Wednesday, December 21, 2005
Mudanças inesperadas
Desembarquei no porto em Paris e como de costume, meu tio George estava a minha espera pra me levar ate o aeroporto. E também, como de costume, chegamos lá quando já estavam fazendo a ultima chamada para o vôo e quase solicitando minha presença nele.
- Atenção! Passageiros do vôo 5496 com destino ao Rio de Janeiro, Brasil. Embarque imediato no portão 3B. Ultima chamada.
- Tem certeza que não pode ir?
- Infelizmente não... Diga a sua mãe que darei um jeito de vê-la antes de Julho.
- Ta bom... Tchau tio George, até a volta!
Despedi-me do meu tio e atravessei o portão correndo, largando meu cartão de embarque às pressas na mão da aeromoça e derrubando o resto que ela segurava. Todos os passageiros já estavam acomodados e tracei uma reta ate meu assento, evitando os olhares estressados que a maioria lançava em minha direção. Ainda bem que não havia trazido meu malão, não teria tempo para despachá-lo. Amassei minha mochila nos compartimentos acima dos assentos e me afundei na poltrona, permitindo que o avião decolasse.
Sai de Beauxbatons para passar as festas de fim de ano em casa decidido: iria convencer minha mãe a me apresentar ao meu pai. Venho pedindo isso já faz uns anos e tenho sempre o apoio do meu padrinho na causa, mas ela sempre escorrega com uma boa desculpa. Tio Scott já ate se ofereceu para fazer isso no lugar dela, mas mamãe jurou que nunca mais falaria com ele se ele ousasse fazer isso. Como ela parecia falar serio, ele desistiu. Mas dessa vez ela não poderia dizer não, tinha todo um discurso preparado, que vinha ensaiando há algumas semanas. Só esperaria passar uns dois dias.
Acordei com alguém me sacudindo e uma aeromoça morena apareceu meio fora de foco quando abri os olhos, os óculos tortos no meu rosto. Já havia chegado, depois de 11 horas de viagem e uma escala chata em São Paulo. Estava tão cansado que consegui dormir de novo nos 45 minutos restantes de vôo. Catei minha mochila e sai do avião quando já não havia ninguém dentro dele. Meu padrinho já estava a minha espera no desembarque e carregava uma caixa que parecia ser de chocolate.
SF: Quanto tempo garoto! Porque demorou tanto?
GS: Dormi no vôo, só sai porque me acordaram...
SF: Isso é pra você, melhor comer no carro antes de sua mãe chegar ou ela acaba comigo.
GS: Obrigado tio Scott! Mamãe não esta casa?
SF: Não, ainda esta presa no hospital, me pediu para buscá-lo. Ela nos encontra lá.
Assim que atingimos a orla do Rio de Janeiro, me senti em casa novamente. Todo mundo diz que se sente em casa na escola, mas eu não, nem um pouco. Aqui é meu lar. Nessa época está nevando na França enquanto aqui está um sol de rachar, é verão. Fui tirando os casacos dentro do carro antes que derretesse, enquanto admirava a paisagem a caminho de casa. Morava com a minha mãe em um apartamento na Lagoa e meu padrinho no mesmo prédio, qualquer coisa era só subir as escadas. Fui direto para a casa dele, esperar até que ela chegasse do trabalho. Adorava ficar lá, era sempre divertido. Tio Scott é solteiro e tem uma coleção completa dos melhores jogos de videogame que existem. Sem contar o estoque de porcarias pra se comer na geladeira. Mamãe fica louca toda vez que passo tempo demais aqui, ela diz que ele me estraga.
Estávamos na 5ª rodada de um jogo violento, quando a porta se abriu e a tela da TV ficou preta. Mamãe estava parada ao lado dela e olhava ao nosso redor. Baldes de sorvete jaziam no chão, junto com pacotes de biscoito amassados e latas de refrigerante vazias. Não foi bem uma recepção calorosa que eu tive ao revê-la depois de quase cinco meses longe...
LS: Que zona é essa? E que coisa horrorosa é essa na TV Scott? Já não falei que não quero o meu filho jogando essas porcarias?
SF: Ora Lou, relaxa! Não é um joguinho inocente que vai estragar o garoto!
GS: Oi mamãe, também senti sua falta!
Ela estava furiosa, mas eu tinha meus meios de amolecê-la. Sarah, minha madrinha, me disse uma vez que tenho o sorriso idêntico ao do meu pai e minha mãe nunca resistiu a ele. Então para desarmá-la, bastava sorrir. E foi o que fiz. Ela se derretia toda sempre que sorria para ela e veio logo me abraçar, esquecendo o jogo brutal que tio Scott escondia debaixo do sofá para ela não atira-lo pela janela.
LS: Vamos pra casa, tenho que conversar com você e acho que vai gostar.
Sai da casa do tio Scott curioso. O que ela teria pra me dizer? Mamãe estava estranha, mas não era um estranho ruim. Ela parecia feliz, mais do que o normal, como se algo realmente bom tivesse acontecido ou estivesse pra acontecer. Entrei e fui logo sentando no sofá, esperando que ela dissesse o que tinha em mente. Mamãe pegou algo que não consegui ver o que era na estante e se sentou ao meu lado, ainda sorrindo.
GS: O que é isso? – disse pegando a pasta da mão dela e olhando fotos de uma casa.
LS: Nossa nova casa.
GS: Vamos nos mudar? Por quê? Eu gosto daqui!
LS: Não vamos nos mudar, é só por um tempo. Vamos morar nela durante suas férias de verão.
Olhei outra vez as fotos, sem entender. A casa não parecia com nenhuma aqui do Rio, não reconhecia o bairro. Uma folha que parecia uma escritura cai do meio delas e peguei para ler. O endereço dizia que a casa ficava em Londres. Li pelo menos duas vezes ate a ficha cair e olhei para minha mãe, pedindo uma explicação.
GS: Pensei que você não quisesse mais pisar em Londres...
LS: Algumas coisas mudaram. Tenho conversado com Scott sobre o rumo que as coisas estão tomando e percebi que não posso mais continuar aqui, fingindo que nada aconteceu.
GS: E por acaso você contando a verdade ao meu pai ta incluído nisso tudo?
LS: Sim. Quando o ano letivo terminar, você vai direto para a casa de George, encontrarei você lá e daremos um fim a isso. O que acha?
Não consegui responder o que achava, apenas pulei no pescoço dela, a abraçando. Enfim, todo o discurso que havia preparado não seria necessário. Ia ter o que queria em seis meses, e desde já começaria a contar os dias...
Tuesday, December 20, 2005
Diversão garantida ou ....
Voldemort matou um, Voldemort matou um. É um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou dois, Voldemort matou dois. É dois, é um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou três, Voldemort matou três. É três, é dois, é um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort...
MD-Que música viciante....
MOH-Sim, nunca pensei que acampamento trouxa fosse tão animado. Nunca fui em um.
MOH-Isa, sei que é difícil, mas fique à vontade. Pode usar o que precisar....
MD-É Isa, o que te servir pode pegar.
Dizíamos para Isa, que tinha ficado sem sua mala para o acampamento, tentávamos animá-la.
MOH-Afinal podia ser pior, pensou se além de tudo suas unhas estivessem lascadas? E ela olhava preocupada para as mãos.
Bem, o que estou fazendo aqui? Você deve estar se perguntando, afinal tenho um noivo lindo, estou de férias... Mas nem tudo é como a gente espera. Desembarquei em Londres, e encontrei Carlinhos na estação, me esperando.
CW-Oi, amor que saudades. - me beijou, enquanto me erguia do chão.
MOH-Vamos para a casa dos seus pais?
CW-Morgan... Eu vou ter que viajar a serviço da Ordem... E não tenho dia pra voltar.
MOH-Sei... E eles não têm outra pessoa pra mandar não?
CW-Não, Morgan. Vou junto com o Schakelbolt e nosso trem sai daqui a meia hora.
Eu olhava para ele e estava ficando irritada à medida que ia sabendo das coisas.
MOH-Então é uma missão perigosa, senão o "gigante da Adhara" não ia junto. Eu posso ir e ajudar.
CW-Não! Você não vai. Quero que fique com meus pais ou junto com Bertha. Não quero me distrair e ter que pensar em sua segurança.
MOH-Desculpe, não sabia que eu o distraio tanto. Não vou ficar com seus pais, eles não são minha família, e Bertha, está com os parentes do falecido marido, em Dublin, pois eu disse a ela que passaria as festas com você. - e saí andando em direção ao guichê para comprar uma passagem.
CW-Onde vai?
MOH-Voltar para a França. Vou fazer algo que me dê algum prazer.
CW-Sozinha? – e notei que havia chamado sua atenção, pois seu rosto estava ficando vermelho.
MOH-Talvez....
Ele só ficou olhando enquanto eu pagava a passagem. Por dentro eu queria que ele viesse atrás de mim, e sei lá... Brigasse, fizesse alguma coisa. Mas ele ficou parado. Dei sorte e meu trem para Paris sairia em 15 minutos, pois havia sobrado um lugar.
CW-Tchau. - disse por fim.
MOH-Tchau. - Parecia que ele não estava ligando a mínima.
Fiquei sem chão. O que estava acontecendo? Nós estávamos brigando? Iríamos ficar quatro semanas separados e deste jeito?
Virei-me para ir embora e vi ele levantar a mão para me segurar, mas isto durou alguns segundos, logo ele a abaixou. Voltei a caminhar, quando...
CW-Droga.- e logo ele me alcançava e me beijava. Eu virei o rosto, mas ele segurou minha cabeça com força, até que passei a corresponder. Ficamos abraçados por um tempo, até que ouvi a ultima chamada para meu trem.
CW-Assim, que eu voltar eu vou te ver ok? É importante que eu vá nesta missão, e mais importante ainda que você fique bem.
MOH-Vou ficar.
Entrei no vagão e logo vi Schackelbolt se aproximar dele. Antes de fechar a porta do trem, ele gritou:
CW-O que você vai fazer?- e pude ver a enorme interrogação estampada em seu rosto. Eu devia deixá-lo se roer de curiosidade, mas aí ele poderia se descuidar da própria segurança, e eu não queria isto de jeito nenhum.
MOH-Vou ver se consigo ir ao acampamento trouxa da escola. - respondi, enquanto o trem ia ganhando velocidade, mas deu pra ouvir quando ele gritou: Divirta-se.
Por sorte, consegui me inscrever a tempo e quando entrei no ônibus, fui logo para perto do Ian e dos seus amigos com a Marienne, sabia que seria diversão garantida. E não deu outra: cantei, regi a"orquestra", rimos muito de Adhara e Bel, que parecem ser as únicas que não estão se divertindo, comemos besteiras, ouvimos histórias de fantasmas, já teve correria no acampamento por medo de assombração e amanhã só quero ver o que o professor vai nos mostrar.
Será que vai ter musiquinha de novo? De quem será agora?
Voldemort matou um, Voldemort matou um. É um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou dois, Voldemort matou dois. É dois, é um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou três, Voldemort matou três. É três, é dois, é um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort...
..........................
QS- Contou a ela?
CW-Não.
QS-Porque não? - quis saber o gigante de voz grossa.
CW-Você contou alguma coisa pra Adhara? - devolveu a pergunta.
QS-Enlouqueceu? Seu eu falo sobre a nossa missão ela moveria montanhas para vir junto.
CW-Agora você entende, porque eu não disse para a Morgan que vamos atrás do assassino dos pais dela, não é?
QS-É... Adhara não ficou feliz em ter que ir ao acampamento da escola, ouvirei muita reclamação quando ela voltar e acho que você também Carlinhos. - e ambos riram.
CW-Vamos, nosso trem para Paris já vai partir.
Outra vez, entre os meus
Dentro de mim
Mora uma cigana
Rebelde, confusa,
Sequiosa de liberdade!
Sai de vez em quando a bailar
E suas mãos exprimem o que
Lhe vai na alma...
Essa alma cigana que
A nada se prende...
Ama a liberdade e isso é
A razão de seu viver...
Tem ainda outra cigana
A zelar pela romi que dança
O bailar da alegria
Enquanto esta sangrando
Seu próprio coração...
