ele não faria isso... Ele é um bom homem... Ele ...
- Não diga o que você não sabe. Você não estava lá. Estávamos quase vencendo... Sim, foi ele. Prometa-me vingar-se dele.
- Mamãe... Por favor...
- PROMETA-ME.
- S-sim. Eu prometo.
Eu me vi fazendo uma promessa injusta, que vai exigir muito de mim, enquanto meu coração se enche de dúvidas ao pensar no Ty.

Thursday, April 27, 2006

2 + 2 = 4

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

DC: Ele volta hoje mesmo?
IL: Sim, já deve estar aqui.
BL: E como ficaram as coisas? Mais alguém na escola sabe?
IL: Acho que só madame Maxime, Gerard e o professor de Zoologia... Eles acharam melhor não alardear as coisas.
ML: E com razão... Imagina o pânico que ia ser? Os alunos mais afoitos iam pensar que ele ia se transformar no meio do café da manhã!
-SILENCIO!

Um pedaço de giz bateu na parede atrás da gente e nos calamos. Era aula de Mitologia e pela 1ª vez, nem mesmo Marie prestava atenção no professor. O motivo? A volta de Michel, com alguns dias de atraso. Meus tios iam traze-lo hoje, depois de um tempo em casa tentando decidir o que fazer. Eles ficaram furiosos quando souberam do ocorrido!Tio Edmond, embora negue veemente, tentou assassinar Michel, tia Eva só fazia chorar e ser amparada pela minha mãe e meu pai me ameaçou, avisando que deveria curtir meus últimos dias de aula, pois teria férias inesquecíveis. Os pais de Bernard também não ficaram muito satisfeitos, provavelmente meu amigo também terá um verão daqueles! E bem, melhor nem comentar do pai do Samuca né? O ministro estava uma arara da última vez que o vi, ainda no hospital...

Quando a sineta tocou saímos em disparada para a porta do escritório de Maxime, esperando eles saírem. Já estávamos lá há quase meia hora quando o quadro das fadas dançantes se moveu, deixando-os passar. Michel abriu um sorriso ao nos ver, mas os outros não pareciam tão contentes assim.

MD: Voltei crianças... E pra ficar!
- Já estamos de saída. Michel lembre-se do que conversamos. Veja bem o que mais você vai arrumar!
- Tome cuidado meu filho... - tia Eva falou ainda chorosa - Bom fim de semestre meninos, se cuidem.
IL: Tchau tia... - e abracei Michel quando eles se afastaram. - Pensei que não fosse mais ver você por aqui!
MD: Nem eu! Papai não queria me deixar vir, diz que sou um risco pros outros alunos...
ML: Quanta bobagem! E o que o fez mudar de idéia?
MD: O que não, quem! Dumbledore.
DC: Quem é esse?
BL: Por Merlin, Nick! Alvo Dumbledore, o maior bruxo do mundo!
MD: O próprio. Ele é diretor de Hogwarts. Ficou sabendo o que aconteceu e foi na nossa casa conversar com papai. Levou com ele um bruxo que havia passado pela mesma coisa quando ainda era aluno de lá, ele ajudou a explicar que isso não é o fim do mundo.
IL: Quem passou pela mesma coisa?
MD: Ah não me lembro o nome, era Lupin alguma coisa... Sei lá, não importa! O que importa é que esse homem mostrou ao papai que posso terminar meus estudos sem virar uma ameaça se tomar algumas providencias.

Lupin? Onde já ouvi esse nome? Michel começou a explicar quais seriam essas providencias, contando o que foi conversado com a diretora, mas eu só ouvi metade da história. Estava encucado com o nome, tinha certeza de que ele era familiar... Caminhei sem perceber até o Grande Salão e só acordei quando tropecei na mesa da Fidei, me sentando junto com eles. Os alunos com quem Michel já havia feito amizade rapidamente vieram cumprimenta-lo querendo saber se estava tudo bem e o por que da demora na volta. Como ele parecia ter o que o mantivesse ocupado por pelo menos meia hora, me virei para conversar com Dominique. Meu amigo falava sobre o campeonato de quadribol, de como a Nox agora tinha chances de vencer por conta da suspensão do batedor da Sapientai. Olhei pra mesa da minha casa caçando o menino que foi suspenso, o Ty, e o encontrei jantando alheio à movimentação causada pelo meu primo. Ele conversava distraído com o amigo, o Gabriel e... Peraí! Saltei do banco assustado e um estalo me veio à cabeça. Os amigos chamam o Gabriel de lobão, o pai dele é um lobisomem, o nome que já ouvi... O tal Lupin é o pai dele!

Monday, April 24, 2006

A regra é clara!

