Thursday, February 16, 2006
Ciúme ..Raiva... Perda ...
Depois do baile em que só consegui dançar direito com a Morgan uma vez só, hoje eu a veria de novo. Não, não é um encontro, quem dera fosse.
Ainda estou cumprindo detenção, e como é o ultimo dia fui requisitado a ajudar o professor de Zoologia, na orla da floresta. E a coisa parecia ser secreta e perigosa, pois ele solicitou a presença do Gabriel também.
GS-Ty, porque ele quer a gente lá esta hora da manhã? O que você disse pra ele?
TM-Eu não disse nada, ele só falou: Traga o Storm,meu melhor aluno de Zoologia. Ai te passei o recado, só isso. Seguimos até a orla e não encontramos o professor, encontramos Gerard o zelador com ordens para nós.
G-McGregor, limpe a baia de Aquiles e troque a água; Storm: vem comigo para verificar umas armadilhas que deixei na floresta, devem estar cheias. Logo o professor Coussot vai estar aqui.
Nos separamos e comecei meu trabalho, e como estava sozinho comecei a falar comigo mesmo. Não, eu não sou louco, só ordeno as minhas idéias, só isso.
“Acho que vou falar com ela hoje...mas o que eu digo? sou apaixonado por você...não, não...estou doido de amor por você...credo, isto é podre.....Você encheu de luz os meus dias sombrios....” e escutei alguém soltar uma risadinha.
Olhei para ver quem ria e me deparei com um estranho, segurando uma vassoura, e trazia no ombro algo parecido com cordas, mas eram tiras de couro. Notei que usava botas de couro de dragão e vestes pesadas de viagem.
-Desculpe, não pude deixar de ouvir. Acho que você não deve se prender a estas frases feitas, as garotas querem que sejamos nós mesmos. Isto é que funciona, ah.... e procure não estar cheirando a estrume também. - disse apontando par a baia que eu acabara de limpar.
Não fiquei chateado pela interrupção, até porque ele não tinha aquele olhar zombeteiro dos amigos da Morgan, que se achavam superiores.
Logo ele me estendeu a mão, e tinha um aperto de mão firme:
-Weasley. Estou esperando o professor Coussot.
-McGregor. Então fique á vontade, o zelador disse que logo ele estaria aqui. - e continuei meu trabalho. Acho que ele era daquelas pessoas que não gostavam de ficar paradas, pois começou a ir de baia em baia e ver se estava tudo bem com os animais. Ouvi um tropel de cavalos e meu coração deu um pulo.
-É ela. - pensei e larguei o forcado que estava usando para jogar feno na baia e corri para a porta, e o que vi me fez arregalar os olhos de surpresa e admiração:
Morgan, estava montada em Aquiles e vinha em disparada levantando poeira pelo caminho, e o cavalo obedecia ao seu comando como se fossem um só.
Olhei para o estranho ao meu lado e ele tinha um olhar de admiração nos olhos.
Não, lembrando agora era mais do que isso. Estranho idiota....
Ela freou o cavalo, saltou ao chão e vinha correndo na minha direção, com um sorriso de satisfação no rosto. Estava com as faces coradas....
Abri um enorme sorriso ao vê-la e imaginei: ela vai se jogar em meus braços, ela sentiu minha falta, ela gosta de m ... .dele?
Se jogou nos braços do estanho e beijou-o na boca, enquanto ele a erguia do chão.
Eu estava petrificado. Mas consegui ir voltando ao normal, enquanto eles se desgrudavam e Morgan falava atropeladamente.
MOH-Quando chegou? Porque não avisou que vinha?Que falta você me faz... - e o estranho tinha um ar satisfeito, enquanto a abraçava mais.
CW-Cheguei agora há pouco com os rapazes. Eles ainda estão no castelo tomando café, e eu fiquei aqui no estábulo conversando com o McGregor.
MOH-Ty, que bom que está aqui, quero que conheça o Carlinhos, meu namorado. Amor, este é o Ty o amigo que me levou ao baile da escola, de que lhe falei. - e logo me vi apertando a mão do estranho mecânicamente.
Gabriel tinha razão sobre os boatos de que o namorado da Morgan era grande. Ele era bem alto e forte, pois a ergueu do chão sem esforço nenhum. Logo ele a ajudava com Aquiles e ele falava com o cavalo, como se já o conhecesse.
Eu só queria sair dali o mais rápido possível, mas para minha infelicidade o professor chegou acompanhado de mais três rapazes, trajados como o namorado da Morgan e Miyako vinha toda feliz, junto deles.
Humpf, ela já deve estar trocando endereços com alguns daqueles babacas....
Gabriel logo chegou com o zelador e vinham carregados de doninhas, recém mortas. Meu estômago embrulhou.... Não, não sou molenga quando vejo animais mortos, eu estava furioso demais.Queria abrir um buraco no chão e me enterrar. Mas como não podia pegar outra detenção, aguardei que aquele professor pateta dissesse o porquê de estarmos ali.
PC-Bom dia a todos. Agradeço muito por terem vindo. - disse abrangendo a todos.
CW-Onde está o nosso amigo, professor?
Droga... Sabe que reparando na voz dele, ele deve ser meio fanho? O que ela viu nele? Gabriel deve ter percebido, o que se passava comigo, pois se postou ao meu lado, acho que para evitar que eu fizesse alguma besteira.
PC-Para os alunos aqui presentes: McGregor, Storm e Santai, será uma coisa maravilhosa de ser vista, a senhorita O'Hara já está acostumada, pois tem me ajudado com ele, há um bom tempo. Sigam-me. -e nos levou um pouco dentro da floresta, andamos por um bom tempo, e avistamos uma clareira com um cercado de bom tamanho, coberto com um toldo. Enquanto eles iam à frente, fiquei mais atrás com Gabriel e Miyako.
MS-Nossa quem é o bonitão ruivo? Um gato.
TM-nhannahmnhorela. - grunhi.
GS-Namorado da Morgan. - traduziu para nossa amiga.
TM-O que ela vê naquele monte de ferrugem?
GS-Que monte de ferrugem? Que coisa besta de se dizer.... Ele só é ruivo, isso é crime por acaso? - disse indignado.
MS-Eu gostei até do cabelo dele, mais comprido, eles fazem um casal bem legal.
TM-É parece um farol no meio da neblina. - enquanto olhava feio para Miyako.
GS-Ty, pára com isso ele pode ouvir...
TM-Que ouça, eu não ligo. Olha lá, parece um gorilão.... Eu sou uma besta.... Ainda escutei conselhos... Ainda pensei em... - fui resmungando enquanto caminhávamos até mais próximo do cercado.
Quando nos aproximamos, o professor parecia que ia mostrar a oitava maravilha do mundo, pois só faltava pular nas pontas dos pés de excitação:
PC-Quero lhes apresentar o meu querido Othelo. -enquanto puxava o toldo que cobria o cercado.
Eu que esperava ver um dos cavalos super nutridos de Beauxbatons, fiquei sem fala, enquanto Gabriel repetia ao meu lado, com a voz um pouco esganiçada pelo choque e pela emoção:
GS-Um dragão... Aqui?.... Um dragão... Um filhote..... Eu não tô acreditando.
MS-Lindo. - e seus olhos pareciam querer saltar das órbitas.
Tá eu reconheço: Nunca vi algo tão maravilhoso assim.
Os caras logo davam a volta para ver o dragão que devia ter uns 5 metros de altura, e ao ver a aproximação de estranhos suas narinas soltaram algumas faíscas e fumaça.
PC-Othelo são visitas boazinhas, não faça desaforo. - ele falava como se falasse com um cãozinho. O cara é doidão realmente.
TM-Othelo, faça churrasco do cabeça de fósforo. Vai.... só um bafinho e ele já era. - pensei enquanto via aquele Weasley dando a volta no cercado todo, conversando com os amigos e segurando a mão da Morgan, logo ele veio falar com o professor.
CW-Ele é bem grande, e só vamos poder levá-lo durante a noite. Não podemos arriscar que os trouxas nos vejam.
GS-Como assim levá-lo? Ele é nosso. Precisamos estudá-lo. - e Miyako sacudia a cabeça concordando.
PC-Eu adoraria que ele ficasse, mas para a segurança dele ele deve ficar entre seus iguais. Notei Morgan e O ferrugem de cochichos e não me segurei:
TM-Quem garante que ele é capaz de cuidar dele? Nem sabemos direito quem é... Ou o que faz.... - disse apontando com o queixo e acho que fui longe demais, pois deixei meu ciúme falar mais alto.
CW-Nós somos tratadores de dragões, somos bem treinados no que fazemos, e vamos levá-lo para crescer e se reproduzir nas Ilhas Hébridas que é de propriedade da família da Morgan. – disse paciente, enquanto Morgan olhava espantada para mim.
Eu olhava para ele com tanta raiva, tava difícil de disfarçar, então perguntei para o professor:
-O senhor precisa de mim para mais alguma coisa?
PC-Temos que cuidar do Othelo durante o dia hoje, para não ficar estressado. E pensei que vocês gostariam de ajudar, seriam os únicos alunos da escola a ver um dragão de pertinho.
GS/MS-Gostaríamos. - disseram Gabriel e Miyako em uníssono.
PC-Posso contar com sua ajuda senhor McGregor?
Apenas fiz que sim, com a cabeça e notei que o cabeça de fósforo me olhava sério, e não desviei os olhos. Se ele soubesse um pouco de legilimência iria ver a raiva que estava sentindo dele e principalmente de mim mesmo. Por sonhar com algo que agora eu vejo, não posso ter.
Wednesday, February 15, 2006
Dia dos namorados cheio de estranhas surpresas...
Num dormitório da Fidei Angeli, antes do café da manhã...
MOH- Eu não acredito que você quer que eu diga ao Ty que não vou mais ao baile com ele, porque Armand está de bico. Aliás, ele nem deveria estar assim, pois não é meu namorado e ele que veio dizendo que não poderia ir comigo ao baile lembra?
MD- Ah eu lembro, mas ir com um garoto do 4° ano é humilhante demais né?
MOH- Não acho; pois estou indo com um amigo, igual seria se fosse com Armand.
MD- Um amigo pra você, mas os olhos daquele menino dizem outra coisa.Ele tá caído por você, e só você não quer ver isto. E já pensou no que o Carlinhos vai dizer?
MOH- Carlinhos disse que o que eu fizer está bom, já que ele não pode vir pra cá.Ele confia em mim. Assim como eu confio nele.
MD- Confia .... Sei... Se ele visse o jeito que aquele menino olha para você, não estaria tão seguro.... O garoto te olha como se você fosse o último copo de água no deserto.
MOH- Gosto do Ty como gosto de Armand, é apenas amizade. E por mais estranho que possa parecer, ele não é infantil.- enquanto ria do seu cometário exagerado.
Falar em meu namorado era sua ultima cartada e ao ver que eu não me abalei, e tive que aturar mais cobrança da parte de Armand, durante o café da manhã. Só parou porque ameacei nunca mais falar com ele, se ele insistisse nisso. Que coisa mais chata....
Na hora do baile Ty e eu nos encontramos no salão, a após acenar para só amigos dele, nos sentamos junto com Marienne, Julian, Armand, Denise para jantar. Tudo ia bem, até começaram as piadinhas de Armand e Julian:
AG- É seu primeiro baile, Timoty?
TM- Sim, e é Ty.
JG- Nossa, e seus pais deixam você ficar acordado até tarde?
Ty ficou vermelho mas respondeu calmo:
TM- Claro, se vocês "velhotes" conseguem porque eu não conseguiria?
Não me contive e comecei a rir. Acho que eles não esperavam tanta audácia do meu acompanhante e passaram para assuntos mais amenos e todos pudemos conversar numa boa. Após o jantar, teve início o baile e eu que achava que convivia com pessoas adultas, tive uma surpresa.
