Wednesday, July 25, 2007

Memórias... - Parte I

Do diário de um Corvinal...

Estava pendurado na janela olhando pro céu, esperançoso. Estava assim desde que havia completado 11 anos. Já começava a cansar e ia fechar a janela quando vi um ponto cinza voando na minha direção. Fiquei na ponta do pé para enxergar melhor e uma coruja grande e cinzenta entrou ligeira para dentro da sala, deixando cair um envelope em minhas mãos e saindo outra vez. Rasguei-o agitado.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS

Diretor: Alvo Dumbledore
(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)

Prezado Sr. Storm,

Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de Setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de Julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall
Vice-Diretora


- MÃE! MÃE!

Minha mãe chegou correndo na sala, assustada com os meus gritos. Ela ainda tinha as mãos cheias de roupa que guardava no meu quarto quando me ouviu.

- O que foi, Gabriel? O que aconteceu??
- Minha carta de Hogwarts chegou!!!

Sacudi o pergaminho animado e minha mãe riu da minha alegria. Finalmente poderia freqüentar Hogwarts...

ººº

- Em que casa acha que vou ficar?

Estava na rua com minha mãe comprando meu material para a escola. A lista era extensa, e já estávamos caminhando há horas a procura dos livros.

- Ah, eu arriscaria a Corvinal – mamãe falou convicta
- Mas você e meu pai não eram dessa casa, eram?
- Não. Eu era da Lufa-lufa e seu pai da Grifinória, mas você é tão inteligente, acho que vai ser selecionado para a Corvinal
- E se eu cair na Sonserina? – falei receoso
- Não existem apenas pessoas ruins na Sonserina, filho – ela me olhou rindo – Seu tio Wayne era de lá, e também tinha alguns outros amigos de lá que eram muito legais. Não se preocupe em que casa vai ficar, pois isso não é importante
- Certo... – sorri mais tranqüilo - Não precisamos mesmo ir ao Beco Diagonal?
- Não, podemos comprar todo o material aqui, a Floreios e Borrões entrega os livros que não encontramos – mamãe respondeu lendo a lista – George ficou com todos os meus livros, vamos precisar comprar todos outra vez
- Mãe... Você vai comigo a Londres semana que vem?

Mamãe me olhou sem falar nada por um tempo. Sabia que ela não queria ir a Londres, que tinha lembranças ruins de lá, mas eu não queria embarcar sozinho no 1º dia de aula, e ela sabia disso. Ela continuou me encarando mais um tempo, e acabou sorrindo.

- Não se preocupe, vou com você até King’s Cross. É o seu 1º ano, não perderia isso

Sorri para ela e olhei as sacolas com tudo que já tínhamos comprado. Faltava apenas uma varinha e um caldeirão, e seguimos para uma loja especializada em caldeirões mais próxima. Só mais uma semana, e eu começaria meu 1º na escola de magia mais famosa do mundo!

ººº

- O que eu faço? – olhei para a parede na minha frente e para minha mãe e meu padrinho, que riam
- Apenas atravesse a parede – mamãe respondeu rindo
- Assim, do nada? – encarava a parede, espantado
- Tenta, não vai te machucar – tio Scott falou – A não ser que você não seja bruxo, claro... Será que ele é um aborto, Lou?
- Há, há! Bom, lá vou eu...
- Ai Deus, ele vai bater na parede! – ouvi tio Scott falar rindo mais uma vez antes da estação de King’s Cross desaparecer

Abri os olhos incerto do que encontraria e tenho certeza que eles brilharam quando me vi de frente a um enorme trem vermelho. O Expresso de Hogwarts. Senti duas trombadas e vi que mamãe e tio Scott haviam atravessado a barreira também. Ambos tinham olhares saudosos. Deixei-os na plataforma e fui acomodar minha bagagem antes de voltar para me despedir.

- Pronto, consegui encontrar uma cabine vazia, tinham apenas dois garotos que pareciam ser gêmeos nela – voltei depois de um bom tempo dentro do trem – O que foi mamãe?

Minha mãe tinha um olhar estranho no rosto, e encarava fixamente uma das portas do trem, como se procurasse por alguém. Tio Scott também parecia confuso, pois esticava o pescoço tentando ver o que ela via, mas sem sucesso.

- Nada, pensei ter visto alguém embarcar no trem, mas acho que estou tendo alucinações – ela sorriu – Já esperava por isso, estando em Londres
- Não era o Lu, era? – tio Scott falou – Porque ele está bem ali. Ei, Lu, Miriam!

Eles acenaram para um casal do outro lado da plataforma e eles vieram até nós, e logo os quatro embarcaram em uma animada conversa. Quando o trem apitou pela ultima vez, abracei minha mãe e meu padrinho e subi correndo, entrando depressa na minha cabine com os meninos e acenando para eles da janela. Por coincidência, os garotos acenaram para o casal que estavam com eles. E logo a plataforma 9 ¾ desapareceu de vista...

ººº

A travessia do lago foi tranqüila. Um gigante, que reconheci dos relatos do tio Scott como Hagrid, nos conduziu da plataforma da estação de Hogsmeade até o saguão de entrada do castelo, onde uma bruxa muito severa chamada Minerva McGonagall nos recebeu.
- Bem vindos a Hogwarts – disse a mulher de olhar severo – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal. As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua historia honrosa e casa uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça da casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. A Cerimônia de Seleção vai se realizar nesse instante, na presença de toda a escola. Vamos andando, façam uma linha e me sigam!

Entramos em fileira pelo salão e nunca poderia imaginar um lugar tão bonito como aquele. Várias velas flutuavam no teto encantado e enquanto passávamos, os olhares dos alunos mais velhos nos examinavam. Um a um, fomos sendo chamados para colocar o Chapéu Seletor na cabeça. Os gêmeos que estavam comigo no vagão se chamavam Seth e Griffon Chronos, e ambos foram selecionados para a Grifinória. Esperei minha vez no meio dos alunos do 1º ano, todos com o mesmo olhar apreensivo diante da perspectiva de sentar naquele banco em frente a toda a escola.

- Storm, Gabriel! – a professora McGonagall chamou meu nome alto e um dos meninos com quem estava conversando me empurrou
- Hmm, mente aguçada, gosta de aprender coisas novas, não é? Pois bem, acho que vai se dar bem na... CORVINAL!

A mesa no canto direito do salão principal aplaudia animada e sorri mais tranqüilo, correndo até lá e me sentando. Alguns alunos estenderam as mãos se apresentando e me apresentei também, voltando à atenção aos que ainda não haviam sido selecionados. Quando a seleção chegou ao fim, o diretor da escola, Alvo Dumbledore, ficou de pé. O salão imediatamente caiu em silencio e entendi que ninguém desrespeitava aquele bruxo. Ele fez um discurso explicando a presença dos dementadores na escola, os mesmos que pararam no trem e fizeram todos se sentirem mal, e continuou:

- Agora, falando de coisas mais agradáveis, tenho o prazer de dar as boas vindas a dois novos professores este ano. Primeiro, o professor Remo Lupin, que teve a bondade de aceitar ocupar a vaga de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas...

O homem que a mão esquerda do diretor indicava ficou de pé quando alguns alunos aplaudiram e de repente, toda fome que estava sentindo evaporou. Sem esperar ou sequer sonhar, havia acabado de conhecer meu pai...

Tuesday, July 24, 2007

Stonehenge

Lembranças de Griffon F. C. Chronos

A noite caíra e sentíamos a presença deles. Pelo visto eles achavam que os dementadores haviam nos despistado e pararam para descansar. Eles se reuniram em volta de Stonehenge e fizeram uma fogueira surgir em sua frente, onde conversavam em voz baixa.
- Não podemos subestimá-los! – Um dos comensais falou com energia, era um homem alto e de aparência inteligente, mas pesada.
- Deixe de medo, Jugson. Era um único perseguidor e seu filho. – respondeu outro comensal, mais baixo, porém mais forte que o primeiro.
- Sim, mas era aquele Chronos e o filho dele. Você por acaso esqueceu que um dos filhos dele quase o matou no sequestro, Carrow? – o último comensal entrou na discussão e era o mais baixo dos três, mas o de aparência mais cruel.
- Eu não seria derrotado por um garoto, Nott!! Acha que sou fraco ou algo assim? – Carrow respondeu furioso.
- Sim eu acho. Se Cibelle já não tivesse terminado o serviço e nós não batêssemos em retirada, você estaria morto agora. Fico com raiva de não ter sido eu a matar o McGregor.- Nott riu maldosamente e senti um ódio tremendo por ele.Primeiro por meu padrinho e segundo por que eles sujavam um local sagrado.
- Nott, você não pode falar nada, você e eu juntos não fomos capazes de derrotar o Chronos. Aquela família é estranha, por isso devemos ir embora, e logo!
Os outros dois o ignoraram, e aproveitamos o momento. Sem que eles notassem fiz surgir uma barreira ao redor deles, me aproveitando das energias de Stonehenge. Papai injetou os olhos de vermelho e com um pequeno silvo fez com que lobos e cães das redondezas o ouvissem. Ao longe ouvimos o uivar de lobos misturados com cães. Os comensais se puseram de pé assustados, mas varinhas à mão. Notei que eles tentaram aparatar, mas não conseguiram e ri com certo orgulho e prazer. Olhei para papai um instante aguardando o comando de ataque. Ele me olhou e vi novamente selvageria e ódio em seus olhos e ele acenou com a cabeça positivamente. Iríamos fazer os assassinos de Tio Kyle pagar um preço alto.
Papai saltou para o ar desaparecendo ainda no meio do pulo. Levantei a varinha e corri para onde os três comensais estavam. Eles viraram as varinhas para mim imediatamente e gritaram maldições contra mim, mas erraram, e os três jatos verdes passaram por mim. A matilha de cães e lobos se aproximou e os cercou, impossibilitando a fuga por terra. Apontei a varinha para o mais próximo de mim e gritei.
- Estupefaça!
Carrow voou para trás e caiu no chão xingando. Nott e Jugson apontaram suas varinhas para mim e também gritaram estuporamentos, mas consegui conjurar feitiços escudos a tempo e por pouco os feitiços não os atingiram também. Refugiei-me atrás de uma das pedras de Stonehenge enquanto me perguntava onde papai estava. Como uma resposta ouvi os gritos dos comensais e me arrisquei uma olhada. Vi uma matança...
A matilha inteira atacara de uma vez só. Os cães pareciam retornar a seus tempos de selvagens e os lobos deliciavam-se. Os comensais gritavam feitiços e maldições a todo momento, um coro de “estupefaças”, “impedimentas”, “avada kedavas”, “petrificus totalis”, “expelliarmus”, e os corpos dos animais às vezes sem vida caiam no chão e misteriosamente desapareciam. Então entendi o que acontecia. Os comensais haviam caído em um dos mais poderosos e cruéis golpes de papai, uma ilusão. Ele havia os hipnotizados e os fazia lutar com o ar, pensando enfrentar uma orda de animais famintos. Mas o mais cruel das ilusões era que os animais podiam atacar de verdade e os comensais estavam cheios de mordidas e arranhões em seus braços e pernas. E vi que eram na verdade os ataques de papai, que correndo entre os feitiços atacava sem dó. Sua sombra se mesclava as sombras da noite e ele parecia um lobo faminto e enraivecido enquanto mordia e perfurava com suas mãos todos os lugares próximos.
Eu tremia e cai no chão encarando a cena com horror. Mas certo prazer crescia em mim em ver aqueles assassinos sofrendo o que mereciam. Papai acho que querendo se divertir mais, terminou com a ilusão quando os comensais já estavam muito feridos e parou a frente deles, com a roupa, boca e punhos ensangüentados com o sangue dos inimigos. Eu decidi me mostrar também e me coloquei ao lado dele, ainda tremendo, mas tentando me controlar.
- Então, achavam que eu e meu filho éramos poucos? Agora imagino que sabem que não... Achavam mesmo que alguns dementadores iriam nos impedir de achar vocês?
Os comensais nada disseram, mas vi medo em seus olhos e como uma fera isso alimentava papai. Nott se recuperou do choque e apontou a varinha para meu pai gritando com ódio.
- AVADA...
Mas a maldição ficou inerte em sua boca quando o atingi com um estupefaça cheio de raiva e jogando-o longe. Agora sem medo, avancei atrás dele ignorando os outros dois. Mas estes não me ignoraram, e tentaram me lançar maldições, e as não letais apenas ricochetearam em meus feitiços escudos que eu invocava sem prestar muita atenção. Meus olhos brilhavam em branco e com ódio também apontei minha varinha para os outros dois gritando
- EXPELLIARMUS!!
A varinha dos dois voaram de suas mãos e eles caíram ao chão tentando pegá-las. Eu finalmente alcancei Nott quando ele se levantava apontando a varinha para mim, mas fui mais rápido que ele. Apontei a varinha para seu peito e gritando “EXPELLIARMUS” o joguei longe. Notei que uma luz saia de minhas mãos e foi essa luz que o empurrara com tanta força. Ouvi os barulhos da luta de papai, mas não me interessei muito, me reaproximando de Nott. Ele estava caído ao chão, tentando se aproximar da varinha.
- Accio Varinha.
A varinha dele voou para minha mão e apontei a minha própria para ela ainda no ar e murmurando soltei um raio vermelho que a destruiu. Sorri ao ver o ódio de Nott.
- Então, sou tão fraco quanto você imaginou? Imagino que tenha conhecido o meu irmão. Ele é bondoso, mas eu não. Isso é por ter matado o meu padrinho! – E o chutei com força no lado direito da barriga e ele gemeu alto. – E isso é por ter feito a Emily chorar.
Dei-lhe outro chute ainda com mais força em seu rosto, arrancando a máscara e fazendo-o rolar pelo chão indo bater nas pedras de Stonehenge. Ele tentou sair de meu campo de visão, mas apontei minha varinha para ele murmurando “estupefaça” e o estuporei. Voltei-me então para a luta de papai em tempo de vê-lo acabar com ela. Carrow estava com os olhos vidrados enquanto papai agarrava seu pescoço, sufocando-o até a morte, mas sabia que papai não ia matá-lo assim. Virei os olhos para Jugson para não ver a cena, mas vi o medo dele enquanto ouvia o último grito de Carrow quando teve seu pescoço perfurado por papai. Jugson cambaleou para trás e tentou fugir, mas apontei a varinha para ele gritando “petrificus totalis”. Ele caiu duro no chão, com o rosto virado para a grama. Nesse momento ouvi um riso por trás de mim e me virei com pressa. Nott sorria para mim e agarrou meu pescoço tentando me sufocar. Tentei lançar-lhe um feitiço, mas o aperto na garganta me impedia de falar. O aperto ia ficando cada vez mais forte e por um momento achei que ia morrer sem rever meus amigos... Mas o aperto parou e os olhos de Nott estavam vidrados e brancos. Eu não podia ver o que acontecera, mas caí no chão quando o aperto diminuiu e vi meu pai com uma das mãos perfurando o ombro de Nott.
- Você subestimou a mim e a meu filho. E matou meu melhor amigo... A você eu deveria dar algo pior do que a morte, mas não crio maldições como eu... Então você terá apenas a morte.
Ao terminar de falar isso papai levantou o outro braço livre e perfurou as costas de Nott, matando-o da mesma forma que Tio Kyle fora assassinado. Eu senti medo, mas papai se aproximou de mim lentamente e me abraçou com força. Vi que ele chorava e o acalmei abraçando-o também. Choramos abraçados por alguns minutos enquanto lembrávamos de Tio Kyle. Jugson continuava petrificado e após algum tempo papai e eu nos separamos e ele foi encarar o ultimo comensal ainda vivo. Ele levantou a varinha e apontou para o peito do ainda petrificado comensal.
- Avada...
- NÃO!! Não pai, não faça isso também. Não quero que seja como eles... - Gritei enquanto o abraçava novamente. Ele relaxou e apenas fez surgir cordas para prender o comensal.
- Desculpa por tê-lo feito ver essas coisas todas meu filho... Desculpa...Mas você lutou bem, estou orgulhoso de você. E seu padrinho também. Vamos, vou mandar um aviso para o ministério.
Uma águia prateada saiu de sua varinha e alçou vôo na direção de Londres. Perguntei se ele iria avisar mamãe também que estávamos voltando, mas ele falou que ela tinha meios de saber que estávamos voltando. Ele esperou apenas até o primeiro estalo de aurores chegando e apenas lhes explicou que duelara com os comensais. Nos afastamos e ele passou o braço pelo meu ombro.
- Você agora vai treinar com sua mãe. E aprenderá aparatação. Seu irmão fez os testes ontem e já passou, agora só falta você. Enquanto isso...
Senti um puxão forte e reconheci que ele aparatava comigo. Surgimos em frente a rua da casa da França e corri para a porta de casa, apesar de cansado e sonolento. Abri a porta com saudade e mamãe e Seth já me esperavam na sala, mesmo que passassem da 1 da manhã. Seth parecia mais feliz do que nunca, mesmo a me ver todo sujo de terra e sangue. Mamãe soltou um gemido de preocupação e me abraçou com força. Deixei ser abraçado enquanto sentia o perfume de casa. Papai chegou em seguida e mamãe o beijou calorosamente,e os dois choraram, como se tivessem tido medo de perder um ao outro. Falei que ia mandar uma coruja correndo e corri para pegar Hermes. Redigi quatro cartas dizendo que eu estava bem e as mandei para o pessoal. Uma em especial era para a Emily, dizendo-lhe que cumprira a promessa...
No dia seguinte passamos o dia preparando as malas da viagem do dia seguinte. Seth iria para a casa da amiga dele, a Di-Lua Lovegood (ai de mim se ele ouvir isso...) e eu, papai e mamãe iríamos ao Beco Diagonal. Eu ainda me recuperava das cenas da noite passada, e ainda tinha alguns pesadelos... Mas queria parar de pensar nessas coisas e sair com meus pais, portanto propus que fossemos rever Tia Celas e visitar Londres, aproveitando para visitar o George Weasley. Seth poderia ter ido sozinho aparatando, mas meus pais não queriam deixá-lo viajar sozinho e iríamos todos juntos deixá-lo com os Lovegood. Eu tinha esperança de cruzar com Emily pelo Beco Diagonal, talvez ela fosse comprar algum material e na carta que lhe enviara a noite, disse que eu iria estar no Beco Diagonal... Será que eu poderia encontra-la lá? Ou alguém da Beauxbatons? Acho difícil, mas quem sabe...