Alguns rabiscos de Ty McGregor

Após o feriado, voltamos para o castelo acompanhados de tio Scott, e ao chegar no salão da Sapientai, um aviso no quadro chamou a minha atenção:
TM-Gabriel, hoje tem reunião do time.
GS-Hoje? Deve ser alguma coisa grave. Não tinha nada marcado.
No horário da reunião, estávamos no campo, na sala da Spaientai, quando De Ville, o capitão chegou, e junto dele vinha Derkian, todo convencido e mais um garoto do quinto ano amigo dele, com cara de fuinha.
Tive a impressão de ver um ar de deboche no olhar daquele garoto, mas fiquei na minha, ate que o capitão chamou nossa atenção:
DV-Ty, é muito difícil o que eu tenho que dizer, mas eu achei melhor, devido a umas coisas...
TM - Fala logo, DeVille, o que tá acontecendo?
DV - Ty... Olha não tenho nada contra você, mas é que no último jogo... Você pisou na bola.
TM - Como assim?
Olhei para o Gabriel e ele tinha o ar tão curioso quanto o meu, mas esperei a resposta de DV - Olha você como batedor tem que derrubar adversários, e não ameaçar companheiros do time. Então por isso, você tá suspenso até segunda ordem.- e todos olharam para mim com uma interrogação na testa.Eu mesmo queria olhar para algum lugar e me achar, porque parecia que eu tava tendo um pesadelo.
Agora aquele ar convencido do Derkian fazia sentido. A ameaça dele de que eu sairia do time, era real. Meu primeiro pensamento era o de bater nele. Que cara mais idiota, mas aí olhando pro DeVille, vi que ele devia ter sido pressionado por alguém, pois eu me dava bem com todos do time.
TM - E quem mandou você fazer isto?
DV-Eu sou o capitão do time, eu decido quem fica e quem sai, não, preciso de ninguém mande fazer nada. O Derkian mentiu quando disse que você o proibiu de acertar a Kinoshita?
TM - Não.
DV - Então, não há o que discutir. Você tá fora, até segunda ordem. Aonde você vai?- perguntou me vendo levantar e ir para a porta.
TM - Embora... Se não vou jogar, não tenho que ficar aqui.
DV - Quando sua suspensão acabar eu chamo você pra uma nova reunião.
TM - É... Vamos ver se eu vou querer voltar pro time.
Saí de lá e o barulho de várias vozes começou. Gabriel entre elas. Aposto que ele vai tentar argumentar com DeVille.
Comecei a andar e de repente vi um vulto saindo do castelo sorrateiramente, pela porta dos fundos. Parei e fiquei prestando atenção no jeito de andar e altura, deduzi que só podia ser o professor de Mitologia. E ele se encaminhava para a floresta. O que ele iria fazer lá? Eu me perguntava e meus pés começaram a segui-lo. Só que nesta hora...
G - McGregor... Onde você está indo?
Meleca... O zelador.
TM - Er.. ahn...eu fui suspenso do time e tava andando pra esfriar a cabeça, só isso, Gerard, nem notei que tinha me afastado tanto do castelo.- fazendo um ar surpreso.
Ele ficou me olhando um tempo e devia estar decidindo se eu merecia uma bronca ou não, quando falou:
G-Farei de conta que não vi você aqui, portanto não preciso comunicar á diretora. Você já vai ter dor de cabeça demais quando seus pais souberem que foi suspenso do time.
TM - Como assim?Porque eles precisam saber?- perguntei meio apavorado.
G - Madame Máxime avisa aos pais dos alunos quando eles recebem suspensão, mesmo nos times de quadribol.
TM - Tá, obrigado Gerard. Er... Você viu o professor de Mitologia passar por aqui agora a pouco, talvez... indo em direção da Floresta?
G - O professor Richelieu? Não, ele está de folga hoje e não está no castelo. E que eu saiba nunca iria à Floresta, pois tem medo. - disse e pude notar um pouco de desprezo na sua voz.
TM - Tá, então vou voltar para o castelo, a reunião do time deve ter acabado. Obrigado Gerard. - e comecei a andar de volta pro castelo, sem olhar para trás.
-Droga, além de não jogar quadribol vou levar bronca dos meus pais por causa daquele idiota do Derkian. Que vontade de bater nele. Ah..., mas não vai adiantar de nada, porque aí eu seria expulso do time. E porque o professor de Mitologia estaria indo para a Floresta no dia de sua folga? E o pior: fingindo que não está no castelo.
Sinistro...

Friday, April 21, 2006

A mentira tem perna curta

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

- O que aconteceu?
- O que foi que mordeu o Michel??
- Parem de falar e ajudem a carregá-lo!

Bernard gritou irritado com as meninas, que haviam nos encontrado na orla da floresta. Carregamos um Michel inconsciente até o hospital bruxo de Marseille sem dizer o que tinha acontecido. Estávamos tão assustados que não conseguíamos falar nada, embora elas nos questionassem.

Uma enfermeira que estava na recepção do hospital berrou assustada ao ver a quantidade de sangue nas roupas dele e correu para buscar ajuda, trazendo em seguida uma equipe de medibruxos que tomou ele de nossos braços e sumiram por detrás das portas da emergência. Sentamos inquietos na sala de espera, parando todas as pessoas que saiam de lá de dentro, mas ninguém dizia nada. Já estava entrando em desespero quando um medibruxo de cabelos negros parou na nossa frente, pedindo que apenas eu e Sophia entrássemos.

IL: Como ele está???
SL: Foi muito grave??
- Preciso saber o que atacou o menino...
SL: Luke, o que aconteceu naquela floresta? - Sophia me perguntou, mas não respondi.
- É importante que você diga o que o atacou, para que possamos ajuda-lo.
IL: Vocês não podem fazer nada por ele.
SL: O que diabos machucou o Michel?? - e agarrou minha camisa em pânico.
IL: Foi um lobisomem...
- Tem certeza disso?
IL: Bastante! Ou então foi um lobo de aço, pois o acertamos com pelo menos 10 balas e ele continua vivo!

Sophia tapou a boca com a mão e o medico fez aquela cara de compreensão, voltando para o quarto onde Michel estava. Ele nos deixou segui-lo e vimos meu primo estirado na cama desacordado, uma enfermeira atarefada fazendo curativos nele. O homem comunicou aos outros bruxos sobre o ataque do lobisomem e alguns saíram apressados. Pelo que entendi, iriam comunicar ao ministério francês e localizar os lobisomens registrados à procura de um baleado. Ele nos explicou o que estavam fazendo, sobre como ele se feriu, mas na hora de dizer como seria a vida dele a partir de agora, parou.

- Preciso conversar com os pais do menino
IL: Ahn... Meus tios estão de férias no Caribe, não creio que vá conseguir acha-los antes do tempo previsto pra volta...
- Sinto muito, mas seu primo será liberado somente na presença dos responsáveis.
SL: Eu já tenho 23 anos, isso não conta??

