Thursday, January 11, 2007

Saga da Alemanha

- SAMUEL STARDUST, você desobedeceu a minha ordem de permanecer nas festas de fim de ano no castelo para ir nessa viagem irresponsável??? É muito bom para a sua saúde, que você não me volte da Alemanha casado, e nem pai de algum bastardo, estamos entendidos? E ouse me pedir ajuda de qualquer tipo, para bancar essa viagem! Ouse! Já que foi sem minha permissão, volte por sua conta, e se mantenha, igualmente... Conversaremos assim que o ano letivo recomeçar, esteja avisado!

O berrador se desfez na minha mão em mil pedacinhos, mas já não me importava mais, estávamos indo para a Alemanha e nossa viagem sairia perfeita!!!

°°°

BL: Eu nunca dormi com uma garota!

A afirmação de Bernard caiu como uma bomba de bosta no centro do círculo. O silêncio era quase sepulcral, cortado apenas pela música que vinha do fundo do barco, onde as meninas dançavam e cantavam felizes. Viera, quebrando a falta de assunto e ação, levantou o copo e deu um longo gole, sorrindo depois e lançando um olhar para a Manuela. Ian, sorrindo também, deu um gole no seu copo. Olhei para Dominique esperando uma reação, mas ele mantinha os olhos fixos no copo, quase ameaçadoramente, e eu olhei para o meu próprio em dúvida.

Para ser sincero, eu já tinha me perguntado isso algumas vezes, mas nunca tinha conseguido uma resposta exata. A noite no México, que me casei por engano, e acordei do lado da Letícia quase sem roupa, ela com o vestido do avesso, e nós dois abraçados, realmente muito próximos um do outro. Mas isso indicava uma certeza? Nenhum dos dois se lembrava!
Depois desse turbilhão de lembranças me invadindo em segundos, decidi beber, porque ia de acordo com o que eu acreditava ter de fato acontecido...

°°°

Estávamos sentados em um pub de Berlim e a primeira rodada de chopp chegou à mesa. O copo era imenso! Duvidava que alguém conseguisse beber mais do que um daquele sem sair tombado. Isa estava ao meu lado, e com as duas mãos, agarrou o copo e virou quase metade de um gole só. Olhei chocado pra ela, que virou pra me olhar, passando levemente a língua na boca pra limpar a espuma.

SB: Isa, você está bem?
IM: Uhum...

Tomei um gole do meu copo, e Isa virou a outra metade. Ela se levantou de repente e antes que pudesse começar a andar, caiu sentada na cadeira, zonza.

SB: Ei, quantos copos você tomou hoje?
IM: Três... Eu to bem Samuca, é só uma tonteira...

Ela se levantou de novo e saiu andando torta pelo mar de pessoas. Olhei ao redor e ninguém parecia estar reparando no que estava acontecendo, então, levantei e sai atrás dela. Vi-a sair pra fora do bar e a segui... Ela foi subindo a rua, andando quase sem equilíbrio algum, até parar em uma praça e se jogar no primeiro banco, olhando a fonte de água em frente. Recolheu um pouco de neve com as mãos e fez uma bola, lançando pra dentro da água. Devagar, cheguei perto dela e sentei ao lado, em silêncio, enquanto ela lançava mais uma bola de neve na fonte...

IM: Eu já disse que estou bem, não disse? Você não precisava ter me seguido, eu já ia voltar...
SB: Não sei do que você está falando. Não estava te seguindo não, sabe? Estava louco de vontade de vir aqui lançar umas bolas de neve na fonte! Encontrar você foi acidente!

Disse, recolhendo um pouco de neve e formando uma bola grande, lançando em cheio no lago. Ela parou de enrolar mais uma bola e me olhou, começando a rir, mas com uma expressão desanimada.

SB: Vai parar de tentar congelar a fonte e me contar o que está acontecendo com você?
IM: É, acho que sim... Todo bêbado precisa de um poste velho pra conversar mesmo. Já que meu poste é você, não vejo outra saída. – ela lançou a bola na fonte e suspirou. – Eu acho que tenho algum problema sério. Acho que a Anabel tem razão...
SB: Hum, razão sobre?
IM: Sobre mim! Sobre o meu jeito de ser! Eu sempre fui assim, desde os 8 anos de idade, quando ganhei o concurso de miss primavera infantil, na festa de independência dos Estados Unidos!
SB: Não sabia que você era o tipo de bêbada que entrava na sessão nostalgia... Mas, continua, ainda não captei o que você está querendo dizer...
IM: E então, eu era fascinada com isso. Compras, moda, beleza, saúde, estética, estilo... Você me conhece, não é? Eu adoro fazer compras, adoro mudar o cabelo! Mas eu não sou daquele tipo mesquinha, fresca! Sou?
SB: Quem mata um baratão daquele sozinha, fresca? Ah, não é mesmo!
IM: Você está levando na brincadeira, não é? – quase chorando.

Olhei para ela sério, e segurei o ombro dela forte, pra fazê-la olhar pra mim.

SB: Presta atenção, Isa. Cada um tem seu jeito de ser... Se você gosta de comprar e de estar sempre no estilo, é o seu jeito. Você não é mesquinha. Você não é fresca. Nunca vi uma menina jogar quadribol como você! Você é linda, por dentro, por fora, em todos os aspectos!
IM: Então porque nenhum garoto gosta de mim, como deveria? Quando ando com homem, são amigos, e só amigos! Até a Anabel, que mal sabe combinar um par de meias, e tinha um amor platônico por um fantasma, até ela está com alguém que gosta dela!
SB: E você já parou para reparar no Bernard? Ele é exatamente perfeito para a Bel! Ele é tudo que ela gosta, e tudo que falta nela! Entende? Eu também estou solteiro, eu também não achei alguém perfeito pra mim! Mas quando eu achar, essa menina vai ter que ser muito paciente pra aturar minha teimosia, minhas brincadeiras idiotas, e todos os meus outros defeitos, e sabe por quê? Porque a gente não deve mudar nosso jeito de ser pra conquistar ninguém, porque isso fica falso!

Ela olhou pro chão quase a beira de lágrimas, e então, começou a rir de novo, dessa vez, descontroladamente. Eu fiquei sem entender nada, só observando.

IM: Não vou contar isso pra ninguém ta? Já era a sua reputação! Você está falando como um terapeuta!

Comecei a rir e dei um encostão nela, olhando para a praça de novo.

IM: Obrigada... Acho que agora eu entendi! E também, se aquela idiota conseguiu...
SB: De que idiota estamos falando? Trocando gentilezas com a Bel?
IM: Não, a Bel é um doce! Estamos falando da... – ela engoliu em seco - Nicole.
SB: Hum, Nicole, filha da Milenna, namorada do Rubens?
IM: É...
SB: E porque a frase desse jeito? “Se até ela...”?

Ela ficou séria de novo, e tudo ficou claro pra mim.

SB: Isa, você gosta do Rubens??? – ela não respondeu, e resolvi me apropriar do ditado “quem cala, consente”.
IM: Eu vou desistir, eu tenho que fazer isso... Quem sabe seja platônico como o da Bel pelo Nick quase-sem-cabeça...
SB: Eu não sei o que dizer. Não esperava isso.

Ficamos em silêncio de novo e ela levantou, me olhando.

IM: Melhor voltarmos, ou daqui a pouco começam a sentir nossa falta e acionam a polícia do país inteiro. – disse rindo, fazendo referência ao “caso Dominique”. Levantei ainda em choque e segui-a até a frente do pub em silêncio. – Obrigada, de verdade... Por ter me escutado, e falado todas aquelas coisas, e não ter me deixado sozinha!
SB: Isa, a minha viagem pro México me ensinou muitas coisas! Uma delas, e a mais importante é: nunca deixe um bêbado andar sozinho! A última e única vez que fiz isso, acabei me casando com uma estranha! – ela riu alto, e sem falarmos mais nada, entramos e nos juntamos aos outros que já entornavam mais copadas de cerveja alemã.

°°°

IL: Ótimo, realmente ótimo! O QUE NÓS VAMOS FAZER AGORA, ALGUÉM PODE ME DAR UMA LUZ? – Ian estava com a cara vermelha e bufava.
BL: Antes de tudo? Vamos nos acalmar e encarar a situação como ela é...
IM: A única situação que eu tenho para encarar é que afundamos um barco, pedimos carona, fomos assaltados, roubaram todas as minhas roupas e o meu dinheiro, e o de todos nós, e que estamos no meio de uma rodovia alemã sem lenço e sem documento! Entendi bem? – Isa falou com a voz tremendo. Não sei se estava tremendo de raiva, de tristeza, ou de desespero.
SB: Acho que devíamos procurar um posto policial e dar queixa do assalto.
IL: Tudo o que eu mais preciso nesse momento é ir parar em uma delegacia trouxa!
SB: Se você tiver uma idéia melhor do que essa, fale, porque estou congelando de frio e essa rodovia está praticamente deserta...

Ian me olhou atravessado, mas eu realmente estava tentando manter o controle. Viera e Manuela estavam abraçados tentando se esquentar. Bernard estava sentando no chão com a Bel em silêncio. Isa andava de um lado para o outro enquanto Marie e Dominique tentavam fazê-la ficar calma. Ian olhou ao redor, e de volta para mim, e concordou com a cabeça.

IL: Espero que você saiba aonde tem um posto policial...
SB: Passamos por um, dez minutos antes de sermos desfalcados! Vamos andando...

Depois de uma extrema caminhada, finalmente avistamos o posto policial. Só tinha um único guarda na cabine, e batemos no vidro para ele abrir e nos deixar falar. De início, ele olhou desconfiado, até com um pouco de medo, mas depois de percorrer o olhar por nossos rostos, abriu o vidro confuso.

- Pois não?

Eu e Ian começamos a contar a história toda em detalhes, e o policial fazia notas em um bloco de folhas. Foi o começo de um longo dia que vinha pela frente...

***
NA: Esse texto NÃO é continuação do texto da Isabel! O recorte final se "encaixa" com o dela, mas só!

Desfazendo nós

Do diário de Rory Montpellier

Apesar do clima de medo que ronda o nosso mundo, as festas de final de ano em minha casa foram especiais. Meu pai havia arrumado uma maneira de obter lucro com a nossa pequena fazenda e com isso as coisas melhoravam. Mamãe, contra a sua vontade, havia ido a uma médica trouxa e ela lhe receitara medicamentos que a fizeram melhorar. Com o kit de poções que ganhei de papai fiz algumas poções revigorantes para ela. E no dia de Natal, papai, todo feliz havia enchido nossas meias com presentes, e até pudemos ver um sorriso de mamãe.
Estávamos á mesa quando uma enorme coruja castanha avermelhada com um pacote e um pergaminho presos á pata, bateu na janela tentando entrar. Reconheci a letra na carta e fiquei vermelha, pois meus pais olhavam indagadores para mim, enquanto Lucien perguntava com ar maroto:
- É de alguém importante mana?
- É do Ty.
Minha mãe ficou me encarando por um tempo, e papai após limpar a garganta segurando o riso, disse:
- Então libere logo a ave, meu bem. Vá ver o que você ganhou do seu amigo.
Dei um pedaço de maçã para a ave comer e subi ao meu quarto. Quando abri o pacote do Ty, não contive o grito de surpresa, pois era um lindo par de luvas de couro de dragão, porém a coisa mais bonita que havia ganhado era a carta dele, dizendo que estava com saudades.

Mais tarde naquela noite...
- Não esperava isso de você Rory.
- Não esperava o que mamãe?- fingi não entender.
- Ora, não queira bancar a espertinha comigo. Quando você iria contar que estava namorando o filho dos McGregors?- arregalei o olho.
- É, sua irmã me contou toda feliz que você estava namorando o filho daquele assassino. Como pode trair ao seu pai assim?
- Como posso trair alguém que nem conheço? Nem o nome dele eu sei... E meu pai é quem me criou, me amou...
- Raoul Lestrange. Este é o nome do SEU pai. O sangue é o elo mais forte que se pode ter com alguém. Amor? (disse com asco)... O que é que você sabe sobre isso?
-Estou seguindo meu coração e ele me diz que o Ty não tem nada a ver com o passado. Aliás, nenhum de nós dois tem. Deixe o Ty fora disso, o que está feito está feito, acabou. - não sabia de onde vinha àquela minha “valentia”. Sabia que devia confrontar minha mãe de uma vez e acabar com esta história ridícula de vingança.
Ela me olhou por um longo tempo e cheguei a achar que fosse me agredir, mas aquela fúria nos olhos foi substituída por algo indecifrável. Ela suspirou.
- Onde eu estava com a cabeça em envolver você nisso? Você tem razão quando diz que o passado não vai voltar, mas é que eu senti tanta falta de seu pai nestes anos todos, que acabei ficando cega, e não aproveitei as graças que recebi. Perdoe-me filha. - e começou a chorar baixinho. Fiquei com remorso, aproximei-me dela e a abracei.
- Mamãe, vamos seguir em frente ok? Podemos ser todos felizes aqui... Tudo está melhorando.
- Sim, querida, vamos ser todos felizes. - senti-me aliviada por ela finalmente entender que eu nunca iria fazer nada para magoar o Ty.