Ah, coração cigano,
És ainda tu que me fazes voltar
Em busca desse louco sonho meu!
Liberdade, liberdade `a alma
Aprisionada no preconceito humano!
Quem prenderá o pássaro que nasceu
Para voar, em companhia do vento?
Ah, coração cigano,
És ainda tu que me fazes voltar
Inda uma vez mais...
Depois da tempestade, o dia sempre acaba amanhecendo com o sol brilhando no horizonte, por mais longa que tenha sido a noite de espera. Ali estava eu, às margens do Rio Sena, e respirava minha tão sonhada liberdade. Liberdade essa que duraria pouco mais de duas semanas, mas o que me interessava era o presente, rever meu tão querido pai e meus extraordinários irmãos. Nenhum deles imaginava quanta falta me faziam. Eu fiz questão de vestir os trajes que meu coração clamava, e que eram tantas vezes rejeitados na escola onde eu vivia. Usava a saia vermelha que Pablo mandara no meu último aniversário, uma bata branca, longos brincos e vários colares de contas.
Assim que o barco de Beauxbatons desapareceu no grande rio, avistei os conhecidos e tão amados rostos. Eles não haviam esquecido de mim. Ellyat e Johann estavam à minha espera. Kalinka também estava com eles, acompanhada do esposo e de Meneghal, seu primeiro filho, nascido há pouco mais de um mês. Senti meu peito arder de tanta felicidade, e corri para abraçá-los. Ellyat me tomou em seus braços e me rodopiou no ar, como fazia desde os tempos mais primórdios, quando eu mal conseguia equilibrar-me sobre as pernas. Kalinka, a maior e melhor amiga que Abraim poderia ter colocado em meu caminho, abraçou-me com ternura e seu sorriso esplendoroso manifestava a alegria de sua alma. O bebê dormia tranqüilamente em seus braços, e eu dei-lhe um beijo na testa, pedindo aos deuses que o tornassem um homem forte e valente. Então, olhei para Johann. Meu irmão querido, metade de minha alma, aquele que conhecia todos os meus segredos e em quem eu depositava toda minha admiração e meu mais sublime amor. Ele colocou uma coroa de flores brancas em meus cabelos e me envolveu em seus braços, o que fez uma imensa paz tomar conta de meu corpo. Era como estar no céu. Como se minha mãe estivesse comigo. Finalmente eu me sentia protegida.
Ellyat tomou minha mochila e a pôs nas costas. Estava entusiasmado, querendo saber tudo sobre a escola. Era ele o responsável por me manter em Beauxbatons. Meu irmão vais velho dedicava todos seus esforços e preces à minha formação. Demonstrava um orgulho imenso, quase que veneração, pela magia que havia em mim, e não poupava esforços para que eu atingisse a perfeição. Eu tinha consciência que deveria terminar a escola em consideração a ele. Mesmo sabendo que minha vida, minha alma, pertencia ao meu povo cigano, eu iria estudar tudo que fosse preciso. Chegaria até o fim, daria tudo de mim para ver o brilho nos olhos do meu irmão. Brilho que expressava sua luta, sua fé, sua dedicação... Sua missão cumprida.
Johann caminhava ao meu lado, um de seus braços em torno de meus ombros. Conforme manda a tradição cigana, as mulheres da tribo não devem andar desacompanhadas. Estão sempre submetidas à proteção do pai, do esposo, ou, nesse caso, de um irmão. Ele tinha uma vivacidade fervorosa no olhar. Seus olhos, que para mim sempre foram a janela de sua alma, contagiavam todo o meu ser por uma estranha e atordoante alegria.
Kalinka seguia ao meu lado, e nós conversávamos como há muito não fazíamos. Havíamos crescido juntas, e no entanto, ela havia permanecido na nossa cultura, no nosso povo. Seguira obendientemente a tradição, e casara-se aos quatorze anos com o noivo eleito por seu pai. O homem que caminhava ao seu lado a amava intensa e verdadeiramente. Podia ver em seu semblante que minha irmã de alma era feliz. Tinha nos braços o maior presente que uma mulher pode ter. Ali, com pouco mais de cinqüenta centímetros, dormindo o sono dos anjos, estava o fruto de seu amor, aquele que seria para sempre a prova viva de sua união, que levaria às gerações futuras seu sangue e sua conduta. Para minha alegria, fiquei sabendo que nosso povo estava acampado no sul da França, quase fronteira com a Suíça. Não pude conter o ritmo do meu coração. A cidade onde eu havia nascido.
Pouco mais de três horas de viagem nos levaram a Le Chambon-sur-Lignon. Uma lágrima rolou de meus olhos e misturou-se à poeira na estrada. Eu era fruto daquela terra, todo meu destino havia sido traçado ali, no momento em que mamãe me entregou ao mundo. Logo avistei o acampamento. As tendas armadas, os panos coloridos e o som da nossa música eram inconfundíveis. Eu via, ouvia, respirava e revivia minha infância. Meu pai estava no meio da estrada, com os braços abertos, sorrindo para mim. Johhan soltou meus ombros e eu corri ao encontro do meu rei. Lancei-me em seus braços como um cordeirinho que acaba de fugir da presa e refugia-se no calor do ventre materno. A respiração de meu pai era ofegante, e as rugas de seu rosto imediatamente se desfizeram. Vi meu pai, meu herói, meu rei dos reis rejuvenescer duas décadas frente a mim. Eu me sentia extasiada, plena. A princesa voltava ao abrigo de seu pai. A pequena rainha estava de volta ao seu império. Se Abraim me chamasse para sua companhia naquele exato momento, eu ria realmente feliz.
Mas Abraim sabia que aquilo que eu achava ser a felicidade perpétua, na verdade era apenas uma finíssima fatia do imenso bolo que o destino havia reservado para mim. Fui recebida pelo meu povo com alegria e entusiasmo. Não cabia em mim de contentamento. Percebi que cada um deles tinha na mente uma recordação minha, e todos ansiavam pelo meu retorno.
Faltavam apenas dois dias para o início da comemoração do Natal. O Natal é a festa mais importante do ano, e a cerimônia dura três dias. Os preparativos já haviam começado. Muita comida, bebida, música, dança, rituais. O mais importante deles era o Ritual do Renascimento, que acontece exatamente à meia noite do dia 24 de dezembro. É neste ritual que todas as almas ciganas se encontram e se renovam. Vão ao céu e atingem o limite da perfeição que é concedida aos humanos. O Ritual do Renascimento consiste em uma dança de entrega. Entrega do corpo, da alma e do coração.
A cada ano um casal é indicado pelos superiores da tribo para a execução dessa dança magicamente magnífica. Neste Natal, os escolhidos foram Johann e eu. A euforia tomou conta de minhas veias. Mesmo estando há tanto tempo afastada dos meus entes queridos, carregava em meu espírito cada nota entoada por aqueles que eu tanto amava. A dança era minha vida, tudo que eu ansiava e desejava em minha existência. A melodia que invade a alma, penetra cada poro de nossos corpos, tornando-nos livres e beirando a imortalidade. Eu iria dançar novamente com meu mestre, meu par, meu irmão. Aquele que conhecia meus medos e meus desejos. Meu anjo da guarda. E estava sendo agraciada por poder partilhar com ele este momento único em minha vida.
Cada cigano, durante o ritual, recebe uma graça de Abraim, o imaculado rei dos céus. Para alguns, ele promove a fartura. Para outros, a harmonia. Outros recebem a tranqüilidade ou a sabedoria. Outros são tomados por um infortúnio sentimento de pesar, e sentem a necessidade urgente de compartilhar seus feitos com aqueles que os rodeiam. E outros sentem o peito arder em chamas, e descobrem o verdadeiro amor. Era isso que eu esperava. Não havia conseguido apagar da memória as frases daquela cartomante em Paris. Estava angustiada, e esperava que Abraim me concedesse a virtude de perceber o amor que estava tão próximo a mim.
Já era muito tarde quando me recolhi. Sentia-me viva novamente, em paz com meu eu interior. Fiz as preces a Abraim, pedi a benção a meu pai e passei muito tempo olhando as estrelas que brilhavam impetuosamente no céu. Adormeci sentindo as mãos de mamãe acariciando meus cabelos, e vi seu rosto sorrindo para mim. Sua alma entoava um cântico de graças. Eu estava em casa.
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N.A.: O poema citado no início do texto chama-se "A um coração cigano", retirado do orkut, da comunidade "Coração Cigano".
Histórias da meia noite
A fotógrafa ao chegar ao velório viu o morto dentro do caixão e começou a fotografá-lo. Para seu espanto, toda vez que olhava pelo visor da máquina fotográfica via o morto olhando para ela com os olhos abertos. Quando tirava a máquina fotográfica de sua frente, olhava para o morto e o via com os olhos fechados. Várias fotos foram tiradas e, quando reveladas mostraram que realmente o morto a via com os olhos abertos."
Um garoto do sexto ano havia terminado de contar sua história. A maioria dos alunos já havia se recolhido, apenas pouco mais de meia dúzia ainda estava reunida em torno da fogueira. Adhara atirava pedaços de uma gosma roxa na fogueira de tempos em tempos, que fazia o fogo crepitar e causava pequenas explosões, assustando os colegas mais atentos às histórias.
AM: Que horror!
IM: É só uma história, Anabel! Pensei que seus neurônios super-estimulados soubessem distinguir uma coisa da outra...
IL: Toma cuidado, senão o defunto do Jack vai vir puxar seu pé essa noite.
Ian e os amigos caíram na gargalhada. O professor de zoologia olhou para o relógio trouxa que tinha no pulso esquerdo e, percebendo que já havia passado das duas horas da manhã, ordenou que todos fossem para suas barracas. Adhara e Bel seguiram com cara de pouquíssimos amigos, enquanto Ian e Samuel rumavam para o outro lado do acampamento.
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Adhara entrou em seu saco de dormir e ficou olhando pro teto da barraca, fungando. Não conseguia pregar os olhos, seu cérebro fervilhava. Bel a olhava intrigada. De repente, a garota levantou, vestiu a capa e rumou para fora.
AD: Adhara, tem certeza?? Ta tão escuro lá fora...
AB: Bel, se não quiser vir, não precisa. Deixa que eu vou sozinha.
AD: Não... também não quero ficar aqui sozinha. Eu vou com você!
AB: Coloca isso na cabeça e traz sua varinha.
As duas seguiram silenciosamente por entre as barracas. Bel não sabia onde estavam indo, mas a idéia de ficar sozinha naquela escuridão, ainda mais depois da sugestão de Ian, acusava-lhe calafrios. Pé ante pé, as duas meninas se aproximaram da barraca dos garotos, os intragáveis sem cérebro, apelido carinhoso que Adhara dera a Ian e Samuel.
Estava tudo escuro. Os dois garotos deviam estar dormindo... O sono dos inocentes. Adhara cochichou alguma coisa no ouvido de Bel, que, um tanto resignada, concordou com a cabeça e se afastou cerca de dez passos do local onde a amiga estava. Então, dentro da barraca, Ian e Sameul ouviram um estrondo. Assustados, os dois ergueram-se dos sacos de dormir. Uma luz verde cobria uma das paredes da barraca, e um vulto esquelético pairava alguns centímetros acima do chão. Uma risada cadavérica ecoou nos ouvidos dos garotos, e Samuel correu em direção à porta de lona. Sentiu o sangue gelar em suas veias quando não encontrou a saída. Estavam presos dentro daquele mausoléu de lona. Ian arrancou a varinha de dentro do bolso do pijama, os olhos arregalados. Samuel tentou esconder-se atrás do amigo, mas o vulto da mulher o perseguia. Ian desferiu uma dezena de feitiços que teoricamente derrubariam um hipogrifo, mas que pareciam fazer nada mais que cócegas no fantasma daquela mulher horrorosa. As sombras que agora tomavam conta da barraca pareciam sinistramente vivas, e o cheiro de mofo e podridão inundava o local.