Saturday, July 21, 2007

lembranças e uma surpresa

Diário de Seth. K. C. Chronos

Local: Casa dos Chronos na França. Primeiro dia de férias.

- Diffindo
Acho que já está bom... Pensei alto enquanto olhava para meu trabalho com o largo sorriso. Fiz alguns movimentos com a varinha e dei os toques finais no presente. Fechei os olhos e levantei a mão direta sobre o presente e com a mão esquerda fiz um pequeno talo em minha palma, fazendo meu sangue sair lentamente. Eu me lembrava da voz do Professor Dumbledore em um de seus discursos de final de ano.
- O maior tesouro de alguém é o amor. Seja ele amor de namorados, de amigos, de companheiros. Ele é capaz de milagres, de coisas que qualquer um acharia impossível. O amor corre em nossas veias, nos dando forças e vitalidade, coragem e energia para seguir em frente. Mesmo ao se derramar sangue por quem amamos, críamos laços e feitiços poderosos. – Nunca havia entendido tudo que ele queria dizer com esse discurso, mas graças aos amigos que fiz em Beauxbatons eu entendi e agora iria dar esse conhecimento para outra amiga minha. Enquanto me preparava para o encantamento, pensei no Ty, na Mi, no Ian, na Emily e no Biel, agradecendo a eles por terem me ensinado o valor de certas coisas...
Deixei algumas gotas de meu sangue pingar sobre o presente e a cor branca reluziu em vermelho, mas meu sangue foi absorvido e o presente voltou à cor normal.

Dia anterior.

- Olá, você também foi atacado pelos perovosos?
- Por o que?
Eu perguntei virando o olhar para uma garota de olhar sonhador e distante, de cabelos longos e loiros e com grande e profundos olhos azuis, ela parecia não fazer a mínima idéia de onde estava. A reconheci do salão principal e vi que ela devia ser mais velha do que eu, ou pelo menos da mesma idade. Eu acabara de achar uma passagem secreta do quarto andar do castelo que logo notei que seria meu lugar favorito e estava observando a lua. Era uma grande varanda, escondida pelos telhados do 3ºandar. A garota continuava me olhando com um jeito sonhador e por um momento achei que ela estava encantada, como as outras. Ela, porém, sorriu e se sentou do meu lado sem cerimônias.
- Você é bem sozinho para ficar aqui a noite sem mais ninguém. – Eu continuei calado e sorri ao ver a franqueza pura de sua voz. – Eu vi você ontem no chapéu seletor, deve ser seu segundo dia não?Eu fui atacada por perovosos, acho que vi alguns antes de vir parar aqui.
- O que são perovosos?
- Animaizinhos, uma espécie de diabretes que fazem você se perder...Mas esse lugar é bonito...Como o achou?
- Eu segui meus instintos e acabei parando aqui.
- Gostei daqui...Dá pra ver a lua tão bem...Eu gosto da lua, lembra meu nome, sou Luna Lovegood, 2º ano, da Corvinal. Prometo lhe mostrar meu lugar favorito também.
- Seth. Seth Kamui Capter Chronos, 1º Ano da Grifinória.
- Nome longo hein? Posso chamar apenas de Kam?
- Pode... – Ela sorriu novamente e ficou apenas olhando o céu ao meu lado. Ali nascia a nossa amizade...

- Você vai mesmo, Kam? – Luna me perguntou quando dividíamos um vagão do Expresso de Hogwarts no final do meu 4º ano.
- Vou...Meus pais acham melhor e querem que eu aprenda mais de outros lugares. Tenho sorte deles não quererem me mandar para Durmstrang, tenho parentes lá.
- Mas você vai estar longe...E quem var impedir que os Zonzóbulos me ataquem? – ela sorriu enquanto falava e eu retribui o sorriso.
- Não se preocupe, vou sempre mandar corujas e você sabe se proteger dos Zonzóbulos.
- É que quando estava com você eu sentia que tinha um amigo... – ela e sua franqueza pura, mas sem tristeza. Uma das características dela que eu adorava.
- E não vou deixar de ser. Seremos sempre amigos. É uma promessa, eu juro...Por que não vai para Beauxbatons também?! Você iria adorar lá e não estaríamos sozinhos.
- Porque é longe de papai, e não quero deixá-lo sozinho.
- Mas de mim pode ficar longe – fingi descontentamento e ela apenas sorriu calmamente e sonhadora.
- Você nunca está sozinho, vou ver se arranjo com papai alguns Qeurus para te vigiarem.
Já estávamos chegando na estação de King Cross e nos despedimos, eu sem querer que ela visse meus olhos marejados e ela sorridente e calma como sempre. Seu olhar sonhador parecia apenas um pouco mais fixo em algo, em mim, e posso jurar que pareciam lacrimejados Atravessamos a parede juntos e avistei o pai dela que me acenou um tchau e vi também meus pais que já abraçavam Griffon, conversando com os gêmeos Weasley.
- Tenho que ir, Luna. Vou lhe mandar corujas sempre. Cuidado e qualquer coisa apenas me chame que venho aqui o mais rápido possível! E não deixem que peguem suas coisas ou te chamem de Di-Lua. Boa sorte nos resultados dos N.O.M.s.
- Não tem problema, elas sempre voltam. Você indo atrás delas ou não. Cuide-se também Seth e mantenha seu outro lado controlado, sei que vai conseguir.
Ela me abraçou e retribui com alegria e pela primeira vez ela me deu um beijo no rosto e se despediu lentamente...Sem notar havíamos nos dado as mãos e enquanto nos separávamos, nossas mãos ainda ficaram unidas no ar e com relutância nos separamos...

Eu estava novamente me lembrando dessas coisas... Sentado na janela da sala comunal, eu não parava de lembrar dos momentos com ela. Ignorava completamente a festa dos outros membros da Lux pelo final do período letivo. Mesmo quando descia para falar com meus amigos me sentia diferente. Ninguém perguntava o porquê, todos sabiam o porquê, eu ainda estava muito abalado com a morte de Tio Kyle, assim como o Ty. E qualquer mudança de humor da escola me afetava. E eles perguntavam se eu estava melhor e pediam para eu não voltar para a enfermaria. Gostei muito da preocupação deles e isso me animou um pouco, mas a sensação de falta continuava...
Eu imagino que me lembrava daquelas coisas porque estava com saudades da amizade dela e coloquei isso em minha cabeça. Provavelmente os últimos acontecimentos me deixaram mais fracos que o normal e por isso a saudade estava maior... Então não me preocupei muito. Mas não entendia a ansiedade pela resposta dela, já haviam se passado dois dias e ela com certeza já teria respondido... Ou será que ela esquecera de mim? Será que ficara tão amiga do grupo do Potter e membros da AD que não ligava mais pra mim? Balancei a cabeça com raiva de mim, a Luna não era disso.
Finalmente voltei pra casa junto de mamãe, sem receber nenhuma notícia. Tanto de meu pai e do meu irmão, quanto de Luna. Isso me deixou de muito mau humor e mamãe notou, brincando comigo que eu estava parecendo papai. Ri muito disso e consegui me despedir mais alegre de meus amigos, voltando pra casa. Entrei sem esperanças quando ouvi um piado alto e no segundo seguinte uma chuva de penas brancas caiam em mim junto de várias bicadas.
- Esqueci de te dizer. Toth chegou essa manhã, ela está toda animada e ansiosa desde então. A carta é daquela sua amiga, a Lovegood. Ela é uma ótima garota... – notei alguma sutileza em sua voz e dentro de mim algo dizia "sua mãe é esperta, já notou que está com saudades". Mães têm um sexto sentido... Acariciei muito feliz Toth e corri pra me jogar no sofá rompendo o lacre da carta imediatamente. Toth continuava pendurada em meu ombro mordendo minha orelha de leve e piando baixinho.