- Quem quer ir até Paris amanha?- papai perguntou todo contente, na hora do jantar.
- O que você vai fazer lá papai?- perguntou Angelique.
- Tenho que visitar alguns clientes, e pensei que vocês talvez se interessassem em passear por lá, talvez revir seus amigos. Iremos amanhã cedo e voltaremos ao final do dia. Então se quiserem revê-los, apressem-se.
Angelique e eu corremos a enviar corujas para o Ty e o Jean.
No dia seguinte saímos cedo e nossa mãe disse que ficaria em casa descansando. Papai ficou preocupado e ainda quis desistir de ir, mas ela insistiu. Viajamos de carro até Paris e papai foi nos contando que seus clientes são donos de restaurantes que apreciam produtos orgânicos. Tinha sido idéia de uma amiga e não deu mais detalhes.
Que isto seria uma nova moda, entre os trouxas que queriam se manter saudáveis e que com isso, a fazenda começara a prosperar. Havíamos combinado com Ty e Jean na Place de La Concorde e não demorou muito Ty chegou junto com algumas pessoas. Eram seus primos: Riven, Declan, Mary e Amber. Jean e Desireé Savoy e decidimos ir até o shopping e passar o dia lá.
Os primos dele eram muito legais e Lucien que ficava vermelho a cada vez que Amber ou Mary falavam com ele, voltou animado com ideias que elas deram para os artigos dele no jornal. Teve uma hora que Ty olhou de um jeito estranho para trás e segurou a varinha, achei que ele tivesse visto alguma coisa, mas ele descartou a idéia dizendo que não era nada. Despedimos-nos ao final do dia, já fazendo planos para nossa volta á escola.
Foi um ótimo dia.

Wednesday, January 10, 2007

There, and back again... [Parte I]

Do diário de Isa McCallister

Depois de assistirmos de camarote o náufrago do Poseidon II, unimos toda nossa criatividade para pensarmos em um meio de voltarmos pra casa. Pensamos em vassouras, chaves de portal, pó de flú em lareiras trouxas, tapete mágico, legiões de botes amarelos, avião, e corremos atrás de uma passagem de trem, mas a última hipótese foi pedir carona na beira da estrada, onde tudo aconteceu... Ou melhor: onde tudo o que faltava acontecer, aconteceu!

°°°

BM: Nunca pensei que fosse sugerir isso, mas porque não vamos de avião?

Bel perguntou incerta, mas nem cheguei a ter esperança. Nas últimas horas, estava tudo indo tão mal, que duvido que tivesse esperanças de voltar pra Paris de novo. Antes que algum deles se empolgasse inocentemente com essa possibilidade, decidi descartá-la.

IM: Impossível... A não ser que todos vocês tenham passaportes em mãos.

Eles me olharam torto, como se eu fosse um tipo de destruidora de sonhos, mas naquele momento, juro, só estava tentando ser realista, e quem sabe assim encontrar alguma válvula de escape. Bernard sugeriu o trem, e até pensei que podia dar certo, até...

- Lamento muito senhor, mas os trens para Paris foram cancelados.
IL: O que você quer dizer com cancelados?
- O último partiu há duas horas. Os trilhos para lá estão muito velhos, sofrerão alteração a partir de amanhã. Creio que em 20 dias, teremos outros trens para lá, se já quiserem deixar reservada alguma cabine especial...
DC: Se em 20 dias eu ainda não tiver em Paris, daqui não saio mais e tenho dito!

Eu já estava conformada de ligar para meu pai, ou para minha mãe. Se ela desse um jeito de aparatar, ótimo. Eu realmente tinha isso em mente, era meu último plano de fuga, quando uma mente brilhante disse...

- Vamos pegar carona! A estrada daqui a Paris deve ser bastante movimentada! Não é possível que não tenha alguém indo para Paris!

Com todas as idéias sendo vetadas, e todos exaustos de não pensarem em nada melhor, concordamos que a carona não poderia ser tão ruim... Céus, eu concordando que uma carona de beira de estrada para outro PAÍS não seria tão ruim assim? Onde eu estava com a cabeça? Eu estava esperando o quê? Pegar carona com um ônibus de luxo vazio? Bom, isso não importa agora! Não adianta chorar pela poção derramada. O fato é que juntamos nossas coisas e fomos para a beira de estrada pedir carona.

Não me lembro bem quantas horas ficamos sentados no encostamento esticando os braços sempre que víamos um farol, mas o fato é que depois de um longo tempo de espera, um carro parou. Um carro não, uma caminhonete. Foi como um daqueles momentos mágicos! Era uma daquelas caminhonetes antigas. Na cabine, só um rapaz, sorridente e simpático. Ele disse que estava indo para Paris ver a família, e que podíamos subir na carroceria.

Ta, não era um avião, nem um ônibus confortável... Na verdade, perdia de muito para o trem de Hogwarts, mas só a sensação de alívio de finalmente estarmos indo para casa, foi boa demais para me incomodar com luxo! Marie e eu nos esprememos na cabine com Clinton, o motorista, o resto foi na carroceria, com as malas.

Alias, me deixa fazer um aparte... Mesmo antes de entrar, não aprovei em nada o jeito que ele olhava para a Marie. Um olhar diferente, não de um conquistador, mas de um psicopata. Merlin, eu realmente fiquei com medo daquele olhar, fato que me fez comentar com o Samuel sobre isso...

IM: Não sei se devemos confiar nele! Ele está encarando a Marie de uma maneira obsessiva.
SB: Isa, você só precisa de um banho e dormir um pouco! Estamos todos cansados, e só o Clinton nos deu essa chance! O cara é legal!
IM: Samuca, eu conheço olhares assim... Já passei na frente de muitas construções trouxas cheias de operários. Eu realmente sei como eles encaram obsessivamente. Acho que é melhor, hm...
SB: Não temos outra opção melhor, temos? O jeito é confiar nele... E, ah, nem fala isso pro Ian! Você sabe, é a Marie... – Samuel riu e pulou na carroceria.

Um pouco contrariada, entrei depois da Marie na cabine, e Clinton seguiu estrada...

°°°

Estava escurecendo quando ouvimos um barulho do motor. O carro foi perdendo a velocidade gradativamente, obrigando Clinton a entrar no encostamento novamente. A caminhonete parou, e uma fumaça começou a sair do capô.

OV: Ei, Isa, o que aconteceu? – Viera gritou da carroceria. Virei pra trás balançando o ombro. Clinton falou um palavrão baixo e deu um soco no volante.
- Acho que o motor fundiu.
ML: E o que quer dizer isso, exatamente?
- Quer dizer que vamos ter que ficar parados aqui um tempo, até eu conseguir arrumar. Ei, pessoal, melhor descerem da carroceria e esticarem as pernas, pode demorar!

Bernard foi o primeiro a descer e ajudar a Bel. Viera fez o mesmo com a Manu. Samuel, Ian e Dominique saltaram sem cerimônias. Marie e eu nos entreolhamos em dúvida, mas achamos melhor descermos também, enquanto Clinton examinava o motor com uma vareta.

A conversa estava animada, acho que estávamos empolgados de estarmos quase na metade do caminho para Paris, que nem estávamos nos importando mais de ficarmos parados um tempo. A conversa estava tão divertida e alta, que nem mesmo notamos o que aconteceu em seguida a tempo de evitar!

Clinton fechou o motor, entrou na cabine, ligou a caminhonete, e Ian só deu um grito para ele esperar quando ele já tinha alcançado a estrada e acabado de sumir na curva.
Ficamos parados em choque encarando a curva vazia. O “cara legal” tinha acabado de nos assaltar sutilmente e ido embora com todas as nossas coisas! Com todas as minhas malas!

°°°

- Mas o que vocês estão me contando não faz sentido algum! Deixa ver se entendi direito... Vocês vieram de barco, certo?
BL: Certo, era o barco da minha família. Mas na festa de Reveillon, acidentalmente, com fogos, ele naufragou.
- Então, vocês não tendo mais como voltar para Paris decidiram pedir carona. Certo?
IL: Certo, certo! – Ian falou cansado do lenga-lenga.
- E foram assaltados pelo homem que deu carona para vocês?
IM: É isso aí! Quer que eu desenhe? – falei irritada. O delegado me olhou cético e depois, voltou sua atenção para o pedaço de papel que Dominique o entregara no começo da denúncia, com a placa da caminhonete. – Bom, suponho que eu não possa fazer muita coisa por vocês.
DC: E você narrou nossa história quinze vezes a troco de nada?
- Posso mandar a polícia rodoviária barrar ele em algum ponto à frente, caso ele continue a estrada...
OV: Já é alguma coisa.
- E entraremos em contato com os pais de vocês, então, mandaremos vocês pra casa com viaturas da polícia...
SB, IL, BL: NÃO!

É, foi mais ou menos assim que a “viagem perfeita” terminou...

((continua))

Monday, January 08, 2007

Você pensa que cachaça é água? Cachaça não é água não!

Da falha memória de Gabriel Graham Storm

Depois de passar o Natal no frio da Suécia, voltamos ao Brasil para passar o Reveillon. Estávamos em Búzios, na casa de praia da minha mãe e do meu padrinho, e meus primos Theo e Shane tinham vindo também. Era a ultima semana de férias e hoje a noite seria minha primeira saída à noite sem minha mãe atrás. Eram quase 20hs quando meus primos e eu saímos de casa e nos reunimos com meus amigos de infância do condomínio de Búzios, saindo em direção à Rua das Pedras.

A gangue já estava toda reunida na entrada do condomínio nos esperando e nosso destino era a praça da cidade, onde toda a movimentação acontecia. Várias barraquinhas vendendo caipifruta de todos os sabores possíveis e imagináveis estavam montadas por toda a extensão da praça e paramos em uma delas, nos acomodando. E foi aí que tudo começou a desandar.

- Vamos fazer uma disputa, quem consegue beber mais sabores em uma hora! – Sandro sugeriu fazendo sinal para o dono da barraca trazer todas as garrafas pra nossa mesa
- Ahn eu não bebo essas coisas... – falei e todos os meus amigos me olharam com expressões chocadas
- Pra tudo tem uma primeira vez! – Breno empurrou um copo de batida de morango na minha mão sem cerimônias
- Vai Gabriel, você consegue! – eles falavam animados, já meio bêbados – vira, vira, vira!

Respirei fundo e virei o conteúdo do copo de uma vez só na boca. A cachaça na batida desceu queimando minha garganta, mas o gosto não era ruim, muito pelo contrario. Talvez tivesse sido melhor se o gosto fosse semelhante ao de um aspargo. Eles começaram a competir pra valer quem agüentava mais tempo e eu entrei no embalo, provando de todos os tipos que o dono da barraquinha tinha para oferecer. Certa hora da madrugada Theo e Shane saíram para dar uma volta pelo resto da feira e levantei meio zonzo, me apoiando em Breno. Lembro pouco dos fatos que levaram a isso, mas lembro perfeitamente bem de estar em cima de um banco no meio da praça, falando em francês. Não, não faço idéia do que estava falando, só sei que era em francês!

Eu já devia estar começando a profetizar quando senti a mão de Theo me puxar do banco, seu rosto fora de foco. Ouvia muito barulho em volta, as vozes dos meus amigos se atropelando. Não conseguia distingui-las. Lembro de ter entendido Theo brigar com Shane e dizer para Sandro que estávamos indo embora, e que era bom que eles fossem também, pois a noite já rendera mais que o necessário. Andei um bom pedaço apoiado no meu primo, mas não fazia idéia de onde estava indo. Só comecei a assimilar as coisas quando vi, também fora de foco, o portão do condomínio. Os meninos vinham fazendo muito barulho atrás da gente e ouvi-os caindo na piscina quando chegamos perto da minha casa. Breno ligou o chuveiro e senti Chris me jogando debaixo dele. A água gelada me despertou na hora, mas não curou o porre.

- Droga, a tia Louise! – ouvi Theo falando
- Acorda Gabriel, por favor – Shane chorava do meu lado, completamente bêbado.
- O que está acontecendo aqui?? – ouvi a voz da minha mãe muito próxima. Mesmo bêbado podia dizer que ela estava braba
- Olha mãe, não põe a culpa no Theo, ele não tem nada a ver com isso – falei embriagado e vi minha mãe virar para o meu primo.
- Por que o deixou beber desse jeito, Theodore?? Era sua responsabilidade vigiar ele e o Shane!
- Mas tia, eu não, eu não... – Theo não conseguiu terminar a frase
- Para de chorar Shane! – mamãe falou irritada – Theodore vá chamar o seu tio, precisamos levá-lo ao hospital, ele vai entrar em coma alcoólico se não tomar uma injeção de glicose!
- Eu to bem, mãe, to bem... – falei com a voz mole e me desequilibrei em seguida, sendo segurado por ela.
- Cala a boca Gabriel! Não me faça bater em você nesse estado!