Começou com Ian, vindo todo galante me tirar par dançar:
IR- Oi, Morgan, tá a fim de dançar comigo?
MOH- Oi, Ian, estou acompanhada do Ty. - e ele já ia responder quando Ian diz:
IR- Ah, mas eu estive longe, e o "moço" aí vai ter a noite inteira pra ver você.
Acho que Ty, quis parecer descolado e disse:
TM- Por mim tudo bem.
E lá fui eu dançar com Ian, antes de terminar a música aparece Armand e troca com Ian. Continuamos assim por umas quatro músicas, pois dancei com Julian também e novamente com Armand. O pior era que eu não conseguia voltar para a mesa, pois sempre no meu caminho aparecia um deles, e quando eu via já estava presa pela cintura dançando com alguém. Em dado momento estávamos dançando uma música em 5 pessoas, e vi Ty se encaminhar para a mesa dos amigos. Pensei em ir atrás, mas os meninos fecharam a roda, percebendo minha intenção. Entendi o joguinho: evitar que dance com o Ty.
Bem, rapazes, vou frustrar seus planos hoje, sinto muito- e continuei como se nada tivesse percebido.
Ai começou uma música lenta e alguns professores estavam dançando também, e entre eles o professor de Mitologia com a professora de Botânica. Eu fazia par com Armand.
AG- Viu como você está aproveitando melhor o baile comigo do que com o fedelho?
MOH- Armand você me decepcionou. - disse seca e ele ficou surpreso.
AG- Mas por quê?
MOH- Porque considerava você um amigo, e como amigo você deveria apoiar e respeitar minhas decisões sejam elas quais forem. - então o vocalista da banda disse para fazermos as trocas de pares, e meu par era o professor de Mitologia.
Desde o dia em que ele havia falado da coragem dos comensais, eu procurava falar o menos possível com ele, e agora seria inevitável.
FR- Está uma festa muito bonita não?- disse para puxar papo.
MOH- Sim, está tudo muito bem organizado.
FR- Senhorita O'Hara creio que ficou com uma impressão errada da minha pessoa, quando falei que achava os comensais corajosos. Não quero que pense que os apóio.
MOH- Não penso professor, pois se pensasse já teria falado com Madame Máxime sobre isto. – disse indiferente, mas sua mão apertou a minha um pouco mais.
FR- Como poderia apoiar alguém, que quase a machucou. - disse me encarando e eu Fiquei surpresa, mas fiquei calada:
FR- Sabe que seu nome significa habitante do mar? Muito apropriado, pois você deve ser uma sereia disfarçada, muito encantadora.
MOH- Seria bom se voltássemos aos nossos pares. - disse fria.
Eu estava ficando com medo daquele homem. Primeiro elogia os comensais, agora está me cantando? Ele não é um conquistador, ele deve ser doido. Ele percebeu meu receio e disse como se nada tivesse acontecido:
FR- Vamos procurar nossos pares senhorita, estou um pouco cansado com esta agitação.
Logo estava dançando com Armand novamente e ele ia dizendo que Milena ficou o tempo todo cobrando-lhe mais empenho nas aulas de Botânica, que havia sido uma parceira muito chata. Notei Ty do outro lado do salão, e disse:
MOH- Vamos. - e o puxei pela mão ate próximo de onde Ty estava.
Soltei sua mão e disse séria: Acabou a brincadeira.Vou dançar com o Ty. Fui até onde meu par estava e lhe estendi a mão. Ele olhou surpreso de mim para Armand e a pegou. Dançamos uma música sem interrupções, mas ele falava, falava, e eu apenas me limitei a ouvir sem prestar atenção. Minha mente estava fervilhando: Porque o professor quis se desculpar comigo? Será que é culpado de alguma coisa e está tentando ganhar tempo? E o que ele quer comigo?
Ty percebeu que eu não estava concentrada nele e ficou calado, e aproveitei a deixa:
MOH- Você se importaria se eu fosse embora? - ele sacudiu a cabeça em negativa e me acompanhou até a entrada da Fidei.
TM- Morgan eu queria te dizer uma coisa...
Sua expressão era séria, parecia que ia revelar alguma coisa importante e as palavras trocadas pela manhã com Marienne me vieram à mente: Ele tá caído por você....
MOH-Ty você é um ótimo amigo e excelente dançarino, muito obrigada pela companhia. - dei-lhe um beijo na bochecha e entrei em meu salão comunal, sem olhar para trás.
Talvez Marienne tenha razão, e eu tenha que me afastar do Ty, antes que as coisas fiquem complicadas.
Trato é trato
Sabe quando você faz uma aposta por pura empolgação, mas segundos depois você se dá conta de que foi uma péssima idéia? Que além de ser uma situação delicada, envolve outras pessoas? Pois é, estou com esse problema. Samuel e eu apostamos que beijaríamos as garotas que gostamos nesse dia dos namorados, mas ambos nos arrependemos rapidamente. Mas claro que nenhum dos dois teve coragem de dizer que estava pensando em dar pra trás e a aposta seguiu em frente. Passei a semana toda esquematizando um jeito de fazer isso sem parecer atirado, mas foi impossível pensar em algo sutil. Como ela reagiria a isso? E se não gostasse e se afastasse de mim de vez?
O tão esperado dia chegou. Elfos fantasiados de cupidos cantarolavam saltitantes pelos corredores, jogando pétalas de rosas nos alunos e entregando bilhetinhos apaixonados no meio das aulas. Recebi meia dúzia de corações com poemas melosos, mas não cheguei nem perto do saldo de Dominique. Não conseguíamos dar um passo sem que um elfo nos parasse para entregar alguma coisa e em sala era impossível assistir aula com ele perto. O professor de Transfiguração desistiu, sentando-se à mesa e começando a conversar com os alunos nas primeiras cadeiras, enquanto uma fila de elfos aguardava para fazer sua apresentação para Dominique. Bernard rabiscava algo num pedaçinho de papel, tentando esconder o conteúdo da gente.
IL: O que você tem ai?
BL: Nada. To copiando a matéria do quadro.
MD: Mentira, você já acabou de copiar tem meia hora!
BL: Michel, você é novo aqui, não pode dar opinião ainda.
ML: Anda Bê, deixa a gente ver. É torpedo pra alguém?
IL: Claro que é! Dá isso aqui! – arranquei o papel das mãos dele e subi na cadeira enquanto lia, Marie e Michel segurando seus braços. – “Deixar os livros de lado e aproveitar a festa não vão lhe fazer mal. Estarei lhe esperar no salão comunal da Sapientai às 19hs e não aceito não como resposta. Bernard”.
MD: Pra quem é isso?
ML: Oooh é pra Bel não é? Diz que sim, vocês fazem um casal tão bonitinho...
BL: Muito obrigada Luke, valeu mesmo.
IL: Ora Bê, pra que o estresse? Ela não parece ser do tipo que abandona os livros, mas você é um bom partido. Tenho certeza que ela não vai dar bolo!
Bernard tomou o bilhete da minha mão e sentou emburrado, mas depois desfez a cara feia e levou na brincadeira. Quando saímos da aula ele entregou o papel ao elfo discretamente e fingimos que não vimos para não deixa-lo mais constrangido do que já estava. Como não tínhamos mais nada pelo resto da tarde, caminhei pelos jardins com os três. Percebia que Michel não parava de secar Marie, mas como ele fazia o mesmo com qualquer outra garota que passasse ao seu lado, não dei importância. Alias, meu primo foi outro que concorreu com Dominique nos torpedos mesmo sendo novo na escola. Agora pelos jardins, como o Nick estava ocupada com suas milhares de fãs em algum corredor do castelo, era Michel que chamava a atenção. Logo ele saiu atrás de uma garota do 7º ano que piscou para ele ao passar e não nos vimos mais pelo resto da tarde. Deitamos em um dos pufes que estavam decorando o gramado e ficamos os três mudos olhando as nuvens. Confesso que por diversas vezes pensei em pagar a aposta ali mesmo, mas me contive. O bolha d’água do ex-namorado de Marie passou por nós nos encarando e saiu irritado, sem que eu entendesse o motivo. Marie se aborreceu por causa disso e acabamos entrando de uma vez por todas para nos arrumarmos.
O salão foi todo decorado com coisas rosa e vermelho. Varias mesinhas redondas foram organizadas pelos cantos dele e alguns sofás e pufes estavam agrupados em um espaço separado, no fundo do salão. Teríamos um jantar antes da banda começar a tocar e pude ver a professora de Etiqueta vigiando os alunos para se certificar de que todos andavam prestando atenção em suas aulas. Estava na mesa com Marie, Bernard com Bel, Michel e a acompanhante do 7º ano e Dominique com uma menina do 6º ano da Nox, Danielle. Quando a musica encerrou e todos levantaram pra dançar, entendi a mão para Marie, que me acompanhou sem contestar. Podia ver Samuel com Amaralina e constatei que ele já havia cumprido sua parte no trato. Sempre que nos esbarrávamos no salão ele piscava e indicava Marie com a cabeça, mas não estava na hora ainda, não podia simplesmente agarra-la ali. O vocalista da banda iniciou uma brincadeira de troca de pares e Bernard puxou Marie para dançar. Olhei ao meu redor procurando quem iria dançar comigo e vi a professora de feitiços sozinha. Corri até ela sorridente e estendi a mão, fazendo uma reverencia que imitava os elfos.
IL: A senhorita me concede a honra desta dança?
CT: Mas como recusar um convite de um jovem tão encantador?
IL: Por favor...
Abri caminho com a professora ate o meio do salão e começamos a valsar. Ela era de longe a professora mais divertida da Academia e adorada por todos os alunos, até os mais exigentes. Alguns casais em volta pararam de dançar para observar e rir, pois rodopiávamos pelo salão meio descompassados. Quando o vocalista anunciou mais uma troca, beijei a mão da professora e ela foi puxada por Dominique. Marie dançava com um menino da nossa turma que tinha namorada, então não me preocupei e fui até a mesa onde alguns alunos do 7º ano da Fidei estavam sentados, entre eles a Morgan, e a tirei para dançar. O garotinho que acompanhava ela não pareceu gostar muito, mas para dizer que era legal não se opôs e a conduzi ate o meio do salão.
IL: O que você viu no pirralho Morgan?
MOH: Não fala assim dele Ian, o TY é legal. E não vi nada demais, ele é só um amigo.
IL: Pra você né? Eu já tive 14 anos e naquela época também queria ser amigo de todas as garotas do 7º ano.
MOH: Para de implicar com ele ou piso no seu pé! Dança calado e deixa que eu tenho a situação sob controle.
Ela riu e prometi não falar mais nada e nem implicar com o menino. Morgan aproveitou a deixa e me puxou pra perto de Marie, perguntando quando eu ia tomar vergonha na cara. Fui salvo pelo gongo, pois uma nova troca de pares aconteceu e Armand Gaston a tomou dos meus braços. Acenei sorrindo e puxei Marie para dançar novamente. Bernard também dançava com Bel outra vez e Dominique com a professora de etiqueta ao nosso lado.
ML: Não tem graça repetir o par... – disse brincando
IL: Ora, não se pode contrariar as forças da natureza. É inegável que existe uma química aqui... – falei sorrindo bem cínico e Marie riu
ML: E se tiver química também com o professor de Mitologia?
IL: Vou ser obrigado a interromper a fusão antes que algo exploda...
ML: Está com ciúmes por acaso?