Mas pela cara do homem, a idade de Sophia não fazia a menor diferença. Entrávamos agora em um novo conflito: como dizer ao tio Edmond e a tia Eva que o filho deles agora é um lobisomem? E o que eu acho que será pior: que estávamos fora da escola no feriado, apesar deles terem dito que deveríamos ficar por lá??? Começamos a andar de um lado para o outro coçando a cabeça e nos juntamos aos outros na sala de espera, dizendo a encrenca em que havíamos nos metido. Samuel só faltou enfartar quando se deu conta de que o pai já devia estar ciente de sua localização, visto que dois medibruxos partiram em direção ao ministério comunicar sobre o ataque e fichar o mais novo lobo da parada. Marie tentava manter a calma, mas as exclamações preocupadas de Bernard e Dominique estavam deixando-a mais histérica do que antes. Sophia se afastou nervosa e fui atrás dela. Ela saiu para a rua e parou ao lado de um telefone público, me encarando séria e puxando um pedaço de papel amassado do bolso.

SL: Acabou a brincadeira Luke... Vamos ter que contar a eles!
IL: Eu sei... Por onde começo? Oi tio Edmond, como vão as férias? A propósito, Michel foi mordido por um lobisomem!
SL: Talvez não seja bom ir direto ao ponto, ele pode desmaiar de susto
IL: E se eu já falar chorando? Ele pode se comover...

Ela riu de nervoso e tirou o telefone do gancho, discando o número que mamãe tinha deixado com ela para emergências. Eu tentava pensar no que dizer quando eles atendessem ao telefone no hotel, mas não conseguia pensar numa maneira mais amena de falar sobre isso. Sophia saltou do chão e me passou o telefone, apavorada.

IL: Alô? - falei confuso quando ela o empurrou na minha orelha
- Ian? Por que está nos ligando? Onde você está?
IL: Ahn oi pai...
- Onde você está Ian?
IL: Em casa... Tem uma coisa que eu preciso te contar...

Olhei pra Sophia e ela mordia os lábios de nervoso, me encarando enquanto eu tentava explicar ao papai o que tinha acontecido, antes dele começar a gritar no telefone...

Wednesday, April 19, 2006

Amar é...correr atrás do prejuízo

Do diário de Morgan O'Hara

O meu primeiro dia na Romênia havia me rendido dor de cabeça e náusea por conta do excesso de bolo de chocolate e pela irritação ao ver Carlinhos sendo beijado por outra. Descobri que não posso me entupir de doces, de um jeito traumático. Carlinhos estava tentando falar comigo desde o ocorrido, mas eu estava ignorando-o. Fazia questão de nem olhar para ele.
SM- Morgan seria bom você conversar com seu noivo, para acertar as coisas.
MOH- Por quê? Estou sendo um peso para você?- disse irritada para Sergei, que me olhava calmamente.
SM- Não é isso, e não quero me meter em sua vida. Gostei da sua companhia, e apenas acho que você e ele deveriam se resolver, caso você decida seguir em frente. – ele disse de um jeito tão displicente, como se fosse fato meu rompimento.
Fiquei pensando neste "seguir em frente" e minha irritação foi dando lugar ao vazio. E isto me deixou sem dormir a noite toda.
Estava começando a ser dominada pelo cansaço, quando ouvi baterem na porta. Levantei-me rápido e enquanto andava, estava vendo vários pontinhos pretos voando rápido pelo quarto. Quando abri era Carlinhos:
Ia bater a porta na cara dele, quando ele a segurou com o ombro:
MOH - Vá embora.
CW - Precisamos conversar... O que você tem?- e fazendo uso do seu tamanho entrou no quarto e me encarou preocupado.
MOH - Comi doces demais e... O que você quer hein? – tentei fazer a pior cara possível, e não estava sendo difícil, pois estava conseguindo mantê-lo longe.
CW - Falar com você, ficar com você, apenas isso. - disse e começou a me olhar de cima a baixo, analisando-me.
MOH - Já falou e já ficou por alguns segundos, agora fora. Volta para sua amiguinha.- disse indicando a porta.
CW- Morgan, eu não fiz nada de errado. A Irina fez uma brincadeira de mau gosto.
MOH-Você disse que estava muito ocupado, cheguei a achar fosse alguma missão da ordem, mas me enganei.
CW- E eu estive numa missão para a Ordem. Havia acabado de chegar, e fui beber com eles, para comemorar o final dos seus exames. Eu estava aguardando uma resposta ao meu pedido para ir pela rede de Flú até Paris.
MOH- Ah é? Você ia me fazer uma surpresa?- disse toda bobona e quando vi que ele sorria voltei a fazer cara brava, pois ele havia chegado mais perto sem eu perceber.
CW- Sim. E por sorte você chegou antes que eu fosse para lá. Teríamos nos desencontrado. Você acredita em mim?- e estava tão perto, tão... Só me via fazendo que sim com a cabeça quando ele começou a me beijar.
MOH- Espera... Eu tenho que avisar ao Sergei que não vou com ele conhecer o vilarejo.
CW- Eu já avisei a ele que você vai comigo.
MOH- Ah é? Quer dizer que você acha que basta me cobrir de beijos que fica tudo bem?
CW- Eu conheço você, sei que por mais brava que estivesse iria me ouvir, agora se iria me perdoar eu não, eu tinha que arriscar. Fiz mal?
MOH- Não... Será que não há nada em mim que você não conheça?
CW - Vou descobrir isto agora. – enquanto voltava a me beijar.

Tuesday, April 18, 2006

Caçadores de confusão

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

Ultimo dia de recesso... A casa dos meus pais estava uma verdadeira zona! Sophia havia se instalado aqui e na condição de mais velha da casa, tentara botar ordem, desistindo logo em seguida. Ela e Marie agora estavam intimas e se recusavam a fazer qualquer tipo de favor para qualquer um de nós, diziam que éramos muito bagunceiros.

Estava deitado em minha cama brincando com uma goles junto com Michel, quando a porta se abriu com um estrondo e Dominique e Samuel entraram com espingardas nas mãos. Michel gritou e Bernard se atirou embaixo da cama na mesma hora.

IL: Onde acharam isso??
SS: Luke, de quem são?
DC: Achamos numa cabana no seu quintal...
BL: Estão carregadas?
IL: Não, podem sair do chão. Elas são do vovô... Nossa, faz muito tempo que não as vejo!