Não estava em condições de falar nada, e nem queria levar a porrada que ela estava se segurando para me dar, então fiquei calado. Shane estava aos prantos do meu lado e mamãe me jogou dentro do carro do tio Scott, dirigindo direto para o hospital mais próximo. Foi tudo tão rápido que foi difícil assimilar as coisas, e pouco me lembro do que aconteceu depois que entrei no carro. Só me lembro de Shane ao meu lado. ‘Você não vai morrer Gabriel, eu estou aqui’, ele dizia agarrado a maca onde me colocaram. O médico não deixou que minha mãe entrasse na sala, pois só podia um acompanhante e meu primo, bêbado, não dava indícios de que ia se afastar. A ultima coisa que vi foi uma agulha furar meu braço, por onde receberia a glicose. Depois apaguei e não lembro de mais nada.

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Abri os olhos e a claridade do quarto poderia ser capaz de me cegar, então os fechei novamente. Fiquei um tempo deitado de barriga pra cima e olhos fechados, tentando me lembrar dos fatos. Minha testa latejava, meu estomago se revirava, cada nervo vibrava. Merlin! Devia estar doente! Há uma onda de dengue no estado, devo ter contraído isso! Fiquei deitado em silencio, tentando enfrentar minha morte iminente, quando fragmentos da noite anterior me vieram à memória. Uma praça movimentada em algum lugar de Búzios. Alguma coisa chamada música jazz fusion. Uma bebida rosa forte em um copo de plástico – oh, náusea, oh, façam isso parar. Amigos me incentivando a beber mais. Discurso em praça publica. Um brinde, um gole, outro brinde. Oh, graças a Merlin! Não era um tipo raro de dengue hemorrágica, era apenas ressaca. Minha primeira ressaca.

Corajosamente me arranquei da cama, abrindo os olhos lentamente e procurando depressa meus óculos escuros, pensando em amenizar a claridade. As camas de Theo e Shane já estavam vazias, o que significava que provavelmente todos já estavam na sala esperando que eu descesse. Queria poder cavar um buraco, me enfiar nele e não sair nunca mais. Viver como uma toupeira debaixo da terra. Ao menos assim evitaria a claridade que estava prestes a danificar minhas pupilas. Agora posso dizer que entendo como se sentem os vampiros quando expostos à luz solar. Consegui juntar uma camisa com uma calça, de maneira que nada pedisse movimentos bruscos, e desci as escadas.

Estavam todos sentados na sala, ou vendo TV ou lendo o jornal, e todos, sem exceção, pararam o que estavam fazendo para me olhar quando pisei no ultimo degrau. Minha mãe estava na cozinha e apenas me lançou um olhar mortal antes de voltar à atenção ao que ela picava. Tio Scott estava ao lado dela e pude perceber que ele prendia o riso. Apesar de não querer me aproximar da minha mãe por um tempo, estava com fome e precisava comer alguma coisa. Ou ao menos beber água, estava morrendo de sede. Seria isso efeito da ressaca? Parece que sim, pois antes mesmo que eu pudesse emitir algum tipo de som, tio Scott estendeu as duas mãos, um comprimido em uma e um copo de água na outra.

- Para ajudar na dor de cabeça. – ele falou sério – e ainda tem pão no forno, melhor comer alguma coisa.
- Ok... – foi só o que consegui responder antes de sentir que minha cabeça fosse explodir se eu emitisse mais algum som
- Está com vergonha? – minha mãe falou de repente, me encarando – Pois se não está, deveria!

Mas não respondi. A conhecia muito bem para saber que quando ela me fazia alguma pergunta desse tipo, esperava uma resposta silenciosa. Abaixei a cabeça querendo sumir do mapa e engoli o remédio que tio Scott me deu, indo até o forno procurar o pão. Ia comê-lo puro mesmo, mas não ia atravessar novamente a cozinha e passar perto dela para buscar algum recheio.

- Vou fazer um chá pra você, Gabriel – tio Scott falou lendo meus pensamentos e me trazendo uma xícara de café e o pote de manteiga – vai ajudar na ressaca.
- Você não vai fazer chá nenhum! – mamãe tornou a falar, muito irritada – ninguém vai fazer nada, eu proíbo! Ele vai passar por isso sem nenhum tipo de facilidade.
- Deixa de ser ruim Louise! – tio Scott a enfrentou – vou fazer um chá pro menino! Sou o padrinho dele e quero fazer
- E eu sou a mãe dele e estou dizendo que ele não vai tomar porcaria de chá nenhum para aprender a não encher a cara na rua e dar vexame!

Tio Scott não respondeu mais, vendo que seria uma batalha perdida. Ele voltou à atenção aos legumes que picava na bancada da cozinha e mamãe ainda ficou me olhando com aquele olhar reprovador por um tempo, mas eu evitava contato direto, então ela continuou o que estava fazendo. Mate-me agora, Merlin! Mate-me...

Friday, January 05, 2007

Recortes de férias!

- Ei, Miyako! Espera aí!

Olhei pra trás me perguntando quem queria falar comigo naquela hora. Sávio vinha correndo na minha direção, abrindo caminho entre um aglomerado de estudantes e malas no porto de Paris. Quando ele parou na minha frente, tinha o rosto vermelho, forçando a respiração, mas mesmo assim sorriu, parecendo satisfeito consigo mesmo de ter me alcançado.

MK: Sávio?! Tudo ok?
SD: Tudo sim... Desculpe a correria, mas precisava me despedir de você antes das férias!
MK: Uhn, é, eu tentei te procurar no navio, mas não te encontrei... Pensei que tinha ido pra casa pela lareira...
SD: Bom, é uma longa história, explico outra hora... – ele sorriu e colocou uma das mãos no meu queixo, me encarando. Depois, tirou a outra mão de trás do corpo, revelando um embrulho grande, me estendendo. – Feliz Natal!

Fiquei surpresa e ao mesmo tempo sem graça. Odiava chamar a atenção em meio a tantas pessoas, ainda mais, conhecidas, e aquilo definitivamente estava chamando a atenção de muitos estudantes! Sávio já era conhecido como o búlgaro transferido de Durmstrang, o que já era bastante para atrair atenção demais pra ele. Me estendendo um embrulho dourado e brilhoso então... Sorri sem graça e ele balançou a cabeça em um gesto positivo, como se estivesse me esperando abrir. Senti o olhar de um grupo de garotas do 7° ano em cima de mim, mas resolvi acabar logo com tudo aquilo e puxei o laço do embrulho.

MK: Um pato de pelúcia! Que lindo! Obrigada... – lancei um olhar expressivo pra ele, que continuava sorrindo pra mim, quase em expressão de hipnose.
SD: Achei que você se lembraria de mim toda vez que visse ele...
MK: Vou lembrar!

Continuei em silêncio sem saber o que dizer além, e vi minha mãe e Sergei apontarem na plataforma, olhando ao redor sem me localizarem ainda.

MK: Tenho que ir agora... – me aproximei dele e dei um beijo de leve no seu rosto, afastando em seguida. – Obrigada! Boas férias e...

Não completei a frase, porque antes que pudesse fazê-lo, Sávio me puxou e me beijou. Isso estava virando rotina mesmo? Quando nos soltei, segurei com força o pato, muito corada. Ele sorriu, deu um beijo no meu rosto e se virou, indo embora.

SD: Feliz Natal e Feliz Ano Novo! Nos vemos em breve, certo? – gritando, em quanto se afastava de mim.

Não consegui dizer nada, só assenti com a cabeça e o vi sumir no meio de um aglomerado de pessoas. Fiquei parada ali, sem saber aonde ir... As garotas agora me olhavam sérias demais, como se estivessem me avaliando. Um pouco delirada ainda, senti uma mão no meu ombro, e logo depois, um beijo estalado no meu rosto.

YH: Até que enfim te encontramos! Pensei que tinha tentado uma fuga! – mamãe falou a última frase em um tom perto do ofendido. Depois sorriu e me olhou da cabeça aos pés, conferindo se estava tudo no lugar. Sergei me encarou e pude ver que ele tinha assistido toda a cena, fato que comprovei quando ele sorriu marotamente me estendendo a mão para cumprimentar. – Então... Vamos pra casa?

°°°

YH: Pegou tudo? Escova de dentes, roupas de frio e...
MK: Mãe, eu tenho que fazer malas sempre! Ir pra Beauxbatons, voltar para casa... Acho que já sei bem o que preciso colocar em uma, certo?

Ela sorriu e Sergei não conseguiu controlar a cara cômica que fez.

YH: Sossega russo! Ainda não aceitei que minha filha é independente... Certo, vamos então, a Yaya deve estar esperando a gente!

Malas fechadas dentro do carro. Estávamos prontos para partir. Destino? Aquela mesma e velha casa da família em Kyoto. Tinha ido poucas vezes lá, minha mãe não gostava muito, fazia ela se lembrar dos pais dela, mas esse ano em especial decidimos ir até lá reunir a família. Tio Yuri e Sabrina já tinham ido. Tio Yoshi só ia de noite, pois tinha que entregar uma grande quantidade de poções para animar de tarde, e Yaya ou tia Yhara, tinha chegado um dia antes para abrir a casa.
Estava animada com a viagem, ainda mais porque já estava prevendo o que iria acontecer, e as cenas eram engraçadas demais de serem imaginadas...

°°°

MK: Ta nervoso né? – falei me divertindo enquanto via Sergei olhando para um ponto fixo da janela, parecendo concentrado. Ele olhou para mim como se eu fosse uma anormal.
SM: Nervoso? Eu? Não, não! Eu simplesmente não consigo agradar a “Yaya”! Ela me olha atravessado, como se eu fosse um monstro! Você ouviu o que ela disse pra sua mãe, com tom aborrecido? “Ah, vão te arrancar de mim?”... Ela quase chorou! Sua mãe não é uma criança pra ser arrancada de ninguém! Me senti um bandido!

Comecei a rir e ele me olhou irritado.

SM: É, ri mesmo, ri muito! Um dia você ainda vai passar por uma situação dessas, de querer agradar a família de quem você gosta, e sentir que não conseguiu! E aí vai ser a minha vez de rir! HAHAHA! E o que tanto elas conversam hein?
MK: Vou te ajudar, porque gosto de você e conheço a Yaya! Ela não é fácil... Quer ouvir a conversa?
SM: Adoraria, só queria saber como...

Levantei e fui até a minha mala, puxando dois pares de “Orelhas Extensíveis, Fred e Jorge Weasley”, entregando uma pra Sergei. Ele pegou o par dele, com um pouco de receio pela consistência mole que a coisa tinha, mas depois que expliquei pra ele para que elas funcionavam, e como, ele sorriu sussurrando: “mal posso esperar para agradecer a eles pela bela invenção! E depois, sua mãe preocupada que você não sabia fazer uma mala bem? Sua mala está completa!!!”.
Seguimos silenciosos até o corredor, e paramos diante de uma porta escura, estendendo as orelhas.

- Eu não estou exagerando, você que está precipitada demais! Yulli, você nem tem 40 anos ainda! Pra que se casar agora? Você tem a vida toda pela frente, pra viajar, conhecer o mundo! Se lembra quando você era jovem, e dizia que queria ser como eu? Viver pelo mundo?
YH: Me lembro Yaya, mas os tempos mudaram, e meus princípios também! Eu tenho uma filha, quero uma família! Quero alguém que me ame do meu lado, e que eu ame, e o Sergei é esse “alguém”! Entendeu?
- Acho que nunca vou ser capaz de entender... Mas, se você está certa disso, eu vou me acostumar com isso, se te faz feliz!
YH: Ah, obrigada Yaya! De verdade! Eu acho que nessa hora, o Sergei deve estar se remoendo, porque não conseguiu agradar a única pessoa da família que tem uma opinião que conta para a futura esposa dele! Ele está assustado!
- Vou tentar ser gentil, ele é uma boa pessoa, eu sei...

Depois disso, não houve mais conversa, só barulhos de movimentos. Decidimos recolher as orelhas e sairmos dali, antes de nos descobrirem bisbilhotando...

MK: Hum, acho que agora vai conseguir agradar! – sorrindo.

Sergei tinha um sorriso satisfeito no rosto, parecido com o de uma criança que acaba de ganhar um brinquedo que deseja há muito tempo. Ele balançou a cabeça afirmativamente.

SM: Agora a gente se casa! Não preciso pedir mais ninguém formalmente, preciso?
MK: Não... Acho que não... Ei, espera! Você já notificou a união para os ancestrais? – disse séria.
SM: Pra quem?
MK: Ancestrais! Deuses que guardam a família!
SM: Ta de brincadeira comigo né?
MK: É, estou! – comecei a rir e ele relaxou, me acompanhando.
SM: Ainda bem! Não saberia como agradar uma legião de deuses!