A risada cadavérica ressoou novamente, fazendo as pernas de Ian tremer de pavor. Então, os dois garotos viram-se transportados a um velho sobrado abandonado, escuro e muito sujo. Samuel procurou sua varinha, mas não a encontrou. Eles se moviam, contra a vontade – como se uma força invisível os empurrasse - em direção a uma porta escancarada.
Havia teias de aranha por todo o lugar, sem falar no cheiro de carniça em decomposição, parecia abandonado há anos. Mas algo estranho, muito estranho aconteceu.
Uma luz de vela brilhava no aposento ao lado. Os dois garotos ficaram hipnotizados e foram em direção àquela luz. Ao chegar ao aposento, Ian gritou. Havia uma mulher sentada numa cadeira empoeirada com uma caixa ao seu lado. Ela era feia, vestia uma camisola verde claro, como aquelas usadas em hospital. Era a mesma mulher da barraca do acampamento. Ficou mais surpreso ainda quando ela me chamou pelo nome: "Ian! Será que você pode ma ajudar?"
A voz era esganiçada e sombria. Ele e Samuel tentaram conter o temor. "Não tenham medo. Eu sei que o senhor precisa de dinheiro, senhor Berbenott... eu pago bem aos senhores se me ajudar com esta caixa. Eu já cansei de pedir, mas ninguém me ajuda", disse a figura.
Samuel tentou recusar, mas sentiu um desejo tão grande de pegar aquela caixa que quando percebeu, ele e Ian já a tinha nas mãos. Somente perguntaram para onde deveriam levá-la.
A mulher estava logo atrás dos dois, pois iria ensinar o caminho. No início não notaram nada de errado, mas de repente, comeos dois garotos começaram a sentir um cheiro estranho, muito estranho, vindo da caixa...um cheiro de morte!
A mulher continuava falando, mas Samuel não via mais a sombra dela no chão. Nesse momento, Ian olhou de soslaio para onde ela deveria estar, mas não estava! Ambos começaram a ficar com medo. Pararam um instante e Ian pensou em abrir a caixa, mas foi interrompido pela voz da mulher: "Não abra a caixa! Vocês terão que ir até o fim!!! Já paguei adiantado pelo serviço." O pavor tomou conta dos dois amigos. Samuel debatia-se, tentando se convencer que era um pesadelo e logo iria acordar, e cravou suas unhas no punho esquerdo. Deu um grito de dor. E então percebeu que não era um pesadelo... estava acordado, era real. As mentes confusas, não sabiam o que fazer. Não sabiam mais de onde vinha a famigerada voz. Ian imaginava que viesse da caixa, mas não quis arriscar. "Não parem, Ian e Samuel! Eu quero chegar logo!" Agora não tinhas mais dúvidas. A voz vinha realmente da caixa.
Ian pensou em atirá-la no bueiro mais próximo, mas não conseguiu tirá-la da mão, parecia colada. Samuel tentou de todo jeito se livrar daquele artefato das trevas, mas não teve sucesso. Os dois amigos tremiam como varas expostas a um vendaval. Acabaram levando a caixa ao tal destino.
Haviam chegado em uma bela casa. Um homem bem apanhado os atendeu, e Ian deixou a caixa na chão. O individuo, meio sem saber o que fazer, pegou a caixa e começou a abri-la. Samuel não agüentou a curiosidade e deu uma olhada para dentro dela.
Assim que ele abriu, o fundo se rompeu e um monte de ossos velhos, sangue e carne em decomposição esparramou-se pelo assoalho da casa. A cabeça da mulher rolou pela sala de visitas, e novamente sua voz repugnante ecoou: "Eu voltei para você, meu querido! Muahahahahahuahua!!"
Ian e Samuel berravam, verdadeiramente apavorados. A risada sinistra do fantasma da mulher e o cheiro de seu corpo podre invadia penetrava seus poros. A náusea e o desespero dominavam-nos completamente. Lentamente, o vulto da mulher levou-os de volta ao acampamento. Estavam novamente dentro da barraca com a parede iluminada por uma estranha luz esverdeada. Mais uma vez, a voz esganiçada e sombria do cadáver foi ouvida.
"O homem que vocês viram era meu marido e me envenenou há anos, escondendo meu cadáver naquele sobrado abandonado. Vocês serviram de 'Mensageiros do Cão', levando aquela encomenda macabra para o antigo dono. Muahahahaha!".
Então, exatamente como surgiu, o fantasma desapareceu. A barraca voltou a ficar na mais completa e silenciosa escuridão. Ian e Samuel suavam frio. Estavam pálidos e gelados. Então ouviram passos e risos do lado de fora da barraca. Tremendo, Samuel conseguiu abrir a fechadura na lona. Quando saíram, encontraram Adhara às gargalhadas, com a varinha em uma das mãos e alguns frascos de poção ilusória vaporizada na outra. A garota sorria marotamente, com ares de triunfo. Anabel aproximou-se do grupo, sorridente, com um gravador nas mãos.
AM: Prontinho, Adhara! Tudo registrado.
AB: Pensei que as duas mocinhas ia fazer xixi nas calças. Vamos nos divertir muito com nossos corajosos amigos aqui berrando "Socooooorro!! Por favor, não me machuque!" em voz de falsete. Medo de assombração, Ian?
Ian e Samuel precisaram de vários minutos até perceberem que haviam sido vítima de uma brincadeira das garotas.
SB: Isso não vai ficar assim.
AM: Toma cuidado, senão o fantasma vai vir puxar o pé de vocês essa noite.
AB: É, se eu fosse vocês, pensaria duas vezes antes de pregar os olhos. Ah, e já que vocês gostam tanto de cantar, uma musica suave vai tocar a noite inteira pra vocês.
Cuide do seu nariz
Você fala demais
Não fui eu que pedi,
Se o teu conselho fosse bom tu vendia
Eu não quero ouvir
Onde foi que eu errei
Não foi assim que eu quis
Infelizmente foi em você que eu me espelhei
(...)
Agora preste atenção
E me deixe falar
Aprendi a dizer não
já chegou a hora de me libertar
Hey não dá
Esse papo de faça como eu
Tuas palavras ecoam no meu destino
(...)
Não sou ovelha negra, e qualquer
Menina da vida da vida,não
Tentar esconder
Pra não ter que ver
Onde dói a ferida da vida, da vida, é
Não sou qualquer menina da vida!
Muahahahaha!
Com um riso irônico e debochado, Adhara puxou Bel pelo braço, e as duas voltaram aos seus sacos de dormir, não sem antes certificarem-se que a risada que tanto atemorizou os garotos ecoaria durante toda a madrugada, cessando apenas com o raiar do sol.
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N.A.:
1. As histórias de terror foram retiradas do site www.assustador.com, e devidamente adaptadas.
2. A música citada é Próprias Mentiras, de Deborah Blando.
Nem queria ter vindo MESMO...
Do diário de uma frustrada Isabel McCallister
Ai, quanto sonhei em estar deitada na minha cama
Um terço da minha frustração é por isso, os outros dois terços eu explico já! Sábado de manhã eu separava no armário algumas roupas para fechar a mala, afinal, segundo meus devaneios, deveria voltar para casa na manhã de ontem. Amaralina também estava no dormitório juntando suas coisas para voltar para casa e o humor não poderia estar melhor.
Quando achei que estava tudo preparado e descia para o almoço, uma coruja branca com manchas caramelo entrou no quarto e voou até o meu encontro. Morgana havia voltado de sua viagem, finalmente... Fazia duas semanas que a tinha mandado para casa avisando papai do dia do meu retorno para casa, e a hora que deveria desembarcar na cidade para ele me pegar. Esperava uma resposta de confirmação de sua parte, porém, o que me foi entregue foi algo bem diferente...
Querida filha, tudo bem? Eu estou indo muito bem, melhor impossível eu diria... Hoje, assim que Morgana chegou, eu tinha acabando de voltar do escritório com uma novidade maravilhosa! Lembra-se do meu projeto, o que andei trabalhando o ano todo junto com David? Acaba de ser aprovado... Sairemos em vôo teste nele na próxima semana! Estava tão empolgado com o seu regresso filha, e de repente me cai esse balde de água gelada. A notícia é maravilhosa, mas você sabe o tanto que esses vôos testes demoram... Acho que só voltaremos em três ou quatro semanas, possivelmente. Tentei adiar isso para o inicio de janeiro, mas não consegui. Isa, me desculpa, você terá que ficar no castelo nessas festas de fim de ano. Estou morrendo de saudades, mas finalmente todo o meu trabalho foi reconhecido e não posso desperdiçar uma oportunidade dessas. Te recompensarei, eu prometo! Fique bem, e a não ser que consiga uma coruja astronauta, não me mande cartas até eu avisar a minha volta! Beijos do seu pai que te ama, Richard.
Se isso foi frustrante? Não, nem um pouco... Imagina você fazer planos e mais planos para seu fim de ano com seu pai, estar fechando a mala e contando os segundos para o outro dia nascer e receber uma notícia dessas. Seria menos frustrante para mim saber que a Anabel não iria ao acampamento de estudo do que essa carta de papai... Claro, eu fiquei super mega giga feliz com a notícia que ele me deu do trabalho, afinal, ele desenhou cada parafuso do ônibus espacial, mas em circunstância foi como se alguém tivesse me tirado um vestido de seda da mão na hora em que o encostei.
Foi por ficar com algumas visões na cabeça que me lembrei do que viria pela frente. Os alunos de quinto, sexto, e sétimos anos que permaneceriam no castelo iriam para o acampamento do Lago Moliets estudar mais abertamente e naturalmente as aulas de Botânica e Zoologia. Claro que não era uma obrigação, quem quisesse ficar no castelo que se sentisse a vontade, mas então conclui que entre ir para o acampamento onde alguns conhecidos estariam e ficar no castelo um mês sozinha e trancafiada, seria melhor embarcar no ônibus com o resto do pessoal enfrentando o mato, os mosquitos, a terra, e a falta de civilização.
Desci decidida... Iria almoçar e logo depois iria à sala do professor Pierre, me inscrever para o acampamento. Estava concentrada na minha salada de bacalhau que nem vi quando Samuel sentou-se ao meu lado e me cumprimentava...
SB: Oi Isa... Tudo bem?
IM: Indo, e você Samuel?
SB: Melhor impossível! Estou empolgado com a viagem amanhã...
IM: Eu estava também, mas enfim... Vai passar as festas com a família?
SB: Não, eu e mais alguns amigos concordamos que seria melhor não voltar para casa agora... Nossas famílias ainda devem se reter na nossa brincadeira dos Comensais. Vou para o acampamento, você não vai?
IM: Ponto positivo para ele... Bom, não ia, mas fui praticamente empurrada para lá, e vou sim, se as inscrições ainda estiverem abertas... Pensei que ficaria sozinha, Amaralina vai para sua terra passar o fim de ano com seu povo... Ainda bem que você vai!
SB: Ah, você nunca ficaria sozinha por muito tempo lá não é mesmo? Conhece tanta gente... De qualquer maneira, se quiser que guarde um lugar no ônibus próximo de mim e dos meus outros amigos pra você, eu guardo sem problema algum... Você vai gostar deles!
IM: Ok, obrigada... Eu estou indo Samuca, vou até a sala do Pierre tentar me inscrever... A gente se vê, certo?
SB: Com certeza!
Samuel é um garoto da Nox que conheci um pouco depois de chegar ao castelo... Havia se mostrado um menino muito legal e um ótimo amigo, e se meu sexto sentido não me enganasse, era apaixonado na Lina, o que fazia que nossa aproximação se intensificasse. Segui até a sala do professor Pierre que organizava alguns papéis da mesa, e tinha uma mala trouxa aberta em cima de uma cadeira. Por sorte eu ainda consegui preencher a ficha de inscrição e o entregar, o que ele disse ter sido muita sorte realmente, uma vez que as inscrições estavam quase se encerrando.
O resto do dia passou sem qualquer expectativa. Acordamos no domingo, e carregamos as malas para baixo. Após tomar o café me despedi desanimada de Lina e segui para a entrada onde alguns ônibus amarelos daqueles típicos para passeios trouxas estavam estacionados e nos esperavam.