Peguei a espingarda da mão de Dominique, olhando com atenção. Elas pertencem ao meu avô, ele as coleciona e seu hobby era caçar cervos na temporada. Desde criança ele me leva nessas caçadas e começou a me ensinar a usá-las de fato, quando eu tinha 11 anos. Mas há uns 2 anos que não acompanho ele e nunca mais as vi, nem me lembrava que ele tinha espingardas na cabana.

Samuel começou a brincar com ela no quarto, apontando para o ar e fingindo que atirava, e aquilo acabou me dando uma idéia. Ainda teríamos uma noite em casa, o auror que nos trouxe para cá só viria nos buscar às 10hs do dia seguinte, então sugeri que acampássemos nas montanhas que tinham perto de casa, para caçar. Imediatamente todos toparam e começamos a arrumar as mochilas. É obvio que Marie e Sophia se recusaram a dormir no mato na expectativa de matar qualquer tipo de animal, então foram apenas os garotos.

Às 16hs em ponto deixamos a casa, munidos apenas de mochilas, algumas panelas penduradas nelas e espingardas, rumo à mata. Andamos por aproximadamente 1 hora até encontrarmos uma clareira segura e montamos acampamento ali. Com a nossa vasta experiência depois das férias de natal, não foi nada difícil erguer a barraca, já que não estávamos autorizados a usar magia fora da escola sem antes termos prestados os NOMs.

A noite logo caiu e junto com ela veio nossa empolgação por passá-la escondidos em algum arbusto, na espreita de que algum bicho passasse e pudéssemos caçar nosso jantar. Gastei algum tempo ensinando meus amigos a usar as armas, mas todos pareciam ter entendido e nos espalhamos, tomando o cuidado de não ficar na reta de ninguém caso algo saísse errado. Estava escondido junto com Dominique quando ouvimos um barulho de galho seco partindo.

DC: Ouviu isso??? – disse claramente alarmado.
IL: Sim... Fica calado, deve ser um cervo, essa região é cercada deles.
BL: Luke! Tem certeza que não é ilegal acertar um deles?
MD: Estamos na temporada de caça, pra onde acha que vovô foi nesse feriado?
SS: Alguma coisa se mexeu aqui atrás! – Samuel disse baixo, pedindo que nos calássemos.

Havia algo na mata se movendo e fazia isso muito rápido. Não podia ser um cervo, eles não corriam assim, já estava acostumado a vê-los embrenhados no mato fugindo dos caçadores. Era outra coisa... E talvez não tivesse sido boa idéia comunicar meus companheiros sobre isso, pois todos logo se assustaram e tinham as espingardas em punho, embora suas mãos tremessem levemente.

MD: Eu senti um vento nas minhas costas!
IL: Cala a boca, Michel! Vai atrair a atenção deles.
DC: Dele quem???
SS: Quem é eu não sei, mas sei que não quero descobrir!
BL: Shiiii! Ouvi alguma coisa...
DC: Eu vi se mexer, atrás do arbusto!

Tudo aconteceu numa fração de segundos! Dominique berrou, um tiro ecoou pela mata, alguns pássaros que descansavam nas árvores ao redor voaram assustados, Samuel estava caído no chão com a espingarda por cima dele, Bernard e Michel ajoelhados e tapando os ouvidos e um pequeno vulto passou disparado por nós, saindo do arbusto. Com o susto da coisa se movendo, Samuel acabou atirando na direção onde Dominique apontou, mas não tinha um bicho asqueroso e grande atrás dela, e sim um coelho! O vulto assustado que saiu da mata era um coelho cinza, que claramente perdeu seu rabo para a bala da espingarda de Samuel, pois um fino rastro de sangue ficou pelo caminho quando ele saiu em disparada.

Começamos a rir da situação, aliviados por termos nos assustado com um simples coelho e nada perigoso. Claro que Samuel seria motivo de piada por muito tempo, pois entrou em pânico e atirou em um frágil e indefeso coelhinho... Voltamos para as barracas dispostos a comer alguns biscoitos antes de tentar outra vez quando um segundo vulto, dessa vez maior, passou por dentro da mata. Imediatamente erguemos a espingarda em alerta, mas infelizmente Michel não imitou nosso gesto. Meu primo começou a rir dizendo que devia ser guaxinim dessa vez, seguindo o barulho dos galhos sendo amassados.

IL: Volta aqui!
SS: Michel, você não sabe se é um guaxinim!
BL: Pode ser qualquer coisa, volta!
DC: Ele não vai vir, vamos atrás dele!

Entramos na mata com as armas em punho atrás dele, mas Michel corria cada vez mais. A cada passo, percebia que estava em terrenos desconhecidos, jamais pisei com vovô nesses cantos da floresta. Olhava para os lados em alerta, atento a qualquer barulho ou movimento suspeito, e passava instruções para os outros cobrirem diferentes direções. Já estávamos no coração da mata quando o vulto novamente passou correndo e dessa vez pude ver que era um bicho enorme, vindo na direção onde estávamos.

IL: Michel, NÃO!

Mas foi tarde demais. Um enorme lobisomem saltou do meio dos arbustos, voando pra cima do meu primo. No mesmo instante nós quatro largamos o dedo nas espingardas, atirando contra ele. O lobisomem se levantou irritado, rosnando na nossa direção antes de entrar na mata novamente e desaparecer, deixando rastro de sangue por conta das balas que havíamos acertado nele. Corremos para onde Michel estava caído, uma enorme poça vermelha o cercava. Consegui ver que ele ainda tinha pulso, logo estava vivo, e o arrastamos de volta até a barraca, esquecendo a regra que nos impede de usar magia e soltando um sinal de alerta para que as meninas chamassem por socorro e nos tirasse de lá, antes que fosse tarde demais para Michel...

Sunday, April 16, 2006

Uma surpresa nada agradável...