Ficamos em silêncio até mamãe e Yaya apontarem na sala. Mamãe sorrindo, foi até Sergei e lhe deu um beijo. Depois, arrastou-o até Yaya, que lhe estendeu a mão, o rosto um pouco contrariado, mas depois, revelando um sorriso.

- Bem vindo à família! Espero que cuide bem da minha afilhada, certo?

°°°

É isso aí! Depois de Kyoto, voltamos para o Japão. Sergei foi até a Escócia, encontrar a família do Ty. Mamãe e eu ficamos organizando os preparativos do casamento e das festas. Sem mais novidades, nem notícias devastadoras, fico por aqui! Mal posso esperar pra ver mamãe em cima de um altar dizendo “sim, eu aceito”! Ah, isso vai ser hilário!!!

Tuesday, January 02, 2007

Um Ano Novo explosivo

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

- Compraram as coisas?
- Sim, está tudo aqui. Pra que tanta uva?
- Dizem que dá sorte comer uvas na virada do ano!
- E tem que pular 7 ondas também!
- Chega dessas superstições idiotas. Vamos embora antes que não sobre mais lugar bom.

Estávamos todos reunidos no píer onde o barco dos pais de Bernard estava ancorado e eu e Samuel havíamos acabado de voltar do mercado da cidade, com duas sacolas cheias de garrafas de champanhe e uma infinidade de uvas, a pedido das meninas. Estávamos todos de branco, regra imposta pela Isa, e prontos para embarcar no Poseidon II para assistir a queima de fogos da cidade de Berlim pelo mar. Quando já estávamos todos a bordo, Bernard assumiu o leme e deixamos o porto.

Muita coisa havia acontecido nessa ultima semana que separou o Natal do Ano Novo. Depois do ocorrido no pub, onde descobrimos o maior segredo de Dominique, ele desapareceu por dois dias inteiros. Acionamos toda a policia alemã para localizá-lo, até que ele apareceu como se tivesse saído para comprar pão, acompanhado de uma camponesa daquelas de embalagem de leite condensado trouxa, de chapéu e tudo, e que não falava uma única palavra em francês. A menina parecia encantada com Dominique e não desgrudava dele. E ao que parecia, ele já havia resolvido a situação sobre seu ‘segredo’; Terri havia ido embora para Saint-Tropez. Sua avó havia adoecido e com receio de não ter chance de vê-la outra vez, ela preferiu voltar e combinamos de nos encontrarmos no próximo final de semana em Paris; Bel tinha relaxado um pouco e parecia mais confortável na nossa presença, parando de fugir do Bernard o tempo todo. Se ela não estava mais confortável conosco, ao menos estava nos ignorando perfeitamente bem e aproveitando o passeio; Michel, depois de um porre, ficou com a Marie. Quando ele recuperou a consciência veio me pedir desculpas com remorso, mas descobri que não fiquei chateado como achei que ficaria. Agora os dois estavam com vergonha um do outro e Marie mal me olhava, sem graça.

- Ah ótimo! – ouvimos Bernard exclamar de dentro da cabine – Está tudo tomado já, não temos onde ficar!

O barco havia alcançado a área reservada para eles e não tinha mais espaço para ancorar, a não ser que estivéssemos em um barquinho de pesca. Viera, que estava dentro da cabine ajudando Bernard, apontou para uma área vazia mais à frente dos barcos. Estava fora da área demarcada pela Guarda Costeira, mas não havia outro lugar para ancorar. Era ela ou voltar para o porto, e isso estava fora de cogitação. Bernard virou o leme para a esquerda e parou o barco onde apontávamos, ancorando.

Faltava pouco para a meia noite e quase toda a tripulação do Poseidon II estava bêbada e super animada, dançando e cantando para se despedir de 1997. E claro, fazendo planos para 1998. Viera havia convencido a todos que assistir uma partida de futebol trouxa era tão emocionante quanto assistir a uma partida de quadribol e que não poderíamos perder a chance de assistir a uma Copa do Mundo quando ela é sediada na nossa casa. Portanto, com o incentivo do Samuel que também estava familiarizado com o esporte, nas férias de Junho iríamos todos para a casa de Viera para acompanhar a tal Copa do Mundo de futebol trouxa que seria na França. E como também não podia faltar, já começávamos a planejar a viagem de formatura. Essa, com a presença de toda a turma do 7º ano em algum lugar pago pela escola. Talvez Grécia, seria uma boa pedida...

- Atenção, falta 5! – Dominique gritou olhando pro relógio
- Peguem as taças, rápido! – Marie saiu correndo pelo deque do barco – Não quero perder os fogos!
- Faltam 3! – Agora era Michel que gritava animado
- Onde estão as uvas? – Isa correu atrás de Marie desesperada
- Elas funcionam sem pular as ondas? – Samuel perguntou rindo – Porque não tem como você pular onda Isa... Estamos no meio do mar!
- Só come as uvas e guarda o caroço! – Isa empurrou um cacho de uvas na mão de Samuel e correu para se posicionar na proa do barco.
- 10, 9, 8 – Bernard começou a puxar a contagem regressiva
- 7, 6, 5, 4, 3 – todo mundo entrou no coro
- 2, 1, Feliz Ano Novoooo!

BUM!

As embarcações que comportavam os fogos de artifício explodiram ao mesmo tempo, lançando toneladas de morteiros e rojões para o céu estrelado. Toda a área marítima ficou iluminada conforme eles iam explodindo no alto. Estávamos tão perto dos fogos que podíamos sentir o calor e a fumaça que cobria tudo ao redor das balsas. Viera, Samuel e eu estouramos cada um uma garrafa de champanhe e enchíamos as taças para brindar quando um dos morteiros explodiu no baixo, lançando fagulhas para os lados. Em seguida outra bomba explodiu baixo, derrubando os rojões que estavam na fila para serem lançados e desencadeando uma serie de explosões desordenadas, todos explodindo para os lados e para a água, causando tumulto. Uma das bombas derrubadas atingiu em cheio o casco do barco, fazendo tudo tremer. Mais de 5 rojões explodiram dentro da água, causando uma onda enorme e somando com o já danificado barco, sentimos tudo começar a afundar.

- Pulem na água, pulem na água! – Bernard passou correndo puxando Bel – O barco vai afundar!
- Vai afundar como a lancha do seu tio ou afundar como o Poseidon I? – perguntei correndo atrás dele
- Como o Poseidon I!
- Todos pra fora do barco, todos pra fora do barco! – comecei a berrar desesperado, lembrando do Poseidon I

Em questão de segundos todos já havíamos saltado no mar, largando tudo pra trás, a tempo de ver o barco do pai de Bernard afundar lentamente. Assim como o Poseidon I, ele submergiu por completo e desapareceu de vista depois de um tempo. Olhei para o lado e vi as expressões de choque estampadas no rosto de cada um. Bernard e eu éramos os únicos que não esboçavam reação alguma. Aquilo tudo tinha uma sensação de dejà vu. Samuel ainda segurava o cacho de uvas e nadou até a Isa.

- Bom, agora já temos ondas. Posso comer as uvas?

Todo mundo começou a rir e com a garrafa de champanhe sobrevivente fizemos nossa comemoração dentro d’água mesmo, respingando champanhe nos outros e repartindo as uvas do Samuel. Quando o resgate chegou para nos tirar do mar os fogos já haviam sido controlados e tinha até uma rede de TV trouxa filmando os náufragos do Poseidon II. Será que o pai do Bernard um dia vai nos deixar chegar perto do Poseidon III??

Friday, December 29, 2006

Novidades no Natal

Diário de Seth K. C. Chronos

Natal finalmente chegou e nesse momento estou em casa com meus pais. Temos muitas novidades. Mas tudo em seu tempo, tenho que explicar o que aconteceu nas semanas que antecederam ao Natal.
Pra variar não houve nenhuma notícia do Lobo e eu continuava com medo de ter sido eu, e continuava lacrado. Eu evitava meus amigos, e mesmo se eles quisessem chegar perto de mim, o lacre os impedia de se aproximar demais. O Grif era o único que às vezes conseguia se aproximar, e o Ty também em alguns momentos conseguiu atravessar.
Mas o que é esse lacre? O lacre foi criado pelo meu pai, após vários momentos de sua vida juvenil e até mesmo adulta, onde seus poderes saíram de seu controle e ele pôs em risco a vida de muitas pessoas, entre elas minha própria mãe. O lacre é uma magia poderosa que cria uma zona ao meu redor, impedindo que pessoas se aproximem de mim, e principalmente: impede que EU me aproxime das pessoas. Eu achei que isso era necessário e mesmo agora não duvido dessa minha decisão, prefiro viver solitário a pôr em risco à vida de meus amigos.
Mas isso estava enlouquecendo os meus amigos. Eles não entendiam porque eu havia me isolado, porque não conseguiam chegar perto de mim. Também não entendiam porque Tio Kyle estava sempre comigo, e principalmente porque eu pediria isso. Eu mesmo já não agüentava mais... Meus pais e Tia Alex já deveriam ter ido ao colégio, mas a todo momento algo fazia com que demorassem mais.... E cada dia mais parecia que eu era realmente o Lobo. Eu tinha sonhos onde via nitidamente o seqüestro. Mas eu estava no corpo do Lobo. Tinha sonhos também cheios dos pesadelos de uma mente atormentada pelo medo. Eu realmente era o Lobo, e o lacre sentindo essa minha decisão se intensificou...
- Finalmente vocês vieram, pai! – Grif correu pra abraçar papai e dar um beijo em mamãe.
- Nós tivemos nossos atrasos Griffon, mas finalmente estaamos aqui não? – Mamãe respondeu sorrindo e se dirigindo ao Ty, Mi e o Biel – Vocês cresceram tanto crianças!
- Eu sabia que os pais do Lu e do Grif conheciam os pais do Ty, mas não sabia que a senhora me conhecia – Mi falou, mas retribuindo a saudação.
- Eles foram amigos em Hogwarts! Meus pais também os conhecem e são amigos até hoje! – Gabriel respondeu sorridente.
- Tio Alucard, minha mãe não vinha com os senhores? – Ty perguntou se virando para o meu pai.
- Ela já veio por sinal, mas foi falar com seu pai. Agora me digam, onde está o Seth? – Papai perguntou para os meus amigos.
- Ele está na Torre da Lux, mas ninguém consegue chegar perto dele. Toda vez que alguém tenta se aproximar, lembra-se de algo importante a fazer, ou simplesmente muda de rumo. – Mi falou mostrando preocupação, enquanto caminhavam para a Torre da Lux.
- Às vezes eu e o Ty conseguimos chegar perto dele, mas em seguida somos repelidos. – Griff falou sorrindo.
- Mas o Grif consegue ficar lá por mais tempo. Por que apenas nós dois conseguimos chegar perto dele? – Ty perguntou meio surpreso.
- Porque ele baixou o lacre... Mirian, minha querida se importa de procurar a Alex com eles e explicar a eles o que é o lacre? Eu preciso falar a sós com o Seth. – Papai falou e minha mãe saiu junto dos meus amigos, a procura da Tia Alex. Papai seguiu sozinho para a Torre e me localizou rapidamente. Ele entrou no lacre com facilidade e isso me surpreendeu, pois não esperava a presença dele.
- Então você realmente baixou o lacre...
- Pai, como consegu...?
- Porque eu, sua mãe e sua Tia Alex criamos o lacre. Apenas nós três, ou alguém com poderes semelhantes podem passar pelo lacre facilmente. Seu tio Kyle também pode.
- Poderes semelhantes? O senhor eu entendo, porque é como eu, mas e a mamãe? E os pais do Ty?
- Os pais do Ty, e ele também, tem um poder muito especial que passa de geração à geração da família deles. É a Projeção Astral. Em breve saberá melhor. Quanto a sua mãe e seu irmão... Chegou a hora de te contar o que apenas te expliquei naquela carta...
Assim como a família McGregor, a família Capter, a família de sua mãe, tem um poder especial. A família dela tem um poder antigo relacionado à luz, à cura, à bondade, à esperança. Esse poder quase me matou uma vez, e também pode te matar se os donos não souberem controlar. Sua mãe controla perfeitamente, mas e seu irmão?
- O Griff tem desse poder?!
- O poder passa sempre para a geração seguinte, e você seria impossível de receber os poderes, apesar de que pode ter recebido um pouco, e isso já seria o bastante para indicar que você não é o Lobo!
- Mas pai...
- Deixe-me continuar, o caso Lobo tem hora certa para ser comentada. Como você não pode receber os poderes, seu irmão teria a maior possibilidade de receber. E ultimamente tivemos indícios de que ele os recebeu. Quando perseguiram Hellion, você me disse que ele parecia envolto por uma luz e diferente. E agora, ele é capaz de passar pelo lacre, o que prova que ele tem os poderes. O Ty também tem os poderes da família, disso já sabíamos e já começou os treinos. E vocês também precisam de treinos. Por isso nós viemos, vamos levá-los para casa no Natal, vocês precisam ser treinados.
- Qual a finalidade de treinar um assassino em potencial? – eu perguntei cabisbaixo, me referindo a mim mesmo. Meus olhos ficaram vermelhos e os do meu pai também em resposta.
- Você não é Lobo!! Seth, eu e você somos ligados por essa maldição, eu sei quando você desperta! Saberei quando se alimentar e até mesmo se a sede surgir em você! E você não é o Lobo! – Meu pai falou alteando a voz e me encarando fundo nos olhos, ele conseguiu me convencer, mesmo que um pouco...
- Mas... Eu estive na cena do crime! A garota gritou e desmaiou quando me viu, havia medo nos olhos dela! No dia do seqüestro, eu estava "acordado" e minha sede se fora! E tenho tido sonhos... Vejo o dia, como a seqüestrei, o medo que a causei, sonho e sinto o medo que ela teve! Não tem como eu não ser o Lobo!
- Kamui! – Papai só me chamou assim uma vez na vida... – Esse é seu poder! E acha mesmo que nós, aurores experientes, não temos uma idéia de onde o Lobo está?! Ele não está nas redondezas! E você não é assassino nem nada!
- Posso não ser o verdadeiro Lobo, mas posso ser o Lobo daqui... E que poder?!
- Digamos que sempre há um equilíbrio... Seu irmão tem o poder de sua mãe e você o meu. É um dom que eu tenho e que comecei a ter na mesma idade que você. Temos o dom de sentir o que os outros estão sentindo. Temos o dom de prever sofrimentos, prever acontecimentos. Temos o dom de sentir até mesmo a dor dos outros. Em você parece mais controlado, pois em mim eu sempre desmaiava após o dom e acordava com dores e machucados. Você sempre foi mais controlado que eu. – Papai riu e acariciou minha cabeça com carinho – E tenho orgulho da pessoa que você é. Suas provações o ensinaram à vida e você é mais maduro que muitas pessoas, mais até do que eu na sua idade... – Ele foi interrompido por um barulho e nos viramos para ver Tia Alex chegando. Ela sorriu pra mim e se sentou do meu lado me dando um beijo no rosto e me abraçando.
- Não andou brigando com ele né Lu?
- Não, apenas conversamos. Você veio em ótima hora Alex, estava falando pra ele o quão maduro e controlado eu era na minha idade. – Ele riu alto e tia Alex não segurou uma gargalhada.
- Seu pai era uma das criaturas menos controladas da face da Terra! E maduro? Nunca! Rsrsrs Que bobeiras andam por essa sua cabeça? Pelo visto nisso você e seu pai são iguais, são duas cabeças ocas. Ele também se achava culpado por tudo e tinha medo de perder o controle. – eu fiquei em silêncio no abraço dela e no olhar carinhoso de meu pai. – O Kyle me contou as coisas que viu em sua mente, e nós todos sabemos que você não é o Lobo. Você tem o mesmo dom que seu pai, isso é um fato. Só precisa aprender a controlá-lo.
- Eu falei isso também, vamos levá-los pra casa para treiná-los.
- O Griffon também já desenvolveu os poderes dele?
- Ele foi capaz de entrar no meu lacre e já deu sinais dos poderes – eu falei finalmente, novamente mais calmo e acabei soltando um sorriso.
- Viu? Por que ficar triste com esse sorriso? Tem namorada já não? Seu pai enlouquecia as garotas e sua mãe... Amedrontava todas! – eu fiquei vermelho e não respondi. – Por falar na sua mãe, vamos logo? Ela está morta de saudades de você.
Eu assenti com a cabeça e nós três descemos da torre conversando, e eu sorria pela primeira vez nos últimos dias. Mamãe veio correndo quando me viu e me abraçou forte, me dando um beijo na testa. Ela me deu uma bronca por ter sido tão cabeça-dura e falou que eu era igual ao meu pai. Meus amigos estavam conversando com Tio Kyle e vieram me dar bronca também, eu apenas pedi desculpas, mas eles me animaram, e muito. Estou pensando em realmente contar a verdade... Mas é mais divertido ver a cara de curiosidade deles! Acho que vou deixá-los tentar descobrir...