Mal havia entrado no ônibus e avistei Bel e Adhara nas poltronas da frente, com caras de quem tinha comido e não gostado.
IM: É, pelo visto essa viagem não está sendo indesejada só para mim não é mesmo?
BM: Eu até estava animada em ir estudar Isabel, mas esperava ficar um mês longe de você e desse seu cabelo colorido. Some da minha frente...
A gentileza da minha irmã para comigo é realmente de se espelhar em qualquer outra relação. Sentei-me ao fundo, onde Morgan estava sentada com uma menina. Samuel e seus amigos ainda não haviam chegado, e só foram aparecer quando o ônibus se preparava para partir. Após ser apresentada para todos, o professor Pierre (para minha total felicidade, uma vez que eu me recusava a ir ao mesmo ônibus da professora Milenna) entrou e se sentou junto ao motorista. A estrada começou a ser percorrida.
A viagem foi até divertida... Samuel e seus amigos começaram uma série de canções e após um tempo quase todos do ônibus estavam embalados e concentrados nela. Bel estava prestes a cometer um suicídio e Adhara prestes a cometer um homicídio conjunto quando paramos e todos começaram a descer.
Terça parte da minha frustração começou nesse momento. Descemos e nos encaminhamos para o bagageiro, para apanhar as malas. Vem mala de cá, vai mala pra lá quando todos se afastaram com suas devidas bagagens e me aproximei para apanhar a minha. Uma onda de total desespero invadiu meu coração no momento que olhei o bagageiro totalmente vazio... Onde está a minha mala???
O motorista não soube me responder e então sai procurando ela com o olhar em todos os lugares mas nenhum sinal de uma mala rosa perdida e solitária buscando a sua dona. Após garantir que ela não estava com ninguém, o motorista constatou que a porta do bagageiro estava aberta quando chegamos, ele não entendia o porquê, mas se despreocupou quando todos encontraram suas malas. Deu para perceber a minha tamanha sorte? No meio do mato, no meio do nada, sem querer estar ali, e sem a minha mala, as minhas roupas, os meus produtos, os meus objetos... Apenas eu, a roupa que estava usando no corpo, os mosquitos e... a Bel e sua mala! Pensar na hipótese de ter que pedir para Bel me emprestar algumas roupas para eu passar o acampamento era torturante... Não pelo fato de pedir, mas de pensar nas roupas da Bel...
Agora deu pra você entender meu estado não é? Merlin ao menos iluminou...
MO: Isa, nós soubemos o que aconteceu... Que pena e falta de sorte hein? Não poderiam usar um feitiço convocatório da mala?
IM: Acho que não Morgan... Estamos em território trouxa e seria um choque uma mala voando não é? Não sei o que fazer...
MO: Bom, pra começar você pode ficar na barraca comigo e a Marienne. Ela é grande pra nós duas mesmo... Vamos montar ela?
IM: Vamos! Não sei nem como agradecer Morgan... Teria que dormir com a Bel e Adhara, imagina isso...
MO: No mínimo uma iria sair degolando a outra lá!
Foi assim que minha viagem começou. Eu, Marienne (que por sinal é muito simpática) e Morgan colocamos nossa barraca
Após as súplicas que fiz para Bel, ela me cedeu dois conjuntos de roupas para que eu alternasse todos os dias, e é isso... Não sei como esse acampamento pode acabar bem, mas pior do que já está, não fica!
Monday, December 19, 2005
Salve-se quem puder, porque o bicho vai pegar!
- Vamos, andem, ultima vez que estou chamando, quem não entrar no ônibus vai ficar para trás!
O professor de Zoologia berrava pendurado na porta de um dos grandes ônibus amarelos que ele havia conseguido para nossa viagem. Eram ônibus trouxas, muito diferentes do Noitebus, que tinha três andares. Peguei minha mochila largada na grama e embarquei junto com meus amigos. O ônibus já estava lotado, mas por sorte os bancos no fundo dele ainda estavam vagos, permitindo que nos acomodássemos bem lá atrás, um lugar muito estratégico pra esse tipo de viagem.
Estava pondo os pés no banco da frente, começando a rasgar folhas de papel e amassa-las em formatos de bolas, quando a viagem que prometia ser divertida de repente se tornou maravilhosa, melhor impossível: Adhara Black entrava com cara de poucos amigos no ônibus arrastando sua mochila como o Lino, um garotinho de um desenho trouxa que anda arrastando um cobertor até pra ir ao banheiro. Pelo visto os planos dela de passar o natal em casa fora por água abaixo, permitindo que nosso acampamento se tornasse algo memorável.
Os primeiros 15 minutos na estrada correram sem incidentes. Mas foi só terminarmos de abastecer os bolsos para um verdadeiro bombardeio ter inicio. Começamos escolhendo um alvo: o faraó sentado a três bancos de distancia. A bola de papel voou tão rápida ate sua cabeça que ele não conseguiu descobrir o que o acertou. Ainda procurando o atirador, outra bola voou, dessa vez acertando a cabeça de uma menina da Lux que gritou na mesma hora. O terceiro alvo foi Adhara, obvio. Nós quatro atiramos as bolas ao mesmo tempo, acertando todas em sua cabeça. A garota saltou do banco já sacando a varinha e disfarçamos. Claro que ela sabia que éramos os autores da brincadeira, mas não viu e não podia provar. Adhara apanhou as bolas do chão e devolveu furiosa, nos acertando. A guerra havia começado! Éramos nós quatro contra ela, que enfeitiçava as bolas para que voltassem com a mesma rapidez que as acertava.
A batalha só teve fim quando o professor pareceu ouvir os gritos dos alunos no meio do bombardeio e interveio, confiscando todos os papeis que encontrou no ônibus, até o higiênico. Sem munição para atacar o resto dos passageiros, desatamos a cantar canções irritantes.
...Um hipogrifo incomoda muita gente, dois hipogrifos incomodam, incomodam muito maaaaais. Três hipogrifos incomodam muita gente, quatro hipogrifos incomodam, incomodam, incomodam, incomodam muito maaaaaiis...
...53 hipogrifos incomodam muita genteee, 54 hipogrifos incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam...
- CALEM A BOCA PELO AMOR DE MERLIN!
Adhara estava de pé de novo, com as mãos tampando os ouvidos e com cara de quem chupou limão. Anabel também estava em pé ao seu lado sacudindo a cabeça com os dedos enfiados no ouvido, na tentativa de abafar o som que àquela altura já tinha contagiado metade do ônibus.
- Até você Morgan?? – Bel falou quase chorando ao ver a amiga cantarolando animada ao meu lado, regendo o resto dos alunos com sua batuta invisível.
- Parem com essa musica dos infernos ou faço vocês engolirem cada um desses malditos 54 hipogrifos!
- Por favor, cantem outra coisa...
- Não, não... NÃO CANTEM MAIS NADA!
Samuel coçou a garganta com um sonoro “ham, ham” e tomando o lugar de Morgan na regência, começou a entoar uma musica que não conhecia, mas de letra fácil e que rapidamente aprendemos. Em questão de segundos 80% dos passageiros, incluindo o professor, cantavam com empolgação e devoção.
... Voldemort matou um, Voldemort matou um. É um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou dois, Voldemort matou dois. É dois, é um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou três, Voldemort matou três. É três, é dois, é um, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort...
... Voldemort matou 30, Voldemort matou 30. É 30, é 29, é 28, é 27, é 26... É 5, é 4, é 3, é 2, é 1, é morte. Viva Voldemort, Viva Voldemort! Voldemort matou 31, Voldemort matou 31. É 31, é 30, é 29, é 28, é...
- Me mata agora Adhara, por favor...
- PAROU A PALHAÇADA! MORGAN, LARGA ESSE MICROFONE DE PAPEL! O PROXIMO QUE CANTAR QUALQUER MUSICA, PODE SER ATÉ A DO PAPAI NOEL, MORRE!
Uma enorme vaia começou a ecoar no ônibus e as bolas de papel confiscadas pelo professor saltaram do bolso dele quando mais de 10 feitiços expulsórios foram pronunciados e todas voaram em direção a Adhara, que caiu sentada no banco por cima de Bel. O professor, sentindo a tensão e a guerra de vontades que estava prestes a começar, pediu que encerrássemos o coral de Beauxbatons por um tempo, para darmos preferência a contar piadas ou historias de terror, pois eram mais silenciosas. Ele passou recolhendo as bolinhas e fazendo todas evaporarem, sentando-se ao lado do motorista de olhos atentos no fundo do ônibus.
O resto da viagem foi um porre, pois estávamos proibidos de cantar e atirar papel. Logo chegamos ao lago Moliets, dando inicio a montagem das barracas, sem magia. Não precisa nem dizer que a minha barraca era uma das mais tortas, remendada com fita adesiva trouxa que o professor emprestou. Os arquitetos Samuel, Bernard, Dominique e eu demos uma boa olhada na nossa obra de arte e ao constatarmos que ela não iria desabar na madrugada, nos alojamos. Adhara passou por nós esbarrando em mim de propósito enquanto pisava nos gravetos que Dominique tinha colhido pra nossa fogueira e triturando todos eles. Olhei bem pra cara dela, cutucando Samuel: estava declarada a guerra do século!
Wednesday, December 07, 2005
Dias melhores
- Sr. LA FAYETTE, runa é o nome dado a cada uma das letras do alfabeto rúnico, utilizado no noroeste da Europa, especialmente na Escandinávia e nas Ilhas Britânicas, entre os séculos III e XVII. Portanto, o nosso objetivo é decifrá-las e...Sr. LA FAYETTE, o senhor ouviu alguma palavra do que eu disse?!
Comecei tentando explicar o básico para o garoto de meio palmo de altura que estava sentado no banquinho na minha frente, mas ele estava há exatamente meia hora encarando a porta da biblioteca com a boca aberta e uma cara de quem acabou de acordar...sendo que eram 5 da tarde! Fulminei o menino com o melhor olhar assassino que consegui fazer e tive que agradecer mentalmente a Isabel por me dar tantas oportunidades de treiná-lo com ela.
- Uhnn...eu acho que sim...- respondeu o garotinho, tremendo da cabeça aos pés – Eu só estava um pouco distraído...
- Jura? Estava contando os segundos para o senhor engolir aquela mosca! Confesso que já vi gente distraída, mas o senhor é o primeiro que consegue perder completamente o foco da atenção olhando para a porta da biblioteca!
O menino demorou alguns segundos para processar a chuva de informações. Ele sim devia ser o irmão gêmeo da Isabel! A mesma cara de quem precisa de tratamento médico urgente, com direito a terapias de choque e tudo.
- Moça, eu realmente não gosto de estudar esses desenhos estranhos...eu só estou aqui porque a professora Catharine mandou e...
Ok, hora de treinar a cara de quem acabou de engolir um limão azedo com casca e tudo. Obrigada, Isa!
- DESENHOS ESTRANHOS?! COMO OUSA FALAR ASSIM DAS RUNAS? Fique sabendo que eu vou passar essa informação para senhora Muller e que o senhor será devidamente castigado! Que ultraje!
- O que é ultraje? – o garotinho deixou escapar antes que pudesse se conter, mas quando percebeu que eu estava começando a ficar ligeiramente verde, balançou rápido os braços, indicando que não queria ter dito aquilo ou se protegendo de um ataque iminente... – Tudo bem, tudo bem, eu sei o que é ultraje! E já estou indo embora, sua maluca! E por que raios você fica me chamando de senhor?! Eu só tenho 12 anos!
Eu já tinha segurado o menino pela gola da capa e estava considerando as possibilidades de ser presa se lançasse uma maldição cruciatus, quando meu castigo pessoal entrou na biblioteca parecendo um pavão enfeitado para o carnaval. Literalmente, aliás, já que ela tinha descoberto uma nova utilidade para a pena, que já devia estar atrofiando por falta de uso: um penteado feito com várias penas multicoloridas.
- Anabel, que você era louca eu já sabia, mas bater em crianças já é demais! Vai, menininho, estão distribuindo pirulito grátis lá no salão.
O garoto saiu correndo o mais rápido que pode, sem nem olhar para trás, enquanto Isabel me encarava parecendo 1% preocupada e 99% aterrorizada.