Eu ia responder que sim, mas na hora a senti sendo arrancada de mim e Dominique surgiu logo atrás, rodando Marie no salão. Dessa vez não ouvi o aviso da troca e puxei a Isa, que passava distraída pelo meio das pessoas. Ela se assustou na hora, mas acabamos dançando por 3 musicas seguidas. Uma balada mais agitada começou a tocar e os que estavam sentados levantaram, enchendo a pista numa fração de segundos. Logo minha visão foi obstruída por milhares de cabeças e não conseguia mais encontrar Marie. Já não havia mais trocas de pares com musicas agitadas e fui me sentar. Samuel estava na mesa e ficamos conversando um pouco, onde ele me questionou sobre a aposta. Garanti que ela seria cumprida e Amaralina chegou em seguida, levando ele embora. Aproveitei para sair da mesa e fui caminhar nos jardins. Muitos alunos estavam lá fora ainda e depois de dar a volta no lago, encontrei Marie sozinha em um dos pufes. Sentei ao seu lado e peguei uma das garrafas de vinho que ela havia contrabandeado para fora do salão, abrindo e bebendo um pouco para criar coragem.
ML: Cansou de dançar?
IL: Não sou um bom dançarino pra musicas agitadas. Não sei se você percebeu, mas sou meio desajeitado para algumas coisas.
ML: É... Acho que depois de 6 anos eu já percebi isso sim. Por que os garotos são tão idiotas hein Luke?
IL: Nós não somos tão ruins, somos?
ML: É serio, porque eles esperam você virar as costas e já vão logo cantando a 1ª saia que passa na frente, só por vingança?
IL: Nós sentimos muito... – Marie estava um pouco bêbada. Já tinha abandonado a taça e bebia o vinho da garrafa.
ML: Homens... São todos uns idiotas!
IL: Hei! Nem todos são assim, viu? Foi por isso que você e o Antoine terminaram? Ele traiu você?
ML: Ele é um ridículo! Acredita que ele fez isso por ciúme? Só porque eu ando o tempo todo com vocês. Ai que raiva dele, ainda tem a cara de pau de passar aqui e me olhar atravessado, como se eu que tivesse agido errado!
IL: Nunca gostei desse bolha d’água. Se quiser, posso bater nele pra você. – falei rindo, mas ela me olhava como se considerasse a proposta.
ML: Você faria isso por mim?
IL: Eu tava brincando... Acho que chega de vinho, não? Não sai daí que vou buscar água e algo pra você comer.
ML: Você é um amor sabia? Você é um amor e é lindo... e também é um amor, já disso isso?
Seu rosto estava muito próximo ao meu, podia ver cada tom de cor nos seus olhos, que por sinal piscavam sem parar devido à grande quantidade de álcool ingerida. Ele se aproximava cada vez mais e antes que eu pudesse raciocinar, Marie já estava com os braços em volta do meu pescoço, os lábios molhados de vinho grudados nos meus. Mesmo surpreso, soltei a garrafa no chão e envolvi meus braços nela, selando de vez a aposta não tão besta assim.
Tuesday, February 14, 2006
Era um patinho infladinho, amarelinho, tão pequenininho...
É ferida que dói e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer
MH: Sem remetente... Porque ele insiste em me mandar esse poema em partes?
TM: Acho que quer dar ênfase que te ama, ou alguma coisa assim...
MH: Patético...
Havia acabado de sair da aula de Transfiguração e um elfo com peruca cacheada loira, asinhas nas costas, segurando um arco e flechas de borracha me entregou mais um bilhete de declaração. A caligrafia era a mesma em todas e eu não fazia a menor idéia de quem estava me mandando aquilo... Vários elfos perambulavam pelos corredores entregando bilhetes, fazendo serenatas, declamando poemas e até dançando para outros alunos, a maior parte, garotas!
O bom de um dia dos namorados quando não se tem um, é as boas risadas que você garante com a data... Tudo é tão romântico e meloso que chega a dar dor de barriga. Ver as meninas chamando os namorados de meu bebexinho e os meninos com a cara mais boba e apaixonada do mundo respondendo meu doxinho de abóbora cristalizada, pedacinho de céu era fatídico demais, mas uma constante piada. Você grava a cara dessas pessoas que se prestam a isso nesse dia, e faz com que eles nunca mais se esqueçam desse comportamento!
Sentei na mesa da Sapientai com os meninos para almoçar, e mais um bilhete chegou pra mim via fadinha multicolorida e piscante. Aquilo já estava ficando chato!
É um andar solitário entre a gente
É um nunca contentar-se de contente,
É um cuidar que ganha em se perder
MH: Não fala assim do Sávio, ele é um fofo!
GS: Ah é? Falando nele...
GS: Não consigo interpretar essas coisas muito adocicadas, me desculpe...
MH: O que você acha Ty? – Ty não falou nada, ficou calado o tempo todo olhando para um ponto fixo em um horizonte... – Ty?
TM: Oras, não estou olhando pra ela, estou apenas pensando distante aqui...
GS: Sim, nós sabemos Ty... Você que gosta tanto de pensar né?
MH: O que você acha desses bilhetes que estão me mandando Ty?
TM: Acho que se chover, derretem... Isso ta o puro melado!
MH: Ah sim, obrigada pela inteligente opinião...
É servir a quem vence, o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade,
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos maizade,
Se tão contrário a si mesmo é o amor?
Descemos para o Grande Salão, e sentamos à mesa com um Gabriel solitário e entediado.
GS: Olá!
MH: Sabia que ia vir...
GS: Só porque fui forçado por vocês!
MH: Sei... Você precisa se distrair!
SD: Mi-iako...
GS: No way Mi, manda esse búlgaro de volta pro iglu que ele veio… Até para falar seu nome a coisa é enrolada!
MH: Shii Gabriel, deixa ele... Tava ensinando o básico de francês, e meu nome ele já quase acertou... Um avanço!
Sávio agarrou a bóia desesperado, batendo nela e gritando alguma coisa que não conseguia entender... Começou a chorar e Gabriel e Ty se debulhavam de tanto rir na mesa. Belisquei os dois e mandei que ajudassem a arrumar o pato...
GS: O que ele ta falando?
TM: Sei lá! Mas deve estar te jogando uma macumba!
MH: Se você tem idéia melhor do que essa, apresente-a por favor...
Depois desse sufoco, resolvi arrastar Sávio novamente contente de volta para a Nox e ir dormir com promessas de afogar o Gabriel e o Ty no dia seguinte!
Apenas mais uma de amor
Olha só, vamos combinar um negócio: eu não entendo o comportamento das pessoas em certas datas e pronto! É o unico jeito de explicar o que se passou nesse castelo nesse dia dos namorados! Já disse várias vezes e repito que considero as meninas de Beauxbatons um tanto quanto fúteis e superficiais, mas também admito que algumas têm o seu valor e que nem todas preenchem esse estereótipo. Mas o fato é que uma em especial me deixa confuso. Não, não vou dizer quem é, podem esquecer. Nem sob tortura!
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Depois de um café da manha tranquilo, segui para minha aula de Feitiços. O castelo estava tão meloso com aquelas decoraçoes que estava com receio de vomitar tudo que havia comido mais cedo. Ty andava pra lá de esquisito, babando em uma menina 3 anos mais velha que ele... Pobre Ty, tem mesmo esperanças de que ela veja nele mais do que um menino engraçadinho. Já Miyako vinha atrás de nós conversando com o búlgaro. Quer dizer, vinha gesticulando, pois o garoto não fala absolutamente nada de francês. A unica lingua que ele parece falar além de búlgaro é a lingua daquele ridiculo pato de borracha pendurado na sua cintura.
Eu acho tão bonito
Isto de ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Adentramos a sala e qual não foi a minha surpresa em ver que ela estava de uma ponta a outra decorada para a data? Corações, querubins, flechas, babados e fitinhas rosas estavam pendurados em todos os cantos e a professora se encontrava sentada em uma enorme almofada vermelha em forma de coração sorrindo para os alunos que chegavam. Nem é preciso dizer que foi impossível absorver algo de útil naquela aula não é? Além dos alunos estarem extasiados com o clima que se alastrou pela escola, elfos fantasiados de cupidos invadiam a sala de tempo em tempo, cantarolando canções romanticas. Cada vez que eles entravam, o alvo era diferente. Já me perguntava quem estava com uma diarréia mental para bolar tal idéia quando um elfo estacionou ao meu lado. Tentei enxotá-lo, mas a criatura não saiu e começou a cantar. Minha cara devia estar da cor de um pimentão, pois a turma inteira ria sem disfarce e pude perceber lágrimas escorrendo dos rostos de Ty e Miyako. O elfo fez uma reverência e saiu, largando um coração de papel na minha mesa.
- Quem mandou?
- Não tem nome...
- Ai minha barriga...
Miyako mantinha as maos na barriga rindo, mas logo o sorriso evaporou da cara cínica dos dois. Mais elfos entraram na sala e por algumas vezes o torpedo apaixonado era para eles. O tempo de Feitiços terminou e caminhava lentamente para a sala de Poções quando fui parado mais uma vez. Agora era uma elfa de saias e peruca loira de cachinhos que atirou uma flecha de borracha em mim, lendo em voz alta para o meu total desespero, mais uma cartinha melequenta. Ela rodopiou não muito graciosamente no corredor soltando a carta no ar e a apanhei bastante sem graça. Mais uma vez não tinha remetente, apenas versinhos rimados tirados de algum livro de poesia. Quem será que me mandou esse? Será que foi quem eu estou pensando? Será que foi a mesma menina da outra? Será que é mesmo uma menina?? Espero profundamente que sim...
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
O dia correu nesse ritmo. Recebi pelo menos mais uns 5 torpedos diferentes, todos sem assinatura. Já estava com trauma de elfos e completamente disperso, não conseguia me concentrar em nada que não fossem as tais cartinhas. Relia todas cuidadosamente, na esperança de que uma me desse alguma pista da autora. Encarava todas as meninas da escola enquanto carregava os corações de papel para ver se alguma delas dava um deslize, mas nada aconteceu. Aderi a tática de ignorar os comentários engraçadinhos dos meus amigos e me separei deles quando as aulas acabaram, pois cada um tinha seus compromissos. O meu era se esconder no salão comunal e não me deixar ser arrastado ao baile por eles.
Desviei o caminho para a torre da Sapientai e me sentei em um dos pufes já instalados no jardim para a festa de mais tarde. Casais passavam de mãos dadas para lá e para cá aos beijos, com aquelas expressões de panacas estampadas na cara. Os que estavam sozinhos secavam uns aos outros, as garotas dando aquelas risadinhas irritantes e os meninos com suas melhores caras de galã de 5ª categoria, mas que pareciam estar funcionando muito bem.
Até que algo chamou minha atenção. Do outro lado do gramado, a menina mais bonita da escola caminhava com as amigas sorrindo. Não conseguia desviar meus olhos dela, por mais que tentasse. Tive a impressão que ela percebeu que estava olhando, mas ou se fez de desentendida ou eu estava começando a ter alucinações. Que coisa mais ridícula, podia sentir meu coração batendo mais depressa. Me sentia patético nessa situação, isso não faz meu gênero! Tentei pensar em outra coisa, mas quando mais se precisa, nenhuma instrução de poção complicada vêm à cabeça... Olhei de novo para onde ela estava e abaixei a cabeça depressa ao notar que ela também me olhava. Queria ir até lá, mas alguma coisa mais forte e maior que eu me impedia. As coisas estavam bem desse jeito, não via motivo para querer mudar agora só porque estou começando a sentir os efeitos da adolescência.
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
Varri esses pensamentos da cabeça e levantei do pufe para voltar ao salão comunal e não me arrumar para a festa. Não estava com vontade de aparecer por lá, ficando vulnerável às meninas alegres que me mandaram os torpedos. E se uma delas resolve se declarar? Onde ia enfiar a minha cara? Dei uma volta maior para evitar esbarrar com ela, mas quando olhei notei que elas haviam sumido. Provavelmente foram se preparar para o baile. Já estava quase na entrada do saguão principal quando dei um encontrão forte em alguém. Era ela.