Agora já estamos em casa, e vamos começar os treinos em breve. O Griff ainda não consegue acreditar que tem algum dom e mamãe tem que dar bronca nele o tempo todo, porque ele fica brincando sobres os poderes. Recebemos os presentes dos nossos amigos e todos me mandaram cartões me dizendo pra deixar de ser bobo... Eu mereço essas pessoas? Mas são elas que me dão forças...

Thursday, December 28, 2006

Family Hollidays

Anotações de Ty McGregor


- FELIZ NATAAALLLL!
Acordei com meus primos Brian e Brianna entrando no quarto gritando, e jogando em cima de nós os presentes que estavam aos pés das camas. Logo entraram nossas primas acompanhadas de Riven e ficamos abrindo os presentes recebidos e comendo alguns muffins que Mary trouxe da cozinha.
Depois de algum tempo, minha mãe entrou no quarto e trazia embrulhos nas mãos, que foi distribuindo a todos. Emily estava com ela e dava risada da farra que fazíamos.
- Ty, este é pra você. Entrega especial. - minha irmã me deu um pacote.
Reconheci a letra da Rory e pulei logo da cama.
- Ele recebeu presente da namoradinha, uiuiui. – zombou Riven e minha mãe atirou um embrulho todo rosa para ele dizendo:
- Desireé manda lembranças, bizuzzu. - deixando o vermelho.
Desireé havia dito a mamãe o apelido carinhoso que ela usava ao se referir a Riven e lógico que mamãe não iria deixar barato.
- Namoradas beijam na boca. Eca que nojo. - zombou Brian e começamos a rir.
Minha mãe deixou os embrulhos e se despediu, ia para o Ministério trabalhar e voltaria somente à noite. Emily ficou conosco e não teve dificuldades em se integrar à família. Todos faziam questão de tratá-la bem. E isto deixou meu pai muito contente.
Passamos o dia comendo, bebendo, fazendo guerras de bolas de neve; na parte da tarde depois de um lanche reforçado com chocolate quente, cada um de nós ficou quieto em seu canto. Fui até o sótão, e sentei-me na janela para ficar vendo o castelo Urquhart de longe. O lago exibia uma camada grossa de gelo e sua superfície ia ficando azulada refletindo a luz da Lua, à medida que a noite caía. Não ouvi meu pai se aproximar e sentar ao meu lado.
- Bonito não?- comentei.
- Sim, por mais que eu goste da nossa casa em Paris aqui eu me sinto em paz. - ele respondeu.
- Mamãe já voltou? O dia de Natal não foi o mesmo sem ela e o meu padrinho. - reclamei
- Ainda não voltou, mas ela está bem. Amanhã ela ficará aqui e eu vou para o trabalho, você sabe que infelizmente teremos que nos revezar durante as festas. Sergei deverá voltar amanhã também, se não virou sushi. Ele estava bem nervoso em encarar os samurais.
Começamos a rir. Meu padrinho foi passar as festas com a família de tia Yulli para fazer o pedido de casamento aos parentes mais velhos. Eu achava isso o fim, afinal eles já eram coroas, mas como ele estava entrando na família dela, deveria aceitar as tradições.
Suspirei.
- Está com saudades dela? – ele perguntou.
- Demais. - só então me dei conta de que meu pai não havia se referido a alguém específico. Olhei para ele e ele disse:
- Sem querer, eu vi vocês se despedindo antes de vir para casa. Ela é muito bonita. Qual o nome dela?
- Rory. – olhei mais uma vez para o lago e aquele brilho azul nas lascas de gelo, me lembravam os olhos dela quando ficava irritada. Falei sem pensar:
- Como a gente sabe que tá apaixonado por alguém? Quer dizer como você soube que amava a mamãe?
Meu pai me olhou por um tempo e disse:
- Acho que amo sua mãe desde quando éramos crianças. Não me lembro de ter um só dia em minha vida que eu não fizesse tudo para vê-la sorrir. Mas só fui ter certeza de que era sério quando ela fez 15 anos e dançamos juntos na festa dela. Ela era a garota mais bonita que eu já tinha visto, e de repente eu me vi pensando em como seria bom estar com ela, poder beijá-la, fazer... Desculpe, acho que você não quer saber este tipo de coisa.
- Sem problemas. Parei de me incomodar com isso há algum tempo, até porque se eu fosse ligar, teria que me esconder a cada vez que vocês se olham. - ele riu e continuou:
- Bem, então criei coragem para dizer a ela, só que ela já tinha um namorado na escola.
- O queêê? Concorrência paizão?
- Pois é... O jeito foi mostrar que eu era a sua melhor opção. – piscou e eu ri da sua cara convencida.
- E vocês estão junto este tempo todo? – perguntei.
- Não. Namoramos alguns meses e depois nos separamos por alguns anos.
- Ah... A tal separação segredo, que ninguém fala porque aconteceu.
- Houve um mal entendido e... Quer saber? Vou te contar tudo o que aconteceu naquela época, estamos com tempo mesmo.
Fiquei ali ouvindo meu pai contar tudo que havia vivido com minha mãe, desde antes de se casarem. Soube que a encrenca havia começado, porque se acreditava que meu avô Kyle era o pai da minha mãe, e com isso minha avó Virna tratou mal a minha mãe por muitos anos. Alguns anos depois o mal entendido havia sido explicado e sem perda de tempo eles se casaram. Fiquei sabendo que ela havia perdido um bebê antes de eu nascer, numa luta com comensais e que havia ficado muito machucada. Meus pais e minha avó só voltaram a conversar quando eu resolvi nascer antes da hora e minha avó, fez o meu parto. Ela diz até hoje que meu avô apareceu num sonho para ela dizendo que eles precisavam de ajuda e a guiou até a cabana de caça nas Highlands.
Papai falou também sobre as namoradas que teve e o temperamento de cada uma. Ele dizia que as mulheres eram diferentes fisicamente, mas com um ponto em comum: Eram complicadas demais, e que a gente nunca sabia o que elas estavam pensando: especialmente em algumas fases da Lua.
Rimos muito porque lembramos de algumas atitudes irracionais da minha mãe como brigar conosco porque havíamos apertado o tubo de pasta de dentes pelo meio ou porque ela começava a chorar quando perguntava se estava gorda e meu pai dizia que ela era linda.
Contei a ele como Rory e eu começamos a namorar. Falei sobre minhas dúvidas e que eu achava esquisito sentir-me satisfeito só de saber que a Rory estava no mesmo ambiente que eu, durante as aulas. Ele me ouviu quieto, não zombou das besteiras que eu falei e comentou que a coisa era mais séria do que pensava, e que se eu estava feliz, ele também ficava.
Após algum tempo meu pai perguntou:
- Ty, eu queria saber se você aceitou bem a Emily.
- Ela é legal, gosto de tê-la na família.
- É sobre isso que queria falar. Eu conversei com sua mãe e ambos achamos que ela deveria ter nosso sobrenome também. Mas eu queria saber antes a sua opinião. Afinal, ela vai ter direito a parte de sua herança e...
- Ela é uma de nós, pai. Não me importo com dinheiro. O mais importante é ela saber que pode contar conosco e vice-versa. Desculpa pelos meus ataques infantis.
- Não tem problema, isso é passado. Sua mãe tem razão quando diz que você cresceu filho. Saiba que eu vou te amar sempre. – e me abraçou.
Uma parte de mim ficou um pouco constrangida, mas a outra e mais forte, adorou a demonstração de carinho do meu velho. Quando nos separamos vi que seus olhos brilhavam com algumas lágrimas e desviei os meus para ele se recompor. Quer dizer, eu também fiquei emocionado, mas não ia começar a chorar ali. Não quando ele diz que eu cresci né?
Mamãe nos encontrou lendo o catálogo de vassouras novas e discutindo táticas de jogo. Após uma troca de olhares entre eles, mamãe sorriu satisfeita. Abraçou-me e disse baixinho:
- Você fez seu pai muito feliz. Obrigada. - senti um nó na garganta.
Descemos para encontrar a família reunida. Minha prima Ariel havia acabado de chegar com seu noivo e anunciava que eles iriam se casar. Vovó chamou os elfos para servirem a comida, enquanto tia Patrícia chorava emocionada abraçada ao tio Dylan, as primas de minha mãe já se alvoroçavam em fazer as listas com os preparativos para o casamento. E tio Ian distribuía taças de champanhe para o brinde.
Uma nova festa estava começando, sem hora para acabar, queria que a Rory e meus amigos estivessem aqui, então tudo ficaria perfeito, mesmo com alguns loucos soltos lá fora querendo acabar com o nosso mundo.

Wednesday, December 20, 2006

I Never...

Das lembranças de Ian Lucas Renoir Lafayette

‘Ian Lucas Renoir Lafayette! Como ousou desobedecer nossas ordens e viajar com seus amigos nas férias?? Que parte do ‘venha direto para casa’ o senhor não entendeu? É bom que esteja muito bem alojado e escondido, pois pode ter certeza que irei procurá-lo por toda a Europa e para o seu bem, é bom que eu não o encontre!’