Do diário de Morgan O'Hara

Inicialmente eu tinha pensado em ficar no castelo, estudando para os NIEMS e tentar encontrar o sarcófago verdadeiro do professor Richelieu. Meus amigos iriam para casa e eu estava desanimada para ir passar o feriado de Páscoa na Ilha Negra sozinha com tia Bertha, pois andava tendo dores de estômago causadas pelo stress. Carlinhos não poderia sair da Romênia, por estes dias, era o que dizia em sua última carta. Na parte da tarde,na véspera da partida, acabei tendo uma idéia. Procurei Madame Máxime e perguntei se poderia ir até a Romênia pela rede de Flú. Ela achou a idéia ótima e me disse que haveria um auror que acompanharia os alunos que tinham família no extremo Norte. Deu-me o roteiro com a data da volta e o ponto de encontro dos alunos. Voltei ao dormitório para arrumar uma mochila com minhas coisas, e encontrei Marienne preparando-se para partir também.

Dia da partida...

Levantei-me super animada e fui ao salão com meus amigos esperar pela hora da viagem. Tomei meu café com meus amigos e via o casal de aurores, pais do Ty coordenando as partidas. Assim, que deu o horário e a lareira começou a crepitar, um auror alto e louro saiu de lá, e o senhor McGregor chamou meu nome junto com o de outros cinco alunos.
Aproximamos-nos e o homem se apresentou:
- Olá, sou o auror Menken. Vou acompanhá-los até seus países e vocês voltarão comigo também ao final do feriado. Já foram orientados sobre nosso ponto de encontro?- e ao ver que confirmávamos haver recebido orientação sobre a segurança e confirmar nossos nomes um a um, nos encaminhou para a lareira e logo rodopiávamos para os países rodeados pelo Mar do Norte. Chegamos e os pais dos alunos já os esperavam e logo levaram seus filhos, ficamos eu e o senhor Menken parados um na frente do outro. E ele me perguntou:
-Senhorita, alguém da família vem buscá-la? - perguntou solícito.
MOH- Não avisei a ninguém, vim fazer uma surpresa para o meu noivo.
SM- E você sabe aonde deve ir? Se quiser a acompanho, pois ainda estamos na época que escurece rápido por aqui.
MOH- Bem... se não for atrapalha-lo, eu agradeço.Pode me chamar de Morgan.- e ele pediu que o tratasse por Sergei.
Contei-lhe que Carlinhos estudava dragões e ele sabia onde deveria me levar.
SM- Segure firme em meu braço, vamos aparatar.
Aparatamos no vilarejo, e ele disse:
SM- Preciso enviar uma mensagem para avisar que estamos bem, e de lá podemos seguir até a reserva.
Entramos no bar do povoado que já estava cheio àquela hora, e fiquei esperando num canto. Comecei a ouvir gritos animados e comecei a prestar atenção:
- Vira, vira, vira...
- Urra....- e gargalhadas eram ouvidas.
- Vamos lá mais uma rodada... Vira, vira, vira...
Comecei a andar para ver a movimentação enquanto esperava o auror. Vi que já haviam várias pessoas ao redor da mesa e fui me aproximando.
-Se beber esta, sou capaz de te dar um beijo... - disse uma moça de voz melosa, e ouvi vários assobios.
- Sou comprometido...
Esta voz....
- Eu não ligo... - logo os homens gritavam incentivos para a brincadeira continuar.
- Vira, vira, vira...
Consegui chegar quando o tal homem bebeu e ouvi quando bateu o copo na mesa, o som de um beijo estalado. Quando a mulher o soltou pude ver Carlinhos todo vermelho, limpando a boca suja de batom. Estava meio bêbado, pois seus olhos estavam piscando rápido:
Ele e seus amigos riam do ocorrido. Seu amigo Yuri foi o primeiro a me notar:
- Weasley....
- Que foi Yuri? Algum dragão fugiu? – ele virou caçoando para o amigo e seus olhos entraram em foco rapidamente quando me viu parada, olhando para ele. As risadas foram morrendo e só a garota que estava sentada junto dele parecia alheia à tensão que estava se formando.
Ele se levantou rápido e veio para o meu lado:
CW- Morgan... Amor... Eu...
MOH- Estou vendo que está muito ocupado. - comecei a me virar para ir embora e ele me alcançou.
CW- Não é o que você está pensando...
MOH- Larga meu braço agora... Antes que eu comece a gritar... - mas minha voz já estava um pouco estridente, e meu queixo tremia, nisso o auror apareceu:
SM- O que está havendo Morgan? Moço... Solta o braço dela. - disse vendo Carlinhos prendendo meu braço.
CW- Ela é minha noiva... Quem é você? - disse olhando o estranho de alto a baixo.
SM- Alguém que está falando para você soltar o braço da moça agora. - e algo na postura e na voz do homem fez as pessoas em volta recuarem.
Carlinhos havia ficado sóbrio de repente, e lentamente começou a me soltar e a falar com urgência:
CW- Estamos comemorando o final dos exames, Irina é uma amiga da escola.. Não estávamos fazendo nada de errado. Tudo não passou de brincadeira...
Eu olhei para a mesa e vi a tal Irina com um risinho debochado nos lábios. Voltei meus olhos para o rosto de Carlinhos e não conseguia dizer nada. Eu estava com medo do que dizer. Olhei para o auror e pedi:
MOH- Sergei, você pode me tirar daqui, por favor?
SM- Claro. Vou levá-la para a estalagem do povoado. – disse olhando firme para Carlinhos e me deu o braço para acompanhá-lo.
Saí dali disposta a não chorar, e estava conseguindo me manter firme. Chegamos à estalagem me hospedei, e virei para o gerente:
MOH- Você serve refeições aqui?
-sim, posso mandar fazer um chá...
MOH- Quero um chá completo.
Fui para o salão e o auror foi atrás de mim, onde o chá seria servido, depois de algum tempo eu devorei 3 pedaços de bolo de chocolate.
SM- Você está mesmo com fome não?- disse me observando.
MOH- Não estou com fome. – e mordi mais um pedaço de bolo.
SM- Ahn... - me observava enquanto bebia sua xícara de chá.
SM- Pelo que pude entender... Seu noivo só estava bebendo com os amigos... Era uma comemoração... - tentou dizer conciliador.
MOH- Meu n-o-i-v-o me escreveu dizendo-se muito ocupado para ir a Paris ficar comigo, pois tinha muito trabalho a fazer, agora vejo que o "trabalho" a ser feito deve deixá-lo exausto. Quando posso voltar pra Beauxbatons?
SM- Só teremos a rede liberada no último dia pela manhã. Pedir uma liberação agora somente em emergências, pois poderia por o Ministério em alerta....
MOH- Ok, sem problemas vou ficar aqui na estalagem. Deve ter muita coisa para se fazer aqui neste lugar cheio de gelo ainda. Na manhã combinada eu o encontro aqui.
SM- Não me sinto bem em deixá-la aqui sozinha....
MOH- Há muitas pessoas aqui, não ficarei sozinha.
SM- Olha Morgan... você está sob minha responsabilidade e... - parou quando viu que as lágrimas corriam pelo meu rosto.
Ofereceu um lenço e eu comecei a enxugar o rosto.
SM- Ei, foi só um mal entendido. Logo vocês farão as pazes, vai ficar tudo bem...
MOH- Eu não vou vê-lo mais. Não quero ouvir a voz dele. Eu quero bater nele. Eu quero... - disse e comecei a chorar de novo.
SM- Claro que vai vê-lo... Assim que for possível você dá uns tapas nele, vai fazer bem pra relação de vocês. Você é uma garota bonita, ele seria doido de trocá-la por outra. - disse me dando tapinhas nas costas e não pude deixar de rir ao imaginar a cena.
MOH- Ai....- disse depois de chorar por algum tempo.
SM- Que foi? - Perguntou alarmado.
MOH- Será que ainda tem bolo de chocolate?
Ele me olhou abismado, mas pediu para servirem mais bolo. Ficou me olhando enquanto eu comia e depois de um tempo disse:
SM- Sabe... Eu já vi uma situação destas algum tempo atrás e tudo se resolveu. Todos eles ficaram bem. – disse sorrindo.
Sorri para ele sem entender direito aonde ele queria chegar, mas pensando se realmente eu e Carlinhos ficaríamos bem. Neste momento eu gostaria de torcer o pescoço dele, por ser tão bobo, deixando-se levar numa brincadeira tão estúpida, mas isso me lembra galinha assada e estou ficando com fome novamente...