" Seth,

Desculpa a demora para essa resposta. No mesmo dia que recebi a Toth eu corri para lhe responder, mas tive uma idéia. Por falar na Toth, ela realmente me bicou assim que chegou e só parou quando finalmente abri sua carta. Por isso pedi que ela lhe bicasse também até você ler a minha resposta.
Então... Mandei uma coruja pra papai no dia que recebi a sua e ele adorou a minha idéia! Mas só recebi a resposta hoje. Direto ao assunto:
QUER PASSAR AS FÉRIAS AQUI EM CASA??
Assim que tiver uma resposta me avise, papai quer ver se prepara uma surpresa pra você. Acho que ele vai procurar alguns ponfofos para enfeitar a sala e adoraria ver um deles de perto e pessoalmente.
Seus amigos parecem bem interessantes, fiquei curiosa em conhecê-los. Será que eles iriam gostar se eu levasse alguns exemplares do Pasquim de lembrança? Queria levar ponfofos também, mas vai ser difícil encontrá-los. Até o Ian parece ser engraçado, mas ele deve saber ser irritante para fazer você perder a cabeça. E os dois não devem saber mesmo como duelar, pois em maioria não te venceram.
A AD acabou, o Harry disse que não precisa mais, uma vez que nos livramos da Umbridge. As reuniões da AD eram divertidas, mas queria que você tivesse participado delas, mesmo sabendo que você não gosta do Harry e ele de você. Acho que ele tem é receio de você ser o primeiro a deixar de seguí-lo, mas mesmo assim ele é uma boa pessoa. Continuo falando com algumas pessoas da AD, principalmente os Weasley, o Neville, a Hermione e o Harry em si. A Gina continua minha amiga, e ela e o Harry terminaram o namoro por uns tempos.
Por falar nisso. Sei que conheceu o Neville, era da Grifinória também. Ele tem conversado muito comigo, é muito divertido, apesar de muito atrapalhado. A Gina diz que ele está afim de mim, mas acho que não. De qualquer forma ele é só um amigo mesmo, não sinto nada por ele. Só curiosidade em saber como ele descobre sempre onde estou, acho que ele tem algum radar. Papai publicou uma reportagem sobre pessoas com radares mágicos embutidos, será que o Neville tem um?
Mas não precisa se preocupar. Eu não trocaria sua amizade por toda a AD. E sinto muito sua falta também. Papai também quer muito te rever, e disse que não aceita um não como resposta para o nosso convite. Ele anda muito animado para conversar com você pra saber se você viu algum Enbusbirbio Francês, uma espécie que só existe na França. Também não vejo a hora de voltarmos a ter nossas longas conversas. Acho que você é o único que conversa comigo sem revirar os olhos e duvidar do que digo. Senti muito sua falta nesse último ano. Hogwarts não parecia mais a mesma coisa, já não havia as duas melhores pessoas da escola, o Professor Dumbledore e você! Por isso não vejo a hora de te reencontrar!
Por falar em Hogwarts. A Professora Mcgonagal, instituiu aulas avançadas de Defesa Contra as Artes das Trevas, dadas por aurores ex-alunos. Nossa professora foi a Megan Foutley, mas ela foi assassinada, quando um comensal tentou matar o Harry, ela se jogou na frente e recebeu o Avada Kedava... Todos nós da Corvinal ainda estamos muito chocados. Mas perdas fazem parte da vida e isso ainda dói um pouco, mas temos que seguir em frente.
E meus parabéns por ter passado nos testes de aparatação! Sei que você conseguiu. Agora podemos nos ver mais vezes sim, e assim que tiver o calendário de visitas a Hogsmead eu mando para você. E quando eu passar nos testes de aparatação, eu que vou te ver, mas só no ano que vêm.

De sua amiga,
Luna.

PS.: Mesmo se um zonzóbulo me atacasse, eu não esqueceria de sua amizade e de você..."

Eu pulei de alegria no sofá e sai correndo atrás de mamãe com Toth se equilibrando alegremente em meu ombro. Confesso que tive uma sensação estranha ao ler sobre o Neville, uma mistura de descontentamento e de raiva, sem saber o motivo, mas passou rapidamente. Mamãe estava no escritório lendo alguns papéis do clã enquanto ditava uma mensagem para Tia Celas em Londres. Assim que entrei, ela deu um grande sorriso e antes mesmo que eu falasse alguma coisa respondeu:
- Você pode ir sim, já avisei ao Sr. Lovegood também. Tenho certeza que ele vai adorar a sua companhia. A Luna principalmente...
- Como já sabia?
- O Sr. Lovegood me enviou uma coruja em separado avisando que você seria convidado para a casa deles. Junto de alguns amuletos de cortesia. Agradeça a ele por mim.
Eu abri um sorriso ainda maior e pulei no colo dela abraçando-a com força. Parecia uma criança e mamãe se sentia feliz de me ver tão alegre depois de tantos problemas. Ela me deu um beijo no rosto e me mandou ir arrumar logo as coisas. Já ia saindo quando me lembrei.
- Mãe, eu posso dar um presente pra Luna? Você o encantaria também?
- Sim eu encantaria, considero a Senhorita Lovegood como uma filha. Mas seria de valor ainda maior se você o fizesse.
- Tudo bem. Vou arrumar as malas e mandar a resposta agora mesmo, mas vou avisar que só vou quando papai voltar. Obrigado mesmo mamãe!!

Friday, July 20, 2007

I’m in search of the Lionheart

Lembranças de Griffon F. C. Chronos

- Eles estiveram aqui, pai, tenho certeza.
- Sim, eu sei. Muito bem filho, você achou o rastro deles sozinho.

Papai deus os parabéns. Ele estava mais calmo enquanto avançávamos pelas ruas escuras de Londres, mas eu ainda sentia o pulsar da raiva e a cada evidência dos assassinos, o pulsar se tornava mais forte. Nossa caçada nos levara para Londres, pois era para onde os assassinos de Tio Kyle e seqüestradores do Ty haviam ido. Papai parecia farejar o ar em busca do cheiro deles, e algo me dizia que ele procurava era o sangue deles. E sei que era bem capaz dele localizá-los através do sangue.

Já haviam se passado quase 2 semanas desde que saímos do velório de Tio Kyle e seguíamos as pistas dos assassinos dele, incansavelmente. Andávamos principalmente durante a noite, aproveitando-se das trevas. Andando pelas sombras enquanto seguíamos nossos alvos.

- Griffon, as trevas são áreas perigosas, e que eu e seu irmão devemos seguir. Com você a luz do dia combina mais e seria mais vantajoso para você. Mas você precisa aprender...

Eu concordei com a cabeça enquanto corríamos por uma viela de Londres, perto do Ministério. Papai saltou de parede em parede dos dois prédios que ficavam lado a lado da viela e parou no telhado. Eu me concentrei e corri para a parede próxima também, saltando para a seguinte, alcançando-a no alto do prédio também. Ele me apontou uma região e um sentido em minha cabeça indicava a mesma direção.

Corremos a noite toda e a sensação se afastava cada vez mais. Papai sorria e parecia se deliciar. Nossos alvos sabiam que estavam sendo seguidos e sentiam medo e sei que isso era quase como o alimento de meu pai, o combustível para mantê-lo em frente na caçada. Ao final da noite acabamos por sair de Londres e papai decidiu não parar, nós dois ainda tínhamos energias e iríamos vencê-los por cansaço. Acabamos por chegar a um pequeno bosque em um dos municípios vizinhos e rurais de Londres. Adentramos pelo bosque e me senti estranho, como um sexto sentido. Estávamos próximos.

- Cuidado agora, filho – Papai falava enquanto suas pressas brotavam.

De repente pareceu como se a noite já tivesse começado. Um frio maligno surgiu e uma sensação de aprisionamento e solidão surgiu em mim. Dementadores. Mas onde?

Eu comecei a me sentir fraco, e senti meus joelhos caindo ao chão ao mesmo tempo em que sentia as mãos rápidas de papai me segurando pelos ombros e tentando falar comigo. Mas eu não respondia, mergulhava pouco a pouco na noite precoce...

E eu estava sozinho nas trevas...

- PAI!! MÃE!! – Gritei por eles, mas ouvi apenas o eco da minha voz.
- SETH!! ALGUÉM, POR FAVOR, APAREÇA! – Nada de novo.
- TY! GABRIEL!! MI!
- EMILY!!
- Onde estão todos!? Por favor, apareçam!

A sensação de sofrimento e solidão crescia cada vez mais. Nas trevas comecei a divisar formas com capas flutuando. Mas não podiam ser dementadores, papai não os deixaria chegar perto de mim. Mas parecia tudo tão real... Podia quase sentir o respirar forte deles, tentando puxar minha alma e minha felicidade e pouco a pouco eles conseguiam. Involuntariamente comecei a chorar...

Just let me out of here
Speak to me
It all would be easier
I want to talk to you
Who is that?
Do I hear a whisper?
Or do I hear a cry?
Across the brown land
The stumps of time
Oh turn the wheel and heal me
Since moonlights fade
I'm empty - heal me

Senti-me vazio e com medo... Depois de anos eu estava sozinho... Nem mesmo o Seth eu sentia mais, nem mesmo a Emily parecia estar ao meu lado. Uma dor começou a surgir em mim, a dor da solidão... Eu sentia falta deles, tinha tanto medo de ficar sozinho... Um medo que sempre me acompanhou... Chorando me joguei ao chão e gritei histericamente por todos eles...

Down below I can't free my mind
Soon I will fade away
Down below
I can't free my mind
Soon I will fade

Ruins rule my memories

I can't recall the signs
Invite the dead
The silence struck my mind

Mas algo em mim pulsou. De forma clara e forte. Algo que lembrava minha mãe... Vi seu sorriso ao longe e me ergui lentamente... Mamãe... Ouvi sua voz cantando pra mim, me dando forças, mas o que me fez erguer e parar de chorar foi uma voz suave e bonita, junto de uma lembrança...

- Você me prometeu que ia voltar! Não perdoarei você se você não voltar.

O rosto de Emily surgiu em minha mente e aos poucos fui saindo das trevas, caminhando em sua direção... Mas os dementadores da minha mente se aproximaram e cai nas trevas novamente. Então uma voz alta e forte gritou meu nome, de início achei que era um rugido...

- GRIFFON FUUMA CAPTER CHRONOS! EU LHE ORDENO QUE VOLTE! – Era a voz de meu pai. Eu tente me levantar, mas os fantasmas da solidão me seguraram e tentaram me puxar para o fundo novamente.

I'm in search of the Lionheart
Nobody else
But the pure can save me
Drown Ulyssess
Drown here in the silence
Cause down to Hades I've gone
But i cannot get out

- VOCÊ FOI UM GRIFINÓRIA! VOCÊ É UM LUX! ENCONTRE O LEÃO EM VOCÊ, ENCONTRE SUA ENERGIA, A SUA FORÇA, O SEU VERDDEIRO SER, A SUA LUZ!! ACORDE GRIFFON, EU LHE ORDENO!

Papai gritou uma última vez e vi um imenso grifo a minha frente. Ele ocupava toda a minha visão e seu rosto se misturou ao rosto de um leão. O grifo-leão soltou um urro alto, misturado com um rugido e abri meus olhos. Eu estava de joelhos ao lado de meu pai e mais de 5 dementadores nos cercavam. Mas meu braço estava erguido e uma luz prateada saia de minha varinha. Olhei em volta e vi uma águia prateada voando de dementador em dementador bicando-os e atacando com as garras. Um grifo ficava próximo a mim, mas atacava com as garras e as asas, repelindo os dementadores. Reconheci-o como meu e me toquei que o tinha conjurado ao pensar que eu tinha amigos... Os dementadores fugiram assustados e ao mesmo tempo o dia voltou ao normal

- Os comensais devem tê-los mandado, vamos estamos perto agora. E viu como você é forte e não está sozinho? Eu já passei pelo mesmo que você...
- Passou? Sempre vi o senhor como inabalável, pelo menos até 2 semanas atrás.
- Eu sou inabalável quando tenho apoio, mas tem horas que o desespero me ataca... Venha.

Saímos do bosque e com certa surpresa vimos que estávamos na região de Stonehenge. Senti a raiva de papai crescer e o compreendia. Além de serem assassinos, eles tinham a coragem de profanar Stonehenge? Que seja então. Encontrarão o fim em lugar sagrado!

Avançamos com determinação pelos campos, mas não os vimos até a noite... Pois bem, em meio às trevas, levaremos trevas a eles... Enfrentarão um emissário das trevas e um emissário da luz.

N.A.: Lionheart, Blind Guardian.