Héstia ainda estava no meu ombro brincando com o meu cabelo quando amassei a carta do meu pai e a queimei com um aceno de varinha. Havia escrito a ele e mamãe comunicando que passaria as férias na Alemanha com meus amigos. Claro, eles tiveram a reação esperada. E claro, ignorei-os como sempre, viajando assim mesmo. Papai agora estava furioso. Pude vê-lo me esperando no porto, mas saímos camuflados do barco e segui para o outro lado com meus amigos, embarcando quase que imediatamente no barco dos pais de Bernard e pegando o caminho da Alemanha pelo mar.

Já estávamos na Alemanha. Mais precisamente em Berlim, a capital do país. Conseguimos nos hospedar em um albergue de jovens bem no centro da cidade, deixando o barco do Bernard para os passeios quando não tínhamos mais nada para fazer. Havíamos chegado na cidade há dois dias e essa noite, véspera de natal, paramos em um dos diversos bares para celebrar a data. Algumas das meninas tinham levantado para dançar, sobrando na mesa apenas os garotos, Marie, Bel e Manu, que ainda tentava convencer Viera de levantar. Marie sentou ao meu lado, já um pouco alta com toda a bebida ingerida, e começou a brincar comigo. eu constantemente lançava olhares para as meninas em pé, onde Terri estava junto, e voltava a minha atenção a Marie sem graça. Quando ela levantou para se juntar ao grupo respirei aliviado e a acompanhei com o olhar, enquanto saia com Bel e Manu.

- Qual é o seu problema, Luke? – Michel falou indignado – Você tem uma namorada gata e fica dando mole pra Marie?
- Eu não estava dando mole pra ninguém, ta maluco?
- Ah Michel, a coisa é mais complexa. – Bernard me interrompeu rindo – Acontece que ele é apaixonado pela Marie...
- Não amola Bê, não sou mais apaixonado por ela
- Ah é sim, meu caro! – agora era Dominique que falava – Ninguém olha pra uma garota assim, se não está apaixonado!
- Não fique estressado meu amigo, as mulheres gostam de brincar com a gente, é normal – Samuel entrou no assunto
- Quem brincou com você, Samuca? – Viera perguntou
- Ora, elas casam e depois nem escrevem... – Samuel murmurava num tom quase inaudível – foi só sair o divorcio, é sempre assim...
- Eu nunca vou me apaixonar! – Dominique falou, tomando de uma golada só a bebida no copo.
- Digo amém a isso! – Michel imitou seu gesto
- Posso propor uma brincadeira? – falei cortando o assunto – A brincadeira se chama ‘Eu nunca’. Eu digo uma coisa que nunca fiz e aqueles que já tiverem feito, tem que virar um copo de uma vez só. Eu posso mentir, falar que nunca fiz algo, mas beber em seguida. Isso não muda nada, o que conta é que se você nunca fez o que a pessoa tiver dito, não pode beber.
- Excelente! – Samuel parou de murmurar e estalou os dedos para que o garçom trouxesse várias garrafas de whisky para nossa mesa.

Ajeitamos as cadeiras de maneira que ficamos em um circulo e começamos a brincadeira uma vez que estavam todos com os copos cheios e a mesa repleta de garrafas. Viera começou falando e corria tudo bem, nada revelador demais ou que nos rendesse meses de tortura até o momento. Nada, até que Bernard resolveu falar.

- Eu nunca dormi com uma garota. – ele falou sério, sem tirar o copo da mesa

Mais do que depressa eu virei o meu, Viera fez o mesmo, seguido por Michel. Samuel ficou em duvida, não sabia se bebia ou não, até que pareceu chegar a um consenso silencioso e bebeu. O único, além de Bernard, que permaneceu imóvel foi Dominique. Ele mantinha os olhos fixos no copo, como se desejasse que ele pudesse voar sozinho direto para sua boca e colocasse um fim ao aparente pesadelo. Eu não fui o único a notar isso. Num piscar de olhos, todos na mesa encaravam Dominique com expressões de choque. O silencio era sepulcral e depois do que pareceu uma eternidade, resolvi quebrar o silencio.

- Er... Não vai beber, Nick?
- Merlin, o Dominique é virgem! – Michel berrou e todos riram
- Não quer falar em alemão não, Michel? As pessoas no bar não entenderam! – Bernard falou reprovador. Ele era o único que não ria
- Não é por falta de tentativa, ok? – Dominique falou irritado, fuzilando Bernard com os olhos – as meninas de Beauxbatons são muito reguladas!
- Por que está me olhando assim??? – Bernard perguntou surpreso
- Ora Bê, você era o único que sabia disso! Falou disso de propósito!
- Eu não tenho culpa se você me confessou isso bêbado em uma festa!
- Ei chega! – interrompi antes que virasse briga – Nick, o Bê não fez por mal. Vamos esquecer isso e continuar com a brincadeira.
- Ah cansei dessa brincadeira, é idiota – Dominique falou levantando da mesa
- Bebe chorão! Deixa ele pra lá, é a abstinência... – Samuel falou zombador e não consegui segurar o riso

Depois que Dominique foi embora a brincadeira morreu. Continuamos bebendo e falando besteira, até que chegou um ponto onde Michel e Samuel brincavam de binóculo com os copos vazios, fazendo observações idiotas como o quanto as pessoas saiam desfiguradas se você olhasse para elas pelo fundo do copo. As meninas cansaram de dançar e voltaram pra mesa, logo notando a ausência de Dominique. Em um acordo silencioso decidimos não contar porque ele tinha ido embora e nos limitamos a dizer que ele tinha saído com uma menina alemã. Terri sentou no meu colo e começou a me beijar animada. Eu estava me sentindo péssimo, pois mesmo correspondendo a ela, não podia evita de olhar para Marie pelo canto do olho, notando a expressão irritada no rosto dela. Quando eu estava solteira ela parecia não notar minha presença como um mero amigo, mas agora parece detestar a Terri. Eu definitivamente não consigo entender as mulheres!

Monday, December 11, 2006

O amor muda as pessoas?!

Do diário de Miyako Kinoshita

MK: Hunf... Também vou derrubar sua torre daqui a pouco!
SD: Desculpa Mi, ela estava dando bobeira na direção do meu bispo, não pude evitar! – rindo.
MK: Certo, isso vai ter conseqüência!

Cenário: Salão Comunal, Nox Angeli, 2:37 da manhã.
Acompanhante: Sávio Dulovosky, vulgo “O búlgaro”.
Eu vou explicar...

***

Acordei mais cedo do que o costume, porque Denise que costuma madrugar todos os dias, deixou seu bisbilhoscópio cair no chão, e a coisa começou a apitar e rodopiar descontroladamente, fazendo o maior estardalhaço. Desci com ela pra tomar café, e o Salão Comunal estava praticamente vazio. Praticamente...
Denise pegou uma torrada e foi direto pra biblioteca terminar o dever de Botânica, e eu me sentei ao lado do único outro componente na mesa da Nox, Sávio.

MK: Oi Sávio, caiu da cama?
SD: Oi Mi... Eu não, sempre acordo nessa mesma hora. Você sim, pelo visto.
MK: É, mais ou menos. Não consigo acordar tão cedo assim...
SD: Eu acordava sempre em cima da hora das aulas em Durmstrang! Devo acordar cedo aqui porque não me acostumei com o fuso horário, sei lá...
MK: É, pode ser... Então, o que está lendo aí?
SD: Ah, não é nada demais. Só algumas informações gerais do Campeonato de Quadribol... Viu que o Krum ganhou outro prêmio de melhor apanhador do mundo? – Sávio virou o jornal e eu vi a foto de Victor Krum segurando um troféu em forma de pomo de ouro, um semi-sorriso no rosto.
MK: Novidade... Ele ganha esse prêmio todos os anos! Acho que é o terceiro ou o quarto consecutivo! Nem ele mesmo se surpreende mais, imagino.
SD: Ele não gosta de muita atenção em cima dele, é mais quieto. Odeia jornalistas intrometidos.
MK: Você conheceu ele?
SD: Sim, eu costumava conversar com ele... Até que é bem inteligente!
MK: Não sei nada da personalidade dele, mas nunca vi ninguém apanhar um pomo tão bem! Quero ser igual ele quando crescer... – rindo.
SD: Você é humilde! Joga muito bem também...
MK: Como você sabe?
SD: Assisto todos os treinos de apanhadores, fico vendo você jogar... – ele me encarou sério, depois voltou ao jornal, um sorriso no rosto.
MK: Sério? Nunca te vi lá nas arquibancadas!
SD: Sei ser discreto quando quero...
MK: É, você mudou! Pra quem andava com um pato na cintura!
SD: Era uma tentativa de chamar atenção da única pessoa que ousou se aproximar de mim, mesmo com o pato... Não, não é o Samuel, ele não se importava com o pato também! Estou falando de você! Você não me tratou como um maluco, e sim como um amigo...
MK: Agora eu tenho que chorar? – perguntei fazendo cara de choro e ele começou a rir.
SD: Não, sem lágrimas...

Aos poucos, o Salão Principal foi se enchendo de conversas e alunos com caras de sono. Gabriel e Ty entraram juntos, e eu acenei pra eles. Rory grudou no Ty um minuto depois, a deixa que Gabriel precisou pra vir se sentar do meu lado. Pegou o Profeta Diário que Sávio tinha acabado de dobrar, e abriu, passando os olhos.

GS: Viu Mi? O Krum ganhou mais um prêmio de melhor apanhador do mundo! Nem ele deve se surpreender mais, eu imagino... Já é o terceiro ou quarto consecutivo! – ele falou pensativo. Olhei pro Sávio e instantaneamente começamos a rir, Gabriel sem entender nada. – O que foi?
SD: Vocês ensaiaram essa fala?
MK: Não... Somos gêmeos e esqueceram de contar! – disse bagunçando o cabelo do Biel e deixando ele um pouco corado. – Depois eu te explico Biel! Agora, é melhor irmos andando e apressar o Ty, ou vamos chegar atrasados na aula de botânica! – Biel concordou, arrumando o cabelo e tomando o último gole de café da xícara, ficando de pé, eu em seguida. – Hum, nos vemos então Sávio?
SD: Quando você quiser... – sorrindo.

Sai atrás do Gabriel, um sorriso diferente no rosto. Fomos rebocando Ty e Rory com a gente, mas eles estavam uns metros à frente, quando Gabriel percebeu minha expressão.

GS: Vai me explicar porque estavam rindo?
MK: Ah, ele tinha acabado de me mostrar aquela notícia do Krum, e eu disse a mesma coisa que você, sobre o que o Krum deveria sentir com mais esse prêmio!
GS: Entendi! Acordou cedo hoje hein?
MK: É, perdi o sono... Ele está tão diferente!
GS: Pelo seu sorriso de pessoa que não está entendendo a situação, imagino que ele deva estar bem diferente mesmo! – rindo.
MK: É sério! Está mais maduro! Conversei tanto tempo com ele que nem vi que estávamos em cima da hora da aula! E está falando francês fluentemente! Ele realmente é outro!
GS: Quer que eu te deixe a sós com seus pensamentos, Mi?

Olhei pro Gabriel, que fez uma cara de incerteza, então soltei uma risada e dei um tapinha no braço dele continuando a andar. Olhei pra frente, Ty estava caminhando enquanto tinha um braço em torno da cintura da Rory, parecendo mais feliz do que nunca.

MK: Temos um amigo “in love”!
GS: É, temos... Espero que dure muito! Ele está tão bem humorado, até está comendo menos, acredita?
MK: É, o Ty também mudou...
GS: O amor muda as pessoas!
MK: Quem sabe... Nunca amei ninguém pra saber! Mas acho que é verdade! Minha mãe vai se casar! Acredita nisso? E o Ty, romântico! Você, rebelde! É, o amor muda as pessoas!
GS: Eu não estou rebelde! – falou em tom ofendido.
MK: Você gosta dela Biel, nem adianta disfarçar... Te conheço de outras primaveras!

Ele me olhou sério, depois abaixou os olhos.

GS: Ontem conversamos um tempão também! Acho que estamos começando a nos conhecer melhor!
MK: Ôn, que bonitinho!!!
GS: Sem palhaçada, Mi, por favor.
MK: Ok, parei... Mas que é bonitinho, é!
TM: EI, vocês dois vão entrar ou não??? – Ty gritou com a cabeça pra fora da estufa, um sorriso desconfiado.

Sorri pro Gabriel, e entramos na estufa pra continuar a cuidar das nossas plantinhas carnívoras super delicadas...

***

Cheguei no Salão Comunal da Nox depois do jantar e me larguei na primeira poltrona vazia que encontrei. Estava olhando o teto, aérea, quando alguém segurou minha mão.

MK: Oi Sávio...
SD: Está muito cansada?
MK: Não... Só com um pouco de preguiça!
SD: Quer dar uma volta? Podemos ficar um pouco fora do castelo ainda, até os aurores irem nos rebocar de volta...
MK: Tudo bem. Um pouco de ar fresco até que não faz mal...