Saturday, April 15, 2006

Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara...

Das memórias de Gabriel Graham Storm

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades


Cai no tapete da minha sala, aos pés da minha mãe. Levantei depressa espanando as cinzas da roupa e a abraçando, matando as saudades. Miyako e Ty estavam ao meu lado e nem bem cumprimentaram ela e foram andando para a varanda do apartamento, atraídos pela vista dele, que dava pra praia do Leblon. Tio Scott, rindo da cara deles, levou as malas pro meu quarto e voltou logo para a sala.

SF: Muito bem, podem ir trocando essas roupas quentes, vocês estão no Brasil!
MK: Ai, eu to com calor mesmo... - Mi falou puxando a gola da blusa.
GS: Coloquem bermuda, camiseta, o que tiver de mais leve nas malas ou vocês vão assar!
TM: Eu não tenho roupa fresca! Faz frio na França.
LS: Não precisa se desesperar, veste alguma coisa do Gabriel.
SF: Mas vamos depressa com isso, o Rio de Janeiro é grande e vocês só têm 4 dias.

Levei-os até meu quarto e depois de Ty revirar minhas gavetas todas, a procura de algo que coubesse nele, descemos para a rua. Mamãe havia tirado esses dias de feriado de folga e tio Scott deixou o sus-chef do restaurante encarregado das coisas, tendo os dois o tempo todo livre para passear conosco. Ty vinha falando dentro do carro que queria conhecer as praias daqui sem dizer o porquê da urgência na voz, mas nem precisava dizer... Já Miyako, que também sabia os motivos do Ty, dizia que preferia conhecer o Cristo Redentor.

Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim


Pra fazer um tour daqueles bem turistas mesmo, tio Scott foi dirigindo pela orla do Rio. Passamos por Ipanema, Copacabana, Leme... Tudo beirando a praia e mamãe fazendo o papel de guia, explicando um pouco de cada lugar. Demos a volta para a Urca, parando em frente ao Pão de Açúcar. Ficamos esperando na beira da praia enquanto tio Scott comprava as entradas e Mi e Ty olhavam para o alto do morro, fascinados.

MK: É alto, não?
TM: Fala sério Miyako! Voamos bem mais alto que isso nos jogos de quadribol!
GS: Shiii fala baixo Ty! Você ta no meio da rua, ta cheio de trouxas aqui...

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você


Logo ouvimos nossos nomes alto e vimos tio Scott sacudindo os braços perto da entrada da estação para que fossemos encontrá-lo lá. Assim que entramos no bondinho, Ty e Miyako colaram no vidro receosos, com dúvidas sobre o que aconteceria quando ele saísse do chão. Mas nem dá tempo de sentir medo, é tão rápido! Em menos de 2 minutos descemos na estação da Urca, que é a 1ª parada. Os dois saíram andando desembestados, batendo foto de tudo e em todos os lugares onde conseguiam se encostar. Tio Scott ia correndo atrás deles, pois mamãe gritou que se alguém caísse de lá de cima, ia ter assassinato entre amigos.

Enquanto eles andavam de lá pra cá, ia caminhando devagar ao lado da minha mãe. Ela me perguntou sobre o dia em que cruzei com meu pai na escola e contei o que aconteceu. Ela me disse que esteve com ele em Paris em um dos dias em que ficou lá, mas não conseguiu contar sobre mim. Disse que preferia mesmo esperar minhas férias, onde iríamos para Londres. Ty nos berrou na fila do bondinho novamente e fomos ao encontro deles, para subir até a estação do Pão de Açúcar, última parada.