- Por que você sempre se intromete nos meus assuntos? Eu ia dar uma boa lição naquele menino abusado!
- Anabel, eu nunca pensei que teria que falar isso, mas você precisa urgentemente sentar e ler um bom livro! Nunca te vi tão estressada! Eu já falei que uma boa massagem relaxante resolve qualquer coisa, mas em vez de se contentar em SÓ estudar para os NOMS você ainda resolveu virar babá desses pirralhos!
Santa ignorância...bem, imagino que deva ser melhor ouvir isso do que ser surda...
- Não é babá! Eu sou m-o-n-i-t-o-r-a!!! É uma responsabilidade gigantesca que a professora Catherine...
- Quem aquela louca com sotaque estranho?! E você é completamente obcecada pelo cérebro dela! Como vai o fã clube?
Uhnn...pode esquecer aquela história sobre ser surda, sim?
- Qual? O seu da Barbie? A professora Catherine é alemã! Ela só tem dificuldades de se adaptar ao mundo francês...
- Vocês duas têm dificuldades para se adaptar ao planeta Terra! Ela consegue deixar runas ainda mais insuportável...o que parecia impossível!
- Isabel, se você falar mais uma palavra, faço seu cabelo virar uma palha de aço antes que você consiga implorar por piedade...
A coisa parou por alguns segundos, considerando que não valia a pena arriscar os galeões do salão de beleza por tão pouco. Era impressionante como a França não tinha feito nada bem para a cabeça dela. Continuava o mesmo ser petulante, enxerido, mas agora vestida de seda! De qualquer forma, ela fez sua saída teatral, deixando a biblioteca cheia de pluminhas que caíram de seus cabelos, fazendo com que o cenário lembrasse ligeiramente um estouro de galinhas.
- Ahh, Bel...
- O QUE FOI?! – resmunguei revoltada. Será que o mundo tinha tirado o dia para encher a minha paciência? Mas era o Bernanrd...coitado, pela cara de pavor dele, devo ter sido um pouquinho grossa, mas tentei me redimir. – Ah, oi, Bernard. O que você quer?
- Uhnn...eu acho que esqueci – balbuciou o garoto, ainda assustado – Ah, sim, foi para perguntar se você vai ao acampamento no Lago Moliets.
- Claro que sim! – respondi, radiante. – O que eu não daria por alguns dias longe de Beauxbatons só estudando botânica. E, segundo meu lema, eu estou onde a Isabel não está...como eu tenho certeza que ela não vai...podem reservar meu lugar no ônibus.
- Por que você tem tanta certeza de que ela não vai? – perguntou Bernard, sorrindo.
- A Isabel? Se ela passar um dia no meio do mato, com bichos e plantas, sai dali direto para o hospício. Acredita que ela não entrou no Louvre porque disse que tinha claustrofobia? O lugar é um mundo!! Acho que ela tem alergia a lugares com excesso de informação...o pequeno cérebro dela entra em colapso. Bom, vai ser um Natal feliz! Melhor que isso só se tivessem me trancado na sala da Mona Lisa. Eu passaria a eternidade naquele lugar! – Interrompi meu monólogo por um segundo, já que a professora Muller e seus 2 metros de altura tinham acabado de entrar na biblioteca conduzindo uma garotinha.
- Anabel, poderia me ajudar com a senhorita BOIS-REYMOND? – perguntou com um forte sotaque alemão.
- Claro, senhora Muller!!! –respondi, virando as costas para o Bernard. Com certeza, teria tempo de falar com ele depois. A menininha, que se chamava Anna, tinha grandes olhos azuis e parecia estar enfrentando a morte. Era engraçado como esses estudantes desesperados me lembravam da Isa. Parecia a própria no dia que fomos visitar a Gi e eu disse para ela passar alguma coisa no rosto e esconder as olheiras.
Anna sentou no banquinho e começou a chorar.
- Por favor, senhora!! O Peter me contou o que a senhora fez com ele. Eu juro que gosto de runas!! Gosto mesmo! Eu sei o alfabeto inteiro!!!
Bernard segurou o riso e levantou do banquinho.
- Bom, acho que agora eu vou deixar as duas sozinhas...
A garotinha resmungou e disse – Você tem mesmo que ir...- mas parou quando eu levantei o livro pesado e abri com um estrondo em cima da mesa. Acho que ela pensou que eu iria atirar o livro na cabeça dela...não que isso fosse uma má idéia, é claro.
- Srta. BOIS-REYMOND, runa é o nome dado a cada uma das letras do alfabeto rúnico, utilizado no noroeste da Europa, especialmente na Escandinávia e nas...
E assim continuei até a noite cair. Tentei ensinar runas a mais uns dois projetos de seres humanos, mas quando o último ameaçou me denunciar para a Madame Maxime por maltratar criancinhas inocentes, achei que era melhor voltar para o salão comunal. Sentei na poltrona perto da lareira e Adhara veio conversar comigo.
- Oi, Bel! Não te vejo há anos! Onde você estava?
- Uhnn...na minha sessão de castigos semanais. Estou pagando pelos pecados dessa e de todas as outras vidas.
- E eu que pensava que você já tinha sido bem castigada – disse Adhara imitando Isabel à tarde, quando parecia estar desfilando a nova coleção de Inverno francesa para um bando de garotinhas que davam gritinhos a cada capa que Isa vestia.
- Pois é...algumas pessoas simplesmente não tem sorte – disse, me levantando do sofá para ir dormir. Estava exausta e tinha que acordar cedo no domingo para estudar Mitologia.
Estava com uma grande sensação de dever cumprido, mas me se sentia cada dia mais enjoada de estar vivendo os mesmos dias durante o ano inteiro. Estava cansada de só ter como companhia os livros, estava cansada da falta de novidades, estava cansada de não entender muito bem porque todos pareciam estar vivendo no paraíso, enquanto eu me se sentia tão sufocada. Estava cansada dos pares de olhos que me encaravam com uma expressão estranha, apesar disso ser extremamente engraçado. Minha cabeça girava e eu passei uns 40 minutos rolando na cama até conseguir pegar no sono. Os NOMS realmente estavam me matando, a monitoria, as aulas, tudo! Além disso, sentia muita saudade de Hogwarts. Não me sentia em casa na Beaux, apesar de ser um ótimo colégio. Enfim, acho que estava um tanto quanto cansada de ser Anabel Damulakis. Mas amanhã é um novo dia, e, se as previsões da Amaralina estiverem corretas ( o que eu duvido muito) e Plutão ficar alinhando com Saturno ou algo do gênero, dias melhores virão.
Tuesday, December 06, 2005
Um novo projeto, uma nova oportunidade
BL: Deixa ver se entendi: você saiu decidido a namorar a Marie e voltou namorando a Nathalie?
IL: Exato.
BL: Você percebeu que apesar dos nomes rimarem, elas não são a mesma pessoa não é?
Descíamos para a aula de Zoologia e eu explicava pela 5ª vez o que havia acontecido em Paris depois que me separei deles. Bernard não gostou muito do rumo que as coisas levaram e constantemente me dizia que estava indo pelo caminho errado para acertas as coisas.
IL: Já falei mil vezes que eu não estou usando a Nat pra fazer ciúmes na Marie, eu gosto de verdade dela!
BL: Eu não estou duvidando que você goste dela, mas não gosta como namorada, vocês já tentaram uma vez. E ninguém muda de opinião quanto à pessoa que quer de verdade em 5 minutos!
IL: Não enche Bernard! Não tenho que lhe dar satisfação da minha vida! –
Larguei Bernard para trás, virando-me sem prestar atenção e esbarrando em um menino ruivo e de óculos que reconheci vagamente como aluno da Sapientai.
- Desculpe...
IL: Não olha por onde anda não, ô quatro-olhos!
- Algum problema ai? – disse um outro menino, acho que amigo do ruivo.
BL: Problema nenhum. Ignorem meu amigo, ele está sob pressão...
Bernard saiu me empurrando colina abaixo em direção ao picadeiro em que tínhamos aula, deixando os garotos olhando sem entender a minha explosão sem motivo. Alcançamos o resto da turma e logo achei Marie de braços dados com o bolha d’água do Antoine. Ela o largou assim que nos viu, caminhando em nossa direção, e Bernard me puxou pela manga do casaco.
BL: Vê lá o que você vai dizer pra ela, não seja mal-educado!
IL: Mal-educado, eu? Sou um cavalheiro, nunca diria nada rude a ela...
ML: Olá meninos! Nossa Ian, quanto tempo! Não vejo você direito desde que saímos do barco no sábado!
IL: É, tenho andado meio ocupado com a Nat...
ML: Ah é mesmo, vocês estão namorando, eu soube. Esperava que soubesse por você e não por terceiros...
IL: Ora, você também não me comunicou pessoalmente sobre seu namoro com o Georges, descobri por acaso vendo vocês se agarrando no meio da rua!
ML: Não estava me agarrando com ninguém!
BL: Por Merlin... Dá licença, mas to sem paciência pra vocês dois hoje!
Bernard passou pelo meio de nós dois e parou ao lado de Dominique, impaciente. Marie e eu continuamos debatendo sobre quem tinha o melhor namorado ainda por um tempo, até que o professor surgiu do meio da mata e a turma se calou. Sai de perto dela e fui me sentar com Nathalie, que havia acabado de chegar.
- Boa tarde meus alunos prediletos, como estão hoje? Espero que bem, pois quero todos animados com o nosso próximo projeto!
A turma imediatamente se inquietou. Projeto de Pierre Coussot era sempre sinônimo de diversão.
- Vou explicar: Eu, juntamente com a nossa querida professora Milenna Dartagnam, - e a turma toda fez uma notável careta ao ouvir o nome da detestável professora - organizei uma pequena excursão para os alunos de 5º a 7º ano. A excursão consiste na verdade em um acampamento no Lago Moliets, onde estudaremos um pouco mais sobre Botânica e Zoologia, num ambiente mais natural e imprevisível. Há vagas para todos os interessados em ir e partiremos do castelo dia 18/12, retornando dia 03/01. Sim, será durante as férias de Natal, madame Maxime não autorizou que vocês perdessem tantos dias de aula, tendo NOMs e NIEMs tão próximos. Os interessados devem se inscrever em meu escritório até o final dessa semana. Garanto que os que optarem por deixar as famílias desfalcadas nesse fim de ano não se arrependerão! Estamos programando diversas atividades e poderemos saber um pouco mais sobre o que temos estudado aqui dentro do castelo.
Após a explicação do novo projeto dele, foi impossível dar aula. Ninguém mais calou a boca e o assunto não era outro senão o tal acampamento. Nathalie disse que não iria, pois não gostava de passar as festas longe da família, mas parece que foi a única a não aderir à excursão. Eu iria, sem duvida. Não queria mesmo ir para casa agora, com a brincadeira dos comensais tão fresca ainda na memória do meu pai, tinha receio dele me prender lá e não me deixar mais voltar. Virei para meus amigos e eles na hora disseram que iriam, que não perderiam isso por nada. Marie parecia também concordar com a idéia e para minha infelicidade, o bolha d’água também iria. Bom, nem tudo é perfeito. Mas até que vai ser bom ele ir, quem sabe não afogo ele num lago de lá e deixo a policia trouxa achar o corpo boiando, como nos filmes deles...
Sunday, December 04, 2005
Conhecendo as várias faces de Paris
Acordei bem cedo ontem, pois Bartolomeu conseguiu se livrar da gaiola e roia constantemente o meu edredom. Enquanto não o peguei e dei uma boa porção de amendoins ele não se acalmou. Mal tinha levantado e Amaralina já se espreguiçava em sua cama dando uma longa respiração.
IM: Bom dia! Espero que meu esquilo não tenha te acordado também... Ele estava inquieto!
AB: Ah, não se preocupe! Ele não me acordou...
Conhecendo o pouco que conheço de Amaralina, é bem provável que Bartolomeu realmente não a tenha acordado. Ela sempre se levanta cedo!