- De-des-desculpa. – gaguejei sem graça
- Tudo bem, não foi nada. Não vai me ajudar a se levantar?
- Desculpa – estendi a mão desajeitado e a ergui da grama.
- Obrigada. Voce só conhece essa palavra?
- Desculpa... *Burro, diz alguma coisa inteligente!*
Ela riu e entrou no castelo, me deixando lá com cara de pastel. Brilhante Gabriel, isso é hora de deixar o QI decair tanto? Dei um tempo até ela se afastar e entrei desacreditado no saguão. Patética minha atuação, se antes ela não sabia quem eu era, agora vai se lembrar de mim como o idiota que precisa expandir o vocabulário! Melhor tentar evitá-la nos corredores para não correr o risco de continuar me desculpando. Acho que Ty tem razão, meu problema é que eu penso demais...
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
*******************************************
N.A.: A música usada e que deu título ao texto é “Apenas mais uma de amor”, do Lulu Santos.
Monday, February 13, 2006
Ou tudo, ou nada!
Da velha caderneta de Samuel Berbenott
IL: Ah sim... Senta aí!
SS: Esse búlgaro é patético! Acho que se apaixonou pelo pato, ou pelo Bubo, como ele mesmo batizou...
IL: Não mais patético do que esse castelo durante essa época não é? Chega a ser deprimente! Sozinho no baile?
SS: Alguma sugestão para o contrário?
IL: No baile...
SS: Como? Só se eu beber muito!
IL: Um pacto?
SS: Pacto?
IL: Vamos fazer um pacto de honra! O baile é a chance de ouro! Eu tenho que beijar a Marie no baile, e você beija a Amaralina! Não importa o método escolhido para conseguir tal proeza... Topa?
SS: Topo! Com a pressão de um pacto eu não vou poder me conter e ir falar logo com ela...
Uma vez que se faz um pacto de honra, ele se torna inquebrável, irrecuperável e irremediável... Ou você faz, ou você faz! Os dias passaram correndo, quando o dia 14 de fevereiro alvoreceu. Fadinhas voavam pelo castelo jogando bilhetinhos apaixonados, elfos entregavam cartas de amor e faziam serenatas, admiradores secretos se revelavam para suas amadas e namorados se presenteavam e passavam colados pelos corredores a cada momento. E eu? Desesperado com a idéia de me declarar para alguém, quase morrendo de diabetes e claro, preparando uma pequena surpresinha para uma querida professora...
Cenário: Café da Manhã, Grande Salão. Eu e Ian sentados na mesa da Sapientai cochichando os últimos detalhes quase aos sussurros... Chamamos os serviços de um grupo de elfos, e indicamos para quem iria a nossa apaixonada homenagem, sentada ao lado de Madame Máxime na mesa dos professores...
Eles se encaminharam prontamente lá, e quando chegaram ao pé da professora Milenna, pararam em fila indiana limpando as gargantas e começando em um som totalmente desafinado a cantar: Meu coraçããão, não sei porqueeee, bate feliiiiz, quando te vêêêê, e os meus olhos ficam sorrindooo e pelas ruas vão te seguindooo, mas mesmo assiiim foges de miiiim...
Por um momento pensei ter visto um sorriso no rosto severo da professora, mas essa impressão logo passou quando ela se virou furiosa para nós dois gritando maldições... Começamos a desenhar corações com as mãos, mandar beijos, o que só aumentou a fúria dela e os risos de todos do salão. Madame Máxime nos olhava encantada como se tivesse achando a coisa mais meiga do mundo dois alunos homenageando uma professora.
O tempo passou e meu estômago estava embrulhando. Sabia o que tinha que fazer, sabia perfeitamente, só me faltava a cara de pau para tanto... Mandei um bilhete sem remetente para Amaralina, pedindo que me encontrasse no corredor do primeiro andar, no começo do baile.
Desejei boa sorte pro Ian e subi. Ela ainda não estava lá e me escondi dentro do armário de vassouras deixando apenas uma fresta para espiar o exterior. Não estava fugindo, apenas ia pegá-la de surpresa... Ela chegou correndo, os cabelos soltos, a saia longa balançando, seus olhos percorrendo todo o corredor ansiosamente. Era agora ou nunca! Aproveitei que ela estava virada de costas e sai o mais silenciosamente que pude do armário. Cheguei por trás dela e nem ousava respirar aquele momento. Quando ela viu, já era tarde demais... Se encontrava encostada contra a parede, meus braços segurando forte a sua cintura, enquanto nos beijávamos...
Estrela da noite, meu universo é você
Era dia de São Valentim. Os ciganos não costumam festejar datas de santos além de Santa Sarah, mas todos em Beauxbatons estavam tão eufóricos que eu pensei não haver problemas em participar das comemorações e desfrutar do prazer das torradas com geléia de morangos e bombas de chocolate em formato de coração que os elfos serviam no café da manhã. Enquanto descia as escadas, avistei Kassandra voando em torno da abóbada central do castelo. Gelei. Eu só usava minha coruja para mandar noticias ao meu pai ou a algum de meus irmãos, e se ela estava ali, com um pedaço de pele de carneiro atado à pata, só podia trazer notícias de casa. E como meu sexto sentido nunca falha, as notícias vinham de meu irmão Johann. E suas palavras me atingiram como um punhal envenenado durante um combate que, eu tive a certeza, estava perdido antes mesmo de começar.
Lina, minha pequena
Irmã, não sabes o quanto sinto sua falta! Minh’alma desfaz-se em lágrimas todas as vezes em que sinto a incerteza em seu coração e me sinto completamente inútil. Sempre fomos um do outro, minha pequena rainha, compartilhamos sonhos, segredos e ilusões. O mesmo espírito habita nossos corpos, o mesmo deus nos guia e protege. E, ocupando o lugar que ocupas em minha vida, decidi que seria você a primeira pessoa a participar de minha alegria. Lina, eu descobri que dentro de nós reside toda a magia da esperança, do amor e dos sonhos. Descobri que o amor é único. E que eu sei o que é o amor. Estou apaixonado, minha irmã! É estranho contar isso a você, mas sei que apenas você, a eterna rainha de nossa família, será capaz de compreender a intensidade do sentimento que tento expressar em cada uma destas linhas. Ksenya e eu vamos nos casar em julho, em uma magnífica cerimônia que unirá nossos clãs. Ah sim, estava esquecendo: Ksenya é filha de uma das mais belas e antigas tribos ciganas na Rússia. Ela está ansiosa por conhecer você, e sei que você gostará dela tanto quanto eu. Você será nossa convidada de honra, a protetora enviada pelos deuses.
Que Abraim te proteja!
Um beijo enorme do seu irmão
Johann
Ahn... ótimo, era tudo que eu precisava, definitivamente. Nada melhor que mandingas de amor em russo pra detonar de vez comigo. A idéia de ver Johann aos beijos com uma garota e ter que aplaudir e felicitar os pombinhos me dava arrepios. Mas... afinal, o que eu esperava? Somos irmãos, não somos? Seria muito idiota de minha parte ficar esperando que meu irmão se declarasse a mim. Respirei fundo, e contei até 3500 enquanto mordia meus dentes, segurando a violenta onda de perplexidade e fúria que perturbava minhas entranhas.
Decididamente, a perturbação astral decorrente dos últimos fatos me levaram ao limite. Eu deveria esquecer, precisava esquecer para não perder a lucidez. Então a última aula com o professor Martin Winckler surgiu em minha mente, tornando-se a estrela que põe fim a um buraco negro em uma desconhecida galáxia. Havia uma sombra em meu caminho, um alguém em meu destino. Eu não podia perder esta oportunidade. Correr o risco de não descobrir quem era a pessoa que se semi-materializou no mapa astral estava fora de cogitação. Consultei o orbe, meu amigo orbe que sempre me ajudava todas as vezes que eu precisava, mas dessa vez, nada, não apareceu nem fumacinha. Era agora ou nunca mais. Dei meia volta e corri para o dormitório. Isa já tinha saído, e não deveria voltar tão cedo. Tirei coragem só Abraim sabe de onde, e fiz.
Um berrador que canta pra cada um dos habitantes do sexo masculino da escola, com exceção dos fantasmas. Passei o fim de semana trancafiada no dormitório preparando eles. Foram mais de duzentos, inclusive para os professores. Alguém certamente iria se manifestar. Tudo bem que estava correndo sérios riscos de ganhar a maior detenção da minha existência, mas só assim eu poderia observar as reações das pessoas, descobrir quem ficou irritado, quem levou na brincadeira, quem ficou sem graça, quem pensou que eu estava matando cachorro a grito... e quem iria me dar a resposta que o orbe não deu.
Sigo viajando
Pelas ondas do mar
Sou barco navegando
à procura de um lar.
Sobre ondas que batem
E ventos que açoitam
Sou Lua, sou chuva,
Sou brisa e calor.
Quero Sol, quero sal,
Quero areia e amor.
Mas não tenho medo;
Do mar que arrebenta
Embaixo de mim
Eu domo a tormenta
Tão simples assim.
Perseverança e coragem
Por um porto seguro
Pouca sorte é bobagem
O destino é meu futuro.
Sobre ondas eu navego
Pelos mares eu procuro
O caminho do aconchego
Faça vento, ou esteja escuro.
Tenho fé e esperança
É tudo com que posso contar
Sou um barco, sou criança
Nas espumas a velejar.
Pelas praias, pelas serras,
Procuro meu amor enfim;
Sei bem que em alguma das terras
Meu amor acenará para mim.
A todos os portos irei
Em qualquer lugar a buscar
Mas meu amor acharei
Sei que está a me esperar.
Não é necessário ler a borra de chá pra saber que essa não foi a melhor idéia da minha vida. O professor de mitologia não deu ouvidos à voz açucarada do meu cartão, e o jogou sobre uma pilha de quase meio metro que se formava no canto do seu escritório. Edward Couggle sorriu em êxtase, acho que foi a primeira que ele recebeu um cartão de São Valentim na vida, coitado. Professor Martin confundiu o berrador cantante com uma estrela cadente em chamas, e ficou tão apavorado com a suposição que fez um enorme jato d’água brotar de sua varinha, e o pobre berrador terminou morrendo afogado. O professor Pierre achou graça, deu pulinhos e pendurou meu berrador no bolso das vestes, igual os trouxas fazem com cravos amarelos em casamentos.
Infelizmente, nem todos os mestres reagiram dessa forma. Sir Shaft Zambene transformou o cartão em um patinho de borracha antes mesmo que as primeiras palavras do versinho fossem pronunciadas. E, han... professor Grangier gostou taanto da surpresinha que resolveu me dar um presente inesquecível também. Só porque o berrador o encontrou na entrada do Grande Salão e a professora Morghana, de Poções, caiu na gargalhada, deixando nosso mestre de transformações roxo de vergonha, eu ganhei uma detenção. Tudo na vida tem a sua primeira vez, né? E, já diziam os antigos sacerdotes, tudo tem seu lado positivo: estarei devidamente ocupada durante todas as noites da próxima semana, no gabinete de Jean-Michel Grangier, transformando dois milhares de carrapatos em castiçais flutuantes. Isso só acontece comigo, deve estar escrito no meio de alguma constelação que eu ainda não enxerguei...
Sem argumentos, acabei cedendo ao vigésimo convite de Marie para passear nos jardins. Talvez a brisa fresca do Rio Sena desanuviasse minha mente. Enquanto caminhávamos, avistei Samuel e Ian, acompanhados do garoto que fugiu de Durmstrang e ficou amigo do patinho de borracha. Acenei para eles e sorri quando percebi a face de Samuel corando levemente. Logo ele desviou o olhar, e pareceu demasiadamente interessado no pato que o búlgaro carregava.