Monday, July 16, 2007

Correio Coruja

Lembranças de Seth. K. C. Chronos

Antes do final do ano letivo, após a morte de Tio Kyle. Local: Beauxbatons

“Olá querida amiga,

Como está tudo por aí em Hogwarts? O Potter continua se achando o rei da escola, ou tomou alguma vergonha na cara? Sei que a escola não é mais a mesma coisa após a morte do Professor Dumbledore, o mundo bruxo perdeu alguém de extremo valor, e uma luz se apagou, aumentando as trevas do mundo...Mas essa carta não é para se falar de coisas obscuras...

Estou com saudades! Estou com tantas saudades de você que fico pensando em você quase o tempo todo. Meu pingente me lembra muito você, ainda mais que sei que você o adora...As vezes me pego olhando pra ele e me perguntando o que está fazendo aí.

Mil perdões por estar a meses sem mandar uma coruja sequer...Minha vida tem andado tão corrida por aqui...Tantas coisas tem acontecido juntas, então vou te contar resumidamente. A propósito, quero ver se meus pais me deixam voltar sozinho para a Inglaterra, e ficar na sede do clã. Já sei me virar e sou alguém de índole correta e responsável, sabem que podem confiar em mim morando sozinho, ao contrário de meu irmão...Você acredita que sou gêmeo dele? Mas o adoro mesmo assim...Voltando. Ai poderíamos matar um pouco a saudade! Que acha? Ou já não sente saudade de seu amigo? Se tudo estiver certo lhe aviso com antecedência.

Aquela minha maldição parece que se intensificou aqui. Para mim acho que é porque me aproximei mais das pessoas, e isso fez ele acordar mais do que o normal. Em Hogwarts sempre fui muito fechado e meus únicos amigos eram você e o Griffon, além do Biel que era meu conhecido, mas falávamo-nos pouco. Por falar nele, estou estudando com ele! Você o conhece também? Acho que sim, porque ele é muito amigo da Gina Weasley, por isso ele e o Potter brigaram aquela vez, pura ciúmes do Potter...Por que os separei?

Eu toda hora mudo de assunto! Mas você já está acostumada com isso, quando começo a me animar em falar, não paro mais, viu uma semelhança com o Griffon! Então como vinha dizendo. Aqui eu me aproximei mais das pessoas, fiz grandes amigos e quero muito que você os conhece, e você a eles! Tem o Ty, o Biel, a Miyako, o Ian, a Emily...Vou falar um pouco de cada um antes de contar mais do meu primeiro ano aqui.

O Ty é filho dos melhores amigos de meus pais, os Mcgregor. Uma família de muita força e fibra, que sempre ajudaram meu pai em muitas coisas, e são ótimas pessoas! Acho que já falei dos dois, são meus padrinhos. O Ty é muito parecido com o Griffon, é cheio de energia e vigor e adora aprontar e nunca está parado. Ele é capitão do time de quadribol da casa dele e muito inteligente...Ele tem uma meia-irmã, a Emily, que é nossa professora de Mitologia. Ela é uma ótima pessoa! Puxou do pai...Mas quem é doido por ela mesmo é o Griffon, que está apaixonado!! Hahahaha.

Aqui na Beauxbatons, me reaproximei do Gabriel e ficamos muito amigos. Ele e a Mi, são com quem mais me identifico. Ele por ser muito calmo e ela por pôr os freios no pessoal. A Mi é como chamamos a Miyako, é que o nome todo dela é muito complicado...Eles também são filhos de grandes amigos de meu pai, a Tia Yulli Hakuna e a Tia Louise Graham Storm e Tio Remo Lupin. A Miyako é adotada pela Tia Yulli, mas é igual a mãe adotiva! Os pais do Biel você já deve ter conhecido.

Deixei para falar separadamente do Ian, porque dele continua as minhas “aventuras”. Ele é mais velho do que eu, e a poucos dias ele se formou! Foi uma bonita cerimônia, mesmo cheia de tristeza...Ele é meio metido e arrogante às vezes, mas se ele gostar de você sabe ser uma pessoa maravilhosa. Eu e ele nos desentendemos nos últimos meses, chegamos a duelar feio no meio do corredor! Sim, eu me enfureci a ponto de duelar com ele e um amigo no meio do corredor da escola e se não fosse a Emily, teríamos nos matado! Modéstia a parte, levei a melhor! Hahahaha.

Brigamos porque ele me acusava de ser um assassino e seqüestrador, que atendia pela alcunha de Lobo. Tenho certeza que ouviu falar do caso, pois saiu no Profeta e no Pasquim também. Mas aqui tomou um rumo diferente. Ian e uns amigos decidiram fingir a existência de um Lobo na escola, mas um aluno levou a brincadeira a sério demais e passou a se fingir de Lobo, como eles. Ele seqüestrou alunos e cometeu assassinatos. E devido a minha maldição, a culpa recaiu sobre mim, principalmente para Ian e seus amigos. E teve um agravante. Em todas as aparições do Lobo, eu me encontrava no local, sentia e via as coisas que aconteceram. Eu cheguei a querer sair da escola, com medo de machucar meus amigos. Mas meu pai e Tio Kyle me convenceram de que eu não era o Lobo e fui treinar com papai.

Foi um treinamento difícil e perigoso também, participei até de uma caçada, onde ele me ensinou a ser um verdadeiro predador. Aprendi as Imperdoáveis, como usá-las, e como me preparar para elas...Papai me treinou para ser como ele, um caçador. Mas não apenas ele, mamãe, Tio Kyle, Tia Alex e até Tio Sergei também me treinaram, segundo papai, em momentos como os que estão por vir, predadores são necessários. Predadores que saibam como se alimentar do medo e da fraqueza dos inimigos, prontos para desferir um golpe, que deve ser mortal. Me sentiria mal em falar isso com qualquer outro, mas com você é diferente. Mas no meio do treinamento, eu me senti na pele do tal Lobo e papai me contou que eu sumi por alguns instantes...Então cada vez mais parecia que eu era o Lobo, principalmente para mim mesmo...

Por isso duelei com o Ian e o Bernard, chegando a fazer um duelo trouxa. Eles cismaram que eu era o Lobo, porque eu voltei à escola (por causa do treinamento, eu sai da escola por umas semanas) no dia em que a amiga deles foi seqüestrada e usaram o duelo para me provocar, me fazendo perder a cabeça...E nas semanas seguintes eu continuei a ver através da mente do Lobo, mas usando meu dom, que descobri se chamar Empatia, consegui invadir a mente do Lobo, e quase descobri quem era. Mas na Beauxbatons Oclumência é uma disciplina obrigatória e o Lobo era alguém forte demais para ser vencido por mim, mesmo tendo sido treinado como Leglimente.

Então, consegui novas habilidades! Eu agora consigo aparatar!! Não a longas distâncias, porque estou começando, mas vou fazer o exame dentro de uns dias, deseja-me sorte! Imagina só, posso aparatar em Hogsmead e ir matar as saudades! Fora isso aprendi as Imperdoáveis, aprendi Leglimencia e Oclumencia e o mais importante, aprendi a controlar o meu demônio! Estou tão feliz...

Mas no mesmo dia que encontraram o verdadeiro Lobo...Uma grande tragédia se abateu sobre a escola, minha família e nossos amigos, e para nós, para toda a comunidade bruxa. Os Comensais da Morte invadiram nossa escola e tentaram seqüestrar o Ty, mas papai, Tio Kyle e eu os alcançamos antes que deixassem os territórios do colégio. Queria que estivesse conosco para me ver lutando, e não se preocupe, você se sairia muito bem. Mas no meio da luta, uma comensal maldita apunhalou Tio Kyle pelas costas, e ele aparatou com o Ty ainda desacordado enquanto eu, papai e Tio Sergei dávamos cobertura. Porém já havia sido feito...Tio Kyle morreu assim que deixou o filho na escola. Ele apenas se despediu de Tia Alex por projeção e morreu...Eu nunca senti tanto ódio, mas também tanta dor...Além de perder meu padrinho, meu amigo e companheiro, senti as dores de uma escola inteira e isso me deixou fraco, quase de cama. Mas papai sentiu toda essa dor também e agüentou firme. Após o funeral de meu padrinho, eu cai de cama e agora por exemplo escrevo da enfermaria da Beauxbatons. Papai ainda no funeral saiu em caçada e levou meu irmão junto para treiná-lo. Nunca o vi com tanto ódio e tive até medo, mas sabia que ele era capaz de se controlar. Eles voltaram 2 semanas depois...E na mesma época o Profeta anunciou que 3 comensais haviam sido capturados, mas 2 deles haviam sido mortos em combate. Foram os comensais que ajudaram na cilada para Tio Kyle. Papai matou dois deles, e só não matou o último porque o Griffon conseguiu controlá-lo e fazer o comensal revelar dados secretos...

Chega de falar de mim e de falar de coisas tristes...Novamente me desculpa não ter te mandado notícias antes...E não se preocupe, agora estou bem melhor. Só com saudades de você, de nossas longas conversas sobre as matérias do Pasquim, sobre os rumos que o mundo da magia está tomando. Até dos momentos que me contava sobre a AD eu sinto falta. Você continua assistindo aula daquele metido? Se quiser peço a meu pai para lhe ensinar. Meus pais estão doidos para te rever também! Já ouviram eu falar muito de você...

Luna, querida amiga, me mande uma coruja também! E exijo que seja tão grande quanto essa carta. Por falar nisso, acho que já chega, já foi um rolo de pergaminho inteiro!! Mande um alô para seu pai e cuidado com os Nagaurés!

Beijos de seu amigo, que sente sua falta,

Seth, ou Kam.

PS.: Não se preocupe tá? Ninguém tira de você o lugar de melhor amiga...E sei que você sabe disso! ”

Enrolei o pergaminho e prendi a carta nas pernas de Toth, acariciando-a gentilmente, com a mente meio vaga ainda, relembrando de Luna.

- Vá rápido tudo bem? E tome cuidado. E dê a ela uma bicada simpática por mim.

Toth me bicou na mão levemente e alçou vôo pela manhã que começava...Se o tempo em Hogwarts estivesse bom, ela chegaria na hora do café da manhã, junto do correio coruja matinal, no antepenúltimo dia de aula...Espero que a Luna esteja bem,e que tenham parado com o apelido ridículo de Di-Lua... Que raiva que tenho dele! E queria saber por que sinto tanta falta...

Friday, July 13, 2007

A Final da Copa do Mundo

Por Gabriel e Ian

Ainda era muito cedo quando uma corneta passou fazendo arruaça na sala onde dormia, e não demorou para que eu descobrisse que eram os irmãos trouxas do Viera já se preparando para o jogo. Estávamos todos acampados na casa dele a quase uma semana, acompanhando os últimos jogos. Ainda não tinha contado a ninguém o que acontecera na Califórnia, nem mesmo a Mad. Não tinha necessidade, estavam todos felizes e empolgados com os jogos, que eram novidade para a maioria ali.

Eu estava ansioso com a partida. A final, por um acaso do destino, seria entre Brasil e França. E eu, entre mais de 15 pessoas na casa, era o único torcedor do Brasil. Mas apesar das provocações, não estava esquentando a cabeça com eles. Vesti o uniforme da seleção e quando faltavam 3 horas para o jogo começar, seguimos para o Stad de France. E obviamente, por ser minoria, fui obrigado a sentar no meio da torcida da França. Eu era o único ponto amarelo berrante no meio do mar azul que tomava conta do lado onde estávamos.

- Olha lá, as seleções estão entrando!! – Viera apontou empolgado para o campo
- FRANÇAAAAA! – Ian berrou ao meu lado, abraçado a Bernard e Dominique. O rosto deles estava todo pintado, metade azul e metade vermelha
- BRASIIIIL! – berrei tão alto quanto ele e eles pularam em cima de mim tentando abafar meus gritos de provocação

Depois de toda a cerimônia de hinos e apertos de mão, a partida teve início. Meu desespero estava começando e eu não fazia idéia. Depois de sofridos 27 minutos de jogo, Zidane marcou o primeiro gol para a França. A rede do Brasil balançou e senti várias mãos voando em cima de mim, me sacudindo com força.

- GABRIEL, VIU ISSO?? – Ian pulou em cima de mim outra vez
- CLARO, NÃO SOU CEGO! – falei revoltado, voltando a encarar o campo

Queria sentar para prestar mais atenção ao jogo, mas era impossível. Meus amigos faziam a maior algazarra do meu lado e fiquei de pé mesmo, sem nem piscar. O primeiro tempo estava quase acabando quando o estádio veio abaixo pela segunda vez: Zidane marcou o segundo gol da França.

- Zi, Zi, Zidaaaaaaaaane! – todo mundo gritava empolgado quando o arbitro encerrou o primeiro tempo
- 2 x 0, Gabriel!! – Samuel bagunçou meu cabelo e olhei para ele quase cuspindo fogo
- Deixa ele, Samuca, não provoca... – Mad sentou do meu lado e me deu um beijo, mas tava tão indignado pela seleção não estar jogando NADA que não reagi e ela não tentou mais falar comigo

O segundo tempo do jogo foi o mais longo de todos os que já assisti. O Brasil parecia com medo de partir pra cima da seleção ruim da França, e não foi surpresa alguma quando, já quase terminando a partida, Petit fechou o massacre marcando o terceiro gol da França. A torcida, que já comemorava a vitória, explodiu em gritos e entoavam a Marselhesa a plenos pulmões. Sentei na arquibancada completamente incrédulo e de cabeça baixa. Não tava nem triste com a derrota, tava era muito revoltado!