Após me arrumar e tomar café fui seguindo Amaralina até onde deveríamos pegar o barco que nos levaria à Paris. Balança pra lá, balança pra cá, até que finalmente a âncora foi lançada e o barco parou. Descemos pela avenida principal, atravessamos a barreira para a parte trouxa e descemos em um beco aglomerado de lojas onde fizemos escala em todas elas. Amaralina quase não comprou nada, ficava observando assustada as roupas trouxas e alguns inventos e me perguntava constantemente o que eram e pra que serviam. Entretanto, meus braços já estavam carregados de sacolas e mais sacolas quando dobramos a esquina para um outro beco. O lugar era escuro, circular e fechado. Lembrou-me muito a travessa do tranco, mas era um pouco mais colorido. Amaralina abriu um grande sorriso e saiu me arrastando pra dentro de uma viela lateral e depois outra e mais outra.
IM: Amaralina, assim nós vamos nos perder! Porque não voltamos pro lado bruxo e compramos o que quisermos lá antes de voltar para o castelo e... Amaralina, pra onde você está me levando???
AB: Fica calma! Eu tenho certeza de que você vai gostar de lá...
IM: Lá aonde? Você está ciente que estamos na parte trouxa de Paris?
AB: Claro que sim... Não existiria na parte bruxa um lugar como aquele!
IM: Já que você insiste...
Fomos virando pra direita, esquerda, transversal, cruzada, atravessando avenidas de cá, ruas de lá e andando por mais algumas ruelas até que finalmente Amaralina parou em frente ao que me pareceu uma grande passarela, como uma feira. Havia tendas dos dois lados e ninguém caminhava por ali naquele momento. Começamos a seguir por ela decididamente e entendi o porquê da aflição da minha amiga de chegar lá. Em todas as tendas, eram vendidos produtos mais alternativos, por assim dizer. Saias, batas, colares, pulseiras, amuletos, incensos, tudo em um estilo cigano. Amaralina estava tão alegre enquanto andava por ali e comprava roupas e objetos que acho que por uns instantes ela estava se sentindo na sua casa. Admito que achei o lugar o máximo. Comprei algumas saias longas e colares, além de um incenso de rosas naturais maravilhoso. Foi a minha vez de esperar que ela enchesse suas mãos de sacolas. Quando chegamos ao fim da passarela, paramos uns instantes e já caminhávamos de volta para a saída quando meus olhos se prenderam na última tenda posta. Era de um vermelho escuro com aspecto sombrio e abandonado. Em um cartaz pregado na fronte lia-se: Cartomante, Senhora Xayene Vulevá. Mapa astral, leitura das cartas de tarot e ciganas, Runas, Búzios e orbe. Consultas agendadas...
Amaralina impaciente começou a dizer que deveríamos voltar logo e almoçarmos, mas meus pés começaram a andar insistentemente pra mais perto da tenda.
IM: Vamos entrar? Pediremos que leia as cartas pra gente?
AB: Isa, eu já li as cartas pra você... Sei ler tão bem quanto minha mãe leria! Essa daí deve ser uma trapaceira!
IM: O que custa? Vamos... Só para ouvirmos o que ela tem a dizer! Vamos Lina, a gente num demora nada, eu prometo!
Após me olhar um tanto contrariada ela acabou cedendo e nós entramos. O lugar tinha um cheiro que chegava a ser irritante de gengibre belga e era bem sujo e desconfortável. Havia uma pequena mesa posta ao centro do primeiro cômodo. Toquei um pequeno sino, mas não ouvimos nenhum movimento. Toquei outra vez e nada. Quando estava prestes a tocar pela terceira, Lina agarrou meu braço me puxando pra fora do local. Nem tínhamos cruzado a lona, e uma voz fina e aguda nos chamou por trás.
XV: Posso servi-las em alguma coisa queridas?
A cartomante era uma mulher alta, magra, de pele bem clara, cabelos negros presos em um coque mal feito. Tinha um olhar profundo e estava com uma maquiagem bem carregada. Lembrou-me o jeito de Trewlaney, pois se vestia sem combinação e carregava xales e colares pesados.
IM: Sim... Por um acaso a senhora tem esse horário vago?
XV: Oh minhas jovens, deram muita sorte. Hoje a passarela está sem movimento e quase não recebi ninguém. Creio que poderei atendê-las!
IM: Excelente. Quero que tire as cartas ciganas para mim e para a minha amiga.
XV: Entrem por aqui, e podem se sentar...
Atravessamos uma cortina de conchinhas que separava para o segundo cômodo, e nos sentamos lado a lado em um grande pufe. Disposto na frente do pufe havia um tapete com círculos desenhados que vinham
XV: Quem vai ser a primeira?
AB: Ela!
A cartomante me encarou profundamente e então começou a espalhar as cartas por sobre o tapete. Quando o baralho já estava todo disposto, ela virou as cartas e ficou observando por um longo tempo até que novamente se voltou para mim.
XV: Seu futuro está escrito nas cartas, minha doce menina. Elas jamais mentem. Jamais escondem o destino. Seu coraçãozinho não tardará a conhecer o amor. Sim, ele está perto, minha jovem, mais perto do que possas imaginar, e vai demorar até que você saiba que o ama. As cartas dizem que vocês viverão a paixão em toda a sua intensidade, mas demorarão pra perceber o que sentem.
IM: Só se for ter um romance com o Bartolomeu, meu esquilo... Mas sabe, eu já sei que o amo e...
XV: O destino nem sempre é objetivo, minha querida. Às vezes ele dá muitas voltas. Será seu grande amor, certamente o primeiro, mas talvez não o último. O seu coração tem que estar preparado para distinguir o futuro desse relacionamento de vocês...
AB: Foi exatamente o que te disse Isabel... Viu como consigo tirar bem as cartas? Vamos indo agora?
XV: Se acalme jovem menina... O baralho deve ser lido pra você!
AB: Ah, obrigada, mas eu mesma posso fazer isso...
Antes que Lina pudesse dizer qualquer coisa, a cartomante já dividia novamente o baralho e o espalhava pelo tapete. Minha amiga consentiu que seria inútil lutar contra ela.
XV: Então, minha querida jovem, você também lê as cartas, não é? Entendo... Sim, algumas pessoas não conseguem entender o próprio destino. Vejo que você carrega uma profunda tristeza em seu coração. Hum, aqui está... Sua mãe. Mesmo não estando fisicamente presente, ela acompanha sua jornada psíquica, querida; veja esta carta. Ela está presente em sua vida, e é mais forte que as demais. Vejamos... Você tem o coração repleto de desejo... Desejo e paixão... Seu corpo e sua alma clamam por um amor transcendental, que te acompanha há muitas vidas. Ele está próximo, muito mais próximo do que você sequer imagina. Haverá muita dor e sofrimento. O amor de vocês será considerado impossível por sua gente. Vejo desespero. Angústia. Medo.
AB: A carta da morte...
XV: Sim. Mas talvez não signifique a morte de seu amado. Talvez ainda exista uma chance nesta vida. Seu amor está realmente muito próximo, suas almas caminham juntas por este mundo. Muito em breve você descobrirá quem é. E precisará de muita coragem para lutar por seu amor. As barreiras terão que ser quebradas, e uma escolha fundamental terá que ser feita. Vocês serão malvistos, julgados como já foram em quatro encarnações, mas talvez não sejam condenados... Sinto muito querida, mas as cartas não querem ser mais explícitas.
Fiquei voltando meu rosto de uma para a outra sem entender nada, até que Lina levantou-se e começou a agradecer a cigana me arrastando pra fora dizendo que nós tínhamos que ir. Paguei à cigana e saímos apressadas pela passarela ainda em silêncio constante. Quando já atravessávamos a barreira para o mundo bruxo, Amaralina me olhando séria pediu que não comentasse com ninguém aonde havíamos estado pela manhã e quando consenti entramos na Champs Elysée.
Caminhamos pela avenida parando por uma loja ou outra. Depois fomos almoçar e tomar sorvete e continuamos andando pela outra metade da avenida. Nunca um dia foi tão bem gasto... Visitei parte trouxa, parte cigana, parte bruxa, e ainda tivemos tempo de tomar um sorvete. É, e eu pensei que me surpreenderia com Paris, mas essa cidade ultrapassou os meus limites de imaginação!
O anel de Claddag
MD-Você não quer vir mesmo, Morgan? Adoraríamos a sua companhia... - insistiu minha amiga mais uma vez, enquanto passava embaixo de uma nuvem de perfume.
MOH-Não. Preciso terminar estas coisas e quero ver o Porshy. Ele está sumido estes dias. - e guardava nos bolsos da veste alguns biscoitos de canela.
MD-Ok. Trarei as coisas que você pediu, não se preocupe. - disse enquanto saía do nosso dormitório.
Havia voltado a poucos dias de Londres, e por causa da enorme quantidade de matérias atrasadas resolvi não ir ao passeio pelas ruas de Paris, embora Isa dissesse que seria uma ótima oportunidade de relaxar depois da tensão que vivi. Bem... Vontade não me faltava, mas eu tinha outras coisas em mente.
MOH- Porshy preciso de você. - disse em alto e bom som, e um ploc logo foi ouvido.
Proshy- Estou aqui Mestra.
MOH- Não gosto de fique que chamando de mestra, você é livre, e sabe disso.
Porshy - Eu sei, mas é como deve ser agora. - respondeu e pelo seu jeito não adiantava insistir.
MOH- O que você descobriu em minha ausência?
E logo ele me contava que o professor de Mitologia tinha um armário em seus aposentos, que ele não permitia que se aproximasse. Seu colega elfo foi duramente repreendido, quando tentou abrir o armário para guardar as roupas e o professor o ameaçou de lançar-lhe um feitiço de extinção.
MOH-Mas... O que ele costuma fazer nestes dias de folga? Conseguiu alguma coisa?
Porshy-Ele não permite que limpemos os seus aposentos sem sua presença. Porshy vai ter que ir lá, outra hora.
MOH-Sim, com bastante cuidado. E foi só este professor que agiu estranho?
Porshy - Não mestra, aqueles homens do Ministério também agem esquisito. Porshy ouviu conversas sobre represálias, mas quando eles viram que eu estava na sala, mudaram de assunto.
MOH-Bem acho que vou dar uma volta pelo castelo, e tentar descobrir mais alguma coisa, sobre estes professores.. - eu falava quando ouvimos um barulho na janela.
Olhei para lá e meu queixo caiu: Havia um hipogrifo enorme em frente da minha janela e em cima do animal, Carlinhos sorria travessamente.
MOH-Você enlouqueceu? – enquanto abria a janela e olhava ao mesmo tempo brava e encantada por vê-lo.
Porshy-O mestre está curado! - dizia dando pulinhos ao meu lado.
Carlinhos acenou para ele e perguntou:
CW-E aí? Não quer sair comigo? O Bicuço gosta de voar com garotas bonitas. - e me estendeu a mão.
Logo estava passando minhas pernas e saindo pela janela, segurei em sua cintura, enquanto voávamos cada vez mais alto.
Abracei-o forte e disse em seu ouvido:
MOH-Você quase morreu, como deixaram você sair por aí assim? É perigoso.
CW-Estou curado! Alguém precisava tirar o Bicuço da sede da Ordem e devolver ao Hagrid em Hogwarts, então eu me ofereci. Claro que avisei que ia fazer um pequeno desvio. - e riu daquele jeito que eu adorava.
-Segure-se. - e com um pequeno gesto de sua mão na corrente, o hipogrifo desceu rápido fazendo meu coração disparar, voando por sobre o lago da escola. Estávamos tão perto que podíamos ver nosso reflexo na água. Pude ver como a escola era linda vista do alto.
Senti um pouco de saudades do tempo que jogava quadribol.
Logo o animal subiu novamente e ao comando de Carlinhos, voou para o pequeno Chateux, próximo do castelo, que eu havia alugado para nós.
Bicuço pousou suavemente nos fundos da casa, próximo ao pomar e assim que descemos ao chão, nos beijamos.
Ficamos alguns minutos assim, até que o bicho resolveu comer meus biscoitos de canela, e fiz a sua vontade.
MOH-Você pode ter uma recaída. - disse com meus olhos grudados nele.