A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão


Passamos mais de uma hora lá em cima e quando descemos fomos direto almoçar em uma churrascaria em Botafogo, que tinha vista para o morro da Urca. Ty não rejeitava nada que os garçons ofereciam, assustando minha mãe e tio Scott, que não estavam acostumados com a fome da criança... De lá fomos direto para o Cristo Redentor, para a alegria da Miyako. Mamãe queria subir de carro mesmo pela estrada, mas eu disse que de trem era mais divertido e mais uma vez entramos na fila para comprar os bilhetes.

Passamos o dia todo fazendo passeios turísticos pela cidade e mesmo já conhecendo tudo, sempre gosto de visitar as coisas de novo, é divertido! Ty falava o tempo todo que queria ver o carnaval e parecia não entender, ou se conformar, quando eu dizia que ele já havia terminado há 40 dias... Infelizmente nem eu que gosto posso acompanhar, pois estou em Beauxbatons. Mamãe sempre grava os desfiles e eu assisto na Páscoa, mas esse ano vai ficar pras férias, não temos muito tempo aqui.

Terminamos o dia comendo porcaria nos quiosques da praia e depois fomos ao cinema, voltando cedo pra casa, pois o dia seguinte prometia ser agitado também. Iríamos para passear na região serrana, único lugar daqui que faz frio rs

Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar...


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N.A.: "Samba do avião", de Tom Jobim

Friday, April 14, 2006

Festas e festas...

Relatos de Samuel Berbenott

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SB: Amaralina, eu precisava falar com você... Será que a gente pode conversar?
IM: Ham, eu vou ali tirar uma dúvida com a professora... Esses garfos são confusos! Te encontro no Salão Principal ok Lina?

Isa me deu uma piscada e saiu. Fui caminhando com Amaralina pra fora da sala e ficamos em silêncio até chegar nos jardins congelados. Sabia que estava passando da hora de conversar com ela, mas me dava um frio no estômago em ter que dizer...

SB: Eu queria te pedir desculpas sobre o que aconteceu na festa do dia dos namorados... Eu acho que nunca te expliquei por que fiz aquilo, mas eu tinha um certo encanto por você, mas eu entendo que só podemos ser amigos...
AM: Não se preocupe, eu nem me lembro mais! Você tem uma aura iluminada Samuel, e vai fazer muito feliz a menina que se apaixonar por você e for correspondida. Meu destino não está aqui no castelo, está muito além do que as estrelas possam ter me denunciado!
SB: Eu sei... Eu quero continuar seu amigo, ta bom?
AM: Sim, é claro!

Muito mais aliviado, abracei Amaralina e voltamos ao castelo. Eu não saberia dizer o que se passara no meu interior... Um dia eu era apaixonado por ela, e no outro, porém, não a via como nada além de amiga...
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Os dias se passaram lentamente. Quando a Páscoa se aproximou, eu e os meninos já tínhamos arquitetado um plano para o feriado. Chegamos à casa vazia de Ian e após nos acomodarmos e conhecermos a casa, saímos para dar uma volta pela cidade. Passamos a tarde no iate do pai de Bernard, que ele singelamente seqüestrou, e quando voltamos de noite, começamos a festa de comemoração da Páscoa. Imagine você, seis bruxos menores de idade, com posse de uma casa... Imaginou? Era a nossa situação!

Marie, Dominique, e eu fomos para a cozinha preparar algumas coisas para beber e comer na festa.

Sophia, a prima do Ian, chegou quando já estava tudo pronto, e trouxe alguns amigos e amigas do Luke que estudavam em outras escolas... A festa se deu iniciada!

Dominique não tardou e foi conversar com uma das amigas do Ian, e logo os vi saindo porta afora. Fui até a mesa e peguei uma cerveja amanteigada. Vi Bernard conversando com Michel e Sophia... Pensei em ir até eles, mas tinha a leve impressão que o papo era sobre alguma coisa relacionada a escolas e professores. Decidi ir me sentar em um dos pufes ao canto da sala de estar e sai distraído pelo trajeto, a garrafa de cerveja amanteigada na mão... POFT! Senti meu corpo retroceder quando colidi com alguém. Uma menina lutava pra manter-se de pé depois do choque. Após conseguirmos nos estabilizar, começamos a rir deliberadamente do acidente. A roupa dela estava encharcada de cerveja que derramei... Notei que era uma das amigas do Luke, muito bonita por sinal...

SB: Me desculpa, estava andando distraído! Vou perguntar pro Ian onde tem um pano...
BT: Não precisa, está tudo bem, eu também não te vi!
SB: Samuel Berbenott – disse estendendo a mão um pouco constrangido...
BT: Beatriz Taylor... Você estuda com o Luke?
SB: Sou de Beauxbatons também, mas somos de casas diferentes e sou um ano abaixo dele...
BT: Também faço 5° ano, em Durmstrang.
SB: Ah, tenho um amigo lá... Sávio!
BT: Não me lembro de nenhum...

Ponto. O assunto tinha acabado e se deu aquele silêncio ainda mais constrangedor. Eu estou realmente estranho esses dias... Às vezes me surpreendo comigo mesmo... Pra não deixar o assunto morrer, convidei-a pra darmos um passeio, e ela aceitou. Saímos para a rua iluminada por lamparinas e fomos andando. Ficamos em silêncio um bom tempo, até que chegamos em uma ponte e nos sentamos.

SB: Você mora aqui?
BT: Sim...
SB: E porque foi para a Durmstrang?
BT: Porque meu pai acha melhor! Ele e minha mãe estudaram lá...
SB: Hum... Acho que não gostaria de estudar em um iglu!
BT: Eu gosto de lá... Depois que você se acostuma, é bem legal!

Porque será que a gente não tem uma ficha de assuntos dentro do bolso quando se precisa de um? Perguntei se ela queria voltar pra festa e ela concordou... Fizemos o caminho de volta ainda em silêncio, mas eu já tinha avançado um ponto: estávamos de mãos dadas! A casa estava cheia de adolescentes, e uns poucos que apresentavam serem maiores de idade. Tive a intuição de que alguém tinha jogado um Sonorus ao redor da casa para que os vizinhos não reclamassem com a polícia trouxa.