Sai com ele caminhando em silêncio até o jardim, onde nos sentamos em um tronco, mais ou menos perto do lago.

SD: Eu gosto muito daqui... Gostava de Durmstrang também, mas lá as coisas são bem diferentes!
MK: Diferentes como?
SD: São mais rígidos, ainda mais quanto a essa dinâmica entre meninos e meninas, entende? Não permitem namoros...
MK: Credo... Então é por isso que você mudou tanto depois que veio não é? Já está pegando o jeito da dinâmica íntima? – rindo. Ele me encarou sério.
SD: O amor muda as pessoas!
MK: Ensaiou essa fala com o Gabriel? Ele me disse isso hoje também! Querem me convencer que o amor muda mesmo as pessoas?
SD: É, talvez... – continuou a me encarar sério e eu comecei a ficar sem graça. – Eu gostava de lá, mas a semana que passei aqui foi suficiente pra querer voltar...
MK: Nossa, fez tanto impacto?
SD: Eu voltei por sua causa!

Direto ele né? Querem saber o que aconteceu depois? Eu comecei a pigarrear sem graça e sem saber o que dizer, e sugeri que a gente voltasse pro castelo. Ele perguntou se queria jogar uma partida de xadrez, mas as conversas e as jogadas estavam tão divertidas que travamos um verdadeiro campeonato até altas horas da manhã. E quando eu ia subir pra dormir, ele me segurou, e colocou uma mão no meu rosto. Com a outra, ele me puxou pra perto e me beijou e muito bem beijado! Não esperava tal ato repentino, mas soube corresponder! Ainda estou me perguntando se ele estava falando sério quando disse que tinha voltado por minha causa, e emendando com a história de que o amor muda as pessoas e blah blah blah... Pode ser que ele só queira tirar o atraso de todo o tempo que ficou reprimido em Durmstrang, mas e se ele tiver gostando mesmo de mim? Céus! Brilhante, Miyako, brilhante!

Sunday, December 10, 2006

Será que estou delirando?

Das memórias de Gabriel Graham Storm

Era nossa penúltima semana de aula antes das férias de natal e os monitores estavam reunidos na sala dos fundadores, já tarde da noite, tentando sortear o amigo oculto. Inimigo oculto, na verdade. Idéia das meninas, que insistiram tanto que acabaram fazendo com que todos se animassem com a idéia. Eu não estava tão animado quanto elas, mas até que seria divertido. O problema é que dependendo de quem eu tirasse, precisaria ficar na cola da pessoa para descobrir seu ponto fraco e poder fazer a brincadeira.

- Muito bem, muito bem, acho que já podemos começar com esse sorteio, já erramos demais as contas! – Viera falou sacudindo o boné para embaralhar os papéis
- E, por favor, vamos parar de tirar nós mesmos! – Bernard brincou tirando um papel do boné – Há! Ótimo, adorei!
- Bê, amassa logo esse papel porque estou quase vendo quem você tirou! – Mad falou enfiando a mão no boné – Oba! Adorei meu amigo! Inimigo, amigo, sei lá, tanto faz.

Viera passou o boné pelo circulo todo e um por um fomos tirando os papéis. Puxei o meu e vi que tinha tirado a Manuela. Gostei. Não éramos amigos íntimos nem nada, mas depois de ficar mais de duas horas explicando um livro pra ela, passamos a conversar todos os dias e acho que posso bolar algo engraçado como presente. Aos poucos fomos levantando e voltando ao castelo. Eu ainda demorei por ter ficado conversando sobre o campeonato de quadribol com Viera, Bernard e Raymond e quando passamos pela passagem secreta Manu e Mad estavam nos esperando. Fomos caminhando devagar ainda falando sobre os jogos, discutindo qual time da liga era melhor que o outro, e quando percebi estava nos jardins do castelo, totalmente longe do salão comunal da Sapientai.

- Ah droga, é melhor eu ir embora, já está tarde! – falei olhando o relógio
- Relaxa Gabriel, ainda podemos ficar aqui fora mais um pouco, somos monitores – Manu falou sentando no muro
- Mas vocês são do 7º ano, nós do 5º. – Raymond falou querendo se despedir
- Eles têm razão... – Bernard falou pensativo
- Nós já vamos indo então. Boa noite – falei levantando e Raymond me seguiu
- Eu acho que também vou indo, aproveitar a companhia até a Nox
- Ah que isso Mad, ta cedo!

Mas apesar dos protestos, Madeline se despediu dos amigos e veio caminhando conosco de volta ao castelo. Raymond e eu vínhamos conversando sobre as férias de natal quando ela resolveu participar do papo também.

- De onde mesmo você falou que era?
- Eu não disse de onde era
- Ta bom, ta bom, não disse, mas estou curiosa e quero saber...
- Brasil. Rio de Janeiro, pra ser mais preciso.
- As pessoas não morrem de calor lá não?
- Não é o deserto do Saara, é só um país onde não tem neve
- E onde tem também futebol! – Raymond falou animado
- É, é, tanto faz... – ela falou impaciente – Você nasceu lá mesmo ou se mudou? Por que você não é tão moreno assim e pelo que vejo na tv, as pessoas lá são bem queimadas de sol.
- Meus pais são Londrinos, não tinha como eu nascer com cara de brasileiro. Mas sim, nasci lá, nunca morei em outro lugar.
- Também nunca me mudei... Quer dizer, nunca saí da França, mas já morei em várias casas. Estamos morando agora em uma casa em Paris mesmo, por isso não gosto muito dos passeios da escola. Não tenho mais nada de novo pra conhecer!
- Sei como é a sensação... Já não tem um único lugar no Rio que eu não conheça. Ao menos os que valem à pena. Mas ainda não consegui ver tudo em Paris, mesmo depois de quase 3 anos aqui.
- Como 3 anos? Você não está no 5º?
- Sim, mas vim pra cá no 3º ano só, estudava em Hogwarts antes.
- E como é lá em Hogwarts? Sempre tive curiosidade, mas na época do Torneio Tribruxo eu ainda estava no 4º ano, nem pude cogitar a possibilidade de ir.
- Ah é legal, nada tão diferente daqui. Só que aqui não tem tanta briga entre as casas, lá é mais competitivo. Nem no torneio as casas se uniram por completo, foi a maior confusão!
- Eu soube da roubalheira, vocês tiveram dois campeões!
- Ei eu não tenho nada com isso! Na verdade, eu estava no grupo torcendo contra o 2º campeão da escola.
- Ahn gente, já chegamos na Nox... Vocês vão entrar ou não? – Raymond falou devagar. Havia esquecido que ele estava do meu lado
- Eu não sou da casa de vocês, não vou entrar. Melhor voltar logo...
- Eu acompanho você até a Sapientai. Não estou com sono mesmo e ainda posso ficar fora do dormitório mais tempo que vocês...

Raymond sumiu pela passagem secreta e demos meia volta, subindo as escadas para a Sapientai. Mad vinha me fazendo dúzias de perguntas sobre Hogwarts e ficamos discutindo sobre o Torneio Tribruxo, ela querendo saber como foi assistir ao vivo. Demoramos mais que o necessário para fazer o caminho até a entrada da casa no 4º andar e continuamos do lado de fora de papo. Era fácil conversar com ela, agora percebia isso. Manu tinha razão quando dizia que eu não tinha motivos para ter receio de me aproximar. Comecei a pensar se seria arriscado demais tentar alguma coisa naquela hora, mas estava me divertindo tanto conversando com ela que não consegui reunir coragem, com receio de estragar tudo.

- Na verdade, tem um único lugar de Paris que eu não conheço direito, que é o Louvre.
- O que?? – falei chocado – como não conhece o Louvre? Que parisiense é você?
- Eu não falei que não conheço, só nunca o percorri inteiro... - disse como se estivesse falando com uma criança de 5 anos – é muito grande!
- Por isso ele é o museu mais fantástico do mundo! Tem tudo lá!
- Não sei se você já percebeu, mas não gosto muito de museus...
- É, já deu pra perceber que passeios culturais não são seu forte – disse brincando
- Também não precisa ofender! – ela falou fingindo estar ofendida – Conheço a ala do Egito Antigo... e o apartamento do Napoleão!
- Isso não chega a ser nem 2% do museu, Mad...
- OK então, se você é o expert no Louvre, me faça uma visita guiada no próximo passeio a Paris! Vou conhecer o Louvre sem informações inúteis dos guias padrões, assim espero
- Mas você falou que não gosta das visitas e nem de museu. Alias, não me lembro de ter visto você nos passeios da escola na cidade...
- Você quer minha companhia ou não em Paris? - disse impaciente
- Claro que quero! – percebi que tinha disso isso com mais empolgação que o normal e logo fiquei vermelho
- Ótimo, porque sei que vou gostar da sua companhia.

Ficamos calados um tempo, nos encarando. Mesmo sem ver, sabia que estava vermelho. E ela tinha uma expressão esquisita no rosto, como se estivesse achando estranho o que ela mesma tinha dito. Tinha a impressão que ela estava prestes a dizer alguma coisa, podia vê-la escolhendo as palavras, quando o quadro da fada da Sapientai abriu. Olhamos assustados para os lados e vi Manu e Bernard parados atrás da gente. Eles tinham dito a senha e eu não tinha escutado.

- Ainda do lado de fora, crianças? – Manu falou aparentemente achando graça
- O que está fazendo aqui, Mad? – Bernard falou não entendendo porque Manu ria – vocês não estavam indo pra Nox?
- Ah sim, mas estava muito barulho lá dentro, uma bagunça. Então resolvi dar mais uma volta – ela mentiu e não entendi o porquê – mas acho que já acalmaram, vou pro dormitório... Tchau Gabriel
- Tchau... – respondi enquanto Manuela me olhava com um sorriso de deboche
- Ok, não entendi nada que se passou aqui – Bernard falou confuso e não consegui evitar rir – desde quando a Mad corre de bagunça??
- Vamos entrar Bê, você ta cansado e não ta raciocinando bem... – Manu falou rindo e entramos pelo buraco do quadro.

Bernard parou na mesa para conversar com Bel, que ainda estudava, e eu apertei o passo para evitar que Manuela me cercasse como já estava dando indícios de que faria. Ty ainda não estava no dormitório, devia estar com a Rory, então troquei de roupa e me enfiei debaixo das cobertas. Não queria um interrogatório hoje, não antes que eu pudesse processar o que tinha acabado de acontecer. Se eu não estiver delirando, é claro. O fato é que Ty voltou ao quarto depois de muito tempo e eu ainda estava acordado, sem previsão se conseguir dormir antes de ver o sol sair...