Ainda precisei aturar a gozação de boa parte dos garotos da escola, que alternavam entre simulações de enjôo e assédio sexual nos corredores. Disse a Marie que estava cansada e ia deitar um pouco, prometendo que apareceria na festa. Cerrei a porta do dormitório e sentei no chão gélido, com as pernas cruzadas, em posição de meditação. Então comecei a perceber que não havia uma viva alma naquele castelo que demonstrasse algum interesse pelo meu cartão de dia dos namorados. Cogitei seriamente a hipótese de ter visto coisas a mais no telescópio, durante a aula de astrologia, e uma pontinha de remorso passou pela minha mente ao pensar em Martin Winckler como um impostor, que nada entendia da ligação dos planetas e da alma humana. Não sei quanto tempo se passou, esses pensamentos se afastaram quando uma das fadas da escola se aproximou de mim, brilhante como a lua, e soprou algo que lembrava um floco de algodão, e que se transformou em um pequeno cartão quando eu o apanhei no ar. Não havia assinatura e eu não consegui reconhecer a caligrafia. Alguém dizia estar à minha espera no corredor do primeiro andar momentos antes do baile. Olhei para fora e vi que o sol já começava a se esconder. Troquei de roupa e, antes que pudesse mudar de idéia, já estava correndo em direção ao primeiro andar, esbaforida. Nem ao menos tive tempo de respirar. Alguém me agarrou e me pôs contra a parede, sem pedir licença. Mas era bom, ah... era tão bom!!!
Tímida
Um beijo tímido ao luar
Mágica
A simples mágica de amar
Se despiu da fantasia
Se vestiu de amor
***************************************
Poema retirado do site Usina de Letras.
A música citada chama-se Tímida, do Roupa Nova.
Thursday, February 09, 2006
De repente é....Amor?
O relógio despertou super cedo e antes que Gabriel jogasse um travesseiro nele, eu levantei. Tomei meu banho, me aprontei todo e fui pegar minhas coisas para irmos para a aula:
GS- O que você tem? Levantou cedo. Nem precisei gritar com você. - perguntou meu amigo.
TM- Nada.
Ele me conhece o suficiente para saber que TEM alguma coisa acontecendo comigo, por isso quando ele arruma os óculos sobre o nariz e fica me analisando, isso me irrita:
TM- Vai Demorar? Tenho que ir logo pro salão principal.
GS- Ty, a comida não vai fugir se você me esperar mais dois minutos.- e ao ver minha cara ansiosa completou:
GS- E nem sua nova amiga.- disse malicioso.
Droga... Será que está escrito na minha testa?
Logo ele se aprontou e no caminho encontramos Miyako, tentando manter algum diálogo com o pato búlgaro; o aluno novato que veio fugido com o filho do Ministro francês de Durmstrang. Foi um pandemônio quando o carinha conseguiu atravessar aquele mar gelado e vir parar aqui na escola. O pai dele colocou um pelotão de gente atrás deles, mas pelo menos eles estão vivos.
A única coisa que sabemos do garoto é que se chama Sávio e seus olhinhos brilham quando vêem a Miyako. Ah, e ele anda com uma bóia de pato na cintura pra cima e pra baixo. Cada doido que aparece aqui.
Lá fomos nós: eu, Gabriel e Miyako, com o menino-bóia tomar café, e depois tomar café à mesa da Sapientai, vi que Morgan estava na mesa da Fidei conversando com os amigos. Fiz menção de levantar e Gabriel me segurou:
GS- Onde você vai?
TM- Vou... vou... falar com a Morgan, sobre um livro que ela me indicou e ...
Miyako, quase engasgou com o suco e disse:
MS- Livro? Você? Lendo? Meus deuses a coisa é séria, Gabriel.
GS- Ty porque você cismou com esta moça? Você tá querendo uma irmã mais velha é?
TM- Ela é apenas uma amiga, não sei porque você tá falando isso. E pra sua informação senhorita Santai, eu leio sim? Fui alfabetizado cedo. (preciso sair daqui, tão fazendo perguntas demais).
MS- Ty, ela é três anos mais velha que você, e pelo que as meninas falam tem namorado sério.
GS- O cara é tratador de dragões, imagina o tamanho do braço...
TM- Eu só vou falar com ela sobre o livro, dá licença?
Deixei-os na mesa e me encaminhei para a mesa da Fidei. Parecia que tinha chumbo nos meus pés, mas fui em frente:
TM- Morgan, posso falar com você?- disse procurando manter a calma.
Ela virou para mim e sorriu. Seus amigos ficaram me olhando de cima a baixo, um deles, reconheci como sendo Armand Gaston e jogava no time da Fidei e já tinha recebido um balaço meu.
Olhava-me como se eu fosse um verme, me controlei.
MOH- Claro Ty. Já tomou café? Se quiser sente-se conosco. - e o Gaston fechou mais a cara.
TM- Já tomei obrigado. - então ela se levantou e ficamos um pouco afastados da mesa.- pude ver Gabriel e Miyako me olhando e balançando as cabeças.
Durante o pequeno trajeto fui olhando a decoração para o Dia dos Namorados e lembrei que o pessoal do 4º ano poderia participar. No ano anterior eu, Miyako e Gabriel até tentamos entrar, mas fomos barrados.
E se haveria um baile, eu teria que convidar uma garota e porque não convidar a Morgan? Seria perfeito. Tomei minha decisão e mostrei a ela o livro sobre Loch Ness que havia prometido e ela olhava interessada. Respirei fundo:
TM-Morgan.... Você gostaria de ir ao baile comigo? - quando vi os olhos dela arregalados disse rápido: Esquece.
MOH-Não, não é isso. Sabe que eu estava dizendo aos meus amigos que não iria participar do baile, por não ter par. E você me convida assim? Parece até transmissão de pensamentos. Ficarei contente em ir com você, afinal somos amigos. - e bagunçou meu cabelo, acho que fiquei vermelho, pois quando olhei para a mesa da Sapientai. Miyako e Gabriel seguravam a barriga enquanto riam. Sacanas...
Mas nada estraga meu humor hoje; ela vai comigo ao baile. Isto deve significar que ela gosta de mim não é? E quem sabe dançando uma música romântica, ela perceba que eu sou um cara legal, e....
Nada pode dar errado neste baile!
Wednesday, February 08, 2006
Um pacto e uma promessa de confusão

Faltavam apenas alguns dias para o Valentine’s Day, data em que 97% dos alunos do castelo deixam a timidez de lado e passam a agir como idiotas perto daqueles que gostam e não tem coragem de dizer. E aqueles que já têm alguém, andam pelos corredores com conversas que seriam capazes de matar um diabético. Samuel e eu andávamos com planos para a data e fizemos um pacto pra lá de besta, mas que era questão de honra cumpri-lo: eu teria que beijar Marie na noite do baile e ele teria que encurralar a Amaralina custe o que custar, e não importava os métodos adotados por nós para tal feito. O que nos levou a combinar isso só Merlin sabe. Talvez o desespero por passar a data sem ninguém ou talvez o fato de que já está ficando patética nossa situação com as duas...
Era sexta-feira, 10 de Fevereiro. Nosso primeiro tempo seria Oclumencia, matéria que amo e odeio. A parte que gosto fica por conta das vezes em que faço dupla com Bernard e conseguimos sempre fechar a mentes quando o professor passa. A parte que odeio se deve ao fato de por pura falta de sorte às vezes cair com Marie. Ela SEMPRE consegue invadir meus pensamentos, é impossível bloquear a mente com ela tentando quebrar a barreira. Ultimamente andava pisando em ovos com ela, evitando sempre cair ao seu lado nas duplas da aula pratica. Mas o professor Edward apesar de brincalhão, também era sacana. Ele já havia percebido que para mim o maior desafio na matéria era vencer os feitiços de Marie e dava sempre um jeito de me colocar com ela. Dessa vez não foi diferente.
Já estava quase desmaiando em sala, suando frio de tanto me esforçar, mas havia conseguido pela 1ª vez desde que a matéria foi implantada na grade curricular fechar minha mente. Marie estava irritada por não ter me dobrado e eu aliviado por não ter deixado nada impróprio escapar. Devo admitir que o desespero as vezes faz milagres! Quando a sineta tocou indicando o término da aula recolhi meu material espalhado no chão e me encaminhei para a aula de Transfiguração. Costumava gostar da matéria, mas esse ano tudo estava diferente. Ano de NOMs, os professores estavam forçando cada dia mais informação e revisões intermináveis. O professor carrancudo não estava em sala quando chegamos e nos acomodamos enquanto ele não chegava.
JG: Bom dia classe – disse e nem esperou a turma responder – Antes de começarmos a aula de hoje gostaria de apresentar um aluno novo, transferido de Hogwarts. Esse é Michel Renoir Ducasse, ele vai ficar na Fidei Angeli. Escolha um lugar e acomode-se, por favor.
Saltei da cadeira surpreso, pois ele não havia me dito que estava de mudança para Beauxbatons! Levantei o braço e ele me localizou rápido, vindo se sentar ao meu lado. Ele já estava usando o uniforme da escola, mas não parecia muito empolgado com as mudanças repentinas. O professor Grangier deu inicio a uma revisão sobre como transfigurar objetos pequenos em patos e Logo a sala se encheu com o som de patos assustados e asas batendo sem parar. Meu bloco e o de Michel permaneciam intactos na mesa enquanto conversávamos, sem prestar atenção nos exercícios.
IL: Porque não me avisou que viria?
MD: Não deu tempo, até ontem a noite não sabia de nada... Papai decidiu de ultima hora me mandar pra cá.
IL: Eles vão voltar a morar na França então?
MD: Tudo indica que sim. Papai foi pessoalmente até Londres explicar o motivo de estar me tirando da escola e mamãe me escoltou até aqui. Vou precisar de um tour, esse castelo parece ser imenso!
IL: Não se preocupe, na hora do almoço vamos dar uma volta.
BL: Hei, tem uma aula acontecendo aqui. – Bernard falou se virando para trás.
IL: Michel, esse é meu amigo Bernard Lestel. Michel é meu primo!
BL: Muito prazer. Então você é francês?
MD: Sim, apesar de ter morado na Inglaterra a maior parte da minha vida...
DC: Quem mora na Inglaterra aí? Dominique Cartier, muito prazer primo do Luke.
ML: Será que dá pra vocês calarem a boca?
MD: Acho que não fomos apresentados ainda, me chamo Michel... – ele falou soltando a mão de Dominique e a estendendo para Marie
ML: Marie Laforêt, muito prazer. Agora façam silencio, estão me desconcentrando!
MD: Sua amiga? Muito bonita ela...
IL: É sim, mas não é pro seu bico.
MD: Como você pode dizer isso?
IL: Porque conheço seu tipo e você não serve pra ela...
DC: Hei Luke, meu pato saiu xadrez, olha que engraçado ele ficou!
Dominique fez o pato xadrez voar pra cima de mim com a varinha e me assustei, esbarrando em Marie e sem querer fazendo com que ela explodisse o seu ao invés de transfigura-lo outra vez em bloco de madeira. Bernard e Dominique começaram a rir em meio às penas que voavam pelo ar e Marie me beliscava, mas eu não conseguia conter as gargalhadas. O professor veio irritado até onde estávamos e saiu distribuindo detenções para todos, nem Michel escapou. Antes de nos liberar, fomos obrigados a ouvir um discurso sobre como deveríamos estar nos comportando com os exames cada vez mais próximos e que ele notava que a maioria dos alunos não estava levando os NOMs a sério.
MD: NOMs? Vocês ainda não prestaram os exames? – Michel falou depois que saímos da sala.
DC: Não, por quê? Eles são em Junho.
MD: Eu já fiz os meus ano passado...
BL: Ah é verdade, eu li que em Hogwarts os exames são no 5º ano. Aqui é diferente...
IL: Então quer dizer que você vai ter que fazer outra vez?