CW-Com o Bicuço eu cheguei aqui em duas horas. Quase tão rápido quando vir de Testrálio, e o Gui sabe para onde vim, e que horas devo estar de volta a Londres.
Entramos na casa e ela estava toda arrumada, como se estivesse nos esperando. Nos sentamos em frente à lareira e nos pusemos a falar sobre as últimas descobertas de Porshy.
CW-Acho que você devia falar com Máxime.
MOH-Falar o quê? Ainda não há nada de concreto. Primeiro vou ver o que descubro, aí falo com ela.
CW-Mas.. .E se algum deles for comensal? Pode estar preparado para alguma coisa assim.
MOH-Por isso preciso investigar, pois o professor de Mitologia é ótimo conosco, quer dizer... O Ian o detesta, acho que é porque algumas meninas são apaixonadas por ele.
CW-Quer dizer que o tal suspeito é bonitão?
MOH-Sim, ele é bem bonito, educado, e tem um jeito de falar... Hu-lá-lááá. - disse fazendo biquinho e revirando os olhos e logo ele me prendia em seus nos braços.
CW-Ah é? Sendo comensal ou não, já não gosto dele. - e começamos a rir, quando ele me colocou de volta ao chão, muito sério, pegou uma caixinha de dentro das vestes e começou a dizer solene enquanto a abria:
"Um jovem ourives foi raptado por piratas, ficou muito tempo longe de sua amada, e enquanto esperava o seu regresso, ele desenhou um anel que exprimia todo o seu sentimento: consistia num coração para expressar seu amor, uma coroa para expressar sua fidelidade e mãos para representar sua amizade. Após cinco anos ele voltou e descobriu que a mulher o havia esperado e a presenteou com o anel. Desde então este anel tem sido um presente de casamento."
CW-Eu havia prometido a mim mesmo, só fazer esta pergunta depois que o perigo acabasse, mas não podemos prever quando vai terminar, e a toda hora que eu vejo você, esta pergunta se forma em minha boca: Morgan... Aceita casar-se comigo? – e antes que eu respondesse ele continuou rápido:
CW- Talvez você queira pensar, ou eu fui apressado demais...
MOH-Aceito. - e estendi minha mão esquerda para que ele colocasse o anel e depois coloquei o dele.
Sei, que vai demorar um pouco para nos casarmos, estou terminando a escola; mas eu já me sinto ligada a ele, como se estivéssemos apenas formalizando algo que nossos corações, já sabem há muito tempo.
N.AUTORA: o anel de Claddag é um costume irlandês, terra da personagem Morgan e é utilizado até os dias de hoje.
Saturday, December 03, 2005
Pelas ruas do Champs Elysée tudo pode acontecer...
Acordei cedo naquele sábado, 03/12/96, dia do nosso 1º fim de semana em Paris. Aqui em Beauxbatons nós temos três fins de semana destinados a batermos perna na capital da França, torrando nossos galeões pelas ruas paralelas ao Champs Elysée, ou para quem sabe se comunicar direito sem dar bandeira, gastar dinheiro trouxa nas dezenas de lojas da avenida. Ainda estava escuro, mas pelo meu relógio, o barco que nos leva até lá sairia em três horas. Bernard ainda dormia tranqüilo, então sai do quarto para não acorda-lo. Não conseguia tirar da cabeça as palavras de Dominique... “Chega nela logo antes que outro faça isso!”, ele me disse depois que comuniquei ao mesmo que não teria coragem de seguir seu conselho estúpido sobre como abordar uma garota. Havia conversado com Morgan sobre isso e ela me garantiu que isso não funciona sempre, era mais seguro não arriscar.
Desci para tomar café com as palavras do meu amigo martelando na minha cabeça. Não precisava ser bruto com ela, mas tinha que fazer alguma coisa. Estava decidido, iria ser hoje durante o passeio. Existe lugar melhor para esse tipo de assunto do que as ruas de Paris? A cidade luz, considerada por muitos a mais romântica do mundo, tanto bruxo quando trouxa? O salão ainda estava vazio, somente meia dúzia de alunos-coruja estavam espalhados por ele, tomando o café ainda quente, acabado de ser servido pelos elfos. Vou começar a considerar levantar cedo, pela 1ª vez em seis anos o pão não está duro e as torradas estão inteiras, não é um quebra-cabeça. Bernard apareceu algum tempo depois, uma cara de quem foi acordado a força e ainda dormiria por pelo menos uma hora.
BL: Bom dia.
IL: Ta de mau humor?
BL: To. Aqueles pivetes do 3º ano resolveram acordar a todos, excitados com a primeira visita a Paris... Juro que se não fosse monitor, teria azarado todos.
IL: Sorria, vamos passear hoje! Aqui, come uma torrada, olha como ela é bonita quando ainda é um quadrado!
BL: Geléia! Nós já comemos isso aqui na escola??
Acabamos o café quando a escola estava descendo para começar a comê-lo e resolvemos esperar por Dominique e Marie no cais. Atualizei Bernard sobre minha decisão de falar com ela de uma vez por todas e ele me apoiou. Quando o assunto acabou, o restante dos alunos chegou e madame Maxime liberou a entrada no bâteaux.
A viagem seguiu tranqüila, sem novidades. Como de costume, os meninos e eu entretemos a tripulação com piadas idiotas e brincadeiras com os alunos mais novos, fazendo o percurso parecer menos demorado. Ao desembarcarmos na Pont de la Concorde, nos separamos. Marie foi com as amigas comprar roupas na parte trouxa da cidade e eu segui com os garotos para o lado bruxo. Esperaria até à hora do almoço, iria convidá-la para almoçar em um daqueles restaurantes trouxas do Champs-Elysée e tocaria no assunto.
A manha correu rápida. Enchi os bolsos com produtos da loja de logros e comprei penas e tintas que estavam acabando. Comprei também algumas roupas na parte trouxa, coisas da moda deles que pareceram boas. Não parava de olhar no relógio, esperando dar meio dia e eu ir ate onde sabia que ela estaria. Despedi-me dos meninos, pois tudo que não queria era platéia, e marchei até a avenida principal. Avistei logo suas amigas encostadas em uma arvore, rindo. Aquelas risadas idiotas que as meninas sabem fazer quando querem te constranger. Corri os olhos pela calçada ao redor delas tentando encontra-la. Derrubei todas as sacolas que carregava assim que meus olhos a acharam. Ela estava parada em frente a uma loja de perfumes e não estava sozinha. Um garoto que reconheci como Antoine Georges, da Lux e mesmo ano que eu, estava de mãos dadas com Marie e eles se beijavam. Entendi na hora o porquê das risadinhas das amigas. Recolhi as sacolas no chão e passei por eles depressa, descendo a rua. Ouvi Marie me chamar, mas ignorei, fingi que não havia escutado. Minha vontade era de sumir dali, se já tivesse prestado o exame de aparatação, não teria pensado duas vezes e estaria longe.
Andava sem prestar atenção, esbarrando nas pessoas que passavam por mim. Já estava quase no final da avenida quando parei. Havia um café ali perto e como estava cansado e com raiva, sentei numa das mesas do lado de fora. Estava com raiva sim, mas não de Marie ou do idiota do Antoine. Estava com raiva de mim mesmo por ter esperado tanto tempo! Se tivesse feito algo ao menos antes de sair da escola, talvez fosse eu no lugar do intrometido.
Abaixei a cabeça na mesa, o café e o muffin que havia pedido esfriando, e tive a impressão de que adormeci, quando senti uma mão me balançar devagar e uma voz suave chamando meu nome. Levantei a cabeça pesada, os olhos marejados, e Nathalie Deruelle estava parada na minha frente. Nathalie foi minha namorada há uns dois anos, mas por alguma razão decidimos que seria melhor continuarmos amigos. Ela era da Lux e nos conhecemos há mais de nove anos. Ela sentou-se ao meu lado, me perguntando o que eu tinha. Contei a ela o que aconteceu, sem dizer que a pessoa por quem estava daquele jeito era minha melhor amiga. Fiquei feliz por ter sido ela a 1ª pessoa com quem encontrei, era muito mais fácil conversar com Nathalie sobre isso do que com os garotos. Ela me ouviu pacientemente por horas e horas, tentando me consolar, dizendo que tudo ia ficar bem, que ela ia perceber que eu era a pessoa certa pra ela e não o outro. Encarei minha amiga por um tempo. Ela havia crescido, estava mais alta, não usava mais óculos, estava mais bonita do que sempre foi. Naquele momento me perguntei por que havíamos terminado o namoro, se sempre nos demos tão bem, e não consegui encontrar a resposta. Agindo sem pensar, segurei seu rosto e a beijei. E para minha surpresa, ela correspondeu ao beijo...
Paris: cidade da fama, das lojas, das luzes... bleeergh!!
Tá certo, durante esta semana, eu e o professor de DCAT metido a sabe-tudo declaramos guerra, dessa vez de verdade. Ele consegue ser insuportável!! Uma Hermione Granger de calças e com diploma nas mãos. Aaaargh!! Mas vou deixar pra me preocupar com ele mais tarde. Não quero passar o fim de semana trancafiada na sala dos lustres limpando lâmpadas.
Quim enviou mais uma coruja, um tanto... romântica pro meu gosto. Cheio de declarações, parecia que não me via há três milênios... Odeio quando ele fala, fala, mas não faz. Sei que estamos longe, mas ou dá um jeito de fazer o que diz nas cartas ou então não diga. Isso é tortura psicológica.
Era a primeira visita a Paris. Eu já conhecia a cidade, obviamente, e pra falar a verdade nunca achei graça nenhuma naquelas lojas voluptuosas e cheias de frufrus que eram o sonho de consumo das minhas fúteis coleguinhas. Bel, assim que desembarcou do navio, correu à Biblioteca Nacional. Mais tarde ela iria ao Louvre, onde provavelmente passaria o dia namorando aqueles quadros mais antigos que o meu tatatatataravô e que nem a capacidade de se mexer têm. Mas, gosto é gosto.
Visitei meia dúzia de lojas de artefatos mágicos, e enchi meus bolsos em duas lojas de logros no fim da avenida. Havia pouquíssimas pessoas lá, acho quer a maioria dos alunos metidos a espertinhos ainda não sabe onde se encontram artigos realmente valiosos. Não, eu não comprei nenhum baú repleto de magia negra, nem um punhal de artes das trevas. Ainda não estou doida, continuo servindo à Ordem.
Ah sim, passei no Ministério da Magia francês para saber da minha situação e descobri que fui remanejada para o setor esportivo. Acho que meus dons de poliglota estão fazendo efeito. Então, eu não preciso mais cumprir horário em uma sala repleta de aviõezinhos de papel e uma secretária fajuta que canta meu namorado, mas vou acompanhar a maioria dos jogos do campeonato europeu de quadribol durante o próximo ano. Obrigada Merlin, era tudo que eu precisava... Prometo ao Papai Noel que serei uma boa menina ano que vem (na medida do possível, claro). Quem sabe eu não viro Ministra da Magia...
Encontrei Quim próximo a torre Eiffel. Arregalei os olhos quando o vi. Parecia quase duas vezes maior do que da última vez que nos encontramos. Sorrindo de orelha a orelha, fui até ele, e ele me fez rodopiar no alto. Meus lábios se colaram aos seus por um longo tempo. Ainda sentia calafrios toda vez que aquelas mãos enormes percorriam as minhas costas. Quando me colocou no chão, ele sorria. Um sorriso doce, como uma criança que acabava de ganhar um sorvete triplo de chocolate. Fez um comentário a respeito do meu novo visual (acho que ele gostou dos tererês coloridos aplicados na base de um feitiço fixador nos meus cabelos), e então disse que queria me mostrar um lugar. Com um ponto de interrogação desenhado na testa, mas bastante curiosa, eu o acompanhei.
Caminhamos um bom tempo de mãos dadas, conversando trivialidades. Algumas garotas de Beauxbatons passavam por nós e eu percebi que o queixo delas ia ao chão, quando viam o gigante ao meu lado. Sorri, satisfeita, e segurei o braço de Quim, que me encarou por alguns instantes e depois me abraçou.
