- SAMUEL STARDUST, você desobedeceu a minha ordem de permanecer nas festas de fim de ano no castelo para ir nessa viagem irresponsável??? É muito bom para a sua saúde, que você não me volte da Alemanha casado, e nem pai de algum bastardo, estamos entendidos? E ouse me pedir ajuda de qualquer tipo, para bancar essa viagem! Ouse! Já que foi sem minha permissão, volte por sua conta, e se mantenha, igualmente... Conversaremos assim que o ano letivo recomeçar, esteja avisado!
Para ser sincero, eu já tinha me perguntado isso algumas vezes, mas nunca tinha conseguido uma resposta exata. A noite no México, que me casei por engano, e acordei do lado da Letícia quase sem roupa, ela com o vestido do avesso, e nós dois abraçados, realmente muito próximos um do outro. Mas isso indicava uma certeza? Nenhum dos dois se lembrava!
Depois desse turbilhão de lembranças me invadindo em segundos, decidi beber, porque ia de acordo com o que eu acreditava ter de fato acontecido...
IM: Uhum...
IM: Três... Eu to bem Samuca, é só uma tonteira...
SB: Não sei do que você está falando. Não estava te seguindo não, sabe? Estava louco de vontade de vir aqui lançar umas bolas de neve na fonte! Encontrar você foi acidente!
IM: É, acho que sim... Todo bêbado precisa de um poste velho pra conversar mesmo. Já que meu poste é você, não vejo outra saída. – ela lançou a bola na fonte e suspirou. – Eu acho que tenho algum problema sério. Acho que a Anabel tem razão...
SB: Hum, razão sobre?
IM: Sobre mim! Sobre o meu jeito de ser! Eu sempre fui assim, desde os 8 anos de idade, quando ganhei o concurso de miss primavera infantil, na festa de independência dos Estados Unidos!
SB: Não sabia que você era o tipo de bêbada que entrava na sessão nostalgia... Mas, continua, ainda não captei o que você está querendo dizer...
IM: E então, eu era fascinada com isso. Compras, moda, beleza, saúde, estética, estilo... Você me conhece, não é? Eu adoro fazer compras, adoro mudar o cabelo! Mas eu não sou daquele tipo mesquinha, fresca! Sou?
SB: Quem mata um baratão daquele sozinha, fresca? Ah, não é mesmo!
IM: Você está levando na brincadeira, não é? – quase chorando.
IM: Então porque nenhum garoto gosta de mim, como deveria? Quando ando com homem, são amigos, e só amigos! Até a Anabel, que mal sabe combinar um par de meias, e tinha um amor platônico por um fantasma, até ela está com alguém que gosta dela!
SB: E você já parou para reparar no Bernard? Ele é exatamente perfeito para a Bel! Ele é tudo que ela gosta, e tudo que falta nela! Entende? Eu também estou solteiro, eu também não achei alguém perfeito pra mim! Mas quando eu achar, essa menina vai ter que ser muito paciente pra aturar minha teimosia, minhas brincadeiras idiotas, e todos os meus outros defeitos, e sabe por quê? Porque a gente não deve mudar nosso jeito de ser pra conquistar ninguém, porque isso fica falso!
SB: De que idiota estamos falando? Trocando gentilezas com a Bel?
IM: Não, a Bel é um doce! Estamos falando da... – ela engoliu em seco - Nicole.
SB: Hum, Nicole, filha da Milenna, namorada do Rubens?
IM: É...
SB: E porque a frase desse jeito? “Se até ela...”?
IM: Eu vou desistir, eu tenho que fazer isso... Quem sabe seja platônico como o da Bel pelo Nick quase-sem-cabeça...
SB: Eu não sei o que dizer. Não esperava isso.
SB: Isa, a minha viagem pro México me ensinou muitas coisas! Uma delas, e a mais importante é: nunca deixe um bêbado andar sozinho! A última e única vez que fiz isso, acabei me casando com uma estranha! – ela riu alto, e sem falarmos mais nada, entramos e nos juntamos aos outros que já entornavam mais copadas de cerveja alemã.
BL: Antes de tudo? Vamos nos acalmar e encarar a situação como ela é...
IM: A única situação que eu tenho para encarar é que afundamos um barco, pedimos carona, fomos assaltados, roubaram todas as minhas roupas e o meu dinheiro, e o de todos nós, e que estamos no meio de uma rodovia alemã sem lenço e sem documento! Entendi bem? – Isa falou com a voz tremendo. Não sei se estava tremendo de raiva, de tristeza, ou de desespero.
SB: Acho que devíamos procurar um posto policial e dar queixa do assalto.
IL: Tudo o que eu mais preciso nesse momento é ir parar em uma delegacia trouxa!
SB: Se você tiver uma idéia melhor do que essa, fale, porque estou congelando de frio e essa rodovia está praticamente deserta...
SB: Passamos por um, dez minutos antes de sermos desfalcados! Vamos andando...
NA: Esse texto NÃO é continuação do texto da Isabel! O recorte final se "encaixa" com o dela, mas só!