ML: Claro que não, basta ele apresentar as notas dele a Maxime e ela terá que libera-lo.
MD: Assim espero, não estou disposto a refazer tudo.
DC: Bernard, NOMs são padrão para todas as escolas, certo? Quer dizer, as matérias básicas são as mesmas?
BL: Sim, por que pergunta?
DC: Então Michel pode forçar um pouco a memória e dizer o que caiu não é? Será que usando Legilimencia conseguimos obter as questões?
ML: Por Merlin Nick, que idéia absurda... Com licença, vou almoçar.
Marie saiu inconformada com a idéia de Dominique, mas até que ela não era ruim. Afinal, pra que estamos aprendendo essas técnicas se não podemos usa-las? Pulamos o almoço e fomos mostrar o castelo para Michel, apresentando a ele as pessoas que valiam a pena. Ele reconheceu as meninas que vieram de Hogwarts no inicio do ano, mas não sabia o nome de nenhuma delas, só as conhecia de vista. Esbarramos com Samuel quando voltávamos para o Grande Salão e depois de apresenta-lo ao meu primo, ficamos para trás e deixamos os outros irem almoçar.
SB: Nosso pacto está de pé não é?
IL: Lógico! Ainda não sei como fazer, mas vou conseguir.
SB: Ora Luke, já faz tanto tempo assim que você esqueceu como se faz? – disse rindo
IL: Muito engraçado... Você entendeu o que eu quis dizer. Não sei se quero que ela saiba que fui eu...
SB: Vai beijar e correr?
IL: Não sei, preciso pensar. O importante é não deixar nunca elas saberem que isso foi uma espécie de aposta ou vai tudo por água abaixo!
SB: Bem lembrado, temos que levar isso pro tumulo!
IL: Esse ano o Valentine’s Day promete companheiro Samuca...
SB: Ah se promete companheiro Luke!
Entramos atrás dos demais no Grande Salão e todos estavam reunidos da mesa da Nox hoje. Os moradores desse castelo podem aguardar, pois tem mais coisa sendo preparada para comemorar essa data que ia além desse pacto inocente... A dupla explosiva esta de volta!
Tuesday, February 07, 2006
O castigo vem a cavalo!
Sábado... Finalmente o sábado chegou, vou poder dormir até mais tarde e...
Não, não vou dormir, lembrei de onde estou, quem sou e o que tenho de fazer: começar a cumprir minha longa detenção por causa do funeral egípcio de Napoleon.
A diretora ao distribuir as detenções foi "generosa" comigo, pois os castigos de Gabriel e Miyako foram mais leves se comparados ao meu. Ok, eu concordo que a maior parcela de culpa é minha, e meus amigos foram na onda, mas ter que levantar de madrugada para limpar os estábulos dos mega cavalos de Beauxbatons num sábado, é complicado. Quer dizer, não tanto quanto você descer pra tomar o café da manhã e encontrar seu pai instalado na mesa dos professores, junto com outro Auror e Madame Máxime, falando baixo.
Entrei o mais silenciosamente possível, sentei à mesa e comecei a tomar meu café, pelo canto do olho via meu pai falando com a diretora e não fiquei surpreso, quando ele terminou o café e se levantou.
Sabe... Meu pai tem um jeito de agir específico quando quer intimidar alguém, e estava fazendo uso dele agora, neste exato momento. Forcei-me a continuar comendo, como se não estivesse notando sua aproximação, mas foi em vão:
KM- Bom dia, Tyrone. - disse enquanto se sentava ao meu lado e servia-se de café, e punha mais um pouco em minha xícara.
TM- 'Dia pai. Um pouco cedo para uma visita não? - tentei ser casual.
KM- Vim a trabalho.
TM- Como a trabalho? O que aconteceu?
KM- Alguns Aurores ficarão de guarda na escola, para deixá-la mais segura.
TM- Mas você é chefe de departamento, e isto costuma ser feito pelos novatos da Academia.
KM- E você acha que eu iria perder a chance de poder falar com você? Termine seu café, você tem trabalho a fazer.
Acabei de comer e saímos em direção aos estábulos; achei que meu pai fosse falar sobre a minha detenção, mas ele começou a me dar bronca por eu ter mandado um berrador mal educado para minha mãe.
TM- Mas, pai como você queria que eu reagisse?Por que ninguém nunca falou nada?- disse interrompendo o monólogo de papai sobre ter educação com os pais.
KM- Civilizadamente. Como sua mãe contou na carta dela, foi apenas uma vez e numa situação complicada.
TM- Que situação foi esta?
KM- Sua mãe havia passado por problemas sérios de saúde, e na época achávamos que era errado ficarmos juntos, então num baile em Hogwarts eu levei uma namorada, para que sua mãe visse que eu havia partido para outra entende?
Meus olhos estavam arregalados. Era a primeira vez que papai falava comigo sobre o relacionamento dele com mamãe, sem dizer que eu era criança demais para entender.
TM- Nossa... você não tinha noção do perigo. - disse e papai riu do meu comentário.
KM- Sim, e para provar que ela podia me machucar tanto ou mais do que eu à ela... - E me contou como as coisas tinham acontecido. Ao final da conversa me perguntou:
KM- O gato pelo menos foi anestesiado não? - e os cantos de sua boca estavam se curvando num riso.
TM- O gato estava morto. - disse enfático, e meu pai dava risada enquanto contava a reação da família e que já havia pago pelos vasos.
Nos separamos e quando entrei no estábulo não encontrei Gerard, e vi que uma das baias estava vazia e limpa.
"Deve ter ido treinar um dos cavalos" - pensei e comecei a limpar todo aquele estrume e feno pisado. Já estava na última baia, quando escuto um relincho e uma voz acalmando o cavalo:
"Você foi muito bem hoje meu querido", parei o que fazia e vi uma ruiva de rabo de cavalo e trajes de montaria, trazendo aquele cavalo gigante pelo arreio, como se ele fosse um cachorrinho.
Continuei observando, e logo ela soltou o cabelo e meu coração se acelerou quando vi aqueles cabelos cor de mogno soltos. Nunca havia visto cabelos daquela cor. Ela se virou sorrindo e logo reconheci a garota que havia sido atacada pelos comensais.
Sorri de volta como um bobo e não sei porque estufei o peito para tomar ar, parecia que meus pés tinham rodinhas, logo estava ao lado dela.
MOH- Bom dia. - ela cumprimentou.
TM- 'Dia. Eu faço isso. - e comecei a desencilhar o cavalo.
MOH- Depois terei que passar ao senhor Gerard os progressos de Aquiles. - e ao ver minha sobrancelha arqueada respondeu:
MOH- Este cavalo chama-se Aquiles e tenho ajudado o senhor Gerard a exercitá-lo, depois que ele torceu a pata.
TM- Mas este cavalo é muito grande para você. E se você perde o controle dele? - droga, eu e minha boca grande, mas ela não ficou ofendida com meu comentário, pois disse:
MOH- Estou acostumada a tratar de animais de grande porte, e creia-me Aquiles é mais dócil do que eles.
Como meu trabalho havia terminado, não havia mais motivo para eu ficar ali, mas eu não me mexia.
MOH- Não me apresentei: Sou Morgan O'Hara. - disse estendendo a mão e retribui o gesto.
TM- Ty McGregor.
MOH- Está com fome? – disse tirando uma maçã do bolso.
TM- Não. - mas nesta hora meu estômago roncou alto.
MOH- O café acabou e o almoço ainda demora, eu tenho uma bolsa com comida que sempre trago quando venho treinar os cavalos, quer dividir?
TM- Você me dá alguns minutos para eu me limpar?- ela assentiu e eu corri ao banheiro e nunca me lavei tão rápido em toda a minha vida. Voltei para junto dela e vi que ela presenteava Aquiles com uma maçã, ficou vermelha quando me viu:
MOH- Não conte ao senhor Gerard ok? Ele fica enciumado se vir que Aquiles gosta mais das minhas maçãs do que das dele.
TM- Impossível não gostar. - disse, mas acho que ela não ouviu. Logo nos pusemos a comer, mas eu ainda sentia aquele cheiro de feno velho e estrume. Deve ter transparecido em meu rosto, pois ela disse:
MOH- Ainda está sentindo o cheiro ruim? Venha cá. - tirou a varinha, apontou para meu nariz e disse: Inodorus e meu nariz ficou meio tampado. Ela me assegurou que o feitiço duraria apenas meia hora, e que depois voltaria ao normal.
Ficamos conversando enquanto comíamos e nunca me senti tão bem em toda minha vida.
Seria capaz de me perder naqueles olhos verdes e não acharia ruim....
Monday, February 06, 2006
A Precessão dos Equinócios
"O fato de ser incrível não deveria ser motivo para se descartar a possibilidade de que uma busca suficientemente longa revelasse um grão dourado de verdade na superstição astrológica." -- Johannes Kepler
Estávamos na aula de astrologia. Havia contado os minutos pra que a minha aula favorita começasse nesta semana. Alguma coisa estranha pairava no ar, eu conseguia sentir, e tinha certeza que só os astros poderiam me ajudar a desvendar esse mistério. Ainda faltavam dez minutos para o início da aula, mas Isa e eu já estávamos no terraço onde aconteciam as aulas. Professor Wincler nos recebeu com o enorme sorriso de sempre, e me empurrou para o telescópio que ele examinava até então.
MW: Veja, Amaralina! A energia solar começa a deixar a constelação de capricórnio! Em poucos dias, poderemos observar a precessão do equinócio de aquário! Ali, consegue ver?
AM: Consigo, claro. Quem não seria capaz de enxergar a revolução solar estando assim tão evidente? Isso é fantástico!!
Isa observava o céu com o auxílio de outro telescópio, quando o restante da turma chegou sonolenta, atirando as mochilas sobre o armário do professor e escorando-se sobre as lunetas.
MW: Boa noite, classe! Antes de vocês chegarem, eu estava analisando a significativa rota que o Sol vêm tomando nos últimos dias e, dadas às devidas proporções, podemos concluir que estamos muito perto da Precessão do Equinócio de Aquário!!
Os olhos do professor Martin soltavam faíscas. Ele era a única pessoa que eu conhecia fora da tribo cigana que manifestava tanta euforia por ver o Sol cruzar a órbita de uma constelação. Um garoto que trajava vestes da Nox Angeli levantou o braço, cauteloso.
- Anh, e o que vem a ser a tão poderosa Precessão do Equinócio de Aquário?
MW: Poderosa é apelido, meu caro. O senhor não tem noção do que pode significar a ação perturbadora do sol sobre uma constelação! Bem, vejamos... alguém saberia explicar ao nosso distraído colega o que é a Precessão dos Equinócios?
Sem desgrudar o olho do meu telescópio, comecei a falar.
AM: É a lenta movimentação do eixo da Terra, que acontece em forma de cone, quando ocorre o cruzamento do caminho aparente do Sol com a linha do Equador, e faz com que haja um deslocamento das constelações em relação aos pontos fixos estabelecidos pela Astrologia, professor.
MW: Excelente! Dez pontos para a Fidei Angeli, senhorita Montserrat.
AM: E esse movimento se completa em 25.920 anos...
MW: Muito bem. Mais cinco pontos para a Fidei Angeli. Suponho que não necessitem de mais explicações, certo? Então, focalizem seus telescópios, encontrem a constelação de Aquarius e façam um esboço, identificando sua posição no céu e a exata localização das estrelas Alfa, Beta e Delta. As primeiras são estrelas binárias, Não esqueçam de delinear a rota seguida pelo Sol, e os prováveis efeitos da precessão de aquário na vida de cada um de vocês. Bom trabalho.
Alguns dos meus colegas ainda encaravam o professor Martin abismados, esperando que ele traduzisse o que acabara de dizer, mas ele enterrou a cabeça no telescópio refrator, no patamar mais alto da torre de astrologia, e não deu atenção a mais ninguém.