Dominique estava dançando com a menina, e ao me ver chegando com Beatriz, soltou um daqueles seus sorrisos vitoriosos e balançou a cabeça pra que fossemos dançar também. Péssima, péssima idéia! Eu definitivamente não sei dançar! Antes de começar manchar minha reputação construída em uma pista de dança com meus passos desajeitados, puxei Beatriz para mais perto e a beijei.

Passamos o resto da festa juntos, mas agora os assuntos fluíam com mais rapidez, e quando o dia estava prestes a nascer, nos despedimos. Quando todos foram embora, a casa estava revirada de cabeça pra baixo. Sophia sugeriu um aceno de varinha para organizar tudo, mas Bernard e Ian ficaram receosos e então resolvemos ajudar a organizar e limpar tudo... Mal fui dormir e o despertador tocou, mais uma manhã de passeios por Marseille nos aguardava!

Thursday, April 13, 2006

Saída à francesa

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Acordem, vamos! Última chamada, quem perder o trem, vai passar a páscoa com a Maxime vestida de coelho!
- Já levantei, já levantei, não precisava ter plantado essa imagem medonha na minha mente...

Era quinta-feira, 07hs da manhã. Eu estava em pé na minha cama, ainda no dormitório da Sapientai e acordava Bernard para encontrarmos os outros e através da rede de flu, irmos para minha casa passar o feriado. Meu amigo levantou animado e logo estávamos no hall de entrada de mochilas nas costas, esperando pelos demais.

Michel foi o 1° a chegar, dizendo que desistiu de esperar Marie juntar as diversas malas espalhadas pela Fidei e veio na frente. Ela seria a única menina no meio do grupo. Dominique e Samuel apareceram logo depois, cada um com sua mochila, sorrisos estampados no rosto e loucos para sair dali. Assim que Marie apareceu carregando uma mochila e 3 frasqueiras, seguimos até a sala da lareira onde aurores do Ministério estavam escoltando os alunos para casa.

Uma multidão de alunos fazia fila para ir embora e depois de um tempo, onde um auror magricela nos escoltou, chegamos à minha casa em Marselha. Não sei do que aquele pedaço de bambu ia nos proteger, mas enfim... Estávamos livres!

Mostrei a casa pra eles apontando o quarto de hóspedes que Marie ia dividir com a minha prima e levei-os até meu quarto. Dos presentes, só Bernard e Michel já o conheciam e Samuel e Dominique tiveram um choque quando entraram, pois parte da parede era decorada com coisas do meu time de quadribol, os Quiberon Quafflepunchers.

DC: Luke... Seu quarto é rosa???
SS: Ahn, não é tão rosa... Só alguns detalhes nesse lado de cá...
IL: Não comecem! O que posso fazer se a cor dos Quafflepunchers é rosa choque??
BL: Eu falei pra ele que tava exagerado, mas ele não me ouvir.
MD: Vocês não são torcedores dos Quafflepunchers coisa nenhuma, senão não iam falar nada!
ML: Por Merlin, parem! Se vocês forem começar a discutir quadribol aqui me avisem, pois vou dar uma volta na cidade!

Encerramos a discussão antes mesmo de começar e saímos para dar um passeio pela vizinhança, andar um pouco a toa na rua. Já havia mandado uma coruja para Sophia, que estava vindo à noite, trazendo junto nossa turma de sempre por aqui, para uma festa em celebração ao feriado!

Paramos no Cais do Porto, a maior atração turística da cidade. Honestamente, eu achava que era a única e mesmo assim nada de interessante, mas Bernard parecia fazer questão de mostrar o lugar onde moramos para os visitantes.

BL: Marseille é a segunda maior cidade da França, o maior porto comercial do país!
IL: Bê, por favor... Não tem nada pra ver aqui, a não ser água. Por que não vamos até Provence?
BL: Não, só tem lavanda lá. Tenho uma idéia melhor!

Bernard saiu andando pelo píer do porto e parou em frente a um barco branco, com um brasão estampado na proa. Logo reconheci como o barco do pai dele e aquele era o brasão da família Lestel. Meu amigo perdeu juízo, só pode! Bernard cumprimentou o rapaz que tomava conta do barco e como ele já devia conhecê-lo desde pequeno, não perguntou nada e ainda puxou uma escada para subirmos. Ficamos calados enquanto Bernard fuçava a cabine do comandante, até que ele achou o que procurava e voltou balançando as chaves do barco.

BL: Sabia que papai ainda as guardava aqui! Ele sempre deixa uma cópia sob os cuidados do Jean-Luc, caso esqueça as suas em casa.
IL: Você vai roubar o barco do seu pai?
BL: Não estou roubando, sou o filho mais velho! Por direito, o barco vai ser meu quando papai morrer...
DC: E porque ele se chama Poseidon II? O que houve com o I?
BL: Ah, bom... Ele afundou...
SS: Queria saber como, mas estou com receio de perguntar...
IL: Bernard afundou o barco quando saiu com ele sem autorização pela última vez!
BL: Hei! Você estava comigo, não sou o único culpado. E foi um acidente...
ML: Tem certeza que você sabe pilotar isso?
BL: Não se preocupem, sou campeão juvenil de vela e papai me deixa pilota-lo nas viagens. Já falei que o caso do naufrágio foi acidente...

Diante da garantia de que voltaríamos vivos nos acomodamos na proa e relaxamos. De fato aquele fatídico dia em que afundamos o Poseidon I foi acidente, ninguém teve culpa... Bernard foi até a cabine e achou dois quepes de capitão perdidos, botando um na cabeça e dando outro para Dominique usar. Os dois ficaram lá dentro nos conduzindo, enquanto aproveitávamos a brisa fresca que batia nos nossos rostos. Quando já estávamos bem afastados do Cais do Porto, Bernard lançou ancora e ficamos parados, boiando no meio do Mar Mediterrâneo, completamente a toa e sem hora pra voltar...