- ALLONS ENFANTS DE LA PATRIE, LE JOUR DE GLOIRE EST ARRIVÉ... – meus amigos pulavam e cantavam junto com o resto da torcida, todos já quase sem voz de tanto que gritavam. Olhei para eles saltando uns por cima dos outros radiantes, encarei o campo mais uma vez, onde a seleção francesa dava cambalhotas na grama e voltei a observar a festa nas arquibancadas. É, fazer o que... Eles nunca ganharam nada mesmo, só me restava engolir as piadas que estavam por vir...

*******

- FRANÇAIS, POUR NOUS, AH QUEL OUTRAGE! GABRIEL!! – Saltei por cima das cadeiras e cai por cima do Gabriel, a única pessoa sentada no estádio inteiro – Gostou do espetáculo?
- Preciso responder? – ele me encarou sério, mas depois riu – Tudo bem, vocês nunca ganharam uma copa, não tem graça o Brasil ganhar todas...
- Discurso de perdedor! – apertei a cabeça dele com os braços, quase o enforcando
- Ok, ok, a vitória foi merecida, já que o Brasil não jogou NADA – ele falou a ultima palavra tão alto que o cara pulando do lado dele se assustou
- Vamos embora, a festa vai continuar nas ruas!

Puxei-o pela camisa e saímos devagar do estádio, depois de ver a seleção recebendo a taça e as medalhas. As ruas de toda a França estavam tomadas por torcedores gritando enlouquecidos a conquista da primeira copa do mundo. A tinta do meu rosto começava a sair, mas não estava me importando, só queria comemorar. Viera e Dominique, que eram os mais fanáticos por serem trouxas de nascença, até choravam enquanto cantavam pelas ruas.

Já passava das 3 horas da manhã quando decidimos ir para casa dormir. Ou melhor, desmaiar. Gabriel já não estava mais ranzinza e aproveitou boa parte da bagunça com a gente, encarando numa boa as gozações. E nem tinha como ele não aturar, já que até a Maddy tirou uma casquinha e provocou ele um pouco. Quando chegamos de volta em casa, caímos nos colchões espalhados pela sala com as mesmas roupas que estávamos usando, ninguém tinha forças para tirar. E já tínhamos planos para o fim das férias: a Copa Mundial de Quadribol, que também seria sediada na França.

- Gabriel vai conosco também – falei quase sem forças – Afinal, ele precisa ver o Brasil perder para a França em esporte trouxa e bruxo
- Ta bom, vai esperando – ele respondeu também sem forças – Em Agosto a gente conversa!
- Allons enfants de la patriiiie
- Cala a boca, Samuel! – gritamos todos ao mesmo tempo e caímos na gargalhada, desmaiando quase que instantaneamente. Ganhar final de campeonato era muito cansativo...

Wednesday, July 11, 2007

- Seu trabalho está feito, pode receber a marca negra com louvor...

As palavras do Ty ainda me magoavam profundamente, mas optei por tentar esquecer. Fomos embora de Beauxbatons no mesmo dia que o Ty saiu da escola para cuidar do funeral do pai. Meu pai foi nos buscar porque havia sido chamado por Madame Maxime, ela achou que com os interrogatórios, era bom ter algum responsável por nós, por perto. Coitado, ficou extremamente constrangido quando contamos a ele sobre o que nossa mãe havia feito aos McGregor’s. Como já haviamos feito nossas provas de final de ano, pudemos antecipar nossas férias, e voltamos para casa mais cedo. Eu estava triste demais por causa de tudo e meus irmãos, estavam chateados comigo, por eu não haver contado nada a eles sobre nossa mãe. Lucien era o mais revoltado e estava fazendo uma greve de silêncio comigo, e Angelique estava triste por causa de Jean Savoy, que havia tomado as dores do Ty. Não podia culpá-los. Mas já estava cansada de carregar tanta culpa sozinha. Quem sabe em casa, as coisas começassem a melhorar.

-o-o-o-o-o-

Aluns dias depois tivemos a visita de uns aurores procurando minha mãe, e eles nos informaram que iriam vigiar nossa fazenda por um tempo, pois minha mãe podia aparecer pedindo ajuda. Claro que a pessoa que tinha este pensamento era o senhor Regalski, que antes da história do Lobo era arrogante, mas pelo jeito ele havia sido promovido, e fazia questão de alardear isso e intimidando os mais novos que estavam com ele. Eu entrei em casa e ele estava intimidando meu pai e meus irmãos:
-..Falem logo, ou usaremos métodos de interrogatório mais severos...
- O senhor não pode fazer isso. Já fomos interrogados pelo seu pessoal, e não descobriram nada.- respondi farta daquelas maneiras rudes.
- Mas sua mãe deve vir pedir ajuda a vocês, e duvido que vocês não a ajudem novamente, fizeram isso por anos. Vou obrigá-los a tomar Veritasserum e acabaremos logo com isso..
- Você vai deixá-los em paz, Regalski. – olhei apra a porta e era o senhor Menken, padrinho do Ty, olhando friamente para o outro auror. Um dos novatos pareceu soltar o ar, aliviado.
- Isso é investigação do meu departamento Menken, você não tem jurisdição aqui. – disse o pai do Dave contrariado.
- Então leia a carta do Ministro Berbennot, passando o comando desta investigação a mim. Se não gostar, poderá reclamar com ele. Metade do pessoal fica comigo.
O senhor Regalski não gostou muito de ser desafiado e guardou nas vestes o frasco com a poção clara como água e após olhar para nós com desperezo, saiu porta afora, seguido por alguns que ele chamou o nome. O padrinho do Ty após cumprimentar os outros, assumiu um tom profissional e começou a falar com papai.
- Peço desculpas senhor Montpellier, mas a morte de um dos nossos mexe com os ânimos do departamento.- e após meu pai assentir ele disse:
- O senhor já foi informado que se colaborar com sua esposa, poderá responder a processo como cúmplice e...
- Eu não vou ajuda-la, ela prejudicou aos nossos filhos, e por isso não farei nada por ela, já estavamos tratando do nosso divórcio quando tudo isso aconteceu.- e pela primeira vez vi meu pai falar com rancor de minha mãe e ficamos chocados ao descobrir que eles iriam se separar.
Mais tarde, papai veio conversar conosco e se explicar. Disse que eles haviam decidido se separar quando ela reencontrou os amigos e que ele havia pedido a ela que esperasse a nossa volta para casa, para conversar conosco.
Claro que ela teve pressa, em se livrar do casamento com um trouxa e não passar vergonha perante os amigos comensais dela. (pensei).
- E eu? O que o senhor quer que eu faça? Quer que eu vá embora como ela?- perguntei incerta.
- Como assim?
- O senhor sabe que não sou sua filha não é? Que não tenho o seu sangue, portanto não tem nenhuma obrigação comigo e eu posso ser um fardo...-e pela segunda vez naquele dia vi papai irritado:
- Você acredita mesmo não ser minha filha? Acredita que um filho só é nosso quando tem o mesmo sangue? Você é tão minha filha quanto Angelique e Lucien. Levantei para cuidar de você quando ficava com febre, da mesma forma que fiz com eles, observei seu primeiro dente cair, fui eu que limpei seus joelhos quando deu os primeiros passos e perdeu o equilíbrio, era a mim que você chamava a noite quando tinha medo do bicho papão, então não venha me dizer que não é minha filha. Ser pai é mais do que ter o mesmo sangue, é criar com amor e isso mocinha, eu tenho em partes iguais pelos meus três filhos. Acho que sempre demonstrei meu amor por você...
- Sim, demonstrou papai. Mas... Lucien está tão zangado porque eu não falei nada... E Angelique... Talvez seja melhor para eles me ver longe...
- Olha aqui maninha, não pense que você vai se livrar de nós assim tão fácil ok? Se o Jean se atrever a terminar comigo por causa do que houve, é porque ele não me merece. E entre ele e você, eu escolho você. – disse decidida e rimos, e meu irmão rompeu o silêncio:
- Fiquei zangado porque você não confiou em nós, ficou carregando este fardo sozinha, mas irmãos são como eu: ficam de bico á toa não é? Desculpe. – e meus irmãos me abraçaram e juntos, nós quatro descobrimos que independente do que Cibelle Lestrange, ex- Montpellier havia feito, ela não havia conseguido: destruir nossa família.
-o-o-o-o-o
- Você vai comer de novo Rory? Nunca vi você gostar tanto de picles. Aliás você sempre odiou picles.- dizia Angelique enquanto colocava as cartas do correio coruja na minha frente.
- Pois é, não entendo o que eu tinha contra estas delicias. - e peguei mais um picles do vidro e um envelope pardo com um lacre azul com uma estrela em relevo atraiu minha atenção. Meu queixo caiu, enquanto lia a carta:

"Cara senhorita Montpellier,
Gostariamos de convida-la a fazer parte do nosso corpo discente, uma vez que seus artigos para o Le Sourcier, foram muito apreciados por nossos professores responsáveis pelo jornal da nossa escola.
Sabemos que é uma aluna exemplar, e nossa grade curricular é semelhante á da Academia de Magia de Beauxbatons, portanto se quiser tiver interesse em efetuar sua transferência, ficariamos muito felizes em tê-la conosco. Caso tenha interesse em fazer-nos uma visita, entre em contato conosco para providenciarmos transporte e acomodações.

Escola de Magia do Texas
Paige Lee Warrick Carter
Diretora"

Mostrei a carta ao meu pai e ele achou uma ótima oportunidade para conhecer um outro país com segurança e nos afastarmos um pouco dos problemas dos últimos tempos e acabou me convencendo a aproveitar a oportunidade oferecida, disse que na pior das hipóteses eu poderia dizer não ao convite da senhora Carter, e vi que ele tinha razão. Enviei minha resposta e dali alguns dias as passagens de avião chegaram junto com instruções sobre como chegar até a escola texana e sobre o que levar. Isso me deu a desculpa perfeita para não ter que explicar a toda hora porque às vezes eu ficava sozinha no meu quarto. Ficava pensando se devia ou não escrever uma carta ao Ty.
Não era para ser, era o que eu sempre pensava e desistia, mas porque ainda doía tanto?

Wednesday, July 04, 2007

'A juventude, ainda que ninguém a combata, acha em si mesma seu próprio inimigo'

Willian Shakespeare


As férias de verão haviam finalmente começado, e da pior maneira possível. Passar pelo enterro do Michel, do tio Kyle e da tia Megan foi uma das piores coisas que já fiz. Ty e tia Alex estavam péssimos e nada animava meu amigo, e tio Scott havia se trancado em casa e não saia mais. Nem as tentativas da mamãe e do tio Ben de tirá-lo do quarto surtiam efeito, era como se nada mais tivesse importância para ele.

Mad estava em uma viagem com a mãe dela, algo que elas tinham planejado há anos para quando ela se formasse, e querendo me tirar de casa para que eu me distraísse um pouco, mamãe me convenceu a aceitar o convite de Micah e passar alguns dias em sua casa, em Los Angeles.

Alguns dos amigos que fiz na nova escola, Evan, Josh, Shannon e Sean, também moravam em Los Angeles, e numa tarde a toa no píer da cidade, fomos pegos de surpresa com a chegada de um menino de 6 anos, chorando muito. Era Connor, irmão de Micah.

- Connor, o que aconteceu? – Micah pulou de volta para o píer assustado
- Ryan aconteceu, e você sabe muito bem disso! – Josh respondeu pelo garoto
- Ele fez alguma coisa com você, Connor? – Micah encarou o irmão e ele afirmou com a cabeça – Droga!
- Você tem que fazer alguma coisa, Micah! – vi Josh pressionar o amigo – Isso não pode continuar, faça alguma coisa!
- O que você quer que eu faça, Connor?

O garoto ficou em silencio por um momento, ainda secando as lágrimas, e encarou o irmão abandonando a expressão de choro no rosto.

- Quero que você de um susto nele, faça com que ele seja humilhado.
- Isso aí garoto! – Josh sacudiu Connor rindo
- Ok então, que seja. Mas vou precisar contar com a ajuda de vocês – Micah olhou para mim, Sean, Evan e Shannon ainda sentados no píer e concordamos com a cabeça.
- Vamos ensinar ao gorducho quem manda aqui... – Josh se apoiou no ombro de Micah rindo e ele acabou rindo também

ººº

Acordei cedo no sábado com o barulho que vinha do quintal. Cheguei na janela ainda de pijama para encontrar Micah e Josh atirando coisas dentro de um carro, parecendo dispostos. Connor estava sentado na calçada observando a movimentação com curiosidade.