Identificar a constelação de aquário foi fácil. Segundo o Almagesto, um livro que encontrei na biblioteca semana passada, é uma constelação zodiacal, que se estende 8° acima e abaixo da eclíptica, a linha que representa a trajetória anual aparente do Sol. A melhor forma de encontrar Aquário é através das estrelas beta e delta da vizinha Capricórnio. Com a rota do Sol e a localização da constelação determinadas, precisava apenas definir as estrelas. Apesar de ampla, Aquário é uma constelação formada por estrelas pouco luminosas. Sadal Melik, Sadal Suud e Skat eram os nomes dos corpos celestes que eu procurava. Duas das estrelas eram binárias, e se Alfa e Beta eram estrelas binárias, não foi difícil concluir que Skat ocupava a posição Delta. Sadal Melik eram de maior raio e média magnitude, então, observando meu mapa estelar, estavam em Alfa, e as estrelas que ocupavam a posição Beta, pela lógica, só poderiam ser Sadal Suud.
Então faltava a parte mais difícil: o efeito que estes astros exerceriam sobre a minha energia astral. Professor Martin Wincler ainda não entendeu que eu não consigo fazer previsões para mim mesma... Sei que um argumento a favor da astrologia é o de que há indícios que apóiam a hipótese de uma conexão causal entre os corpos celestes e os eventos humanos Seria surpreendente se entre todos os bilhões e bilhões de movimentos celestes concebíveis não houvesse uma grande parte que pudesse ser significativamente correlacionada com dezenas de eventos ou traços de personalidade individuais. Assim, professor Martin não aceitaria a desculpa de que os astros resolveram voltar-se contra mim e se apagaram do meu telescópio. Pedi a Abraim que iluminasse minha mente, a fim de não concluir que eu devia ter morrido da era de Peixes...
A constelação de Aquário é associada à água desde a Antigüidade, quando o Sol passava por essa região do céu durante a estação chuvosa. Na antiga Babilônia, era representada por um homem que verte água sobre um pequeno peixe – a constelação vizinha, peixe austral. Para a mitologia greco-romana, o mito do Aquário relaciona-se a figura de Ganimedes, considerado o mais belo do mortais, raptado por Júpiter que o queria no Olimpo, para servir aos deuses. No Egito essa constelação era associada à época da semeadura, após as inundações do Nilo. Ou seja, a Precessão de Aquário, somada à importância das posições do sol, da lua e dos planetas no instante do meu nascimento, formava um emaranhando de condições determinantes da minha personalidade e do meu destino.
Fechei os olhos por alguns instantes, buscando concentração, e então eu vi. Estava tudo muito claro, bem à frente dos meus olhos, não havia como não enxergar. O efeito que Marte desempenhava sobre Pégasus, uma das mais antigas constelações, listada por Ptolomeu há milhares de anos, não deixava dúvidas: existe alguém na escola que está no meu destino. Vi a sombra, clara como a luz do dia. Uma onda de esperança tomou conta de mim. Se os astros diziam que havia alguém reservado a mim, só me restava acreditar. Tentei de todas as formas descobrir quem era. Virei meu mapa de cabeça pra baixo, mudei o ângulo do campo de visão de telescópio, mas pra variar, não consegui saber quem era...
(continua...)
Friday, February 03, 2006
Nem todos são, o que parecem....
Ai que tédio...
Sim, tédio, pois a minha vida havia virado uma rotina chata: estudar para os NIEMS, tentar me sair bem nas matérias novas, falar com Porshy todos os dias sobre alguma coisa estranha ocorrendo no castelo... Para minha felicidade Carlinhos estava cumprindo a promessa e sempre me mandando cartas ou bilhetinhos carinhosos junto com as novidades em Londres.
Durante o café da manhã, o garoto McGregor saiu correndo do salão depois de receber um berrador da mãe, garantindo a todos umas boas risadas. Marienne e eu fomos para nossa aula de Oclumência e o professor Couggle ficou satisfeito com meu desempenho, dizendo que embora eu seja nova na matéria, estou conseguindo aprender a fechar minha mente. Isso é bom, pois a sensação de alguém entrando em seus pensamentos é horrível, e também constrangedor.
Logo seguimos para a aula de Botânica e a professora Milenna, que não ia com minha cara; mudou de atitude desde o ataque na floresta e agora falava civilizadamente comigo, o que deixou meus colegas de classe chocados.
E aula transcorreu com a professora falando várias vezes comigo e dando dicas de como cuidar melhor de uma bétula de encantamentos. A professora ficou satisfeita em saber que mamãe usava este tipo de feitiço em algumas árvores para a cura, e pediu que eu contasse para a turma o que sabia sobre o assunto, e ela completava minhas explicações. E por isto eu ganhei 5 pontos para minha casa. Achei que fosse desabar um temporal em cima das estufas hehe.
Depois do almoço, teríamos aulas de Mitologia e para nossa surpresa o professor estava irritado e logo nos contou o motivo: alguns alunos haviam roubado seus canopus egípcios e realizaram a mumificação de um gato. E o tal gato era de madame Máxime, Napoleon.
Muitos alunos estavam ou fingiam estar chocados, eu não me contive e comecei a rir, fazendo com que o professor se aproximasse:
FR- Porque está rindo, senhorita O'Hara? O que eles fizeram foi uma barbárie...
MOH- Desculpe professor, mas não acho.
FR- Como não? Vai me dizer que apóia o roubo destes alunos.
MOH- Não apóio o roubo. Mas... Foi uma peça realizada com um propósito maior.
Ele levantou a sobrancelha curioso e expliquei:
MOH- Bem... Pelo que entendi eles acharam o gato morto e como eles haviam adorado sua aula sobre mumificação, resolveram reforçar a matéria; e temos de convir que o gato de Madame Máxime teve um funeral digno de um rei não? Suas aulas são apaixonantes professor, não culpe os garotos por apreciá-las. E os vasos serão repostos, tenho certeza que além das detenções daqui, eles serão punidos pelas famílias.
O professor me olhava com vontade de me tirar pontos, dava para ver o dilema em que ele estava passando pelos seus olhos; por fim acho que alguma razão deve ter entrado na sua cabeça, pois disse:
FR- Sabe senhorita O'Hara, vendo por este lado da questão deveria me sentir lisonjeado não? – e sorriu.
Alguns alunos respiraram aliviados talvez com medo de que eu perdesse os pontos ganhos no dia, e eu assenti com a cabeça. Ao final da aula, me chamou e Marienne ficou me esperando na sala, enquanto ele perguntava:
FR- Soube que foi atacada por um comensal no lago Moliets. Está recuperada do susto?
MOH- Sim, já estou bem.
FR- Pelo que ouvi dizer você ficou bem machucada, deve ter ficado com muito medo.
MOH- Não fiquei.
FR- Como não ficou? Era um comensal da morte e você estava sozinha...
MOH- Não costumo ter medo de covardes.
O professor me olhava sério e achei estranho o tom em que falou:
FR- Para ser um comensal precisa ter coragem.
MOH- Se ele fosse corajoso mesmo, não usaria máscara.
O professor começou a se aproximar, e me olhava nos olhos de um jeito estranho e eu mantive meu olhar firme:
FR- Você não se assusta à toa...
MOH- Não.
Cof, Cof, Cof....
A tosse seca de Marienne parece ter acordado o professor, porque ele ficou sem jeito e disse:
FR- Fico feliz, que esteja bem. Tenha um bom dia.
Saímos da sala e Marienne de cara feia me perguntou:
- O que foi aquilo lá dentro?
MOH- Não sei... Esquisito não?
MD- É... Só espero que os boatos que ouvi não sejam verdadeiros...
MOH- Que boatos?
MD- De que ele costuma ser "amável" com algumas alunas...
Comecei a rir.
Marienne estava achando que o professor estava me cantando e estava com ciúmes, era no mínimo engraçado.
MOH- Você me conhece o suficiente para saber que meu relacionamento com Carlinhos é sério, e que não vou dar bola para um professor como ele.
MD- Ah, mas ele é bonitão e não é pobre, pois vem de uma família antiga e puro sangue.
MOH- Para quem gosta do tipo dele é, e eu te garanto: ele não faz o meu, pois não ligo para esta história de sangue puro, família antiga e fortuna. Acredita em mim?- disse olhando em seus olhos para que ela visse que eu dizia a verdade.
Ela assentiu e logo nos encontramos com Julian que havia ido buscá-la para "um encontro romântico com os livros da biblioteca", enquanto eu ia rever minhas anotações no meu quarto e escrever algumas cartas.
Pude pensar com calma sobre o que Marienne me falou e acho que vou pedir a Porshy para observar um pouco mais o professor de Mitologia. Não gostei do tom dele ao se referir "à coragem" dos comensais.
Thursday, February 02, 2006
Com a pulga atrás da orelha
Ah, o ar fresco das montanhas que cercam Beauxbatons... Por dias pensei que nunca mais sentiria esse cheiro. O sol já batia na minha cara quando Bernard me sacudiu, fazendo com que eu caísse da cama. Até da maneira delicada dele de me acordar eu senti falta! Pela primeira vez desde que entrei para a escola levantei sem reclamar e depois de tomar banho e me arrumar, descemos para o café. Dominique e Marie ainda não sabiam que eu havia voltado, já era tarde e acabei por me decidir em fazer surpresa. O Grande Salão já estava apinhado de gente e logo avistei Marie sentada lendo o Profeta Diário na mesa da Fidei. Caminhei devagar ate ela e sentei ao seu lado.
IL: Alguma noticia interessante ai?
ML: Não, só o de se... IAN?? – Marie saltou da mesa e se pendurou em meu pescoço, me derrubando da mesa e caindo por cima de mim.
IL: Sim, sou eu! Ou o que sobrou de mim depois da queda.
ML: Desculpa, foi a empolgação... Quando você voltou? O que aconteceu?
Nos levantamos do chão e contei a ela tudo que aconteceu nos últimos dias em minha casa, as razões e acordos que me fizeram voltar. Ela não desgrudava de mim, me enchendo de beijos o tempo todo. Droga, porque ela faz isso? Marie é meio lerda por ainda não ter percebido que gosto dela e eu sou um idiota por não tomar vergonha na cara e dizer isso de uma vez por todas... Procurei Dominique na mesa da Nox, mas não o encontrei. Marie então me informou que ele estava em detenção, ajudando o professor de DCAT a arrumar a sala para a aula daquela manha.
Dominique empilhava uma dúzia de livros na mão pendurado em uma escada quando chegamos. Bernard bateu na porta pedindo licença e entramos. Ao ouvir minha voz meu amigo largou todos os livros em cima do professor e saltou da escada, correndo em nossa direção. Não deu tempo de ver muita coisa, apenas àquela roupa azul com listras verdes e pretas voar na minha direção e me derrubar. Podia ver tudo girar quando Bernard estendeu a mão para me puxar do chão enquanto Dominique ainda bagunçava meu cabelo.
DC: Não credito que você voltou! Quando isso aconteceu?
IL: Cheguei ontem a noite, já era tarde pra sair atrás de vocês.
DC: Ah meu companheiro, até que enfim você está de volta! Esse castelo estava perdendo a graça, não é nada divertido cumprir detenção sem você...
SZ: Detenção que ainda não terminou monsieur Cartier. Volte já aqui e termine de organizar os objetos para a aula!
Dominique respirou fundo e voltou para o fundo da sala. Pela quantidade de detector de arte das trevas, a aula de hoje seria destinada a nos ensinar a farejar o perigo. Aposto que mamãe ia dar pulinhos de felicidade se soubesse... Logo o restante da turma chegou e encheu a sala. Bernard me cutucou quando Antoine entrou e se sentou do outro lado da sala, longe da gente. Meu amigo me contou num tom de voz quase inaudível que ele e Marie haviam brigado feio há quatro dias e não estavam nem se falando mais. O motivo da discussão ninguém sabe, mas diziam as más línguas que foi ou por causa de outra garota ou de outro garoto... Não pude impedir que um sorriso imenso brotasse na minha cara e acenei para o bolha d’água, que parecia ter vontade de me estrangular.