Paramos em frente a uma magnífica construção medieval, de estilo gótico. Era a Catedral de Notre-Dame. Imponente, única. Simplesmente indescritível. Quim começou a discursar a respeito da construção daquela Igreja, dedicada à Virgem Maria, mas era muita informação e meus olhos estavam mais interessados na beleza que estava a minha frente do que propriamente na história medieval da França. Lembro ter ouvido que ela foi restaurada depois da Revolução Francesa, mas nunca fui um exemplo nas aulas de História da Magia, quem dirá em História trouxa.
Havia um restaurante próximo, e como eu estava mais interessada em aproveitar bastante a companhia do grandalhão do que em comprar vestidos e sapatos, passamos o dia todo ali, juntos. Assim, Quim sabia que eu não estava aprontando nada (quem vê pensa que eu sou um péssimo exemplo de conduta e boas maneiras, tsc, tsc...) e eu, além de tirar proveito do meu chocolate tamanho família, ainda estava livre do projeto de múmia, que não ousou se aproximar de mim com Shacklebolt aos calcanhares.
No fim da tarde, hora de voltar para o castelo, Quim me levou até o Rio Sena, onde nos despedimos. Vi Isabel e aquela amiga estranha dela chegando tortas, com pelo menos 15 sacolas em cada mão. Sinceramente, eu não consigo entender o que leva uma pessoa a desperdiçar um dia inteirinho comprando saias. Falta de opção, só pode. Entrei no barco e sentei no bico da proa, sobre a rede. A água estava transparente, e eu podia enxergar os peixes nadando no fundo. Quim havia ficado em terra, e acenava para mim.
Quando o barco tomou velocidade e sua imagem tornou-se quase indistinguível na margem, deitei sobre a rede e fiquei admirando o céu. O sol se punha no horizonte e as primeiras constelações começavam a fulgurar. Lá estava ela, a maior e mais bela constelação de todo o Hemisfério Norte. Cão Maior. Lá estava toda a família Black. Lá estava a mais brilhante de todas as estrelas. Sirius. Uma onda de melancolia tomou conta de mim. Meu amado irmão, não imagina como faz falta. A estrela de Almofadinhas brilhava cada vez com mais intensidade, como se estivesse a me observar.
Talvez seja efeito do balanço do barco, ou talvez eu esteja mesmo tendo alucinações. Mas tenho certeza absoluta que enxerguei seu rosto alegre no céu, entre as estrelas, sorrindo para mim. Meu irmão. Queria você aqui, agora. Comigo, Sirius...
Friday, December 02, 2005
A vida é curta...mas deve ser vivida intensamente - parte 2
Have you ever seen the morning
When the sun comes up the shore
And the silence makes
A beautiful sound
Have you ever sat there waiting
For the time to stand still
For all the world to stop
From turning around
And you run
'Cause life is too short
And you run
'Cause life is too short
Sai da lareira no hospital St.Mungus, e espanei um pouco as cinzas das vestes. Estava um pouco enjoada, mas era o nervosismo. Caminhei até o balcão de informações e antes que dissesse alguma coisa, Gui veio ao meu encontro e logo nos dirigíamos ao quarto de Carlinhos.
MOH-Como ele está? E como aconteceu?
GW-Ele estava indo pra Romênia, via Londres trouxa, e de repente na estação apareceram uns comensais e começaram a atacar as pessoas. Ele deu um alerta rápido, mas enquanto duelava acabou sendo ferido, e perdeu muito sangue. Quando chegou os médicos não encontravam a causa da hemorragia. De repente Carlinhos abriu os olhos e disse onde era o problema, foi operado e agora está bem. Quer dizer... Há o perigo da febre alta, mas estando aqui no hospital vai ser mais fácil.
Chegamos ao quarto e ele estava muito pálido em contraste com os lençóis, e dormia tranqüilamente. O pai dele estava sentado ao lado da cama enquanto a mãe acariciava seus cabelos. Ela parou quando entramos, pondo o dedo nos lábios pedindo silêncio.
- Acabaram de dar uma poção do sono para ele. - disse baixinho.
MOH- E a poção para repor o sangue, já está sendo dada? - perguntei mais para ocupar-me, pois o cheiro que lembrava beterraba cozida, estava no ar.
CW- Já amor, ela tem gosto de coisa estragada.
Have you ever seen the glowing
When the moon is on the rise
And the dreams are close
To the ones that we love
Have you ever sat there waiting
For heaven to give a sign
So we could find the place
Where angels come from
And you run
'Cause life is too short
Olhamos e Carlinhos estava de olhos abertos na cama, com um sorriso fraco nos lábios.
Minha vontade era de pular em cima dele, mas segurei suas mãos que estavam frias, para transmitir meu calor a ele.
MW- Como é possível que você esteja acordado? Acabou de tomar uma poção do sono fortíssima.
CW- Morgan, não se preocupe. - apertou minha mão e seus olhos se fecharam em um sono profundo.
Saímos do quarto e a curandeira que havia cuidado dele, veio falar conosco:
C- Vejo que a Morgan chegou. - disse simpática e sorri para ela.
AW-Quando meu filho sai do hospital?
C- Ele precisa ficar aqui alguns dias tomando uma poção para repor o sangue perdido.
MOH- Ele detestou o gosto da poção. Disse que tem gosto de coisa podre.
C-Hehe, alguns pacientes odeiam esta poção.Agora nossa preocupação é a febre. Ela já deve ter começado.
MOH-E o feitiço da Purificação?
C-Não o fizemos, pois só havia dois curandeiros, aptos a realizar este feitiço, e precisamos da energia de três.
MOH- Eu posso ser a outra pessoa. - sugeri
C-Você é curandeira? - perguntou-me cética.
MOH- Minha mãe era curandeira em Dublin e eu a auxiliei algumas vezes, neste feitiço.
C- Isto só é feito por curandeiros adultos, e pelo que vejo você ainda está na escola.
MOH-Já sou maior de idade. E se a febre vier forte, com a fraqueza que ele se encontra poderá ser mais perigosa, do que o ferimento anterior.
MW- Morgan, querida, você ainda é jovem para tomar algumas decisões e...
AW- Ela já é maior de idade, querida, sabe o que está fazendo. - disse apoiando-me.
MOH- O Carlinhos não precisa passar por um sofrimento desnecessário. -disse firme.
A curandeira me olhou e resolveu: Vou buscar o outro curandeiro.Faremos o feitiço.
Fizemos o feitiço, e logo ele estava com sua temperatura normal.
Um bom número de obliviadores trabalhou rápido e na parte trouxa de Londres dizia-se que tinha havido um curto circuito e a tubulação do gás que passa próximo havia explodido. Mas no lado bruxo, o Ministério estava convocando os Aurores aposentados, para aumentar a segurança da população, dizia-se que até os estagiários da Academia, foram convocados.
There's a time that turns
I'd turn back time
But I don't say
I canIt only works if you believe in the truth
Well there's a time to live
And a time to cry
But if you're by my side
I will try to catch a star
I'll try to catch a star
Just for you
And I run
'Cause life is too short
And I run...
Havia saído para tomar um café, enquanto ele recebia a visita de Tonks e alguns membros da Ordem, mas como esqueci um vidro da poção vazio voltei para pegá-lo, quando ouvi uma conversa em tom mais baixo:
NT- Você tem certeza que o tal homem assobiava, enquanto lançava a maldição Cruciatus? Que doentio.
GW- Seria o mesmo que matou o John O’Hara? – meu coração falhou uma batida.
CW- Era o mesmo sim, tenho praticamente certeza, e não deixem a Morgan saber disso. – ele respondeu.
Fiquei por um tempo encostada na parede do lado de fora da porta, ouvindo o que eles falavam, e uma decisão que havia tomado há um bom tempo atrás se fortaleceu:
Eu preciso achar este assassino, não só pelos meus pais, mas se eu quiser ter algum futuro com o Carlinhos. Ele não se cansa de matar.....
'Cause life is too short
And I run
'Cause life is too short
And I run
'Cause life is too short
N.AUTORA: Life is too short - Scorpions
Thursday, December 01, 2005
A vida é curta...mas vale ser vivida. - parte I
Olá diário.... Quanto tempo...
O dia das bruxas para mim foi uma surpresa ótima. Carlinhos e eu ficamos grudados até o momento dele partir, via chave de portal.
Conversamos muito sobre nós, e o senti um pouco relutante em relação a nossa distância. Reclamou muito sobre sentir-se sozinho, mas fiz ele enxergar que se eu estivesse em Hogwarts, ele ainda estaria na Romênia, terminando o seu curso. Portanto, é questão de ter paciência, e se ele não tiver diário é porque não me ama tanto assim não é?
Após nos despedirmos na sala de Madame Máxime, voltei para o meu salão comunal e pude ouvir e rir o relato animado de Ian sobre a peça pregada no dia das Bruxas. Alguns ainda o olhavam com expressões desconfiadas, mas ainda sim riam de suas imitações de comensal. Logo fui dormir e estranhei o jeito calado de Marienne.
MOH-O que houve? - perguntei.
MD-Julian.... - disse simplesmente.
Os cantos de minha boca se curvaram num sorrisinho e perguntei cínica:
MOH-O que tem ele? - comecei a rir do jeito ultrajado dela.
MD-Ora, não seja cínica. Você tem visto o jeito dele.É adorável mas...
MOH-Mas você está apaixonada pelo professor de Mitologia. - respondi por ela e seus olhos castanhos se arregalaram.
MD-É tão óbvio assim?
MOH-Bom... Já observei mais outras duas garotas lançando olhares esperançosos para o homem também. Não tenho nada contra isso, afinal ele é charmoso, educado, bem diferente dos garotos de nossa idade, mas você já parou para pensar que amor unilateral não dá frutos?
Acho que fui um pouco direta demais, e seus olhos ficaram meio embaçados, e procurei remediar a situação:
MOH-Olha enquanto não terminarmos a escola, você ou qualquer outra menina não tem chance com o professor.Porque você neste período, não tenta conhecer melhor Julian? E se for um amor de verdade o que você sente pelo professor, após o término das aulas, você o convida para um chocolate quente na Torre Eiffel, e se ele estiver interessado, não vai faltar.
MD-Acho que você tem razão, e Julian é tão atencioso comigo, e temos tanto em comum... Sabe que ele adora jogar xadrez de bruxo? – e ela passou o resto da noite falando sobre as qualidades de Julian.
As aulas retomaram o ritmo normal, e por incrível que pareça não estava me saindo mal em Oclumência, consegui fechar minha mente por dez segundos, antes da invasão do professor, e com isso tive tempo de lançar um feitiço de proteção para me defender. A aula corria bem, quando um monitor do quinto ano entrou na sala.
M-Professor desculpe-me por interromper, a diretora quer ver a senhorita O’Hara na sala dela com urgência.
O professor me liberou com um aceno de cabeça e lá fui eu até o escritório da diretora.
OM-Senhorita O’Hara. Sente-se, por favor.
Sentei-me em frente a sua mesa e aguardei. Suas feições estavam preocupadas e meu coração começou a bater mais rápido:
OM-Acabo de ser informada pela Ordem da Fênix, sobre um ataque de comensais ocorrido em Londres.
MOH-Como foi? Quem foi ferido? O que podemos fazer? - disse atropeladamente e na pressa a cadeira caiu ao chão.
OM-Eles atacaram a parte trouxa da estação Kings Cross, e por sorte havia um agente nosso lá, que conseguiu pedir reforços, e evitou que o dano fosse maior.
Eu havia tornado a me sentar e ao olhar nos olhos de madame Máxime, meu estômago se revirava nauseado quando perguntei:
MOH-Como está o Carlinhos? - a bruxa me olhou com um pouco de pena, antes de responder.
OM-Ainda está vivo. Está no St. Mungus em estado grave. - eu senti que tudo a minha volta ficou preto, mas puxei o ar para dentro dos pulmões com tanta força, que minha vista clareou.
(Ele está vivo e vai continuar vivo. – dizia a mim mesma enquanto jogava pó de Flú e entrava nas chamas verde esmeralda da lareira de Beauxbatons).
Continua...