- Bom dia, bela adormecida! – Micah falou vendo que estava acordado – Esteja pronto em 15 minutos, estamos de saída!
- De saída para onde?
- Como pra onde? – Josh falou agora – É hoje que vamos ensinar uma lição ao gordo, esqueceu? Os outros chegam em 10 minutos, vá se trocar logo!

Só depois que Josh lembrou, foi que me dei conta do que íamos fazer. Micah e ele haviam bolado um plano bem simples, mas que com certeza deixaria o garoto na pior das situações: a humilhação publica. Micah foi até a casa de Ryan, convidando-o para um passeio de barco por Fall Creek Lake, com a desculpa de que era aniversário de Evan e ele estava convidando os amigos de infância para passarem a tarde juntos.

Todos eles cresceram juntos em Los Angeles, se conhecem desde que estavam no Jardim da Infância, mas com o tempo, apenas Ryan se afastou. Ele sempre foi o gordo da turma que queria se encaixar no grupo, só que para isso ele se fazia de valentão e sempre bateu nos mais fracos, como forma de mostrar que era legal. Mas parecia que os garotos estavam cheios da valentia dele.

Em uma viagem de uma hora de carro, chegamos ao lago. Josh veio puxando o barco no carro do seu padrasto e todos foram espremidos com ele. Estava tudo pronto para começarmos a descer o rio, estavam todos sentados esperando, quando Shannon abordou Micah e eu, que estávamos mais afastados.

- Connor me contou o plano todo, vocês não vão fazer isso, não é?
- Ele merece, Shan – Micah respondeu sem olhar para a amiga
- Roubar suas roupas e jogar ele no rio para deixá-lo voltar pelado não é o certo a se fazer, você sabe disso.
- O que quer que eu faça? Já está tudo pronto, não posso desistir agora!
- Pode sim, fale com Josh. É muita maldade o que vocês querem fazer, ele só quer ser da turma.
- Ela tem razão, Micah... – falei apoiando Shannon
- Ok, tudo bem, vou avisar ao Josh que o plano foi cancelado. Mas ainda vamos descer o rio, ou ele vai desconfiar.

Shannon voltou para o barco e fomos até Josh, que desamarrava a corda da árvore. Micah foi direto ao assunto dizendo que o plano havia sido cancelado, mas não quis explicar o porquê. E a reação de Josh foi a que eu já esperava.

- Não, não vou deixá-lo desistir! Aquele balofo bate no seu irmão e você quer desistir?? Seu fracote!
- Ele só quer se encaixar, Josh. Nós nos afastamos dele, éramos amigos quando crianças.
- Ele quis assim, quando começou a se aproveitar do fato que sempre foi maior e nos espancar.
- O plano está cancelado, nós não vamos mais fazer isso, assunto encerrado. Agora vamos logo, quero voltar antes de escurecer.

Micah voltou para o barco sem deixar Josh responder e fiquei ajudando-o a desamarrar a corda para sairmos com o barco. E pela expressão no rosto dele, Micah não havia o convencido a dar para trás assim tão fácil...

ººº

- Ok, Josh, verdade ou desafio?

A viagem corria tranqüila, já estávamos descendo o rio há mais de uma hora e todos estavam se divertindo. Ao menos na medida do possível, claro. Ryan era realmente chato, e passou o tempo inteiro provocando a gente. Inventou apelidos, caçoou, jogou água, mas estávamos mantendo a calma. Até Josh parecia ter se conformado em desistir da vingança e, já cansados de remar, paramos no meio do lago para descansar. Evan sugeriu que brincássemos de Verdade ou Desafio e todos toparam, menos Shannon, dizendo dizia que sempre alguém saia machucado dessas brincadeiras. Era a vez se Sean perguntar.

- Verdade.

Sean hesitou em fazer a pergunta, como se esperasse que ele escolhesse desafio, e Micah cochichou alguma coisa em seu ouvido. Sean riu e encarou Josh.

- Você já traiu sua namorada alguma vez? – e todos no barco riram
- Não, eu amo a minha namorada e não vejo razão para trair ela. – ele respondeu encerrando os risos
- Se o Santo Josh está dizendo, quem somos nós para contestar! – Ryan falou debochado e todos riram outra vez.
- Ok, minha vez – Josh sorriu forçado para Ryan e se virou para Micah – Micah, verdade ou desafio?
- Verdade
- O que viemos fazer hoje no lago?

O barco inteiro caiu em silencio, todos olhando para Micah. Ele encarava Josh sério, e graças às minhas aulas de legilimência, sabia que ele estava se controlando para não bater no amigo. Josh estava de pé na ponta do barco e mantinha os braços cruzados, claramente se divertindo com o impasse do amigo em cumprir as regras do jogo e ser sincero.

- Viemos passar uma tarde juntos, por causa do aniversário do Evan – Micah enfim respondeu, e optou por mentir.
- Ele está mentindo, trapaceou no jogo, Micah.
- Cala a boca, Josh – Evan alertou o amigo
- O que viemos fazer aqui, Micah? – Ryan perguntou – Seu papai não lhe ensinou que é feio mentir? O papai do Josh pelo visto ensinou que sim
- Não fala do meu pai, seu balofo! – Josh falou entre dentes para Ryan
- Calma, não falei nada demais!
- Você se acha engraçado, não é? Pois eu o desafio a pular nesse lago, sem roupa! Vamos, pule, mostre que é valentão!
- Ei cara, calma, eu não escolhi desafio. Quero verdade, ok?
- Josh, calma – Micah levantou e se pôs entre os dois
- Anda logo Micah, você ainda não contou a verdade! – Josh berrava fora de controle
- Calma pessoal, assim o barco vai virar! – levantei também e fiquei ao lado de Micah para tentar separa-los
- Nós chamamos você para o passeio para lhe pregarmos uma peça, mas eu mudei de idéia antes de sairmos com o barco – Micah virou para Ryan e contou a verdade
- Então isso tudo era um teatro? – ele falou parecendo ofendido
- Isso mesmo, gorducho! Nós não te convidamos porque gostamos de você. Você só esta aqui porque deu uma surra em Connor e queríamos vingar ele!
- Isso é verdade, Connor? – e o menino confirmou com a cabeça
- Já chega Josh! – Micah gritou com ele e o empurrou para a outra ponta do barco
- Vocês são patéticos... Um bando de garotos que se acham descolados, mas que não passam de um bando de idiotas! Micah é um órfão imbecil, que nem os pais quiseram; Evan uma bicha magricela, com seus papais dançarinos bichas também; Sean se acha inteligente, mas não é nada mais que um ignorante; e você Josh? Sabe, antes não entendi porque ficou tão irritado quando mencionei seu pai, mas acho que agora lembro de minha mãe ter me contado... Ele se matou, não foi? Estourou os miolos com uma arma, não agüentou a vadia da sua mãe traindo ele, não agüentou os filhos imprestáveis, e preferiu se matar... Você é tão patético quanto ele!
- CALA A BOCA SEU IMBECIL!

Não deu tempo de fazer nada. Um segundo depois, Josh já estava com as mãos no pescoço de Ryan e tentava enforcá-lo. Agarrei-o pelas costas e com a ajuda de Evan tentava afasta-lo de Ryan, mas ele era muito forte. Shannon pegou Connor e correu para a ponta do barco, e Micah e Sean estavam entre os dois tentando apartar a briga. Ryan era mais forte que todos juntos e Micah não estava conseguindo aparta-los, e acabou o empurrando para trás. Ryan se desequilibrou com o empurrou e tropeçou no banco do barco, caindo no lago.

A correnteza estava forte e logo Ryan fora levado para longe do barco. E também, logo ficou evidente que ele não sabia nadar. Micah foi o primeiro a se jogar na água e nadar até ele, sendo seguido por mim e Evan, que pulamos atrás dele. Nadar a favor da correnteza era fácil e rápido, mas com a mesma rapidez que nos movíamos Ryan também era levado por ela. Micah finalmente o alcançou e o ajudamos a puxá-lo até a beira do lago, às margens de uma floresta. Os outros chegaram com o barco logo depois e Shannon, que queria ser medibruxa, correu para socorrê-lo, mas já era tarde demais. Ryan já não estava mais respirando.

Tuesday, July 03, 2007

Mudar para crescer.

Isn't it strange?
The way things can change
Life that you lead turned on its head
Suddenly someone means more than you felt before
House in its yard turns into hope

Alguns dias haviam se passado e o funeral de meu pai e de tia Megan, parecia algo tão distante, como se houvesse sido um delírio coletivo e agora as coisas começavam a voltar ao ritmo "normal".
-Você devia vir conosco, mudar de ares... A Mad ia gostar de te ver lá..O Ian também. - insistiu Gabriel.
-E o pessoal do time, está doido para conversar com você sobre novas táticas para o ano que vem. Claro que já avisei que não tenham muitas esperanças, a próxima taça é da Nox, mas eles dizem que você é o capitão deles e vai fazer estrago, há-há, só quero ver. Vem com a gente? – pediu mais uma vez Miyako.
- Não posso, não agora. Minha mãe está resolvendo as coisas no Ministério, sabem...a papelada dele, também está acertando a ida dela para a Academia de Aurores, e a Emily precisou voltar para a escola, e já que estou de férias quero ficar com a mamãe o máximo possível. – respirei fundo e disse:
- Obrigado por tudo. Sem o apoio de vocês, eu não teria conseguido passar por isso, sem pirar.
- Sabe que pode contar com a gente, não sabe? Agora mais do que nunca.- disse Gabriel sério.
- E que se quiser ir lá pra casa, basta chegar com a mala. Mamãe vai liberar o disk comida sem restrição. - disse Miyako e acabei rindo.
- Sim, eu sei, e mais uma vez: obrigado.- e nos abraçamos apertado, em despedida. Eles iriam assistir a formatura de nossos amigos em Beauxbatons e eu não tinha motivo algum para festejar. Mesmo a alegria pela conquista da Copa de Quadribol, estava tão longe agora.

I'm sorry but I meant to say
Many things along the way
This one's for you
Have I told you I ache?
Have I told you I ache?
Have I told you I ache
For you?

Ouvi uma batida na porta e aguardei...
Era meu tio Dylan entrando no meu quarto e trazia uma bandeja de comida nas mãos, comecei a ensaiar uma desculpa quando ele disse:
- Resolvi jantar com você, já que você anda evitando os seus primos e sua mãe está evitando a todos nós. Claro que com sua tia Patrícia se lamuriando até eu estou evitando jantar na mesma mesa que ela. E não me diga que não quer comer os bolinhos de canela recheados que sua avó preparou, ela disse que você está magro demais, então por favor: coma um pouco, nem que seja só para agradá-la.
Acabei sentando-me com ele e começamos a comer, tio Dylan começou a relembrar de férias de infância e contou coisas engraçadas que havia passado com meu pai e meu tio Ian. Achei que o clima iria ficar ruim, mas me enganei: eu já conseguia falar de papai, sem começar a chorar e isso parecia bom.
- Ty... Tenho uma coisa a perguntar a você.
- O que é?
- Você já pensou em estudar em Durmstrang?- e ante minha negativa, ele começou a me falar sobre a escola, suas disciplinas, e sobre coisas que havia conversado com meu pai, algum tempo antes dele morrer, dali o assunto foi para antigas tradições de família que eu desconhecia. Ao final de nossa conversa, eu já pensava em como comunicar aos meus amigos que eu iria embora de Beauxbatons. Mas antes eu teria que passar pela aprovação de minha mãe.

The time that it took
Riding wiles for my book
Seems to have broken in half
The gate that I shutLast time I got hurt
Seems to have opened
So
All the world has been uknown
It's trying to catch me up
Tell me to appreciate here and now

- Mas eu quero ir estudar em Durmstrang mamãe. Vai ser bom para mim.
- Porque isso Ty?
- Acho que lá eu posso melhorar como jogador de quadribol, que é o meu objetivo e seria apenas por este ano.
- Você não está fazendo isso, para fugir não é?
- Não tenho motivos para fugir de nada... Ou de ninguém. - comecei a ficar irritado.
- Eu vi o jeito que você olhou para trás quando saímos de Beauxbatons. Esperava que ela viesse atrás de você não é?
-Não, eu não esperava nada dela... Não mais.
- A Rory não teve culpa de nada Ty. Se ela soubesse como tudo aconteceu, talvez...
- Ela fez a escolha dela, que foi proteger a mãe. Você permite que eu vá para lá?- tentei mudar de assunto.
- Isso é o que mais te machuca não é? Não ter sido a primeira escolha dela. – fiquei calado e desviei os olhos, após alguns segundos vendo que eu não falaria mais nada mamãe disse:
- Ty, lá você estará num ambiente completamente diferente do que está acostumado, só tenho medo de que você não se adapte. Vai estar longe dos seus amigos, é sempre bom ter algum colega por perto.
- Mãe, acho que depois das coisas que passei, consigo encarar a cara feia de alunos mal-humorados com um novato na boa, e vocês me ensinaram a me virar em emergências. Vai ser bom para mim este tempo longe. E lá não deve ser tão ruim, assim, se o Riven conseguiu ficar lá, eu também fico. E o tio Sergei sempre aparece por lá, não há com o que se preocupar.
- O Riven não teve opção, pois não recebeu cartas de escolas diferentes como você. (ela pensou um pouco e disse): -Está bem Ty, eu permito que você vá. Mas ao primeiro sinal de problemas eu te trago de volta, mesmo que você não queira. Te garanto que nem mesmo seus apelos irão me convencer do contrário. Estamos de acordo?- sorri afirmativamente e ela me abraçou. Ficamos um tempo abraçados, e eu perguntei olhando nos olhos dela:
- Você vai ficar bem?
- A gente se adapta a tudo não é? Até as coisas ruins, então eu ficarei bem. Bom... Agora vamos começar a tratar de sua transferência e vamos fazer algo que estou precisando: Compras! - e pela primeira vez em vários dias vi minha mãe saindo do meu quarto um pouco mais animada para ir chamar minhas primas e tias. Percebi tarde demais que as compras tomariam o dia todo, mas se isso a deixasse um pouco mais aliviada, eu encararia numa boa. Voltei para a janela do meu quarto e olhei para Loch Ness, que trazia a superfície calma e disse baixo:
- Prometo fazer o que for preciso para alcançar nosso objetivo em Durmstrang, papai!