O professor, Sir Shaft Zambene, ordenou que Dominique tomasse seu lugar e deu inicio a aula. Como havia previsto, ela seria voltada a nos ensinar a detectar arte das trevas e inimigos. Eu tinha medo desse professor... Quer dizer, não era medo, era mais respeito. Nunca fui fã de DCAT, mas sempre gostei das suas aulas, que eram práticas e diretas. Ele foi ate a bancada e pegou um pequeno objeto prateado, andando entre as almofadas espalhadas pela sala, erguendo-o no ar.
SZ: Alguém sabe o que é isso?
BL: Um Bisbilhoscópio. – respondeu Bernard, como de costume.
SZ: Muito bem, 5 pontos para a Sapientai. E quem sabe como ele funciona?
BL: Ele apita quando o perigo está se aproximando de você?
SZ: Muito bem, monsieur Lestel, mais 5 pontos para a Sapientai! Poderia se levantar e me ajudar a mostrar a turma como ele funciona?
Bernard levantou e foi de encontro ao professor. Ele segurou o bisbilhoscópio no alto para que todos pudessem ver enquanto o professor explicava seu mecanismo e dizia como deveríamos reagir quando o nosso começasse a apitar desenfreado. Dominique e eu assobiávamos enquanto Bernard servia de modelo de programa trouxa de auditório, mas ele ignorava os gritinhos e se esforçava para não ficar vermelho demais. Sir Shaft agradeceu a ajuda e mandou que ele se sentasse indo pegar o próximo objeto. Era uma antena dourada que girava rápido na mesa.
SZ: Esse objeto eu acho que nenhum de vocês já viu, pois não é vendido na Zonko’s...
IL: Parece uma antena de TV, Sir Shaft. Ela capta o que? Interferência?
SZ: Muito engraçado monsieur Lafayette, mas não é uma antena de TV. Alguém arrisca um palpite valido? – e vendo que ninguém ia responder, ele continuou. – Isso é um Sensor de Segredos.
IL: Aha! Ele capta segredos então! – falei arrancando risos da turma.
ZS: Brilhante dedução! Estou orgulhoso dos meus alunos hoje! – o professor riu e continuou caminhando, puxando uma aluna da Fidei para ser sua assistente dessa vez.
Ela a fez segurar a anteninha como se ela estivesse encaixada em uma televisão, fazendo a turma rir da garota. Ela mais parecia um ET em pé lá na frente, ainda mais porque começou a ficar verde com as gozações. Ele explicou como ele funcionava, exatamente como fez com o bisbilhoscópio. Pediu então para que a menina contasse uma mentira para ele. Ela inventou qualquer besteira e a antena apitou alto. Sir Shaft dispensou ela e começou a andar pela sala, interrogando os alunos. Ele já tinha motivo para distribuir umas 30 detenções quando chegou ao fundo da sala e parou ao lado de Dominique.
SZ: Diga-me monsieur Cartier... O senhor tomou banho esta manha?
DC: Claro que sim, que pergunta... - disse ofendido
A antena desatou a apitar, fazendo a turma rir e Dominique ficar roxo. O professor continuou andando e parou ao meu lado. Eu já suava frio, com medo do que ele ia me perguntar e se seria algo comprometedor. Marie ria ao meu lado, mas parecia um pouco nervosa também.
SZ: Monsieur Lafayette! Ontem encontrei alguns desenhos em meus arquivos, coisa antiga. Nenhum estava assinado e todos continham caricaturas dos professores da escola. Caricaturas um tanto quanto bizarras, usando a linguagem de vocês... Por acaso monsieur não sabe quem foi o autor das obras de arte, sabe?
Não foi preciso nem responder à pergunta, pois a antena começou a assobiar alto e girar. O professor riu e explicou que ela também capta uma mentira mesmo sem que ela seja dita, dependendo da intensidade da mesma. Eu estava mesmo bolando uma mentira bem exagerada para tentar enganar o sensor e escapar, pois era o autor dos desenhos... Sir Shaft então virou-se para Marie ainda rindo. Ela quase tremia ao meu lado. O que será que Marie esconde? Quem não deve não teme e aparentemente ela estava temendo a pergunta do professor...
SZ: Mademoiselle Laforêt, alguém me contou que... – a sineta tocou, cortando a frase do professor. – Ah, salva pelo gongo! Vejo vocês na próxima segunda, leiam o capitulo sobre detectores de artes das trevas e se preparem para uma aula pratica!
DC: Não deu tempo sabe, a detenção era muito cedo e não queria acordar de madrugada, ta muito frio... – Dominique tentava se explicar
BL: Não interessa porquinho, já ta feito o estrago. E fica longe de mim, não quero me sujar! – Bernard falava às gargalhadas enquanto arrumava as coisas.
IL: Nick, só duas palavras pra você: Oinc, oinc!
Saímos da sala no meio da multidão rindo de Dominique, que nos olhava revoltado. Nunca vi uma turma recolher o material espalhado com tanta eficiência. Marie atirou o dela de qualquer jeito na mochila e saiu apressada da sala, nos esperando há metros de distancia da porta. Agora estou intrigado... Qual será o segredo dela? Será que Sir Shaft me empresta aquela antena? Ou quem sabe ele não tem um pouco de Veritaserum? Só sei que agora eu to com uma pulga atrás da orelha...
Wednesday, February 01, 2006
Eu, eu mesmo, e o búlgaro em um bote amarelo!
Da velha caderneta de um sobrevivente...
Quando anoiteceu, preparei minhas coisas ao pé da cama, e esperamos todos irem dormir para sair silenciosamente do dormitório. Empurrava as malas à frente, e carregava o bote murcho e o poleiro da Mariel vazio nos braços. Não havia ninguém andando pelos corredores àquela hora, uma vez que já havia passado das 21 horas, e como não encontramos com ninguém nos corredores, foi fácil o nosso acesso até o rio. Estava um frio cortante, o vento gelado, e eu pensei arrepiado na temperatura da água, mas finalmente decidido de que tudo daria certo, estiquei o bote, e comecei a soprar o ar pra dentro dele. O manual de instruções sob os olhos do Gregory que ia lendo pra mim, passo a passo o “Como manusear o seu super bote Aqualufs!” Soprei, soprei, soprei mais um pouco, e um pouco mais... E você pensa que já estava bom? Bota mais ar nisso... O negócio parecia um navio quando ia inchando... Tinha lugar pra bem umas dez pessoas, tranquilamente... Quando já estava roxo de falta de ar, finalmente o negócio estava inflado totalmente, e a gente se preparou pra ir embora. Malões, animais, capas e mochilas pra dentro do bote.
Vesti o colete, joguei as bóias de braço pro Gregory e a bóia com um pato na frente pro Sávio, que parecia estar se divertindo como nunca havia se divertido antes. Aquilo me lembrou vagamente a arca de Noé. Não pela lenda em si, mas pela bagunça! Quando íamos embarcar, Gregory me encarou assustado e disse que não teria coragem de ir... Tirou as bóias olhando perplexo, e tirou suas coisas do bote, voltando rápido pro castelo. Eu tava tão assustado que nem tentei convencer ele! Ele gritou boa sorte, disse que não contaria nada pra ninguém, e que mandássemos notícias quando chegássemos. Agora era eu e o búlgaro, o búlgaro e eu... E sabe qual a melhor notícia? Ele não entendia patavinas do que eu dizia!
Fiquei olhando pro vago uns minutos, mas cai na real e joguei as bóias de braço pro Sávio, que sorria debilmente. Empurrei o bote pra superfície do rio e puxando o Sávio, entramos e sentamos esticados. Peguei os remos, o manual de instruções, e ia aprendendo os movimentos de acordo com o vento e essas frescuras todas. Sávio brincava com o pato da sua bóia. Falava coisas pra ele e começava a gargalhar... Mexia a cabeça do pato pra lá, pra cá, pra cima e pra baixo. Eu não entendia nada do que ele estava falando, então me limitava a remar. E assim o tempo foi passando... Sávio tentou me ajudar nos remos, mas eu remava pra frente, ele remava pra trás, e aí eu sorri, balancei as mãos e disse que tudo bem, eu remaria sozinho. Acho que eu estava vestido com bem umas 10 capas de peles e o frio estava me matando...
Comecei a pensar no que Ian faria se ele estivesse no meu lugar, naquele bote amarelo, com aquele búlgaro infantil, remando, e um frio de congelar. Acho que ele provavelmente afogaria o búlgaro, pegaria suas peles, e parava de remar, deixava o bote seguir nas circunstâncias naturais...
O dia estava quase amanhecendo quando eu decidi parar de remar e dormir. Deixei Sávio responsável pelos remos e me estiquei todo. Grande ingenuidade a minha! Estava com tanto sono que nem pensei nas prováveis conseqüências dos meus atos. Acordei engolindo um balde de água salgada, e engasgando todo. Sentei assustado, e percebi que o chão do bote estava alagado. Sávio estava desmaiado no sono, escorado em uma borda, e a água entrava por ela. Desesperado, sacudi ele, que acordou e sorriu pra mim todo inocente e olhou pra água no bote achando tudo maravilhoso. Peguei um copo e comecei a tirar a água do fundo e jogar de volta pro mar... Sávio mergulhava o pato na água e depois tirava... Acho que ele estava pensando que o pato precisava respirar depois do mergulho. Não sei se isso era hora, mas uma música começou a tocar na minha cabeça e eu cantarolava ela baixinho, enquanto secava o bote...
Yellow Submarine, Yellow Submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow Submarine, Yellow Submarine
Desembarcamos em terra firme, e mais um ritual... Tira malas, capas, mochila, animais, esvazia o bote, e se prepara pra andar. Como a cidade era pequena, ninguém viu a gente desembarcando... Arranquei o colete, e ajudei Sávio a tirar aquelas bóias dos braços, mas me pergunta se ele considerou a idéia de abandonar o pato? Acho que ele realmente acha que o pato é o melhor amigo dele, e tirar o pato seria um atentado a essa bela amizade! E imagina os trouxas encarando dois adolescentes novatos na cidade, e um deles andando com uma bóia de pato na cintura, conversando com ele?
Mandei Mariel para Beauxbatons, e comecei a procurar um lugar que tivesse uma lareira. Será que naquela cidade, tinha uma “parte bruxa”? Estava encucado com isso, pensando no que fazer, quando Sávio puxou meu braço e apontou para uma menininha na varanda de uma casa, segurando uma vassoura pequena e montando nela, tentando voar. Fiquei até impressionado com a cena, e julgando que aquilo era um sinal divino, puxei o búlgaro pra dentro da casa, porque a porta estava aberta. Mal tinha entrado, e dou de cara com uma mulher loira, acho que a mãe da menininha. Sorrindo e tentando uma comunicação com ela, a mulher começa a gritar histericamente em bulgariano, ou seja lá qual for a língua... Sávio finalmente compreendendo o que ela gritava, olhou pra mim assustado, e eu conclui que era hora de partir. Tive certeza que a mulher era bruxa, quando puxou a varinha das vestes lançando jatos na nossa direção pra se defender. Cheguei ao pé da lareira, agarrei o pó de flú, joguei o saco todo dentro das chamas, puxei o búlgaro pra dentro e gritei: SALÃO COMUNAL, NOX ANGELI, BEAUXBATONS. Me senti puxado pelas chamas bem a tempo de ser atingido por um jato vermelho na barriga. O búlgaro, as malas e eu, rodopiando, rodopiando...
Música: Yellow Submarine- The Beatles