Saturday, December 09, 2006

Correntes

Lembranças de Seth K. C. Chronos

Como eu havia pedido, Tio Kyle anda me vigiando, ou como ele gosta de dizer, cuidando de mim. Meus pais e Tia Alex não vão poder vir por enquanto, estão com vários problemas decorridos de ataques de Comensais em alguns locais do Reino Unido e da Europa. Isso me deixou um pouco cabisbaixo novamente, queria muito revê-los, principalmente papai, preciso falar urgentemente com ele, mas pessoalmente. Cartas não adiantam em alguns casos...
Nenhum sinal de Lobo... E essa falta de notícias me deixa muito nervoso e preocupado, pois se o achassem logo, eu respiraria mais aliviado. Enquanto isso continuo sentindo a agonia de achar que possa ter sido eu... A garota também não reapareceu, o que me deixa ainda mais com medo, o que será que eu poderia ter feito com ela?! Afff! Essa falta de informações me deixa mais nervoso e preocupado que os próprios aurores!
Por falar neles, eles continuam na escola e duvido que saiam daqui até que o Lobo seja capturado. Eles nos acompanham em todos os locais, mas notei alguns que não gostam de estar no mesmo lugar que eu, ou quando estão, mantêm as varinhas ainda mais próximas, mesmo sem saber a verdade, é como se sentissem no ar... São bons aurores portanto. Evito ficar próximo deles e muitas vezes consigo escapar e ir para os telhados. Fora isso a rotina da escola continua a mesma, apenas com um pouco mais de medo e mais precauções...
Em uma das minhas escapadas para os telhados da Lux, encontrei com o Gabriel encarando uma estátua do quarto andar. Ele estava muito concentrado e só notou que eu havia chegado quando já estava ao lado dele.
GS: Ah oi, Seth. Conseguiu escapar novamente?
SC: Consegui, mas daqui a pouco tem alguém me procurando.
GS: É, eu já notei isso. Geralmente é o tio Kyle – Ficamos calados por mais alguns instantes enquanto encarávamos a estátua. Ela agora que eu olhava, me parecia estranha, como se estivesse fora do lugar. Notei também que algo deixava o Biel curioso e ele acabou perguntando – Seth, por que o tio Kyle está sempre atrás da gente? Para ser mais exato, atrás de você. Ou melhor, por que você pediu para ele fazer isso?
Eu fiquei calado mais um tempo, fingindo não ter escutado enquanto olhava para o topo da estátua. O chapéu do bruxo retratado era o que me parecia mais fora de posição, como se escondesse algo. Finalmente me virei para o Gabriel, sem saber se contava tudo ou não.
SC: É uma longa história... Ele é amigo de meu pai, e eu gosto muito dele. Fora que eu pedi que ele me vigiasse por precaução.
GS: Precaução com o que? O Griffon às vezes solta algumas indiretas quanto a vocês dois, principalmente você.
SC: O Griffon é um idiota, ele só está brincando com vocês, ele adora deixar os outros curiosos. – Falei rindo, mas anotando mentalmente que precisarei dar uma porrada no Griffon quando o encontrar novamente.
GS: É bem a cara dele mesmo, rsrsrsrs. Mas ele realmente me deixou curioso – Ele falou, fechando um pouco os olhos, mostrando que ele estava interessado e que ia descobrir o que era.
SC: Não se preocupe... Não é nada que vocês precisam se preocupar. Acreditem se chegar ao ponto de vocês se preocuparem, é porque eu me preocupei antes e já terei impedido algo... A qualquer custo. – Meus olhos revelaram o brilho da certeza e Gabriel me olhou ainda mais curioso. Eu encarei a estátua novamente, mudando o assunto da conversa – Você também acha que tem algo estranho não?
GS: Com certeza. Essa escola como todo castelo, tem passagens secretas. E parece que tenho um instinto para essas coisas.
SC: Deve ser de família, seu pai era bom nisso não era?
GS: Sim... Mas como você sabe disso?
SC: De novo, meu pai e o seu foram da mesma casa em Hogwarts e eram amigos... E digamos, que tenho um sexto sentido? – soltei um sorriso e ele acabou por rindo, sem tirar os olhos da estátua.
GS: Definitivamente há algo de estranho. A estátua parece fora do lugar, parece deslocada... O chapéu principalmente.
SC: Eu também achei isso, calma ai então – Falei enquanto pegava impulso no chão e saltando para cima da estátua que quase batia no teto alto. Gabriel arregalou os olhos e ficou me encarando surpreso.
GS: Como você faz isso?! Bem não importa, veja se tem alguma coisa aí!
SC: Está bem! – Eu olhei em volta e mexi no chapéu do bruxo, o que revelou uma alavanca. – Gabriel, você precisa ver isso. – Falei e saltei para o chão novamente, segurei o braço dele e com um salto puxei a mim e a ele para o alto da estátua. Depois dele se recuperar do choque, ele olhou para o chapéu e viu a alavanca.
GS: Como isso apareceu? Não lembro de tê-la visto!
SC: Apareceu quando eu mexi no chapéu.
GS: E veja, o chapéu cobre perfeitamente ela... O que será que ela faz hein? Primeiro os novatos! Se ela der um choque ou lançar uma maldição que seja em você e não em mim! – Ele falou rindo e completou - Brincando, deixa que eu a levanto.
Ele puxou a alavanca levantando-a. Ouvimos um barulho de pedra em movimento e da mão do bruxo com a varinha, surgiu uma estrela, que podia ser apertada, mas que era quase imperceptível. Gabriel excitado pela descoberta desceu da estátua na mesma hora e apertou o novo botão. Ao fazer isso a estátua deslocou-se para um lado e revelou uma passagem.
GS: Que ótimo! Preciso anotar essa! Vamos ver onde vai dar?
SC: Sim, já que já a encontramos, vamos aproveitar!
Íamos entrando quando ouvimos passos correndo. Gabriel se apressou em apertar o botão novamente e a estátua voltou ao lugar a tempo de vermos tio Kyle vir correndo pelo corredor.
KM: Gabriel, Seth! Finalmente os achei. Não vão acreditar no que houve!
GS: O que aconteceu tio?
KM: A garota seqüestrada apareceu! Ela está no salão principal agora, pensei que iram gostar de saber.
Mal ele terminou de falar, eu sai correndo corredor abaixo e ele e o Gabriel vieram me seguindo, na direção do salão principal. O salão estava lotado! Logo localizei o centro da confusão e abri caminho até ele, mas nem foi preciso ir tão longe. Quando eu ia começar a andar na direção da confusão, Madame Maxime abriu caminho entre os alunos vindo na minha direção. Mathilde vinha apoiada à ela, com um semblante sem preocupação, mas em péssimo estado, e com um olhar vago e distante que encontrou os meus por um segundo.
Então meu medo aumentou... Por coincidência ou não, por um motivo ou outro, ou apenas pela verdade... Mathilde me encarou por um curto período de tempo. Mas foi o suficiente para ela soltar um grito agudo e desmaiar. A confusão se intensificou e a Maxime precisou ordenar que ficassem em silêncio e pediu ajuda para levar a garota desmaiada para a ala hospitalar. Eles passaram do meu lado, mas eu nem me mexi, parecia que eu havia sido petrificado...
Tio Kyle e Gabriel me alcançaram na hora em que Maxime levava Mathilde e tio Kyle falou que já a acompanhava, queria primeiro ver como eu estava. Ele veio na minha direção e pôs a mão em meu ombro, sentindo-o frio e tenso. Virei-me para ele com preocupação na mente e ele através da Leglimência leu nos meus olhos o que apenas eu havia notado. Ele me segurou firme quando tentei sair dali.
KM: Seth, pare! Ele pode estar aqui.
SC: Não, não pode. Ela olhou diretamente para mim.
KM: Não, havia muita gente aqui. Vocês venham aqui – ele fez sinal para os aurores – Quero uma revista completa por aqui, o Lobo pode ter estado na escola para trazê-la de volta. – ele me olhou novamente, mas eu soltei seu braço com uma expressão triste e o encarei longamente.
SC: Chega tio, não vou por em risco ninguém. Não quero ver ninguém, chegar perto de ninguém. Vou-me “acorrentar” no dormitório. – falei enquanto me soltava dele facilmente.
Corri para os dormitórios deixando Gabriel e o resto do pessoal que chegavam para comentar sobre o ocorrido conosco. Fechei a porta do dormitório e me sentei na cama, pondo as mãos na cabeça, abrindo em seguida a carta que meu pai me enviara alguns dias atrás e que me deixara tão alarmado. A carta dizia coisas sobre mim e meu irmão e me ensinava como selar a mim mesmo. Concentrei-me nas explicações e fechei os olhos, caindo lentamente no sono... A carta dizia que se eu usasse esse método, eu continuava o dia normalmente, mas se corresse o risco de eu perder o controle, eu criava uma área ao meu redor que impedia que alguém chegasse perto... Dormi direto por umas 4 horas, acordando apenas quando já era noite e via bilhetes assinados por tio Kyle e os garotos que não queriam interromper meu sono... Virei-me na cama e fechei os olhos novamente, esperando que o novo dia não trouxesse novas descobertas tão ruins...

Sunday, December 03, 2006

To get on, to get off...

Do diário de Rory Montpellier

Entrei no dormitório jogando minhas coisas, Danielle levantou os olhos do livro e perguntou:
- Brigou com o Ty?
- Brigaria porque? Ele nem me deu chance.... Que cara convencido: "eu sei que você gosta de mim, Rory", e depois me beijando daquele jeito, como se eu quisesse aquilo. Arrghhh.
- Como assim? Você num ta falando coisa com coisa, e rosnando deste jeito, você fica esquisita...- disse rindo e comecei a me acalmar, nesta hora Angelique entrou correndo e pulou na minha cama.Resmunguei com ela:
- Você podia não pular na minha cama? Depois as molas vão ranger...
- Ai não seja chata mana, os elfos não deixam as molas das camas rangerem. Vai conta, o que o Ty queria com você?
- Nada.
- Ah isso é que não. Ele queria alguma coisa com você sim, e uma boa coisa ouso dizer.- e caiu na risada com Danielle.
- Parem vocês duas. Ele queria saber se eu me lembrava do Halloween. – e como as duas continuavam a me encarar eu contei logo:
- Respondi que eu não lembrava de nada, ai ele veio dizendo que eu não estava tão bêbada quando disse na frente de todo mundo que era um encontro, e..
- Verdade. Você não tinha bebido nada tão forte...- comentou Danielle e joguei uma almofada nela.
- ...E que pelo menos de alguma coisa eu deveria lembrar, porque eu havia dito e...Feito muitas coisas, que eu disse que o amava, que ele deveria me escolher. - disse vermelha.
-uhhu, quer dizer então que deixar vocês dois sozinhos foi bom? Se soubessemos disso, teriamos dado um jeito antes.- disse Angelique.
- Como bom? Lembro que eu disse que era um encontro, mas não achei que fosse cair de bêbada ao final da noite, além de que eu não queria ser beijada e ele deve ter se aproveitado e...
- Ah Rory, nem vem. Você agarrou o Ty como se ele fosse sua tábua de salvação.Tudo que houve partiu de você maninha.Fiquei pasma. Acho que terei que fazer terapia.- disse Angelique, rindo.
- E o Ty não "se aproveitou" de você. Nem tente arrumar motivos para encrencar com ele. Ele cuidou de você direitinho. A irmã dele falou comigo, quando eles a deixaram na enfermaria. Eu já te disse isso.Mas não foi por isso que você chegou bufando aqui, conte-nos tudo e não nos esconda nada.- disse Dani e Angelique mexia a cabeça concordando.
Não houve outro jeito senão contar como havia sido. E ao final Angelique pulava na minha cama de novo:
-Ele gosta de você, ele gosta de você, ele gosta de você. E agora o que você vai fazer Rory? Ele merece saber sua resposta.
- Minha resposta é não.Vou ficar quieta e daqui a algum tempo ele cisma com alguma outra garota. ¬¬
Minha irmã parou de pular na cama e disse irritada:
- Como você consegue ser assim Rory? Tá na cara que você gosta dele e ele de você. E se ele quisesse ficar com outra garota não teria sequer falado com você sobre o que houve aquela noite, teria deixado quieto, às vezes com este jeito amargurado você me lembra a mamãe. Espero que você não destrua sua vida como ela. – e saiu batendo a porta.
Virei-me para Daniele e minha amiga disse séria:
- Sua irmã tem razão.
- Fiz uma promessa a minha mãe, e mesmo que não tivesse feito, agora estamos estudando muito e comecei a ajudar no jornal, teremos a rádio e...
- Olha pra mim e responda: Você gosta dele?- e minha amiga me conhece bem, não dá pra mentir.
- Muito.- respondi.
- Então pára de arrumar desculpas, e assuma o que você sente por ele. A impressão que tenho é que você tem mais medo de gostar de verdade do Ty do que da promessa que fez para sua mãe. A gente tem que fazer o que o nosso coração manda, e não o que os outros querem, Rory.
Fiquei olhando para ela e era difícil admitir ela tinha razão. Corri ao espelho, arrumei meu cabelo, e corri para a porta, calçando meus sapatos rapidamente.
- Ei, onde você vai? – perguntou minha amiga assustada com minha agitação.
- Fazer o que o meu coração manda....- sai correndo do dormitório e comecei a procurar o Ty pelos corredores da escola, ele devia estar com os amigos, afinal nossas turmas estavam com o mesmo período vago.
Encontrei-o sentado nos jardins junto dos irmãos Chronos, Miyako e Gabriel. Jean estava se aproximando com Angelique e Lucien mostrava um artigo para Went.
Porque tem que ter este bando de gente com ele? – pensei e minhas pernas começaram a tremer. Um dos amigos o cutucou e ele ergueu a cabeça na minha direção.
Se ele me lançar aquele sorriso convencido dele eu vou embora.- pensei.
Achei que ele fosse vir em minha direção, mas apenas se levantou e se manteve no mesmo lugar, e todos ali nos olhavam calados. Ele estava me encarando e pude ver o brilho do desafio nos seus olhos. Resolvi mostrar que também podia ser corajosa, aproximei-me dele e o beijei dizendo:
- Vale a pena.
Ele sorriu, enquanto os amigos assobiavam e davam risadas, Danielle entre eles.
- Vem comigo. – pegou minha mão e saímos correndo até umas árvores, perto da cabana do guarda-caças e longe das vistas dos amigos. Ele se encostou na árvore e me puxou pra cima dele, enquanto me beijava.
- Ty...
- mmmmm...
- Não gosto de apelidos melosos....
- Claro, coração... – ele ria brincando com uma mecha do meu cabelo.
- Acho que seus amigos não gostam de mim....
-Eles não a conhecem direito. Com o tempo se acostumam...Eu já me acostumei doçura.- provocou me beijando novamente, enquanto mudava a posição para me abraçar melhor.
Ficamos nos beijando e após um tempo, o amigo dele Gabriel veio chamá-lo para voltar ára o castelo. Caminhamos de mãos dadas, e Ty tinha um sorriso satisfeito no rosto, e eu me sentia uma boba alegre, porque não conseguia parar de sorrir. Eu me sinto imensamente feliz.