All the world has been uknown
It's trying to catch me up
Tell me to appreciate here and now
I'm sorry but I meant to say
Many things along the way
This one's for you
Have I told you I ache
For you?

Nota da autora: Ache, James Carrington

Monday, July 02, 2007

Valhalla e o Demônio de Niffleim

Lembranças de Griffon F. C. Chronos

Tudo parecia tão vazio, tão diferente, tão negro e triste...
Foi como se eu tivesse perdido uma parte de mim, e não fui apenas eu que me senti assim.
Seth que sempre sentia as dores e a tristeza do ar, mal conseguia falar, de tanta pressão da dor que ele sentia. Ele se sentia enjoado e desamparado.
Eu? Parecia que nunca mais voltaria a ser feliz... Tentava a todo custo me animar e animar os outros a minha volta, pois sempre fui o palhaço e nos momentos mais dramáticos e tristes eu tentava animar a todos. Mas não conseguia sequer me animar, sequer esquecer a dor...
Tio Kyle era nosso padrinho. O melhor amigo de meu pai e um auror de valor e poderoso. De boa índole, forte, corajoso e acima de tudo, amigo. Esteve ao lado de papai nos momentos mais difíceis de sua vida, acima como esteve do lado do Seth, quando até mesmo ele próprio duvidava de si.
E agora ele partia... Assassinado em combate para proteger uma das coisas mais importantes a sua vida: seu filho... O Ty parecia o mais entristecido e revoltado de todos. Ele se sentia culpado por ter deixado ser capturado, o que provocou a morte de seu pai. Eu e o Seth tentamos animá-lo, assim como a Miyako, Gabriel e os outros, mas nada parecia adiantar.

SC: Papai me contou... O Tio Kyle já sabia o que podia acontecer... meu próprio pai já tinha lhe avisado sobre o perigo. Para falar a verdade, desde a época de escola seu pai sabia que morreria por alguém muito importante para ele.
GC: Mas mesmo assim ele nunca ligou para isso, para ele seria melhor que ele morresse que aqueles que ele ama. Vamos Ty, não queremos te ver triste, nem mesmo seu pai gostaria, ele brigaria conosco por não te animar!
TM: De que mudaria eu estar feliz? Isso não o traria de volta... E era típico do meu pai, ser orgulhoso e teimoso... Ele deveria ter ouvido o Tio Alucard...
MH: Mesmo se ele tivesse ouvido, acho que certas coisas não podem ser mudadas... Vamos Ty está na hora...
Íamos para o funeral do Tio Kyle que seria como todos os funerais da família Mcgregor, a devolução do corpo ao lago... Tia Alex tremia enquanto lançava a tocha para a pira funerária enquanto o barco deslizava suavemente para o meio do lago, onde foi levado para o seu fundo, como se alguém o chamasse. Não pude deixar de pensar que Tio Kyle se assemelhava ao nosso Rei Arthur, cuja poderosa Excalibur e corpo jazem no fundo dos domínios da Dama do Lago. E era uma comparação perfeita, pois Tio Kyle merecia as honras de um rei...
Papai estava totalmente transtornado. Eu nunca o vira assim, mesmo quando saíamos em alguma missão do clã, ou quando Dumbledore foi assassinado, nunca o vi assim... Seus olhos estavam constantemente vermelhos, e eu não sabia se eram de dor, sofrimento, lágrimas ou de puro ódio e de seu poder vampírico. Mas ele não mexeu um músculo enquanto não deu o último adeus para seu grande amigo. Assim que viu o barco funerário afundar ele virou-se de costas e saiu da beira do lago. Eu e Seth o seguimos meio que por instinto e senti a aprovação de mamãe, que ficou um pouco atrás apenas para explicar-se mentalmente com Tia Alex. Papai pisava com força e eu sentia no ar as ondas de fúria e dor vindas dele. No meio do bosque da margem do lago, em uma clareira, ele parou e com os olhos vermelhos e banhados de sangue, com as pressas à mostra, ele urrou de dor, um lamento tão forte e poderoso como o ribombar de um trovão. Eu sabia que ele estava prestes a perder o controle, mas sabia que ele não nos machucaria, mas não pude me segurar e me encolhi tamanho o susto. Até o Seth se encolheu com o urro e apenas mamãe continou imóvel e avançou para ele. Ela o abraçou e o acalentou em seu peito enquanto meu pai ainda soluçava de dor e sofrimento.
MC: Meu querido acalme-se... Sinto a sua dor e a mesma que você. O Kyle era importante para todos nós. Sei o que está pensando, sei o que sente em seu coração.
AC: Ele foi um dos primeiros a me aceitar, a estar ao meu lado. Ele me amparou quando fui amaldiçoado, me protegeu quando perdi o controle, me perdoou quando o ataquei em minha loucura, como ninguém mais faria. E agora ele se foi, assassinado! E eu não pude fazer nada! – papai chorava e minha mãe também chorava, nunca os havia visto assim. Eu e Seth nos aproximamos devagar e papai nos abraçou e ficamos abraçados por alguns minutos.
Depois de um tempo, ele se soltou lentamente e beijou mamãe cheio de amor, virou-se para eu e meu irmão e nos abraçou com força. Me senti mal, como se ele se despedisse, mas sabia que ele sempre voltaria. Ele virou as costas e sumiu no ar.
MC: Siga-o Griffon. Ele não sabe o que está fazendo. Aconteceu a mesma coisa quando seus avós morreram, ele enlouqueceu e caçou os assassinos até massacrá-los. E agora fará o mesmo. Ele precisa de você para protegê-lo, pois nesse estado ele não conhece limites.
SC: Eu vou também!
MC: Não vai não, Seth Kamui. Você está fraco e sem condições de seguir seu pai agora. Pensa que não sei? Você e seu pai estão sofrendo em dobro, absorvendo todas as dores dos outros, sentindo-as em vocês próprios. Você mal tem forças para ficar acordado direito. Griffon você é o escolhido para cuidar de seu pai. Não irei com ele, pois ele não quer que eu veja o massacre que ele vai fazer... Mas você ele aceitará e sei que você está preparado.
GC: Eu iria mesmo que não me pedisse mamãe. Eu vou protegê-lo a qualquer custo.
MC: Esse é meu menino. Concentre-se e não se esqueça do que lhe ensinei para poder ajudar seu pai, e não machucá-lo. – Ela me beijou na testa e me deu um empurrão de incentivo.
Sai correndo atrás de papai e meu poder me fez com que eu fosse mais rápido que o normal, mas não achava que ia alcançá-lo. Mas para minha surpresa, papai estava parado no alto de uma árvore, perto da casa do lago. Fez sinal para que eu me aproximasse e pulei para a árvore também. Ele estava com os cabelos desgrenhados, os olhos vermelhos, as pressas à mostra, um verdadeiro demônio vindo de Niffleim, o Reino Gelado, pronto para a guerra. Achei que ele poderia me atacar sem piedade, mas ele nunca faria isso a mim.
AC: Eu sabia que sua mãe lhe mandaria me seguir e não a culpo. Nesse estado eu perco o controle... Por enquanto consigo me controlar um pouco, mas na hora da caçada não terei controle. Você sabe se defender de mim, sabe como me repelir se necessário, sabe como me ajudar e como defender a mim do monstro que eu possuo. Obrigado filho. – Ele me abraçou e sentia a força injetada em seu sangue. – Mas você também tem aqueles importantes para você. Sua Tia Alex já sabia que eu perderia o controle e aprova sua vinda para me proteger... Mas e a Senhorita McGregor? Imagino que queria se despedir. Vá eu lhe esperarei na saída da aldeia.
Dizendo isso ele desapareceu no ar e eu tomei coragem para saltar da árvore. Procurei a entrada da casa e para minha sorte (posso ser alegre e cara de pau, mas certas coisas prefiro falar a sós...) a casa estava vazia e apenas ela estava no quarto. Notei que chorava, e muito. Ela parecia em transe enquanto olhava para o nada. Quando entrei no quarto, ela pareceu mal me notar até que fiquei a poucos passos dela e falei mirando suas costas.
GC: Professora Emily... – Ela se assustou um pouco, mas com uma pontada de felicidade vi que ela se alegrou e se acalmou ao me ver.
EM: Griffon! Que bom vê-lo... Queria mesmo ver alguém importante para... – Ela parou antes, como se a conduta de uma professora a impedisse de continuar, mas posso jurar que a ouvi falar "importante para mim". – E não me chame de professora... Já lhe pedi diversas vezes. – Ela ralhou comigo como sempre fazia, porém com menos energia e alegria. Ela ainda tinha algumas lágrimas em seu rosto e não pude resistir. Aproximei-me e as enxuguei com um lenço.
GC: Desculpe-me o abuso... Emily por favor não chore. Não sabe o quanto dói te ver triste... Sei o quanto é dura a perda do Tio Kyle. Ele também era muito importante para mim. – Parei de falar quando ela começou a soluçar e me senti triste também, sentindo algumas lágrimas escorrendo pela minha face, mas me controlei para o bem dela.
EM: Quando eu finalmente o reencontro e começo a me dar bem com o Ty... Ele é tirado assim de mim, de nós, de forma tão inescrupulosa! Já sinto falta dele!!
GC: Todos já sentimos... Mas tenho certeza que ele não ficaria feliz em nos ver assim e nesse momento está em Valhalla, como um guerreiro orgulhoso e poderoso como sempre o foi. Ao lado de seus ancestrais guerreiros, velando por nós, e orgulhoso de sua filha, quase uma valkyria. Sim eu presto atenção nas suas aulas e não quero perder uma ótima professora! – E um amor. - pensei enquanto a via soltando um pequeno sorriso.
EM: Sim, você é um ótimo aluno, uma ótima pessoa... Obrigada Griffon...Onde você está indo?
Não esperava a pergunta e tentava reunir forças para me despedir. Mas ela pareceu ler meus pensamentos e senti que se preocupava. Eu desviei o olhar com medo de chorar, mas tentei manter a voz calma.
GC: Emily, meu pai quer vingança. E vou com ele. Ele precisa que eu o ajude e eu também anseio por vingança.
Ela voltou a chorar e em um impulso se jogou em meus braços me abraçando com força. Ela soluçava, e pela primeira vez notei que eu era mais alto que ela, enquanto ela soluçava em meu peito.
EM: Não! Não quero perder outra pessoa importante pra mim! Já não basta meu pai? Não permitirei!!
Senti uma onda de alegria imensa e agradeci a todos os Deuses por ela estar ali abraçada a mim dizendo que eu era importante. Uma parte de mim tentou dizer que era como amigo ou como aluno, mas uma grande parte de mim parecia enxergar a verdade e ver que era de outro modo. Ela me abraçou com mais força e me senti tentado a beijá-la. Mas não me aproveitaria assim da situação. Afaguei seus cabelos e a acalmei lentamente enquanto a afastava de mim:
GC: Emily, eu volto, eu prometo a você. Meu pai está me esperando... Se me abraçar de novo, posso não resistir.
EM: Você é mesmo um cavalheiro, um legítimo lorde inglês. Por que a cada dia e coisa que você faz eu te admiro mais? Deixe-me ir com vocês ao menos!
GC: Não, não posso! Não quero que veja as coisas que meu pai, e até eu possa fazer... E precisam de você em Beauxbatons. O Ty, a Tia Alex, o Seth, precisam de você...
EM: Mas você também precisa...
GC: O que quero é que esteja bem e nunca permitiria que saísse nessa missão que é quase suicida... Eu preciso ir. Eu lhe prometo que voltarei.
Ela parecia que ia chorar de novo, mas como uma guerreira ela se controlou e me abraçou como se concedesse sua benção. Ela me beijou no rosto e me viu sair pela janela, voando pela noite lançando um último olhar para ela... Ainda podia a ouvir falando:
EM: Cuidado Griffon, volte são e salvo ou não irei lhe perdoar nunca meu... – a última palavra se perdeu no vento, mas eu me sentia alegre só de pensar no que poderia ser...

Sunday, July 01, 2007

SB: Hum... Uma cerveja amanteigada até que cairia bem agora.

Anne que estava parada diante da mesa de bebidas pensando no que iria pegar, se virou assustada quando ouviu minha voz atrás dela. Peguei duas garrafas de cerveja amanteigada e a ofereci uma.

AR: Não. Obrigada. Estava em dúvida entre whisky de fogo e soda com xarope de cereja e gelo.
SB: Ambas me parecem muito boas...
AR: É. Mas acho que vou ficar com a soda! – disse se servindo. Tomou um gole e então olhou para mim interessada. - Desistiu de subir no palco e cantar com “Os Duendeiros” também? Para quem já subiu uma vez hoje... Uma segunda vez não seria o problema, seria?
SB: Não, não seria realmente. Mas não pretendo ampliar meus dotes musicais de tal maneira. Deixo-os reservados aos banhos...

Ela sorriu e saímos caminhando até os jardins. Ali fora parecia incrivelmente vazio e tranqüilo, o que era de se esperar, por que grande parte dos convidados da festa se encontrava no Salão Principal. Nos sentamos em um pufe e Anne levantou os olhos para a lua.

AR: Semana agitada essa... Pelo menos está terminando bem melhor do que começou. – ela continuava olhando para o céu.
SB: É. Uma sorte.

Ela percebeu que eu estava a olhando e rindo e desviou os olhos do céu para me olhar.

AR: O que foi?
SB: Nada. Só estava te olhando. – bebi mais um gole de cerveja amanteigada. Ela riu.
AR: Você tem sérios problemas, Samuel. Sérios!
SB: De fato tenho. O pior e mais complicado deles é ser apaixonado por você e ter a sensação de que nem te conheço.
AR: Realmente esse é um problema grave...
SB: Como vou conquistar uma pessoa se nem ao menos sei de que flor ela gosta, que músicas ela ouve?
AR: Adoro os lírios, e ao contrário do que pode parecer, odeio músicas melosas e sentimentais. Os Duendeiros, As Esquisitonas... Adoro todos esses!
SB: É nessas horas que eu adoraria ter um diário para anotar essas coisas. Soda com xarope, lírios... Você é realmente diferente! – Anne sorriu.
AR: Quando eu era criança, conheci um grupo de amigos, e para nos conhecermos mais depressa, cada um deles tinha direito a fazer uma pergunta, qualquer que fosse ela, e eu tinha que responder. E depois, eu perguntava. Estou disposta a responder o que você quiser, se você também estiver...
SB: Então pode começar a preparar suas respostas!

...

AR: Inverno ou verão?
SB: Inverno. Prefiro passar frio. Rosa ou azul?
AR: Azul. Doce ou salgado?
SB: Depende. Mochila ou bolsa?
AR: Mochila, definitivamente. Dia ou noite?
SB: Depende também.
AR: Assim não vale Samuel! Você não está colaborando! – Anne virou o segundo copo de soda e riu me dando um tapa.
SB: Você queria o que? Eu sou indeciso, já te disse isso mais de uma vez hoje!
AR: E eu sou impaciente! Vamos mudar o jogo! Daqui a pouco você me pergunta até a cor da minha escova de dente.
SB: Ok. Me deixa propor o jogo dessa vez? – ela me olhou indecisa e então concordou. – Chama-se pêra, uva, maçã, ou salada mista... Escolhe um!

Ela levantou a sobrancelha para mim e então começou a rir novamente. Entrei na dança e ficamos os dois rindo.

AR: Péssimo esse jogo!
SB: Você ainda não fez sua escolha...
AR: Tenho mesmo que fazer?
SB: Depois de me fazer responder se preferia grande ou pequeno??? Sim, você definitivamente tem que escolher!
AR: Ok então...

Ela parou e ficou me olhando. Provavelmente pensando qual das opções eu merecia. Depois de um minuto pensando, ela me deu um beijo jogando as mãos para trás do meu pescoço. A abracei pela cintura e quando ela me soltou, continuei a abraçando. Ela sorriu.

AR: Escolhi.
SB: Uhum... Acho que a melhor escolha que você já fez na vida!
AR: É, quem sabe.
SB: Então eu te conquistei?
AR: Depende... – ela falou pensativa – Acho que se não conquistou, está no caminho certo...
SB: Namoro ou amizade?
AR: Namoro! – dizendo isso, sorri e a beijei novamente.

°°°
Beauxbatons desapareceu de vista à medida que o barco avançava pelo rio. Anne estava sentada ao meu lado e apertou minha mão a me ver pensativo. Me virei para ela.

AR: Não está triste, está?
SB: Não. Estou com medo de deixar essa vida para trás.

Ela sorriu e encostou a cabeça no meu ombro. Estava sendo sincero. Sentia meu estômago embrulhar só de pensar que daqui em diante tudo seria diferente. Cada um de nós seguiria seu próprio caminho. Claro que seríamos amigos sempre, mas tudo iria mudar.

SB: Comprei um presente pra você...

Anne levantou a cabeça me olhando curiosa. Um sorriso divertido no rosto.

AR: O aniversário é seu, não temos nem um dia de namoro ainda, e você já me comprou um presente? Começamos bem!

Eu ri e a entreguei uma corrente de prata com um pingente em forma de goles. Coloquei em seu pescoço.

SB: Por causa de uma goles eu conheci você, certo? E todas as vezes que lançar uma goles, daqui pra frente vou me lembrar de você, ou seja, todos os dias! Então esse é para você se lembrar de mim também. Nada mais justo!

Ela concordou com a cabeça sorrindo e me deu um beijo. O barco ancorou.

OV: Se esperam que eu faça um discurso de despedida, desistam! Vamos nos ver de novo em alguns dias... – Viera falou arrancando risada de todos.
IL: Ah, vamos descer desse barco de uma vez! Sem choros nem velas! – Ian disse decidido segurando a mão de Marie e puxando a fila.

Sem lágrimas e nem adeus, viramos mais uma página de nossas vidas que a partir daquele momento prometia ser muito diferente, mas muito melhor vivida!

°°°
Sem mais enrolação, Samuel se despede de Beauxbatons aqui. Mas ainda tem muitas coisas para contar. Então futuras brincadeiras idiotas e relatos, no seguinte endereço: http://www.no-underage-wizard.blogspot.com/. Bye!

Move your body like a hairy troll
Learn' to rock and roll
Spin around like a crazy elf
dancin' by himself

Do The Hippogriff


Depois da apresentação da peça, que foi um sucesso, os Duendeiros voltaram a tocar. Ainda estávamos todos empolgados por termos conseguido ir até o fim com todos aqueles diálogos imensos e pulávamos no meio da multidão, sem aparentar sinal de que cansaríamos tão cedo. Empurramos Gabriel para o palco, ele jogou uma conversa fiada no tio e cerca de cinco minutos depois, Benjamin O’Shea apareceu com um microfone na mão, cantando ‘Do The Hippogriff’. Para quem é fã, ver o ídolo cantar na sua frente até meia música já é bom, imagina um inteira!

Gabriel voltou para o meio do nosso grupo e girou Mad no ritmo da musica, animado de ter convencido o tio a cantar com a banda. Dominique passou correndo do meu lado e quando olhei, ele estava em cima do palco pulando feito um macaco. Benjamin O’Shea começou a rir e passou um microfone pra ele, que cantou quase a música inteira junto deles. Nossa turma ria e gritava fazendo palhaçada para Dominique, e quando a música estava quase no fim, ele devolveu o microfone e se atirou do palco por cima da gente. Por sorte já esperávamos que ele fosse fazer algo do tipo, e o agarramos no ar! Fomos passando Dominique de mão em mão até que não tivesse mais quem segurar e ele voltou ao chão, correndo na nossa direção gritando empolgado.

- Eu cantei com os Duendeiros, eu cantei com os Duendeiros!! – ele repetia feito uma criança
- Sim, nós vimos! – falei rindo – E a escola toda também viu!
- Eu cantei com os Duendeiros!! – Dominique agarrou Isa pela mão e saiu girando ela feito um pião pelo salão, dançando uma valsa em ritmo de rock. Dava pra ver que ela tentava acompanhar ele, mas as risadas atrapalhavam bastante
- Acho que vou pegar alguma coisa pra beber, minha garganta está seca de tanto gritar – Bernard falou alisando a garganta e resolvemos acompanhá-lo

Algumas famílias começavam a ir embora e ocupamos uma das mesas vazias, enquanto Samuel, Bernard e Viera vinham trazendo várias canecas da recém liberada cerveja amanteigada para todo mundo. Dominique e Isa, um pouco tonta, se juntaram ao grupo na mesa e ficamos conversando durante bastante tempo. Percebi que aquela seria a última vez, por um bom tempo, que estaríamos todos juntos em volta de uma mesa batendo papo, sem preocupações. Cada um falou um pouco dos planos para Setembro, quando todos começariam a trabalhar, e reforçamos os planos para as férias. Viera lembrou que a Copa do Mundo trouxa já estava quase no fim, e que seu pai estava tentando conseguir ingressos para assistirmos a alguns jogos da França. Todos confirmaram presença na casa dele e os Duendeiros começaram a tocar uma seqüência de musicas mais lentas.

- Me daria à honra desta dança, doce donzela? – estendi a mão para Marie e ela segurou sorrindo
- Com muito gosto, meu belo cavalheiro...

Conduzi Marie para o meio da pista e ela envolveu os braços em torno do meu pescoço, encostando o rosto no meu. Meus amigos foram levantando aos poucos e seguindo nosso exemplo, e logo a pista estava cheia outra vez. Dançamos naquele ritmo lento por um tempo, quando entre uma volta e outra, meus olhos pararam na mesa da família Lestel. Marie me encarou confusa quando parei de dançar.
- O que aconteceu?
- Marie, será que você se incomodaria se eu convidasse outra pessoa para dançar um pouco?

Os olhos dela acompanharam os meus e quando viu para onde eu olhava, voltou me encarar sorrindo.

- Claro que não, fique à vontade
- Eu te amo! - dei um beijo demorado nela e corri até o outro lado do salão – Será que eu poderia ter a honra de dançar uma música com você?

Amélia ergueu os olhos assustada e eu estava parado na frente dela, a mão estendida esperando que ela a pegasse. Ela olhou para os lados para ter certeza de que eu falava com ela e abriu um sorriso, segurando minha mão. A mãe de Bernard sorriu para mim quando Amélia finalmente levantou da mesa e a levei para o meio da pista.

Enquanto dançava com ela as músicas lentas da banda, vi meu avô passar dançando com Marie e piscar para mim. Ela parecia estar se divertindo dançando com o velho Renoir, acho que perdi meu par para o coroa. Vovô era muito animado, e girava Marie pelo salão como se estivesse em um musical do Gene Kelly. Logo arrastei Amélia para perto deles e imitávamos os dois. Eu fazia os passos antigos do vovô e rodava ela pra lá e pra cá, enquanto Marie e Amélia riam. Não tinha a mesma técnica do meu avô, mas até que não me sai mal. Vovô abraçou uma das árvores da decoração fingindo ser um poste e imitou um filme velho que ele é fã, e fiz o mesmo. As meninas já não tinham mais forças para dançar de tanto que estavam rindo. Beijei a mão de Amélia, vovô repetiu o gesto com Marie, e destrocamos os pares.

A seqüência lenta chegou ao fim e eles voltaram a tocar musicas agitadas. Bernard fez sinal para nos juntarmos a eles outra vez e corremos para perto do palco. Já estávamos todos sem sapatos e com metade da roupa medieval largadas pelas mesas das nossas famílias. Dominique tinha um canivete na mão e terminava de raspar alguma coisa em uma estátua de madeira do fundador da escola que devia ter, no mínimo, 800 anos! Quando ele terminou, me entregou o canivete e pude ver o que ele fazia.

- Vamos, deixem seus nomes ai também!
- Maxime vai ficar uma arara quando perceber que gravamos nossas iniciais nessa peça de museu... PORÉM, ela não pode mais nos dar detenção!

Procurei um espaço vazio perto do nariz do bruxo que fundou Beauxbatons e marquei com IL. Entreguei o canivete a Marie e ela deixou sua marca também. Viera e Manu voltaram correndo com várias taças de abóboras espumantes em duas bandejas e cada um pegou uma. Bernard ergueu a dele primeiro.

- À melhor turma de Beauxbatons, e que as amizades feitas aqui durem para a vida toda!

Todos ergueram as taças junto à dele para selar o brinde e viramos a bebida de uma só vez. Aquela era a única certeza que tínhamos, de que manteríamos as amizades aqui feitas. E agora era mais do que oficial: estávamos enfim, livres.

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E sendo assim, encerro aqui a participação desse personagem que entrou para o blog há dois anos atrás como um moleque inconseqüente e travesso, e que sai hoje ainda como um garoto travesso, mas mais responsável e com um jeito diferente de encarar a realidade, que não é sempre fácil como ele imaginava =)